terça-feira, julho 14, 2009

Ainda sobre a falácia relativista (ou: por que é impossível ser neutro diante do crime)

Pode-se ficar neutro diante disto?
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"Atrevo-me a dizer que as ditaduras de esquerda são piores, pois contra as de direita pode-se lutar de peito aberto; quem o fizer contra as de esquerda será tachado de reacionário, vendido, traidor". (Jorge Amado)
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"Não se pode ser neutro diante da morte: não fazer nada já é tomar uma posição". (Do filme No Man's Land - Terra de Ninguém)


No meu último post, analisei aquilo que está classificado nos manuais de filosofia como falácia relativista - o cacoete mental que insiste na afirmação de que a verdade, pelo menos em política, é inalcançável e que qualquer afirmação nesse terreno não passa, portanto, de um ponto de vista. Vou me estender um pouco mais sobre o assunto, se me permitem.
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Como mencionei em meu texto anterior, o discurso "neutro" e politicamente correto, que se pretende acima das ideologias e se recusa a emitir uma opinião clara e sem ambigüidades sobre ditaduras e terroristas é, na verdade, uma contradição em si, pois não está livre, ele também, de uma visão ideológica. Isso fica claro quando se observa que esse discurso, construído sob o signo da "imparcialidade", revela-se, na prática, bastante seletivo (logo, o contrário de imparcial) - para ditadores e terroristas de direita, condenação total e implacável; para os de esquerda, compreensão e neutralidade antisséptica. Daí a pergunta, que provavelmente continuará sem resposta por muito tempo: por que, pelo menos nos círculos mais intelectualizados, quando se trata de Hitler e Pinochet, o repúdio é unânime, mas, quando se trata de Stálin e Fidel, pede-se moderação e "equilíbrio"?
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O discurso "neutro" teria alguma legitimidade caso se abstivesse de condenar a todos, indistintamente. Como geralmente não o faz, reservando sua neutralidade e imparcialidade aos regimes e movimentos de esquerda, a conclusão lógica e inevitável é que não passa da mais grossa vigarice, de mera trapaça intelectual. E note-se bem: mesmo que o fizesse, enxergando com as mesmas lentes o nazismo e o comunismo - não para condená-los, mas para se recusar a emitir qualquer juízo moral sobre eles -, ao se recusar a tomar posição em relação a tiranos e assassinos, continuaria a ser um discurso desonesto. Corresponderia à anedota do Barão de Munchausen, o famoso mentiroso, em que este, para sair do pântano em que atolara juntamente com seu cavalo, descobre uma maneira ideal de fazê-lo: puxando-se, a ele e ao cavalo, pelos cabelos...
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Nos últimes meses, três episódios ilustram perfeitamente a falácia do relativismo moral. Vou elencá-los, um a um:

- O conflito Israel-Hamas, na Faixa de Gaza - Todos acompanharam pelos jornais e pela TV: a imprensa "isenta" e "imparcial" bombardeou o público com relatos do "massacre" e do "genocídio" que estaria sendo praticado pelos soldados israelenses. De fato, muita gente ficou com a impressão de que Israel estava promovendo um massacre indiscriminado contra a indefesa população palestina, e que a ofensiva israelense em Gaza não tinha outro objetivo senão provocar dor e morte entre os civis. No auge dos combates, Israel foi quase unanimente condenado - novamente, em nome da "isenção" e da "imparcialidade" jornalísticas - pela suposta "desproporcionalidade" de sua reação militar aos foguetes do Hamas. O que quase ninguém se lembrou de dizer é que, se há um lado genocida na história, não é Israel, mas os terroristas do Hamas, que juraram varrer Israel do mapa e aniquilar sua população, ou convertê-la à força ao Islã. Também se esqueceram - mais uma vez, os analistas "neutros" e "equilibrados" - que a "desproporcionalidade" tão condenada entre os dois lados é, felizmente, de meios, não de fins - ao que se sabe, Israel, ao contrário do Hamas e do Hezbollah, não deseja a destruição da Palestina e a conversão à força de sua população ao judaísmo. Para ser "proporcional", no sentido em que falava a grande imprensa, os soldados israelenses deveriam não se contentar em caçar e eliminar os terroristas do Hamas, mas exterminar toda a população palestina. Em outras palavras, inverteu-se a realidade, apresentando-se o agredido (Israel, não o Hamas) como o lado agressor, como se não houvesse mesmo Hamas e terrorismo islamita. Nesse caso, o discurso da "neutralidade" tinha um endereço certo: a condenação do direito de Israel de se defender e a condescendência com o terrorismo islamita, que quer destruí-lo. Algo muito equilibrado, como se vê...

- A fraude nas eleições do Irã - Aconteceu no mês passado, e ainda está fresca na memória. O atual presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ganhou de forma extremamente suspeita as eleições presidenciais. Seguiram-se protestos e manifestações de rua, brutalmente reprimidas pela polícia religiosa do regime, com dezenas de mortos do lado dos opositores. Novamente, os "neutros" apareceram em cena para demonstrar toda sua noção de justiça salomônica: no caso em questão, foi o presidente Lula da Silva, que, numa declaração inesquecível, entrou para o rol dos grandes frasistas da História. Eis o que disse nosso rei-filósofo: os protestos no Irã, assim como a repressão aos manifestantes que pediam democracia, eram uma briga de torcidas, uma simples questão de "vascaínos e flamenguistas" (!). Muito mais do que uma declaração infeliz, que banalizou a luta contra a teocracia islamita iraniana ao nível de um jogo de futebol, reduzindo a luta por liberdade num país dominado por fanáticos religiosos a um chororô de perdedores, a frase de Lula denota um padrão da política externa lulista, de adulação a tiranos e genocidas. Mais que uma gafe, foi uma confissão de cumplicidade com um regime que assassina pessoas. Muito mais grave pelo fato de o Apedeuta em pessoa ter reafirmado o que disse dias depois, desmentindo assim seu próprio ministro das Relações Exteriores que, diante da enormidade da frase, tentou justificar o injustificável, dizendo que ele não disse o que disse. Não colou.

- O "golpe" que não houve em Honduras - A mais recente prova do comprometimento ideológico do discurso relativista e nenhumladista foi dada pela crise institucional que se abateu sobre o pequeno país centro-americano. Um presidente, Manuel Zelaya, com o apoio explícito de Hugo Chávez e Evo Morales, e o silêncio complacente do resto do mundo, tentou violar afrontosamente a Constituição do país, tendo sido por isso deposto por decisão do Legislativo e do Judiciário, que declararam seu governo ilegal e inconstitucional. Novamente, o que fizeram os defensores da visão "neutra" e "imparcial"? Condenaram, no mesmo instante, o "golpe militar" e exigiram o retorno do golpista. Defenderam, inclusive, o boicote internacional ao país, e chegaram mesmo a flertar com a idéia de intervenção - algo que foi realizado explicitamente pelo governo de Hugo Chávez e do nicaragüense Daniel Ortega. Enquanto isso, a mesma OEA que condena os "golpistas" que depuseram Zelaya para salvaguardar a Constituição decide suspender a exclusão da ditadura comunista de Cuba da organização. Tudo em nome da "neutralidade", claro.

Os exemplos listados acima demonstram de forma bastante didática a falácia do discurso relativista aplicado à política. Há muitos outros exemplos, infinitos, que revelam que essa retórica não passa de uma capa para encobrir interesses inconfessáveis. Mas creio que esses três são eloqüentes o suficiente para revelar a fraude por trás do argumento. É impossível ser neutro diante do crime e da mentira. E isso não é uma opinião: é um fato.

