Se tem uma coisa que realmente me tira do sério é ser chamado de "moralista". Esse adjetivo me causa um repúdio instintivo, mais até do que os caricatos "reaça" e "direitão" com o quais sou geralmente brindado, e que me provocam mais riso do que raiva. Sei que às vezes pode parecer que sou isso mesmo, e que posso ser assim interpretado. Mas, acreditem, não tenho nada de moralista, pelo menos não na acepção corrente do termo. Tenho, aliás, fortes razões para não ser. Acompanhem-me, por favor.Este é um blog assumidamente do contra. Contra a burrice, a acomodação, o conformismo, o infantilismo, a ingenuidade, a abobalhação e a estupidez que ameaçam tomar conta do País e do Mundo. Seja livre. Seja do contra. - "A ingenuidade é uma forma de insanidade" (Graham Greene)
segunda-feira, junho 22, 2009
NÃO SOU MORALISTA - POR ISSO REPUDIO A MORAL DELES
Se tem uma coisa que realmente me tira do sério é ser chamado de "moralista". Esse adjetivo me causa um repúdio instintivo, mais até do que os caricatos "reaça" e "direitão" com o quais sou geralmente brindado, e que me provocam mais riso do que raiva. Sei que às vezes pode parecer que sou isso mesmo, e que posso ser assim interpretado. Mas, acreditem, não tenho nada de moralista, pelo menos não na acepção corrente do termo. Tenho, aliás, fortes razões para não ser. Acompanhem-me, por favor.segunda-feira, junho 15, 2009
Mais uma do Apedeuta, o sábio de Banânia: luta pela democracia no Irã, para ele, é como um jogo entre Vasco e Flamengo...
Polícia reprime manifestante no Irã: para Lula, isso é apenas uma questão de vascaínos versus flamengistas *
sexta-feira, junho 12, 2009
OBAMA E O ISLÃ (OU: QUANDO O EXTREMO VIRA A NORMA)

Há uma conexão fascinante entre o que o presidente Barack Obama disse sobre véus muçulmanos para mulheres em seu discurso de 4 de junho no Cairo e o debate sobre os prisioneiros de Guantánamo liberados que têm sido desde então encontrados, ou encontrados de novo, nas fileiras do Talibã e da Al-Qaeda. Não tente adivinhar, mas, por favor, leia.
Desde que o ex-vice-presidente Dick Cheney fez a maioria das manchetes do New York Times de 21 de maio, usando estatísticas do Departamento de Defesa para sugerir que um em cada sete detentos de Guantánamo tinha “voltado ao terrorismo ou à atividade militante”, tem havido uma enorme discussão sobre se isso é verdadeiro e, se é, por que é. Pode não ser o caso, por exemplo, de que uma pessoa inocente que passou pela experiência de Guantánamo possa tornar-se “radicalizada” e decidir juntar-se às fileiras da jihad pela primeira vez?
A última explicação certamente não é verdadeira para vários dos reincidentes que têm sido positivamente identificados; conhecemos o passado e o presente de alguns desses personagens. Em minha própria visita a Guantánamo, deram-me uma lista – oficialmente com somente 11 nomes – de ex-militantes do Talibã como Abdullah Mehsud, detido em fevereiro de 2002 e liberado em março de 2004, que mais tarde preferiu se matar a não se render às forças de segurança paquistanesas. Se é uma ofensa à justiça manter presas pessoas que podem ter sido vítimas de erro de identificação ou de vingança de outras facções, então é também uma ofensa à justiça liberar assassinos psicopatas que acreditam ter permissão divina para jogar ácido nos rostos de meninas que querem ir à escola.
Entretanto, se cremos ser provável ou possível que um homem somente se transmudaria em tal monstro depois de passar pela experiência de Guantánamo, então eu posso sugerir um motivo pelo qual isso possa ocorrer. Nada me preparou para a maneira como as autoridades no campo de Guantánamo permitiram aos devotos religiosos mais extremados entre os detentos serem os organizadores da rotina diária dos prisioneiros. Suponha que você fosse uma pessoa secular ou não-fanática apanhada na rede por engano; você ainda se acharia obrigado a rezar cinco vezes por dia (os guardas não têm permissão de interromper), a ter um Corão em sua cela e a comer alimentos preparados pelos padrões do halal (ou Sharia). Suponho que você poderia pedir para abster-se, mas, nesse caso, eu não apostaria muito em suas chances. Os oficiais em comando estavam tão contentes por causa da habilidade deles de exibir suas mentes extremamente abertas a respeito do Islã que eles pareceram quase magoados quando eu os indaguei como eles justificavam o uso do dinheiro do contribuinte para criar uma instituição dedicada à prática fervorosa da versão mais extremada de apenas uma religião. À imensa lista de motivos para fechar Guantánamo, acrescente esse: é uma madraçal patrocinada pelo Estado.
