quinta-feira, fevereiro 18, 2010

RESPOSTA A UM DEVOTO OBAMISTA


De volta aos poucos do carnaval, como sempre me deparo com a estultice. Um engraçadinho (anônimo, claro) solta o seguinte grunhido, sobre meu texto "Fale mal de Deus, mas não de Obama (ou: "é tudo culpa do Bush")" (http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2010/01/fale-mal-de-deus-mas-nao-de-obama.html) - que é, por sua vez, uma resposta a outro comentário, provavelmente saído do mesmo cérebro:

Deixa ver se entendi.... quando elogiamos Lula pelos méritos de seu governo você diz " É merito do Fernando Henrique, Lula apenas deu sequencia ao que ele começou".. quando dizemos que Obama não vai resolver em um ano o que Bush levou oito para fazar você diz que é balela.... A direita consegue patetica e incoerente, é justamente por isso que naufragou na America Latina, vejamos o quanto a sua direita sobrevive na Europa.

Agora é minha vez: deixe-me ver se entendi... O obabacamaníaco não entendeu minha crítica sarcástica a Santo Obama, o demiurgo que iria resolver em um passe de mágica todos os problemas dos EUA e do universo e que iria tornar o mundo um lugar mais seguro com a força do sorriso e da boa-vontade? Não captou minhas observações sobre o erro de apaziguar ditadores e terroristas em troca de, sei lá, "paz"? Pois até Obama parece ter entendido, como está claro na linguagem mais dura dos EUA em relação ao Irã...

Mais uma vez, os pronomes denunciam. O leitor anônimo - nunca achei que o anonimato tivesse sido inventado para esconder a vergonha, mas estou cada vez mais convencido de que sim, essa é sua função - diz que quando "elogiamos" ("nós", quem? quem seria o sujeito da frase?) Lula pelos "méritos de seu governo", eu, o do contra, torço o nariz e, certamente só pra chatear, digo que é mérito do FHC, pois "Lula apenas deu sequência ao que ele começou". Não só deu sequência, como se APROPRIOU do que havia de bom no governo anterior, esqueceu-se de dizer. E, ao se apropriar do que antes condenava, apresentando-se como "fundador da nação", deu uma contribuição sem precedentes à lista de maiores mentiras já ditas em todos os tempos, justificando a frase, que deveria ser o slogan de seu governo: O QUE É BOM NÃO É NOVO, E O QUE É NOVO NÃO É BOM. Por isso desço o malho nos petralhas. Entendeu?

Agora Obama. Aqui, pelo visto, vou ter que apertar a tecla SAP. Não tem outro jeito: só assim esses energúmenos entendem... No post, eu mango dos devotos da fé obâmica, que acreditaram que Obama iria resolver em um ano o que o satanizado Bush não conseguiu em oito. Por alguma razão, o leitor sem nome e sem miolos percebeu nisso alguma relação com o governo Lula e FHC... Pois bem: durante oito anos, Bush mandou bala nos terroristas, com razoável sucesso - aponte um atentado terrorista bem-sucedido nos EUA depois de 11/09/2001. E, por causa disso, levou pau todos os dias dos mesmos que votaram em Obama. Ele, Obama, foi eleito com a promessa, entre outras coisas, de reverter as políticas de Bush, o que incluiria fechar Guantánamo e realizar as esperanças dos pacifistas etc. Seria de esperar, portanto, que ele diminuísse as tropas no Afeganistão, entre outras coisas. Muito bem. Mais de um ano se passou, e o que fez Obama? Não só manteve as tropas, como anunciou um aumento nas mesmas. Quanto a Guantánamo, a base continua lá. Em outras palavras: a mesma política de Bush, até ampliada.

Estou dizendo que ele, Obama, fez errado? Mais uma vez, ligando a tecla SAP: Não! Ele está certo! A maneira de combater o Taliban e a Al-Qaeda é mesmo com balas, e não com flores. É com tropas, não com afagos. Onde está, então, a minha crítica? No fato de que, até um ano atrás, ele e seus cabos eleitorais estavam atirando pedras em Bush exatamente por ele seguir essa mesma política que agora, talvez com dor no coração, eles, os obamistas, estão seguindo. Pode-se dizer que há aqui um paralelo com as críticas (falsas) de Lula et caterva à política econômica de FHC? Pode-se, sim. Em ambos os casos, os esquerdistas enganaram muita gente. E é por isso que os critico.
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Pra ficar mais claro: SE TIVESSE UM MÍNIMO DE DECÊNCIA, LULA PEDIRIA DESCULPAS A FERNANDO HENRIQUE CARDOSO PELOS ANOS DE OPOSIÇÃO IRRESPONSÁVEL À ESTABILIZAÇÃO ECONÔMICA, QUE AGORA CINICAMENTE REIVINDICA COMO UMA CRIAÇÃO DELE, LULA. Do mesmo modo, OBAMA DEVERIA RECONHECER QUE A POLÍTICA DE GEORGE W. BUSH PARA COMBATER O TERRORISMO ISLAMITA NÃO ESTAVA NO ESSENCIAL ERRADA, TANTO QUE AGORA NÃO FAZ MAIS DO QUE COPIAR E AMPLIAR ESSA POLÍTICA. DEVERIAM RECONHECER, ENFIM, QUE O DISCURSO ANTERIOR ERA FALSO, PURA DEMAGOGIA ELEITOREIRA. Mas, francamente, não acredito que eles farão isso.
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Ficou claro? Ou terei que desenhar?
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Outra coisa: de onde o ilustre leitor desconhecido retirou a genial conclusão de que a "direita" (além de tudo "patética" e "incoerente") naufragou na América Latina? De quem, ou do quê, está falando, exatamente? Será que é de Honduras, onde a "esquerda", representada por um latifundiário bigodudo que vê raios de alta freqüência dirigidos contra sua cabeça, foi enxotada por um movimento cívico constitucional, para desconsolo de Lula e de Celso Amorim? E, quanto à Europa, quem é mesmo que governa os países mais importantes da região, como a Alemanha, a Itália, a França (sim, apesar do marido de celebridade e camelô de caças que é Sarkozy) etc.? Mas deixa pra lá, isso já é assunto para outro post.

Uma última observação: fique tranqüilo, caro leitor. Apesar do que está aí em cima, saiba que lhe tenho uma grande estima. É que, justamente por eu ser um reaça e um direitista, tenho em alta conta a fé das pessoas, mesmo se for em Obama ou em Lula. Afinal, respeito todas as religiões.

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

ARRUDA NA CADEIA! VIVA! E OS MENSALEIROS E ALOPRADOS?


O governador do DF, José Roberto Arruda, está preso na Políca Federal. Ótimo! É onde ele deve estar mesmo! Lugar de corrupto é na cadeia. Vamos comemorar! U-huuuu!

Agora, vamos esperar que os seguintes mensaleiros e quadrilheiros tenham o mesmo destino:

- Delúbio Soares;

- Sílvio Pereira;

- Antônio Palocci;

- José Genoíno;

- José Dirceu;

- Os assassinos de Celso Daniel;

- Os aloprados fazedores de dossiês;
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- Enfim, os 40 indiciados pelo mensalão;
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E, principalmente,

O maior de todos: O CHEFE

Vamos lá, petistas do DF! Tenho certeza de que, éticos como são, vocês vão também pedir a cabeça desses que estão aí em cima. Afinal, a Justiça está acima das utopias e das conveniências políticas, não?