segunda-feira, julho 13, 2009

A FALÁCIA RELATIVISTA

Acredito que, entre os obstinados que me lêem, alguns concordam totalmente com o que escrevo, outros discordam absolutamente, e outros assumem uma posição intermediária, concordando aqui e ali, discordando nesse ou naquele ponto, assustando-se, talvez, com uma expressão mais dura ou desbocada. Esses últimos, mais do que os outros dois, são, digamos assim, meu público-alvo. São aqueles que poderíamos dizer que encarnam a forma de pensar da maioria, o mainstream, os que não querem nem tentam se comprometer com causa nenhuma; pelo contrário, esforçam-se ao máximo para não sair de sua posição de equilíbrio, cultuando em todos os assuntos uma posição o mais possível "neutra", "imparcial", "justa", "equilibrada". Enfim, são os que estão em cima do muro; não são nem contra nem a favor, muito pelo contrário.
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São pessoas assim, que vêem beleza em colocar-se no ângulo de visão do "outro", entendido sempre como quem pensa e age de forma diferente, e que consideram o máximo da sabedoria e da inteligência o cultuar a dúvida e a moderação em relação aos próprios pontos de vista, que me escrevem de vez em quando, ou me mandam textos, queixando-se de minha linguagem "extremada" e "enfática" e cantando as virtudes da moderação e do politicamente correto. Para eles, não faz sentido condenar o regime X ou Y, pois, no fundo, dizem, todos têm alguma parcela de verdade e, no final, os radicalismos se equivalem, pois "são todos iguais" etc. Assim, a verdade seria um simples ponto de vista, ou nada mais do que a soma de "verdades" individuais.
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Com a devida vênia aos que acham que eu sou um doutrinador arrogante e acreditam que a verdade é sempre o juste milieu, permitam-me ser, mais uma vez, enfático: Não! A verdade NÃO é um ponto de vista. Existe o Bem e o Mal, assim como existe verdade e mentira, certo e errado, fato e opinião - e existe quem não veja diferença entre uma coisa e outra, ou não enxergue problema algum em transigir com o mal. Ponto e parágrafo.
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Não sou "neutro", "imparcial" ou "equilibrado" coisa nenhuma. Nem pretendo sê-lo. Nem preciso, aliás, repetir aqui que não sou mesmo: basta passar os olhos em qualquer texto meu neste blog para constatar isso. Neutro, para mim, é juiz de futebol ou xampu de pobre. Procuro ter, em tudo que escrevo, uma posição bem clara - a favor da Liberdade e da Democracia. Isso significa, necessariamente, opor-me (de forma enfática, sim) a quem é inimigo ou tenta solapar esses princípios em nome do que quer que seja ("igualdade", "justiça social" etc.). Isso inclui aqueles que, de boa ou má fé, por ingenuidade ou safadeza, confundem neutralidade com justiça. O maior exemplo de governante neutro e justo, no sentido em que essas pessoas tomam as palavras neutralidade e justiça, foi o Rei Salomão, que, diante de duas mulheres que reivindicavam a maternidade de uma criança, não teve dúvidas: mandou cortar a criança ao meio, para que cada uma fosse mãe de metade. Não penso dessa maneira. Também não me venham dizer que Democracia e Direitos Humanos são conceitos relativos, meros preconceitos ocidentais, válidos para uma parte da humanidade e não para outra, como se garantir a igualdade entre homens e mulheres fosse uma imposição colonialista e torturar e decapitar alguém, uma legítima expressão da "cultura local". Eu me recuso a enxergar o mundo a partir da janela do "outro" se o "outro" em questão for quem quer mandar a Democracia para o espaço, ou cortar a cabeça dos infiéis. Há poucas coisas inegociáveis na vida, mas certamente, entre as que são, estão a Democracia e a Liberdade.
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Sei que, na área em que eu atuo, das relações internacionais, falar com franqueza e sinceridade nem sempre é algo visto com bons olhos, e raramente é considerado boa política. Sei também que, muitas vezes, a diplomacia é confundida com bons modos, e que, em certas circunstâncias, é preciso ser condescedente com quem pensa diferente, inclusive com ditaduras. Mas isso não significa que eu deva aplaudir quem está se lixando para a Democracia e os Direitos Humanos, como fazem Lula e Obama, que, em nome da multipolaridade, da diversidade ou do sei lá o quê, fecham os olhos para os piores crimes contra a humanidade, imitando Henry Kissinger. Quando se trata de coisas como Liberdade e Democracia, ser enfático é mais do que um jeito de ser ou falar: é uma obrigação moral. Deixar de se indignar, ou dar de ombros diante de uma tentativa flagrante de solapamento da Democracia como a que recentemente ocorreu em Honduras por parte de um golpista bolivariano, por exemplo, é não somente demonstração de alienação e irresponsabilidade: é cumplicidade mesmo com a farsa e a mentira. Do mesmo modo, deixar de se enfurecer, com todas as forças, diante do que deve causar ira e indignação, como as tentativas de justificar o totalitarismo e o terrorismo onde quer que seja, é, como dizia Aristóteles dois mil e trezentos anos atrás, uma atitude própria de tolos e idiotas. Inversamente, firmar posição em favor dos princípios democráticos não é ser tacanho ou intolerante: é, em certas circunstâncias, a única política responsável e realista (sim, realista: vejam o exemplo de Munique em 1938, um caso clássico do mal que o apaziguamento de ditadores pode causar). Por favor, não me peçam para ter uma linguagem suave ou para ser condescendente com quem quer destruir a Democracia. Não vejo o mundo pela janela de ditadores e assassinos. Nisso, como em culinária, sigo o velho preceito: gosto de quente ou frio; morno, eu vomito.
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O mais curioso é que o discurso relativista e politicamente correto, que se pretende neutro ante regimes e ideologias, é, ele mesmo, uma construção ideológica. É, por isso, facilmente desmascarado. Atentem: qual "moderado" de hoje se atreve a manter um discurso que não seja o da condenação enfática e incondicional ao nazismo ou às ditaduras militares do Brasil e do Chile das décadas de 60 e 70? (e não deve ter outra posição mesmo: o nazismo e a ditadura não merecem senão a condenação e o répúdio de qualquer pessoa decente). Com efeito, quem ousar assumir uma posição "neutra" em relação a esses regimes será tachado imediatamente, e sem contemplação, de cúmplice de seus crimes. Se bobear, será mesmo chamado na rua de torturador e nazista. Agora, pergunte a si mesmo quantos desses seres angelicais, verdadeiros poços de justiça, têm a mesma postura de condenação enfática em relação a regimes tão ou mais ditatoriais, como o de Cuba, do Sudão ou da Coréia do Norte... Pelo visto, ter uma posição clara e definida só é algo condenável quando se trata de criticar regimes de esquerda. É somente a esses, os esquerdistas, que é concedido o benefício da dúvida. Pergunto (na verdade, repito a pergunta, pois já a fiz aqui antes, permanecendo até hoje sem resposta): por que condenar enfática e veementemente o nazismo e Pinochet é uma obrigação moral (o que, de fato, é), mas fazer o mesmo em relação ao comunismo e a Fidel Castro é uma mostra de desequilíbrio e reacionarismo? Não é preciso ser um gênio para perceber que o discurso relativista, quando aplicado a ditaduras, é uma falácia. Na maioria dos casos, ouso dizer, esconde apenas o medo patológico de ter uma opinião (ou de escondê-la sob o manto da "imparcialidade"). O que se toma por sabedoria não passa, nesse caso, de covardia moral.
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Afirmar que "todos estão certos e todos estão errados em algum aspecto" não diz nada. Ou melhor, diz, sim: diz que, como o regime hitlerista teve alguns méritos (acabou com o desemprego, por exemplo), assim como o comunismo (lutou contra a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial), deveríamos todos enfiar nossas idiossincrasias democráticas no saco e nos abstermos de falar mal deles. Deveríamos, segundo essa visão imparcialista, deixar figuras como Kadafi, Ahmadinejad, Fidel Castro, Chávez, Omar Al-Bashir e Kim Jong-Il em paz e cuidar de nossas próprias vidas. Afinal, à maneira deles, esses personagens e os regimes que eles encarnam possuem, de certo modo, uma "parcela da verdade" etc. e tal. Não é difícil perceber quem mais se beneficia com esse tipo de discurso. Nem sempre a verdade está no caminho do meio; pelo contrário, com cada vez mais freqüência, é preciso chamar as coisas pelo nome. Um copo pode estar meio cheio ou meio vazio, dependendo da sede de quem vê. Mas não deixa, por isso, de ser um copo, não uma mesa ou uma cadeira.
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É normal que, em um país como o Brasil, em que são cultuadas acima de tudo a ambigüidade e a superficialidade, e onde o como as coisas são ditas tem mais importância do que o quê é dito, o discurso fácil relativista tenha grande audiência, conquistando adeptos principalmente entre os setores letrados, mais "sofisticados" intelectualmente. Sobretudo grande parte da imprensa brasileira parece ter sucumbido, há anos, ao discurso "nem-nem" (de "nem isso, nem aquilo"), isentista e nenhumladista, contentando-se com o papel de eunucos morais. É hoje praticamente uma condição para ser aceito no seletíssimo clube da beutiful people, da gente linda e maravilhosa, colocar-se no lugar e enxergar o mundo com o olhar do "outro". Principalmente se o "outro" em questão for um fanático terrorista islamita ou um ditador stalinista e genocida.
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Tão arraigada está entre nós essa filosofia de socialites, baseada na antropologia mais vagabunda e em manuais de auto-ajuda, que a diferença entre realidade e ficção já deixou, há muito, de existir nos círculos "intelectualizados". A tal ponto que afirmar fatos elementares e dizer o óbvio, por exemplo, é visto como um pecado nefando, a expressão da mais terrível das heresias, ou como demonstração de "intolerância" e de falta de educação. Experimente dizer, por exemplo, que Lula é uma farsa, um demagogo corrupto e bravateiro; que a ditadura castrista em Cuba é uma ditadura; ou que o comunismo é uma ideologia genocida que deixou um saldo de 100 milhões de mortos: você será imediatamente segregado do convívio das pessoas "respeitáveis", que considerarão tais declarações o cúmulo do absurdo - não fatos, mas simples opiniões (e opiniões de que discordam radicalmente, mas não têm coragem de dizê-lo abertamente, muito menos de debater a sério essas questões).
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Para essa gente chique e iluminada, leitores de Foucault e Derrida, não são os fatos, mas somente a visão do "outro", o que importa. Já quanto ao verdadeiro "outro", as vítimas dos atentados terroristas e os presos de consciência, por exemplo, estas não podem fazer outra coisa senão se resignarem, pois a causa dos Direitos Humanos e da Democracia, como dizem os sábios relativistas, não é tão verdadeira nem tão justa quanto a do "respeito às diferenças". Provavelmente, servirá de consolo pensarem, antes de serem executados ou feitos em pedacinhos por um homem-bomba, que estão morrendo por uma causa justa. É o triunfo da barbárie pós-moderna.

sexta-feira, julho 10, 2009

A DOUTRINA OBAMA EM AÇÃO (OU: O SIGNIFICADO DE UM APERTO DE MÃO)


A foto acima já está circulando na internet. Ela mostra Barack Hussein apertando a mão do ditador líbio Muamar Kadafi, durante a Cúpula do G-8 que ora se celebra em L'Aquila, na Itália. Barack Hussein faz cara de contrição, como se estivesse confessando algum pecado a Kadafi. Este, por sua vez, não esconde o sorriso de satisfação, parecendo deliciar-se com o momento. Um observador menos atento poderia até achar que é um pai-de-santo atendendo um de seus "filhos" em busca de conselho e orientação espiritual.

Confesso que nem eu, em meus piores pesadelos, poderia imaginar que um dia veria cena tão degradante. O chefe da maior potência mundial, o líder do Mundo Livre, curvando-se ante o coronel Kadafi, o mesmo que Lula chamou de "meu amigo, meu irmão". Dessa vez Barack Hussein conseguiu superar até mesmo o Apedeuta.

Mais surpreendente do que o aperto de mão em si - outro momento "histórico" do governo "histórico" de Obama, como não se cansará de repetir a imprensa obamista - foi a circunstância em que ele ocorreu: a saudação foi dada por iniciativa de Barack Hussein, logo após Kadafi ter insultado os EUA, chamando o país de "terrorista" e comparando-o a Osama Bin Laden. A reação de Barack Hussein à ofensa foi ter corrido até Kadafi e apertado sua mão. Com isso, ele corroborou a afirmação de Kadafi, reconhecendo que os EUA são um país terrorista, comparável a Bin Laden.

Surpreendente, também, mas no pior sentido da palavra, é a forma como a imprensa mundial está tratando o episódio, derramando-se em elogios e rapapés à "atitude altiva" e ao gesto de "estadista" de Barack Hussein. Sim, isso mesmo: a imprensa está aplaudindo Obama por ele ter apertado a mão de um ditador por ele ter insultado seu país e o comparado ao maior terrorista da História...

A ofensa é ainda mais surrealista por ter vindo de quem veio: Kadafi, há 40 (quarenta!) anos no poder na Líbia, onde manda e desmanda com mão de ferro, não é somente um ditador: é um ditador terrorista. Em seu currículo, está uma ampla folha de serviços prestados ao terrorismo internacional, que vai de grupos extremistas palestinos como o Setembro Negro (massacre de Munique, 1972) até o IRA norte-irlandês nas décadas de 70 e 80. Sua obra-prima foi a explosão de um Jumbo da Pan Am sobre a cidade de Lockerbie, na Escócia, em 1988 (270 mortos). Mas, sejamos justos: de uns tempos para cá - mais especificamente, desde que os EUA perderam a paciência com ele e mandaram bomba em sua cabeça, e após o país ter sido ameaçado de pesadas sanções internacionais -, ele tem-se mostrado bastante moderado, até bondoso: imaginem só, ele até aceitou indenizar os parentes das vítimas de Lockerbie...

O aperto de mão entre Barack Hussein e o coronel Kadafi é um gesto significativo. Significa que Barack Hussein quer ficar amigo de ditadores. Significa que ele realmente acredita que o problema do mundo é os EUA, e não bandoleiros como Kadafi ou Bin Laden. Significa que o discurso antiamericano e pró-terrorista finalmente chegou à Casa Branca. Obama deve ter lido e levado a sério a maçaroca antiamericana que Hugo Chávez lhe deu de "presente" alguns meses atrás, "As Véias Abertas da América Latina", de Eduardo Galeano. Só isso explica tamanha complacência com tiranos e assassinos, tamanha inversão da realidade.

Qual será o próximo passo do grande estadista Barack Hussein? Talvez marcar uma partida de beisebol com Fidel Castro, como fez Jimmy Carter. Ou, quem sabe, uma rodada de biriba com Ahmadinejad, enquanto discute com o líder iraniano se o Holocausto existiu ou não. Melhor ainda: um tête-à-tête com Bin Laden nas montanhas do Afeganistão, com cobertura pela CNN e anúncio de mais um feito "histórico" da diplomacia obamista. Entre a decapitação de um infiel e o apedrejamento de uma adúltera, os dois líderes poderão trocar algumas idéias interessantes sobre respeito às diferenças e multiculturalismo.

