Este é um blog assumidamente do contra. Contra a burrice, a acomodação, o conformismo, o infantilismo, a ingenuidade, a abobalhação e a estupidez que ameaçam tomar conta do País e do Mundo. Seja livre. Seja do contra. - "A ingenuidade é uma forma de insanidade" (Graham Greene)
quinta-feira, maio 06, 2010
O HORROR, O HORROR
domingo, maio 02, 2010
TIRANOS, TREMEI



quinta-feira, abril 29, 2010
A UNIÃO DA MENTIRA COM A SONSICE

O perfil biográfico de Lula, QUE NÃO É O PRIMEIRO NA LISTA DA TIME, mas um dos 25 na categoria “Líderes”, é assinado por um especialista em mentiras: Michael Moore. E o que faz um especialista em mentiras? Mente, ora essa!
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A CAIPIRICE DOS MEGALONANICOS

Aliás, vale lembrar: “O Cara” é realmente muito influente, o mais influente entre os influentes do mundo. Tão influente que não consegue emplacar seu golpista de estimação numa grande potência como Honduras. Ou frear as maluquices totalitárias do coronel Hugo Chávez. Ou convencer seus amigos Fidel e Raúl Castro a libertarem presos políticos, que ele comparou a bandidos. Um verdadeiro peso-pesado da política mundial. E um gigante moral.
De que “barões ladrões” (robber barons) Michael Moore estaria falando? Certamente não os ultra-bilionários banqueiros que encheram as burras graças ao apoio generoso do governo nos tempos de Lula. Seriam os representantes daquela nova classe social, composta de companheiros de partido e da elite sindical, que se apossaram de parcelas significativas do Estado, e que passaram a ser conhecidos como “burguesia do capital alheio”? Não, acho difícil. O mais provável é que Michael Moore esteja aqui apenas exercitando um de seus esportes favoritos: a denúncia demagógica, do tipo “luta de classes”.
Sim, um genuíno filho da classe trabalhadora – assim como Stálin também era. Ou, para falar de alguém de que Moore certamente já ouviu falar, Nixon. E sim, ele é membro fundador do PT – foi bom Moore ter nos lembrado disso.
Não, foi quando, com a idade de 25 anos, ele viu sua esposa Maria morrer no oitavo mês de gravidez, juntamente com seu filho, porque ele não poderia proporcionar tratamento médico decente.
Hummm... Não sei se Michael Moore assistiu à patacoada hagiográfica Lula, o filho do Brasil, o mais caro e estrondoso fracasso de bilheteria da história do cinema brasileiro. Mas o que ele diz aqui parece ter sido tirado diretamente do roteiro do filme dos Barreto. Segundo diz Moore, Lula teria entrado na política por puro altruísmo, depois de ter perdido a primeira esposa e o bebê, para que todos pudessem ter um “tratamento médico decente” e não passassem pelo mesmo sofrimento. Tocante, não? Seria, se não fosse por alguns detalhes históricos, que Moore estranhamente se omite de citar: quando Lula tinha 25 anos, corria o ano de 1970 (ele nasceu em 1945) - ele entra para o sindicato em 1975. Para a política, mesmo, só entra em 1980, quando funda o PT. Nessa época, ele já estava casado pela segunda vez com uma “viúva jeitosinha”, como ele mesmo disse em entrevista. Nesse meio tempo, tentou se manter afastado da política, só se tornando Lula depois das greves do ABC paulista. Entrou para a política porque, como em tudo na sua vida, surgiu a oportunidade. Inclusive de subir na vida.
Confesso que achei esse parágrafo enigmático. O que MM quis dizer exatamente? Que os “bilionários” devem tratar bem as pessoas, com saúde gratuita e de qualidade, para que elas não se voltem contra eles depois? Mas Lula não é o queridinho dos bilionários branquelos de Davos? Admito que fiquei confuso... Quase tão confuso quanto depois que perdi duas horas assistindo a Fahrenheit 9/11.
E eis uma lição para o resto de nós: a grande ironia da Presidência de Lula – ele foi eleito para um segundo mandato em 2006 e vai exercer o poder até o final deste ano – é que mesmo quando ele tenta impelir o Brasil para o Primeiro Mundo com programas sociais governamentais como o Fome Zero, destinado a acabar com a fome, e com planos de melhorar a educação disponível para membros da classe trabalhadora do Brasil, os EUA parecem cada vez mais com o velho Terceiro Mundo a cada dia.
quarta-feira, abril 28, 2010
INDIVÍDUO, NÃO MANADA