A mesma insistência quase masoquista em tomar o extremo como norma também esteve presente no discurso suavemente pronunciado de Obama na capital egípcia. Algo do que ele disse foi bem-intencionado, ainda que mal-informado. Os Estados Unidos não deveriam ter derrubado o governo eleito do Irã em 1953, mas quando o fizeram, usaram mulás e aiatolás subornados para açular o sentimento anti-comunista contra um regime secular. O governo de John Adams no Tratado de Trípoli de 1796 de fato proclamou que os Estados Unidos não tinham nenhuma rixa com o Islã como tal (e, ainda mais importante, que os Estados Unidos em si não eram uma nação cristã), mas o tratado fracassou em impedir os estados da Berberia em invocarem o Corão como permissão para raptar e escravizar viajantes dos altos mares, e assim Thomas Jefferson foi mais tarde obrigado a enviar uma frota e os Fuzileiros Navais para dar cabo do comércio. Espera-se que Obama não prefira Adams a Jefferson a esse respeito.
Qualquer pessoa com a menor pretensão ao alfabetismo cultural sabe que não há tal lugar ou coisa chamada “o mundo muçulmano”, ou, ao invés disso, que este consiste em muitos lugares e em muitas coisas. (É precisamente o objetivo dos jihadistas colocá-lo todo sob um domínio preparatório para tornar o Islã a única religião do mundo.) Mas Obama não disse nada sobre o cisma entre sunitas e xiitas, ou sobre o debate sobre o sufismo, ou sobre as formas Ahmadi e ismaelita de culto e prática. Tudo isso foi reunido na umma: a noção altamente ideológica de que uma pessoa é antes de tudo definida por sua adesão a uma religião e de que todos os conceitos de cidadania e direitos estão em segundo lugar em relação a esse diktat teocrático. Nada poderia ser mais reacionário.
Tomem o único caso em que nosso presidente tocou o fato mais conhecido sobre o “mundo” islâmico: sua tendência em fazer das mulheres cidadãos de segunda classe. Ele mencionou isso somente para dizer que os “países ocidentais” estavam discriminando as mulheres muçulmanas! E como essa discriminação é imposta? Ao se limitar o uso do véu de cabeça ou hijab (uma palavra que Obama pronunciou como hajib – imaginem a gritaria se George Bush tivesse feito isso). A implicação clara foi um ataque à lei francesa que proíbe o uso de objetos ou símbolos religiosos nas escolas públicas. De fato, no dia seguinte em Paris, Obama tocou nesse assunto ainda mais explicitamente. Faço uma citação de um excelente comentário de um professor visitante argelino-americano na Faculdade de Direito da Universidade de Michigan, Karima Bennoune, que diz:
Acabei de publicar uma pesquisa conduzida entre muitas pessoas de ascendência muçulmana, árabe e norte-africana na França que apóiam a lei nacional de 2004 banindo símbolos religiosos em escolas públicas, que eles vêem como um desdobramento necessário da “lei da república” para conter a “lei dos irmãos”, uma regra informal imposta não-democraticamente a muitas mulheres e meninas em vizinhanças e em casa e por fundamentalistas.