Na foto em que aparece pedindo a bênção ao tirano Kadafi, Barack Hussein parece estar pedindo desculpas. De fato, é isso o que o gesto demonstra. Kadafi, por sua vez, deve ter pensado: "é, parece que décadas de antiamericanismo raivoso deram resultado; agora sou respeitado e o chefe do Satã imperialista em pessoa vem se rebaixar perante mim e me fazer reverência". Ahmadinejad e Kim Jong-Il podem se regozijar. Pelo visto, terrorism works: o terrorismo funciona. Principalmente se, do outro lado, estiver um governo que prefere capitular a enfrentá-lo.

Tragam o Bush de volta!

quinta-feira, julho 09, 2009

SOCIALISMO OLIGÁRQUICO


Sarney e Lula: discurso de esquerda legitima velhos hábitos políticos


Uma das lorotas mais repetidas de todos os tempos é a de que os revolucionários e reformadores sociais, seja lá como se denominem - antes eram os comunistas, agora são os "bolivarianos" - têm por objetivo final a reparação de uma situação social injusta, na qual uma minoria se apropriaria do produto do trabalho coletivo e das riquezas do país em detrimento da maioria da população, condenada a viver na miséria. Trata-se de uma dessas mentiras que, como dizia o Dr. Goebbels (ele também, aliás, um socialista - ou vai dizer que o nacional-socialismo era uma ideologia adepta do livre mercado?), de tão repetida, acaba virando verdade na mente das pessoas.
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Em nome desse objetivo utópico - a "justiça social", como se convencionou dizer -, os revolucionários de ontem e de hoje estão dispostos a sacrificar tudo: a democracia, a legalidade constitucional etc., tidas invariavelmente como meras formalidades jurídicas, uma "forma disfarçada de ditadura da classe exploradora sobre a classe explorada", como gostam de dizer. A idéia subjacente é que as insituições democráticas - a Constituição, as eleições, o Parlamento - são mesmo um obstáculo à realização dessas reformas necessárias, um instrumento de conservação da opressão social, e não a manifestação da vontade soberana do povo. Logo, segundo os justiceiros sociais, tais instituições devem ser destruídas, substituídas por outras, mais adequadas à "vontade das massas", seja na forma da ditadura do proletariado ou da "democracia participativa e protagônica", ou outro rótulo qualquer.
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Tão fundo penetrou no senso comum essa forma de propaganda ideológica que muitos que não concordam com a idéia de revolução violenta, ou que apresentam reservas quanto às intenções autoritários de comunistas e socialistas em geral - o grosso da opinião pública -, fazem questão de dizer que estão de acordo, porém, com a necessidade de "mudança" e de "quebrar o poder das oligarquias". Desse modo, mesmo sem o saber, terminam comprando o discurso dos que querem destruir a democracia. "Fidel Castro é um ditador, mas fez algo por seu povo", ou "Hugo Chávez é um caudilho populista, mas está olhando pelos mais pobres", é o que se ouve há anos. A conclusão daí resultante é que todo aquele que se opuser a esses líderes personalistas é necessariamente um "gusano", um membro da burguesia ou da oligarquia, e que é movido muito mais por interesse próprio ou de sua classe do que por amor à democracia. Os que repetem esse discurso certamente não se dão conta, mas esse palavrório era utilizado por muitos liberais e democratas quando se referiam aos regimes de Hitler e Mussolini na década de 30 (Hitler, particularmente, adorava espezinhar a "aristocracia e a burguesia liberal e decadente"). Com a diferença de que, ao contrário de Cuba, por exemplo, na Alemanha e na itália a falta de liberdades veio acompanhada de certa melhoria do nível de vida da população (mas isso também é ignorado pela maioria das pessoas).
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Ainda que esse discurso fajuto de justificação da tirania tivesse algum pingo de verdade; ainda que, digamos, todos os opositores de Chávez ou de Fidel Castro não passassem de reacionários odientos e barões da indústria (o que está bem longe de ser verdade), eu continuaria dizendo que NADA, absolutamente NADA justifica o paredón e a censura. Vou mais além: nada disso justifica uma só gota de sangue, uma só violação da ordem constitucional, em nome do que quer que seja. Parafraseando Orwell, a finalidade da revolução não é outra coisa senão a própria revolução. Ou melhor: a finalidade da "mudança" não é a melhoria do nível de vida da população mais pobre - objetivo que pode perfeitamente ser atingido sem nenhuma ruptura institucional, como comprovam países como a Suiça e o Canadá -, mas unicamente o PODER. No caso dos revolucionários, o poder ABSOLUTO. É por esse objetivo, e não por qualquer outra coisa, que eles estão dispostos a sacrificar tudo - sobretudo a liberdade e a vida alheias. Se têm alguma dúvida, dêem uma olhada na Rússia após 1917 ou na China de Mao Tsé-tung e sua pilha de 100 milhões de cadáveres.
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Por que estou dizendo isso? Porque há muitos que, quando olham para países como Honduras ou a Venezuela, vêem não uma conspiração diabólica para a usurpação do poder e a instauração de uma ditadura por um autoproclamado salvador da pátria, mas tão-somente a disputa entre reformadores sociais e setores oligárquicos. Um amigo meu filósofo chegou a afirmar num artigo, meses atrás, que o debate sobre a tirania castrista de Cuba era uma questão de Vasco versus Flamengo (antecipando, assim, o Apedeuta, que usou a mesma metáfora futebolística para minimizar o massacre da oposição pela política religiosa no Irã). Ele não viu, ou não quis ver, que entre um ditador assassino que transformou seu país numa imensa prisão para dissidentes e os que se opõem a esse tipo de coisa está muito mais do que as paíxões de duas torcidas num jogo de futebol. O mesmo fenômeno se repete, agora, com relação a Manuel Zelaya, o presidente defenestrado de Honduras por tentar mudar inconstitucionalmente a Constituição e se eternizar no poder à la Chávez: muitos até concordam que ele seja um ridículo caudilho bananeiro, e que deseja mesmo mandar a democracia hondurenha às favas, mas acreditam piamente no discurso de que ele só quer o melhor para seu povo, sobretudo para os mais explorados, e que os opositores são todo teleguiados da CIA etc. etc.
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Bobagem. Besteira. Vejamos por quê.
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Manuel Zelaya, ao contrário do que já estão dizendo por aí, não é nenhum expoente das classes populares. Pelo contrário: é um oligarca, rico fazendeiro, anticomunista e "de direita". Quando foi eleito, em 2006, foi com uma plataforma claramente "neoliberal". Uma vez no poder, porém, converteu-se ao bolivarianismo. Não se contentou em ser dono de terras: queria ser dono do país. Queria, em outras palavras, transformá-lo em sua fazenda, onde pudesse mandar e desmandar a seu bel-prazer. E a "revolução bolivariana", com seu desprezo pela democracia e promessa de poder total, caiu como uma luva para esse seu plano. Nisso, aliás, Zelaya segue fielmente a trajetória de seu principal mentor, Hugo Chávez: guardo até hoje os panfletos de campanha de Chávez em 1998, quando, recém-saído da cadeia, para onde foi após a frustrada tentativa de golpe militar seis anos antes, ele se derrama em garantias retóricas ao empresariado venezuelano, prometendo implementar políticas econômicas responsáveis e não fazendo qualquer referência à "revolução bolivariana" ou "socialismo do século XXI". Esses slogans só apareceram no discurso chavista depois de consolidado seu poder pessoal, mediante frequentes referendos e mudanças constitucionais.
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Que Manuel Zelaya seja, ele mesmo, um representante da mesma classe que agora seus apoiadores bolivarianos acusam de reacionarismo não é de surpreender. Ao longo da História, os líderes revolucionários vieram não das camadas mais baixas, mas da elite (das "zelite"). Lênin nunca foi operário, assim como Fidel Castro, advogado filho de um latifundiário (já o ditador Fulgencio Batista, que ele substituiu, ex-sargento taquígrafo do exército e, além de tudo, mulato, era um verdadeiro representante das classes populares). Do mesmo modo, Salvador Allende era em tudo, até no trajar, muito mais um lorde inglês do que um campesino chileno. E o nosso João Goulart, tão incensado pelas esquerdas, estava mais interessado em cuidar de suas estâncias no Rio Grande do Sul e no Uruguai do que em melhorar o padrão de vida dos trabalhadores. Para citar apenas alguns.
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Não se trata apenas de demagogia: o fato de os revolucionários, com ou sem aspas, virem dos setores mais altos da sociedade demonstra que a chamada revolução bolivariana, assim como o esquerdismo em geral, não passa de um golpe de marketing e de uma técnica para políticos espertalhões que desejam se livrar dos empecilhos da democracia para se perpetuarem no poder. Para tanto, estão dispostos até mesmo a engolir o que disseram sobre antigos adversários, servindo de sustentação ao poder oligárquico que dizem combater. É o caso de José Sarney, antes inimigo, hoje o maior aliado do governo Lula. Este, que até bem pouco tempo atrás se apresentava como o sumo sacerdote da "ética" e que brindava em seus discursos o senador maranhense com adjetivos não menos gentis do que "corrupto" ou "ladrão", hoje defende com todos os meios a permanência do oligarca Sarney na presidência do Senado, com atos secretos e tudo, a ponto de declarar que este "não é uma pessoa comum", estando, antes, acima do restante dos mortais. Do mesmo modo, os petistas e seus aliados, antes inimigos do assistencialismo ("uma forma de adiar as transformações sociais", diziam), agora são seus maiores promotores, na forma do Bolsa-Família, o maior engodo eleitoreiro da História do Brasil, que não faz mais do que reproduzir as formas oligárquicas de dominação nas regiões mais atrasadas do País. Não, é mais do que simples demagogia e safadeza política: é uma clara demonstração de inversão psicótica.
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Repito: mesmo que Zelaya fosse um autêntico representante do povo, dos "excluídos" - como gosta de se apresentar o Apedeuta, aliás um ex-pobre -, isso não seria justificativa para o que ele quis fazer em Honduras. Seria até um motivo a mais para impedi-lo de concretizar seu golpe civil, mergulhando o país na guerra de classes. O golpismo dos ressentidos não é melhor do que o golpismo dos abastados.
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É uma enorme ilusão achar que os esquerdistas querem transformar a sociedade e diminuir as diferenças sociais: seu único objetivo é agarrar-se ao poder, custe o que custar - inclusive preservando velhos hábitos e vícios políticos. Sarney e Zelaya que o digam.

terça-feira, julho 07, 2009

A NOVA DOUTRINA MONROE, SEGUNDO BARACK HUSSEIN: A AMÉRICA PARA OS... BOLIVARIANOS


"- Compañero Obama, como está?
- Rumbo a la revolución bolvariana, compañero".