terça-feira, abril 20, 2010
É ASSIM QUE COMEÇA
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A história já seria absurda e ridícula o suficiente, se não fosse por um detalhe: a atitude da Globo. O que fez a emissora? Protestou energicamente contra essa tentativa esdrúxula de censura? Colocou-se abertamente em defesa da liberdade de expressão? Mandou Marcelo Branco e seus patrulhadores ideológicos para a Cuba que os pariu? Não. Em vez disso, "para evitar polêmica", segundo disse em nota, a direção da emissora resolveu... tirar a campanha do ar!
Isso mesmo: a poderosa Rede Globo, o maior canal de TV do País, cedeu à patrulha da petralhada. "Para evitar polêmica", decidiu autocensurar-se, deixando de mencionar seu próprio aniversário. Isso porque um petista viu propaganda eleitoral anti-PT na comemoração dos 45 anos da emissora (!). Poderia ser qualquer outro número, menos o 45! O 45, não pode!
Ou seja, um canal privado de comunicação, por pressão de um assessor de campanha petista, retira do ar uma mensagem alusiva a si próprio, sem qualquer conotação política. Enquanto isso, o presidente da República é condenado duas vezes pelo TSE por usar a máquina do Estado para fazer campanha antecipada de sua candidata. Os mesmos que rasgam a lei para fazer propaganda eleitoreira exigem que uma emissora particular retire uma campanha do ar por supostamente fazer referência à candidatura adversária! E pior: conseguem que ela seja retirada do ar!
Em outras palavras: a partir de agora, para não melindrar algum eleitor de Dilma Rousseff, as emissoras de TV do Brasil estão proibidas de citar o número 45 em sua programação. Qualquer referência a esse número maldito - o ano do fim da Segunda Guerra Mundial, por exemplo, o calibre de certas pistolas usadas pela polícia ou aquela música de Jorge Benjor, Charles Angel 45 - deverá ser banida do noticiário e de programas televisivos. De acordo com a visão que respalda essa atitude, o fato de a Globo ter sido inaugurada em 1965, completando portanto, este ano, 45 primaveras, só pode ter sido o resultado de uma conspiração contra o PT (que surgiu quinze anos depois, mas isso não vem ao caso, claro). Assim como o fato de não ter comemorado seu 13o aniversário, ocorrido em 1978 (quando o PT só foi criado dois anos depois, mas isso também não é importante: afinal, todos sabem que a Globo é anti-PT...). Agora entendi aquela fixação do Zagallo no número 13: era propaganda do PT! E os 50 anos de Brasília, comemorados esta semana? Propaganda do PSOL, claro!
segunda-feira, abril 19, 2010
LOUCURA NUCLEAR

