sexta-feira, março 05, 2010

OS PIORES LIVROS QUE FIZERAM A CABEÇA DE MUITA GENTE

É comum encontrar na internet listas de "melhores" ou "piores", geralmente de filmes, programas de TV etc. Vez ou outra deparo com uma lista de "piores livros", geralmente obras literárias, publicadas em algum site ou comunidade estrangeiros.

Resolvi também dar minha contribuição, apresentando aqui uma relação dos 32 livros que considero os piores que influenciaram - e continuam influenciando - a cabeça de muita gente. O fato de serem 32 não quer dizer nada: trata-se dos livros que achei que não deveriam faltar numa lista dessas. A ordem da lista também não corresponde a nenhuma classificação: segue uma ordem cronológica, por data de publicação.
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Provavelmente, você já teve que ler alguma dessas obras-primas que vêm a seguir. Dificilmente, acredito, chegou até o final, assim como eu. Muitas são leitura obrigatória nas universidades, principalmente nos cursos da área humanística. O que dá, por si só, um testemunho sobre a qualidade de nosso ensino dito superior.

Já estou preparando também uma lista com os piores livros de autores brasileiros que fizeram a cabeça de muita gente por estas bandas, que publicarei aqui em breve.

Obviamente, a lista a seguir não é completa. Certamente, há outras jóias do pensamento universal que não estão aqui relacionadas. Fiquem à vontade para citar qualquer obra que vocês acham merece figurar nessa galeria. Aceito sugestões.

Eis a lista.


1- O Manifesto Comunista, Karl Marx e Friedrich Engels (1848) – Panfleto que é a certidão de nascimento do “socialismo científico”. É o modelo de todos os manifestos de esquerda. Preparou o terreno para algumas das piores ditaduras da História e para a morte de mais de 100 milhões de pessoas no século XX. É, para muitos, o primeiro texto esquerdista que lêem - e, para alguns, o único.

2 - O Capital, Karl Marx (1864) – Bíblia da economia marxista, quase ninguém leu, mas muitos, marxistas ou não, consideram-no o novo Evangelho. É provavelmente o livro mais citado e menos lido da História. Previu o fim inexorável do capitalismo, sempre anunciado e sempre adiado. Leitura extremamente árida, idéias piores ainda.
3 - Ariel, José Enrique Rodó (1900) – Livro chatíssimo, de escrita barroca. Embora curto, é quase ilegível. Defende a tese de que a cultura hispano-ibérica,
supostamente mais espiritualizada, é superior à anglo-saxônica, “materialista e vulgar”. Não surpreende que tenha se tornado um clássico do antiamericanismo.

4 - Que Fazer?, Vladimir Lênin (1903) – Um guia para a organização do partido revolucionário comunista. Lançou as bases para o Partido Bolchevique na Rússia, a maior máquina totalitária da História. Respondendo a pergunta que dá título ao livro: não abra.

5 - Os Protocolos dos Sábios de Sião (1903) – Clássico do antissemitismo, ajudou a divulgar a mentira da "conspiração-judaica-para-dominar-o-mundo". Obra apócrifa, cheia de absurdos, sua autoria foi atribuída, como parte da lenda, a uma suposta cabala judaica, mas foi escrita mesmo pela polícia czarista russa.
6 - O Estado e a Revolução, Vladimir Lênin (1918) – Olha ele aí de novo. O pai do totalitarismo foi um escritor prolífico. Nesse livreto, ele prevê o “fim progressivo” do Estado após a tomada do poder pelos comunistas e a instauração da "ditadura do proletariado". Ocorreu exatamente o contrário.

7 - O Judeu Internacional, Henry Ford (1920) – Texto antissemita escrito pelo fundador e dono da Ford. É a prova de que homens de negócios também podem ser estúpidos.


8 - Minha Luta (Mein Kampf), Adolf Hitler (1925) – Livro que lançou as bases da ideologia nazista. Precisa dizer mais?

9 - Comunismo Soviético: Uma Nova Civilização, Sidney e Beatrice Webb (1935) – Relato de viagem do casal inglês, pais do socialismo britânico e “companheiros de viagem” do comunismo, cheio de elogios à URSS de Stálin. Modelo de cegueira ideológica que seria imitado à exaustão nas décadas seguintes.


10 - A Revolução Traída, Leon Trotsky (1936) – Considerado por muitos um livro anti-soviético, é na verdade uma tentativa de o autor, um dos construtores da URSS, isentar-se de culpa pela ditadura comunista. Defende a tese de que o stalinismo foi um desvio de rota, uma “traição” dos ideais da Revolução Russa, que seria supostamente antiautoritária e antiburocrática. Um perfeito exercício de “salvar a própria cara”, poderia ter como subtítulo: "Como construir um Estado totalitário e depois posar de vítima".
 

11 - Cadernos do cárcere, Antonio Gramsci (1937) – Ensina os comunistas a tomar o poder de maneira solerte e quase imperceptível, mediante a “conquista de espaços” e a “hegemonia" cultural. Mostrou o caminho das pedras aos petistas e a seus assemelhados da esquerda festiva, que se dedicam a minar as instituições democráticas, enquanto se fingem de democratas.
12 - A Personalidade Autoritária, Theodor W. Adorno (1950) – Livro de um dos expoentes da neomarxista "Escola de Frankfurt", bastante influente desde os anos 60, defende a falácia de que a “direita” é autoritária, mas a “esquerda”, não. Muito usado para “provar” que qualquer um que se oponha às idéias de esquerda sofre de distúrbios psiquiátricos. Provavelmente, um caso de inversão psicológica.

13 - A História me Absolverá, Fidel Castro (1953) – Teoricamente, é a transcrição do discurso que Fidel Castro fez durante seu julgamento pelo ataque ao quartel de Moncada, em 1953. Na realidade, é um panfleto de propaganda política feito a posteriori para enaltecer o ditador. Uma das maiores armações editoriais já feitas em todos os tempos, à altura do regime dos irmãos Castro.
14 - A Guerra de Guerrilhas, Che Guevara (1960) – “Manual” que pretendia ensinar a combater e derrotar o "imperialismo" a partir de um pequeno grupo ou foco de combatentes (foquismo). O autor, depois de fuzilar algumas centenas de prisioneiros políticos e de ajudar a arruinar a economia de Cuba, tentou implantar seus ensinamentos no Congo e na Bolívia. Foi derrotado nas duas vezes e acabou preso e executado, provando de seu próprio veneno. Depois disso, virou ídolo pop e estampa de camiseta, usada por adolescentes com hormônios de mais e neurônios de menos.

15 - Furacão sobre Cuba, Jean-Paul Sartre (1960) – Livro em que o filósofo existencialista, autor da frase inacreditável “Todo anticomunista é um cão”, dá vazão á sua paixão pelos revolucionários cubanos, em especial a Che Guevara, que ele descreveria depois como “o ser humano mais completo do século XX”. Sem comentários.

16 - A Verdade sobre Cuba, C. Wright Mills (1960) – Apesar do título, não passa de um panfleto contra o “imperialismo” dos EUA e a favor do regime de Fidel Castro em Cuba. Uma das maiores mistificações de todos os tempos.

17 - Os Condenados da Terra, Frantz Fanon (1961) – Clássico do terceiromundismo, advoga abertamente a violência dos “oprimidos” contra os “opressores”. O autor, que era psicólogo, chega a enaltecer as “virtudes psicológicas” da violência revolucionária. Muito lido por terroristas e militantes do racismo negro, atualmente chamados "defensores de cotas raciais".

18 - A Mística Feminina, Betty Friedan (1963) – Livro que, juntamente com O Segundo Sexo (1948), de Simone de Beauvoir, lançou as bases do feminismo. Virou um catecismo de donas-de-casa americanas entediadas e de executivas castradas emocionalmente. Justifica em cada linha a frase imortal de Nelson Rodrigues: “O único movimento feminino que me interessa é o dos quadris”.
 
19 - O Homem Unidimensional, Herbert Marcuse (1964) – Obra de enorme influência nos anos 60, ataca o capitalismo e a sociedade industrial, com base no marxismo e no freudianismo. Uma das bíblias dos pós-modernistas, usa e abusa de Marx e Freud para provar que o capitalismo é um sistema mau e totalitário, ao contrário do que existia nos países atrás da Cortina de Ferro.
 
20 - Revolução na Revolução?, Régis Debray (1967) – Livreto “revolucionário” do escritor francês, admirador de Che Guevara e da Revolução Cubana. Defende a teoria do “foco” guerrilheiro como o caminho para a revolução. Renegado depois pelo autor.
21 - O Livro Vermelho do Pensamento do Camarada Mao, Mao Tsé-tung (1967) – Coletânea de platitudes do maior assassino de massas da História, tornou-se leitura obrigatória dos chineses durante a “Revolução Cultural” dos anos 60. Virou souvenir para turistas.

 
22 - Os Conceitos Elementares do Materialismo Histórico, Marta Harnecker (1969) – Cartilha da vulgata marxista, um dos dez livros que mais comoveram o idiota latino-americano. Adotado nas escolas em Cuba.
 