Para muita gente, a atitude do governo norte-americano de Barack Hussein - esse é seu nome, e não somente "Obama" - em relação à crise institucional em Honduras é surpreendente. Washington não só condenou o "golpe" que retirou o golpista bolivariano Manuel Zelaya do poder, como engrossou a fileira dos governos latino-americanos e da OEA que exigem a devolução do trono a Zelaya. Não somente denunciou os "golpistas" como fechou os olhos ao que Zelaya vinha fazendo - e certamente fará, se voltar ao poder -, colocando-se assim no mesmo grupo de Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa, Daniel Ortega, Fernando Lugo, Cristina Kirchner, o esquerdista de miolo mole José Miguel Insulza (OEA) e o ex-ministro sandinista Miguel D'Escoto (Assembléia-Geral da ONU). Além do Apedeuta, claro - o exemplo-mor de esquerdista "vegetariano", segundo muita gente desavisada.
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Os bolivarianos não deixaram de saudar essa nova atitude do "império". O próprio Zelaya solicitou audiência com Hillary Clinton, sua mais nova aliada, e, em declarações à imprensa, defendeu que os EUA - vejam só - intervenham em Honduras... Os bolivarianos defendendo a intervenção de Washington num assunto interno de um país da região... quem poderia imaginar isso? (é... pelo visto, aquela discurseira toda contra o "imperialismo ianque" com que bombardeavam nossos ouvidos era mesmo conversa pra boi dormir).
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Como não poderia deixar de ser, a posição de Washington na questão hondurenha está sendo exaustivamente elogiada pela imprensa norte-americana, a qual, com o New York Times à frente, entregou-se com prazer à tarefa de ser um comitê de apoio, primeiro ao candidato, e agora ao presidente, Barack Hussein. De fato, quem passar os olhos pelo NYT ou pelo Washington Post nesses dias, sem falar na CNN - impropriadamente demonizada pelos esquerdistas, aliás - verá articulistas e comentaristas se revezando nos elogios à mais essa "mudança histórica", a esse "novo olhar" do governo dos EUA em relação à América Latina. Ao invés de se livrar dos bolivarianos, como tentaria o demônio Jorjibúxi, Barack Hussein quer encontrar um modus vivendi com eles. E isso é bom, segundo dizem. Será mesmo?
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Analisemos o fenômeno um pouco mais detidamente. Barack Hussein acredita ter encontrado o melhor caminho para lidar com a atual onda bolivariana que, iniciada na Venezuela e inspirada no exemplo de Cuba, ameaça tomar conta de toda a América Latina. Ao invés de se opor a ela, firmando posição em defesa do respeito à democracia e à legalidade - ameaçada em Honduras não pelo Congresso e pela Suprema Corte, mas por Zelaya -, ele deseja "mudar a imagem" dos EUA na região. Em outras palavras, ele quer entrar num concurso de popularidade com Hugo Chávez. Imagina, com isso, ser capaz de reverter o antiamericanismo endêmico na região e reverter a maré bolivariana. Posição semelhante a que ele vem adotando em relação ao islamofascismo e ao terrorismo islamita: tente amansá-los, mostrando que os EUA não são um país tão mau assim, e eles deixarão de apedrejar mulheres adúlteras e explodir bombas em mercados israelenses, é o que está dizendo Barack Hussein, entre um discurso "histórico" e outro.
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O que há de mais primário na retórica obamista é que ela parte da ideia idiota de que só há terrorismo islamita, assim como só há um Chávez ou um Zelaya, porque os EUA fizeram alguma coisa errada antes. Enfim, Blame America First, culpe primeiro os EUA, é o que diz o novo demiurgo da esquerda mundial, e tudo será resolvido. Como se o problema fosse os EUA, e não a Al-Qaeda ou Hugo Chávez. Como se estes odiassem os EUA pelo que o país fez um dia, e não pelo que é - um farol da Liberdade e da Democracia num mundo cada vez mais condescendente com tiranos e genocidas. Mas em vez de firmar posição em torno dessas bandeiras, o que faz Barack Hussein? Defende o retorno do golpista Zelaya ao poder, e tenta cair nas graças dos bolivarianos, esperando que, com isso, eles cessem seus ataques retóricos aos EUA. Não há tese mais furada. Não há empulhação maior.
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Imaginem se Franklin Roosevelt ou Winston Churchil tivessem resolvido, para se contraporem à onda totalitária do final dos anos 30 na Europa, disputar popularidade com Adolf Hitler. Quebrariam a cara, claro: o totalitarismo nazista, em seu auge, contava com o apoio entusiasmado e fanático de praticamente a totalidade da população alemã, assim como o totalitarismo soviético se sustentou, durante décadas, devido ao enorme poder da máquina de propaganda comunista (que persiste hoje, é bom que se diga). Assim como quebraram a cara, também, e de forma ignominiosa, Neville Chamberlain e Edouard Daladier, respectivamente o primeiro-ministro britânico e o presidente da França, quando acreditaram ter conseguido apaziguar Hitler em 1938, concedendo-lhe territórios em troca da "paz de nosso tempo". Todos conhecem - pelo menos todos que estudam a História - a lição da Conferência de Munique: tiranos, assim como terroristas, não devem ser adulados, nem podem ser apaziguados. Também não será uma campanha de relações públicas que os demoverá de suas intenções totalitárias. O único meio de lidar com ditadores e candidatos a ditadores é confrontando-os. Pelo menos se o objetivo em mente for a preservação da Democracia. É uma pena que essa lição, que tanto mal teria poupado no passado, tenha sido totalmente esquecida.
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O apoio de fato de Barack Hussein ao golpista Zelaya em Honduras entrará para a História como um dos momentos mais baixos, talvez o mais baixo, a que chegou o governo dos EUA, em toda sua história. Ao dar seu apoio, na prática, a quem quer jogar a democracia na lata do lixo Barack Hussein está reescrevendo a famosa Doutrina Monroe, de 1823, que queria salvaguardar a América do colonialismo europeu, assim como, mais tarde, os EUA salvaguardaram a América do marxismo. A diferença é que, em vez de "América para os americanos", temos hoje um novo lema: "A América para os bolivarianos". Não por acaso, o presidente norte-americano já está sendo chamado de Barack Hussein "Fidel Che" Obama por alguns colunistas conservadores (nos EUA, eles existem). Diogo Mainardi tem razão: Barack Hussein é um Henry Kissinger para ginasianos politicamente corretos.
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Quem diria... Enquanto a pequena Honduras está dando uma lição ao resto do mundo, tendo enxotado um farsante que queria usar as instituições do país para destruir a democracia e se recusando a recebê-lo de volta, a maior superpotência do planeta, governada por apaziguadores esquerdistas, capitula ante a maré bolivariana, perfilando-se ao lado de ditadores e caudilhos. Thomas Jefferson e Abraham Lincoln devem estar se revirando no túmulo.

segunda-feira, julho 06, 2009

O GOLPISMO BOLIVARIANO EM AÇÃO


O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya,
recebendo aulas de democracia de um conhecido amante da liberdade:
dize-me com quem andas...