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

DE GOLPE ELES ENTENDEM

Em meu último post, recordei uma frase do chanceler Celso Amorim, dita no auge da confusão monumental em que o Brasil se meteu - e da qual saiu chamuscado - em Honduras. Perguntado por que o Brasil defendia sanções pesadas contra o governo hondurenho de Roberto Micheletti, ao mesmo tempo em que se opunha ao embargo norte-americano a Cuba, o chanceler brasileiro negou que isso caracterizasse duplo padrão, pois, segundo disse (em 7/07/2009): “Cuba foi uma revolução, enquanto Honduras foi um golpe de Estado típico de uma direita que não tem mais lugar na América Latina” etc.
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A frase merece uma análise mais profunda. Na verdade, trata-se de uma das declarações mais reveladoras sobre a atual política externa brasileira. Vamos lá.
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Em duas linhas, duas mentiras: 1) em Honduras houve um golpe de estado; e 2) em Cuba o que houve foi uma revolução, não um golpe de estado. O corolário daí decorrente é, como não poderia deixar de ser, igualmente falso e mentiroso: logo, a política do Brasil para os dois países está correta, é uma política democrática etc. etc.
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Sobre Honduras, já escrevi bastante aqui, e basta rolar o blog para baixo para perceber que não houve golpe algum, a não ser o tentado por Manuel Zelaya e sua turma, com o apoio de Lula e de Hugo Chávez. Uma rápida olhada na Constituição do país deixa claro quem é golpista e quem não é na história toda. Ademais, de que "direita" o excelentíssimo chanceler está falando? Seriam os mais de 70% da população hondurenha que apoiaram o afastamento legal de Zelaya? Aliás, é bom lembrar: ele, Zelaya, é um latifundiário que viu no bolivarianismo o caminho ideal para se perpetuar no poder, e foram seus próprios ex-companheiros de partido que o tiraram da presidência para preservar a Lei. Se há alguém que representa a "direita", ainda por cima "que não tem mais lugar na América Latina", no sentido em que quis imprimir à palavra o chanceler - de coisa atrasada, reacionária mesmo - é ele, Zelaya. É ele, e não os que o tiraram do poder, que representa a tradição caudilhesca e autoritária que, infelizmente, caracteriza a história da América Latina. (Nada disso, claro, faz qualquer diferença para nosso chanceler - para ele, a "direita" é sempre o lado mau, mesmo que defenda a Constituição contra quem tenta estuprá-la...)
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Não, senhor chanceler: não é quem afasta legalmente, DE FORMA CONSTITUCIONAL, caudilhos e aprendizes de ditador, que "não tem mais lugar na América Latina". É quem tenta, usando inclusive os meios legais, violar a Lei e impor um regime personalista e antidemocrático. Esse tipo de gente, sim, não tem nem deve ter lugar, na América Latina e em parte alguma. O lugar a que pertencem é a lata de lixo da História. É lá que eles devem ser atirados. Eles e os que os apóiam.
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Quanto a Cuba, também já escrevi um bocado, e vale a pena lembrar alguns fatos ignorados por Sua Excelência. O primeiro deles é que revolução e golpe de estado não são conceitos excludentes, antitéticos. Pelo contrário: basta uma análise mais acurada do que aconteceu na ilha-presídio desde 1959 para perceber, sem muito esforço, que o que ocorreu foi, sim, um golpe de estado. O maior golpe da história da América Latina.
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Em Cuba, para começo de conversa, os revolucionários de Fidel e Raúl Castro não derrubaram o ditador Fulgencio Batista e tomaram o poder para instalar uma ditadura comunista. Em 1959, nenhuma proclamação dos guerrilheiros falava em comunismo, socialismo ou o que fosse, mas em restaurar a democracia e a Constituição liberal de 1940. Isso incluía eleições livres e diretas, coisa que os cubanos aguardam até hoje. Pois bem. O que fez Fidel Castro pouco após tomar o poder? Mandou todas essas promessas às favas, e instaurou uma ditadura pessoal, totalitária, claramente comunista. Nesse processo, mandou prender e fuzilar muitos que participaram da luta contra Batista, como Huber Matos, um dos principais comandantes revolucionários, condenado a 20 anos de cárcere por discordar da comunização da ilha. Se isso não foi um golpe, então não sei o que o termo significa. (E não me venham dizer que Fidel levou a ilha em direção ao comunismo e à URSS por pressão dos EUA: seus planos de concentração total do poder vêm desde, pelo menos, a época de Sierra Maestra. Os EUA não tiveram nenhum papel na transformação de Cuba numa tirania totalitária comunista, que se deve tão-somente às ambições políticas e pessoais de Fidel Castro. Além do mais, se o mundo inteiro não conseguiu trazer Cuba para o lado da democracia em cinqüenta anos, como é possível que os EUA tenham "empurrado" a ilha para o socialismo?)
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Tudo isso é narrado minuciosamente em dezenas, centenas de livros e depoimentos, muitos deles de ex-integrantes do establishment castrista que pularam fora do barco do totalitarismo, inclusive uma filha e uma irmã de Fidel. Posso indicar uma biblioteca inteira, se quiserem. Mas parece que nosso chanceler prefere a versão fantasiosa e romântica dos acontecimentos, aquela que apresenta Fidel Castro como um humanista, não como um ditador. É uma pena. Pelo visto, ele deve ter aprendido sobre a Revolução Cubana lendo os livros de Frei Betto e Emir Sader.
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Em resumo, o que o excelentíssimo ministro brasileiro das Relações Exteriores afirmou foi o seguinte:
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- Preservar a Lei é "golpe" quando o deposto é alguém "de esquerda";
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- Um golpe dado por um companheiro de esquerda não é golpe, é "revolução";
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- A "direita" é golpista; a esquerda, não.
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Em Honduras, o Brasil apoiou o lado golpista contra a democracia, tachando de golpista a "direita" que se opõs ao golpe em preparação para preservar as instituições. Em Cuba, o Brasil apóia há anos uma ditadura baseada na traição dos ideais revolucionários, originalmente liberais e democráticos - do mesmo modo, a "direita", aqui, é quem se opõs e se opõe a essa enganação, inclusive pagando com a prisão e a morte. Agora, as mesmas forças por trás da atual política externa brasileira estão urdindo um golpe internamente, no Brasil, mediante o PNDH-3. É preciso reconhecer: de golpe, os esquerdistas entendem.

O BRASIL NO EIXO DO MAL


O Brasil agora é parte do Eixo do Mal. Graças a Lula e a Celso Amorim.
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O mundo inteiro - e incluo aí o governo Obama, que já critiquei duramente aqui neste blog, além da Velha Europa e da Rússsia - já se deu conta do perigo que representa a tirania teocrática do Irã de Mahmoud Ahmadinejad, que insiste em produzir urânio enriquecido para ter a bomba atômica e destruir Israel. Ontem, Obama fez um discurso defendendo sanções mais duras contra o Irã. Mas o governo brasileiro não está nem aí. Pior: está sim, mas de braços dados com a teocracia iraniana contra a humanidade.
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Ontem também, Celso Amorim colocou-se contra as sanções da ONU ao Irã, pois estas "só prejudicam os pobres". Esqueceu-se que, há pouco tempo, era o mais ardoroso defensor de sanções internacionais contra a pobre Honduras, que destituiu constitucionalmente um presidente que tentou rasgar a Constituição do país. Em uma entrevista, o chanceler do Aiatolula afirmou que era a favor de sanções contra Honduras, mas contra o embargo a Cuba porque "em Cuba houve uma revolução, enquanto em Honduras houve um golpe de estado desfechado pela direita mais tradicional da América Latina". A conclusão, óbvia e inevitável, é: sanções podem, mas só contra regimes "de direita", jamais contra ditaduras comunistas ou tiranias teocráticas patrocinadoras do terrorismo. Dificil conceber confissão maior de double standards do que essa.
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É impressionante o grau de alinhamento do Itamaraty com o que há de pior na humanidade. E mais impressionante ainda é como isso não está sendo denunciado como deveria. Afinal, trata-se de um escândalo muito pior do que qualquer mensalão. Além disso, pode-se tentar entender o que leva o governo Lula a envolver-se na farsa bolivariana de Honduras, ou a justificar os ataques cada vez mais constantes de Hugo Chávez à democracia dentro e fora da Venezuela, ou as manifestações explícitas de ciúmes diante da pronta ajuda norte-americana às vítimas do terremoto no Haiti. Pode-se, inclusive, entender a postura omissa (e, na prática, favorável) em relação aos narcoterroristas das FARC - afinal, assim como Chávez e Morales, eles são companheiros dos petistas no Foro de São Paulo. Mas, francamente, o que dizer do caso do Irã? O que ganha o Brasil ao se aliar politicamente a Ahmadinejad?
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Tanto do ponto de vista moral, como do ponto de vista do realismo político, o apoio incondicional a ditaduras não acrescenta nada de positivo às ambições internacionais do Brasil. É um tiro no próprio pé: além de levar à humilhação do País, isolando-o no cenário mundial, o apoio a Ahmadinejad - sem falar em figuras como Chávez, os Castro e Evo Morales - apenas afasta a possibilidade de o Brasil um dia vir a ser membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Isso porque o Irã é visto com desconfiança pelos países árabes, que o governo Lula também desesperadamente corteja, e de cujo apoio depende sua candidatura ao Conselho de Segurança. Ninguém no Itamaraty pareceu lembrar que os árabes desconfiam das ambições do "Império Persa" tanto quanto se opõem a Israel, e que as chances de o Brasil contar com o apoio do mundo árabe em seu pleito para uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU diminuem a cada declaração favorável ao regime dos aiatolás (além do mais, xiita, quando 90% dos muçulmanos sao sunitas). Não se trata somente, portanto, de algo moralmente indefensável, mas, também, de um erro crasso, de algo contraproducente.
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A política externa brasileira é um desastre. É uma coleção de fracassos, em um governo do qual já se disse, acertadamente, que o que é bom não é novo, e o que é novo não é bom. Honduras e o Irã são os exemplos mais eloqüentes, mas não são os únicos. No ano passado, o Brasil apoiou a candidatura de um antissemita e queimador de livros para a direção da UNESCO, órgão encarregado de zelar justamente pela cultura no mundo, a despeito do fato de haver um candidato brasileiro ao pleito - e viu a candidatura que apoiou ser derrotada miseravelmente. Ou seja: entre a desonra e a humilhação da derrota, ficou com as duas coisas. Se tivesse agido de caso pensado contra os próprios interesses nacionais, não teria feito melhor (ou pior). Esta tem sido uma constante nos últimos sete anos.
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Assim como é desastrosa, a diplomacia lulista é megalomaníaca - ou megalonanica. Sob Lula e Celso Amorim, o governo brasileiro transformou a mania de grandeza em motor de sua atuação internacional. Tudo o que tem conseguido é diminuir ainda mais ante a parte do mundo que presta, associando-se aos piores regimes que existem. A VEJA desta semana publicou uma matéria em que examina as notas oficiais divulgadas pelo Itamaraty desde 2003. Fica clara a preferência ideológica por regimes como o de Cuba e da Venezuela em detrimento de outros, como Israel e os EUA. Trata-se, sem sombra de dúvida, de um duplo padrão, moral e político. E, mesmo assim, a diplomacia lulista é vista com respeito por muita gente dita racional. Os psicólogos certamente dirão que a megalomania ignora o fracasso e a própria realidade para se concentrar em suas fantasias.
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Que a diplomacia brasileira atual seja louvada por gente supostamente esclarecida é algo que só pode ser explicado ou pela ignorância ou pela má-fé ideológica, ou por uma espécie de lavagem cerebral. A postura abertamente ideológica do Itamaraty não está em contradição apenas com os princípios da moral e com os interesses nacionais permanentes brasileiros. É uma afronta à democracia. Em particular, à própria Constituição brasileira de 1988. Esta estabelece, em seu artigo 4, os princípios que devem nortear as relações internacionais do Brasil:
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Artigo 4º
A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:
I - independência nacional;
II - prevalência dos direitos humanos;
III - autodeterminação dos povos;
IV - não-intervenção;
V - igualdade entre os Estados;
VI - defesa da paz;
VII - solução pacífica dos conflitos;
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;
IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade.
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Há idiotas que acham que o apoio a ditaduras como a cubana e às ambições nucleares de Ahmadinejad se justifica como uma forma de "mostrar soberania" ante os "países ricos" etc. A esses cretinos adeptos do terceiro-mundismo e do antiamericanismo mais rombudo eu respondo que o Brasil deve se colocar ao lado da democracia e dos direitos humanos não por causa do que pensam A ou B, mas POR CAUSA DELE MESMO. Ou, se preferirem, por causa do que está aí em cima.
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Felizmente para os lulistas, a política externa não é um tema muito popular no Brasil. Se o povo brasileiro desse a ela metade da atenção que dá ao futebol ou às fofocas sobre celebridades, acharia motivos de sobra para sair às ruas e pedir o fim do governo.