Em outras palavras: Einstein era pacifista, mas não era estúpido. Ele sabia, mesmo não sendo diplomata (ou, provavelmente, por causa disso), que nem todos os governos estão interessados na paz. Sabia, talvez instintivamente, que a idéia da igualdade de todos os Estados perante o direito internacional, um dogma das relações exteriores, é, em princípio, irretocável, mas, confrontada com a realidade do poder, pode ser muito perigosa. Entre uma Alemanha nuclearizada e os EUA, ele não titubeou em escolher o último. E ninguém pode dizer que ele fez a escolha errada.
Digo ninguém, mas em termos. Porque, se depender da política externa do governo Lula, Albert Einstein estava errado. Se depender de Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia, Einstein deveria não ter apoiado o projeto nuclear norte-americano, mas o alemão. Ou os dois. Como se houvesse equivalência moral entre os EUA e o nazismo.
EM MÁ COMPANHIA
A OPÇÃO POR PARCERIAS REPULSIVAS
A retrospectiva da sequência de espantos desencadeada em 2003 informa que existe lógica na loucura aparente da política externa. Em pouco mais de sete anos, o governo brasileiro foi confrontado com numerosas escolhas: a Venezuela bolivariana ou os Estados Unidos, os narcoterroristas das FARC ou o presidente reeleito Alvaro Uribe, o psicopata Muammar Khadaffi ou o Tribunal Internacional de Haia, a ditadura dos irmãos Castro ou os presos de consciência, o terrorista italiano Cesare Battisti ou os pugilistas cubanos Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux, o golpista Manuel Zelaya ou a Constituição hondurenha, o genocida Omar al-Bashir ou o Darfur dilacerado. Coerentemente, errou todas. Errou outras. E vai continuar errando, avisa a infame aliança com o Irã.
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sexta-feira, abril 09, 2010
AS CHUVAS E A POLITICAGEM

