terça-feira, março 10, 2009

AINDA OS DEFENSORES DA BARBÁRIE - A SEDE DE SANGUE DE UM LEITOR ANARQUISTA

Portão de entrada do campo de extermínio de Auschwitz: há quem ache que um novo Holocausto faria bem para a humanidade...

O leitor anarquista que louva o terrorismo do Hamas contra Israel - na verdade, contra a humanidade - não desistiu ainda de fazer o elogio do genocídio ("Que jorrem rios de sangue" etc.). Escrevendo sobre meu texto "Cruzando a linha: mais um leitor justifica a barbárie terrorista", ele comete o seguinte comentário singelo:
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Suas considerações estão corretas, exceto no ponto que quero unicamente a destruição de Israel. Meu comentário (aqueles que tiverem a curiosidade leiam abaixo) foi em defesa do movimento e contra o Estado. Desta forma, sou contra o Irã, Brasil e futuramente o Hamas, quando este constituir um Estdo próprio. Não existe ideal algum pelo bem individual e bla bla bla sem sentido sobre a genealogia de uma moral ou um mundo idílico e melhor. O homem tem uma natureza má e através das épocas promove revoluções em pró de mudanças, sejam elas boas ou ruins. Não colocamos uma burguesia nojenta no poder através da revolução Francesa? Agora devemos derrubá-la e colocar algo diferente, que ninguém ainda tentou. Nada de comunismo ou socialismo. Apenas algo novo que derrube este estado permanente em que estamos...
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Traduzindo, o que está ai em cima é o seguinte:
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- O leitor é contra toda forma de Estado, pois é anarquista;
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- Israel é um Estado, assim como o Brasil;
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- Logo, segundo o leitor, Israel deve ser destruído.
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Mais:
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- O Hamas (e o Hezbollah, e o Irã) juraram destruir Israel;
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- Logo, as bombas e atentados dos islamofascistas contra Israel, inclusive a morte e mutilação de velhos, mulheres e crianças, é algo bom e positivo.
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Em outras palavras: segundo o, por assim dizer, raciocínio do leitor, Israel deve ser destruído, aniquilado, riscado do mapa, e sua população deve virar fertilizante - e isso é algo bom, louvável, progressista. O terrorismo fundamentalista islamita, ainda de acordo com essa visão, seria uma força revolucionária positiva, pois prepararia o terreno para novas e futuras revoluções - e assim por diante, indefinidamente, até culminar na abolição dessa instituição funesta, o Estado. Isso porque o que importa é o "movimento", que seria sempre progressista e caminharia no sentido da extinção do Estado por revoluções sucessivas, num ciclo interminável. Assim, o extermínio da população israelense, quiçá numa revolução islâmica como a que ocorreu no Irã, cumpriria uma função histórica a serviço desse ideal (o leitor admite que não "quer unicamente" a destruição de Israel - ah, bom...). Uma função libertária, portanto...
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Logo, em vez de nos indignarmos com o que o Hamas quer fazer com a população israelense, em vez de nos horrorizarmos com cada atentado com homem-bomba contra civis indefesos, deveríamos torcer para que os fanáticos islamitas atinjam seu objetivo de transformar Israel numa pilha de ossos, para futuramente nos opormos ao Hamas, "quando o Hamas constituir seu Estado" (como se o Hamas já não tivesse implantado seu Estado teocrático na Faixa de Gaza desde 2006, inicialmente por eleições e depois por meio de um banho de sangue...).
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Genial, não é mesmo? O novo Holocausto, a morte de milhões de pessoas, uma coisa positiva... Isso porque a extinção de alguns milhões de seres humanos daria lugar a "algo diferente, que ninguém nunca tentou"... O quê, exatamente? Não importa. O importante é que o "movimento" apontaria sempre na direção de um futuro radioso de Liberdade e Igualdade, onde, após muito derramamento de sangue e sofrimentos inomináveis, finalmente não haveria mais opressão e todos viveriam felizes para sempre... Afinal, se a "burguesia nojenta" tomou o poder na França em 1789, por que não o proletariado, ou o que quer que seja chamado por esse nome, não poderia também fazer sua revolução e derramar alguns milhões de litros de sangue - e sangue judeu, ainda por cima - em nome do porvir? É... Aí estão os exemplos da Alemanha nazista e da URSS de Stálin, sem falar no Irã dos aiatolás, para provar que as revoluções são mesmo o caminho para construir o paraíso na Terra... Pelo visto, o Hamas é mesmo uma força revolucionária a serviço da liberdade do homem, assim como são também o Comando Vermelho e o PCC - afinal, eles também lutam contra o Estado, não é mesmo?
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Somente uma coisa me intriga: se o distinto leitor anti-Israel e fã da Anarquia vê com tanta simpatia a luta do Hamas, por que não se engaja de cabeça nela? Fica aqui uma sugestão: para ser coerente com seu libertarianismo, o leitor deveria ir para Israel e dar sua contribuição ao "movimento", amarrando uma carga de TNT na cintura e indo pelos ares num mercado israelense lotado, gritando "Viva a Anarquia!" (ou "Viva a barbárie", dá na mesma...). Talvez ele não vá para o Paraíso deleitar-se com 72 virgens, como creem os fanáticos do Hamas, mas certamente estaria sendo coerente com seu ideal de um mundo com um Estado - e um povo - a menos... Se quiser, eu pago a passagem.
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Certa vez eu li uma definição de revolucionário que nunca esqueci. Era assim: um revolucionário é um sujeito que se acha o dono da chave da História e que está disposto a cometer o mal no presente em nome de um bem hipotético no futuro. Isso vale não só para os os totalitários, como os comunistas, os nazistas e os islamofascistas, mas também para os anarquistas, os auto-proclamados defensores da liberdade. Para todos os que querem um banho de sangue, enfim.
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O CAMINHO PARA O INFERNO ESTÁ PAVIMENTADO PELOS OSSOS E PELO SANGUE DE MILHÕES QUE PERECERAM NAS MÃOS DE QUEM PROMETEU O PARAÍSO. COMO É FÁCIL CONDUZIR, EM NOME DE UM IDEAL ABSTRATO, À OPRESSÃO, AO CRIME E AO ASSASSINATO CONCRETOS...

sexta-feira, março 06, 2009

RAZÕES DE UMA OBSESSÃO

Hitler e Stálin: ditadores e cúmplices, mas muitos ainda repudiam
apenas um dos dois. A questão é saber por quê.