terça-feira, fevereiro 09, 2010

GUSTAVO VS. GUSTAVO


Só agora vi, navegando na internet, que alguém, por coincidência um xará meu, deu-se à pachorra de comentar uma cartinha que mandei para a PIAUÍ, em agosto do ano passado, em que comento um artigo de Slavoj Zizek publicado naquela revista dos bem-pensantes (ver aqui: http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2009/08/olha-eu-ai-de-novo.html).

Fiquei intrigado com os, digamos, "argumentos" usados pelo gentil leitor em sua carta de "resposta". Tão intrigado que vou transcrever aqui o (longo) texto dele na íntegra. Assim, quem sabe, alguém poderá me explicar o que ele quis dizer em 505 palavras e 3.233 caracteres.
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Para quem conseguir ler até o final, meu comentário (ou tréplica) vem depois.
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É com certo pesar e (relativamente à realidade é) com certo pessimismo que leio as linhas do meu duplamente xará, daquele Gustavo Henrique de Brasília. Xará que, como morador (do centro) daquela Disneylândia que é a Capital Federal, pode tão bem e com tamanha propriedade não captar o teor das patentes preocupações do filósofo e com toda a urgência, bem como com a atualidade dos temas abordados, com a peculiaridade e a perspicácia costumeira de Slavoj Zizek. Sujeito (histórico em vias voluntárias de conscientização constante) que é muito mais psicanalista, filósofo e esloveno do que aquele típico "comedor de criancinhas", estereótipo enxergado (ou mal visto) pelo meu xará, e que, inegavelmente, ainda habita o imaginário de todos aqueles que se re encaixam, cotidiana e hipnoticamente, à todas as modalidade de mal-estar inerente aos processos civilizatórios contemporâneos...

Estes que quando não são, conforme as palavras de Jacques Rancière, membros ou inseridos no corpo social como "parte de parte alguma", são aqueles que, pela pretendida manutenção dos "compromissos entre o Estado e Sociedade Organizada" não compreendem o teor tanto da urgência e da essência do que se entende por "comunismo". Ou da coletivização de problemas e de soluções ou, ainda, do tornar "comum" a dinâmica de solução de impasses e da majoração do nível de importância de certos interesses, de indiscutíveis (e urgentemente repensáveis) integrações (entre natureza e civilização, por meio da ciência e da tecnologia), de problemas e de soluções enxergados e mediados por uma gestão comum. Comum e comunista no sentido de coletivo, desde a base social até aos seus fins civilizatórios...

Mas, porém, e infelizmente, quando não são estes "conservadores", tradicionalmente auto-intitulados de "direita" ou de "liberais" (mas, estes mesmos que são também os primeiros a publicarem em letras garrafais, quando conveniente, "somos todos socialistas agora", com a imagem da mão do Estado em uma aliança ("socialista"?) com o mercado em frangalhos; e aqui me refiro à uma edição - e à sua capa - da revista estadunidense ou, sem o adjetivo pátrio, "liberal-conservadora", Newsweek, de fevereiro de 2009, quando da celebração da socialização das perdas do mercado, certamente festejada pelo meu outrora referido xará; mas, quando não é ele ou não são os deles a falarem assim) são assim mesmo que falam e pensam a maioria dos apadrinhados pelos ideais e pelas idéias desta síntese que decorre da junção da (suposta ou meramente positivada e, de fato, utópica) democracia e, na crista da onda do século 21 - e envolto às marés e aos maremotos das crises, também, do livre-mercado.

Torcendo todos (mesmo que inconscientemente) para que este (tal mercado) esteja sempre apto à ser salvo pela mão forte do Estado. Deste ente que supostamente é o representante, fiel gerente e garante dos interesses coletivos, mas que, de fato, apenas mantém longe da comida e da festa os órfãos (entorpecidos pela "cola-de-sapateiro" transvalorada, quando o órfão consegue se manter empregado, nos bem sabidos e famigerados "sonhos de consumo" e nos demais "ópios sociais"... Sejam comportamentais e falaciosamente culturais ou sejam estes meramente tecnológicos).
Gustavo Henrique Ferreira, Uberlândia (MG)


Agora, meu comentário (depois de ler e reler o que está escrito aí em cima):

NUM INTENDI U KÊLE FALÔÔÔÔÔ....

P.S.: E pensar que já "pensei" desse jeito...
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sexta-feira, fevereiro 05, 2010

A PALANQUEIRA SUPERPOP

Dilma em campanha: "gente como a gente"
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Dilma Rousseff esteve ontem no programa Superpop, da intelectual Luciana Giménez, na Rede TV!. Entre platitudes e trivialidades, destinadas a mostrar a chefona como "gente como a gente", e interrompidas de dois em dois minutos por aplausos ensaiadíssimos da platéia (parei de contar quantas vezes a aplaudiram quando chegou a vinte...), ela falou que queria ser bailarina quando criança, ameaçou cantar e fez uma omelete. Não sapateou nem equilibrou uma bola no nariz dançando o créu, porque não deu tempo.

Não vou falar aqui da tosca construção da personagem, nem da tentativa forçada de parecer simpática para a platéia, nem do nível abissal dos programas escolhidos pelos petistas para se "comunicarem" com o povão (a primeira entrevista de Lula após chegar à presidência foi no Programa do Ratinho...). Tampouco vou me alongar sobre a maneira engrolada e tatibitate com que a ministra-candidata deixou todos um pouco mais confusos ao tentar explicar o apagão do ano passado (que ela chama de "blecaute"), dizendo que este teria sido melhor do que o dos outros. Vou me concentrar apenas numa coisa, de muito mais gravidade:

Que colar hor-ro-ro-so era aquele, ministra? Não tinha nada mais fashion? Parecia uns cogumelos enfileirados. Ah, aquele colar... aquele colar não dá, né ministra? Cadê o Ronaldo Ésper?