23 - As Veias Abertas da América Latina, Eduardo Galeano (1971) – Considerada a Bíblia do perfeito idiota latino-americano, escrita por um dos maiores expoentes da turma, um uruguaio fã de Fidel Castro. É um rosário de desgraças do continente, desde a descoberta no século XV, atribuídas sempre aos colonizadores (primeiro espanhóis e portugueses; hoje, os gringos norte-americanos). Pode ser resumido na seguinte frase: somos pobres por causa deles, os “imperialistas”. Também conhecido como As "Véias" Abertas da América Latina.

24 - Rumo a uma teologia da libertação, Gustavo Gutiérrez (1971) – Livro que deu o pontapé inicial na heresia oportunista batizada de “teologia da libertação”, bastante popular na América Latina e representada no Brasil por Frei Betto e Leonardo Boff. Bebe na onda “modernizadora” iniciada após o Concílio Vaticano II (1962-1965) para tentar uma síntese entre o catolicismo e o marxismo, com predominância, claro, deste último. Deu origem a um dos maiores engodos de todos os tempos. Apenas confirmou o dito bíblico de que não se pode servir a dois senhores ao mesmo tempo.

25 - Para Ler o Pato Donald, Ariel Dorfman e Armand Mattelart (1972) – Pequeno manual para “compreender” as mensagens subliminares supostamente presentes nas tirinhas da Disney, por meio das quais o pérfido imperialismo ianque faria lavagem cerebral em nossas crianças. A única lavagem cerebral foi a que sofreram os autores, dois esquerdistas ociosos que viam propaganda imperialista em histórias em quadrinhos.

26 - Vigiar e Punir, Michel Foucault (1975) – Obra de um dos principais representantes da filosofia francesa pós-moderna, apresenta a polícia e as prisões como instrumentos de dominação social, a serviço da “opressão das elites” etc.. Um dos livros preferidos da turma esquerdista inimiga da polícia e amiga de um baseado, adepta do "direito achado na rua" (ou na sarjeta).


27 - Cuba: Ditadura ou Democracia?, Marta Harnecker (1978) – O titulo já diz tudo: a autora, viúva do chefe do serviço de espionagem cubano, tenta argumentar que Cuba não é uma ditadura, mas um regime democrático, até mais avançado do que a mais avançada das democracias capitalistas (!). Bom para servir de papel higiênico na ilha onde este é artigo de luxo.


28 - Aparelhos Ideológicos de Estado, Louis Althusser (1978) – Outro clássico do marxismo acadêmico e de botequim. Afirma que a “superestrutura” (escola, família etc.) tem por finalidade a reprodução do sistema capitalista. Tem pouco mais de 100 páginas, mas é tão chato que é quase impossível ler até o final.
29 - Orientalismo, Edward Said (1978) – Clássico da moda relativista chamada multiculturalismo, defende a idéia de que o “Ocidente” tem uma visão deturpada do “Oriente” (em especial, do Islã). Muito citado por quem tenta justificar fenômenos como o terrorismo islamita. A começar pelo autor, um fervoroso militante anti-Israel, que via nos atentados terroristas palestinos um gesto de "libertação".


30 - O Livro Negro do Capitalismo, Gilles Perrault (org.) (1997) – Tentativa tosca e mal-sucedida de resposta a O Livro Negro do Comunismo, publicado naquele mesmo ano, e que trazia relatos fartamente documentados e irrefutaveis das cerca de 100 milhões de mortes perpetradas pelo comunismo no século XX. Coloca na mesma conta de “crimes do capitalismo” as atrocidades do nazismo, guerras como a do Vietnã e os massacres de povos indígenas durante a colonização nas Américas. Só faltou culpar o capitalismo pela extinção dos dinossauros também. Tudo para desviar a atenção dos crimes do comunismo.


31 - Hegemonia ou Sobrevivência, Noam Chomsky (2002) – Panfleto antiamericano do guru de Hugo Chávez. Resumo: os EUA querem o poder mundial e todos os que se opõem a isso estão defendendo a humanidade. O antiamericanismo de Chomsky é tão intenso que já o levou a defender o regime genocida do Khmer Vermelho no Camboja, nos anos 70. Atualmente, virou autor de referência de Osama Bin Laden.


32 - Piratas do Caribe, Tariq Ali (2008) – O paquistanês Tariq Ali faz a apologia dos governos populistas e caudilhescos da América Latina, como os de Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e Fidel Castro (Cuba) - com uma auréola de santo na capa. Autor também dos inqualificáveis Choque de fundamentalismos (2001) e Bush na Babilônia (2003), Ali chama esses governos de "o eixo da esperança". Só não há esperança para quem tente trazer esse radical trotskista e antiamericano raivoso para o lado da racionalidade. O lema do autor: o que é ruim para os EUA, é bom para a humanidade. Conselho: faça o mesmo que os cubanos e venezuelanos fazem na menor oportunidade – fuja.

Menções honrosas:


História da riqueza do homem, Leo Hubeman (1968) - Espécie de bê-a-bá do materialismo dialético, apresenta um esquema histórico com a evolução dos meios de produção, desde o feudalismo até a ascensão do nazi-fascismo na Europa, pela perspectiva marxista. Primeiro contato de muita gente com a "ciência" econômica de Marx e Engels.


Era dos extremos: o breve século XX, 1914-1991, Eric J. Hobsbawn (1994) - Tudo bem que Hobsbawn é comunista até a medula, mas precisava ser tão condescendente com a URSS num livro de História?
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Aí está. Se você também teve o duvidoso privilégio de ler algum desses livros, e se notou alguma ausência na lista acima, fique à vontade para sugerir outros títulos. Ficarei feliz em incluir as sugestões e comentários que me parecerem mais pertinentes. Afinal, a bibliografia esquerdista e pró-totalitarismo é mesmo infinita. Assim como a estupidez humana, da qual é uma prova contundente, aliás.

P.S.: Pena que aqui não dá pra dizer que este ou aquele livro, ao contrário de certos filmes, é "tão ruim, que é bom"...

quinta-feira, março 04, 2010

COMO JUSTIFICAR UMA TIRANIA SEM PARECER QUE O ESTÁ FAZENDO


Aí alguém me escreve sobre o post "Um comentário para ficar preocupado":
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De Cuba são úteis as heranças do favela-bairro (mal empregado no Brasil), e médico de família (que não justifica a verba miserável destinada a saúde brasileira). Lembrando que os exemplos não justificam a tirania na ilha.
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Odeio dar aula de "Massinha I" para quem não consegue tomar sorvete sem sujar a testa ou se recusa a raciocinar em posição ereta, mas lá vai. Sou um cara paciente.
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Quem enxerga alguma coisa "útil" em um regime como o de Cuba está, mesmo que diga que não, justificando-o. Isso porque está obrigado, pela lógica, a reconhecer os aspectos "úteis" dos seguintes regimes:
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da ex-URSS (1917-1991): o programa espacial e a erradicação do analfabetismo;
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da ex-Alemanha Oriental (1949-1990): os quilos de medalhas olímpicas que o regime comunista ganhava a mais do que a Alemanha Ocidental, capitalista (aliás, Cuba também é conhecida pelo desempenho de seus atletas em competições internacionais);
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da Coréia do Norte (desde 1948): a ausência de engarrafamentos no trânsito e as coreografias em massa ("olha: aulas de balé para as crianças!");
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da Alemanha nazista (1933-1945): a eliminação do desemprego, o sistema de saúde pública, a previdência social, a construção de estradas, a legislação de proteção ao meio ambiente (by Herman Göring);
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da Itália fascista (1922-1943): os trens chegando na hora e a legislação trabalhista.
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Agora imaginem alguém apontando para as "conquistas" referidas acima dos regimes totalitários. Imaginem alguém chamando a atenção para esses fatos para mostrar que tais ditaduras tinham, enfim, um "lado positivo" e "louvável". Com que outro objetivo o faria senão para JUSTIFICAR a tirania? Por que o caso de Cuba seria diferente?
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Qualquer indivíduo que tiver a ousadia de se referir aos aspectos "úteis" ou "positivos" das tiranias citadas acima, invocando para qualquer uma delas o status de "ditadura benigna", deve estar preparado para ser, com razão, execrado em praça pública como um cúmplice de assassinato ou, na melhor das hipóteses, como um idiota útil a serviço dessas ditaduras. Mas é isso exatamente o que muita gente, de boa ou má fé, faz em relação à tirania dos Castro em Cuba: esta seria uma ditadura, mas "do bem", ou seja, que censura, prende, tortura e mata, mas faz isso tudo para o bem do povo...
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Vou repetir para que fique bem claro: ainda que - notem bem: ainda que - Cuba tivesse o melhor sistema de saúde pública e os melhores programas sociais do mundo, ainda que o país fosse um paraíso de igualdade em que todos fossem bem alimentados, fortes e saudáveis, isso não justificaria em absolutamente nada a ausência de liberdades na ilha-presídio. Não justificaria a existência de presos políticos, os fuzilamentos ou a censura.
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O único motivo que leva alguém a mencionar supostas "conquistas sociais" da castradura cubana, ou de qualquer outra ditadura, é a ânsia em justificar a opressão. E não há nada de útil nisso, a não ser para a tirania. Há, sim, muita ingenuidade ou muita canalhice.