Eu sou um obsessivo. Sou o primeiro a reconhecer e a proclamar esse defeito (será defeito?) de minha personalidade. Admito que meus temas favoritos de discussão, assim como certos gostos pessoais, artísticos ou culinários, são da preferência de pouquíssimas pessoas. A maioria prefere discutir sobre futebol, ou fofocar sobre os parentes e os colegas de trabalho, ou jogar conversa fora. Eu, não. Esses assuntos me entediam. Se eu tiver a chance, debato um assunto apenas: política. E, dentro da política, tenho uma ideia fixa: o comunismo.
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Ninguém quer discutir sobre o comunismo, eu sei. Assim como poucas, pouquíssimas pessoas mesmo, se dispõem a debater sobre política a sério, fugindo da banalidade de uma conversa de botequim. Também sei que, para a maioria das pessoas, o assunto é árido, chato mesmo, e não combina muito com uma mesa de bar. Ninguém quer perder suas horas de lazer pensando e debatendo sobre coisas como totalitarismo, stalinismo, maoísmo e outros ismos que, segundo uma visão anestésica e reconfortante que já virou lugar comum, pertencem ao passado apenas. Para que remexer nesses esqueletos? É aí que eu entro: com minha mania de ser "do contra", corro o risco de parecer maluco dizendo que os comunas não desapareceram da face da terra coisa nenhuma. Pelo contrário, a cada dia que passa, eles ocupam cada vez mais espaço na vida cultural e cotidiana, de forma quase imperceptível, como demonstram o governo Lula e o Foro de São Paulo etc. Enfim, recordo, pondero, me exalto, analiso. Claro que isso só me traz dissabores, reforçando minha fama de pessoa obcecada e paranóica, sem falar em polêmica e persistente, o que me afasta da maioria, com sua obsessão - ops! - em parecer correta, "normal". Mas não me importo. Como dizia Nelson Rodrigues, outro obcecado, o que somos é a soma de nossas obsessões. Além do mais, só as mentes obsessivas me interessam. Os cucas frescas, os que não ligam para nada, os que acham tudo normal, os que estão sempre sorrindo, os que não se inflamam, são tão vazios quanto suas cabeças. Ninguém se lembrará deles pelo que pensam. Simplesmente porque escolheram não pensar em nada.
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Nas últimas semanas, alguns fatos contribuíram para reforçar ainda mais essa minha obsessão pelo - na verdade, contra - o comunismo em particular e as ideologias totalitárias em geral. Refiro-me à farsa da brasileira Paula Oliveira, que confessou ter inventado a estória da agressão por um grupo de skinheads neonazistas na Suiça, e à discussão sobre o antissemitismo, reavivada pelo caso do arcebispo católico inglês Richard Williamson, expulso da Argentina e ameaçado de excomunhão por negar o Holocausto numa entrevista a uma TV sueca no ano passado. O que esses dois casos têm a ver com minha fixação anticomunista e antitotalitária? Já vou chegar lá. Antes, quero me concentrar no que eles têm em comum.
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O caso de Paula, como se sabe, foi um vexame nacional, com a revelação de que a advogada não foi atacada por neonazistas coisa nenhuma, nem estava grávida, e que inventou a estória toda, sabe-se lá por que motivo obscuro. O caso foi um constrangimento porque a mídia e o governo brasileiro o tomaram desde o início como verdadeiro, baseando-se tão-somente no testemunho de um lado apenas, deixando de consultar o governo suiço e dispensando maiores verificações. O Itamaraty, inclusive, acrescentou mais uma gafe em sua lista de fanfarronices patrioteiras, ao ameaçar, com estardalhaço, levar o caso à ONU e tudo o mais. Durante alguns dias, os brasileiros ficaram horrorizados e revoltados com o que seria - ninguém prestou atenção ao condicional - um caso de xenofobia e brutalidade contra uma compatriota num país europeu. Foi preciso que a própria imprensa suiça divulgasse a confissão de Paula de que armara tudo para que a onda de revolta e indignação furibunda dos brasileiros arrefecesse, e desse lugar finalmente a um sentimento de vergonha, a um silêncio acabrunhado. Ninguém - absolutamente ninguém - colocou em dúvida, por um minuto sequer, que Paula Oliveira tinha sido vítima de uma agressão neonazista na Suiça. Por quê? Porque, como disse uma famosa jornalista defensora da "imparcialidade" midiática, tentando justificar, num programa de TV, a monumental barriga da imprensa brasileira no caso, era algo "verossímil", embora não verídico... Como se o compromisso da imprensa - na verdade, de qualquer pessoa honesta - fosse não com os fatos, mas com hipóteses.
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O caso do arcebispo Richard Williamson tem algumas semelhanças com o de Paula. Assim como no caso da brasileira, a onda de indignação foi geral, desta vez pelo motivo certo - Williamson negou o Holocausto. Como não poderia deixar de ser, os inimigos da Igreja Católica, que não são poucos e não perdem uma boa oportunidade, aproveitaram para atacar o papa Bento XVI, exigindo a cabeça do bispo e denunciando a suposta leniência da Santa Sé no caso. Aproveitaram para recordar a conduta até hoje meio nebulosa do Vaticano diante do Terceiro Reich nazista e do extermínio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Como no caso de Paula, aqui também não havia necessidade de verificação. Afinal, a Igreja não é acusada, até hoje, de omissão diante da morte dos judeus pelas SS? Diante disso, as declarações claramente antissemitas de Richard Williamson caíram como uma luva. Um bispo católico negando o Holocausto? A Igreja fazendo vista grossa ao antissemitismo de um dos seus? Verossímil, sem dúvida.
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Quem quer que tenha botado um pouco a cabeça para funcionar já deve ter percebido aonde eu quero chegar. Os dois casos, com suas diferenças, tratam, no essencial, da mesma questão: o repúdio, diria eu instintivo, que qualquer pessoa decente tem pelo nazismo e pelo antissemitismo, em qualquer de suas formas. Trata-se de algo que já nos é natural, tendo sido ensinado a cada um de nós desde o pré-primário. O antissemitismo do bispo Williamson é inaceitável e causa repulsa, e não precisamos nos indagar por quê. O mesmo sentimento de horror e repúdio, porém, não costuma se repetir quando se trata de quem nega, por exemplo, os crimes de Stálin ou de Fidel Castro. Paula Oliveira, para montar sua farsa, inventou uma agressão por três neonazistas, chegando ao requinte de descrever um deles com uma suástica tatuada na cabeça. Se tivesse dito, em vez disso, que foi brutalizada por um bando de comunistas agitando bandeiras vermelhas, teriam lhe dado o mesmo crédito? Em outras palavras, uma estória assim também seria considerada, como diz Eliane Cantanhêde, verossímil?
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É aqui que entra minha obsessão anticomunista ou, se preferirem, antitotalitária, de que falei há pouco. Sim, há xenofobia na Europa, como há antissemitismo. Sim, a negação do Holocausto é uma aberração histórica. Sim, o fascismo e o nazismo são ideologias totalitárias e inimigas da espécie humana. Mas e o comunismo? Por acaso seus crimes foram menores? Não estou dizendo que se deve deixar de lembrar os horrores de Auschwitz ou de Dachau. Mas por acaso isso anula ou diminui o Gulag? Ambas as ideologias não são totalitárias?
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O contraste entre a forma como são encarados pelo senso comum o nazifascismo, de um lado, e o comunismo, em todas as suas variações, de outro, é um fenômeno que sempre me intrigou. Afinal, o comunismo matou cerca de 100 milhões de pessoas, demonstrando ser uma máquina genocida muito mais eficiente do que os campos de concentração nazistas, onde pereceram 6 milhões de judeus. Para se ter apenas uma ideia, em dois anos, 1930 a 1932, foram mortos de fome induzida cerca de 20 milhões de camponeses na Ucrânia. Em apenas um ano - 1961 - morreram, também de fome provocada pelo Estado, quase 30 milhões de chineses. E isso como parte de um plano sistemático, meticuloso, de extermínio de classes inteiras, assim como o nazismo planejou o extermínio das "raças inferiores".
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Mesmo assim, os dois totalitarismos, o de raça e o de classe, são vistos com prismas diferentes. Quem quiser ser enxotado do debate político que se declare abertamente pró-fascista ou pró-nazista. Será tratado com desprezo e com horror. Já os comunistas - igualmente totalitários, igualmente defensores de um Estado opressor e inimigos da liberdade - são tratados com respeito e reverência, ocupando posições de destaque na área cultural. Alguns deles, como José Saramago ou Oscar Niemeyer, são tidos na conta de grandes humanistas e até mesmo gênios. Por sua vez, os nazifascistas são - corretamente, nunca é demais dizer - execrados, assim como execrado é qualquer um que tenha a audácia de negar o Holocausto. Então, por que o mesmo não ocorre com quem nega a montanha de mortos deixada pelo comunismo? Por que o mesmo não acontece com os comunistas e seus simpatizantes?