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

RUMO À FARSA ELEITORAL


Mal a campanha eleitoral deste ano começou - e ela começou, como comprova a crise de hipertensão de Lula - e sou tomado por uma sensação desconfortável e familiar de déjà-vu. É a mesma sensação que tive nas campanhas anteriores para a Presidência da República. De um lado, uma candidata obviamente despreparada, apesar da pose e do marketing oficial, lançada por um governo e por um partido de esquerda; de outro, uma oposição desconcertada e sem discurso, também de esquerda.
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Em outro post apontei para esse estranho fenômeno da política nacional (http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2007/11/pt-e-psdb-o-duoplio-esquerdista.html). Petistas e tucanos, apesar de toda a troca de farpas, ou quiçá por causa disso, são como irmãos gêmeos, que se amam e se odeiam ao mesmo tempo. Quanto mais brigam, mais afloram as semelhanças entre eles. Trata-se, obviamente, de uma falsa polarização, que não esconde a existência, no Brasil, de um duopólio esquerdista: desde quando o PSDB, nascido de uma cisão do PMDB em 1988, nas cadeiras da USP e tendo como figuras de proa o ex-presidente da UNE José Serra e o sociólogo marxiano (em suas próprias palavras) Fernando Henrique Cardoso, é um partido "de direita"? Mais: desde quando os oito anos do governo FHC (1995-2002), em que foram feitas algumas (tímidas) reformas econômicas, foram marcados pelo "neoliberalismo"? Isso só demonstra, a meu ver, a inexistência de qualquer coisa, entre nós, que possa se encaixar no rótulo de "direita" ou "liberal", e, conseqüentemente, o predomínio de uma visão de esquerda, segundo a qual tudo aquilo que não for radical o suficiente, ou esquerdista o suficiente, é automaticamente "de direita".
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PSDB e FHC, "neoliberais"? Então vejamos. Durante o período em que FHC esteve na presidência, os tucanos realizaram algumas reformas econômicas importantes, como a privatização das teles. Fizeram-nas não porque fossem adeptos entusiasmados do livre mercado e da livre iniciativa, por convicção ideológica ou programática, mas por uma imposição da realidade. Ou seja: de forma envergonhada, quase pedindo desculpas. A estabilização da moeda, principal conquista do governo FHC, surgiu dessa maneira. Lula e o PT sabem disso, a tal ponto que mantiveram essas conquistas do governo anterior (tomando o cuidado, claro, de reivindicá-las para si). E ninguém, pelo menos ninguém em seu juízo perfeito, afirma que o governo Lula é "neoliberal".
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Outro exemplo: o Bolsa-Cabresto, também conhecido como "Bolsa-Família". Em entrevistas e declarações, os caciques do PSDB já deixaram claro que consideram o programa necessário e importante, e negam que vão revogá-lo se vencerem as eleições. Dizem, corretamente, que foram eles, os tucanos, que inventaram a coisa, e que os petistas apenas se apropriaram dos programas anteriores, dando-lhes um novo rótulo. Reivindicam, enfim, a paternidade da idéia. Alguma crítica mais mordaz contra o assistencialismo, alguma observação sobre como programas como esse não passam de uma forma de coronelismo e de um estímulo à estadodependência?
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Fatos como esse mostram que a discussão plebiscitária PT X PSDB, ou Lula X FHC, que irá certamente caracterizar as próximas eleições, é na verdade um falso debate, uma falsa polarização. Ao que tudo indica, teremos um repeteco do que houve em 2006, quando o tucano Geraldo Alckmin, escolhido para perder a eleição, negou-se a defender as privatizações, transformando a eleição numa disputa para saber quem era mais estatista, mais esquerdista e mais antiliberal. Em 2002, não foi diferente: todos os candidatos, sobretudo os dois principais, colocavam-se no campo da esquerda, recusando-se a defender abertamente propostas que pudessem ser consideradas "neoliberais". E o mesmo em 1998, em 1994... O que se tem visto, desde a redemocratização em 1985, com a interrupção do governo Collor em 1990-92, é uma alternância no poder entre duas vertentes esquerdistas, uma socialista, outra social-democrata. Diante disso, não surpreende que o nível das campanhas seja tão baixo: não há praticamente o que se discutir de essencial, apenas variações sobre o mesmo tema.
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Tamanha é a hegemonia das patrulhas esquerdistas na política brasileira que é difícil para o cidadão comum enxergar até essa realidade mais que óbvia. "A esquerda somos nós", disse à VEJA o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, em uma entrevista em que ataca duramente o PT e Dilma Russeff. Como se ser "de esquerda" fosse necessariamente uma virtude (por esse raciocínio, ser "de direita" é pactuar com o demo). Isso mostra até que ponto o discurso esquerdista é hegemônico no Brasil, não havendo qualquer alternativa ideológica a ele: até mesmo para atacar a esquerda no Brasil, é preciso ser de esquerda, ter um discurso de esquerda.
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A epítome dessa falsa polarização é a teoria das "duas esquerdas", que tem sido bastante evocada nos últimos tempos. Segundo essa teoria, usada por "especialistas" para explicar fenômenos como o chavismo, haveria duas esquerdas, uma "carnívora", ou radical, e outra, "vegetariana", moderada e civilizada. Lula e o PT fariam parte da ala "vegetariana", enquanto Chávez e Morales seriam "carnívoros". Tal teoria, evidentemente, não leva em consideração a afinidade quase total entre Lula e os companheiros bolivarianos, demonstrada no apoio incondicional do governo lulista às peripécias autoritárias de Chávez e sua turma. Se há uma esquerda "vegetariana", em contraposição a uma "carnívora", certamente não é o PT: é o PSDB.
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(Em tempo: não estou dizendo que PT e PSDB são "todos iguais". Quem diz isso não entendeu nada, ou se faz de sonso. Estou dizendo que pertencem ao mesmo campo político-ideológico. A esquerda, como se sabe, jamais foi monolítica. Dizer mais que isso já seria apertar a tecla SAP.)
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É por causa de falsas dicotomias como essa que não vejo nada de realmente novo saindo das urnas em outubro próximo. Não que as eleições não sejam importantes: elas são, e constituem um dos fundamentos da democracia. É justamente por isso que os candidatos precisam representar as mais variadas correntes políticas e ideológicas, a fim de dar conta de toda a complexidade do tecido social, e não apenas variações do mesmo discurso esquerdista. Além disso, é um erro grosseiro acreditar que a política se limita ao ato de votar, ou que começa e termina nas eleições. Enquanto predominar o duopólio esquerdista na política brasileira, vou continuar a justificar meu voto.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

A MISÉRIA DA ESQUERDA



É raro ver, nesses tempos de politicamente correto e silêncio complacente, um texto como o que vai em seguida. Principalmente por ter sido escrito por um colunista da Folha de S. Paulo, um jornal que, obcecado em não desagradar a gregos e baianos, costuma confundir "não ter lado" com justiça. Por isso, faço questão de transcrever o texto aqui na íntegra. Saiu na Folha em 1 de fevereiro. O autor é Fernando de Barros e Silva. A ele, meu aplauso.
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QUE ESQUERDA É ESSA?
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Como retrato da esquerda, o Fórum Social Mundial nos oferece uma imagem melancólica. De um lado, o evento, encerrado ontem, se presta a ser um palco de aclamação do lulismo; de outro, reitera sem mais dogmas anticapitalistas, fazendo tabula rasa do legado ruinoso dos experimentos coletivistas do século 20.
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Em sua 10ª edição, o fórum agrega uma esquerda que transita entre o novo pragmatismo e a utopia de antigamente, sem que se detenha na crítica de nenhum dos polos. Adesista e fundamentalista ao mesmo tempo, essa esquerda age como quem quer usufruir todos os benefícios possíveis deste mundo (lulista), sem prejuízo de manter intacto o clichê do "outro mundo possível".
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Entre o radicalismo vazio e o apego ao poder, haveria uma trilha menos cômoda. Algo como o compromisso com a redução das desigualdades, com o combate à corrupção em todas as suas formas e a defesa da democracia e do pluralismo -tudo combinado numa perspectiva reformista, que se paute pelo realismo sem abrir mão de princípios.
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Não é isso, como se sabe, o que seduz os funcionários da utopia. Mas que esquerda é essa que vira as costas aos estudantes venezuelanos e não se manifesta contra a escalada autoritária de Chávez? Que esquerda é essa, para quem o mensalão não existiu ou acha que "a vida é assim mesmo"? Que esquerda é essa, capaz de defender a barba de Fidel Castro e o bigode de José Sarney?
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Não há dúvida de que existe uma maioria bem intencionada entre os participantes do fórum. Mas o evento se tornou coisa de profissionais. Com raríssimas exceções, os intelectuais que contam não perdem mais tempo por lá. Restou um lúmpen "pensante" que fez do fórum o seu negócio. Gente, aliás, que cansou de esperar Godot e hoje enche as burras à custa do lulismo. São parasitas do Estado que adoram ressuscitar o fantasma neoliberal diante de plateias embasbacadas para manter viva a sua boquinha. Será possível ainda ser de esquerda sem parecer idiota ou espertalhão?

terça-feira, fevereiro 02, 2010

A TRAJETÓRIA DE UM REVOLUCIONÁRIO ARREPENDIDO (UMA HISTÓRIA DOS ANOS 60)


Estou lendo um livro intitulado American Extremists, de dois professores universitários norte-americanos, John George e Laird Wilcox. Na página 115, deparo com uma história que daria um filme. Resolvi pesquisar na internet por mais detalhes. Vou resumir a história aqui para vocês. Acho que ela merece ser contada.

Desde cedo, Anthony Bryant esteve às voltas com a violência.

Nascido numa família pobre, ainda adolescente ele se envolve com gangues de negros na Califórnia. Sua primeira condenação por roubo vem em 1961.

Em 1964, foi condenado por posse e tráfico de maconha. Na prisão, tem contato com militantes negros como Eldridge Cleaver e com a ideologia do “black power”. Radicaliza-se, abraçando as idéias extremistas de Frantz Fanon e Malcolm X.

É a década de 60, o período mais turbulento da História recente dos Estados Unidos. Os movimentos pelos direitos civis e as manifestações contra a Guerra do Vietnã estão no auge. Os estudantes protestam. A “Nova Esquerda” toma as ruas.

Em 1968, após cumprir sua pena de prisão, Anthony Bryant se filia ao Partido dos Panteras Negras (Black Panther Party), organização radical que luta pelo “poder negro”, fundada dois anos antes. Ele se convence de que somente uma “revolução” poderá levar os negros norte-americanos ao poder e acabar com o racismo no país. Torna-se um dos mais radicais militantes da organização, recebendo o apelido de “Mr. Eliminator” (“Sr. Exterminador”). Ele está em guerra com os EUA.

Em 1969, Bryant passa das palavras à ação. Armado com um revólver, ele seqüestra o vôo 97 da National Airlines, que ia de Nova York a Miami, ordenando que o avião seja desviado para a ilha de Cuba. Seu plano é ser recebido pelas autoridades cubanas e delas receber armas para dar início a uma insurreição nos EUA. “Prefiro morar numa prisão em Cuba a viver nos EUA”, pensava então.

Ao chegar ao aeroporto de Havana, Bryant é, porém, detido pela polícia de Fidel Castro. Cometera um erro: roubara os passageiros, entre os quais um agente do regime castrista, que carregava uma mala cheia de notas de 100 dólares. Em vez da recepção triunfal e das armas que esperava receber, Bryant é atirado numa masmorra, onde permanecerá por 11 anos e meio.

Durante o período em que esteve preso em Cuba, em condições subumanas, Bryan presencia espancamentos de prisioneiros e fuzilamentos. É então que sua visão de Cuba como um “paraíso socialista dos trabalhadores” vem abaixo.