Mas para as mulheres que são obrigadas a se vestirem de acordo com as exigências de outros, Obama não teve nada a dizer absolutamente, como se o único “direito” em jogo fosse o direito de obedecer uma instrução que, de fato – se isso tem alguma importância – não é encontrada no Corão. Na Turquia, também, véus de cabeça para mulheres são proibidos pela lei em alguns contextos. Isso é, também, islamofobia? O presidente pensa que o véu e a burca também são declarações de moda livremente escolhidas? Esse tipo de ingenuidade é preocupante, e significa que entre a platéia muçulmana global, o tipo errado de gente estava rindo de nós, enquanto os que deveriam ser nossos amigos e aliados estavam vertendo uma lágrima de desapontamento.
segunda-feira, junho 08, 2009
"YES, HE CAN"... OBAMA, O NOVO DEMIURGO DA ESQUERDA MUNDIAL

Procurei nos jornais e revistas, além da internet, alguma análise mais crítica, ou, pelo menos, menos servil sobre o discurso de Obama. Com exceção do Reinaldo Azevedo e do Diogo Mainardi, não encontrei nada, nadinha. Este último, aliás, escreveu na VEJA um dos textos mais lúcidos que eu li nos últimos tempos, uma análise concisa e demolidora do enorme vazio intelectual que perpassa a retórica obamista (veja no final do post). Tirando esses dois arautos da "direita" midiática - logo, espiões da CIA e do imperialismo ianque, além de dedos-duros da ditadura militar de 64 e lacaios de Wall Street e do General Pinochet, segundo nossas esquerdas, elas sim donas da verdade e da razão -, só encontrei, ao invés de crítica, muita louvação, muita babação de ovo e sabujice. Tudo embalado por um "Discurso histórico de Obama inaugura nova relação com mundo árabe" aqui, um "Obama propõe novo começo nas relaçoes com o Islã" acolá, e outros chavões do tipo, junto com as louvações de praxe.
"Novo começo", é? Sei... A quase totalidade da imprensa mundial (a mesma "mídia burguesa" e "de direita", lembram?), ao que parece, jogou às favas o espírito crítico e comprou gostosamente a gigantesca operação de marketing que é Obama, e tem assinado embaixo de toda e qualquer palavra ou ação sua, ainda que seja - como, de fato, é (vide Afeganistão, por exemplo) - apenas mais um pouco do mesmo, com uma roupagem change. Obama, o novo Messias, está em plena campanha de relações públicas junto aos países árabes e muçulmanos, e é nesse contexto que deve ser entendido seu discurso no Cairo. Até aí, nada demais. Qual o problema, então? O problema, atentai leitor!, é que o discurso de Obama não passou de uma coleção de platitudes e lugares-comuns sobre o Islã e os muçulmanos, ditos com aquele vazio grandiloquente que tanto o caracteriza e que parece encantar as redações dos jornais aqui e alhures. Mais: incorreu em erros históricos, quando, ao tentar qualificar o Islã como uma "religião de paz", apelou para um passado mítico islâmico, de suposta harmonia e tolerância com outras crenças, inclusive de luminosidade científica e intelectual - tese desmentida de forma cabal pela História (vide a expansão islâmica a partir do século VII e a ocupação da Península Ibérica, feitas todas na ponta da espada), bem como todos os dias pelo noticiário (onde estão os "moderados" líderes islâmicos na hora de condenar, sem ambiguidade, os atentados terroristas do Hamas e do Hizbollah?). Mais ainda: serviu para reforçar os argumentos dos que odeiam os EUA e o Ocidente, ao transmitir a noção de que não haveria terrorismo islamita se não fosse por causa dos... EUA e do Ocidente! Enfim, uma mistura de anacronismo histórico com o velho Blame America First. Uma empulhação total.
Nada disso, é claro, importa para nove em cada dez meios de imprensa. Afinal, foi ela, a grande imprensa norte-americana ("burguesa", "de direita" etc.) que pariu e amamentou o mito Obama, deixando de cumprir seu papel básico de apurar sobre seu passado e suas relações - políticas e pessoais - até agora mal-explicadas com figuras sinistras como Bill Ayers e Jeremiah Wright para se debruçar sobre os vestidos e penteados de Sarah Palin, como demonstra de forma bastante didática o jornalista (ainda sobraram alguns) Bernard Goldberg, em seu livro imperdível A Slobbering Love Affair: The True (and Pathetic) Story of the Torrid Romance Between Barack Obama and the Mainstream Media (numa tradução livre: Um Caso de Amor Babão: A Verdadeira e Patética História do Tórrido Romance Entre Barack Obama e a Grande Imprensa). Não é surpresa, portanto, que discursos como o do Cairo já nasçam "históricos" antes mesmo de serem pronunciados, mesmo que se baseiem, como de fato se baseiam, numa interpretação completamente mitológica e falseada do Islã e de sua História.