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Uma parte da explicação está, claro, no fato de que as democracias ocidentais (EUA, Reino Unido, França etc.) e a URSS de Stálin foram aliados na Segunda Guerra Mundial contra o Eixo nazifascista. Isso conferiu ao comunismo uma aura de respeitabilidade e um manto de resistência ao nazifascismo que apagaram da memória coletiva a cumplicidade explícita entre os dois regimes totalitários antes da invasão da URSS pelas tropas de Hitler, em 1941. Subitamente, todos pareceram se esquecer do pacto Molotov-Ribbentrop de agosto de 1939, que dividiu a Polônia entre os dois ditadores e foi, na verdade, a causa imediata da Segunda Guerra Mundial. Como pareceram se esquecer, também, dos massacres promovidos pelo stalinismo, que continuaram durante e após a guerra. Com o detalhe adicional de que, ao contrário dos nazistas, os esbirros comunistas não deixaram muitos registros gráficos de seus crimes...
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Outro motivo da amnésia coletiva em relação às atrocidades vermelhas é que, no Brasil, estamos acostumados a ver os comunistas no papel de vítimas e perseguidos, jamais como algozes. A luta armada dos anos 60 e 70, por exemplo, ainda é vista pela maioria dos estudantes como uma forma de resistência democrática contra a ditadura militar e a favor do retorno das liberdades constitucionais, quando a verdade é que os guerrilheiros lutavam, na realidade, pela implantação de outra forma de ditadura no País - uma ditadura comunista, em nome da qual praticaram não poucos atos de terrorismo, e não só contra agentes do governo. Tais mitos estão entranhados na mentalidade coletiva brasileira, de maneira que levará muito tempo ainda para que a verdade se imponha.
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Assim como sequestraram a democracia, os comunistas sequestraram o antifascismo e o antinazismo. De fato, ninguém usa com mais frequência o termo "fascista" como xingamento do que os comunistas. Na boca de um comunista, a palavra "fascista" se dilui e se banaliza, perde completamente seu significado, sendo utilizada como mera arma de propaganda, a fim de classificar qualquer um que lhe desagrade - qualquer um que se diga anticomunista, enfim, o que inclui um leque bastante abrangente de correntes políticas, desde os fascistas propriamente ditos até conservadores, liberais e democratas. Aquele político ousou lembrar os horrores do Gulag tropical da ilha-prisão de Cuba e denunciar a tirania castrista? É um "fascista". Aquele jornalista teve a petulância de lembrar que Stalin e Mao Tsé-Tung eram dois genocidas sanguinários, responsáveis pelos piores crimes cometidos contra a humanidade em todos os tempos? É um "fascista", claro. Aquele historiador teve o desplante de comparar as ditaduras de direita, como os regimes militares da América Latina, com as ditaduras totalitárias comunistas do Leste Europeu, concluindo pela maior quantidade de mortos e pela maior brutalidade dessas últimas em relação àquelas? Só pode ser um propagandista do fascismo, é evidente. Criou-se uma associação, que certamente demorará anos ou décadas para desaparecer, entre anticomunismo e fascismo, ou entre este e conservadorismo ("direitismo"), associação esta que não tem sentido algum fora dos slogans da propaganda comunista, que associam, também de forma totalmente mecânica e automática, comunismo com antifascismo. Como se todos os que se opõem, de alguma maneira, às teses comunistas - democratas, liberais, sociais-democratas etc. - fossem, automaticamente, fascistas ou simpatizantes do fascismo. Uma completa farsa.
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(O mais curioso é que os mesmos esquerdistas que se enchem de indignação contra o que consideram uma nova onda neofascista ou neonazista na Europa ou dentro da Igreja Católica não hesitam um segundo em cerrar fileiras ao lado dos islamofascistas do Hamas ou do Hezbollah e da tirania xiita iraniana, que juraram exterminar os habitantes de Israel e provocar um novo Holocausto. Babam de fúria contra as declarações antissemitas de um bispo católico, mas aplaudem entusiasmados, ou dão de ombros, para o antissemitismo de Mahmoud Ahmadinejad, descartando suas ameaças contra Israel e o Ocidente como mera invenção da CIA. Deve ser porque não consideram isso algo verossímil, é claro...)
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Os comunistas e a legião de idiotas úteis que os acompanham não têm o menor direito de condenar o fascismo, por mais repugnante que tenha sido essa doutrina política, e qualquer crítica que fizerem a regimes como o de Mussolini ou de Hitler não passa de manipulação cínica e mentirosa. Por dois motivos principais: primeiro, porque os crimes cometidos pelas tiranias comunistas no século XX - e que continuam no século XXI, ao contrário do nazifascismo, em países como Cuba, China e Coreia do Norte - ultrapassam, em gravidade e magnitude, tudo que os nazifascistas possam ter concebido, inclusive o Holocausto. E segundo, porque comunismo e fascismo, ao contrário da percepção comum, são irmãos gêmeos, não são antagônicos.
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Tamanha é a propaganda de esquerda destinada a esconder esse último fato que até mesmo muitos democratas e anticomunistas sinceros se deixam cair nessa armadilha. Outro dia li na imprensa uma carta de um leitor que reclamava da ênfase excessiva da mídia nas barbaridades cometidas pelos nazistas, como o Holocausto. "Por que falar dos crimes dos nazistas? Os crimes dos comunistas foram muito piores". A premissa é verdadeira, mas o leitor esqueceu desse detalhe fundamental: tanto na ideologia, quanto na prática, o nazifascismo não fez outra coisa senão macaquear o comunismo. Está tudo lá: os campos de concentração (criação de Lênin, em 1918), a polícia política, a ditadura do partido único, o controle partidário das forças armadas (a prática dos bolcheviques de manter comissários políticos junto aos militares), o uso intenso da propaganda, o culto da personalidade do chefe (o Vozhd Stálin, o Führer, o Duce)... Não custa lembrar que Mussolini começou sua carreira no Partido Socialista italiano. Até no nome que escolheram para si - Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães -, os nazistas eram uma paródia da propaganda bolchevique. E por aí vai. Condenar a barbárie nazista, portanto, não é desviar o foco dos crimes comunistas, mas chamar a atenção para a mesma realidade brutal e desumana do totalitarismo, comum a ambos os regimes.
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Daí mais uma vez a questão do verossímil e do verdadeiro, tão cara à imprensa brasileira dita "imparcial", para analisar o caso Paula Oliveira na Suiça. Um suposto crime cometido pela "direita" neofascista, mesmo sem provas, é julgado mais digno de verossimilhança do que um que tenha sido praticado pela esquerda, portanto merece mais repercussão e uma revolta imediata e mais profunda. Enquanto isso, militantes do MST fuzilaram à queima-roupa três seguranças de uma fazenda em Pernambuco, mas ainda há quem resista a classificar essa organização como criminosa. Do mesmo modo, o governo Lula resiste em classificar as FARC como terroristas e fecha os olhos para os ataques contra brasileiros no Paraguai, onde governa um presidente alinhado com as teses petistas. E os dólares de Cuba ao PT? E o envolvimento direto de figurões do governo Lula com os narcoterroristas das FARC? E de Lula no escândalo do mensalão? Tudo isso é ou não é bastante verossímil? Então por que nada disso provoca um décimo da revolta causada por casos como o de Paula Oliveira? Por que nada disso é investigado como deveria?
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Esses episódios deixam claro que nossa percepção da realidade está contaminada ideologicamente de alto a baixo. Verossímil ou verídico, na visão de nossa imprensa "imparcial" e isentista, é o que é verossímil ou verídico para a esquerda. Todo o resto, tudo que não vier das hostes esquerdistas, é suspeito e passível de dúvida e verificação. Ponto.
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Então, tenho ou não tenho razão para ser obsessivo?

