quinta-feira, janeiro 21, 2010

LULA MENTE


O presidente nacional do PSDB lançou uma nota atacando duramente Dilma Rousseff. É uma boa notícia, haja vista a bundamolice que caracteriza os tucanos, esses esquerdistas envergonhados, mais preocupados em não ofender ninguém do que em dizer verdades inconvenientes (falarei deles em outro post). Estimulado por esse exemplo, resolvi escrever também minha nota, que mira um pouco mais alto. Aí vai.
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LULA MENTE
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Lula mente. Mentiu no passado e mente hoje. Usa a mentira como método. Aposta na desinformação do povo e abusa da boa-fé do cidadão.
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Mente sobre o PAC, mente sobre sua função e a de seus auxiliares. Não é mentor de um programa de governo e, sim, de uma embalagem publicitária que amarra no mesmo pacote obras municipais, estaduais, federais e privadas. Mente ao somar todos os recursos investidos por todas essas instâncias e apresentá-los como se fossem resultado da ação do governo federal.
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Dissimulado, Lula tentou negar que o mensalão existiu. Depois, confrontado com os fatos, admitiu que não era nada de mais, dizendo que caixa dois todo mundo faz. Mais tarde, mudou novamente a versão, e se disse traído, mas não explicou por quem. Finalmente, disse que foi uma tentativa de golpe contra ele.
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Gaba-se de sua origem pobre e de não ter estudado. Mas teve mais de vinte anos para estudar e se aprimorar intelectualmente, e não o fez. Faz o culto da ignorância, parte do culto de sua personalidade, alimentado por uma corte de bajuladores e por um filme feito com dinheiro de empresas com contratos com o governo. Ofende a língua portuguesa e os pobres que estudam.
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Mente sobre seu passado de líder sindicalista, quando foi preso e, segundo informa quem com ele conviveu, tentou violentar um companheiro de cela. Eleito deputado federal em 1986, teve um desempenho abaixo do medíocre. Aproveita-se do endeusamento e da mistificação de sua figura para zombar da História e da democracia.
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Em 1984, foi contra a eleição de Tancredo Neves no colégio eleitoral. No ano seguinte, orquestrou a expulsão de três deputados petistas que votaram nele. Em 88, recusou-se a votar a favor da Constituição. Hoje, posa de lutador pelo fim da dtadura militar.
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No passado, mentiu ao posar de vestal da ética e da honestidade na política, apenas para defender hoje os mesmos que antes chamava de ladrões e corruptos, que compõem sua base de apoio no Congresso. Do mesmo modo, mentiu ao atacar, por anos a fio, o assistencialismo como uma forma clientelista de reprodução da miséria e de dominação das oligarquias. Hoje, o assistencialismo é um dos pilares de seu governo.
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Durante anos, mentiu sobre suas verdadeiras intenções. Apresentava-se como inimigo feroz do neoliberalismo e das privatizações, apenas para adotar a mesma política que antes condenava assim que chegou ao poder. Não explicou por que o fez, nem fez a autocrítica do discurso anterior. Agora, apresenta-se como o esteio da estabilidade e o fundador da nação. Apropria-se do que não é seu e vangloria-se do que não faz.
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Apresentou-se e apresenta-se como campeão dos direitos humanos e da democracia. Mas tem na ditadura comunista de Cuba seu modelo e inspiração. É aliado de Hugo Chávez e Evo Morales, bem como de todos os ditadores da África. Apóia os planos nucleares de Ahmadinejad no Irã, tendo comparado a repressão aos manifestantes que pedem democracia naquele país a uma briga entre vascaínos e flamenguistas. Em Honduras, apoiou um golpista travestido de democrata, transformando a embaixada brasileira em escritório político daquele.
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Silencia diante das barbaridades incluídas no Plano Nacional de Direitos Humanos, que compromete a liberdade de imprensa, persegue as religiões, criminaliza quem é contra o aborto e liquida o direito de propriedade. Um programa do qual ele teve a responsabilidade final, juntamente com Dilma Rousseff, na condição de presidente da República. Diante da reação da sociedade civil, diz que assinou o Decreto sem ler.
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Além de mentir, Lula omite. Esconde que, em 32 meses, apenas 10% das obras listadas no PAC foram concluídas - a maioria tocada por Estados e municípios. Cerca de 62% dessa lista fantasiosa do PAC - 7.715 projetos - ainda não saíram do papel. Mesmo se as obras do PAC fossem reais, isso não justifica seus constantes ataques à democracia.
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Outra característica de Lula é transferir responsabilidades. A culpa do desempenho medíocre é sempre dos outros: ora o bode expiatório da incompetência gerencial são as exigências ambientais, ora a fiscalização do Tribunal de Contas da União, ora o bagre da Amazônia, ora a perereca do Rio Grande do Sul. Assume a obra alheia que dá certo e esconde sua autoria no que dá errado.
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Diz-se democrata, mas tentou durante meses mudar a lei para garantir um terceiro mandato. Agora quer impor goela abaixo de todos uma candidata de vida, carreira e raciocínio obscuros, que mentiu sobre seu currículo, mente sobre o PAC e sobre dossiês, e que se escondeu durante 21 horas após o apagão. Ela tem nele um professor.
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Está claro, portanto, que mentir, falsificar, omitir, dissimular e transferir responsabilidades são a base do discurso de Lula. Infelizmente, ele é popular, pois o Brasil é um país de bobos.

LULA, O HAITI E MAIS UM VEXAME DOS MEGALONANICOS


Segue mais um texto brilhante de Augusto Nunes, publicado em seu blog. Nada a comentar. Só a lamentar que uma tragédia humana esteja sendo usada como palco para as ambições megalomaníacas de uma diplomacia que perdeu o rumo e a vergonha.
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GIGOLÔS DE TERREMOTOS

Até terremoto tem seu lado bom, imaginaram os estrategistas do Planalto no dia em que o Haiti acabou. Desde 2004 no comando da força de paz da ONU, ferido pela morte de Zilda Arns, de um diplomata e de 17 soldados, o Brasil conseguira com a tragédia o trunfo que faltava para assumir, livre de concorrentes, a condução das operações internacionais destinadas a ressuscitar o país em frangalhos. E então tomou forma a má ideia: que tal aproveitar a favorável conjunção dos astros para fazer do Haiti um protetorado da potência regional que Lula criou?

Eufóricos com o surto de inventividade, os alquimistas federais transformaram o velório de Zilda Arns em comício e escalaram Gilberto Carvalho para o lançamento, à beira do caixão, do novo projeto nacional. A frase de abertura surpreendeu os parceiros de roda de conversa: ”O Brasil perdeu uma grande militante e ganhou uma grande padroeira”. Alheio ao espanto provocado pela demissão sumária de Nossa Senhora Aparecida, substituída sem anestesia pela fundadora da Pastoral da Criança, o secretário particular do presidente foi ao que interessava: “Devemos adotar o Haiti a partir de agora. Temos até uma mártir lá”.

“Vou me empenhar para que Zilda Arns ganhe o Prêmio Nobel da Paz”, emendou Lula na roda ao lado. Expressamente proibida pelos organizadores do Nobel, a premiação póstuma foi autorizada uma única vez, para atender a circunstâncias excepcionais. Em 1961, o estadista sueco Dag Hammarskjöld, secretário-geral da ONU ao longo da década anterior, já estava escolhido quando, às vésperas do anúncio formal, morreu num acidente aéreo. Lula prometeu o que não acontece há 50 anos. Ou ignora a proibição ou se acha mesmo o cara.

Enquanto o chefe apoiava candidaturas impossíveis em cerimônias fúnebres, Nelson Jobim e Celso Amorim articulavam o movimento de resistência à invasão do Haiti por soldados e médicos americanos, armados de remédios, alimentos e equipamentos de socorro. A coleção de fiascos começou com a tentativa de retomar o controle do aeroporto da capital. Quando preparava a contra-ofensiva, Jobim soube que os ianques estavam lá a pedido do governo haitiano.

Se não fosse tão desoladoramente jeca, o governo Lula teria aproveitado a vigorosa entrada em cena dos EUA para associar-se à única superpotência do planeta e aprender o que não sabe. No pós-guerra, por exemplo, os americanos organizaram a reconstrução do Japão e da Alemanha. O Brasil, que não consegue lidar nem com chuva forte, é um país ainda em construção. Mas o presidente acha que está pronto. E preferiu disputar com Barack Obama o papel de protagonista.

Passada uma semana, só conseguiu ficar ainda mais longe da vaga no Conselho de Segurança da ONU, como avisa o resumo da ópera publicado neste 19 de janeiro pelo jornal espanhol La Vanguardia: “O terremoto ocorrido há uma semana desnudou a incapacidade da Organização das Nações Unidas para fazer frente a um desastre de tais dimensões. A onerosa missão dos 8.300 capacetes azuis não serviu para nada no momento de enfrentar a emergência e organizar a ajuda aos haitianos. O Brasil, que tem aspirações ao status de potência regional latino-americana, mostrou, como coordenador das forças da ONU, incapacidade e falta de liderança”.

Enquanto os haitianos imploram pela salvação que teima em demorar, Celso Amorim continua implorando por audiências com Hillary Clinton. Enquanto soldados brasileiros lutam pelas vítimas do flagelo, Nelson Jobim luta para prolongar por cinco anos a permanência no Haiti das tropas que visita quando lhe convém.

Tanto os brasileiros que morreram em combate quanto os que continuam no Haiti merecem admiração e respeito. São heróis. Políticos que ignoram o pesadelo inverossímil para concentrar-se em disputas mesquinhas são gigolôs de terremoto.

POR QUE EXISTE ESTE BLOG


Acho que vou precisar criar uma seção especial neste bog somente para responder a comentários estapafúrdios. A quantidade de vezes que eu tive de responder daria um livro. Um dos comentários que estariam num lugar de destaque seria, certamente, o de um leitor que assina como Artur, sobre meu texto "Os simpáticos", que publiquei aqui em 3 de janeiro. Ele em vermelho:
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Meu caro amigo de direita, somos diferentes na nossa maneira de pensar, mas somos iguais, eu vejo você muito parecido com os extremistas de esquerda, o mesmo pragmatismo, a mesma intolerancia está presenente em ambos. Sim porque toda extrema é intolerante, seja ela de direita ou esquerda.