Isso se aplica também a qualquer coisa que Obama faça em política externa. Quem não se lembra dos acenos de Obama à teocracia islamita do Irã do louco Mahmoud Ahmadinejad, o mesmo que esnobou o convite do Itamaraty para visitar o Brasil no mês passado? Pois este já respondeu prontamente à política de "mão estendida" da Casa Branca... intensificando seu programa nuclear e testando um míssil capaz de atingir Israel! Outro louco, o ditador Kim Jong-il da Coreia do Norte, provavelmente estimulado pelas sábias palavras de paz e concórdia de Obama, também se aproveitou desse "novo momento" das relações dos EUA com o restante do mundo, anunciada com pompa e fanfarra pelo demiurgo Obama, lançando mísseis e ameaçando o mundo com a arma atômica. E os assasinos e terroristas do Hamas, certamente, devem estar se sentindo o máximo depois de terem sido colocados no mesmo nível político dos malvados israelenses pelo presidente dos EUA - e de terem visto o New York Times aplaudir entusiasticamente isso.
Barack Obama, em sua viagem ao Egito, tentou reconciliar o mundo maometano com os Estados Unidos. Em vez de bombardear os terroristas com um Predator, ele os bombardeou com platitudes: "O ciclo de suspeita e desentendimento tem de acabar... Estou aqui em busca de um recomeço... Baseado no interesse mútuo e no respeito mútuo... Em princípios comuns – princípios de justiça e de progresso, de tolerância e de dignidade para todos os seres humanos". Dá até para imaginar um carrasco pashtun, subitamente iluminado pelo discurso de Barack Obama, largando suas pedras, um instante antes de apedrejar uma adúltera.
Respondendo a quem não merece (ou: um pouco de pérolas aos porcos)

Paulo, você tem razão. Carlos Mariguella - e Lamarca, e todos os demais que praticaram assaltos, seqüestros e assassinatos nos anos 60 e 70 - não era terrorista. Era, na verdade, um grande mentiroso. Senão, não teria escrito coisas como:
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E eu, claro, sou um imbecil.
Um abraço.
quinta-feira, junho 04, 2009
quarta-feira, junho 03, 2009
Cuba de volta à OEA: vitória do lobby pró-tirania, derrota da democracia
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segunda-feira, junho 01, 2009
LOBOS EM PELE DE CORDEIRO

Já escrevi aqui várias vezes que essa dicotomia entre duas esquerdas - uma radical e outra moderada; uma revolucionária e outra reformista; ou, como virou moda dizer, uma "carnívora" e outra "vegetariana" - é um dos maiores engodos que já apareceram em todos os tempos. Tão forte é essa tese que até mesmo críticos contumazes dos delírios e fantasias esquerdistas, como o escritor peruano Mario Vargas Llosa, que esteve na Venezuela há alguns dias para participar de um colóquio sobre liberdade, se deixaram levar por ela, rasgando-se em elogios à suposta moderação do governo Lula, em comparação com a "revolução bolivariana" de Chávez e companhia. Que a revista semanal mais "direitista" do Brasil tenha engolido a isca não é algo, portanto, surpreendente.
Não sei se Mario Vargas Llosa e os editores de VEJA leram Gramsci. Também não sei se sua crença em uma esquerda responsável e moderada seria fruto de uma análise acurada da realidade ou de wishful thinking - acredito que seja este último caso o mais provável. Na verdade, por trás do aparente antagonismo esquerda carnívora-esquerda vegetariana (ou herbívora, como seria mais apropriado chamá-la), o que se esconde é tão-somente uma tentativa de, como se diz no Oriente, "salvar a face" da esquerda, cujas teses principais caíram por terra depois da queda do Muro de Berlim, em 1989. Uma grande enganação, enfim.