Em 1980, após quase doze anos de prisão, ele é solto, como um dos 30 norte-americanos detidos na ilha liberados em uma barganha entre o ditador Fidel Castro e o presidente dos EUA, Jimmy Carter. São-lhe oferecidas três opções: permanecer em Cuba, ir a um terceiro país ou retornar aos EUA, onde uma pena de 20 anos o aguarda por causa do seqüestro do vôo 97 da National Airlines. Bryant escolhe voltar aos EUA. Sua pena é comutada e ele readquire seus direitos de cidadão norte-americano. Seu discurso agora era outro: “Prefiro viver numa prisão nos EUA a morar em Cuba”.

De volta a seu país e à liberdade, Bryant se envolve com a organização anti-castrista Comandos L, criada pelo seu companheiro de cela, Tony Cuesta. Em 1992, ele é acusado de transportar armas em seu barco para a organização. É absolvido em 1993.

Em 1984, Anthony Bryant, agora um militante anticomunista, publica um livro, Hijack (“Seqüestro”), no qual descreve sua experiência como revolucionário negro e sua desilusão com o radicalismo de esquerda, e com o regime cubano em particular. Ele pretendia transformar o livro em filme.

Tendo rejeitado por completo as idéias radicais da juventude, Bryant passa a dar palestras nas quais alerta para os perigos do socialismo que, segundo ele, estava dominando os EUA. Em entrevista ao jornal The Telegraph em 1985, ele acusa vários líderes negros norte-americanos, como o reverendo Jesse Jackson, Louis Farrakhan (chefe da Nação do Islã) e Andrew Young de estarem a serviço do comunismo. “Eles não representam ninguém a não ser suas bocas grandes”, declara.

Sobre seus anos de revolta, escreveu ele em Hijack:


Eu era negro e amargo, armado, desesperado e perigoso, em guerra contra os Estados Unidos da América.”
Disse ainda (em entrevista para The Telegraph, 12/12/1985):

“Eu era um revolucionário. Acreditava que, se você quer mudança, você encosta um 38 na cabeça de alguém e aperta o gatilho”. (Observação do autor: esta é a mais sucinta descrição do que é um revolucionário que já li.)

“Não quero ver o povo americano passar agora por essa sujeira chamada socialismo. Testemunhei milhares de espancamentos selvagens nas prisões cubanas. Essa é a realidade de Fidel Castro”

Em outra entrevista, em 1987, Bryant disse:

"Vivi no ventre do monstro... Quando eu estava em Cuba, testemunhei três execuções. Vi-os dançarem em volta dos corpos. Colocaram guardas para nos vigiar e nos batiam excessivamente. Mas eu tive que ir lá para descobrir essas coisas".

Nos últimos anos, Bryant renunciou completamente à violência como meio de mudança, inclusive para Cuba. Para ele, só uma mudança pacífica era desejável.

Anthony Bryant morreu em Miami, Flórida, de leucemia, em dezembro de 1999. Tinha 60 anos de idade.

Um último comentário

A história acima, rocambolesca como é, daria um filme, sem dúvida. Mas, estranhamente, nenhum produtor de Hollywood se interessou ainda em levá-la às telas. Deve achar que uma história assim, de desilusão ideológica, retiraria muito do charme e poder de sedução que os anos 60 ainda exercem sobre os desavisados. Sem falar na realidade da ditadura cubana, bem diferente do que se costuma ver nos cinemas (Benicio Del Toro que o diga...).
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Muita gente, principalmente quem não era nascido à época, tem saudades dos anos 60, de sua aura de "rebeldia" e "liberdade". Do mesmo modo, o regime cubano dos irmãos Castro conta entre nós com muitos fiéis admiradores. Há quem, inclusive, deseje implantar por aqui a mesma ideologia extremista dos Black Panthers, ignorando, curiosamente, que em Cuba o racismo é uma realidade nas altas esferas oficiais. Tony Bryant, que conheceu bem tudo isso, aprendeu a duras penas que a verdade é bem diferente.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

SÍNDROME DE BRÜNO


Neste fim de semana dei boas gargalhadas com o impagável Brüno, do criador de Borat, Sacha Baron Cohen. O filme é mesmo hilariante, tão bom quanto o anterior. O personagem, um estilista austríaco, "gay, loiro e depilado", consegue ser ainda mais ultrajante do que Borat, ao afrontar acintosamente o politicamente correto.

Assim como o simplório falso repórter do Cazaquistão, Brüno não poupa ninguém: modelos de cabeça oca, celebridades do showbiz, políticos, homossexuais, evangélicos, negros - ele adota um bebê africano em troca de um iPod -, machões. Tudo em nome da fama, que ele persegue obsessivamente: após constatar que os maiores astros de Hollywood são héteros, ele se dispõe a fazer um curso com um pastor evangélico para deixar de ser gay, que inclui participar em uma festa de swing, ou troca de casais. Tudo extremamente ofensivo - e muito divertido.

Se Borat era uma paródia do multiculturalismo, com seu repórter cazaque apaixonado por Pamela Anderson, Brüno é uma crítica nada sutil ao mundo vazio das celebridades, que também abusam do figurino “do bem” e “politicamente correto” para aparecer bem na fita. Em busca dos holofotes, Brüno topa fazer qualquer coisa – qualquer coisa mesmo. Ele fica sabendo que, nos EUA, artistas de Hollywood costumam usar os serviços de uma “agência de caridade” e não tem dúvidas: vai à tal agência e, em conversa com duas loiras que o atendem, pergunta qual a causa mais “in” do momento, de preferência uma em que não haja ainda muita gente famosa envolvida. Após lembrarem, entre outras causas, da luta contra o aquecimento global, as assessoras de bondades midiáticas crêem ter encontrado a mais adequada ao fashionista austríaco. “Tem um lugar na África... Dafar”, responde uma delas, referindo-se a Darfur, no Sudão. “Fica ali, tipo, no Iraque”, diz a conselheira de caridade para VIPs.

É então que vem minha cena favorita. Disposto a ficar famoso a qualquer preço, o fútil e afetado Brüno embarca para a “Terra Média” (o Oriente Médio), onde se oferece para mediar a paz entre palestinos e israelenses. Lá vai ele, todo serelepe, de Dolce & Gabbana, tentar aparecer como o grande benfeitor e peacemaker da região, quem sabe de olho em um Prêmio Nobel. O resto deixo que vocês mesmos assistam.

Vi a cena e me lembrei, entre uma risada e outra, de como a realidade pode ser muito mais absurda – e ridícula – do que a ficção mais amalucada. Sim, vocês sabem muito bem de quem estou falando: de Lula e sua diplomacia aloprada. Assim como Brüno, os gênios do Itamaraty lulista fazem tudo para aparecer. E, assim como ele, parecem não ter qualquer noção do que estão fazendo. No final do ano passado, logo após a visita historicamente vergonhosa do maluco Mahmoud Ahmadinejad a Brasília, os porta-vozes da diplomacia brasileira anunciaram, com pompa e sem circunstância, qual seria o próximo salto ousado da política externa brasileira: nada mais, nada menos, do que a mediação entre Israel e o Irã de Ahmadinejad! Mais que isso: o governo Lula se oferecia, magnanimamente, para pôr fim a mais de sessenta anos de conflito na região, intermediando um diálogo entre o governo israelense e o Hamas. (Pelo menos Brüno foi mais modesto: ele tentou reconciliar um israelense e um membro do Fatah, grupo palestino que, ao contrário do Hamas e do Irã, reconhece o direito de Israel existir. Nesse ponto, o Itamaraty o superou.)


O exemplo acima mostra que, quando se trata de ridicularia, o Brasil é mesmo uma potência mundial. Se Sacha Baron Cohen viesse fazer um filme no Brasil, encontraria um terreno fértil para todo tipo de gag e piada pronta. Sob Lula e seu chanceler, Celso Amorim, a política externa brasileira virou motivo de chacota, menos para os lulo-petistas e seus simpatizantes, que acham que ela é um sucesso. A megalomania do Itamaraty chegou a um ponto nunca alcançado antes. O exemplo do Oriente Médio é apenas um deles. Em nome de uma "nova arquitetura mundial do poder", o Brasil tem entrado em uma roubada atrás da outra, visando a uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. Só tem conseguido colecionar derrotas humilhantes, como em Honduras. Lá, o Brasil interveio, esperando aparecer como líder da região. Só conseguiu aparecer como cúmplice do golpismo bolivariano.

A mais recente - e, talvez, a mais absurda - demonstração da "síndrome de Brüno" dos megalonanicos está ocorrendo no Haiti. A comoção mundial pelo terremoto que devastou o país só não é maior do que a ciumeira antiamericana da diplomacia brasileira diante da rápida resposta humanitária do Tio Sam. Mesmo com Obama na Casa Branca, os sábios itamaratianos chiaram com a ajuda dos EUA, que lhes pareceu uma intervenção militar unilateral. Celso Amorim chegou a reclamar do fato de os EUA terem tomado conta do aeroporto de Porto Príncipe (que fora destruído pelo terremoto e só voltou a entrar em operação por causa dos - adivinhem - EUA...). Em reunião internacional sobre o Haiti, diante da proposta de um "Plano Marshall" para reconstruir o país, sentiu os brios nacionais atingidos e sugeriu que o plano se chamasse "Plano Lula". Nem Brüno faria melhor (ou pior).