Em primeiro lugar, quero que me esclareça: como assim, somos diferentes e iguais? Noto aí uma certa confusão mental do leitor. Se sou igual, como posso, ao mesmo tempo, ser parecido com os extremistas de esquerda? Além do mais, desde quando os extremistas de esquerda pautam-se pelo pragmatismo?

Caro Artur, aponte onde, quando e em quê eu sou intolerante. Aí, sim, poderemos começar uma conversa. Até lá, eu fico como aquele sujeito da TV: Num intendi u kêle falô...

Foi no governo deste lula que você hoje chama de apedeuta ( termo que discordo), que o Brasil ganhou destaque no The economist, uma materia falando justamente do nosso crescimento em diversas áreas isso sem contar o Investiment Grade, passou a ser credor do FMI e tudo isso com o crescimento do poder aquisitivo do povo, com as população tendo ascesso a financiamentos dignos para compra de imoves , carros entre outras coisas. Me diga o que o seu governo de direita fez pelo Brasil, me diga o que Fernando Collor, Fernando Henrique e Cia trouxeram ?

O leitor leu os artigos da The Economist que cita? O Brasil virou destaque na revista não por causa de Lula, mas de uma conjunção de fatores que pouco ou nada têm a ver com Lula e os petistas: em especial, a manutenção da política econômica de FHC. Se há um mérito no governo do Apedeuta - o leitor não gosta do termo, então procure no dicionário, compare com Lula e depois me diga se não corresponde exatamente ao personagem -, é esse. O resto é embuste, empulhação para enganar os trouxas e dizer "nunca antes na história deste País"...

Outra coisa: de que "governo de direita" - ainda mais, "seu" ("meu") - o leitor está falando? Dê uma olhada ao lado de quem estão Collor e Sarney atualmente. FHC, de direita?

A propósito: a The Economist é a mesma revista que, há alguns meses, trouxe reportagem de capa descascando a política externa pró-ditaduras do Apedeuta. Até escrevi sobre isso, como você pode confirmar aqui: http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2009/08/o-brasil-ao-lado-das-tiranias.html. Também é a mesma publicação que Lula, em um debate na campanha eleitoral de 2006, desdenhou quando a citaram, dizendo que muitos (a "elite" de "mente colonizada") se baseiam naquilo que dizem as revistas do istranjêro... Esse é Lula.

Sei das falhas do governo atual, como por exemplo a corrupção, que não se limita a esquerda vide democratas. Mas se você me perguntar em quem votaria, não descarto Dilma, por que o faria ?.

Corrupção não é uma "falha": é crime. Existem leis que a punem, sabia? E daí que existe corrupção ali e acolá? O fato de dois cometerem ilegalidades não torna a ilegalidade legal, suponho. O leitor cogita votar em Dilma? Por que não estou surpreso?

Eu não sou socialista, não acredito no comunismo, mas apenas sou coerente com a realidade a que vivo.
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Estou vendo sua "coerência". Não é preciso ser socialista ou comunista para dizer amém à cafajestada. Basta posar de "neutro", "imparcial", diante da sem-vergonhice. Basta ser inocente útil.
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Em suma, Lula e sua patota convenceram muitos incautos de que o Brasil começou em 2003 e que tudo de bom, antes ou depois, é obra deles, os lulistas. É para desmascarar falácias como essa que existe este blog.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

OBAMA, UM ANO DEPOIS. OU: A REALIDADE VENCEU A "ESPERANÇA"


E o Obama, heim? Hoje faz exatamente um ano que ele chegou à Casa Branca, levado nos braços do "mundo" como a encarnação suprema da esperança para a humanidade. Na ocasião, o oba-oba atingia níveis realmente estratosféricos. Cheguei a pensar que o canonizariam. Não chegaram a tanto. Contentaram-se em lhe dar um Nobel da Paz - decidiram 12 dias depois de sua posse na presidência, fiquei sabendo...

Pois é, né? Bastaram doze meses para que metade do encanto do primeiro-presidente-negro-pós-racial-da-história-dos-Estados-Unidos perdesse metade de sua atração. Culpa da realidade, essa madrasta má, que não costuma respeitar muito símbolos e ilusões. Ainda mais quando são símbolos tão vazios, feitos tão-somente de marketing e discursos ocos. Desde que Obama chegou ao poder, a realidade não deu trégua à tal "esperança" (hope). Primeiro foi a tal reforma da saúde, que ameaça não sair do papel. Depois, as guerras no Iraque e, principalmente, no Afeganistão, que muitos que votaram em Obama esperavam que ele encerrasse com seus poderes demiúrgicos (talvez chamando Bin Laden para uma "beer talk" nos jardins da Casa Branca). Contrariando os pacifistas, ele manteve a guerra do demonizado Bush, e até aumentou o número de tropas no Afeganistão. A diferença é que, como ele não é nenhum brucutu texano, ele faz isso com dor no coração...
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De nada adiantou, até o momento, o bom Barack ter se mostrado apaziguador e estender a mão a Ahmadinejad, Kim Jong-Il, Raúl Castro e Hugo Chávez - nenhum destes se mostrou, até agora, muito disposto a abandonar o velho discurso antiamericano (e, no caso dos dois primeiros, o programa nuclear secreto). Logo os devotos da fé obamista se deram conta, com um travo na garganta, que seu líder não andava sobre as águas, nem fazia chover no deserto. Resultado: de 80% nos primeiros dias, a popularidade do Messias caiu para 50%. Nos EUA, já estão começando a compará-lo a Jimmy Carter, o presidente boa-gente, também do partido democrata, que ajudou a afundar ainda mais o país no final dos anos 70. Mas o "resto do mundo", principalmente o resto que pensa que o que é ruim para os EUA é bom para a humanidade, continua botando fé nele.

Tenho falado pouco de Obama nos últimos tempos. É que o personagem já começa a dar sinais de desgaste, e não há nada nele que me interesse além do personagem (aliás, ele tem essa característica em comum com Lula: os dois não existem fora do personagem). Mas vou também celebrar, do meu jeito, a data histórica. Aí vai um texto que postei aqui um dia depois da posse histórica do presidente histórico.

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OBA-OBAMANIA

Devo confessar que não me emociono facilmente. Diante de uma cena ou de um discurso feito sob medida para arrancar lágrimas da plateia, geralmente eu me encrespo e procuro reprimir o máximo meu lado passional e sentimental, buscando guiar-me sempre pela razão. Não que eu seja um monstro de frieza e de insensibilidade. É que, diante de ondas de emotividade e de consensos fabricados, acho impossível não ficar com um pé atrás. Prefiro fazer o que pouca gente faz numa hora dessas: pensar.

Se o motivo de emoção e histeria à minha volta é a posse de um presidente ou o discurso de um político, sou ainda mais radical. Simplesmente não consigo abrir mão do 0,0002% de meus genes que não compartilho com os chimpanzés e juntar-me à multidão ululante. Discursos - ainda por cima, de políticos - não me comovem nem um pouco. Antes, causam-me um tédio irreprimível. Não me entusiasmam, apenas me provocam bocejos de hipopótamo. Prefiro o zumbido de uma abelha ou de uma mosca a permanecer de pé, ou mesmo sentado, tendo os ouvidos e a inteligência massacrados por uma catarata de promessas e frases de efeito, tão vazias quanto as cabeças para as quais se dirigem.
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Foi exatamente assim, profundamente entediado, que me senti ontem, ao ver pela televisão a cerimônia de posse de Barack Obama na presidência dos EUA. Tem gente que está chorando até agora. Afinal, era um "momento histórico". Teve uma repórter, se não me engano da Globo, que achou isso pouco, e tascou um "esse é um momento histórico na história da humanidade". Só faltou dizer que estava presenciando o advento do novo Messias, o redentor da espécie humana. Aliás, para muita gente, era isso mesmo que estava acontecendo.

Em seu discurso de posse, Obama falou em "reconstruir" a nação (ela foi destruída?). Esse tipo de discurso, em vez de me entusiasmar, me dá calafrios. A ideia de "reconstrução" do país - ou do mundo - é algo presente nos discursos de todos os líderes ditatoriais do século XX, de Hitler e Stálin a Fidel Castro e Hugo Chávez. Traz em si um claro componente de messianismo salvacionista, algo tão conhecido de nós, brasileiros. Não duvido que já estejam acendendo velas para Obama em alguns lugares dos EUA, assim como já estão acendendo velas para São Luiz Inácio em algumas cidades do interior do Nordeste. Uma das frases do discurso de Obama foi "a esperança venceu o medo". Impossível evitar a impressão de déjà vu.

Obama é o presidente "histórico". Sua eleição está sendo considerada, por dez em cada dez veículos da grande imprensa, uma vitória contra o racismo e um raio de esperança para a humanidade. Quanto a ser uma vitória contra o racismo, já escrevi sobre isso, e acho que foi exatamente o contrário - Obama dificilmente teria sido eleito não fosse justamente a questão racial, ou seja, o fato de ser (americanamente, diga-se) negro. Com relação à segunda questão, de se Obama é ou não uma esperança, é aqui que tenho minhas maiores dúvidas. A vitória de Obama pode ser creditada a uma série de fatores, inclusive à crise financeira mundial, mas é inegável que foi também uma vitória dos inimigos dos EUA. Muitos que torceram por ele compartilham da visão segundo a qual os EUA só agem, e o mundo reage. O terrorismo islamita, por exemplo, é visto, segundo essa visão, sempre como uma forma de reação, de resposta, à política externa norte-americana. O discurso de Obama, ao proclamar que guerras se vencem com mais do que armas e ao prometer diálogo com regimes como o do Irã, vai nessa direção. Soube que ele pretende fechar a prisão de Guantánamo e conversar também com Raúl Castro, que governa um regime que mantém umas 600 Guantánamos na ilha-prisão de Cuba, mas ninguém - principalmente, os que votaram em Obama - dá a menor bola para esse último detalhe.