PARA PENSAR

segunda-feira, abril 05, 2010
A ARTE DE TERGIVERSAR

( Intervenção do Pablo: È uma pena Gustavo que você tenha que apelar para esse exediente em uma argumentação. Esse tipo de desqualificação chula empobrece mais ainda seu pensamento)
(Intervenção do Pablo: Acho que aqui também você perdeu um pouco a compostura e me agrediu em um sentido que ultrapassa as ideias. Ao me considerar intelectualmente desonesto você atenta de certa forma contra a minha honra e minha integridade moral. Gostaria de um pedido de desculpas, tendo em vista que eu nunca atentei contra a sua integridade moral em nossas discussões)
Não é preciso “adotar uma visão de mundo e um conjunto sistemático de crenças” para ter uma opinião minimamente coerente. Basta ter honestidade intelectual. Eu, por exemplo, não concordo 100%, talvez nem 50%, com o que dizem pensadores conservadores e de direita em alguns temas (religião, por exemplo). Mas nem por isso deixo de me identificar como liberal-democrata, anti-estatista, anti-comunista, pró-liberdade e direitos humanos. Isso porque, mais do que as diferenças que me separam desses autores, sou unido a eles por um denominador comum político e moral – a defesa da democracia e da liberdade individual, valores universais. Adotar uma postura relativista a respeito desses valores, a meu ver, é o mesmo que negá-los. E isso SIM corresponde a uma visão de mundo – a visão de mundo pró-totalitária.
Não sou “absolutista” (a partir de agora vou adotar o rótulo, pois minha visão sobre liberdade é mesmo absoluta e não admite relativizações) porque eu teria dificuldades em compreender “como alguém pode ter interpretações sem usar um dos dois sistemas de crenças que ele [eu] conhece (direita e esquerda)”. Parece que aqui você, Pablo, é que não entendeu o que escrevi. Lendo o que você diz, fica parecendo que não consigo enxergar nada além da dicotomia direita-esquerda. Não é nada disso. Tudo que venho dizendo é que é possível, mesmo sem ser “de esquerda”, referendar as posições identificadas com essa corrente ideológica. Basta relativizar, por exemplo, a realidade de regimes como o cubano, o que você, Pablo, faz à larga. (Certamente você, Pablo, não conhece as expressões “inocente útil” e “companheiro de viagem”.) Sem falar que, se formos adotar as definições clássicas de direita e esquerda, eu estaria à sua esquerda, pois considero o regime teocrático iraniano uma aberração, enquanto você tem uma “interpretação” diferente e mais condescendente em relação à tirania dos aiatolás.
Não Pablo, não acho que você seja um “esquerdista enrustido”. Pelo que você tem escrito, você não é enrustido: é de esquerda mesmo. Só que, sabe-se lá por quê, não tem coragem ou disposição de dizê-lo francamente. E se ampara no relativismo para fugir a essa realidade. Só que você se trai, quando o cacoete esquerdista se manifesta na forma seletiva com que você trata, com base numa visão relativista, regimes “de esquerda” e “de direita”. Você já caiu nessa contradição diversas vezes.
Intervenção do Pablo: Gustavo, você não tem um interesse real de compreender o que eu escrevo. Você lê e distorce o que eu escrevo para encaixar meu texto naquilo que você pensa sobre minhas ideias. Não há interesse real seu em compreender minha posição. Você precisa me reduzir e me simplificar para que eu possa fazer sentido justamente a esse sistema de crenças que você adota. Até ai tudo bem, mas acho que nesse seu comentário você cruzou um limite que eu não gostaria que fosse ultrapassado nesse site. Você me acusou de ser desonesto intelectualmente (isso me ofendeu). O que de certa forma torna nossa discussão inutil, porque se eu sou intelectualmente desonesto não adianta nada que você escreva aqui nem é interesante que você perca seu tempo me lendo. acho que uma atitude coerente sua seria assumir que não se pode nem se deve dialogar com gente intelectualmente desonesta porque um dos pressupostos para uma discussão justa e construtiva é a confiança na honestidade intelectual dos interlocutores. Se isso não acontece é inútil continuar conversando. Uma sugestão seria a de um pedido formal de desculpas ou que você poderia responder a meus textos em seu blog, agindo de modo a desmascarar para seus poucos leitores essa minha “desonestidade intelectual”. Como eu sou filho de sertanejos e aprendi que não se deve onfender os anfitriões em sua própria casa espero que você reveja sua posição em relação a isso. Que a paz te acompanhe e boa sorte na sua cruzada
Como vocês viram, Pablo fez algumas intervenções em meu texto. Mandei então outro comentário. Por algum motivo, porém, ele foi retirado de seu site:
Quanto a mim, não me ofendo se me chamarem de reacionário, direitista, agente da CIA, lacaio de Wall Street etc., ou qualquer desses epítetos que os esquerdistas usam para desqualificar quem ousa pensar diferente. Até mesmo se enveredarem pela ofensa pessoal e gratuita, eu não me importo. Aprendi que ofensas pessoais e adjetivação “ad hominem” se respondem com argumentos e idéias, não com demonstrações de suscetibilidade arranhada e exigências de desculpas.
Mas OK, já entendi que não sou bem-vindo aqui, em sua “casa”. É difícil debater com quem se ofende com argumentos, e acho que não vale a pena insistir. Essa sua última mensagem mostrou que corro mesmo o risco de ficar falando sozinho aqui. Quanto a mim, meu blog está aberto a que você comente meus posts e coloque seus pensamentos. Pode até me xingar, se quiser. Desde que o xingamento venha acompanhado de argumentos, e desde que não se bote minha mãe no meio, não vejo problema. O politicamente correto não existe para mim. Pode me chamar do que quiser, sem medo. Eu não vou lhe exigir um pedido formal de desculpas por você discordar do que penso.
Um abraço de quem acha que a verdade não ofende: liberta.
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Pablo não pareceu muito indignado quando argumentei que sua visão relativista seletiva servia como uma luva aos objetivos de tiranos e terroristas. Mas me exigiu uma "desculpa formal" por causa de uma metáfora culinária. Ainda por cima, tomou como uma agressão pessoal uma crítica à sua atitude intelectual. E me baniu de seu site.
É... Gente esquisita, esse pessoal pós-moderno.
sexta-feira, março 26, 2010
"FODA-SE A CONSTITUIÇÃO!"