quinta-feira, março 05, 2009

CRUZANDO A LINHA: MAIS UM LEITOR JUSTIFICA A BARBÁRIE TERRORISTA


Fiquei alguns dias longe da internet. Foi o suficiente para que alguns leitores me brindassem com uma saraivada de comentários, especialmente sobre meu último post. Agradeço a todos. Embora seja impossível responder a todos os comentários, e embora este blog não seja um fórum de debates, faço questão de não deixar alguns leitores sem resposta. É o caso de um certo "Leo", que escreveu um comentário a meu último post que é, para dizer o mínimo, curioso.

O tema do post é o conflito entre Israel e o Hamas, que eu prefiro chamar de luta de Israel contra o terrorismo - pois o chamado "conflito israelo-palestino", como já afirmei aqui em outras ocasiões, deixou de existir há tempos, pelo menos desde os Acordos de Oslo em 1993. O tal leitor, que é anarquista - conheço todas as manhas dessa turma, acreditem -, começa seu arrazoado com uma frase que eu subscrevo sem titubear, afirmando que estamos "impregnados de uma esquerda burra, que não atenta em momento algum para a realidade que a cerca" e que defende "o terrorismo como uma simples revolta". Mas logo em seguida ele comete a seguinte frase: "Mas devemos também confessar a burrice da direita que defende a violência do estado como uma forma de sobrevivência de seu povo" (sic). E critica o dono deste blog, "estritamente maniqueísta, do tipo 'ou você está comigo ou contra mim'" etc.

O que vem em seguida é uma longa, longuíssima, arenga ideológica sobre o mundo ser pleno movimento, e que em política o movimento se dá pela revolução, que o Estado é um grande mito que deve ser posto em questão, e que não existe revolução sem derramamento de sangue etc. etc. etc... Enfim, uma lengalega anarcóide-juvenil supostamente libertária que não merece ser transcrita integralmente. Basta dizer que todo o trololó sobre o Estado ser isso ou aquilo e sobre a Revolução Francesa e etcétera e tal desemboca na seguinte ideia brilhante: "Israel deve ser derrubado por uma revolução também! Islâmica talvez, através do Hamas, e quando este pensar em constituir um estado, deve ser derrubado por uma nova revolução. Devemos pensar na mudança sempre e não em manter um mesmo pensamento contra o movimento." E isso porque, em nome dessa mesma "revolução" e desse mesmo "movimento", afirma o leitor: "Nenhum Estado deve se manter. Devemos derrubar, construir e novamente derrubar. Sempre! Que se matem judeus e islamitas! Que derrubem o Brasil! O sangue deve jorrar!"
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Pois é, minha gente... O que foi mesmo que eu disse no último post, sobre cruzar a linha e achar que, a partir daí, tudo é permitido? Como se vê pelo comentário acima, tem gente que acredita realmente nisso. Tanto que creem piamente que encontraram a solução para um dos problemas mais complexos da atualidade. Que solução seria essa? Simples: a briga não é entre o Estado de Israel e os fanáticos islamitas que querem varrê-lo do mapa (ou seja: querem passar a fio de espada a sua população)? E o Estado não é, como dizia Bakunin, um mal a ser extirpado? Então... que se matem todos, ora! Que o Hamas e o Hezbollah atinjam seus objetivos, e cortem a garganta de cada cidadão israelense - judeu ou não, homem, mulher, velho, criança -, fazendo correr rios de sangue. Mais que isso: que o Irã também cumpra sua promessa de riscar Israel do mapa, e lance logo uma bomba atômica sobre Telaviv. Mais ainda: que se extermine todo judeu da face da terra, que sejam todos confinados em guetos e em campos de concentração, onde virarão sabão e alimentarão fornos crematórios, como tentou fazer um dia um sujeito de voz esganizaçada e bigodinho engraçado... Por que não? Afinal, é tudo em nome da "revolução", do "movimento". Ou, como se dizia antigamente, da liberdade individual, da Anarquia, enfim... Como é mesmo aquele ditado, "os fins justificam os meios"? Pois é...

Confesso que, de todos os delírios esquerdóides já engendrados por mentes certamente doentias, o anarquismo é o que mais me fascina. Devo dizer que tenho até, lá no meu íntimo, uma certa simpatia platônica pela ideia anarquista - extinção do Estado, liberdade individual irrestrita etc. Afinal, algo que eu nunca consegui entender é por que alguns indivíduos merecem um tratamento diferenciado, especial, por causa da quantidade de dinheiro que possuem na conta bancária ou do cargo que ocupam. Durante um certo tempo, em minha adolescência, flertei com a ideia de mandar tudo isso às favas. Só que, como acontece também com o comunismo, logo percebi que, entre a ideia e a realidade, ou entre o ideal e o real, existe uma grande diferença.