Outro fato interessante é que, com a aposentadoria de George W. Bush, os devotos de Obama terão um problema pela frente. Com Belzebu fora da Casa Branca, quem irão demonizar e culpar por todos os males do mundo? O novo Satã para se atirar o sapato já foi escolhido: Israel, contra o qual os idiotas úteis e arautos do "outro mundo possível" já voltaram suas baterias de ódio, inclusive de antissemitismo disfarçado. De fato, pouco importa quem esteja na Casa Branca: por trás do ódio a Bush, estava o ódio aos EUA, que é anterior a Bush e continuará a existir durante o governo Obama, pois suas raízes são muito mais profundas. A diferença é que, com Obama na presidência, há a possibilidade de o discurso do Blame America First tornar-se oficial, para gáudio dos que se alegraram com os atentados de 11 de setembro.
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Aliás, para sermos justos, até isso é duvidoso no que concerne a Obama. Vamos lembrar. Ele montou uma equipe de governo composta de algumas figuras previsíveis e outras, como o responsável pela segurança, oriundas da Era Bush. Isso demonstra como os slogans de "mudança" que embalaram a campanha podem ser - pelo visto, são - vazios e eleitoreiros. É mais um detalhe a aproximar Obama de seu colega Lula da Silva. O Apedeuta, como sabemos, copiou a política econômica de FHC, que passou anos atacando com fervor jesuíta. Hoje, com aquele seu jeito misto de Rolando Lero e Dercy Gonçalves, reivindica até a paternidade da estabilidade econômica... O que leva à seguinte conclusão sobre os dois presidentes: tanto num caso como em outro, eles se opunham a seus antecessores, não a suas políticas.


No começo deste texto afirmei que, diante de ondas de irracionalidade coletiva, não consigo abandonar meu lado racional e deixar de pensar. E pensar é duvidar. E é exatamente isso o que a posse - e a pose - de Obama me induzem a fazer. No momento em que se celebra sua ascensão, uma série de perguntas e dúvidas pululam em minha cabeça. A primeira de todas é: ele realmente nasceu nos EUA? Se sim, porque vem há meses se esquivando de mostrar sua certidão de nascimento, como lhe é exigido em um processo legal movido por um advogado de seu próprio partido? Qual é exatamente sua relação com figuras como Tony Rezko, Bill Ayers, Jeremiah Wright e Raila Odinga? Que papel teve no escândalo da ACORN, a maior derrama de títulos de eleitores falsos da História dos EUA? Finalmente, por que a imprensa não divulga nada disso? Sobre qualquer um desses pontos, nenhuma investigação, nenhuma matéria ou reportagem mais cética e investigativa. Se há algo de histórico na eleição e posse de Obama, não é a cor de sua pele nem seu nome pouco usual, mas o nível realmente inédito de adulação com que o brindou a imprensa norte-americana e mundial, um culto da personalidade verdadeiramente soviético em suas proporções e em sua disposição de esconder fatos pouco abonadores da vida do novo Messias. E ai de quem chame a atenção para essas questões não-respondidas! Será tachado de maluco ou nazista, e ponto final.
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Pouco mais de dois anos atrás, ninguém sabia quem era Barack Hussein Obama. Hoje, continuam não sabendo. Há apenas uma certeza: com ele na Casa Branca, os EUA se tornaram um país mais caudilhesco, mais terceiromundista, mais bananeiro.

OS DIREITOS HUMANOS DELES


Não sei se quem lê este blog está acompanhando a celeuma em torno do tal PNDH-3 - a tentativa grotesca dos esquerdopatas no governo de bolivarianizar de vez o Brasil. A coisa merece uma atenção maior do que a que vem tendo na imprensa. É simplesmente - faço questão de repetir, pois há verdades que precisam ser gritadas dos telhados para serem ouvidas - o maior atentado contra a democracia orquestrado no Brasil em mais de quarenta anos.

É o maior escândalo do governo da companheirada, sem qualquer sombra de dúvida. Maior do que o mensalão? Maior do que o mensalão. Maior do que a chanchada cucaracha em Honduras. Do que qualquer encrenca internacional ou nacional que os aloprados petistas já armaram. E digo por quê.

O que se está tramando é simplesmente um golpe de Estado. Nada mais do que isso. Trata-se de um plano completo, um programa desestabilizador das instituições, que, se implementado, irá simplesmente substituir a Constituição e o Judiciário por uma versão farofeira dos tribunais stalinistas, jogando no lixo o estado de direito democrático e instituindo oficialmente a República soviética do Brasil.
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Acham que estou exagerando? Então leiam o troço. Não acreditem em mim, acreditem no PNDH-3. Está tudo lá: censura à imprensa - o programa prevê punições e até o fechamento de meios de comunicação "que não respeitarem os direitos humanos" (na visão lulo-petista, entenda-se); revanchismo - sai a Lei de Anistia de 1979, e entram os tribunais revolucionários da esquerda para julgar nonagenários, sem que uma palavra seja dita sobre os mortos e feridos pela esquerda armada -; liqüidação do direito à propriedade, com a legitimação das invasões do MST, colocadas acima da Lei; desrespeito à liberdade religiosa, criminalização de quem é contra o aborto etc. Se isso não é um Estado bolchevique em gestação, então não sei o que é. E tudo de maneira legal, por meio das próprias instituições democráticas, ocupando espaços, contrabandeando um programa ideológico para dentro de uma política oficial de governo. Se você pensou em Gramsci, está no caminho certo.

O golpe é tão mais grave por estar sendo feito na surdina, de forma quase clandestina. Os petralhas como Paulo Vanucchi esperaram até o final do mandato do Apedeuta para mostrar sua verdadeira cara e arreganhar os dentes. Escolheram um momento também propício, no final do ano, quando quase todos estão olhando para o outro lado. Mas não contavam que alguém iria prestar atenção.

Como de outras vezes, já estão tentando tirar o do Lula da reta, blindando-o. A tática agora é dizer que o Apedeuta assinou sem ler, o que é bastante provável, haja visto o pouco apreço do Filho do Barril pela leitura, mas não o exime de responsabilidade. Assim como não serve de desculpa para Dilma Rousseff, que, como ministra da Casa Civil, está diretamente ligada ao tal programa. Lula pode até não ter lido o que assinou, mas não dá para negar que os pontos previstos no PNDH-3 já vinham sendo cozinhados há muito tempo, desde o começo do governo. Paulo Vanucchi é o mais novo aloprado. Quanto a Lula, está apenas repetindo sua velha cantilena: "não sei nada, não vi nada". A ignorância é mesmo um álibi muito conveniente.

A visão da esquerda sobre os direitos humanos é mesmo esquisita. Lula agora quer fazer todos crerem que não tem nada a ver com o PNDH-3 do jeito que está, mesmo tendo ele, Lula, escancarado a embaixada brasileira para um golpista travestido de vítima de golpe em Honduras. Lula não faz segredo de suas simpatias por liberticidas como Hugo Chávez e Evo Morales, já tendo dito que na Venezuela, por exemplo, há democracia "até demais". Também é conhecida sua veneração de longa data por Fidel Castro e pelo totalitarismo cubano, que ele considera um modelo e uma inspiração. Há alguns meses, o governo brasileiro patrocinou a volta de Cuba à OEA, mesmo com a tirania castrista não dando qualquer sinal de que vá, um dia, permitir que a ilha vire uma democracia. Sob o lulo-petismo, a diplomacia brasileira se tornou aliada dos piores tiranos e genocidas do planeta, como o sudanês Omar Al-Bashir. Mais recentemente, Lula recebeu com flores o iraniano Mahmoud Ahmadinejad, um antissemita negador do Holocausto e patrocinador do terrorismo islamita. Por falar no Irã, nosso Guia Genial reconheceu, antes mesmo dos aiatolás iranianos, a vitória fraudulenta de Ahmadinejad nas eleições presidenciais, minimizando os protestos contra a fraude - e a repressão sangrenta que se seguiu - como se fosse uma mera disputa entre torcidas de futebol. Procure alguma declaração mais firme do governo brasileiro, alguma resolução condenando de forma veemente ditaduras como a cubana e a iraniana. Não há nada. Nem um miserável muxoxo sequer. Declarações entusiasmadas de apoio a esse regimes, por sua vez, há aos montes.
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Gente como o ex(?)terrorista Paulo Vanucchi acredita que um governo, por ser popular, pode fazer o que quiser. Lula também crê que, por ser popular, irá sair sem um arranhão desse novo escândalo. Certamente sairá. Os brasileiros estão tão anestesiados que vão engolir mais essa, convencendo-se a si mesmos que ele não tem nada a ver com o PNDH-3, assim como engoliram que ele não teve nada a ver com o mensalão. Quem não dá a mínima para os direitos humanos em outros lugares também não vai dar a mínima no próprio país. Não, o PNDH-3 não é coisa deste ou daquele ministro aloprado e sem noção. É a expressão fiel e acabada do que é o governo Lula. É o retrato da esquerda no Brasil.

terça-feira, janeiro 19, 2010

POR QUE NÃO SOU MULTICULTURALISTA


Já disse aqui e alhures, e não me canso de dizer: não sou multiculturalista. Se me disserem que todas as culturas se equivalem, que os valores cultivados pelos nhambiquaras e pelo papa são a mesma e única coisa - como tentaram fazer sobre o cadáver do antropólogo Claude Lévi-Strauss, falecido no ano passado, numa clara distorção de seu pensamento -, eu vou rebater chamando quem diz isso de iludido ou mentiroso. Os valores, ao contrário do que diz certa antropologia, diferem de povo para povo, de cultura para cultura. Às vezes de cidade para cidade, de bairro para bairro, até mesmo dentro de casa. Não há dois seres humanos que pensem da mesma forma em relação a questões como direitos humanos e democracia. Muito menos povos, culturas, religiões diferentes.