LULA E O IRÃ: UMA AULA DE SONSICE

Iraniana manifestando sua admiração por Ahmadinejad e pelo Estadista Global

“O Brasil mantém sua posição. O Brasil tem uma visão clara sobre o Oriente Médio e sobre o Irã. O Brasil entende que é possível construir outro rumo. Eu já disse para o Obama: ‘Não é prudente encostar o Irã na parede. O que é prudente é estabelecer negociações. Eu quero para o Irã o mesmo que quero para o Brasil: utilizar o desenvolvimento da energia nuclear para fins pacíficos. Se o Irã tiver concordância com isso, terá apoio do Brasil. Se quiser ir além disso, o Irã irá contra o que está previsto na Constituição brasileira e, portanto, não podemos concordar”.

A declaração acima, palavra a palavra, é dele mesmo, Luiz Inácio Lula da Silva. Ele estava se referindo ao Irã. Nesta semana a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, esteve no Brasil, onde tratou do tema. Ficou claro, nas entrevistas, o descompasso entre a posição da Casa Branca e a do governo brasileiro na questão.

Não é porque eu não goste de Hillary Clinton que vou deixar de lhe dar razão nesse assunto. E, é triste constatar, o governo Lula está dando mais uma mostra de que, na questão iraniana, está indo na direção oposta à da humanidade.

Lula acha que "não se deve encostar o Irã contra a parede". Ele está se referindo às sanções internacionais contra o governo de Mahmoud Ahmadinejad por causa de seu programa nuclear secreto. Lula é contra - não o programa nuclear iraniano, mas as sanções ao Irã, que fique bem entendido. Dá para entender. Afinal, o Irã é uma democracia exemplar, que não ameaça varrer do mapa outros países, nem patrocina o terrorismo além de suas fronteiras. É um país que teve eleições limpas, como todos vimos, sem qualquer sinal de fraude. Os que chiaram contra o resultado e, para usar uma expressão cara a Lula, se deixaram morrer nas mãos da polícia e dos paramilitares, estavam fazendo apenas o que faz uma torcida de futebol quando seu time perde uma partida.

Muito diferente é o caso de outros países, como Honduras. Ali sim, cabe a aplicação de sanções duras. Afinal, Honduras é, como se sabe, uma ditadura crudelíssima, um regime oriundo de um sangrento golpe militar que derrubou um presidente amante das leis e da Constituição, sem falar que não realizou eleições livres e democráticas. Seus atuais dirigentes, como é sabido, negam o Holocausto e juraram varrer outro país do mapa, patrocinando ativamente o terrorismo em pelo menos três países e desenvolvendo na surdina um programa de enriquecimento de urânio ao arrepio do direito internacional. Além disso, seu regime persegue minorias religiosas e homossexuais. Honduras, sim, é uma tirania! É uma ameaça à paz mundial!

Lula diz que quer para o Irã o mesmo que quer para o Brasil, e que, enquanto o Irã agir de acordo com o que diz a Constituição brasileira, o Brasil continuará a apoiar o Irã etc. Tirando o fato de que, até onde sei, a Constituição brasileira não tem valor universal, a frase faz todo sentido. Afinal, a Constituição brasileira estabelece, em seu artigo 4, como os princípios que devem guiar as relações exteriores do Brasil: prevalência dos direitos humanos; defesa da paz; solução pacífica dos conflitos; repúdio ao terrorismo e ao racismo etc... Tudo isso, claro, está em plena conformidade com a atuação internacional do Irã de Mahmoud Ahmadinejad. E com a política externa do governo Lula.

Para Lula e seu Ministério de Relações Extravagantes e Estaparfúdias, prudente é afagar o Irã, e não pressioná-lo para que desista de seus planos hostis a Israel. É defender sanções pesadas e o isolamento de Honduras e apoiar incondicionalmente Cuba e Venezuela.

A única maneira de tentar compreender a política externa do governo Lula é recorrendo à inversão e ao surrealismo. Só assim para perceber o grau de absurdo a que chegou a realidade sob a diplomacia lulista.

MALVINAS, NÃO: FALKLANDS!


Ah sim! Como se não bastasse o vexame colossal em Honduras, e agora a cumplicidade explícita com a tirania de Cuba, a diplomacia de Luiz Inácio encasquetou de exercer seu protagonismo e liderança universais também na questão das Malvinas. Na reunião que criou a tal Organização dos Países da América Latina e Caribe - anotem o nome, vocês vão precisar para se lembrar um dia que a coisa existe -, em Cancún, no México, o Guia Genial fez questão de declarar seu apoio total à reclamação da presidente argentina Cristina Kirchner sobre as ilhas no Atlântico Sul, aproveitando para dar um pito na Rainha por estar começando a explorar petróleo na área. "Não é possível que as Malvinas não pertençam à Argentina", vociferou o reformador do mapa-múndi, esperando que, com isso, o governo de Sua Majestade se rendesse a seus carisma e poder de persuasão aprendidos no sindicato.

Sem entrar, por ora, na questão da legitimidade ou não da reivindicação argentina sobre as Malvinas, que vem de longa data, a atual onda "Malvinas são da Argentina" exala o indisfarçável mau-cheiro das bravatas. O anticolonialismo, assim como o antiamericanismo, é um dos fetiches mais insistentes na América Latina, estando além da dicotomia esquerda-direita. Uma das lembranças mais remotas que tenho de minha infância é da histeria patrioteira que tomou conta de todos, inclusive de muitos brasileiros, quando da invasão argentina das Malvinas, e da surra que os hermanos tomaram das forças britânicas, em 1982. De tão humilhante, a derrota militar levou ao fim da ditadura argentina, a mais sangrenta da América do Sul, com seus 30.000 mortos e desaparecidos, um ano depois. Se nossos vizinhos vivem hoje numa democracia, apesar de Lady Kirchner e seus arroubos, devem isso a Madame Margaret Thatcher, que botou os brucutus argentinos para correr das Malvinas. Eis um bom motivo para defender a soberania britânica sobre as ilhas. Se eu fosse argentino, pensaria nisso.

Há outro motivo para desconfiar de mais essa patriotada. Em 1982, o general Galtieri (que, dizem, estava bêbado, e eu acredito) mandou invadir as Malvinas para desviar a atenção da crise econômica que assolava a Argentina e corroía o regime. Hoje, o governo de Dona Cristina claudica nos péssimos resultados da economia e se vê às voltas com acusações de corrupção e tentativas de censurar a imprensa. Os milicos argentinos tentaram, com a invasão, reavivar o patriotismo e fazer todos esquecerem do arbítrio. Coincidência?

Agora entremos na questão de fundo, a legitimidade ou não da reivindicação argentina sobre as Malvinas. Para Luiz Inácio, é um absurdo que seja a Inglaterra, e não a Argentina, a dona do território, pois, afinal, Londres está a 14 mil km de distância etc. Por esse mesmo critério geográfico, a ilha de Páscoa, por exemplo, deveria deixar de pertencer ao Chile, pois afinal está no meio do Pacífico. Ou a ilha de Guam deveria deixar de ser norte-americana para ser anexada, sei lá, pelas Filipinas. E há vários outros exemplos do tipo. Sem falar que há tantos argentinos nas Falklands quanto há chineses no Deserto do Saara. Já os britânicos estão lá há 177 anos, com suas fazendas e ovelhas. Já tinham-se fixado lá antes, portanto, de a Argentina se consolidar como Estado independente, o que só acontece após 1862. Se for para ser aplicado o princípio do uti possidetis, que deu legitimidade, por exemplo, à posse brasileira do Acre, as Malvinas são, inegavelmente, britânicas. Aliás, Malvinas, não: Falklands.

Tudo isso, claro, não passa de mais uma pantomima, de mais uma grande farsa montada pelos companheiros cucarachas. O Brasil, claro, vai atrás. A diplomacia lulista não faz mais do que tocar tuba para ditadores e demagogos. O anticolonialismo é mesmo o último refugio do velhaco. God save the Queen!

segunda-feira, março 01, 2010

A DIPLOMACIA DA CANALHICE


A expressão que dá título a este post não é minha. Está no texto que transcrevo a seguir, do blog de Augusto Nunes.

Ah, e eu assino embaixo, como sempre.

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E SE URIBE IMITASE ZELAYA?

Neste fim de fevereiro, a Suprema Corte da Colômbia fez exatamente o que fez em março de 2009 a Suprema Corte de Honduras: vetou a realização de um plebiscito cujo resultado poderia permitir a candidatura do presidente da República a outro mandato. Nos dois casos, a decisão ─ corretíssima ─ foi anunciada com a campanha pela sucessão em andamento.

O colombiano Alvaro Uribe ─ que ficaria ainda melhor no retrato se nem tivesse pensado numa segunda reeleição ─ reagiu como deve reagir um democrata: “Aceito e acato a sentença da Suprema Corte”, resumiu. A disputa presidencial seguirá seu curso sem sobressaltos. Como um caudilho aprendiz, o hondurenho Manuel Zelaya ignorou o veto do Poder Judiciário, continuou tramando o golpe, acabou deposto por crimes contra a Constituição e foi expulso do país. Nos meses seguintes, fez o que pôde para que o processo eleitoral naufragasse.