De todas as mentiras, falácias, engodos e falsificações que nos são diuturnamente, há décadas, empurrados goela abaixo pela formidável máquina de propaganda esquerdista ou filo-esquerdista incrustrada em todos os setores da sociedade, uma das mais sórdidas e mais persistentes é, certamente, a de que é o apaziguamento o melhor caminho para lidar com ditaduras. Se a ditadura em questão for a cubana ou a norte-coreana, então essa política assume ares de verdadeiro imperativo moral. Tão entranhada está essa visão míope e distorcida da realidade que a mesma já adquiriu o status de verdadeiro dogma das relações internacionais, a tal ponto que quem tiver a ousadia de contestá-la será imediatamente rotulado de insensato e direitista fanático, entre outros adjetivos do mesmo teor.
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Essa mentira grotesca, que nos leva a ignorar exemplos históricos como o da Alemanha hitlerista e o da África do Sul dos tempos do apartheid - exemplos, respectivamente, de tirania totalitária que se consolidou e levou o mundo a uma catástrofe sem precedentes graças à leniência covarde das democracias ocidentais e de regime racista e segregacionista que só caiu devido à política oposta, de firmes pressões e sanções internacionais -, deriva de outra visão igualmente cínica e falaciosa, que melhor pertenceria aos anais da psiquiatria clínica do que da política, e que pode ser classificada como inversão psicótica. Tal patologia mental consiste, como o nome indica, em inverter a realidade, de modo a enxergar conspirações onde estas não existem, e desprezá-las onde elas existem de fato; em transformar inimigos da democracia em defensores da democracia; defensores da liberdade em golpistas; criminosos e assassinos em benfeitores da humanidade; corruptos em vestais da "ética" - e assim por diante, como numa imagem reflexa num espelho. Até que a linha tênue entre realidade e ficção se esfume totalmente, levando todos a esquecerem a noção de verdade e mentira, ignorando fatos elementares da vida como se fossem fantasiosos e vivendo na mentira como se fosse verdade.
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O caso de Honduras reflete à perfeição essa patologia política. Lembremos, mais uma vez, o que ocorreu naquele país da América Central. Um presidente, Manuel Zelaya, foi destituído porque queria impor um plebiscito julgado ilegal e inconstitucional pelo Legislativo e pela mais alta Corte do país, violando abertamente o estabelecido no Artigo 239 da Constituição nacional. Foi deposto porque queria, em resumo, rasgar a Carta Magna e destruir a democracia, num rompante de inspiração chavista e bolivariana. É, portanto, um inimigo da democracia, a qual tenciona destruir usando seus próprios mecanismos, tal como fazem sistematicamente, e de maneira coordenada, outros caudilhos e demagogos latino-americanos, como Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa. Pois bem. Como foi chamado pela imprensa o movimento cívico-militar que expulsou Zelaya do poder, em nome da Constituição e da alternância democrática? De "golpe de Estado". E qual a reação da ONU, da OEA, de Barack Hussein Obama e de Lula da Silva? Resposta: condenaram imediatamente o "golpe", não reconheceram o governo provisório, e exigiram o retorno imediato de Zelaya ao poder. Agora, esses santos homens clamam, cheios de indignação, contra o toque de recolher e a censura provisória aos meios de comunicação decretados pelo governo provisório de Honduras - talvez se a censura fosse permanente, como é em Cuba, ou se os "golpistas" de Tegucigalpa resolvessem fechar emissoras de TV oposicionistas, como fez Hugo Chávez na Venezuela, essas medidas mereceriam não reprovação, mas aplauso. E o que a ONU, a OEA, Obama e Lula disseram quando Zelaya tratava de minar a frágil democracia hondurenha e afrontava acintosamente os demais Poderes? Nada. Absolutamente nada.
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Vou repetir, para que fique bem claro: o "golpe" que expulsou Zelaya foi desfechado pelo Judiciário e pelo Legislativo, que empossou o novo presidente, Roberto Micheletti, para salvaguardar a Constituição que estava sendo violada pelo chefe do Executivo e preservar as eleições presidenciais de novembro. Zelaya caiu porque queria mudar as regras do jogo e reeleger-se, o que é proibido pela Constituição. ISSO, SIM, É GOLPISMO! Afastar do governo quem tenta rasgar a Lei para perpetuar-se no poder não é golpismo. Mas não foi assim que interpretaram os fatos grande parte da imprensa e Barack Obama. Este, aliás, declarou que o "golpe" em Honduras abria um "perigoso precedente" na América Latina, esquecendo-se de mencionar o não menos perigoso precedente da violação da Constituição pelos bolivarianos. No mesmo (des)caminho seguiu a OEA.
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Por falar na OEA, esta tem dado mostras bastante didáticas da inversão psicótica de que falei no começo deste texto. A mesma organização criada em 1948 sob a égide da defesa da democracia representativa como um princípio básico a todos os seus membros ameaça Honduras de expulsão enquanto o golpista Zelaya não for restituído ao poder, onde certamente, caso retorne, tentará violar de novo a Constituição e seguir o roteiro bolivariano. Mas não diz uma palavra sobre a ditadura totalitária comunista dos irmãos Castro em Cuba, onde a última eleição livre ocorreu há mais de meio século. Ou melhor: diz sim, mas a favor, recebendo de volta a tirania castrista de braços abertos (a propósito: a reunião da OEA que decidiu pela suspensão da exclusão de Cuba da organização ocorreu, coincidentemente, em Honduras, e um dos que mais exultaram com a decisão foi - advinhem quem - Manuel Zelaya). E é essa organização que agora fala em "golpe" e pede o restabelecimento do "estado de direito" em Honduras...
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Como não poderia deixar de ser, o Apedeuta tratou de dar sua contribuição à inversão psicótica. Dessa vez ele não comparou o sucedido em Honduras a um jogo de futebol, como fez no caso do Irã, mas fez questão de condenar o afastamento do companheiro Zelaya, enxergando "golpismo" numa reação legal e constitucional a um aprendiz de déspota bananeiro e coonestando o golpismo bolivariano. Da Líbia, onde apropriadamente derreteu-se em rapapés a luminares da democracia e da liberdade como Muamar Kadafi e Omar Al-Bashir, nosso Guia Genial e Farol da Sabedoria reforçou o coro dos que condenaram o "golpe". Chegou a defender, inclusive, o isolamento de Honduras, até que Zelaya fosse restituído ao poder. O que levanta uma questão interessante. Lula e seus companheiros bolivarianos saem a público para defender o isolamento de um país supostamente como uma forma de pressionar pela democracia. No entanto, sempre se opuseram a isolar diplomaticamente Cuba em nome do mesmo objetivo. Alegam que isolar a ilha-cárcere em nada contribuiria para sua redemocratização. A questão que daí se depreende é a seguinte: como explicar que a mesma política que foi tida, durante décadas, como ineficaz e contraproducente no caso do totalitarismo cubano seja preconizada, agora, no caso do governo provisório de Honduras? É claro que a resposta está na cara, mas não convém à grande imprensa fazer esta pergunta.
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Vale a pena olhar mais de perto essa questão. Em um nível um pouco mais sofisticado, um dos argumentos utilizados pelo Itamaraty lulista é que isolar Cuba - somente Cuba - seria uma forma de violação do princípio sacrossanto da "autodeterminação" da ilha-presídio. Sem mencionar o fato de que a autodeterminação do povo cubano já foi pro brejo há muito tempo (desde que Fidel Castro tomou o poder e instalou uma ditadura comunista, para ser mais exato), o argumento poderia perfeitamente aplicar-se ao caso hondurenho. A maioria da população de Honduras quer ver o golpista Zelaya, cujo índice de apoio não ultrapassa cerca de 30%, pelas costas. O "golpe", portanto, conta com respaldo popular. E, mesmo que não tivesse, trata-se de um assunto interno do povo hondurenho (ao contrário da tirania comunista de Cuba, que constituiu uma ameaça séria aos países vizinhos e quase levou ao fim do mundo num holocausto nuclear em 1962 - quem estuda História sabe do que estou falando). Em Honduras, sim, pode-se falar em autodeterminação e em soberania. Então, por que isolar Honduras seria uma forma de garantir a democracia, e fazer o mesmo com Cuba é um atentado à sua autodeterminação? Gostaria que algum sábio do governo Lula me explicasse essa lógica tão peculiar...
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É claro que nada disso importa para a ONU, a OEA, a União Européia, Lula e Barack Obama. Estes reservam sua indignação para o fato de a sociedade hondurenha ter reagido às intenções autoritárias e personalistas de Zelaya, e não ao plano deste de transformar Honduras, com a ajuda de Hugo Chávez, numa nova Venezuela ou numa nova Bolívia.
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Quando golpistas de verdade são tidos na conta de democratas respeitáveis e os que tentam opor-se a eles são execrados como gorilas nefastos e militaristas, a ponto de serem unanimemente condenados como tal pela ONU, OEA, União Europeia e pela quase totalidade dos governos latino-americanos, é porque a inversão psicótica atingiu níveis de verdadeira pandemia. Trata-se de um caso em que, infelizmente, o simples debate de ideias e a contra-propaganda não são suficientes para consertar o dano provocado e restaurar a razão, sendo necessário, em casos como esse, uma verdadeira reprogramação neurolinguística. Goebbels ficaria com inveja: nunca, em toda a história da humanidade, a mentira sistemática atingiu, pela simples repetição, tamanhas proporções e apoderou-se de tantos cérebros incautos.

Mais um quadrúpede

Aí, um energúmeno me escreve o que vai em seguida, supostamente como comentário a meu texto "Obama, o Lula americano" de 11/06/2008 (mais de ano atrás) - digo "supostamente" porque, por mais que eu tentasse, não consegui ver nenhuma relação entre o texto e o que o dito-cujo escreveu. É uma daquelas coisas que me deixam em dúvida se publico ou não - e que me fazem ter mais certeza sobre a infinita capacidade de alguns cérebros de não entenderem absolutamente nada de nada. Vai na língua original, como sempre.
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Perai cara, vc é do PSDB? seu blog é uma declaração de amor ao LULA do primeiro ao ultimo post. E tambem acho que vc é de ESQUERDA. Ah, eu também não sabia que em paises capitalista as pessoas são rescucitadas e só são assassinadas nos socialistas (vide toda as guerras mundiais, onde os americanos iam rescucitando os inimigos pelo caminho. kkkk). Os dois lados são assassinos seu xiita.
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Vou responder da única maneira como esses seres de quatro patas conseguem entender: não, cara, não sou do PSDB. E você, é do PCO?
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Ah, e a tentativa de ironia sobre Lula e ser de esquerda não funcionou, viu? A ironia é para ser usada por quem tem um mínimo de inteligência. Para quem não a tem, é apenas patetice bizarra. Algo assim como um orangotango tentando recitar Shakespeare.
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Quanto aos "dois lados" serem assassinos, etc. etc., bem... já tratei disso em outros posts. Não adiantaria nada eu repetir o que já escrevi aqui sobre o assunto. Como não adiantaria muito eu lembrar que o Gulag foi o Gulag, e que 100 milhões de mortos são 100 milhões de mortos. Para isso, há os livros de História. Mas para quem escreve "rescucitadas" e "rescucitando", em vez de ressuscitadas e ressuscitando, sei que essa dica não adianta nada. Talvez umas aulas de soletração nível "Massinha I" ajudem.
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Só uma coisa eu não entendi: afinal, eu sou do PSDB ou sou xiita?
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Esses esquerdiotas... Se eles não existissem, alguém precisaria inventá-los.

segunda-feira, junho 29, 2009

HONDURAS: A ESCOLINHA DO PROFESSOR CHÁVEZ


Hugo Chávez e Manuel Zelaya, ajustando os ponteiros da "revolução bolivariana": golpismo travestido de "resistência"