A primeira coisa a ser sublinhada é que a adesão de uma parte da esquerda à ortodoxia econômica e à responsabilidade fiscal não significa nenhuma evolução genuína, pelo simples motivo de que tal adesão não se deu de dentro para fora, mas de fora para dentro. Foi, dito de outro modo, uma imposição da realidade, e não uma ruptura verdadeira, decorrente de um gesto de coragem ou inteligência. Não é preciso coragem, nem inteligência, para saltar de um barco que está afundando. Era esse exatamente o caso do modelo socialista, marxista-leninista, no final dos anos 80. Pular fora dessa canoa furada foi o, por assim dizer, "mérito" do pragmatismo lulista, que tanto encanta empresários agradecidos - e iludidos -, os mesmos que não se importam com o fato de a China ser um sistema totalitário, desde que "funcione" economicamente. Em resumo: se os petistas deixaram de lado as teses marxistizantes e abraçaram a economia de mercado, não foi por nenhum compromisso deontológico, mas por puro oportunismo político e vigarice intelectual - ou alguém duvida que, se os ventos soprassem favoravelmente na direção do estatismo leninista, e não do capitalismo liberal, os petistas estariam, até hoje, defendendo a expropriação das grandes empresas multinacionais estrangeiras? Com a economia mundial marchando de vento em popa, era conveniente adotar uma postura favorável aos negócios e à livre iniciativa. A questão é: numa situação de crise, como a que o mundo vive atualmente (lembram da marolinha? pois é...), o que impede os cumpanhêru de promoverem uma recaída estatista?
Tanto em relação à economia quanto no tocante à democracia, o que houve foi uma conversão sem confissão, nem arrependimento. Ou seja: uma falsa conversão, motivada apenas por conveniências políticas. Os petistas jamais se arrependeram publicamente dos anos de demagogia antiliberal, em que não passava um dia sem que Lula ou algum outro caudilho esquerdista esbravejasse contra a política econômica de FHC e do FMI etc. e tal. Por que, agora, devemos dar crédito ao que dizem? (Só para comparar: imagine se os nazistas reaparecessem dizendo-se convertidos à democracia e aos direitos humanos, mas sem confessar nem se arrepender de seus crimes; essa "conversão" seria levada a sério?).
Não é assim porque eu quero. Lula e sua camarilha já deram mostras de sobra de que estão se lixando para a democracia, assim como estão se lixando para a ética (aí estão o mensalão e os delúbios da vida para comprovar isso). Apenas a título de exemplo, basta lembrar que praticamente não passa um dia sem que não se veja alguma tentativa por parte de algum ministro petista de controlar, regular, manietar a sociedade. Idem para as articulações para o terceiro mandato. Se Lula e os petistas não rasgam a Constituição e instalam de vez um regime ditatorial no Brasil, não é porque não queiram - é porque (ainda) não podem. Querem saber qual o modelo de Estado ideal e de sociedade ideal para os esquerdistas? Olhem para Cuba ou para a Venezuela.
Há uma grande diferença entre conversão - que implica, necessariamente, abjurar e arrepender-se da crença anterior - e uma operação plástica. Como demonstram Dilma Rousseff e o PT, é dessa última que se trata, quando se fala de uma esquerda "responsável" e "vegetariana". Eles mudaram, sim - mas não por dentro.
Jogando um osso para um leitor muito ético

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sexta-feira, maio 22, 2009
Saiba um pouco mais sobre Farouk Hosny, o candidato apoiado pelo Brasil para dirigir a UNESCO...

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Quem declarou, em abril de 2001: “Israel jamais contribuiu para a civilização em qualquer época que seja, pois jamais fez mais do que se apropriar do bem dos outros” – e reiterou dois meses depois: “A cultura israelense é uma cultura inumana; é uma cultura agressiva, racista, pretensiosa, que se baseia em um princípio muito simples: roubar o que não lhe pertence”?
Quem explicou em 1997, e o repetiu depois em todos os tons, que era “o inimigo ferrenho” de toda tentativa de normalização de relações de seu país com Israel? Ou ainda, em 2008, quem respondeu a um deputado do Parlamento egípcio que se alarmava que livros israelenses pudessem ser introduzidos na biblioteca de Alexandria: “Queimemos esses livros; se eu os encontrar, eu mesmo os queimarei na sua frente”?
Quem, em 2001, no jornal Ruz Al-Yusuf, disse que Israel era “ajudado”, nas sombras, pela “infiltração de judeus na mídia internacional” e por sua habilidade diabólica de “espalhar mentiras”? A quem devemos essas declarações insensatas, esse florilégio do ódio, da burrice e do conspiracionismo mais descarado?