Vale a pena imaginar o que faria o Brasil se Uribe imitasse Zelaya e também acabasse destituído. A imprensa e o governo continuariam a chamá-lo de “presidente democraticamente eleito”? Os defensores das normas constitutionais seriam tratados como “golpistas”? Os companheiros Lula e Hugo Chávez costurariam mais uma trama destrambelhada para alojar Uribe na embaixada do Brasil em Bogotá? A dupla de vizinhos trapalhões se negaria a reconhecer o governo do novo presidente escolhido nas urnas?

Não para todas as perguntas, sabe até a gravata borboleta que torna Celso Amorim um pouco mais ridículo em saraus no Exterior. O Itamaraty deste começo de século não obedece a princípios, não respeita códigos éticos. Cumpre o regimento interno do clube dos cafajestes e atende a interesses subalternos. Não faz gestões, faz jogadas. A Era Lula instituiu a diplomacia da canalhice.

sábado, fevereiro 27, 2010

LULA, A DEMOCRACIA, A NÃO-INTERVENÇÃO E A DIPLOMACIA PETISTA: MAIS MENTIRAS


De volta de sua visita turístico-ideológica à ilha-presídio de Cuba, onde ignorou protestos pelos direitos humanos e posou para fotos ao lado de seu ídolo Fidel Castro, Luiz Inácio tentou, bem ao estilo Lula, "justificar" a injustificável pusilanimidade, sua e de seu governo, diante da morte de mais um preso político da castradura cubana. Orlando Zapata Tamayo teve o mau gosto de morrer justo no dia em que Luiz Inácio visitava a ilha-cárcere. Pior: sem protocolar uma carta em três vias para que ele, Lula, falasse com o dissidente e impedisse sua morte por tortura nas mãos dos carrascos da ditadura.

Ao falar - muito contra a vontade, diga-se - de mais essa página vergonhosa da política externa brasileira, Luiz Inácio aproveitou para descer um pouco mais no poço aparentemente sem fundo das baixezas lulistas. "Ninguém é mais democrata do que eu", proclamou, em sua infinita modéstia, o estadista global de Davos. "Não se pode dar palpite nos assuntos dos outros países", ensinou o professor de relações internacionais.

Qual a contribuição de Luiz Inácio para a democracia no Brasil? (Nem falo mais no caso de Cuba, em que o apreço de Lula e dos companheiros petistas pela democracia é, como está claro, notório.) É a seguinte: em 1985, alegando que o voto seria indireto, ele ficou contra a eleição de Tancredo Neves, o primeiro presidente civil eleito no País depois de 21 anos de ditadura militar, e orquestrou a expulsão de três deputados petistas que, contrariando decisão do partido, votaram no mineiro contra Paulo Maluf. Três anos depois, recusou-se a assinar, juntamente com os demais parlamentares do PT, a Constituição democrática de 1988, que pôs um ponto final a décadas de arbítrio. Nesse meio tempo, fez muito barulho, apoiou greves, muitas das quais eleitoreiras, arruinou reputações (algumas das quais trata, hoje, de limpar - afinal, fazem parte da "base alugada" do governo...) e defendeu o calote da dívida externa, entre outras coisas que hoje quer que todos esqueçam. Essa foi a grande contribuição de Luiz Inácio para a redemocratização do Brasil.

Sem falar no compromisso dele, Luiz Inácio, com a estabilidade econômica, uma conquista quase tão importante quanto a redemocratizãção, e esteio de seu governo. É o que demonstra sua oposição ao Plano Real, ao Proer e à Lei de Responsabilidade Fiscal. Luiz Inácio chegou mesmo, à frente de seu partido, então na oposição, a defender o impeachment do então presidente. É que era outro o que fez essas reformas, não ele, Luiz Inácio. Agora, age como se fosse o pai fundador da democracia e da estabilidade da economia, colhendo os frutos de tudo a que se opõs com veemência. Aproveita-se do que outros fizeram e ainda diz, malandramente, que foi ele que fez.

Sobre a não-intervenção nos assuntos de outros países, que agora proclama e defende no caso da tirania castrista em Cuba, também não é preciso ir muito longe para verificar a enorme sinceridade de Luiz Inácio. A não-intervenção, assim como a defesa da democracia, é realmente uma questão de honra para a diplomacia lulista. Menos, claro, se o país em questão for Honduras. Nesse caso, vale até mandar a soberania do país às favas e abrigar um presidente deposto por tentar rasgar a Constituição, permitindo que este use o prédio da Embaixada brasileira para pregar a insurreição e a guerra civil contra um governo constitucional. Intervenção nos assuntos internos de outro país? Atentado à soberania? Imagina...

Um outro exemplo é o Irã. Aqui, a noção de não-intervenção dos lulistas é realmente ímpar. Lula se adiantou ao resultado claramente fraudulento das eleições no Irã, que anunciava a vitória de Mahmoud Ahmadinejad, antes mesmo que os próprios aiatolás iranianos o fizessem. Não contente em dar pitaco na eleição alheia, disse ainda que os protestos da oposição e a violenta repressão aos manifestantes que pediam democracia eram uma disputa entre torcidas de futebol... Interferência indevida? Apoio à tirania? Nada...

Para Luiz Inácio, pedir democracia e respeito aos direitos humanos em Cuba é dar palpite nos assuntos dos outros. Já apoiar um golpista em Honduras e minimizar a repressão no Irã, não. Em outras palavras: dar palpite pode, desde que seja a favor dos amigos, e desde que seja a favor de ditaduras. É a diplomacia aloprada e sua incrível coerência em ação.

Raúl Castro, o tirano de plantão de Cuba, culpou os EUA pela morte de Orlando Zapata Tamayo. Luiz Inácio foi além, e culpou o próprio morto, que "se deixou morrer". Ainda por cima, tripudiou dos dissidentes, dizendo que eles agora seriam "dissidentes do Lula". Conseguiu superar a própria ditadura castrista em ignomínia. Deve-se esperar sempre o pior de Luiz Inácio.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

ISSO É UM EDITORIAL


Se há um editorial que honra o jornalismo brasileiro, é este, do Estadão de hoje, 26/02. Nada a acrescentar. Pena que Lula não vai ler. Ele já disse que ler jornais lhe dá azia. Menos, claro, se for o Granma dos compañeros Fidel e Raúl.
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Aos poucos, parte da imprensa brasileira vai percebendo a farsa do líder moderado, do "estadista global". A máscara deste já caiu: o que está por trás é apenas o populista pançudo, cúmplice de tiranos e assassinos.

Para ler e guardar.

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Do lado dos perpetradores

São de um cinismo deslavado os comentários do presidente Lula sobre a morte do ativista cubano Orlando Zapata Tamayo, ocorrida horas antes de sua quarta visita à ilha desde que assumiu o governo. Tamayo, um pedreiro de 42 anos, foi um dos 75 dissidentes condenados em 2003 a até 28 anos de prisão. Inicialmente, a sua pena foi fixada em 3 anos. Depois, elevada a 25 anos e 6 meses por delitos como “desacato”, “desordem pública” e “resistência”. Embora não fosse um membro destacado do movimento de direitos humanos em Cuba, a Anistia Internacional o incluiu na sua lista de “prisioneiros de consciência” ? vítimas adotadas pela organização por terem sido detidas apenas por suas ideias. Em dezembro, Tamayo iniciou a greve de fome por melhores condições para os 200 presos políticos do regime, da qual morreria 85 dias depois.

Lula conseguiu superar o ditador Raúl Castro em matéria de cinismo e escárnio. Este disse que Tamayo “foi levado aos nossos melhores hospitais”. Na realidade, só na semana passada, já semi-inconsciente, transferiram-no do presídio de segurança máxima de Camaguey para Havana. E só na segunda-feira foi hospitalizado. O desfecho foi tudo menos uma surpresa para os seus algozes. Dias antes, autoridades espanholas haviam manifestado a sua preocupação com a situação de Tamayo, numa reunião sobre direitos humanos com enviados de Cuba. Ele morreu porque o deixaram morrer. Poderiam, mas não quiseram, alimentá-lo por via endovenosa. “Foi um assassínio com roupagem judicial”, resumiu Elizardo Sánchez, líder da ilegal, mas tolerada, Comissão Cubana de Direitos Humanos.

Já Lula como que culpou Tamayo por sua morte. Quando finalmente concordou em falar do assunto, sem disfarçar a irritação, o autointitulado condutor da “hiperdemocracia” brasileira e promulgador recente do Programa Nacional de Direitos Humanos, disse lamentar profundamente “que uma pessoa se deixe morrer por uma greve de fome”, lembrando que se opunha a esse tipo de protesto a que já tinha recorrido (quando, ainda sindicalista, foi preso pelo regime militar). Nenhuma palavra, portanto, sobre o que levou o dissidente a essa atitude temerária: nada sobre o seu encarceramento por delito de opinião, nada sobre as condições a que são submetidos os opositores do regime, nada sobre o fato de ser Cuba o único país das Américas com presos políticos. Nenhum gesto de desaprovação à violência de uma tirania.