Os historiadores do futuro certamente terão muito a dizer sobre a contribuição do governo Lula para o prosseguimento das transformações pelas quais o País começou a passar nos anos 1990. Tampouco deixarão de registrar que a democracia lhe deve a decisão de não buscar um terceiro mandato mediante emenda constitucional. Mas haverão de lembrar que nunca antes neste país, em regime democrático, um presidente havia manifestado tanto ódio pela imprensa livre. Lula é o governante que, com pouco mais de um ano no poder, tentou expulsar do País o correspondente do New York Times por ter escrito uma reportagem (de duvidosa qualidade, por sinal) sobre o que seria o seu gosto pela bebida. Alertado pelo então ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, de que a expulsão seria inconstitucional (o jornalista era casado com uma brasileira), Lula explodiu: “F-se a Constituição.”
LULA, O PACIFISTA (OU: COMO CONSEGUIR A PAZ CONVERSANDO COM QUEM NÃO QUER... A PAZ!)

As palavras acima, vocês já devem ter adivinhado, foram ditas por ele, vocês-sabem-quem. O presidente do mundo e candidato a Messias Universal as proferiu em um evento no dia 25, para comemorar o Dia da Cultura Árabe, em São Paulo. Houve quem aplaudisse. Ele disse outras barbaridades sobre outros assuntos também, como a crise econômica mundial (que não teria sido tão grave no Brasil por causa da "diversificação dos contatos comerciais com o mundo árabe" etc.). Mas fico com as duas afirmações lapidares acima. Elas resumem com exatidão quem é, o que é e o que "pensa" nosso Mestre e Guia Genial, o estadista global, o homem que mais entende de política externa na História do Universo, a ponto de agora querer ensinar a paz a israelenses, palestinos, árabes e iranianos.
Quer saber como destrinchar o nó e alcançar a paz no conflito do Oriente Médio, que já dura mais de sessenta anos? A ONU não sabe, os EUA não sabem, a União Européia não sabe. Mas Lula sabe. Lula tem a resposta. Basta conversar com todo mundo, diz o Demiurgo. Com todo mundo? Com todo mundo. Com quem quer a paz? Sim, claro. E com quem NÃO QUER a paz também? Também, segundo Lula. Aliás, principalmente com estes. É aí que está a grande sacada! De acordo com esse grande sábio, só não há paz na região exatamente porque não se conversa com os inimigos da... paz! Segundo esse raciocínio brilhante, os israelenses, ao invés de se defenderem quando atacados, deveriam baixar as armas e se deixar imolar. Outros já tentaram no passado, inclusive com idéias de uma "solução final" para o "problema judaico". Mas com o Hamas, o Hezbollah, a Síria e o Irã seria diferente, afirma Lula... Ele deve achar que os seis milhões de judeus mortos pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial não foram o bastante. Deve acreditar que morreram tantos porque alguns, uma minoria, resistiram, e que, se todos tivessem se deixado assassinar passivamente e conversado com seus carrascos, o Holocausto não teria existido.
Não é genial? Acho que, a essa altura, Barack Obama e Benjamin Netanyahu devem estar batendo a cabeça na parede e se perguntando: "Como é que eu não pensei nisso antes?" O Hamas, o Hezbollah, a Síria, o Irã - que patrocinam os dois primeiros -, enfim, todos os que não querem a paz, que fazem tudo para sabotá-la, os que não reconhecem o direito do outro existir são... interlocutores da paz! Ora vejam só! Que descoberta incrível! Basta chamá-los para conversar, segundo Lula, que eles irão parar de lançar homens-bomba contra alvos israelenses e vão desistir do seu plano juramentado de transformar Israel numa pilha de ossos e num mar de sangue. Onde está a Academia Sueca, que não deu ainda o Prêmio Nobel a esse grande pacifista, a esse eminente pensador e filósofo da paz?