Sempre achei estranho que, em nome de um ideal elevado - a igualdade comunista ou a liberdade individual, por exemplo -, algumas pessoas estejam dispostas a sacrificar tudo, inclusive esses mesmos ideais. Os comunistas, falando em igualdade, erigiram os regimes mais desiguais e iníquos da História. No caso dos anarquistas, muitos deles não hesitariam em usar todos os meios para conseguir a abolição do Estado - inclusive meios autoritários. No final do século XIX e começo do século XX, era comum militantes anarquistas colocarem em prática suas idéias libertárias e antiestatistas esfaqueando padres e atirando bombas em restaurantes cheios. Um desses anarquistas, chamado Ravachol, ficou famoso na França por sua prática de defender a liberdade individual assassinando velhinhos e roubando prostitutas... Pelo visto, os anarquistas do século XXI são mais sofisticados: em vez das bombas de fabricação caseira e dos atos de terrorismo individual do passado, agora se colocam do lado de fanáticos religiosos e defendem o genocídio de um povo inteiro em nome de seus ideais elevados... Grandes humanistas!

Isso tudo apenas prova o seguinte: o caráter da sociedade que se quer alcançar está indissoluvelmente ligado aos meios escolhidos para se chegar a esse fim. Se você começa, em nome de uma sociedade mais justa e mais livre, assassinando pessoas inocentes ou mesmo justificando a barbárie genocida e terrorista, você poderá alcançar qualquer coisa, menos uma sociedade mais justa e mais livre. No máximo, conseguirá um banho de sangue.

O leitor defende o fim de Israel, até mesmo por uma revolução islâmica, como a pregada pelo Hamas, aliás apoiado e sustentado pelo Irã. Lembrei imediatamente de um fato mais próximo historicamente de nós, a queda do xá do Irã em 1979. Quem tiver mais de 40 anos vai lembrar que a totalidade da esquerda mundial, e inclusive os anarquistas, saudou a revolução islâmica do aiatolá Khomeini como uma aurora de liberdade. Deve ter sido mesmo, porque, mal os aiatolás se instalaram no poder, as primeiras vítimas dos pelotões de fuzilamento dos pasdaran xiitas foram os - adivinhem! - comunistas e esquerdistas em geral... Pelo visto, esse pessoal não aprende mesmo. Daí porque eu concordo plenamente com o que leitor diz sobre a esquerda burra, que não enxerga a realidade em sua volta.

Eu, da minha parte, não preciso dizer o que acho disso tudo. Afinal, este é um blog maniqueísta, do tipo "ou está comigo ou contra mim", não é mesmo?

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Eu não poderia terminar este post sem mencionar também outro leitor, o Felipe, uma boa pessoa. Ele não é anarquista como o leitor a quem eu respondi acima, mas pacifista. Ele é contra, por princípio, qualquer violência, venha de onde vier. O que significa ser contra não apenas os atentados e homens-bomba do Hamas, mas a reação militar de Israel, pois os mísseis israelenses, como ele diz de forma veemente, "destroem habitações inocentes (...), matam (querendo ou não) crianças e demais inocentes!" etc. etc. Em suma: para ele, os dois lados, Israel e o Hamas, se equivalem moralmente, estão igualmente errados.

Comovido e sensibilizado por esse alto grau de justiça, que eu, infelizmente, por ser "maniqueísta", sou incapaz de alcançar, resolvi escrever uma cartinha ao novo primeiro-ministro de Israel, com cópia para os principais líderes do Hamas. Creio que, se eles seguirem direitinho o que está na carta, teremos finalmente a paz na região, e todos viverão felizes para sempre. Eis a carta:

Excelentíssimo premiê Benjamin Netanyahu,

Venho, por meio desta, humildemente apresentar a Vossa Excelência e ao povo de Israel um plano de paz perfeito para a região do Oriente Médio, que, garanto, irá pôr fim a seis décadas de derramamento de sangue, na maioria inocente, entre Israel e seus inimigos.

Meu plano, que foi elaborado após horas e horas de profunda reflexão lendo e relendo os comentários que me foram feitos pelo Felipe em meu blog, consiste em um único ponto. Ei-lo:

Renúncia total do uso da força por parte de Israel - Em outras palavras, a cada homem-bomba palestino, a cada atentado homicida-suicida do Hamas ou do Hezbollah, Israel não mais responderá com tanques e tropas. Em vez disso, agirá de forma muito mais inteligente, muito mais racional: simplesmente não reagirá a nenhuma violência que lhe for dirigida; não fará nada.

Com isso, asseguro a Vossa Excelência, o Hamas e o Hezbollah, bem como os governos que os apóiam e financiam, como o Irã, desistirão de uma vez por todas dos atentados e do objetivo jurado de destruir Israel e transformar sua população num monte de cadáveres. Eu garanto.

Além disso, ao não mais reagir e caçar os responsáveis pelos ataques, Israel finalmente poderá contar com a simpatia e o apoio dos meios de comunicação mundiais, não incorrendo mais na indignação da opinião pública por ocasionalmente, na perseguição aos culpados, atingir civis inocentes usados por estes como escudos humanos. Eu também garanto.
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Pode ser que, no começo, essa tática apresente alguns inconvenientes, como, por exemplo, o aumento de mortes do lado israelense. Mas asseguro em nome de Gandhi e de Martin Luther King que a não-violência trará resultados positivos, se não nesta, pelo menos na próxima vida. Os possíveis mortos se tornarão mártires de uma boa causa e, principalmente, as condolências não serão substituídas por protestos, como acontece hoje em dia.

A tática acima mencionada é 100% garantida, é infalível. Basta Israel abandonar completamente sua política de defesa, derrubando o muro que o separa da Faixa de Gaza e da Cisjordânia e dialogando com o Hamas e o Hezbollah, que esses grupos entregarão suas armas e abandonarão a luta armada. Garanto que o resultado será a paz e a segurança para os israelenses, que poderão então viver tranquilos e sem medo de ser explodidos por um foguete ou um homem-bomba.

Para tornar concreta essa iniciativa, que - repito - é a mais racional e inteligente que se pode conceber, estou pedindo ao meu leitor Felipe que vá à Faixa de Gaza conversar com os líderes do Hamas e convencê-los desse plano. Afinal, sabemos que eles são todos boas almas também, e só esperam uma oportunidade dessas para desistir de seus objetivos genocidas e abraçar o pacifismo.

Respeitosamente,

Gustavo (Blog "Do Contra")

P.S.: A mensagem acima está sendo enviada também ao Hamas, ao Hezbollah e ao presidente Ahmadinejad, do Irã. Também está sendo psicografada, por meios espirituais, a Adolf Hitler - embora desconfio que, nesse último caso, infelizmente não haverá nenhum resultado concreto, pois não inventaram ainda um pacifismo com efeitos retroativos...