Pensando bem, por que haveria ele de turvar a sua fraternal amizade com os compañeros Fidel e Raúl, aborrecendo-os com esses detalhes? Ao seu lado, Raúl acabara de pedir aos jornalistas que “os deixassem tranquilos, desenvolvendo normalmente nossas atividades”. Lula atendia ao pedido. Afinal, como observara o seu assessor internacional Marco Aurélio Garcia, “há problemas de direitos humanos no mundo inteiro”. Mas Lula ainda chamou de mentirosos os 50 presos políticos que lhe escreveram no domingo para alertá-lo da gravidade do estado de saúde de Tamayo e para pedir que intercedesse pela libertação deles todos. Quem sabe imaginaram, ingenuamente ou em desespero de causa, que o brasileiro pudesse ser “a voz em defesa da proteção da vida aos cubanos”, como diria o religioso Dagoberto Valdés, um dos poucos opositores da ditadura ainda em liberdade na ilha.

Lula negou ter recebido a correspondência. “As pessoas precisam parar com o hábito de fazer cartas, guardarem para si e depois dizerem que mandaram para os outros”, reclamou. E, com um toque de requinte no próprio cinismo, concluiu: “Se essas pessoas tivessem falado comigo antes, eu teria pedido para ele parar a greve e quem sabe teria evitado que ele morresse.” À parte a falta de solidariedade humana elementar que as suas palavras escancararam ele disse que pode ser acusado de tudo, menos disso, a coincidência da visita de Lula com a tragédia de Tamayo o deixou exposto aos olhos do mundo e não exatamente da forma que tanto o envaidece.

A morte de um “prisioneiro de consciência”, a afirmação de sua mãe de que ele foi torturado e o surto repressivo que se seguiu com a detenção de dezenas de cubanos para impedir que comparecessem ao enterro do dissidente no seu vilarejo natal transformam um episódio já de si sórdido em um escândalo internacional. Dele, Lula participa pela confraternização com os perpetradores de um crime continuado que já dura 51 anos.

UM COMENTÁRIO PARA FICAR PREOCUPADO


Cubanos mostrando todo seu amor pelo regime dos irmãos Castro

Não tem jeito. Por mais que eu escreva, explique, esmiúçe, mostre fatos e argumentos, sempre vai haver alguém que, de boa ou má fé, por ignorância ou sonsice, vai me obrigar a dizer tudo de novo. Um leitor (anônimo, evidentemente) me manda um desses comentários que me fazem pensar até que ponto pode ir a ingenuidade humana, ou, sabe-se lá, a safadeza ideológica. Quero crer que é o primeiro caso. É somente por essa razão que me disponho a responder comentários como o que vem em seguida (em vermelho):
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Muito ja foi dito sobre a " real Cuba", você ja escreveu sua opinião sobre o tema além de varios blogueiros cubanos além da famigerada Yoani Sanchez, mas minha pergunta diante de tudo que estes ( incluindo você ) diz é
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" Por que não há um consensso com pelo menos 90% da população cubana, um movimento que inclua uma maioria esmagadora da população ?" ,
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" Por que vizinhos são deninciados por vizinhos, por que há uma parcela da população que apóia Fidel e o tem em alta conta ?".
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Não há como negar que há uma parcela da população simpática ao regime...
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no mais , Fidel está a beira da morte e Lula esta de saída não há com o que se preocupar.
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Seu Leitor anonimo.
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Muito bem, vamos lá. Vou tentar ser o mais didático possível (suspiro).
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Primeiro: Não existe "consenso" de 90%, nem de 99% - tem que ser 100%, ou então não é consenso.
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Segundo: É isso mesmo que regimes como o cubano, que é uma tirania totalitária, almejam: o consenso, a submissão de todos a seu domínio político. E como pretendem alcançar isso? Resposta: pela REPRESSÃO, pelo TERROR absoluto, mediante a CENSURA, a POLÍCIA POLÍTICA (que em Cuba atende pelo nome de G2, sem falar nos CDRs - "Comitês de Defesa da Revolução") etc. Quer mesmo que eu explique em detalhes como isso acontece? Ou prefere que a "famigerada" Yoani Sánchez o faça?
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Terceiro: Por que vizinhos denunciam vizinhos em Cuba? Ora, meu caro, você não sabe? Sério? Então preste atenção, vou responder: porque Cuba é um regime TOTALITÁRIO, e em sistemas assim, a vigilância e a delação são constantes. Lembra da URSS? Da Alemanha Oriental e de sua polícia política, a Stasi, que chegou a ter como espiões 20% da população? Pois é, Cuba está no mesmo clube.
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Ficou claro? Por favor, não me faça explicar de novo.
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A transformação de vizinhos em alcagüetes de vizinhos, e até filhos em delatores dos pais, é uma das formas mais cruéis encontradas por tiranias totalitárias para exercerem controle total sobre a população. Elas o fazem mediante a chantagem, decorrente da vigilância constante, ou pela propaganda ideológica, a lavagem cerebral (facilitada grandemente pela censura). Foi assim em TODOS - sem exceção - regimes comunistas. (Só lembrando: Cuba é um regime comunista.)
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Quarto: Quanto a existir uma parcela da população cubana que apóia os Castro, é preciso lembrar o seguinte: na ex-URSS e na Alemanha nazista, também havia uma parcela da população - nomeadamente os membros graúdos do partido e seus apaniguados, sem falar nos agentes da repressão -, que apoiava ardentemente o regime, como há quem apóie, certamente, a ditadura no Irã ou na Coréia do Norte. Deduzo que isso não dá legitimidade a esses regimes. Ou será que dá?
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Ainda assim - atenção para esse fato -, é IMPOSSÍVEL, em uma ditadura como a cubana, averiguar quantos exatamente a apóiam. Por que isso acontece? Novamente, preste atenção, não me faça escrever de novo: porque não há como fazer isso num regime TOTALITÁRIO, sem liberdade de expressão e de imprensa, com partido único no poder, no qual as eleições são uma farsa para homologar a ditadura.
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Não entendeu ainda? Vou dar um exemplo. Lembre do Iraque sob Saddam Hussein. Sabe qual era a porcentagem de votos que o ditador recebia nas "eleições"? CEM POR CENTO - isso mesmo: 100% - dos votos. Isso prova que os iraquianos amavam Saddam? Nada disso! Prova apenas que não havia liberdade de dissentir. Isso porque o regime era uma DITADURA.
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Mas, se você está mesmo interessado em saber quantos cubanos apóiam a ditadura castrista, há um jeito muito fácil de verificar isso: basta os Castro permitirem a realização de eleições livres, com outros partidos além do Partido Comunista. Aí saberemos, certamente, quantos aprovam e quantos desaprovam o regime. Enquanto isso, dois milhões de cubanos - numa população de 11 milhões - já disseram sua opinião sobre a ditadura, e outros tantos o fazem todos os dias, VOTANDO COM OS REMOS! Fui muito sutil?
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Resumindo: os cubanos não têm LIBERDADE até mesmo para dizer se são a favor da ditadura (admitindo-se que existam os que o são, claro). Eles não podem fazê-lo de livre vontade, ao contrário de Lula, que se presta de bom grado a ser lambe-lambe(botas) do Coma Andante no dia mesmo em que um dissidente foi ASSASSINADO pela ditadura que ele, Lula, idolatra.
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Quinto (sobre a última frase do comentário): Eis um pensamento inteligente! Para que se preocupar com a tirania castrista e com seu lambe-botas Lula da Silva, já que Fidel está com o pé na cova e Lula vai deixar a presidência daqui a alguns meses? Por que se importar, não é mesmo? Que sabedoria política!
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Pois é, meu caro, você só se esquece de um detalhe: a tirania em Cuba, como a regência de Raúl Castro está tratando de deixar bem claro, não irá chegar ao fim com a simples a morte de seu fundador. Do mesmo modo que o comunismo não acabou imediatamente após a morte de Lênin ou de Stálin. Certamente que mudanças virão, pois afinal se trata de uma tirania pessoal e caudilhesca, mas duvido que Cuba vire uma democracia no dia seguinte à morte de Fidel. Era isso que muitos esperavam quando ele se afastou da presidência, em 2006. Já se passaram três anos e não há nenhum sinal de que seu irmão, Raúl, irá realizar algum tipo de abertura política. Pelo contrário: graças ao apoio incondicional de sabujos como Lula, a repressão em Cuba só fez aumentar, como demonstra a morte de Orlando Zapata Tamayo.
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Além do mais, sua questão sobre Lula é de uma obtusidade sem tamanho. Alguém imagina realmente que o Apedeuta irá pendurar as chuteiras e se retirar da política depois que deixar a presidência? Esqueceu que Dilma Rousseff é o terceiro mandato que ele não conseguiu? Sem falar que, como já disse aqui, Lula não é uma pessoa: é uma idéia. O lulismo sobreviverá a ele, assim como o esquerdismo e o comunismo sobreviveram à morte de seus pais fundadores, como demonstra o Foro de São Paulo. Bem que eu gostaria de deixar de pensar em Lula e em tiranos como os Castro e ir cuidar de assuntos mais agradáveis. Mas, infelizmente, eles fazem parte de algo maior do que si mesmos: fazem parte de um movimento, por assim dizer, que tem a democracia e as liberdades individuais como principais inimigas, e que faz tudo para miná-las. E isso é motivo mais do que suficiente para não baixar a guarda.
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Não, meu caro leitor anônimo: há muito, muito mesmo com que se preocupar. Agora, talvez mais do que nunca. Seu comentário é uma prova disso.