Digo isso e me vem à mente um incidente acontecido comigo, há uns dois anos mais ou menos. Era eu o encarregado dos assuntos de China na minha divisão no Itamaraty. A China, como todos sabem, tem um sistema político bem diferente do nosso, para dizer o mínimo. Um belo dia, vem à nossa divisão o ministro-conselheiro da embaixada da China (estou falando, claro, da República Popular). Após os salamaleques de praxe, ele entrou num assunto "meio chato", como ele mesmo disse. Tirou da pasta que carregava algumas folhas de papel. Eram páginas de um site da internet, mantido pelo governo de Taiwan. O diplomata chinês queixou-se do fato de que Taiwan, com quem o Brasil não mantém relações diplomáticas e que é considerada oficialmente por Pequim uma província rebelde, apresentava-se no site como "República da China" - expressão banida do vocabulário diplomático brasileiro, diga-se de passagem. Não somente se queixou, aliás, mas praticamente exigiu que o governo brasileiro "fizesse alguma coisa" (ou seja: retirasse o site do ar). Tive de usar de toda minha (pouca) habilidade diplomática para tentar explicar ao diplomata chinês que a internet no Brasil era um território livre, ao contrário do que ocorre na China, e que não cabia ao governo brasileiro retirar um site do ar, ainda que a informação veiculada fosse mentirosa. Não adiantou. O chinês fincou pé, achou aquilo um absurdo. Como podem permitir que publiquem tal coisa na rede mundial de computadores, perguntava-se o tempo todo o chinês.

Por que conto essa história? Por um motivo simples: o multiculturalismo, a idéia tão bonita do respeito às diferenças, vira fumaça quando confrontada com certas realidades. A China não é um lugar tão complicado quanto, por exemplo, o Irã. Mas ainda assim é um sistema - ou uma "cultura", como queiram - estranho. O conceito de democracia e de liberdade de expressão, por exemplo, lá não tem qualquer valor. Isso ficou claríssimo para mim ao final da conversa. Por mais relativista que alguém seja, é difícil lidar com 60 anos de comunismo político e 5 mil anos de autocracia.
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A verdade dolorosa é que a preocupação com o "outro", com a sensibilidade alheia, de outros povos, religiões e culturas, é uma característica nossa, ocidental. Foi nesse lado do planeta, mais especificamente em sua parte norte-atlântica, que surgiu a noção de que há valores e princípios universais, válidos para todos os povos do mundo, independentemente de nacionalidade, raça, sexo ou religião. Enfim, "o homem", e não o "ocidental" ou "oriental", o "cidadão" em vez do "cristão" ou do "muçulmano" ou "budista". Foi dessa visão realmente revolucionária - a idéia política mais revolucionária da história da humanidade, ouso dizer - que nasceram as modernas democracias e o mais belo documento já produzido pelo gênero humano: a Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948. Não por acaso, fonte inesgotável de constrangimento para regimes como o de Pequim, que censura a internet e mantém blogueiros presos por criticarem o governo. Governos como o chinês - e nem falo aqui do maior inimigo da liberdade atualmente, o fundamentalismo religioso islamita - não dão a menor bola para as suscetibilidades alheias, estão se lixando para coisas como tolerância e respeito às diferenças. Somos nós, a civilização judaico cristã-ocidental, que nos enchemos de culpa e pisamos em ovos quando lidamos com outras culturas.
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Isso significa que se deve dar o troco na mesma moeda, mandando a tolerância às favas, certo? - concluiria o idiota da objetividade. Nada disso. É justamente o contrário: trata-se de defender a democracia e os direitos humanos como valores universais, acima das diferenças culturais, a fim precisamente de defender o respeito a essas diferenças. A própria democracia, tida como uma imposição imperialista ocidental por muito intelectual esquerdista de miolo-mole, se encarrega de fazer isso, traz em si a condição indispensável à convivência entre os diferentes. É claro que não é algo perfeito, mas é infinitamente melhor do que a alternativa que se coloca, de um relativismo niilista que só favorece os inimigos da democracia - e da tolerância. Se alguém conhece um caminho melhor para levar ao congraçamento e à paz entre os povos, que o apresente.
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O paradoxo de nossa época é que aqueles que mais se apegam ao dogma multiculturalista, como a chave da tolerância e da paz entre os povos, são os mesmos que terminam justificando, de uma forma ou de outra, a intolerância em lugares como a China e o Oriente Médio. O argumento é contraditório: alegam que não há culturas superiores nem inferiores, todas se equivalem em seus valores e princípios; logo mas, não se deve querer impor ao mundo uma idéia universal de democracia, pois esta seria apenas a expressão do modo de ver ocidental, válido para o Brasil ou a França, mas não para a China ou o Irã.
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A conclusão lógica desse raciocínio é a seguinte: se o governo chinês continua prendendo e fuzilando opositores ao regime ou censurando a internet, ou se uma tribo indígena na Amazônia pratica o infanticídio, isso não deve ser visto como exemplo de barbárie, mas deve ser aceito como parte da paisagem, como uma expressão cultural local. E isso em nome da... tolerância e do respeito às diferenças (!!!). Não se vê, ou não se quer ver, que a própria idéia de tolerância e respeito às diferenças só se tornou possível por causa de um movimento político e intelectual ocorrido há duzentos anos em uma franja ocidental do planeta, levado adiante por gente branca e de olhos claros, que proclamou, pela primeira vez, que todos os homens são livres e iguais em direitos e deveres, e que isso é um valor universal. Ou seja: afirmam que todos são iguais no essencial, não havendo distinções de fundo entre as culturas, mas, quando se trata de um valor universal como os direitos humanos, afirmam que somos diferentes. Vai entender...
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É por esse tipo de contradição que eu não sou multiculturalista. O multiculturalismo não passa de um discurso politicamente correto feito para pregar o bom-mocismo em novelinhas adolescentes.

ELES NÃO MUDARAM. SÓ TROCARAM DE PELE. E DE MÁSCARA.


Segue um pouco de "fogo amigo". A VEJA desta semana traz um texto do economista Maílson da Nóbrega, intitulado "O PT mudou o Brasil? Ou foi o contrário?". Por trás da denúncia acertada da desfaçatez dos petistas ao se apropriarem de feitos como a estabilização econômica, apresentando-se como "fundadores do Brasil", há uma tese que considero equivocada, e que já rebati aqui: a de que o PT, o partido de Lula, teria se rendido à realidade e mudado programaticamente. Que teria mudado, enfim.

Considero Maílson da Nóbrega um economista brilhante, e um analista arguto da cena econômica nacional e internacional. Concordo com muitos de seus juízos, inclusive sobre o governo Lula e o PT, como este: O PT pretendia mudar o Brasil, mas para pior. O título de seu programa para as eleições de 2002 era "a ruptura necessária". Prometia "uma ruptura com o atual modelo econômico, fundado na abertura e na desregulação radicais da economia nacional e na consequente subordinação de sua dinâmica aos interesses e humores do capital financeiro globalizado". Soa ridículo hoje, não?. Mas nem por isso vou deixar de discordar quando acho que ele erra. E ele comete um erro crasso, a meu ver, quando atribui um peso, a meu ver, exagerado à "conversão" do PT às regras do mercado, mediante a "Carta ao Povo Brasileiro", de 2002.

Ao contrário do que ele, Maílson, diz, a tal Carta não foi o começo do fim das idéias que o PT sempre defendeu - estatistas, hostis ao capital estrangeiro etc. Foi, isso sim, uma manobra tática, necessária à tomada e manutenção do poder político. Lula e o PT se renderam ao mercado não porque tenham feito uma opção clara e insofismável pelo capitalismo liberal, mas por falta absoluta de opção: ou era isso, ou era contentar-se com o eterno papel de oposição. Basta atentar para um fato freqüentemente ignorado: a "conversão" dos petistas ao mercado não veio acompanhada de seu complemento necessário, a confissão e o arrependimento. O partido simplesmente trocou um discurso por outro, quando viu que o anterior não estava ajudando a ganhar as eleições. Fez isso por um motivo puramente instrumental, utilitário. Por puro oportunismo político. É isso que Lula quis dizer quando se definiu como uma metamorfose ambulante (e nauseante).

Tampouco é verdade que as visões econômicas do PT morreram de vez com Lula na Presidência. Elas estão, no máximo, hibernando. Se Lula nomeou um banqueiro para presidir o Banco Central, elevou a taxa de juros no primeiro mês de governo e a meta de superávit primário, não é porque tenha se convertido ao neoliberalismo. Muito menos a aliança com partidos e figuras que antes abominava significa uma mudança radical na forma como o partido e Lula sempre encararam o poder: como o objetivo máximo a ser alcançado, em nome do qual tudo é permitido - até engavetar o discurso anterior de décadas sobre capitalismo e ética.

A preservação da política econômica e da plataforma construída pelos antecessores não significa o reconhecimento de que essas políticas estavam certas quando foram implementadas e que o PT, então na oposição, estava errado. Pelo contrário. Significa uma chance de, tendo agarrado o poder nas mãos para não mais soltar, exercitar a falácia do "nunca antes neste país" e aparecer como "pai dos pobres". Para isso não é preciso coragem, nem mesmo inteligência: basta ser esperto e ter muita cara-de-pau.

O trecho mais problemático do texto de Maílson da Nóbrega é o seguinte:

Muito se deve à intuição política do presidente e ao trabalho de seu primeiro ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Lula percebeu que a preservação de sua popularidade dependia do controle da inflação e por isso reforçou a autonomia do Banco Central. Ele cresceu aos olhos do mundo em razão de sua simpatia, de seu carisma e por ser um líder de esquerda moderado, defensor da democracia e da economia de mercado.