Esse é o retrato da política externa brasileira nos tempos de Lula: antiamericanismo, mania de grandeza, "protagonismo" destrambelhado. E muita vaidade. Nada mais do que isso. Por que não chamar Brüno para o Ministério das Relações Exteriores?

sexta-feira, janeiro 29, 2010

PROVÁVEIS CAUSAS DA HIPERTENSÃO DE LULA

Não sou do tipo que se regozija com a doença alheia, mesmo quando é de alguém que está "do outro lado" da trincheira política. Não compactuo com as legiões do ódio, que acham que o lugar de quem pensa diferente é o cemitério (e que, coerentemente com esse postulado, ajudaram a mandar uns cem milhões para o além no século que passou). Tampouco sou daqueles que acham que a enfermidade enobrece ou inocenta, como se fosse medida de caráter ou de justeza de uma causa política. Não misturo as duas coisas: para mim, a dor e o sofrimento não são recompensa ou punição, muito menos um passaporte para a santidade (deve ser por isso que nunca fui religioso). Portanto, não fico feliz com a internação de Lula no Recife, por problemas, dizem, de pressão alta.
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Lamento a crise de saúde de Lula. Lamento mais ainda que ela esteja sendo usada pela canalha petista para mais uma vez enganar e mentir, a serviço do culto da personalidade.
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Mal Lula foi internado, os petistas e puxa-sacos de plantão começaram a dizer que ele estava com a pressão alta, coitado, porque estava "trabalhando demais". Ora, todos sabem a que tipo de "trabalho" Lula se dedica há décadas. Ele mesmo não esconde de ninguém sua laborfobia: há poucos dias, tripudiando sobre as vítimas das chuvas que assolam São Paulo, o Apedeuta lembrou que, na época em que dava ponto em um armazém na capital paulista, ele gostava quando chovia, pois assim não precisava trabalhar... Trabalhar, trabalhar mesmo, ele não trabalha desde 1975, quando largou o batente para virar líder sindical. Desde então, tem-se dedicado em tempo integral à política. Nisso sim, ele tem-se revelado um trabalhador incansável. Obsessivo, até.
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Desde que voltou das férias, Lula tem cruzado os céus do País numa maratona de comícios travestidos de inaugurações de obras do PAC (muitas delas, sequer iniciadas), com objetivos claramente eleitoreiros, a fim de alavancar a candidatura de sua pupila Dilma Rousseff, que teima em não decolar. A tarefa é difícil, hercúlea. Lula vai ter que suar muito para convencer a todos que a "mãe do PAC" não é um poste. Vai ter que usar toda sua habilidade de animador de auditório para tornar a ex-companheira Stela da VAR-Palmares algo palatável. Não vai ser fácil.
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Lula tem motivos de sobra para estar estressado. Além de Dilma estar patinando nas pesquisas, obrigando-o a expandir o recadastramento do bolsa-cabresto até o dia 31 de outubro (por "coincidência", dia do segundo turno das eleições deste ano) e a intensificar sua rotina de viagens e comícios pré(?)eleitorais, a realidade insiste em contrariar seus planos. A última semana, por exemplo, foi particularmente difícil para Lula e seus áulicos. Eis algumas prováveis causas do piripaque presidencial:
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- A derrota humilhante da diplomacia lulista em Honduras
Em Honduras, o novo presidente eleito democraticamente, Porfirio Lobo, assumiu a presidência, contra a vontade de Lula e de Celso Amorim, que viram seu golpista bolivariano de estimação, Manuel Zelaya, deixar a embaixada brasileira rumo ao exílio. Os petistas-bolivarianos apostaram que recolocariam Zelaya no poder, acreditando que todos cairiam no conto do "golpe militar" contra ele, Zelaya, que tentou dar um golpe nas instituições à la Chávez. Não deu certo. Não contaram com a resistência heróica dos hondurenhos, um povo pequeno, mas valente, que não se deixou intimidar e defendeu com unhas e dentes sua Constituição contra quem queria violá-la. O Brasil saiu do episódio diminuído, como cúmplice e caudatário do golpismo bolivariano. Uma humilhação total para a diplomacia aloprada, que teve seu duplo padrão e seu comprometimento com a destruição da democracia na América Latina expostos com toda a nitidez para quem quiser ver.
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- A crise da protoditadura chavista na Venezuela
Outro político a que Lula e Amorim dão apoio INCONDICIONAL, o coronel Hugo Chávez, também está enfrentando um momento complicado na Venezuela, que ele levou para o buraco. Chávez quer que as empresas de comunicação do país lhe prestem vassalagem, e ameaça retirar do ar as que não o fizerem. Como resultado disso e da crise econômica, a Venezuela está sendo sacudida por protestos diários, reprimidos com violência pela polícia chavista. Já há mortes. Para piorar, o barco chavista já começa a fazer água, com várias defecções em suas fileiras nos últimos dias. O Itamaraty lulista já acionou o piloto automático, afirmando que a violência política é uma questão interna dos venezuelanos e que a Venezuela é um país soberano (a exceção, claro, é Honduras). Só falta dizer que os protestos por democracia na Venezuela são um chororô de torcida de futebol cujo time perdeu o jogo, como no Irã...
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Por falar em Irã, nesta semana Celso Amorim encontrou-se com o chanceler iraniano em Davos, na Suiça. No mesmo dia, dois opositores do regime dos aiatolás foram executados. Querem apostar como Amorim e seu colega iraniano trocaram idéias sobre a melhor maneira de defender a humanidade?
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Nada disso parece diminuir a incondicionalidade do apoio lulista a Chávez, que já chegou a dizer que o terremoto no Haiti foi obra dos EUA. Lula já disse que a Venezuela tem "democracia até demais". Nesta semana, em frente a uma platéia de socialistas jurássicos e revolucionários de butique no Forum Social Mundial, em Porto Alegre, ele aproveitou para louvar os "novos governos democráticos" da América Latina. Conseguem adivinhar de quem ele estava falando?
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Acham pouco? Tem mais.
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- O golpe frustrado do PNDH-3
No final de 2009, Lula assinou (sem ler, é o que diz - que ótimo escudo é a ignorância...) o decreto do tal Programa Nacional de Direitos Humanos, elaborado pelo ex-militante da ALN Paulo Vanucchi, esperando que, talvez por ser fim de ano, ninguém estaria prestando atenção. Mais uma vez, enganou-se. Não só o PNDH-3 não passou despercebido, como teve todas suas aberrações expostas em todos os seus mais absurdos detalhes: imposição da censura à imprensa, revanchismo, abolição do direito de propriedade, desrespeito à liberdade religiosa, entre outros horrores. Uma receita perfeita para instalar um regime ditatorial. Agora, pego em flagrante, ele tenta voltar atrás, mas o estrago já está feito. O rei está nu.
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- Lula versus o TCU
Também nesta semana, durante o périplo pelos grotões para promover Dilma, Lula aproveitou para desafiar o Tribunal de Contas da União, que embargou algumas obras do PAC de licitação mais que suspeita. Lula simplesmente mandou o TCU às favas, deixando claro que, entre obras eleitoreiras de fachada e o princípio da moralidade administrativa, ele fica com a primeira opção e manda a segunda para as cucuias. Novamente, deu um tiro no pé.
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- A prisão dos companheiros do MST em São Paulo
Em mais um duro golpe para os que acham que "um outro mundo é possível" (um mundo sem liberdade, claro), a polícia prendeu um grupo de arruaceiros do MST que depredaram uma fazenda em São Paulo e destruíram alguns milhares de reacionaríssimos pés de laranja em nome da "reforma agrária". Um vídeo deixa claro que os valentes invadiram o local de caso pensado, visando a "causar prejuízo". O que fez o PT, partido de Lula? Divulgou uma nota, em que repete pela milionésima vez a cantilena de que "não se deve criminalizar os movimentos sociais", colocando-se ao lado dos invasores laranjófobos.
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- O fracasso de Lula, o filho do Brasil
A petralhada assanhou-se toda, achando que o filme do Lula bateria Avatar nas bilheterias, catapultando a estória de seu líder para os píncaros da glória mundial. Houve quem falasse até em Oscar. Mas a hagiografia cinematográfica do Barretão bancada com dinheiro de empresas com negócios com o Planalto, já decepcionante como cinema, não emplacou. O público não se identificou com a fábula do Cristo-Rei de Caetés. Preferiu Xuxa e o mistério de feiurinha.
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Não se pode negar que esses têm sido tempos de fortes emoções para Lula. Entenderam por que a pressão dele chegou a 18 por 12?
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P.S.1: Lula estava em Recife para uma cerimônia de inauguração de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), do Sistema Único de Saúde. No discurso, ele brincou, dizendo que até gostaria de ser atendido ali. Logo após se sentir mal, ele foi atendido... mas no Real Hospital Português de Beneficência, um dos melhores hospitais particulares da capital pernambucana. Teve a chance de provar, pelo próprio exemplo, que a UPA é uma maravilha. Mas preferiu o conforto de uma rede privada de saúde. Ironia maior, impossível.
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P.S.2: Ainda em Recife, Lula participou em uma sinagoga de uma cerimônia em homenagem aos 6 milhões de judeus mortos no Holocausto pelos nazistas. Há dois meses, ele recebeu com tapete vermelho em Brasília o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que patrocina o terrorismo contra Israel e nega que o Holocausto tenha existido. Indagado sobre isso, Lula chegou a dizer que não tinha por que se importar com o que pensam sobre o assunto judeus ou árabes (detalhe: os iranianos são persas, não árabes). Ignorância ou cinismo?
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P.S.3: A crise de hipertensão de Lula fez com que ele cancelasse sua ida a Davos, onde participaria do Forum Econômico Mundial. Lá, ele iria receber um prêmio. Sabem de quê? De "estadista do ano". Dá pra acreditar???

quinta-feira, janeiro 28, 2010

A MAIOR HUMILHAÇÃO DA HISTÓRIA DA DIPLOMACIA BRASILEIRA


Ando meio preguiçoso para escrever ultimamente. Sem falar que há muito para se dizer, e pouco tempo para isso. Então vou me limitar a transcrever aqui um texto do blog do Reinaldo Azevedo. Acho que ele resume perfeitamente o que venho dizendo sobre esse assunto há uns sete meses. Assino embaixo. Podem me chamar de maria-vai-com-as-outras do mundo virtual, se quiserem.