INCENDIÁRIO DE CORAÇÕES
A Farouk Hosni, ministro da Cultura egípcio há mais de quinze anos e, sem dúvida, o próximo diretor-geral da UNESCO se nada for feito antes de 30 de maio, data de encerramento das candidaturas, para deter sua marcha irresistível rumo a um dos postos de responsabilidade cultural mais importantes do planeta.
Pior: as frases que acabamos de citar são só algumas – e não as mais nauseabundas – das inumeráveis declarações de mesmo teor que marcam a carreira de Farouk Hosni há uma quinzena de anos, e que, por conseguinte, o precedem quando ele postula um papel cultural federativo na escala do mundo contemporâneo.
A evidência é assim clara: Farouk Hosni não é digno desse papel; Farouk Hosni é o contrário de um homem de paz, de diálogo e de cultura; Farouk Hosni é um homem perigoso, um incendiário de corações e de espíritos; resta muito pouco tempo para evitar que se cometa o erro maior que seria a elevação de Farouk Hosni a esse posto eminente entre todos.
Apelamos assim à comunidade internacional a se poupar da vergonha que seria a designação, já dada por quase certa pelo próprio interessado, de Farouk Hosni ao posto de diretor-geral da UNESCO. Convidamos todos os países amantes da liberdade e da cultura a tomar as iniciativas que se impõem a fim de conjurar essa ameaça e de evitar à UNESCO o naufrágio que constituiria essa nomeação.
Convidamos o próprio presidente egípcio, em lembrança de seu compatriota Naguib Mahfouz, Prêmio Nobel de Literatura, que deve, a essa hora, se revirar em sua tumba, nós o convidamos, pela honra de seu país e da alta civilização da qual ele é herdeiro, a tomar consciência da situação, a desabilitar urgentemente seu ministro e a retirar, em todo caso, sua candidatura. A UNESCO cometeu, certamente, outros erros no passado – mas essa impostura seria tão enorme, tão odiosa, tão incompreensível, seria uma provocação tão manifesta e tão manifestamente contrária aos ideais proclamados da Organização que ela não se ergueria mais. Não há um minuto a perder para impedir que seja cometido o irreparável.
É preciso, sem demora, apelar à consciência de cada um para evitar que a UNESCO caia nas mãos de um homem que, quando ouve a palavra cultura, responde com um auto-de-fé.
Bernard-Henri Lévy, filósofo ;
Claude Lanzmann, cineasta e diretor da revista Les Temps modernes ;
Elie Wiesel, escritor e Prêmio Nobel da Paz em 1986.
terça-feira, maio 19, 2009
WILSON SIMONAL, UM CASO EXEMPLAR DE PERSEGUIÇÃO IDEOLÓGICA NO "SHOW BUSINESS" BRASILEIRO

Não gosto da música de Simonal e, mesmo se gostasse, não é da minha época. Inclusive, não simpatizo com a figura. Acredito mesmo que o rótulo que recebeu, de arrogante e deslumbrado com a fama, não seja totalmente falso. Se vivesse hoje e tivesse o mesmo sucesso que chegou a alcançar em seu período áureo, é provável que Simonal estivesse tocando em algum grupo de pagode, coberto de jóias, com os cabelos descoloridos e agarrado a alguma loura, siliconada e oxigenada. Também não tenho a pretensão de dizer aqui que ele foi uma espécie de anjo: o erro que cometeu, e que selaria seu destino, só pode ser visto, ainda hoje, como uma canalhice. Mas nada disso diminui o fato de que ele foi, sim, com todos os seus defeitos, vítima de uma das mais insidiosas, desproporcionais e, no fim, injustas campanhas de calúnia e difamação já montadas pela gigantesca máquina de propaganda esquerdista que se instalou no Brasil, sobretudo no terreno artítistico e cultural. Daí porque o filme, que o reabilita, vale a pena ser visto.