Até um observador lúcido do Brasil como Maílson da Nóbrega, ex-ministro de Estado, caiu na esparrela do Lula esquerdista "moderado, defensor da democracia e da economia de mercado". Isso mostra como foi eficiente a lavagem cerebral petista. É a teoria das duas esquerdas, a "carnívora", representada por tipinhos ridículos como Hugo Chávez e Evo Morales, e a "vegetariana", responsável e moderada, a qual Lula pertenceria. Nada mais falso. A política externa do Itamaraty sob Lula não tem feito outra coisa senão comprovar que a esquerda latino-americana, longe de estar dividida entre "carnívoros" e "vegetarianos", está bem unida, desenvolvendo uma ação coordenada em lugares como Honduras, sempre no sentido de destruir a democracia e substituí-la por governos populistas e autoritários. A economia - insisto nesse ponto - é um instrumento dessa política maior, e não um fim em si mesmo para os petistas.

O erro dos economistas está em não enxergar além dos números da economia, alguém já disse. Para eles, basta que o governo adote uma política econômica responsável e atraia investimentos, que tudo o mais lhe será perdoado. É assim que pensa a maioria das pessoas, aliás, para quem democracia e ética, por exemplo, são simples conceitos abstratos, muito bonitos mas sem peso efetivo na vida cotidiana. O problema é que a economia não é tudo. A China é atualmente uma das economias mais dinâmicas do planeta, graças a reformas liberais que abriram o país para o capitalismo, mas segue sendo uma tirania comunista no plano político. Para os economistas, e sobretudo os economistas liberais, isso não tem qualquer importância. Desde que o governo mantenha a economia funcionando, pode censurar, prender, fuzilar e corromper à vontade. É aí que mora o perigo.

No final de seu texto, Maílson da Nóbrega afirma que Lula curvou-se às imposições da nova realidade do país, herdada de FHC, e termina dizendo: "O Brasil mudou o PT, que agora é, em todos os sentidos, um partido como os outros." Não poderia estar mais errado. O governo Lula se sustenta unicamente numa combinação de sorte (pela situação econômica mundial favorável em 2003-2008), oportunismo e hipocrisia. Assim como o PT não mudou o Brasil para melhor, o Brasil não mudou o PT. Este continua a ser o que sempre foi, um partido esquerdista a serviço de uma visão totalitária e personalista, sem nenhum compromisso filosófico com a democracia e a sociedade livre. Apenas soube trocar o discurso camaleonicamente quando lhe foi conveniente, para melhor agarrar-se ao poder e enganar os incautos. De nenhuma maneira é um partido como os outros.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

EU, O "SEM FALTA DE CRIATIVIDADE"


Voltando das férias, deparo com alguns comentários. Um deles é bem engraçado. É sobre um post em que eu mostro uma foto do Filho do Barril abrindo um sorrisão ao lado do governador do DF, José Roberto Arruda (o do panetone). Escreveu o leitor sem nome, sem rosto e sem noção:

Um blog que se diz contra tudo e todos, deveria entender o espirito da coisa, ou seja, a frase do Presidente Lula fala exatamente desta foto que está sendo mostrada. Como tem gente burra e sem falta de criatividade.

Antes de mais nada, obrigado pelo "sem falta de criatividade". Significa que criatividade não me falta. Poucas vezes recebi elogio tão simpático. Visto a carapuça com muito gosto. Realmente, sou muito burro e "SEM FALTA de criatividade". Hehe...


O leitor diz que eu sou "contra tudo e contra todos". Injustiça para com este escriba. Sou a favor de muitas coisas. Da vergonha na cara, por exemplo. Ou, para ser mais específico: de não jogar no lixo o discurso defendido ainda ontem somente por ter trocado de lugar, da oposição para o governo.

Realmente, tenho dificuldade em "entender o espírito da coisa", como o leitor diz. Afinal, a foto que postei mostra Lula ao lado de Arruda, sorrindo ambos, com uma camiseta escrita "Arruda" nas costas. Creio que não precisa queimar muita massa cinzenta para concluir que os dois se dão muito bem, ao contrário do que pensam os petistas do DF. (Assim como Lula se dá muito bem com Collor, Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho...). O que eu não entendi direito?

Aproveitando o gancho, lembrei agora de uma passagem da autobiografia de Jorge Amado, Navegação de cabotagem, que li nessas férias. O autor de Tieta escreve que, certa vez, nos anos 50, estava na URSS, onde conheceu um português, ardoroso militante comunista e incondicional do sistema soviético. O portuga começou a conversa inflando o peito e dizendo que, na pátria dos trabalhadores e do socialismo, não havia roubo, nem mesmo batedores de carteira. Ao ser desmentido com fatos - haviam roubado a bolsa da esposa de Jorge Amado, Zélia Gattai, pouco antes -, ele veio com essa: é verdade, mas a URSS tinha os melhores ladrões do mundo, os mais rápidos, os mais ágeis, com os dedos mais leves! Em seguida afirmou, novamente de forma peremptória, que na URSS não havia absolutamente prostituição, essa chaga das sociedades capitalistas. Mais uma vez os fatos trataram de mostrar que o contrário é que era verdade, como demonstrava o movimento nos hotéis de Moscou. Foi então que o comuna chovinista saiu-se com a seguinte sacada genial: é verdade, mas não há no mundo quem supere as mulheres soviéticas na cama, eram umas tigresas, as melhores do mundo, as mais fogosas, insaciáveis etc.

Por que conto essa história? Porque ela serve como uma luva para explicar o "espírito da coisa" a que se refere o leitor. Ela explica à perfeição como funciona a cabeça de um petista.

sábado, janeiro 16, 2010

HAITI: COLOCANDO OS PINGOS NOS "IS"

Epa! Peraí! Parece que alguém não entendeu o que eu escrevi sobre o Haiti (ver meu último post).
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De um leitor, que prefere permanecer anônimo:
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Desculpe, Gustavo, mas eu é que não quero que o MEU dinheiro suado seja gasto fora do país. EU NÃO TENHO NENHUMA responsabilidade com o que acontece lá fora. Esta ajuda ao Haiti pelo governo brasileiro não passa de um jogo de vitrine.
Preferiria que o dinheiro estivesse sendo gasto aqui....
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O comentário se refere a meu último texto, no qual aponto a manipulação política da tragédia do Haiti pelo governo Lula, que está usando a catástrofe para se promover lá fora. Vou repetir o que disse: para mim, a ajuda aos haitianos é necessária e louvável. Mais que isso: é uma obrigação moral, uma questão de humanidade. Divirjo, isso sim, é do uso político que o governo faz de catástrofes como essa, como fica claro pelo contraste entre a prontidão no caso do Haiti e a lentidão no caso de tragédias acontecidas em território nacional. Esse contraste mostra que há uma clara instrumentalização política dos desastres que atraem a atenção internacional (o que é uma canalhice), mas isso não significa que se deva dar as costas ao que ocorre no resto do mundo (o que é uma atitude chovinista, para dizer o mínimo).
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Em outras palavras: não sou contra a ajuda ao Haiti, muito pelo contrário. Sou contra, sim, o atrelamento dessa ajuda a uma política externa que se guia pela megalomania e pelo "protagonismo", que usa até terremoto em outros países para exercer sua "liderança" imaginária (já demonstrada, com os resultados conhecidos, em países como Honduras, por exemplo). É por esse motivo que também sou contra a manutenção dos militares brasileiros naquele país (mas isso é motivo para outro post).
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Concordo com o autor do comentário em um único ponto: a ajuda do governo brasileiro ao Haiti é uma vitrine da diplomacia lulista. Mas discordo totalmente quando ele diz que o País não tem nada que ajudar os haitianos nesse momento de desespero que eles estão enfrentando. Não se trata, numa situação como essa, de adotar uma atitude nacionalisteira ou provinciana. A ajuda ao Haiti é uma questão humanitária, não política (daí minha crítica ao governo Lula). O meu, o seu, o nosso suado dinheirinho também é para isso, queira ou não o leitor. E eu, você, nós temos, sim, responsabilidade pelo que acontece lá fora, com o restante da humanidade. Ou vai dizer o distinto leitor que o povo do Haiti, ou ele próprio, não fazem parte do gênero humano?
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Sei que corro o risco de parecer piegas, mas a verdade é que o que acontece no Haiti me diz respeito, sim. Tanto quanto o que acontece em Darfur, no Brasil, na Venezuela, em Cuba, no Irã ou na Coréia do Norte. É esse, aliás, um dos pontos que me separam dos que estão no governo no Brasil atualmente: para eles, questões como democracia e direitos humanos, ou, como no caso haitiano, o socorro às vítimas de um terremoto num país miserável, não são valores universais por si mesmos; são, no máximo, peças de troca no tabuleiro geopolítico mundial. Acredito, ao contrário, que a vida humana, seja onde for, é sagrada, e que é preciso defendê-la. Chamem isso como quiserem; para mim, é um IMPERATIVO MORAL.
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Se "o meu, o seu suado dinheiro" etc. não serve também para ajudar quem dele precisa, num momento de extrema necessidade como um desastre natural, então para que serve? O fato de a tragédia no Haiti estar sendo usada politicamente pelo governo Lula e sua diplomacia aloprada não nos deve fazer fechar os olhos para o sofrimento alheio. É exatamente o contrário: justamente por isso, é que é preciso denunciar a manipulação política da tragédia haitiana. É mais uma indignidade de Lula e sua turma.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

HAITI: OS QUE LUCRAM COM A DESGRAÇA ALHEIA


O que vai a seguir é algo desagradável e poderá afetar alguns espíritos mais sensíveis, sei bem. Mas nem por isso é menos necessário. Quem acredita que a verdade é cor-de-rosa errou de blog.

Que a tragédia inominável que atingiu o Haiti - já se fala em 120 mil mortos, dos quais 15 brasileiros - é uma das maiores da História, já é um fato inquestionável. Que as dimensões humanas e materiais do terremoto seriam certamente bem menores se o país contasse com um mínimo de infra-estrutura - logo, não foi um simples desastre natural, mas teve, também, o dedo da ação (ou omissão) humana -, é algo que também parece líquido e certo. Ninguém discute isso. Assim como ninguém discute que nunca o Haiti precisou tanto de ajuda internacional, e que toda ajuda, venha de onde vier, é bem-vinda e necessária. Tudo isso está fora de questão, e não é hora de politicagens de qualquer tipo.

