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Este é um blog assumidamente do contra. Contra a burrice, a acomodação, o conformismo, o infantilismo, a ingenuidade, a abobalhação e a estupidez que ameaçam tomar conta do País e do Mundo. Seja livre. Seja do contra. - "A ingenuidade é uma forma de insanidade" (Graham Greene)







Os jornais de hoje informam que um ataque das forças da OTAN contra os terroristas do Talibã deixou 27 civis mortos no Afeganistão. Ao que tudo indica, tratou-se de um erro trágico, pelo qual o comando da OTAN no país já pediu desculpas.
Como vocês sabem, ontem foi o lançamento oficial da candidatura Dilma Rousseff à Presidência da República. O fato ocorreu em Brasília, em algo chamado pomposamente de IV Congresso do PT - na verdade, um convescote para homologar a candidatura criada pelo capo di tutti capi como alternativa à candidatura José Dirceu, que gorou por causa do escândalo do mensalão em 2005. Este ano teremos mais uma farsa gigantesca. As eleições presidenciais, no Brasil, há muito não são mais do que campeonatos de esquerdismo, em que os candidatos se esforçam em se mostrar cada um mais à esquerda, mais estatista e mais antiliberal, do que o outro. Qualquer que seja o candidato eleito nas urnas em 3 de outubro, há, pelo menos, uma certeza: será um político de esquerda. Ou, se preferirem, não será alguém de direita. Isso porque - infelizmente - não existem partidos e políticos de direita no Brasil.
Isso, para os esquerdistas evidentemente, é algo bom. Mas, para a democracia, é algo extremamente negativo. Toda democracia que se preze possui partidos de direita sólidos e estruturados. É assim em qualquer país avançado. No Brasil, não. Aqui, uma eleição em que pontifiquem somente candidatos de esquerda, ou identificados com as teses de esquerda, é considerada um "avanço". O próprio Lula disse isso um dia desses, em mais uma de suas frases de porta de sindicato, ao se referir aos "trogloditas da direita". Uma eleição somente com candidatos esquerdistas é tão desinteressante e tão pouco democrática quanto uma que só tenha candidatos de direita, ou de centro. Mas, infelizmente, dizer que alguém é de direita, no Brasil, é xingamento - mesmo que os trogloditas de verdade, como Collor e Maluf, sejam hoje lulistas de carteirinha. Será que todos os eleitores brasileiros são de esquerda? Onde está o pluralismo?
Isso revela a pouca maturidade do sistema partidário brasileiro. Afinal, a alternância no poder, não só de pessoas e partidos, mas sobretudo de ideologias, é um dos pilares da democracia. Há pouco tempo o Chile, que viveu uma ditadura feroz até 1990, teve eleições presidenciais. Venceu o conservador e direitista Sebastián Piñeira, que sucederá a socialista - logo, inegavelmente de esquerda - Michele Bachelet. E isso apesar de Bachelet ter quase 80% de aprovação popular. No Brasil, 80% de popularidade é a senha não para o respeito à democracia e à alternância no poder, mas para planos continuístas. Isso demonstra como estamos atrasados em relação a alguns de nossos vizinhos.
Além do mais, a falta de alternância verdadeira - o que já chamei aqui, referindo-me à falsa dicotomia PT-PSDB, de duopólio esquerdista - gera um outro fenômeno colateral: a irrelevância dos partidos. É o caso do PT. Desde que surgiu, em 1980, o partido passou décadas se dizendo diferente dos demais partidos. Nesse processo, colocou-se contra TODOS os principais avanços e conquistas da sociedade brasileira nos últimos trinta anos. O PT foi contra a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral em 1984, recusou-se a assinar a Constituição de 88, opõs-se ao Plano Real, ao Proer e à Lei de Responsabilidade Fiscal. Agora, colhe os frutos de tudo isso, apresentando-se como fiador - até mesmo como o fundador - da democracia e da estabilidade econômica. Quer dizer: apropria-se do que os outros fizeram, como se fosse conquista sua, quando foi contra cada um desses avanços.
O que sobra, então, do PT? Sobra o projeto totalitário, a ânsia em tutelar e censurar a imprensa e em controlar a sociedade. Isso se revela tanto nos mensalões e na condescendência com os bandidos do MST quanto no alinhamento automático com ditaduras como a cubana e a iraniana. O PT, na verdade, não passa de um PSDB piorado. Assim como o governo Lula não passa de uma versão mais rombuda e mais à esquerda do governo FHC. Seus oponentes, por sua vez, estão no mesmo campo político-ideológico.
Onde está a direita?