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LULA E CELSO AMORIM APOSTARAM CONTRA A DEMOCRACIA. E PERDERAM DE MODO MISERÁVEL. FELIZMENTE!

A posse de Porfirio Lobo Sosa, novo presidente de Honduras, encerra uma crise de sete meses, que teve início com a deposição CONSTITUCIONAL de Manuel Zelaya, no dia 28 de junho do ano passado. Permitam-me uma pontinha de orgulho. No dia em que o Congresso Internacional da Impostura decidiu chamar aquele ato de golpe, eu decidi ler a Constituição do país — sim, mesmo Honduras, tratada como uma espécie de quintal da “Nova Ordem de Esquerda” da América Latina, tinha uma Constituição democraticamente instituída. A despeito dos fatos e da clareza com que o texto indicava que Zelaya, ele sim, tentara o golpe, esta tal “nova ordem” seguiu o grito de guerra de Hugo Chávez: restituição de Zelaya já!

Hesitantes a princípio, severos em seguida, os EUA engrossaram o coro, congelando fundos de assistência e cancelando o visto de hondurenhos comprometidos com o “golpe”. Poucos países sofreram cerco semelhante. E atenção: nenhuma democracia passou por algo parecido. Porque, por incrível que pareça — e, hoje, vista a coisa a uma certa distância, o absurdo não faz senão crescer —, Honduras seguiu sendo uma democracia: o calendário eleitoral foi mantido, não se votou uma só lei de exceção, os Poderes Constituídos mantiveram a sua autonomia e as suas prerrogativas, não houve cassações, não se fizeram prisões políticas.

Não obstante, tentava-se classificar a deposição de Zelaya como um golpe “tipicamente latino-americano”, o que era uma piada, arte da mais pura pilantragem intelectual. Hugo Chávez decidiu patrocinar pessoalmente a volta do golpista deposto, invadindo o espaço aéreo hondurenho. Falhou. Com o auxílio de Brasil, Nicarágua e El Salvador, conseguiu finalmente instalar o bigodudo delinqüente na embaixada brasileira.

Na coleção de absurdos, o Brasil ganhou lugar de destaque. Lula e Celso Amorim, senhores, apostaram na guerra civil hondurenha! Passada a era da mistificação, isso restará indelével em suas respectivas. O Megalonanico hiperativo, em entrevista recente ao Estadão, teve a cara-de-pau de afirmar que a presença de Zelaya na representação brasileira impediu a explosão de violência. Mentira tosca! A esmagadora maioria dos hondurenhos não queria o candidato a ditador. A verdade, como sempre, está no avesso do que diz Amorim: o risco de violência surgiu com a presença Chapeludo maluco no país.

O tempo foi-se encarregando de revelar o que estava em curso. Parte da imprensa, daqui e do mundo, decidiu fazer o que nós, caros leitores, fizemos desde o primeiro dia: ler a Constituição de Honduras. Quando Daniel Ortega, outro apoiador de primeira hora de Zelaya, deu um golpe na Constituição da Nicarágua e fez a Corte Suprema declarar sem efeito parte do texto para, também ele, tentar se eternizar no poder, a ficha de Washington caiu. Os republicanos botaram o dedo na ferida: Obama e Hillary Clinton comportavam-se como caudatários do chavismo.

A posse de Porfírio Lobo, em eleições ainda não-reconhecidas pelo Brasil — os hondurenhos não estão nem aí para o que pensa Lula — humilha a diplomacia brasileira e seus aloprados e também expõe o ridículo a que está submetida a OEA sob o comando de José Miguel Insulza, que previa — talvez torcesse por isso — um banho de sangue se Zelaya não fosse reconduzido ao poder.
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O que se viu, na verdade, foi uma espécie de conspiração de idiotas e esquerdistas pilantras contra a democracia. Durante meses se repetiu o mantra de que não se pode depor um presidente eleito. Não? Se ele desrespeitar a Constituição, não é uma questão de poder, mas de dever. E cada país tem as suas regras para fazê-lo. No Brasil, é preciso um processo de impeachment. Em Honduras, a depender do crime, a deposição é automática, ouvidos, como foram, o Congresso e a Corte Suprema.

Sete meses depois de Hugo Chávez ter patrocinado a tentativa de golpe em Honduras — de pronto rechaçada pelo Congresso, pela Justiça, pelo Ministério Público, pelas Forças Armadas e pela maioria do povo —, quem já deu início à trilha que o levará à desgraça e à liberdade dos venezuelanos é Hugo Chávez. Seu governo está se esfarelando. Cada vez mais, ele depende do apoio dos militares para governar. E isso, sim, remete ao pior passado da América Latina.
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Neste blog, como sabem, escrevi muitas vezes: a derrota de Manuel Zelaya em Honduras é o começo do fim do chavismo. O país, com todas as dificuldades, segue, felizmente (e contra a vontade de Lula e de Amorim) na trilha da democracia. Chávez, o patrocinador de golpes, está cada vez mais perto de ser pendurado pelos pés em praça pública.
A democracia ainda assistirá a esta vitória. Anotem aí.

Para não perder a viagem
A vitória da democracia em Honduras também derrotou boa parte da imprensa brasileira. Uma derrota intelectual e profissional. Há honrosas exceções que não caíram no conto bolivariano — VEJA, felizmente, entre elas. Não se esperava dessa gente muita coisa: apenas a leitura da Constituição daquele país e o reconhecimento de que a Carta daqui não pode ser aplicada lá. Houve até uma tonta que achou um absurdo que não houvesse um processo de impeachment para depor Zelaya… Pois é, estivesse o impeachment previsto nas leis daquele país, talvez fosse mesmo…

O Itamaraty de Celso Amorim costuma usar os jornais brasileiros como passarela de seus delírios de onipotência. O Megalonanico chega ao requinte de ter uma colunista que funciona como sua porta-voz. Esta senhora teve a ousadia (!?) de escrever, certa feita, que o Brasil havia combinado com a Casa Branca a visita de Ahmadinejad ao país. No dia seguinte, o mundo ficou sabendo que Obama enviara uma carta às autoridades brasileiras esculhambando a… visita de Ahmadinejad!!!