Pois é. O que incomoda e causa repulsa na catástrofe haitiana é que, desgraçadamente, mesmo tragédias naturais como o terremoto que devastou Porto Príncipe não estão livres da manipulação política. Se têm alguma dúvida, dêem uma olhada mais de perto na atuação do governo Lula no episódio.

A reação do governo brasileiro ao desastre haitiano foi pronta e imediata, como deveria mesmo ser. Já foram anunciados R$ 15 milhões em ajuda humanitária, batalhões de equipes de ajuda estão sendo despachados, ministros de Estado interromperam suas férias para viajar ao local etc. Tudo isso é, repito, necessário e louvável. Nem por isso deixa de aumentar em mim as suspeitas de manipulação política da desgraça alheia, com objetivos bem pouco nobres ou humanitários.

Há algumas semanas, o litoral do Rio de Janeiro foi assolado por chuvas que provocaram deslizamentos em Angra dos Reis, responsáveis por mais de 50 mortes. Pouco mais de um ano atrás, o estado de Santa Catarina foi varrido por fortes chuvas que deixaram centenas de mortos e milhares de desabrigados. Dia desses, o Nordeste também sofreu com inundações, que deixaram um rastro de morte e destruição. E não vi nenhuma reação tão rápida e pronta do governo federal em nenhum desses casos. Não vi nenhuma mobilização tão efetiva. Nenhum ministro interrompeu suas férias e foi verificar in loco os estragos e prestar solidariedade às vítimas. Enfim, nada que se possa comparar ao que se assiste hoje no Haiti.

Antes que digam: não, não estou comparando as tragédias. Ao contrário de muita gente, não perdi ainda o senso das proporções: o terremoto no Haiti é pior, muito pior. Mas uma tragédia é uma tragédia, não importa se morrem um, mil ou cem mil. Ainda mais uma ocorrida em território nacional. Daí minha suspeita de que há algo mais na reação do governo Lula à tragédia no Haiti do que piedade cristã e desejo de ajudar o próximo.

O que explica a rápida reação do governo Lula no caso do Haiti e a - coloquemos de maneira suave - leniência do mesmo nos demais casos citados acima? A resposta, basta ter olhos para ver, é que o terremoto no Haiti, por ter ocorrido no exterior e galvanizado a atenção internacional, é, também, uma excelente vitrine, uma oportunidade de ouro para que um governo que se gaba de seu "protagonismo" internacional exercite sua "liderança". Ainda mais para um governo que há cinco anos mantém uma força de paz no Haiti, como parte de sua busca obsessiva por uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU - o Santo Graal da diplomacia brasileira.

Para o governo Lula, aparecer como beneficiário de uma população miserável e desabrigada é uma forma de reafirmar essa credencial. Além de poder exercitar, no plano interno, o discurso conciliador, unificador, pregando a "união de todos" e o "fim das diferenças" (ou seja: o fim da oposição, que já quase não existe). Com isso, o personagem Lula pode desempenhar seu papel favorito, pedindo que todos se dêem as mãos. E isso mesmo dizendo, até em momentos como esse, mais uma de suas luladas, como afirmar que o terremoto foi uma "injustiça" (tivesse sido nos EUA ou no Japão, então seria um ato de justiça divina?)

Lulices à parte, é triste dizer, mas tragédias como a haitiana, por suas dimensões catastróficas, dão muito mais visibilidade internacional do que uma enchente em algum rincão do Brasil. O que está em jogo, aí, muito mais do que preocupações humanitárias, é a imitação terceiro-mundista da realpolitik. Nesse sentido, a tragédia no Haiti foi uma bênção para o governo Lula.

Estou sendo leviano? Então respondam: qual tragédia teve uma resposta mais rápida do governo Lula: a do Haiti ou qualquer uma que atingiu o Brasil nos últimos anos? Se não quiserem responder, atentem para a seguinte história que vou contar.

Há quase dois anos, estive na China, aonde fui para fazer um curso. Naquele momento, começo de 2008, o regime comunista chinês estava sendo alvo de fortes protestos internacionais, por causa das denúncias de violações de direitos humanos e da brutal repressão aos distúrbios no Tibete. Pois bem. No período em que lá estive, ocorreu um forte tremor de terra na província de Sichuan, no centro do país, que matou 75 mil pessoas. Adivinhem o que aconteceu então: da noite para o dia - não estou exagerando - as manchetes sobre a falta de liberdades e o desrespeito aos direitos humanos que ameaçavam mesmo a realização das Olimpiadas no país, sumiram do noticiário. Subitamente, criticar o regime de Pequim ou falar em coisas como democracia e direitos humanos na China virou um tabu, falta de respeito com os mortos, para dizer o mínimo. A ditadura comunista, claro, deitou e rolou com essa situação, conclamando à "união de todos" e ao "fim das diferenças".

Também para Lula, o terremoto no Haiti foi providencial. Com a tragédia, ele espera reforçar o protagonismo megalonanico da potência imaginária e, de quebra, ganhar pontos rumo ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, que é o único motivo de o Brasil ter-se metido no atoleiro do Haiti, no que já se vão cinco anos. E isso mesmo às custas de 120 mil haitianos e 15 brasileiros, dos quais 14 militares, mortos. Mas, para quem corteja o apoio de terroristas e ditadores como Mahmoud Ahmadinejad tendo em vista o mesmo objetivo, convenhamos, até que o preço não é tão alto assim. Nem terremoto em terras alheias escapa da politicagem lulista. É triste, mas é a realidade.

terça-feira, janeiro 12, 2010

A REVOLUÇÃO LULO-PETISTA-BOLIVARIANA

Há duas maneiras de se analisar o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), apresentado na véspera do Natal pelo secretário Paulo Vanucchi e aprovado pelo presidente-demiurgo, e que tanto barulho tem provocado, inclusive com pedidos de demissão nos altos escalões governamentais e rumores de crise militar. A primeira é como mais uma monumental trapalhada, obra de um bando de ferrabrazes e porra-loucas incrustados no governo, de “aloprados” com idéias juvenis de revanchismo e de “justiça social” a qualquer preço – inclusive ao preço da própria justiça e dos direitos humanos. Outra é como a culminação de uma estratégia longamente planejada, de alcance internacional, da qual os atuais governantes no Brasil são apenas uma peça, e que está voltada para a demolição das instituições democráticas e para a instalação, em seu lugar, de uma ditadura de esquerda, conforme o caminho preconizado por Gramsci e pelo Foro de São Paulo.

Somente para não deixar passar em branco: o tal PNDH-3 estabelece, entre outras medidas, a censura à imprensa, ao prever punições para os órgãos de informação que não se comportarem bem em relação ao tema dos direitos humanos, segundo determinação do governo; legaliza a violência no campo de grupos revolucionários como o MST, ao instituir, no lugar da aplicação da Lei, como a implementação de mandados de reintegração de posse, “reuniões de conciliação” entre proprietários e invasores; e impõe o revanchismo e a mistificação histórica como norma, ao sugerir a revisão da Lei de Anistia de 1979, de modo a punir somente os que combateram o terrorismo de esquerda. Defende, ainda, a legalização do aborto e a regularização da profissão de prostituta – métier em tudo compatível com a dignidade da pessoa humana.
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Não sei quanto a quem lê estas linhas, mas acredito que é a segunda alternativa colocada no primeiro parágrafo a que mais corresponde à realidade. Não é a primeira vez que essas iniciativas são propostas pela claque do Planalto – e, tudo indica caso a tentativa atual falhe, não será a última. Medidas como a censura governamental, disfarçada sob o pomposo rótulo de “controle social da mídia”, mediante a idéia da criação de um Conselho Nacional de Jornalismo e, mais recentemente, da CONFECOM, sem falar na revogação da Anistia e na proteção estatal aos baderneiros do MST, são pontos de honra para ministros como Paulo Vanucchi, Tarso Genro e Franklin Martins. A julgar pelo prontuário dos esquerdistas no poder, creio que não há muita dúvida de que estamos mesmo diante de uma tentativa de golpe – a mais grave ameaça à democracia no Brasil desde o fim do regime militar.

Claro, já estão dizendo por aí que o Apedeuta não tem nada a ver com a estrovenga, que é tudo uma maluquice desse ou daquele ministro mais estouvado etc. Seria estranho se não fosse assim. O ataque à democracia, no figurino gramsciano, jamais deve ser frontal e aberto: deve-se sempre manter uma certa plausible deniability – o trabalho sujo, a tarefa de destruir os valores da democracia e da liberdade, cabe aos cães de fila como Vanucchi e Tarso Genro, jamais aos generais como Lula. Este, segundo o clássico figurino gramsciano, poderá sempre esconder-se por trás de seu cargo e da faixa presidencial, posando de democrata e de estadista – “o cara”, escolhido “homem do ano” pelo Le Monde. Quando esquerdistas falam em democracia e em justiça, podem ter certeza: as maiores vítimas serão a democracia e a justiça.

O governo Lula bateu-se contra um golpe inexistente em Honduras, apoiando e dando abrigo na embaixada a quem de fato tentou golpear as instituições naquele país. Deu seu respaldo à fraude política e à tirania no Irã, em Cuba e na Venezuela, fechando os olhos para o golpe institucional na Nicarágua. Nada mais natural, portanto, que, mais cedo ou mais tarde, tentasse seu próprio golpe bolivariano. Com o PNDH-3, a máscara democrática do lulo-petismo finalmente caiu. O golpismo lulo-petista-bolivariano está em marcha. Só não vê quem não quer.

domingo, janeiro 03, 2010

OS SIMPÁTICOS


Li um dia desses que Lula está ensinando Dilma Rousseff a ser simpática. Em um evento qualquer, ele notou que sua pupila, com aquele seu jeito meigo e doce conhecido de seus assessores, estava ignorando o garçom que a servia. Lula aconselhou-a a agradecer ao rapaz. Educação? Polidez? Sincera consideração? Nada disso. "Ele poderá ser seu eleitor", explicou o Babalorixá.