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

ACONTECEU. UM LEITOR ESCREVE JUSTIFICANDO O TERRORISMO ISLAMITA. AGORA TUDO É PERMITIDO


Aconteceu. Finalmente um leitor escreveu para este blog para justificar o injustificável e cantar loas à morte. Finalmente alguém escreveu defendendo, com todas as letras, a violência cega e genocida contra um Estado democrático. Uma linha foi cruzada. Agora, como diria Dostoievski, tudo passa a ser permitido.
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Por injustificável quero dizer o terrorismo islamita, os atentados homicidas-suicidas de grupos de fanáticos religiosos genocidas como o Hamas, o Hezbollah e a Al-Qaeda. Por cantar loas à morte quero dizer enxergar nos ataques desses facínoras uma forma legítima de "resistência" contra o que seria uma forma de opressão - no caso, representada pelo Ocidente e particularmente por Israel, elevada à condição de Grande Satã do momento depois da aposentadoria do Bush. Por defender a violência cega contra um Estado democrático digo bater palmas para quem deseja, nada mais, nada menos, do que um novo Holocausto, ainda pior do que o primeiro.

Leiam por si mesmos, e digam se eu estou exagerando. O leitor em questão é um tal de Humberto, que, escrevendo para comentar meu post anterior, no qual rebato o pacifismo de outro leitor, que insistia em igualar Israel ao Hamas, cometeu o seguinte texto, que aqui transcrevo em vermelho, seguido de meus comentários, em preto:
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Concordo contigo, a guerra é legítima, defender seu território é legitíssimo. Por isso os palestinos se insurgem com bombas e pedras. Para que Israel fique em seu quintal e não invada quintal alheio.
Leiam atentamente o parágrafo acima. O autor justifica o terrorismo de grupos como o Hamas - que ele não cita em momento algum, preferindo esconder-se atrás da fórmula simpática dos "palestinos que se insurgem com bombas e pedras" -, associando-o a uma suposta reação contra uma suposta invasão do quintal alheio por parte de Israel. Como se os foguetes e homens-bombas do Hamas e do Hezbollah fossem uma justa resposta contra a ocupação israelense. Já disse antes, mas vou repetir, dessa vez da forma mais didática possível: ISSO É FALSO!
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O terrorismo palestino contra Israel não decorre de nenhuma ação ou "invasão" israelense nos territórios palestinos, como diz o leitor anti-Israel. Essa teoria pode ter sido verdadeira um dia, durante os anos de luta - terrorista também, é bom que se diga - da antiga OLP contra Israel, até, digamos, meados dos anos 80, antes que a OLP abandonasse oficialmente o terrorismo e aceitasse a existência de Israel, e antes da assinatura dos Acordos de Oslo, em 1993, pelos quais os dois lados - palestinos e israelenses - se reconheceram mutuamente. Hoje em dia, porém, afirmar que o terrorismo islamita tem alguma coisa a ver com a luta para "libertar" os territórios palestinos ocupados de uma suposta "invasão" israelense é algo que só pode ser fruto de cinismo ou ignorância. Nos últimos nove anos, Israel fez diversos movimentos em direção à paz definitiva, inclusive concessões territoriais, e nada disso se converteu em movimentos semelhantes do outro lado. Chegou mesmo a retirar à força os colonos israelenses da Faixa de Gaza, UNILATERALMENTE E SEM PEDIR NADA POR ISSO, e nem assim os ataques do Hamas cessaram ou diminuíram. Pelo contrário: desde então, os atentados se multiplicaram! Como dizer, portanto, que o terrorismo é uma forma de insurgência contra uma "invasão" israelense??? Simplesmente mentiroso!
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Enquanto Israel invadir e implementar assentamentos judeus na palestina, vai levar bomba. E merece!
Mais uma vez: o leitor apela para a mentira para justificar o terror. O terrorismo islamita não tem nada a ver com os assentamentos judeus, como está claro no exemplo de Gaza. Querem mais um exemplo? Em 2000, as tropas israelenses se retiraram do sul do Líbano, que se transformou então em território do Hezbollah. O que aconteceu desde então? Os ataques do Hezbollah contra os colonos judeus da Galiléia, assim como os do Hamas a partir da Faixa de Gaza, diminuíram? Nada disso: foram intensificados! Isso PROVA que o terrorismo contra Israel não tem nenhuma relação, absolutamente nenhuma, com qualquer "luta pela terra" na região.
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Agora, prestem bastante atenção a uma coisa que eu vou dizer, e que talvez choque algum leitor menos informado: O CHAMADO CONFLITO ISRAELO-PALESTINO NÃO EXISTE MAIS, ACABOU FAZ TEMPO. Desde, pelo menos, os Acordos de Oslo de 1993, assinados por Yitzhak Rabin e Yasser Arafat, a questão palestina já está resolvida: os dois lados concordaram em reconhecer o direito de cada um existir e com a solução de dois Estados - um israelense, outro palestino (este último, compreendendo os territórios da Faixa de Gaza e da Cisjordânia). Sobraram algumas arestas a ser resolvidas, como o status de Jerusalém, mas a questão, do ponto de vista territorial, já está resolvida. O que existe, então? O que existe é o terrorismo de grupos de fanáticos como o Hamas e o Hezbollah, apoiados pelo Irã e pela Síria e que não aceitam o direito de Israel à existência, nem reconhecem a solução dos dois Estados. Esses grupos não querem a paz, não lutam por um Estado palestino convivendo ao lado de Israel: querem, isso sim, a destruição completa de Israel, o genocídio de toda a sua população. E para isso estão dispostos a literalmente tudo, inclusive a usar a população civil palestina como escudos humanos e a massacrar seus oponentes do Fatah - contando, para isso, com a conivência de grande parte da imprensa mundial, que insiste em ver em Israel, e não no Hamas e no Hezbollah, o lado agressor.
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Agora que o “Mr. Assentamento”(Bibi) vai tomar posse, tem tudo pra ser uma festa de bomba.
Outra mentira, que se baseia na tentativa de culpar o governo de Israel, seja quem lá estiver, pelo terrorismo. Se novas ondas de homens-bombas ocorrerem, isso não será devido a nada que o novo governo israelense fizer ou deixar de fazer, mas será única e somente culpa dos próprios terroristas, que juraram varrer Israel do mapa.
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Assim como, em 2000, a intransigência de Yasser Arafat ajudou involuntariamente a eleger o "linha-dura" Ariel Sharon, em 2009 o terrorismo do Hamas ajudou a eleger Netanyahu. Mas isso, no final, tem pouca importância. Pois, AINDA QUE O NOVO GOVERNO ISRAELENSE INTENSIFIQUE OS ASSENTAMENTOS, AINDA QUE RESOLVA REOCUPAR TODOS OS TERRITÓRIOS DEVOLVIDOS POR ISRAEL AOS PALESTINOS NOS ÚLTIMOS ANOS, NÃO SERÁ ESSA A CAUSA DE NENHUM ATENTADO DO HAMAS OU DO HEZBOLLAH. SEJA QUAL FOR O OCUPANTE DO GOVERNO ISRAELENSE, OS INIMIGOS DE ISRAEL NÃO VÃO DESISTIR DE SEU INTENTO DE DESTRUIR ISRAEL E TRANSFORMAR O PAÍS NUM OCEANO DE SANGUE E CADÁVERES. Sabem por quê? Por um motivo muito simples, simplícissimo, que o leitor-admirador do terrorismo não menciona em seu comentário: ao contrário do Fatah, o Hamas e o Hezbollah não aceitam a existência do Estado de Israel, não aceitam a solução de dois Estados - inclusive o Estado palestino - e querem nada mais, nada menos, do que DESTRUIR Israel. Repito aqui a pergunta que formulei em outro post, e que até agora permanece sem resposta: ALGUÉM ACREDITA QUE, SE ISRAEL DEVOLVER TODO O TERRITÓRIO OCUPADO AO LONGO DOS ANOS, OU MESMO QUE AS FRONTEIRAS NA REGIÃO VOLTEM A SER COMO ERAM ANTES DE 1947, O TERRORISMO ISLAMITA VAI DEIXAR DE EXISTIR?
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Custa o judeu respeitar o território que não é seu? Precisa agir de modo provocativo, incentivando o ódio contra sí?
Vou deixar de lado a lengalenga sobre "respeitar o território" - creio que basta ler o que está aí em cima para perceber quem respeita o território alheio, e quem não reconhece sequer o direito do outro existir. Vou me concentrar aqui somente no que o leitor diz sobre "o judeu" (como se Israel não fosse, na verdade, um Estado democrático e plurirreligioso) agir "de modo provocativo, incentivando o ódio contra si". Esse tipo de afirmação, ao inverter a realidade, busca omitir o seguinte fato: para o Hamas, para o Hezbollah, a maior provocação que um judeu pode fazer é simplesmente existir. Aliás, um certo ditador alemão pensava do mesmo jeito, algumas décadas atrás...
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O dia em que existir uma entidade internacional com autoridade, pra impor que se cumpra a divisão da palestina não com um mas com DOIS Estados, e que se imponha o respeito às fronteiras, sem ocupações, sem assentamentos ilegais, aí sim, poderá se crimimalizar a insurgência(de ambos os lados), de outro modo, fica difícil.
Afirmação desonesta, por dois motivos: 1) presumo que a dita entidade internacional a que o autor se refere seja a ONU, que se coloca inteiramente ao lado dos palestinos contra Israel (basta lembrar o caso da tal escola da ONU que teria sido bombardeada por forças israelenses no começo do ano, e que se revelou uma farsa); e 2) a divisão da região em DOIS ESTADOS já foi acordada, como disse antes, desde 1993. A paz não chegou à região não porque a dita entidade internacional não tenha força para impor essa solução, mas porque é conivente com quem não aceita essa solução. No final, a paz depende não de Israel, mas do reconhecimento de Israel por quem o enxerga como agressor. Logo, querer a partir daí condenar a resposta israelense ao terrorismo islamita só pode ser cretinice.
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É preciso reconhecer que a insurgência primeira, vem dos invasores judeus, com seus muros e soldados, sua imposição. A violência gerada,é consequência.
Mentira. A violência parte de quem não aceita a existência de Israel e os Acordos de Oslo. Israel se defende. Ponto.
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Os donos do mundo são fiadores desse estado de coisas, o troco pode ser tanto uma palestina insurgente, como um “onze-de-setembro”.
Prestem atenção nessas expressões: "donos do mundo", "fiadores desse estado de coisas"... Quem seriam os tais donos do mundo? Os trinta ou quarenta banqueiros judeus que mandam nos negócios mundiais? Ou a grande conspiração sionista internacional financiada, ao mesmo tempo, pelos grandes tubarões capitalistas e pelos... bolcheviques? Se você lembrou dos Protocolos dos Sábios de Sião e da propaganda nazista do Dr. Goebbels, acertou em cheio.
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E - vejam só - seriam esses mesmos "donos do mundo", esses judeus-malvados-assassinos-de-Cristo, os responsáveis por uma, como diz o leitor, "Palestina insurgente" (leia-se Hamas e Hezbollah, de que já falei) e também por um... "11 de setembro". É isso mesmo que você leu, caro leitor: segundo o sábio leitor que mandou o comentário acima, os atentados terroristas de Osama Bin Laden e da Al-Qaeda seriam também uma forma de resistência do "oprimido" contra o Ocidente opressor... Claro, não importa muito que o tal representante dos oprimidos do mundo seja um multimilionário saudita com algumas idéias exóticas sobre como as mulheres devem se vestir e ser recebido por 72 virgens no paraíso em caso de morte na luta por Alá... Mais que isso: segundo o distinto leitor simpatizante do Hamas, tais ataques seriam o resultado do que se planeja nos porões da Casa Branca, talvez com a presença de um dos tais Sábios de Sião denunciados nos famosos Protocolos... Alguém aí pensou em teorias conspiratórias?
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Finalmente um defensor do terror islamita deixou cair a máscara, colocando-se abertamente do lado dos islamofascistas, que promovem a morte e a dor como método para exterminar um povo inteiro e impor pela força uma visão religiosa obscurantista do mundo. Falta pouco, muito pouco, para que o distinto leitor comece a negar o Holocausto, achando exagerados os relatos de 6 milhões de mortos em câmaras de gás... Alguém aí pensou em antissemitismo?
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Posso mencionar pelo menos dez bons motivos para defender Israel e condenar, sem ambigüidade, o terrorismo islamita. Aí está mais um: não consigo aceitar a mentira, ainda mais quando visa a justificar a barbárie.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