Simonal era um artista que não se incomodava em cantar, cheio de ginga e "pilantragem", País Tropical, de Jorge Benjor (então apenas Jorge Ben), em plena época do ufanismo da ditadura militar. Cantava as glórias das belezas naturais do País e da seleção canarinho na Copa de 70 - com a qual viajou para o México, ao lado de Pelé -, sem dar a menor bola para a pecha, então em voga, de "alienado". Fazia música para divertir, no que era bastante competente, não para "conscientizar" ou "de protesto". Isso, por si só, o colocou na lista negra dos artistas "malditos" pela esquerda, que, com Chico Buarque à frente, passou a monopolizar a cultura "pensante" no Brasil. Era alguém feito sob medida para ser enterrado em vida caso fizesse uma besteira. Quando a fez, a esquerda se banqueteou.
Além do mais, no linchamento a que foi submetido coube também um forte elemento de preconceito racial. Simonal era negro (ou afro-brasileiro, como queiram). Mais que isso, viera da pobreza (era filho de empregada doméstica). Isso o levava a destoar ainda mais do estereótipo cultuado pelas esquerdas. Era negro e nascera pobre, mas não fazia o gênero coitadinho, vítima de preconceito, tão ao gosto do "movimento". Também não erguia nenhuma bandeira de luta, do tipo black power ou a favor de cotas raciais, por exemplo. Pelo contrário: com o dinheiro que conseguiu, fazia questão de ostentar sua riqueza. Roberto Carlos tinha um carrão? Pois Simonal tinha três Mercedes na garagem. E fazia questão que todos soubessem. Como também adorava se exibir com suas namoradas (quase todas, brancas). Às críticas, Simonal respondia, sorrindo: "ninguém sabe o duro que dei" (daí o título do documentário). Um negro que canta músicas alienadas e que gosta de exibir luxo e riqueza? E que ainda por cima transa com brancas? Aí é demais, pensaram os bem-pensantes de nossa esquerda festiva, em geral brancos e bem-nascidos.
O estereótipo do "negro arrogante", deslumbrado com a fama e com tudo que esta e o dinheiro podem trazer - carrões, ostentação, mulheres - caiu em Simonal como uma luva, servindo à perfeição para a máquina de demolir reputações da esquerda. O Pasquim, em particular, com Ziraldo e Jaguar à frente, não lhe deu trégua. Outros nomes da cultura nacional, como Nelson Rodrigues, Gilberto Freyre e José Guilherme Merquior, foram alvos da artilharia esquerdista, mas Simonal foi simplesmente destruído (também, pudera: era um alvo muito mais fácil). A polícia do pensamento esquerdista, que hoje está nos gabinetes oficiais, não se contentou em difamá-lo - ainda há quem pense que ele pessoalmente torturou prisioneiros... -; era preciso mais: era preciso calá-lo para sempre. Era preciso sepultá-lo vivo.
A morte em vida de Wilson Simonal é mais um exemplo didático de como a esquerda brasileira, que na mesma época era censurada pelo regime militar, não hesita em utilizar métodos ditatoriais e stalinistas para se livrar de figuras incômodas. Ao mesmo tempo em que a "direita" - representada pelos militares - punha-os na cadeia, os esquerdistas tupiniquins trataram de impor, praticamente sem serem incomodados, sua ditadura ideológica no terreno da cultura, desde as universidades até o show business. Assim, a música de massas, malgrado seu óbvio apelo comercial, tornou-se, ela também, uma trincheira da "luta contra a ditadura". Criou-se mesmo uma sigla - MPB - para designar esse "movimento" representado pelos Chicos Buarques e Geraldos Vandrés, que, apesar do "popular" no rótulo, era consumida principalmente pelas elites instruídas e pela classe média dourada de Ipanema e de Copacabana. Música, para esse pessoal, só se fosse cabeça, "de protesto", cheia de metáforas e com manual de interpretação. Simonal estava em outra.
Enquanto Simonal era silenciado pela patrulha ideológica esquerdista, o povão não estava nem aí para esses marxistas de galinheiro e revolucionários de opereta. O povão gostava mesmo é de Wilson Simonal, de Waldick Soriano, enfim, de cantores "bregas" e "alienados". Por não ser da turma, Simonal pagou um alto preço. A esquerda, que monopoliza a cultura dita "alta" no Brasil, jamais o perdoou. Não por ter feito uma besteira. Mas por não ser um deles. Nâo podendo cooptá-lo, destruíram-no.
segunda-feira, maio 18, 2009
ELES ESTÃO SE LIXANDO

segunda-feira, maio 11, 2009
O MINISTRO MACONHEIRO