Lula é, como escreveu o José Celso Martinez Corrêa, um grande ator, um especialista na arte de cortejar o público. Pessoalmente, dizem, ele é uma simpatia só, um sujeito boa-praça, como se dizia antigamente. Verdadeiro mestre do absurdo, uma mistura de Sílvio Santos e Ratinho, ele sabe como ninguém jogar para a platéia, entremeando seus improvisos com piadas, algumas de gosto duvidoso, palavrões e metáforas futebolísticas. Pode não combinar com a liturgia do cargo, mas e daí? A patuléia adora. Donde seu conselho a Dilma, que é, pelo menos nesse aspecto, seu oposto exato.

Lula sabe o que diz. Nas três primeiras tentativas de chegar à presidência da República - em 1989, 1994 e 1998 -, todas fracassadas, ele perdeu, em parte, por causa de sua imagem de político radical e carrancudo. Em 2002, após um banho de marketing, nasceu o "Lulinha paz e amor", que não assustava mais ninguém, imagem repetida em 2006. Saía de cena o sindicalista de língua presa e inimigo das elites e entrava o animador de auditório. Lula não faria feio, creio eu, como dono de creche ou apresentando um show de stand-up comedy.

Tendo reconstruído Lula, agora os marqueteiros do lulo-petismo têm a difícil missão de transformar Dilma em algo palatável para o público em 2010. Como se viu no último programa eleitoral do PT, ela ainda tem alguma dificuldade em sorrir para as câmeras. E saber sorrir, fazer boa figura, falar a "língua do povo" - ou seja: ser populista -, tudo isso é mais importante, no Brasil de hoje, do que ter idéias ou, sei lá, ética. É o que define uma eleição, mais do que qualquer outra coisa. Claro está que há nisso uma infantilização, uma cretinização da política: seja agradável com o eleitor, faça uma graça, apostando em sua pouca inteligência, e ele votará em você alegremente, abanando o rabinho e fazendo festa.

Muito se fala no "carisma" de Lula, como uma das causas de sua popularidade. Francamente, as duas coisas estão longe de ser algo necessariamente positivo. Carismáticos e populares, Hitler e Mussolini também eram. Mais importante é ser honesto ou, pelo menos, respeitar a democracia. Mas isso, no Brasil atual, é de somenos importância. Com o lulo-petismo, a política se reduziu a um concurso de simpatia para conquistar o voto de garçons.

sábado, janeiro 02, 2010

HONDURAS: O QUE NÃO ACONTECEU


É assim que a esquerda vê o que houve em Honduras.
Só faltou combinar com os fatos.
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Chile, setembro de 1973. O presidente civil e democraticamente eleito, Salvador Allende, decide implantar no país o socialismo por meios legais. Diante disso, e para salvaguardar as liberdades democráticas, o Congresso Nacional e a Suprema Corte, amparados na Constituição do país e no apoio da maioria da população chilena, decidem pela ilegalidade do governo socialista. Um grupo de militares, liderados pelo general Augusto Pinochet, recebe dos Altos Poderes da República a missão de depor o presidente, que é preso e deportado para Cuba. Nenhum tiro é disparado. Os militares, cumprindo ordem legal do Judiciário, mantêm o calendário eleitoral e as liberdades democráticas. A presidência é assumida pelo presidente do Parlamento, conforme determina a Constituição. Pouco tempo depois, ocorrem eleições presidenciais, conforme previsto. Um novo presidente, civil e democraticamente eleito, assume o cargo. O país volta ao normal.

Brasil, março de 1964. O presidente civil, João Goulart, encabeça um governo esquerdista que caminha célere para uma forma de ditadura sindicalista, apoiando-se cada vez mais nos comunistas e nos setores subalternos das Forças Armadas. O Congresso Nacional e o STF declaram então o governo ilegal e inconstitucional. O alto comando militar é incumbido pelo Legislativo e pelo Judiciário da tarefa de depor o presidente. Este é destituído do cargo, detido e enxotado para o Uruguai. Assumindo o poder interinamente, o presidente do Congresso exerce a presidência até o fim de seu mandato, entregando-a ao sucessor escolhido nas eleições presidenciais realizadas em 1965. Os militares retornam aos quartéis. A vida volta à normalidade.

Honduras, junho de 2009. Uma claque de militares, sob orientação da CIA e de mercenários israelenses que usam como arma potentes raios de alta freqüência que invadem o cérebro e embaralham o pensamento, agem na calada da noite e derrubam num sangrento golpe de Estado o presidente democraticamente eleito Manuel Zelaya, que é preso em casa de pijamas e despachado para a Costa Rica. Fazem-no sem qualquer respaldo legal, à revelia dos demais poderes da República e da maioria da população do país, que exige a volta imediata e incondicional do democrata Zelaya ao poder. Os milicos suspendem a Constituição, fecham o Congresso, prendem e cassam centenas de parlamentares. Tomam o poder, impõem uma junta militar e barbarizam: as prisões ficam lotadas de estudantes e trabalhadores, os soldados se divertem praticando tiro-ao-alvo em quem descumprir o toque de recolher. A censura é imposta, as eleições canceladas, os casos de tortura e assassinato se multiplicam. O país vira um imenso quartel.

Qualquer pessoa com um mínimo de discernimento e com um QI acima de 50 já deve ter percebido que nenhum dos quadros mostrados acima corresponde à realidade dos fatos. Já deve ter chegado à conclusão, se ainda tem um cérebro que funciona, que a História foi bem diferente do que está descrito acima. Nem os militares chilenos tomaram o poder de forma legal e incruenta, nem seus colegas brasileiros preservaram a legalidade após a queda de Goulart, nem Manuel Zelaya foi derrubado num golpe militar, muito menos sangrento. Nada disso é verdade.

Nada disso é verdade, exceto para o governo Lula da Silva, cuja diplomacia reduziu-se, nos últimos seis meses, à condição de escada para o retorno de Zelaya ao poder em Honduras, de onde foi defenestrado por tentar, seguindo o figurino chavista, reformar a Constituição do país a despeito da própria Constituição, que proíbe isso terminantemente. Para o governo brasileiro, assim como para o venezuelano e o nicaragüense, e, até há pouco, o norte-americano, Zelaya foi vítima de golpe militar, não tentou estuprar a Constituição hondurenha, as liberdades constitucionais não foram mantidas e asseguradas e eleições presidenciais limpas e democráticas - do tipo que não ocorre há cinqüenta anos em Cuba e há trinta no Irã, país cujos pleitos o governo Lula não hesita em reconhecer e em aplaudir com entusiasmo - não foram realizadas. Só falta apontar para os incontáveis cadáveres insepultos nas ruas de Tegucigalpa abatidos a tiros pelos militares hondurenhos para dizer que lá houve golpe.

O descolamento da diplomacia lulista da realidade no caso de Honduras já atingiu niveis de verdadeira paranóia, uma mistura de filme de ficção com comédia pastelão. Há umas duas semanas vi uma entrevista do capa-preta Marco Aurélio Top, Top Garcia na Band. Ao responder a pergunta sobre Honduras, o assessor especial da Presidência da República para encrencas cucarachas disse lamentar que o compañero chapeludo Manuel Zelaya, que há meses ocupa o prédio que um dia foi a embaixada brasileira, não tenha passado a noite de Natal na cadeira de presidente. E repetiu a cantilena de que o sucedido em Honduras desde 28/06 passado evoca os golpes militares da História recente latino-americana etc. Mais não consegui ver. Faltou-me estômago.

No próximo dia 27 de janeiro, a chanchada lulista-bolivariana em Honduras atingirá seu ápice, quando Porfirio Lobo receber das mãos de Roberto Micheletti a faixa de presidente da República. O "hóspede" brasileiro Manuel Zelaya, reduzido à insignificância política, tentará, quem sabe, um último gesto ousado contra os "gorilas" que o destituíram, teletransportando-se junto com a ex-primeira dama Xiomara e seus minguantes partidários para o palácio presidencial. Enquanto isso, o Itamaraty lançará nota desconhecendo a posse do novo presidente e, num gesto de profunda galhardia e patriotismo, em nome dos mais elevados princípios democráticos e à altura do papel cada vez mais protagônico desempenhado pelo Brasil no cenário internacional, declarará guerra à pequenina Honduras. Após duros combates, em que a capital hondurenha será bombardeada pelos novos caças Rafale entregues por Nicolas Sarkozy, e nos quais as tropas brasileiras lutarão bravamente ao lado das milícias bolivarianas arregimentadas por Hugo Chávez, os golpistas hondurenhos serão derrotados. Então, Dom Manuel Zelaya, com seu chapelão e bigode, cavalgando garboso pangaré branco, sairá da embaixada brasileira para adentrar triunfalmente o palácio do governo, tendo ao lado, como seus conselheiros, Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia. Suas primeiras medidas serão declarar-se presidende perpétuo e mudar o nome do país para República Bolivariana de Honduras, anexando-o, em seguida, à Grande Venezuela. A política externa brasileira do governo Lula terá, enfim, alcançado seu momento de glória.