A notícia assustou muita gente. Na pequena Honduras, um grupo de militares inconformados resolve se mobilizar e depõe um presidente constitucionalmente eleito. No dia seguinte, o presidente deposto parte para o exílio e é decretado toque de recolher. Imediatamente, uma sensação desconfortável de déjà vu toma conta de quase todos, à medida que as palavras "golpe militar" e "golpe de estado" se apossam das manchetes, remetendo ao que seria mais uma típica quartelada latino-americana. Parece que já vimos esse filme antes, não?
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Sim e não. Convém olhar um pouco mais de perto a situação naquele país da América Central antes de qualquer juízo precipitado.
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Quem leu os jornais ou assistiu ao noticiário ficou com a impressão de que o governo deposto de Honduras era formado por democratas e amantes da liberdade, do tipo que só deseja o bem para seu povo, e que os militares que o depuseram são gorilas do tipo Pinochet ou Médici. Ambas as impressões estão erradas. Totalmente erradas.
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Não, o que houve em Honduras não tem nada a ver com o que ocorreu no Chile em 1973, ou no Brasil em 1964. Em primeiro lugar, o golpe - vamos chamá-lo de golpe - ocorreu sem que nenhum tiro, nem mesmo um traque, fosse disparado (convenhamos, na longa história de quarteladas e golpes cruentos na América Latina, isso não é pouca coisa). O presidente deposto, Manuel Zelaya, não foi preso, nem morto, mas despachado para a Costa Rica. Não se lhe tocou em um fio de cabelo, assim como não se tocou, até agora - e faço questão de ressaltar o "até agora" -, em um fio de cabelo de seus simpatizantes, que puderam até fazer uma manifestação contra o terrível golpe no dia seguinte sem serem incomodados pela polícia. Até onde se sabe, não há prisões em massa, nem fuzilamentos a granel.
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Em segundo lugar - e o mais importante -, quem deu o golpe (mais uma vez, chamemo-lo assim), não foram os militares apenas, mas - e atentem para esse fato! - o Legislativo e o Judiciário. Isso mesmo: foi o próprio Congresso hondurenho, juntamente com a Suprema Corte, que se insurgiu contra o governo, declarando-o ilegal. A demissão do comandante do Exército, a que se seguiu a renúncia, em solidariedade a este, dos comandantes da Marinha e da Força Aérea, foi a gota d'água. Os militares resolveram agir por solicitação legal de dois Poderes da República, que haviam sido atropelados pelo Executivo. Até o momento, portanto, os "golpistas" seguiram estritamente a ordem constitucional.
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Por outro lado, sim, o ocorrido em Honduras tem relação com golpes passados. Melhor dizendo, o presidente deposto, Manuel Zelaya, assemelha-se, em muitos aspectos, a um Salvador Allende ou a um João Goulart. Isso porque tanto ele quanto aqueles - ao contrário do que foi repetido ad nauseam por seus hagiógrafos - não morriam de amores pela democracia. Pelo contrário: Allende e Goulart, e agora Zelaya, tinham inclinações nitidamente golpistas (sem aspas) e autoritárias. Allende, pouco antes de ser derrubado, fora colocado fora da lei pelo Congresso chileno, com o qual vinha há tempos se indispondo devido a sua aliança com radicais marxistas e seu projeto de contruir o socialismo no país andino. Goulart, e isso também quase ninguém lembra, caiu porque jogou a hierarquia e a disciplina militares às favas e se apoiou em sargentos e marinheiros para instalar uma república sindicalista no País. Zelaya, por sua vez, tentou passar por cima dos outros Poderes, ao convocar um referendo ilegal e inconstitucional, visando a se perpetuar no poder, seguindo os passos de Hugo Chávez. Como aprendiz de tiranete, preparava assim um golpe civil, usando os próprios mecanismos da democracia para destruí-la. Zelaya era - é - um golpista bolivariano, que estava pressionando o Legislativo e o Judiciário de Honduras para convocar um plebiscito inconstitucional e modificar a Constituição, no pior estilo chavista. Havia passado por cima dos demais Poderes, com o fito de reproduzir, em terras hondurenhas, a experiência bolivariana da Venezuela. Não sei quanto a vocês, mas o nome disso é golpismo.
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Há outras semelhanças. Nos casos brasileiro e chileno, o que houve foi a disputa entre dois golpismos, um de direita e outro de esquerda. Venceu o de direita. Os golpistas de esquerda, derrotados, passaram a se dizer democratas. E muitos cairam nessa conversa mole, e a repetem ainda hoje. Do mesmo modo, os apoiadores bolivarianos de Zelaya - incluindo Lula - falam em - "atentado contra a democracia" e em "resistência". Quando Zelaya se preparava para rasgar a Constituição, ninguém falava nisso. Agora que ele foi deposto, seus aliados bolivarianos apelam para esse tipo de clichê. Não por acaso, Zelaya foi direto de Honduras para uma reunião da Alba, a tal Aliança Bolivariana das Américas, criada por Hugo Chávez e pelo Mico Mandante Fidel Castro para se contrapor ao "império". Nada poderia ser mais claro.
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"Ah mas o mundo todo, a ONU, a OEA, até os EUA, condenaram o golpe" etc. etc. Sei, e isso só reforça minha convicção de que Zelaya deveria ser afastado. A capacidade dessa gente de enganar a todos, ou de todos se deixarem enganar por sua discurseira populista-autoritária, é infinita. Há apenas um mês, a OEA abriu as portas para a reentrada da tirania cubana na organização. Escrevi, aliás, um post sobre o assunto. Natural, portanto, que agora exija o retorno de Zelaya ao poder, sem qualquer tipo de garantia de que não irá, caso seja reempossado, tentar violar novamente a Constituição (a propósito: alguém está se fazendo essa pergunta?). Quanto a Barack Obama, também já deixei claro minha opinião sobre ele - basta dizer que ele não é bem assim um, digamos, opositor fervoroso de ditadores (vejam o caso de Ahmadinejad no Irã). Quanto à ONU, sua Assembléia-Geral é presidida por um ex-ministro do governo sandinista da Nicarágua, Miguel D'Escoto. Precisa dizer mais?
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Nem é preciso ir muito longe para verificar o naipe demagógico dos que agora se enchem de indignação pelo afastamento de Zelaya. O governo Lula - o mesmo cujo titular reconheceu, antes mesmo dos aiatolás iranianos, a vitória extremamente duvidosa de Ahmadinejad no Irã, e que comparou a sangrenta repressão da polícia iraniana aos opositores a uma partida de futebol - se recusa a reconhecer o novo governo hondurenho. O mesmo governo que, vejam só, apóia descaradamente tiranias como as de Cuba e da Venezuela, e que aceita até mesmo ser humilhado por Bolívia e Equador, agora condena o "golpismo" em Honduras. Lula já disse que na Venezuela chavista há "democracia até demais". É bem capaz que diga o mesmo das intenções autoritárias de Zelaya. Também, pudera: ele é da turma, se é que vocês me entendem.
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Sou contra todos os golpes de estado, militares ou civis. E Manuel Zelaya, ao tentar rasgar a Constituição, quis dar um golpe civil, a exemplo de seu mentor Hugo Chávez. Isso está claríssimo. Fechar os olhos para esse fato é prova da mais tacanha estupidez, ou da mais desavergonhada vigarice. O golpismo em Honduras não veio dos militares, nem do Congresso, nem da Suprema Corte. Veio de Zelaya. Agora, em plena campanha para reassumir o poder, ele posa de vestal da democracia.
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Por trás da crise institucional em Honduras, não é difícil perceber, está Hugo Chávez e seu sonho de exportar a "revolução bolivariana". Com o apoio ou o silêncio cúmplice de Obama, Lula e idiotas úteis de todos os quilates, ele está conseguindo. O bufão de Caracas está fazendo escola, já tendo sob sua influência oito países latino-americanos. Sob Zelaya, Honduras seria mais um deles. Por evitarem que isso acontecesse, os parlamentares, juízes e militares hondurenhos estão sendo chamados de golpistas, e Zelaya, de democrata. Nunca a frase de Lênin foi seguida tão ao pé da letra: "Acuse-os do que você faz; xingue-os do que você é". Há poucas coisas certas na vida, mas esta é uma delas: sempre haverá idiotas que engolirão a isca.

quinta-feira, junho 25, 2009

USP: A HORA DOS INTOLERANTES


Guardas Vermelhos humilham um "inimigo do pensamento do camarada Mao Tsé-tung" durante a "Revolução Cultural" na China, nos anos 60: qualquer semelhança com os "grevistas" da USP que intimidam professores e estudantes NÃO é mera coincidência


Ainda não escrevi nada a respeito da atual "greve" da USP, na qual uma minoria destrambelhada de radicais e profissionais da baderna tenta, há semanas - com o apoio de parte da imprensa idiotizada ou avermelhada -, em nome da "universidade pública, gratuita e de qualidade", impedir no braço o acesso da maioria dos estudantes à... educação pública, gratuita e de qualidade. Mas venho acompanhando o assunto pelo jornais e pela internet. O tema me interessa de perto, pois, embora tenha deixado há anos de freqüentar os bancos escolares, tive uma experiência breve, porém marcante, com esse tipo de gente e suas "reivindicações". Acho que já falei aqui dessa minha experiência. Mas vou retomar o assunto.

Aconteceu em 2001. Eu era professor substituto no curso de História na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde me graduei no mesmo curso. Foi quando estourou mais uma "greve", nem me lembro mais por quê (somente durante o período em que fui estudante, devo ter enfrentado umas três greves semelhantes, no mínimo). As, digamos, "reivindicações" eram as de sempre: melhores salários, vagas exortações contra a "privatização" das universidades federais etc. Por trás do, digamos, "movimento", estavam os nomes e as siglas de sempre: o sindicato dos funcionários e dos professores, ligado à CUT, e alguns "estudantes" que nunca apareciam para estudar, geralmente militantes de alguma agremiação de esquerda, como o PSTU ou o PCdoB. Rapidamente, pelos métodos que depois eu mesmo pude constatar em sala de aula, o movimento tomou conta da universidade, e as aulas no setor em que eu lecionava estavam paralisadas. Foi então que eu, em minha ingenuidade, cometi um erro.

Meu erro foi ter feito uma pequena reunião com meus alunos, em duas turmas para as quais eu dava aula - de manhã e à noite. Na ocasião, tentei explicar, sem tentar influenciar ninguém, que a paralisação das aulas cobraria um alto preço no futuro, que o ano letivo seria fatalmente prejudicado e que seria necessário um esforço hercúleo para repor o tempo perdido. Enfim, dei minha opinião, tentando mostrar, da forma mais fria e desapaixonada possível, que os maiores prejudicados com a "greve" não seriam nem o governo FHC (era a época de FHC), nem o "neoliberalismo", nem o FMI etc., mas os próprios estudantes, em nome dos quais supostamente estaria sendo feito o "movimento". Mesmo assim, deixei claro que acataria a decisão da maioria. Concordei, então - E ESSE FOI MEU MAIOR ERRO -, em fazer uma votação democrática com os alunos. Uma das turmas, a da manhã, votou a favor da paralisação e da adesão à "greve", decisão que acatei imediatamente e sem discutir. Outra turma, a da noite, votou pela manutenção das aulas. Decisão esta que também acatei, e esperei ser respeitada.

Foi então que meus problemas começaram. Na noite seguinte, enquanto eu me dirigia para dar mais uma aula com a turma que concordara, democraticamente, em prosseguir com os estudos, fui surpreendido por uma pequena turba, umas 20 pessoas mais ou menos, concentradas em frente à minha sala de aula. Compreendi logo que era um "piquete", formado por pessoas que, em sua maioria, eu nunca tinha visto antes na vida (soube depois que o "líder" deles era um funcionário da universidade, membro do sindicato), e que estavam lá para, de alguma maneira, me intimidar. Não me fiz de rogado: entrei na sala, atravessando um corredor polonês à porta, depus meu material de ensino sobre a mesa e comecei a aula. Na verdade, tentei começar, pois, nesse exato instante, o "piquete" entrou no local e pediu a palavra. Democraticamente (MAIS UMA VEZ: FOI MEU GRANDE ERRO!), permiti que eles dissessem o que queriam. Começou então uma arenga histérica e desarticulada de um dos piqueteiros, em favor da "luta dos explorados" etc. e tal. Falaram, inclusive, em "democracia universitária". Ouvi tudo atentamente e, após uns vinte minutos, pedi educadamente que se retirassem para dar prosseguimento à minha aula, conforme tinha sido acordado pelos próprios estudantes em votação democrática. Foi aí que percebi a enormidade de meu erro.

O "líder" dos piqueteiros, o tal sindicalista, sem pedir licença nem me deixando falar, começou a vociferar, em altos brados, contra "esse professor fura-greve", berrando a plenos pulmões que "jamais tinha visto um caso de um professor assim" (que permitia a seus alunos escolherem participar ou não de uma "greve", deve ter querido dizer). Elevando a voz, com a veia do pescoço quase saltando, ele espumava de raiva, dando-me a nítida sensação de que estava prestes a pular sobre minha garganta e beber meu sangue como se bebe refrigerante. Nisso, ele era seguido por outros integrantes do "piquete" - jamais vou esquecer da cara de ódio de uma das piqueteiras, militante do PSTU, única aluna minha, aliás, que fazia parte do grupo grevista, e cujos olhos pareciam soltar faíscas contra mim. Fiquei uns minutos tentando argumentar com aquele bando de fanáticos - um deles, ao que parecia, estudante, tentou me dar uma lição de História, balbuciando alguma coisa sobre o levante revolucionário dos marinheiros alemães em 1919... (!) Nesse trabalho, fiquei sozinho, pois meus alunos, petrificados, certamente com medo de dizerem o que pensavam diante de tamanha ferocidade, assistiam a tudo em silêncio. Finalmente, consegui que se retirassem da sala e tentei retomar minha aula. Não durou dois segundos e as luzes da sala (lembrem que era de noite) se apagaram, deixando a todos nós imersos no breu total. Eu mesmo, ou um dos alunos (esse detalhe não lembro bem), religuei a energia, mas em vão: sempre que tentávamos reacender a luz, esta era cortada. E assim foi, umas três ou quatro vezes, até que desistimos da aula, por absoluta falta de condições materiais...

Foi assim que os "grevistas" demonstraram todo seu amor à democracia e à educação: desrespeitando a decisão democrática de uma turma de alunos e cortando a energia de uma sala de aula para evitar que um professor lecionasse. Para eles, deixar uma sala às escuras era a sua forma de "protestar" pela "melhoria da educação"...

Naquela noite, aprendi uma dura lição: nunca tente argumentar racionalmente com gente capaz de fazer algo assim. É inútil. Pior: é até perigoso. Por muito pouco, não acabei como uma daquelas vítimas dos Guardas Vermelhos durante a Revolução Cultural chinesa, nos anos 60. Jamais se deve ser tolerante com os intolerantes. Para eles, a Lei!