RESPOSTA A UMA BOA ALMA (OU: POR QUE O PACIFISMO NÃO É UMA BOA PALAVRA)


O primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain, que acreditava poder apaziguar Hitler, mostrando o acordo assinado com o ditador alemão em Munique em 1938, e que seria "a paz de nosso tempo": ele também achava a guerra intolerável

Escrevi alguns posts respondendo a um leitor que, de uns dias para cá, vem tentando me convencer que Israel não tem o direito de se defender. Parece que ele não se deu por satisfeito com minhas observações. Respondo-lhe, então, mais uma vez. Como vocês verão, ele é pacifista; eu, não. Ele acha que a ação de Israel e do Hamas são a única e mesma coisa; eu, não. Ele acredita que a força jamais deve ser empregada, em nenhuma circunstância; eu, não. Ele é, enfim, uma boa pessoa, uma alma piedosa. Ele em vermelho, eu em preto, como sempre.

Gustavo,

Entendo o que queira dizer, mas é difícil aceitar de todo. Sou pacifista (creio que esta é uma boa palavra), e não consigo aceitar nenhum tipo de violência. Não aceito a manifestação do Hamas e nem a de Israel. Não creio que ser contra a violência (venha ela de quem vier) seja ser necessariamente contra Israel. Vejo o mundo por uma perspectiva diferente, onde me é intolerável qualquer tipo de guerra.
Não peço ao caro leitor que aceite o que eu digo. Peço-lhe apenas que aceite os fatos. E os fatos são inquestionáveis: há um país, Israel, que há sessenta anos enfrenta inimigos que querem destruí-lo e transformar sua população em adubo. E há quem ignore completamente isso, defendendo que Israel "dialogue" com quem quer provocar um novo Holocausto. Ponto e parágrafo.