TRÊS GRANDES HUMANISTAS


A caricatura acima está publicada no blog CUBA DEMOCRACIA Y VIDA, de exilados cubanos na Suécia. Lula e seus ídolos, Fidel e Raúl Castro, refestelam-se em uma banheira de sangue, entre ossos e uma foto do preso político Orlando Zapata Tamayo, morto após uma greve de fome. Para usar um clichê, a imagem vale por mil palavras.
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É um retrato perfeito da atual política externa brasileira e de sua relação com tiranias.
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Para Lula, Rubens Paiva, Vladimir Herzog e Manuel Fiel Filho foram assassinados pela repressão da ditadura militar. Já Orlando Zapata Tamayo e as outras 100 mil vítimas fatais do regime cubano "se deixaram morrer".
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Lula, um grande humanista.
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Lula, um grande democrata.
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Lula, o "estadista global".
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Vejam mais imagens que revelam o caráter humanista e democrático da diplomacia lulista:


Raúl Castro vendando os olhos de um opositor que, segundo Lula, deixou-se fuzilar


Outra vítima do castrismo implorando para ir ao paredón

Mais um adversário dos Castro que se deixou morrer...

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

ESSE É O "ESTADISTA GLOBAL"


Com mais essa imagem repugnante, vou encerrar, pelo menos por hoje, a série de posts sobre mais um capítulo da diplomacia lulista que enche de vergonha qualquer pessoa com um mínimo de decência. Deixo-os com uma pequena amostra de como a comunidade cubana no exílio enxergou a visita do "Líder Global" à ilha-presídio de Cuba.

Está no site The Real Cuba (http://www.therealcuba.com/). A tradução é minha.
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P.S.: Notem como o "Guia Genial" é visto em alta conta e com extremo respeito no exterior, elevando o nome do Brasil às maiores alturas.
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24 fev. - Menos de 24 horas após a morte do prisioneiro de consciência Orlando Zapata Tamayo, o presidente brasileiro Lula da Silva teve um encontro muito amigável com seus assassinos.

Lula encontrou-se com o cadáver ambulante de Cuba e seu irmão, contou piadas, riu bastante e não fez qualquer pergunta sobre a última vítima deles.

Orlando Zapata Tamayo era um prisioneiro de consciência.

Luiz Inácio Lula da Silva é um presidente sem consciência.

Grande diferença entre o patriota cubano e Lula.

Talvez um dia, Lula terá de defender seu caso de amor com os opressores do povo cubano, e sua provável defesa será: "Eu não lembro, eu estava bêbado a maior parte do tempo."
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UMA IMAGEM MACABRA


Tinha prometido a mim mesmo que não ia mais falar das cenas de cinismo explicitas protagonizadas pelo Aiatolula e por seu cumpincha totalitário, Raúl Castro, ao comentarem a morte do preso político Orlando Zapata Tamayo em Cuba, ontem. Mas não posso evitar fazer mais um comentário. Simplesmente o fedor da coisa é grande demais para ser ignorado. Como acontece com uma cloaca de esgoto a céu aberto, é impossível fingir que esta não existe. É preciso encarar a porcaria. Como uma questão de saúde pública.

A imagem acima está nos principais jornais de hoje. Ela mostra Lula, num exercício de metalinguagem macabra, tirando uma foto de seu ídolo, o mico mandante Fidel, que posa ao lado do irmão Raúl e de Franklin Martins, atual ministro da Comunicação de Lula, ex-dirigente do MR-8 e ex-seqüestrador do embaixador dos EUA no Brasil em 1969. Reparem os sorrisos. Franklin Martins está em êxtase, com o braço enlaçando o ombro do santo de sua devoção. Lula, por trás da câmera, também está mais feliz do que pinto no lixo, parecendo turista japonês na Disneilândia.

Alguém definiu a imagem acima como pornográfica. Discordo. Chamá-la de pornográfica seria uma injustiça. Afinal, a pornografia tem lá sua utilidade, e, dependendo da maneira como é feita, pode até ter, vá lá, algum valor artístico ou estético. É, além disso, tirando aberrações como zoofilia e pedofilia, algo inofensivo. Saudável até, dependendo das circunstâncias.
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Não, a foto acima não é pornográfica. É pior que isso: é macabra. Sinistra. Diabólica, ao revelar a boçalidade do poder, a indiferença para com a vida e os direitos humanos. Os indivíduos na foto estão zombando de suas vítimas, desdenhando de seu sofrimento. Estão refestelando-se em cima de 100 mil cadáveres. É a imagem do mal.

Ontem, mais um desses cadáveres entrou para a lista das vítimas do totalitarismo cubano. Orlando Zapata Tamayo, preso desde 2003 e condenado a mais de 30 anos de prisão por defender a democracia para a ilha, morreu após 85 dias de greve de fome. Nos momentos de agonia final, os carcereiros do regime lhe negaram água, levando seus rins à falência. Há um video no site de Yoani Sánchez, Generación Y, gravado clandestinamente, que mostra a mãe de Tamayo, Reina, do lado de fora do IML de Havana, descrevendo em pormenores as torturas sofridas pelo filho na prisão. Pode-se perceber que se trata de uma pessoa de condição social bastante humilde, dessas que os esquerdistas brasileiros adoram apadrinhar como representantes legítimos dos "excluídos" ou da "classe oprimida". O problema é que Dona Reina e seu filho, para Lula e os petistas, estão "do lado errado", entendem? Em uma entrevista, a mãe de Tamayo menciona que ele não recebeu o mesmo tratamento dado pela ditadura de Fulgencio Batista a Fidel e a Raúl Castro quando estes estiveram presos, após a primeira tentativa de tomada do poder, em 1953. Perto dos Castro, Batista era um mero aprendiz.

Há três dias, 42 dissidentes cubanos pediram a Lula que falasse com Raúl e Fidel sobre a falta de liberdades e a situação dos presos políticos em Cuba. O fato estava nos jornais. Mas Lula diz que não recebeu nenhuma carta protocolada dos dissidentes. E ainda aproveitou para dar mais uma de suas conhecidas lições de moral, dizendo que "as pessoas precisam perder a mania de dizer que escreveram uma carta, guardar para si e depois dizer que mandaram" etc. É Lula em seu papel de Lula, repetindo em escala internacional o já famoso "não sei de nada, não vi nada".

Vira e mexe Lula gosta de lembrar que também já esteve preso, que tambem foi hóspede de uma ditadura etc. É Lula em outro papel de que gosta muito: o de vítima. Foi em 1980. Ele esteve detido por um mês na Polícia Federal em São Paulo, por causa de uma greve ilegal, tendo como carcereiro o então delegado e hoje senador Romeu Tuma. Na ocasião - há um vídeo na internet em que ele lembra o episódio -, Lula afirma que, à certa altura, os outros sindicalistas presos decidiram fazer uma greve de fome. Lula topou, mas teve o cuidado de guardar um saco de balas Paulistinha debaixo do travesseiro... Ele diz também que foi muito bem tratado na cadeia, e que terminou amigo de Romeu Tuma, que ao final do jejum dos presos presenteou-os com uma "lula à dorée". Lula diz que aproveitou a estada na prisão para tentar convencer os investigadores de polícia a montarem um sindicato. Entre uma reunião e outra, sabemos graças a Cesar Queiroz Benjamin, ele tentava conhecer melhor, digamos assim, o "menino do MEP", sendo rechaçado a cotoveladas. Enquanto isso, o governo Figueiredo tremia de medo das pressões da sociedade, tanto internas como internacionais, pela sua libertação. Essa foi a experiência de "preso político" de Lula da Silva.

Lula jamais soube o que é sobreviver numa prisão de ditadura de verdade. Orlando Zapata Tamayo sabia. Ele e mais milhares de cubanos. Seus gritos de dor jamais chegarão aos ouvidos de Lula e Franklin Martins. Eles estão muito ocupados adulando um tirano moribundo em seu tour ideológico pela ilha-cárcere para se importar com coisas desimportantes. Como direitos humanos, por exemplo.

LULA, OS CASTRO, O CADÁVER E UM FESTIVAL DE MENTIRAS


OS ASSASSINOS E SEUS CÚMPLICES
Da esquerda para a direita (mas não no sentido ideológico):
O Primer Hermano, O Líder Global, o Coma Andante e Franklin Martins, ex-chefão do MR-8.
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Há momentos em que é até difícil dizer alguma coisa.

A sensação de asco, de nojo mesmo, diante de certos fatos - e de certas declarações de certos personagens - é grande demais para ser expressa em palavras.

Mesmo assim, vou tentar traduzir, em toques de teclado, minha repulsa, até mesmo física, àquilo que qualquer pessoa com um mínimo de decência só pode considerar um espetáculo grotesco e um exercício de cinismo sem paralelo. Uma das maiores demonstrações de canalhice e de menosprezo pela dignidade da vida humana que jé tive a duvidosa oportunidade de presenciar.

Estou me referindo, claro, ao ASSASSINATO - esta é a palavra: assassinato - do preso político Orlando Zapata Tamayo, morto após mais de 80 dias de greve de fome em uma fétida prisão cubana. O fato está nos jornais. Tamayo morreu em protesto pelas constantes torturas que sofreu, e que continuaram durante a greve de fome - seus rins pararam de funcionar, depois que lhe foi negada água pelos esbirros da ditadura. Ele estava condenado a mais de 30 anos de prisão por lutar pelos direitos humanos na ilha-presidio.