Com essa experiência em mente, foi impossível para mim evitar a sensação de déjà vu ao ler as notícias da "greve" na USP: a mesma intolerância, o mesmo radicalismo idiota e o mesmo autoritarismo travestido de "luta pela educação", é o que se verifica naquela universidade. Há semanas, uma minoria intolerante e autoritária vem intimidando, pela violência, a maioria silenciosa dos estudantes. Estes, por temor de parecerem "de direita" - o que revela uma clara patologia esquerdóide vigente nas universidades -, preferem se calar, dando a falsa impressão de que não são a maioria.

O grupo de baderneiros que vem infernizando a vida dos estudantes e professores sérios na USP é liderado por um tal Claudionor Brandão, funcionário antes encarregado da manutenção dos aparelhos de ar-condicionado da universidade, que se diz "marxista-revolucionário" e é militante de uma tal LER-QI (Liga Estratégica Revolucionária - Quarta Internacional), grupelho trotskista que se encontra à esquerda do PSTU e do PCO. O sindicato dos funcionários da USP é controlado pela tal LER-QI e pela LBI (Liga Bolchevique Internacionalista), que professam a necessidade da revolução socialista, a mesma que deixou 100 milhões de mortos no século XX. Seus militantes são principalmente funcionários públicos como Brandão e "estudantes", e por alguma razão acreditam que os campi das universidades são o cenário ideal para tentar derrubar o capitalismo e instaurar a ditadura do proletariado... Uma das exigências dos "grevistas" da USP é a readmissão de Brandão, demitido no ano passado por justa causa, e a renúncia da reitora, que teve a ousadia de tentar aplicar a Lei na universidade, punindo baderneiros que depredem o patrimônio público. Outras exigências são meros pretextos, como o slogan em defesa da "universidade pública e gratuita" ou a exigência insólita de pôr fim aos cursos à distância... Numa clara demonstração de inversão total de valores, os grevistas marcaram um tento junto a um setor facilmente manipulável da opinião pública, quando, para cumprir a Lei, a reitora solicitou e a Justiça concedeu o envio de uma tropa da PM para o campus. A PM lá esteve para fazer cumprir a Lei e garantir a liberdade de os estudantes e professores que discordam da "greve" se movimentarem livremente. Era, portanto, a DEMOCRACIA FARDADA, contra a qual os "grevistas" investiram, com paus e pedras, em moldes verdadeiramente fascistas. Mas não foi assim que entendeu parte do jornalismo, para quem PM em universidades remete automaticamente aos piores anos do regime militar. Resultado: os "grevistas" passaram a ter uma nova bandeira: contra a "repressão" da PM na USP... A LER-QI e a LBI, esses campeões da liberdade e da democracia! Pois é...

O uso da violência - física e psicológica - por parte dos baderneiros da USP para atingir objetivos que não têm nada a ver com a melhoria da educação não é nenhuma novidade. Como tampouco é novidade a forma absolutamente idiota e condescendente com que parte da imprensa aceita e até justifica a baderna, preferindo centrar fogo nas "autoridades" - a reitora ou a PM. Os "grevistas" da USP, assim como os piqueteiros que tentaram impedir minha aula oito anos atrás, não querem melhorar a educação nas universidades públicas do País coisa nenhuma. As palavras de ordem que utilizam, como a "defesa da educação pública, gratuita e de qualidade", não passam de meros pretextos para darem vazão a seus delírios de revolução ou para a velha política partidária vagabunda de sempre. Para tanto, não hesitam em empregar meios autoritários, tolhendo a liberdade de ir e vir dos outros estudantes e professores que não aderiram à "greve" - a maioria. São fascistas travestidos de grevistas, inimigos da democracia e da educação. A reitora fez muito bem em chamar a PM para impedir que essa canalha impeça os outros de estudar! Democracia neles!

O trabalho destrutivo desses esquerdopatas é facilitado por um clima ideológico propício a suas sandices. Não por acaso, seus principais recrutas entre os estudantes vêm das faculdades de ciências humanas e de comunicação, verdadeiras madraçais do esquerdismo mais bocó, onde o que se ensina há décadas, em vez de História ou Filosofia, é um misto de marxismo vulgar e anticapitalismo ginasiano, sem nenhum contato com a realidade. Há alguns dias, um esquerdista nonagenário, Antonio Candido, deu uma "aula" aos "estudantes grevistas", ao lado da petista Marilena Chauí, em que os exortou a continuarem e a radicalizarem a "luta". "Sejam justos e injustos", afirmou o venerando crítico literário, para o delírio da platéia. Quando um senhor de 91 anos incita uma turba de jovens a deixarem de lado a noção de justo e injusto, é porque algo vai mal, muito mal.

É fácil entender por que os extremistas de esquerda escolheram as universidades públicas para suas demonstrações de intolerância e proselitismo ideológico: sendo funcionários públicos ou "estudantes", eles sabem que dificilmente seus atos terão consequências, pois não correm o risco, como ocorre na iniciativa privada, de irem parar no olho da rua. Gente como Claudionor Brandão sabe que sempre terá o sindicato a lhe dar sustentação, enquanto os remelentozinhos mimados que participam do "movimento" poderão saciar, por alguns instantes, sua fantasia infanto-juvenil de participar da "luta dos explorados" e - suprema glória! - atirar algumas pedras na polícia, que será, obviamente, acusada dos piores crimes da época da ditadura se revidar e cumprir a Lei. Nisso tudo, ainda conquistarão alguns momentos de fama na "mídia". Para eles, é um jogo em que somente têm a ganhar. Os estudantes sérios, que não querem nada com esses malucos e têm mais o que fazer na vida - a imensa maioria dos estudantes, em qualquer universidade -, só têm o que perder com esse tipo de "movimento".

Assim como ocorreu naquela "greve" de 2001, da qual ninguém mais se lembra, o resultado prático do movimento na USP é bem conhecido. Encerrada a paralisação, a rotina será a seguinte: depois das férias forçadas, os professores fingirão repor as aulas, os funcionários voltarão a seus sindicatos e à politicalha de sempre, os "estudantes" da LER-QI e da LBI continuarão a sonhar em serem os novos Lênins e os novos Trotskys (e Stálins) e os estudantes que querem estudar, os mais prejudicados, tentarão correr atrás do tempo perdido. Enquanto isso, os responsáveis pela paralisação, que não têm nada a ver com o ensino, independentemente do resultado, irão cantar vitória, alegando terem alcançado uma grande "conquista" (e se não tiverem alcançado nada, dirão que ao menos a "categoria mostrou união e saiu fortalecida", ou outra coisa qualquer do gênero). E, assim, estarão preparando o terreno para mais uma "greve", mais uma "luta em favor da educação e dos excluídos"... Quantas vezes veremos esse filme?

quarta-feira, junho 24, 2009

E LULA, O AIATOLÁ DE GARANHUNS, DESMENTE AMORIM...


Um torcedor do Vasco depois de um entrevero com a torcida do Flamengo no Irã, segundo Lula: culpa das mortes é da oposição, diz o Apedeuta
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(ler primeiro post anterior)
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Notícia de ontem, 23/06, na Folha Online. Comento em seguida:
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou nesta terça-feira as mortes provocadas no Irã pela repressão aos manifestantes que protestam contra uma suposta fraude na eleição que reelegeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad no último dia 12. O presidente brasileiro, que anteriormente havia dito que não acreditava que o resultado da eleição iraniana tivesse sido adulterado, afirmou que o povo iraniano não pode se transformar em vítima da irresponsabilidade de agentes políticos.“Há uma oposição que não se conforma [com o resultado das eleições]. O resultado desse conflito são inocentes morrendo, o que é lamentável e inaceitável por parte de qualquer democrata do mundo”, afirmou o governante em declarações a jornalistas no Rio de Janeiro.“Agora, ou a Justiça iraniana [intervém], ou o governo e a oposição se sentam e param o conflito, ou há novas eleições, ou se deixa como está, mas o povo não pode continuar sendo vítima da irresponsabilidade dos agentes políticos do Irã”, acrescentou.

Até agora, os protestos e confrontos no Irã deixaram pelo menos 20 mortos, segundo os números oficiais.

Lula recebeu críticas de setores da oposição no Brasil devido à rapidez com que, na semana passada, saiu em defesa da vitória eleitoral de Ahmadinejad e atribuiu as manifestações contra os resultados a “protestos de quem perdeu”, fazendo uma comparação com torcidas de futebol, assim como fizera o presidente iraniano.

Diante das críticas, o governo brasileiro tentou reinterpretar as declarações do presidente, afirmando que o país não tem uma posição definida sobre a eleição iraniana.

Nesta terça-feira, Lula reiterou as declarações que tinha concedido na semana passada.“Nas eleições brasileiras, as suspeitas de fraude geralmente ocorrem quando a diferença de votos entre os candidatos é de 1% ou 2%, e não quando há uma diferença tão expressiva”, afirmou.“Existem coisas quase inexplicáveis no Irã. Há uma eleição na qual um cidadão obteve 62% dos votos. É muito difícil que alguém com 62% dos votos…”, acrescentou o presidente, ao dar a entender que, em sua opinião, a possibilidade de fraude é pequena.

O argumento é semelhante ao utilizado pelo líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, que disse em sermão na última sexta-feira que as eleições haviam sido justas e questionou: “Como alguém pode fraudar 11 milhões de votos?”.

Posteriormente, o Conselho dos Guardiães — misto de Senado e tribunal superior, responsável por ratificar a eleição — reconheceu que houve mais votos que eleitores em 50 cidades. Apesar de admitir erro em cerca de três milhões de votos, a instituição endossou a vitória do presidente, e descartou anular a eleição. (...) (Grifos meus)

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Comento
É preciso reconhecer: Lula e seus devotos conseguem se superar em suas declarações. É preciso tirar o chapéu para essa gente. Mal eu havia colocado o ponto final em meu último post, e o Apedeuta surpreende a todos novamente.

Dessa vez, o mais surpreendido foi, certamente, o chanceler Celso Amorim, que dois dias atrás foi ao programa Roda Viva, da TV Cultura, para tentar arrumar de alguma maneira as afirmações do nosso Aiatolá, tentando convencer a todos que ele não tomou posição na encrenca iraniana. "Ele não tomou posição etc. e tal", disse Amorim perante os jornalistas, sendo capaz de jurar de pés juntos que aquilo era verdade. Dediquei meu último post a mostrar que isso não é verdade, que Lula, estava, sim, colocando-se a favor de um lado - o lado do mal, claro. Pois agora o Apedeuta em pessoa vem me dar razão, ao vir a público novamente para desmentir Amorim e REAFIRMAR tudo o que disse antes, não deixando qualquer dúvida de que está, sim, TOMANDO POSIÇÃO a favor de Ahmadinejad. Nem Obama, com toda sua ambiguidade - que muitos têm por sofisticação multicultural -, e que prefere matar moscas perante as câmeras a enfrentar facínoras de duas pernas, deu seu aval à fraude. Nem mesmo o Conselho dos Guardiães foi tão enfático e assertivo em seu apoio ao maluco de Teerã.