EU TAMBÉM QUERO TER DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE - A TODA ELA


Interrompo minhas férias para fazer, como sempre, um desabafo. Esse tipo de interrupção, aliás, é uma constante na vida de quem se mete a escrever contra a esquerda e o politicamente correto (ou, como prefiro dizer, o ideologicamente estúpido). Afinal, como diz o ditado, pessoas de bem podem descansar e tirar férias; os canalhas, porém, nunca o fazem, estão sempre ativos, planejando novas canalhices.
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Vocês já devem ter lido ou ouvido a respeito: no apagar das luzes de 2009, quando Brasília está às moscas e todos só estão pensando em panetone e nas festas de fim de ano, o secretário de direitos humanos do Aiatolula, o ex-guerrilheiro da ALN Paulo Vanucchi, bolou um decreto que prevê, entre outras coisas, a criação de uma tal "comissão da verdade" para investigar os crimes praticados durante a ditadura militar no Brasil. Com um detalhe interessante: somente os crimes cometidos pelos agentes da repressão política, como tortura, seriam investigados. Se você pensou que o objetivo da estrovenga é rever a Lei de Anistia de 1979, que perdoou a todos, não fazendo distinção entre quem foi preso e quem prendeu, você acertou em cheio. A idéia, aliás, já gerou um começo de crise com as Forças Armadas - totalmente desnecessária, como toda crise artificialmente criada.
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Já escrevi aqui, neste blog - essa frase, de tão repetida, já está virando um clichê - sobre as tentativas revanchistas dos paulos vanucchis e tarsos genros da vida, sempre disfarçadas com rótulos pomposos como "punição dos torturadores" e - o meu preferido - "direito à memória e à verdade" (aliás, nome do livro que a dita secretaria de direitos humanos lançou há dois anos sobre os mortos e desaparecidos políticos da esquerda durante o regime de 64, e que não faz qualquer referência aos que a esquerda armada matou). De modo que não vou repetir, desta vez, os mesmos argumentos apresentados anteriormente. Não vou lembrar, aqui, que o argumento da tortura como crime imprescritível e de lesa-humanidade, aparentemente justo, é, na verdade, uma falácia de quem acha que terrorismo não é. Nem vou desmascarar novamente a mentira segundo a qual o que as organizações de ultra-esquerda de que participaram gente como Paulo Vanucchi, Dilma Rousseff, Franklin Martins e José Dirceu praticaram não foi terrorismo, mas "luta contra a ditadura" ou "resistência ao autoritarismo".

Já tratei de tudo isso, das lendas e balelas inventadas pela esquerda sobre a luta armada, em outros posts. Vou me limitar a dizer, desta feita, apenas isso: eu concordo inteiramente com a idéia de rever a Lei de Anistia. Mais: sou totalmente a favor de jogá-la na lata do lixo. Mais ainda: desejo que os torturadores sejam todos - todos, sem exceção - responsabilizados criminalmente e punidos exemplarmente, na forma da Lei. Quero mais é que eles se danem. Se quiserem aplicar aos meganhas brasileiros que torturaram e assassinaram prisioneiros políticos os princípios do direito internacional humanitário, aliás, quero dizer que eu sou a favor. Para mim, não existe ex-torturador. E lugar de torturador é mesmo a cadeia.

Isso significa que sou a favor do projeto da dupla Vanucchi/Genro de rever a Lei de Anistia, certo? Aí é que está: ERRADO! Por um motivo muito prosaico: assim como eles, eu acho que não existe ex-torturador. Mas, ao contrário deles, acredito que também não existe ex-terrorista. Quem jogou bomba em aeroporto ou em quartel, quem assaltou banco, sequestrou e matou em nome da "revolução" deve, também, responder pelo que fez. Ou, então, que se mantenha o status quo atual. A meu ver, os esquerdistas têm tanto direito à Anistia quanto quem estava do outro lado da trincheira, defendendo o regime. Falando mais claramente: EU QUERO QUE TERRORISTAS E TORTURADORES, E NÃO SOMENTE UM LADO OU OUTRO, PAGUEM POR SEUS CRIMES. OU QUE, PELO MENOS, OS ASSUMAM PUBLICAMENTE. Qualquer outra coisa que não seja isso é apenas a imposição de um tribunal ideológico por parte dos derrotados de ontem que querem, agora que estão por cima, ir à forra. Ou seja: revanchismo, puro e simples. EU TAMBÉM QUERO TER DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE - A TODA ELA, E NÃO SOMENTE À PARTE QUE CONVÉM A QUEM ESTÁ, HOJE, NO PODER. Acho, aliás, que esse não é um direito só meu: é de toda a população brasileira.

Em outras palavras, o projeto da tal secretaria de direitos humanos não passa de uma tremenda vigarice intelectual, um passo a mais na gigantesca impostura e na obra de mistificação político-histórica sem paralelos que é a versão esquerdista dos "anos de chumbo" no Brasil - versão na qual só teria havido heróicos guerrilheiros idealistas, de um lado, e cruéis torturadores, de outro. Terroristas - e excluo deliberadamente o "ex" da palavra - não têm o direito de julgar e condenar torturadores, assim como estes não têm o direito de julgar e condenar aqueles. E isso não é porque eu tenha qualquer simpatia por um lado ou por outro. É pura lógica. Ou, se preferirem, por decência.

O regime militar, cujos agentes torturaram e mataram, anistiou a estes e também àqueles que pegaram em armas para derrubá-lo e substituí-lo por uma ditadura comunista (ainda estou à espera de que me provem que as organizações de esquerda armada, e mesmo não-armada, como o PCB, se batiam pela democracia e pela liberdade no Brasil, e não por um regime inspirado em Cuba, na ex-URSS ou na China maoísta). Esperava, com isso, botar uma pedra sobre o período e pacificar o País, levando ao esquecimento dos delitos de ambos os lados. Pode-se discordar desse objetivo, pode-se, inclusive, achar que o perdão aos torturadores foi um erro, uma aberração, mas não se pode negar um fato fundamental: ao anistiar seus inimigos, os militares foram bem mais benevolentes do que o atual governo esquerdista brasileiro, que já canonizou seus mortos, enquanto tenta de todas as maneiras revogar a Anistia aos que os perseguiram.
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O nome disso, na novilíngua esquerdista que está aos poucos tomando o lugar da língua portuguesa, é duplo padrão moral ou viés ideológico. Em linguagem sem frescuras, é cinismo e hipocrisia mesmo. Uma tremenda empulhação, mais uma, de um governo que não se contenta em refundar a nação - quer também reescrever a História.

quarta-feira, dezembro 23, 2009

FÉRIAS


Este blog entra de férias até janeiro, pois este escriba, mesmo sendo ateu, também é filho de Deus (e isso não quer dizer que seja filho do "filho do Brasil"...).
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Voltarei com novidades e mais chineladas nos devotos do lulismo apedêutico. Isto é, se o aquecimento global não derreter a Terra até lá...(a propósito, viram como está quente na Europa?)
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Para todos os que acreditam (e também para os que não acreditam), UM FELIZ NATAL E UM ÓTIMO ANO NOVO! (2010 promete...).

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Esse leitor não entendeu nada. E merece ser educado.


(ver primeiro post anterior)
Eu sei que o comentário não vale uma réplica. Mas faço assim mesmo:

INCRÍVEL QUE EXISTAM PESSOAS QUE FAÇAM TAL COISA COMO ESTA.O GUSTAVO QUIS INSINUAR ALGO A RESPEITO DE LULA PRESIDENTE DA REPUBLICA? POR CAUSA DE UMA FOTO COM UM GOVERNADOR ELEITO POR MILHARES DE CIDADÃOS REPRESENTANTE LEGAL E INSTITUCIONAL DO DISTRITO FEDERAL E P.S.D.B ENTÃO? PARCEIROS,COLIGADOS AO D.E.N E MUITO MAIS PRÓXIMOS? TEM CULPA DISSO??

Quem escreveu o que está acima - em letra de fôrma, como se isso desse mais verdade ao que vai escrito - preferiu ficar no anonimato. Compreendo. E traduzo: a "tal coisa como esta" (sic) a que ele(a) se refere é a foto que eu coloquei em meu último post, a que mostra o Apedeuta ao lado do governador do DF, um sorridente José Roberto Arruda.

O(a) tal leitor(a), que deve ser fã do Filho do Barril, ficou indignado(a) com a "insinuação". Como se eu - ou a foto - estivesse "insinuando" alguma coisa. A foto mostra, não insinua nada. Só isso. Ou: fala por si mesma, ao contrário do que disse o Guia Genial sobre as imagens de Arruda recebendo dinheiro de propina.

Para não ir muito longe: até há pouco tempo, quando estourava um escândalo de corrupção envolvendo outros partidos, os petistas tinham por hábito escancarar fotos de Maluf ao lado de Collor, ou de ACM ao lado de Collor, ou de ACM ao lado de Maluf, sei lá, para reforçar a idéia de que eram todos (menos, claro, os petistas) uns ladrões safados. Agora, quando alguém faz isso com o "Noço Guia"... aí não, isso é uma "insinuação" absurda! Não entendo. Ou melhor: entendo, sim.

Também pra não ir muito longe, já que o comentário não merece mais do que esse registro, vou aproveitar e repetir aqui as mesmas duas perguntinhas que fiz em outro post, e que até agora permanecem sem resposta:

- POR QUE OS QUE AGORA PEDEM O IMPEACHMENT DE ARRUDA NÃO PEDIRAM O IMPEACHMENT DE LULA EM 2005?

- O DEM fez pressão, e Arruda já não é mais membro do partido, nem irá concorrer às próximas eleições. E JOSÉ DIRCEU, GENOÍNO, DELÚBIO SOARES, PALOCCI, SÍLVIO PEREIRA E OUTROS MENSALEIROS E ALOPRADOS, QUANDO SERÃO EXPULSOS DO PT?

Alguém aí pode me dar uma resposta?
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Para quem, assim como eu, acha que imagens valem mais do que palavras, aí vai uma galeria de imagens interessantes do filho de Dona Lindu com alguns honoráveis personagens de nossa ex-república.


Lula com Belzebu
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Lula com Asmodeu



Lula com Renan Calheiros, Jader Barbalho e Severino Cavalcanti.

Paro por aqui. Meu estômago não agüenta.


quinta-feira, dezembro 17, 2009

Alô, petistas do DF! Vejam esta foto...

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Agora eu entendi o que Lula quis dizer quando afirmou que "as imagens não falam por si"...
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O problema é que falam, sim. E valem mais do que mil palavras.
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Mais um achado do blog de Augusto Nunes. Especial para os petistas do DF.