Quanto à "lógica da Guerra Fria" ou "lógica de ameaças" a que se referiu a professora, o coronel (cujo nome, infelizmente, não retive) poderia ter dito mais. Poderia ter dito, por exemplo, que, por trás desse discurso aparentemente anódino, esconde-se um claro viés ideológico. A lógica da Guerra Fria se expressa, por exemplo, na forma da tentativa de revogar a Anistia a fim de punir apenas um dos lados - o dos militares, claro -, enquanto deixa de fora os terroristas de esquerda, que mataram, assaltaram e seqüestraram. Aliás, em todo o debate os que interpelaram o coronel não falaram em momento algum as palavras "terrorista" e "terrorismo". Já o coronel não se furtou em falar de tortura, lembrando, inclusive, que ela também foi praticada pela esquerda radical - e citou um caso específico, ocorrido na chamada guerrllha do Araguaia, em que um adolescente de 17 anos foi retalhado a facão pelos "guerrilheiros" na frente de sua família.
"A repressão foi uma opção dos militares", repetia a professora revanchista, como se isso invalidasse o fato de que a luta armada também foi uma escolha consciente da esquerda radical, que desejava derrubar o governo para instalar, em seu lugar, uma ditadura comunista (e isso, como bem lembrou o coronel, antes já de 1964). "Os militares têm que pedir desculpas", insistia - como se a corporação militar como um todo, que saiu do regime extremamente bem avaliada pela maioria da população (o que não inclui, obviamente, os esquerdistas), e cujos generais acreditam, não sem razão, que salvaram o Brasil do comunismo em 1964, devesse alguma desculpa. Quanto a isso, aliás, o coronel recordou o que quase ninguém, ali, queria lembrar: as vítimas e mesmo não tão vítimas assim do regime de 64 estão sendo agraciadas com fartas indenizações do Erário público. Já aqueles que caíram vitimados por balas e bombas da esquerda armada, muitos deles cidadãos comuns, sem qualquer relação com a luta política travada então, quando é que receberão pelo menos um pedido de desculpas de seus algozes? Se é de perdão que se está falando, por que os esquerdistas não se desculpam perante eles e suas famílias? Por que, em vez disso, endeusam terroristas?
As observações do coronel, claro, ficaram sem resposta. E não poderia ser diferente. Sua análise do regime de 64 e da luta armada, assim como da Anistia, foi impecável. Seu desmascaramento do revanchismo esquerdista, agora travestido de "Comissão da Verdade", foi total e irrefutável. Ficou claro que, qualquer tentativa de rever a Anistia não passa de uma forma de duplo padrão ideológico a fim de beneficiar a esquerda. Além do mais, a idéia de que os militares deveriam "pedir desculpas" pelo que fizeram é ridícula: primeiro, porque em 1964 eles não tomaram o poder sozinhos (tratou-se de um golpe, ou contra-golpe, civil-militar); segundo, porque tiveram amplo apoio popular; terceiro, porque os terroristas de esquerda eram uma ínfima minoria, não representando, de maneira alguma, os anseios da sociedade; e quarto, porque no Brasil, ao contrário do que aconteceu, por exemplo, na Argentina, não houve um confronto entre a instituição militar como um todo e a população, e os militares que estiveram diretamente envolvidos nas atividades da repressão política foram uma fração pequeníssima das Forças Armadas. Finalmente, os militares concordaram em perdoar os terroristas e em devolver o poder aos civis, retirando-se da vida política - pode-se imaginar o mesmo acontecendo em Cuba, por exemplo? Os militares, com a exceção da minoria de torturadores e assassinos, não fizeram nada de que possam se envergonhar. Por que deveriam pedir desculpas?
Das observações certeiras do representante dos militares no debate da TV Câmara, e dos argumentos toscos de seus contendores, ficou claro para mim o seguinte: se fosse constituída eqüitativamente por representantes dos dois lados, com o objetivo de apurar as circunstâncias da repressão e da luta armada (e não somente da repressão, como se pretende), a tal "Comissão da Verdade" seria, de fato, uma oportunidade de restaurar a verdade histórica e, de certo modo, fazer justiça à memória e à História nacionais. Como não é esse o intento de seus idealizadores, a conclusão óbvia é que ela não passa de um palco para julgar o regime de 64 e impor a "justiça dos vencidos", isto é, o revanchismo. Não será, portanto, uma Comissão da Verdade, mas da meia-verdade. Ou da meia-mentira.

Vamos lá, petistas do DF! Tenho certeza de que, éticos como são, vocês vão também pedir a cabeça desses que estão aí em cima. Afinal, a Justiça está acima das utopias e das conveniências políticas, não?