Mais: ao justificar a marmelada, Lula aproveitou para colocar a culpa pelas mortes de manifestantes na.... OPOSIÇÃO IRANIANA! (os "agentes políticos do Irã"). Isso mesmo: os cerca de 20 mortos até agora após terem sido baleados pelos meganhas da ditadura dos aiatolás só morreram devido à irresponsabilidade da oposição, que teve o desplante - vejam, só - de sair às ruas para protestar contra a fraude nas eleições. Se morre gente, diz Lula, se pessoas são assassinadas nos protestos pelas balas da polícia ou de milicianos, é por causa de uma choradeira de perdedores, como num jogo de futebol... Nada a ver com um regime que enforca dissidentes e que espanca até mulheres que mostrem os cabelos nas ruas, segundo nosso Guia Genial e filósofo de Garanhuns... E ainda repetiu a bobagem de que 62% de votos significam que não houve fraude - como se os mais de 90% que Saddam Hussein obtinha a cada "eleição" no Iraque fossem um selo de honestidade e democracia do regime.

Como será que Amorim, o bom de bico, o nosso Henry Kissinger, se sairá dessa vez? Dirá que, mais uma vez, o "resultado estava adequado"? Ou que Lula "deu apenas uma análise com os dados que dispunha (sic)"? Tentará, novamente, nos convencer que o que Lula diz não é bem assim, vejam bem, nada disso, muito pelo contrário? Se Lula aparecer vestido com uma camiseta estampando o rosto de Ahmadinejad e com a frase "Morte ao Grande Satã imperialista" (os EUA), será que ele ainda insistirá em tentar dourar a pílula e em tapar o sol com a peneira?

Numa coisa, convenhamos, Amorim está certo: não cabe ao Brasil tomar posição na questão do Irã. Pena que, ao que parece, ele não avisou Lula sobre isso. Pois o Apedeuta não só TOMOU POSIÇÃO EM FAVOR DE AHMADINEJAD, como CALUNIOU A OPOSIÇÃO IRANIANA, responsabilizando-a pelas mortes de manifestantes causadas pela polícia do regime. O mesmo vale para outros países, como Cuba e o Sudão, sobre os quais o governo Lula, com seu apoio explícito ou seu silêncio, toma posição todos os dias - a favor do carrasco contra a vítima.

Nunca na história do universo se viu coisa semelhante: um presidente justifica a barbárie em outro país, seu chanceler tenta pôr panos quentes, e no dia seguinte o mesmo presidente desmente o mesmo chanceler reafirmando as mesmas cretinices. O que dizer disso? Nada a dizer, apenas a lamentar.

terça-feira, junho 23, 2009

A OMISSÃO COMO ESTRATÉGIA DIPLOMÁTICA


Talvez Lula saiba a resposta para essa pergunta...
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A notícia é de ontem, dia 22. Está no Estadão Online. Seguem trechos em azul. Eu vou em preto. Os grifos são meus, como sempre:

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, evitou nesta segunda-feira, 22, opinar sobre a crise política iraniana. Indagado sobre o impasse por jornalistas no programa Roda Viva, da TV Cultura, o chanceler afirmou que “não cabe ao Brasil dizer o que o Irã tem que fazer”. “O país tem o sistema dele. Bom ou mau, isso cabe ao povo iraniano julgar (…) não cabe ao Brasil tomar uma posição.”

Quando alguém tenta sair pela tangente, evitando comentar um assunto espinhoso, diz-se que está pisando em ovos. Amorim, ao falar sobre o Irã, pisa em cadáveres. Ao recusar-se a opinar sobre o assassinato e espancamento de opositores do regime teocrático xiita, ele apela para o clichê mais batido dentre todos os que (des)norteiam a atual política externa brasileira: a "não-intervenção". "Não cabe ao Brasil dizer o que devem fazer" significa, na verdade, o seguinte: "Não damos a mínima para a democracia e os direitos humanos no Irã, assim como estamos nos lixando para os mortos e feridos", ou, em lnguagem mais popular: "Deixa pra lá: isso não é problema da humanidade...". A mesma atitude omissa e covarde é repetida em casos como o de Cuba e do Sudão, entre outros países dominados por ditaduras - no caso sudanês, o governo brasileiro sistematicamente tem-se negado a "julgar" a morte de cerca de 300 mil pessoas desde 2003 (talvez Amorim acredite que cabe ao povo de Darfur, e somente a ele, tomar uma posição; ou seja: cabe somente aos massacrados julgar seus carrascos...).

A frase de Amorim é um primor de cinismo, embalado no relativismo mais tosco e travestido de "respeito às diferenças". Alguns dias atrás, o chanceler do B Marco Aurélio "Top, Top" Garcia tentou justificar a omissão do Brasil no Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra com um argumento semelhante: segundo ele, não cabe ao Brasil sair por aí distribuindo "certificados de bom ou mau comportamento" para este ou aquele país. Acontece que, desde que Lula assumiu o poder, e mesmo antes, a política externa brasileira não tem feito outra coisa senão isso. Lembremos da ofensiva de Israel contra o Hamas na Faixa de Gaza, alguns meses atrás. Na ocasião, o Itamaraty divulgou uma nota em que deplorava - a expressão está lá, não estou inventando - a "reação desproporcional" de Israel ante o terrorismo do Hamas, que quer destruí-lo. Ou seja: tomou uma posição bem clara, distribuindo, como diz Garcia, um certificado de MAU comportamento para Israel. Agora, quando a teocracia islamita do Irã tenta se perpetuar pela fraude e massacra seus opositores, Celso Amorim tenta tirar o corpo fora, e diz que não cabe ao Brasil julgar o regime dos aiatolás... Em outras palavras: julgar pode, mas só se for Israel ou os EUA.

Além do mais, a frase de Amorim é equivocada até no que diz respeito aos fatos: o povo iraniano já está julgando o regime dos aiatolás. Basta ver as imagens dos mortos e feridos nas manifestações contra a fraude eleitoral que confirmou o maluco Ahmadinejad no poder. Aí estão o Twitter e o Youtube que não me deixam mentir.

Sobre a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação à crise, que qualificou na semana passada os protestos da oposição iraniana pela anulação do pleito presidencial como demonstrações “de quem perdeu”, Amorim descartou avaliar a opinião como precipitada. “Tudo indicava que naquele momento o resultado estava adequado”, disse. “Ele não tomou posição, deu uma análise com os dados que dispunha.”

Como chanceler de Lula, é dever de Amorim defender seu chefe, mas isso não lhe dá o direito de negar os fatos. Como assim, "naquele momento o resultado estava adequado"? Como assim, "ele não tomou posição, deu uma análise com os dados que dispunha [sic]"? Vamos lembrar o que o Apedeuta disse, no dia 16/06, em Genebra, Suiça:

"Eu não conheço ninguém, além da oposição, que tenha discordado da eleição no Irã. Não tem número, não tem prova. Por enquanto, é apenas uma coisa entre flamenguistas e vascaínos"

No dia em que Lula disse essa besteira monumental - uma da maiores barbaridades já ditas por um chefe de Estado em todos os tempos -, as denúncias de fraude nas eleições iranianas já haviam tomado conta do noticiário internacional, e estavam sendo sistematicamente divulgadas por várias entidades de defesa dos direitos humanos. Logo, não há como dizer que, naquele momento, "o resultado estava adequado". Ademais, a frase não deixa dúvidas: Lula tomou, sim, posição na questão eleitoral iraniana. Posição em favor de quem? Dos manifestantes oposicionistas? Dos mortos baleados pela milícia do regime? Não. De Ahmadinejad, cuja vitória Lula declarou legítima já naquele dia. E isso - atentem para esse detalhe! - ANTES mesmo de o aiatolá Ali Khamenei e o Conselho dos Guardiães terem RECONHECIDO a existência de FRAUDE nas eleições, e ordenado uma recontagem parcial dos votos. Resumindo: Lula, o nosso aiatolá, deu seu aval ao resultado das eleições no Irã antes mesmo do que os próprios aitolás iranianos - e Celso Amorim acha que não houve nada demais nisso!

Defendendo a avaliação de Lula, o chanceler destacou que “foi uma eleição em que houve muito debate, muita discussão. Não é muito lógico que em uma votação dessa natureza tenha havido irregularidades tão massivas que conduzissem a um resultado de 63%”, acrescentou, referindo-se aos números oficiais que deram a reeleição ao presidente Mahmoud Ahmadinejad. “Efetivamente, está havendo um reexame dos votos. Nos acompanhamos.”

Mais uma vez, no afã de defender o que Lula diz, Amorim joga a Lógica na lata do lixo. Pior: tentando apelar para a própria lógica. O fato de a votação anunciada de Ahmadinejad ter sido de 63% não demonstra a lisura do pleito. Muito pelo contrário! Foi justamente essa vantagem surpreendente, que contrariou a maioria dos prognósticos, além da rapidez com que foi divulgada, o que levantou as primeiras suspeitas de fraude. Amorim parece esquecer que o Irã é uma ditadura teocrática, na qual as eleições são quase uma formalidade, pois é o Conselho dos Guardiães, e não a voz do povo, quem tem a última palavra sobre os candidatos e o resultado das eleições. Também parece esquecer que, em regimes totalitários, quanto maior a vantagem do "eleito", menor a transparência do processo. É incrível.

Por que tamanha sabujice, tamanho atentado contra a inteligência e a lógica? A resposta está no que se poderia chamar de "estratégia diplomática" do governo Lula. Esta consiste em fechar os olhos deliberadamente, e de forma sistemática, para as piores tiranias do planeta e suas atrocidades, tendo em vista um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU - a suprema obsessão do Itamaraty. O Brasil quer fazer parte do "clube dos grandes", e quer alcançar esse objetivo cortejando ditadores e genocidas. Para tanto, já piscou o olho para o comunismo capitalista da China, assumindo a possibilidade de reconhecer o país como economia de mercado, declarou apoio a um antissemita e queimador de livros para a direção-geral da UNESCO e se faz de cego, surdo e mudo para o genocídio em Darfur, no Sudão, e para as ditaduras de Cuba e do Irã. O governo Lula espera, com isso, angariar os votos desses países para concretizar sua suprema ambição. Dará certo? Tudo indica que não, que o Itamaraty irá dar, mais uma vez, com os burros n'água, como aconteceu no BID e na OMC (a China, por exemplo, já anunciou que não quer nem ouvir falar num Conselho de Segurança ampliado do qual o Japão faça parte). Mas, mesmo que essa tática funcionasse, ficaria a questão: o que o Brasil faria no órgão máximo da diplomacia mundial? No mínimo, seria o porta-voz dos piores déspotas e genocidas da atualidade. Com a frustração desse velho sonho, o Brasil parece parafrasear Churchill: entre a desonra e a derrota, escolheu a desonra - e terá a derrota.

O Itamaraty, sob o governo Lula, adotou a omissão como política, a cumplicidade com tiranias como estratégia diplomática. Amorim deve se achar uma espécie de Henry Kissinger terceiro-mundista, com sua condescendência para com tiranos e assassinos em nome de um mundo "multipolar". Creio que não resta nada a fazer senão repetir uma frase muito antiga e verdadeira: "Quem se cala diante do crime, acaba cúmplice do mesmo".

Errata

Na nova enquete do blog, cometi um pequeno deslize: na última alternativa, onde se lê "Celso Minc", leia-se CARLOS Minc. Acabei confundindo os nomes de dois ministros do governo Lula, criando um Frankenstein. O que, dada a atual conjuntura, é algo bastante compreensível.
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Quando percebi o erro, já haviam votado na enquete, então não é mais possível corrigi-lo. Mas fica aqui a correção.