terça-feira, janeiro 26, 2010

UM VERMELHO-E-PRETO COM UM EMINENTE PENSADOR DE ESQUERDA

Parou na minha mesa, entregue por um colega meu que acha que ser de esquerda é ser "do bem" e humanista, e conservador é um bicho de casco e chifres, um texto muito engraçado, intitulado "Você é de direita? Faça o teste", publicado no jornal Correio do Povo, de Porto Alegre. O autor é um tal Juremir Machado da Silva, de quem, confesso, nunca tinha ouvido falar. O texto é, como vocês verão, primário, de um nível mental constrangedor, mas há quem ache lógica na coisa, e considere Juremir um pensador. É um sinal dos tempos. Na falta de alguém melhor no campo da esquerda para debater, vai um Juremir mesmo.
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Aí vai. Eu em preto. O Juremir em vermelho.
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É sabido que para a direita não há mais esquerda e direita, salvo quando a direita quer bater na esquerda e precisa chamá-la pelo nome para dar nome bois.
Não sei exatamente de que "direita" o autor está falando, mas uma coisa é certa: não me identifico com ela. Para mim, a esquerda continua viva e muito viva, como demonstra o atual governo e o texto do Juremir.
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Todo mundo sabe e eu tenho repetido isso aqui que a ideia de que a divisão direta/esquerda deixou de ser pertinente é uma ideia de direita.
Gostaria de saber do que exatamente o autor está falando. A divisão direita-esquerda, ou democratas-totalitários, nunca foi tão pertinente como agora. Ele mesmo é uma prova disso.
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Houve tempo em que ser de direita era antiquado. A esquerda ganhava a guerra simbólica. Isso mudou.
Nem tanto, infelizmente. A hegemonia simbólica da esquerda continua forte no Brasil, que, nesse sentido, é quase uma república soviética. Basta fazer um teste: você conhece algum intelectual brasileiro com espaço na imprensa que se declara abertamente de direita?
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Nos últimos anos, a direita adotou estratégias publicitárias (a publicidade é quase sempre de direita) e passou a se apresentar como moderna. Faz parte desse jogo chamar a esquerda de anacrônica, velha, ultrapassada, superada, mofada, etc. A esquerda ridicularizava a direita pelo humor. Agora, a direita insulta e menospreza a esquerda com sua ironia pesada.
Essa é nova: como, a publicidade é de direita??? O autor nunca ouviu falar na maior máquina de propaganda ideológica de todos os tempos, o Partido Comunista da URSS e seus replicantes nacionais?
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Então o atraso das teses de esquerda é apenas uma jogada da publicidade de direita, é isso? Deduzo portanto que, para o Juremir, as teses esquerdistas, como a imposição de uma ditadura do proletariado, são modernas e atuais. Fica fácil entender por que é tão fácil ridicularizar a esquerda.
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Façam o teste:
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É contra a legalização do aborto?
Particularmente, não sou nem contra nem a favor. Só não aceito que se queira criminalizar quem seja contra, como quer o atual governo. A propósito: Marina Silva e os padres da escatologia da libertação também são contra. Eles são de direita?
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É contra o casamento de homossexuais?
Vamos usar o termo correto: casamento de homossexuais (ou casamento gay) não existe. O que existe é união civil de pessoas do mesmo sexo. Novamente, nada contra. A questão é que, em nome de uma suposta tolerância, querem punir com multa e prisão até quem conte piadas de bichinha. Isso, sim, sou contra.
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Acha que o aquecimento global é uma bobagem?
Não apenas quem é de direita acha. Cientistas sérios também já perceberam a farsa por trás da religião aquecimentista. Se você tem alguma dúvida, pesquise.
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É contra o bolsa-família?
Agora sim, uma pergunta pertinente. Sou contra. Assim como Lula, o PT e toda a esquerda brasileira também eram contra antes de descobrirem que o bolsa-cabresto é uma mina de ouro para ganhar votos e deixar o povaréu cada vez mais estadodependente.
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É contra a integralidade do Plano Nacional de Direitos Humanos?
Aqui há um truque. Acho que ninguém é contra a "integralidade" de um Plano de Direitos Humanos. Sou contra, isso sim, o revanchismo, a censura à imprensa, a liquidação da propriedade privada e o desrespeito à liberdade religiosa. Coisas que estão presentes no tal PNDH-3. Malandragem.
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Acha que os governos devem ajudar os produtores ricos e largar no mundo o pobrerio?
Não, não acho. Os governos não têm nada que ajudar produtores, ricos ou pobres. Sou de esquerda?
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Defende pagar menos impostos e obter mais subsídios? Defendo menos impostos, mas nada de subsídios. Sou pela livre iniciativa. Mais uma vez: sou de esquerda?
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Acha que Israel sempre tem razão contra os palestinos?
Não, não acho que Israel "sempre tem razão", ainda mais "contra os palestinos". Acho que Israel tem o direito a existir. Os terroristas islamitas acham que não, assim como grande parte dos esquerdistas, esses humanistas. Se me perguntarem se estou do lado de Israel ou do Hamas, não hesito em dizer: de Israel, claro. Isso faz de mim um inimigo da humanidade?
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É contra política de cotas em sociedades de desigualdade flagrante e reproduzidas pelos mecanismos de educação?
Olha a malandragem aí de novo! A pergunta induz à conclusão de que a política de cotas seria uma forma de resolver ou diminuir a "desigualdade flagrante e reproduzida pelos mecanismos de educação". Quem se disser contra, portanto, deve ser um canalha. Não alguém que se opõe ao racismo institucionalizado ou ao fim da meritocracia nas escolas e concursos públicos.
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É a favor do Fórum da Liberdade e contra o Fórum Social Mundial?
Precisa mesmo responder?
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Acha que a repressão é o único caminho para resolver os problemas de violência urbana?
Mais uma vez: não, não acho que a repressão é "o único caminho" etc. Acho que é necessária. A esquerda, principalmente a que adora fumar um baseado e fazer passeatas "pela paz" depois, pensa diferente.
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Chega. É suficiente.
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Quem der respostas positivas a 80% dessas perguntas é de direita. É direito de qualquer um ser de direita. Não é preciso ter vergonha. Quer dizer, é um tanto vergonhoso ser contra todos os valores modernos e ainda se apresentar como extremamente moderno.
De que "valores modernos" o autor está falando? A censura à imprensa? O apoio ao terrorismo do Hamas contra Israel?
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Na Europa, muita gente daria respostas positivas a todas as questões listadas acima. E diria sem pestanejar: “Eu sou de direita” ou “nós de direita”. No Brasil, as pessoas querem ser de direita sem ter de carregar o peso negativo dessa palavra e dessa ideologia. É confissão de culpa ou malandragem.
As pessoas querem ser de direita no Brasil? Jura? Quem exatamente?
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A direita brasileira é tão esperta que consegue mamar mais no Estado do que a esquerda mesmo quando a esquerda está no poder. A direita é o poder. Talvez seja a única direita do mundo que não se assume como tal e ainda tenta se apresentar como não-ideológica.
Vou perguntar de novo: de quem o autor está falando? Mamar nas tetas do Estado é uma característica ideológica de direita? De quem, exatamente? A direita é o poder? Então Lula é de direita?
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A revista Veja é hoje a carta capital da direita. Os blogues da Veja conseguem estar ainda mais à direita.
Eu sabia que iam acabar falando da VEJA... Ela é o alvo preferido dos esquerdiotas de plantão. Pena que nunca vi ninguém desmentir uma vírgula do que a revista diz sobre Lula, por exemplo. Só uma pergunta: se os blogues da VEJA, como os de Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi e Augusto Nunes, são ainda mais à direita, então devem mamar no Estado também, pelo visto. É isso mesmo?
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O Fórum de Davos é a menina dos olhos da direita internacional. Neste ano, eles vão ter de engolir o presidente brasileiro, que, por ter-se “endireitado” um pouco, tornou-se frequentável.
Direita brasileira, direita internacional... Fico cada vez mais sem entender o que o autor quer dizer exatamente por "direita". Lula sempre foi recebido com rapapés no Forum de Davos, não é agora que ele se tornou frequentável (sic). Fórum de direita?
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Depois da paulada dada pela crise financeira de 2008, Davos está mais humilde. Puro cinismo. Mas a verdade é que o Fórum Social Mundial, rotulado de anacrônico, deu um “chocolate” em Davos e anunciou a agonia do neoliberalismo.
Entendi... Então foi o Forum Social Mundial, aquele conclave de saudosistas do Muro de Berlim e palanque de Hugo Chávez, que deu uma paulada (um "chocolate") em Davos e anunciou a "agonia do neoliberalismo". Estou vendo para que "outro mundo possível" Chávez, um freqüentador assíduo do tal Forum dos malucos, está levando a Venezuela... Por falar no neoliberalismo, este deve ser o defunto mais insepulto da História. Aliás, o que é mesmo neoliberalismo? O autor poderia me esclarecer?
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Última questão do teste para saber se você é direita:
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O neoliberalismo existiu ou foi apenas uma besteira inventada pela esquerda?
Vejam que coisa: o tal "neoliberalismo" deve ser assim como um boitatá ou uma mula-sem-cabeça: existiu ou foi lenda? etc. Mais uma vez pergunto: o que o autor entende por neoliberalismo? A política econômica do governo FHC?
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Outras, outras: prefere Hugo Chávez ou Jair Bolsonaro?
Nem um nem outro. Mas lembremos: Chávez governa um país. E Bolsonaro? A propósito: prefere Fidel Castro ou George Bush? Stálin ou Churchill?
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Sente saudades de Paulo Francis e Roberto Campos?
Fazem falta, certamente. Mas o autor deve estar com saudades de Luiz Carlos Prestes e de Carlos Lamarca.
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Acha que a justiça é neutra, imparcia e objetiva? (aí já não é questão de direitismo, mas de loucura).
Se não é neutra, imparcial e objetiva, precisa ser, devemos zelar para que seja. Mas entendo: isso, para o autor, é pedir demais, é loucura... Então é melhor escancarar de vez e adotar uma justiça parcial e subjetiva a favor dos "explorados", não é mesmo?
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Acha que nunca se roubou tanto como agora?
Se nunca se roubou tanto como agora, não sei. Mas, certamente, nunca na história deste País (opa!) o roubo contou com tanta condescendência dos "éticos" da esquerda. Basta ver as desculpas de Lula para o mensalão. Nunca a honestidade e a vergonha na cara foram tanto de direita.
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Estimulado pelo texto do Juremir, resolvi criar meu próprio teste. Veja se você é de esquerda:
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- Acha que quem é contra o aborto deve ser penalizado?
- Acha que quem é contra o "casamento de homossexuais" deve ir parar na cadeia?
- Acredita que o aquecimento global é uma realidade tão concreta quanto o nascer do sol?
- Pensa que o bolsa-família é um programa de redução da pobreza, e não a institucionalização do cabresto e do coronelismo?
- É a favor da revogação da Lei de Anistia para punir torturadores da época da ditadura militar, mas não os terroristas de esquerda? (aliás, acha que não existe terrorismo de esquerda?)
- Acredita que o papel da imprensa é informar, não fiscalizar o governo?
- Acha que o MST é um movimento reivindicatório dos camponeses pobres, e não um movimento revolucionário que quer acabar com o direito de propriedade e impor uma ditadura comunista?
- É a favor de que símbolos religiosos sejam proibidos em escolas e repartições públicas, principalmente se forem cristãos?
- Acha que os governos devem ajudar empresas falidas e servir de banco para os companheiros?
- Acha que Israel está sempre errado e não tem o direito de se defender?
- Acredita que o capitalismo é um sistema desumano e que Cuba, sim, é que é uma verdadeira democracia?
- Nega-se a reconhecer o resultado das eleições em Honduras, mas não em Cuba ou no Irã?
- Acha que o Foro de São Paulo não existe, e é uma invenção da direita?
- Acha que o PSDB é de direita e que o governo FHC era "neoliberal"?
- Acha que as cotas raciais são um instrumento de justiça social, e não a oficialização do racismo?
- Acha que os EUA estão sempre errados e que são os culpados por tudo que de ruim existe no mundo?
- Acha que os crimes do comunismo, como o extermínio de 100 milhões de pessoas, não existiram e são uma bobagem inventada pela direita?
- Acha que a globalização é uma conspiração das elites capitalistas dos países ricos para aumentar a miséria no mundo?
- Acha que "liberal" e "conservador" são palavrões?
- Acha que existe direita organizada no Brasil?
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Chega, né? Já é o bastante.