O que disseram os companheiros Raúl Castro e Lula, diante de mais esse crime perpetrado pela ditadura cubana? Raúl adiantou-se aos repórteres - ele já sabia o que iam perguntar, como sói acontecer em um país sob uma tirania totalitária, sem imprensa livre -, e tratou logo de achar um culpado para mais essa morte: ele culpou os... EUA! Isso mesmo: segundo ele, a culpa por Tamayo e mais 74 cubanos terem sido presos e condenados a longas penas em 2003 por pedirem liberdade na ilha-cárcere é do Tio Sam... Fez mais e, somando o cinismo à infâmia, "lamentou" a morte... Como deve ter lamentado os cerca de 100 mil mortos pelo regime castrista desde 1959, dos quais 17 mil fuzilados. Como deve ter lamentado os mais de 50 anos de opressão castrista, sob os quais sobra repressão e falta até papel higiênico. Culpa dos EUA, claro...

O que mais me irrita é que esse discurso vigarista, por mais incrível que possa parecer, tem ouvintes! Sim, senhor: há quem acredite, até de boa-fé, que tudo de ruim que ocorre em Cuba há mais de 50 anos, a começar pela própria ditadura, é culpa dos EUA, que foi a Casa Branca que arrastou a ilha para o comunismo... Há quem creia - e são pessoas que são tidas como ponderadas, racionais - que Cuba só é o que é porque os EUA fizeram isso ou aquilo... Raúl Castro chegou a dizer que o país só não tinha imprensa livre porque os EUA não queriam! Já escrevi bastante sobre essa balela deslavada, uma das maiores lorotas de todos os tempos, e que só se sustenta por um antiamericanismo estúpido e pela devoção irracional a uma tirania.

Lula, claro, não perdeu a oportunidade de ser Lula. Em entrevista aos repórteres, "o Cara", o "Líder Global" dos branquelos de Davos culpou a própria vítima, "que se deixou morrer", e negou que tenha recebido qualquer carta dos dissidentes políticos para que fosse recebê-los... Nem precisaria: bastaria ele, Lula, dizer uma ou duas palavras sobre democracia e direitos humanos. O mundo inteiro, inclusive velhos parceiros da ditadura cubana como a Espanha, condenaram a morte de Tamayo e exigiram a libertação dos presos políticos em Cuba. O mundo inteiro, menos Lula. Ele certamente não fará isso, pois está muito ocupado defendendo sanções contra Honduras e intercedendo em favor do Irã...

O que dirão os companheiros petistas, tão sensíveis aos direitos humanos no Brasil, diante de mais essa demonstração quase inacreditável de boçalidade e desprezo pela vida humana? O que diriam se, digamos, os generais Médici ou Pinochet viessem a público "lamentar" a morte de um opositor político pelas mãos da repressão, ou culpassem, sei lá, a União Soviética pelo fato? O que diriam se um visitante, supostamente identificado com a causa da democracia, se encontrasse com seus algozes e aparecesse perante os repórteres dizendo que não recebeu os dissidentes, porque afinal estes não lhe enviaram uma carta protocolada em três vias solicitando uma audiência? Ficariam indignados e o chamariam, no mínimo, de cúmplice de assassinato. E com toda razão.

Tamayo não foi o primeiro dissidente a morrer após uma greve de fome em Cuba. Durante a ditadura militar no Brasil, prisioneiros políticos chegaram a fazer greve de fome, mas não houve nenhuma morte. E muitos deles eram condenados por ações como terrorismo, o que não era o caso de Tamayo. Mesmo assim, não falta quem, ainda hoje, trema de indignação diante das arbitrariedades do regime militar, mas feche os olhos, ou mesmo justifique, o que se passa em lugares como Cuba.
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O clube mais numeroso do mundo é o dos inimigos das ditaduras passadas e amigos das ditaduras presentes. Não sei quem disse isso, mas é a mais pura verdade. Eu poderia dizer que se trata somente de duplo padrão moral e covardia, mas é mais do que isso: é associação com o crime. É cumplicidade com a opressão.

A maioria da humanidade, quero crer, acredita que até a mentira tem limites. Não Lula. Não os Castro. A mentira, para eles, os totalitários, é apenas um modo de vida. É a sua essência. Sua razão de viver.

O cadáver de Orlando Zapata Tamayo, assim como os dos 100 mil mortos pela ditadura comunista de Cuba, irá assombrar para sempre a consciência (se é que a têm) de Lula e de seus companheiros petistas, como Marco Aurélio Garcia e Franklin Martins. Essas mortes, foi eles também que as causaram. Esses cadáveres tambem lhes pertencem. Devem ser colocados em sua conta.

Melhor parar por aqui. Pensar nas barbaridades ditas por Castro e por Lula já está me revirando o estômago. A coisa toda já está fedendo à podridão, a pus, a sangue, à morte.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

LULA EM CUBA - E O QUE DIZ UM CERTO LIVRO


Lula estará, hoje e amanhã, na sua ilha-prisão preferida, a Terra Prometida dos outros, onde todos são obrigados a ser felizes: Cuba. Vai se encontrar, pela enésima vez, com seu companheiro, o primer hermano Raúl Castro. Vai tratar de muitos assuntos, menos do que realmente interessa.

Vou dar uma dica, caso alguém não desconfie, do que estou falando. Está num livrinho, que aliás ele, Lula, e o seu partido, o PT, não assinaram - a Constituição Federal de 1988:

Artigo 4º

A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:

[...]
II - prevalência dos direitos humanos [...].

Nada a acrescentar. O que está aí em cima fala por si.
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ENFIM, CAI A MÁSCARA DO "ESTADISTA GLOBAL"


Eu tinha até começado a escrever alguma coisa sobre o que vai a seguir, mas como (felizmente) alguém já escreveu sobre o mesmo assunto, e com muita competência, vou me limitar a, mais uma vez, bancar a maria-vai-com-as-outras do mundo virtual. O texto é de Reinaldo Azevedo, cada vez mais abrilhantando este blog com sua coragem e argúcia:
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EIS AÍ BRANQUELOS! FAÇAM BOM PROVEITO DESTE GRANDE LÍDER GLOBAL!

A fantasia caiu! Finalmente! Agora o mundo já conhece o que Lula conseguiu esconder com o seu “carisma” durante alguns anos: não pensa, sobre a ordem internacional, nada muito diferente do gorila Hugo Chávez. O petista só é mais serelepe, amestrado e aprende melhor alguns truques. Mas a essência é a mesma. Solte-o no picadeiro político sem amarras para ver. A política externa brasileira logo começa a fazer micagens e a jogar pedaços mastigados de ovos e bananas no público. Quando não joga coisa pior, a exemplo desta terça-feira.

O presidente brasileiro discursou ontem — de improviso, como gosta — em Cancún, no México, na solenidade de criação de uma patacoada irrelevante chamada Comunidade de Países Latino-Americanos e do Caribe. E, bem…, sou obrigado a dizer que, mesmo para seus tão elásticos padrões, ele exagerou desta vez. Lula atacou os EUA, a União Européia, a ONU e qualquer outra coisa que cheirasse a civilização. Acusou os ricos por todas as mazelas e dificuldades por que passa o mundo e defendeu a China. Agora, as coisas estão em seu devido lugar. Eu espero por este Lula há pelo menos sete anos. Já estava cansado do falso.

Enquanto falava, via-se ao fundo a soturna figura do Rei do Tártaro, o domador Marco Aurélio Top Top Garcia. Ele saboreava a sua vitória, quase mastigando-a com seus dentes novos e suas idéias velhas. Aquele era o seu “Moisés”. Ele tocou em Lula e disse: “Parla!” E Lula “parlou” por todos os cotovelos.

A tal comunidade, como já chamei aqui há muito tempo e está em toda parte, é assim uma “OEA do B”, com o teor democrático rebaixado e a concentração de ditadura aumentada: o grupo não aceita a participação de EUA e do Canadá! Credo!!! Isso não! No lugar, entra Cuba. Isto define bem a entidade: a maior democracia do mundo está proibida de entrar, mas uma das maiores tiranias do mundo é recebida com honra. Lula, aliás, deixou Cancún e seguiu direto para o presídio controlado pelos irmãos Castro, aquele sem comida, remédio e liberdade. Em Cuba, vida boa mesmo só em Guantánamo. Os terroristas presos lá são um verdadeiro showroom de vitaminas e proteínas se comparados, por exemplo, aos professores escravizados por Fidel. O terroristas presos na base têm ao menos papel higiênico. Os pobres cubanos têm de se virar com as páginas do Granma e com os discursos de Fidel… Mas voltemos ao principal.