Fico cá pensando: imagine que um louco fanático com idéias homicidas e armado atés os dentes jurou que vai lhe matar e a toda sua família. Ele não reconhece seu direito a continuar respirando, e já deixou claro, com palavras e atos, que não sossegará enquanto não lhe vir com a boca cheia de formiga ou debaixo de sete palmos de terra. Ele não quer a paz, quer a guerra. Você, claro, como bom pacifista e seguidor de Lula, não tomará nenhuma providência para se defender. Em vez disso, irá ignorar essa intenção de seu inimigo e, imitando Gandhi, vai chamá-lo para um jantar ou para um bate-papo no bar. O que irão debater? Tenho um palpite: a data de seu enterro...
Já citei várias vezes esse exemplo, mas não custa nada repetir: em 1938, gente pacifista e bem-intencionada acreditou que era possível garantir a paz conversando com quem não queria a paz. Resultado: em vez da paz, tiveram a guerra, a mais destrutiva de todos os tempos. E a vergonha eterna de ter ajudado a desencadeá-la. Mas Lula não sabe do que estou falando. Ele não conhece História. Ele não sabe nada.
Estou comparando Lula com o primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain, que passou para a História como o idiota enganado por Hitler com a promessa de "paz para o nosso tempo" e que foi, involuntariamente, um dos causadores da Segunda Guerra Mundial? Estou sendo injusto. Com Chamberlain, não com Lula. O inglês era pelo menos bem-intencionado, e acreditava que poderia apaziguar o ditador nazista, atendendo suas exigências territoriais em troca de paz. Lula é diferente. Ele não é um bobalhão equivocado, um estadista iludido pelas boas intenções. É, isso sim, um aliado incondicional da tirania iraniana. O que significa dizer: também do Hamas e do Hezbollah, que aquela patrocina e financia. Ao contrário de Chamberlain, Lula escolheu um lado - o lado dos que não querem a paz, dos que lutam contra ela.
Assim como tem lado e acredita ter descoberto a fórmula mágica para a paz no Oriente Médio, Lula já escolheu um culpado: Israel. Para ele, a culpa pelo conflito na região é dos israelenses, que não se deixam matar pelos "interlocutores" do Hamas e do Hezbollah. Assim como deve acreditar que foi deles, dos judeus, e não dos nazistas, a culpa pelo Holocausto. Para Lula, terroristas são interlocutores confiáveis numa negociação para a paz. Para Lula, a paz é feita por quem a despreza.
Em maio, Lula estará em visita ao Irã. Vai retribuir a visita espalhafatosa que seu amigo e interlocutor Mahmoud Ahmadinejad fez a Brasília, em novembro. O iraniano já disse que não quer a paz com Israel. Pelo contrário: quer destruir Israel, varrê-lo do mapa, exterminar sua população. E trabalha intensamente nesse sentido, dando armas aos terroristas do Hamas e do Hezbollah. Mas isso, para Lula, não tem importância. Sob ahmadinejad, o Irã está afrontando o mundo com um programa nuclear secreto, que até cegos de nascença já perceberam que visa a obter armas nucleares e que tem endereço certo: Israel. Mas isso, para Lula, não importa. O importante é que é preciso conversar com todo mundo, principalmente com quem não quer a paz. Com isso, Lula e Celso Amorim esperam dar um grande passo à frente, e elevar o Brasil à condição de importante mediador do conflito mais antigo do mundo. Só não sabem que o salto, no caso, será para um abismo. E que o Brasil irá, sim, converter-se em medidador internacional, mas de uma negociação para trocar cadáveres. Ou cinzas.
Lula acha que a questão do Oriente Médio é igual a uma negociação entre a CUT e a FIESP. Acredita, sinceramente ou não, que tem algo a dizer sobre o assunto, e que todos devem ouvi-lo. E ainda há quem ache que eu pego demais no pé de Lula e de sua política externa aloprada e megalonanica.
segunda-feira, março 22, 2010
RESPONDO A UM LEITOR. E APROVEITO PARA LEMBRAR CERTAS REGRAS GRAMATICAIS

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