A fala de Lula foi a confissão de uma monumental derrota. Depois de sete anos adulando todos os ditadores e terrorista da Terra em busca de apoio para uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU, ele capitulo. Sabe que não a terá. Saudado como o líder natural do grupo, desceu o sarrafo nas Nações Unidas, acusando-a de irrelevante e de estar a serviço dos países ricos. Robert Mugabe, Khadaffi, Mahmoud Ahmadinejad e aquele terrorista que governa a Faixa de Gaza devem ter pensado: “Pra que tanto radicalismo, companheiro?” Os bocós nos EUA e na Europa que viviam saudando o grande líder moderado devem estar muito orgulhosos de sua própria ignorância. Finalmente, revelava-se o “estadista global” dos tontos de Davos.

Eu também não morro de amores pela ONU, não. Por motivos opostos aos de Lula. Aquilo se transformou numa gigantesca burocracia coalhada de ditadores e facínoras. No momento mais bucéfalo do discurso, disparou:

“É inexorável que a gente discuta este papel [do Conselho de Segurança da ONU]. Não é possível que ele continue representado pelos interesses da Segunda Guerra Mundial. Por que isso não muda? (…) Se nós não enfrentarmos este debate, a ONU vai continuar a funcionar sem representatividade, e o conflito no Oriente Médio vai ficar por conta do interesse dos norte-americanos, quando, na verdade, a ONU é que deveria estar negociando a paz no Oriente Médio”.

Santo Deus! Só não incorram no erro de chamar a fala de “ignorância”. Porque não é. Trata-se de uma escolha política. Lula, é verdade, não sabe o que diz porque dorme lendo até livro do Chico Buarque — ok, não se pode culpá-lo por isso —, mas o Itamaraty, que lhe soprou essa fala, sabe. Respondam depressa: quais são os “interesses dos EUA” no Oriente Médio que seriam contrariados se só a ONU se encarregasse de mediar o conflito? Essa visão delinqüente de mundo, que vem lá das profundezas infernais do pensamento do Top Top e de Celso Amorim, está certa de que, não fossem os americanos, os israelenses já teria encontrado o seu lugar na história: provavelmente, o fundo mar. Os bocós realmente acreditam que Israel se renderia sem o apoio americano…

Avançando na tolice conspiratória, disparou: “Muitos países preferem a ONU frágil para que eles possam fazer do seu comportamento a personalidade de governança mundial”. E desancou, em seguida, União Européia, Alemanha, Inglaterra, EUA de novo, que teriam sabotado a reunião do clima em Copenhague. Todos tentado conspirar contra a China e o Protocolo de Kyoto!!!

Feito uma comadre, a Maroca da Ordem Global, afirmou:
“Tudo era feito para negar o protocolo de Kyoto, para que se tirasse dos europeus as responsabilidades e jogasse nas costas da China o fracasso da reunião do clima (…) Nem quando era sindicalista vi numa reunião tão desorganizada. Eu falei ‘desorganização’. Vocês não têm a dimensão da pobreza de espírito. Tinha presidente de grande país importante discutindo parágrafo e artigo para questionar a China no dia seguinte sobre clima. Não é possível que países ricos deem uma quantia pequena como se tivessem dando favor. Não existe favor. É reparação que eles estão fazendo”.

Lula certamente não é do tipo que acha que, sei lá, vacinas, remédios, Internet ou aparelhos de ressonância magnética sejam boas formas que os ricos têm de oferecer reparação. Lula é um dogmático: ou os ricos escolhem o próprio atraso para nos fazer justiça, ou não tem conversa.

O homem estava com a macaca. Deu outra descompostura na ONU por causa das ilhas Falklands, apelidadas de “Malvinas”. Vejam que reaciocínio sofisticado:“Qual é a explicação geográfica, política e econômica de a Inglaterra estar nas Malvinas? Qual a explicação política de as Nações Unidas já não terem tomado uma decisão dizendo: ‘Não é possível que a Argentina não seja dona das Malvinas e seja um país (Grã-Bretanha) a 14 mil quilômetros de distância. Será que é o fato de a Inglaterra participar como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, e, para eles, pode tudo e para os outros, não pode nada?”

Nunca ninguém antes resumiu tão bem os 177 anos de domínio inglês das ilhas, onde não há argentino nem para fazer figuração. Mas isso ainda não é o mais encantador. A fala é espantosa porque, sendo, então, as coisas como ele diz, é óbvio que a vaga ao Brasil jamais será aberta. Eu não preciso explicar para vocês a questão lógica envolvida no raciossímio, né? Por que dar um lugar ao Brasil se, antes de entrar, o Brasil já está dizendo que vai defender uma tungada em um de seus membros? Lula só prosperou como sindicalista no Brasil porque, provavelmente, os adversários eram mais idiotas. Ah, sim: os súditos da rainha não deram a menor pelota para a gritaria e já deram início à exploração do petróleo. Ufa! É DESSA ILHA QUE EU GOSTO!!!

Já não estava bom?
Já não estava bom? Não! Ainda não! Lula se referiu a Honduras — que ainda não foi aceita no grupo!!! — acenando com um diálogo e coisa tal, mas impôs uma condição: a volta de Manuel Zelaya, devidamente anistiado. Vejam que estupendo! A atual OEA não se mete, nesse grau de detalhe, na política interna dos países-membros, mas o Aiatolula não vê mal nenhum em fazê-lo, deixando entrever quão deletéria poderia ser tal entidade se realmente fosse relevante. A quem acaba de fazer eleições democráticas e limpas, a suspeição e a imposição de condições. À ilha de Fidel, os salamaleques habituais.

O governante que mais cobrou sanções contra Honduras voltou a exigir o fim do embargo a Cuba. E Lula já deixou claro que esse fim não pode estar condicionado a nada. Entenderam? O Brasil pode impor condições à democracia hondurenha, mas é um absurdo que os EUA imponham condições à tirania cubana!

Os cretinos dos EUA e Europa que babavam de piedosa admiração pelo “operário” progressista e moderado que governa o Brasil talvez façam um favor à própria inteligência e decidam voltar aos livros. Lula pode até ser boneco de ventríloquo de teses cujo alcance histórico e teórico não domine muito bem, mas é também, incontestavelmente, o líder de um partido de esquerda que, sob o pretexto de pregar uma ordem mundial mais justa, tornou-se um dos esteios mais destacados de ditadores, facínoras e aventureiros temerários.

Eis aí, branquelos! Façam bom proveito deste novo “líder global”!

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Mais Reinaldo Azevedo. E mais Lula.
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VAI, LULA, SENTIR O CHEIRO FRESCO DO CADÁVER!

Lula viajou a Cuba. No dia da morte do preso político Orlando Zapata Tamayo, que estava em greve de fome desde 3 de dezembro. O presidente brasileiro pode sentir o cheiro fresco do cadáver.

A Anistia Internacional conseguiu comprovar a existência de 67 prisioneiros de consciência em Cuba — isto é, gente que está na cadeia só por discordar do regime. Os que combatem a tirania dos irmãos Castro dizem que passam de 200.

Tamayo, que lutava por direitos humanos, foi detido em março de 2003, durante a chamada Primavera Negra, quando Fidel Castro ordenou a prisão de 75 dissidentes — 27 jornalistas entre eles. As condenações variavam de 14 a 27 anos. Tamayo foi tendo ampliada a sua pena, que já passava de 30 anos.

Seu crime? Nenhum! Em outubro de 2009, ele foi espancado por policiais na prisão de Holguín. Teve de se submeter a uma cirurgia na cabeça em decorrência dos ferimentos. No dia 3 de dezembro, deu início à greve de fome e foi transferido para uma prisão ainda mais rigorosa.

Os dissidentes cubanos afirmam que o major Filiberto Hernández Luis lhe negou mesmo a água durante dias seguidos, o que levou seus rins ao colapso. Só foi enviado ao hospital em meados de janeiro, e dali para outro hospital, só que este no presídio Combinado del Este, em Havana, sem a menor condição técnica de tratamento. Morreu. Não! Foi assassinado.

Dissidentes cubanos chegaram a enviar mensagens a Lula, pedindo que intercedesse em favor de Tamayo. Tudo em vão. No Congresso do PT, Dilma Rousseff fez uma conferencia fechada a esquerdistas de varias ditaduras — cubanos entre eles. No mesmo congresso, fez uma homenagem a pessoas que, a exemplo dela, participaram de movimentos terroristas no Brasil. Disse que lutavam pela… democracia!!!

Tamayo, sim, lutava pela democracia! Está morto. Lula e Marco Aurélio Top Top Garcia abraçam seus assassinos.
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Apenas um comentário
É.. Uma "Comunidade de Países" que exclui ditaduras crudelíssimas como os EUA e o Canadá e inclui democracias exemplares como Cuba é mesmo a cara da diplomacia lulista. Qual será o próximo passo, um bloco com a Coréia do Norte e o Irã de Ahmadinejad? É, a política externa brasileira se guia mesmo pela defesa constitucional da democracia e dos direitos humanos...

P.S.: A foto acima mostra o prisioneiro político cubano Orlando Zapata Tamayo. É sobre ele que fala o segundo texto de Reinaldo Azevedo, transcrito acima. Fica como uma homenagem a mais esse lutador pela liberdade ASSASSINADO pela ditadura castrista. Lembre desse nome, Lula: Orlando Zapata Tamayo. É mais uma vítima de uma tirania que você apóia incondicionalmente. Que a lembrança dele, e de todos os mortos pelo regime dos Castro, o assombre todas as noites quando você for dormir. É o que desejo do fundo do coração.