O leitor se declara pacifista e contrário a qualquer tipo de violência, seja de onde vier. Nesse caso, só confirmou para mim o que eu já tinha concluído há muito tempo: que o pacifismo, na verdade, não passa de uma desculpa para fechar os olhos para uma forma de violência - sobretudo, se essa violência vier acompanhada de um verniz de defesa dos "oprimidos" contra os "opressores" etc. Isso pode ocorrer por malícia ou por ingenuidade. Se eu não fosse caridoso, eu diria que é por malícia. Como sou caridoso, digo que é por ingenuidade.

Vamos deixar os eufemismos de lado e chamar as coisas pelo nome: a que "manifestações" do Hamas o leitor se refere? À prática de lançar foguetes a esmo contra Israel, esperando com isso provocar o máximo possível de mortes e feridos entre a população israelense? Ou à prática de enviar homens-bombas (muitos dos quais, adolescentes que sofreram lavagem cerebral ou com problemas mentais) para, também de forma indiscriminada, matar e mutilar o maior número possível de civis israelenses? Gostaria que o leitor fosse um pouco mais claro.

Do mesmo modo, gostaria de saber exatamente qual manifestação de Israel ele condena. Seria a prática de reagir da única maneira possível aos atos de terrorismo genocida descritos acima, ou seja, caçando os responsáveis e punindo-os, onde quer que estejam? Seria a prática de recorrer à força para neutralizar e deter quem não reconhece seu direito de existir e jurou riscá-lo do mapa e transformar o país num mar de sangue?

Se o leitor condena igualmente as duas formas de ação, se realmente não vê diferença alguma entre elas, se de fato acha que ambas se equivalem do ponto de vista moral e ético, então, só posso concluir uma coisa: para ele, não há qualquer diferença entre o criminoso e a vítima, ou entre o agressor e o agredido. O Hamas e o Hezbollah agradecem comovidos.

O leitor afirma que, para ele, é intolerável qualquer tipo de guerra. Essa é uma afirmação muito fácil de ser feita, é como dizer que a dor é algo intolerável. Já afirmei antes que a guerra nunca é uma boa opção, mas isso não quer dizer que, em certas situações, não seja a única opção possível. Aqueles que tentaram apaziguar Hitler na década de 30 também consideravam a guerra algo intolerável, e acredito que alguns deles tinham até boas intenções. Nada disso impediu a carnificina que veio em seguida. Pelo contrário: foi justamente esse pacifismo, essa "perspectiva diferente", que preparou o caminho da tragédia. Pergunto: por mais intolerável que seja a guerra, havia outro meio de impedir a barbárie nazista?

Pergunto-te: Que direito tem os EUA de atacar o Irã se o quiserem? Talvez Israel pudesse atacar, mas os EUA? Não vejo porque o mundo deveria permitir isto... A morte de um único inocente não vale para mim o bônus que se possa ganhar posteriormente com a guerra.
Respondo a sua pergunta: nem os EUA, nem o Brasil, nem as Ilhas Fiji, nem Botsuana, têm o direito de atacar o Irã ou qualquer outro país "se o quiserem". A questão, mais uma vez, é desonesta: não se trata de atacar pela mera vontade, como se fosse por capricho, mas porque há boas razões para fazê-lo. Os Aliados não atacaram a Alemanha nazista porque "quiseram", mas porque a Alemanha nazista era uma ameaça à paz e à humanidade. Mesmo assim, não creio que os EUA deveriam atacar o Irã - em momento algum eu defendo isso. Defendo, sim, é que um acordo de paz entre os EUA e o Irã sob Ahmadinejad é uma farsa e uma fantasia. Pelo menos enquanto os líderes iranianos continuarem a defender a destruição de Israel e a patrocinar o terrorismo do Hamas e do Hezbollah. Assim como defendo que dialogar com o Hamas ou o Hezbollah é um passaporte para o suicídio. Preciso explicar por quê?

PS: Agradeço a paciência e as explicações.
De nada. Estarei aqui sempre disposto a esclarecer esse e mais pontos. Vou me permitir apenas mais uma observação.

É muito fácil se dizer pacifista, declarar-se contra a violência de uma maneira geral e idílica, condenar todas as guerras e depois ir dormir com a consciência tranqüila. Mas isso não elimina o fato de que há quem se aproveite do pacifismo, ingênuo ou não, para promover massacres e atrocidades contra a humanidade. Dizer-se contra toda forma de violência é o mesmo que se dizer igualmente contra o bandido e a polícia. É o mesmo que defender o fim das leis, pois a lei nada mais é do que a violência organizada para manter a paz e a ordem na sociedade. É defender, pois, a inação e o imobilismo contra a violência terrorista e genocida. É, enfim, preparar o caminho para o terror e a morte de milhões de pessoas - o exato oposto da paz, portanto.

É um erro dos mais terríveis acreditar que, ao não fazer nada diante da morte, ou ao condenar em geral a violência, está-se deixando de tomar partido. No caso de Israel, grupos de fanáticos como o Hamas só precisam da condescendência, não do apoio explícito, da opinião mundial para porem em prática seus planos assassinos. Só precisam que se condene Israel, ou que se coloque a ação israelense no mesmo patamar moral que o deles próprios, para alcançar legitimidade. E isso estão conseguindo, graças à propaganda midiática que insiste em equiparar a violência dos dois lados.

P.S.: É por essas e outras que não sou pacifista. Definitivamente, o pacifismo não é uma boa palavra.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

UM DESABAFO CÍVICO

Quem também matou a pau foi o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). Em entrevista à revista VEJA desta semana, o senador pernambucano e ex-governador de Pernambuco desceu o malho em seu próprio partido, o PMDB, classificando-o de corrupto. Entre outras verdades, Jarbas afirmou que a eleição de seu colega José Sarney para a presidência do Senado é um retrocesso e que Renan Calheiros, que atualmente preside a legenda, não tem condições éticas de presidir partido nenhum. Ataca duramente o governo Lula e termina denunciando, meio desesperançoso, o clientelismo e a mediocrização geral da política brasileira. Uma verdadeira paulada.
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Não tenho o hábito de elogiar políticos. Mas abro aqui uma exceção. A entrevista do senador Jarbas Vasconcelos para a VEJA entrará para a História como um momento de rara honestidade e lucidez na política brasileira. Um verdadeiro desabafo, de um político e parlamentar pertencente à outra época, em que a política era algo mais do que um simples jogo de interesses para conseguir cargos e benesses, não importa de que governo. Minhas passagens favoritas são as seguintes:

A favor do governo Lula há o fato de o país ter voltado a crescer e os indicadores sociais terem melhorado. O grande mérito de Lula foi não ter mexido na economia. Mas foi só. O país não tem infraestrutura, as estradas são ruins, os aeroportos acanhados, os portos estão estrangulados, o setor elétrico vem se arrastando. A política externa do governo é outra piada de mau gosto. Um governo que deixou a ética de lado, que não fez as reformas nem fez nada pela infraestrutura agora tem como bandeira o PAC, que é um amontoado de projetos velhos reunidos em um pacote eleitoreiro. É um governo medíocre. E o mais grave é que essa mediocridade contamina vários setores do país. Não é à toa que o Senado e a Câmara estão piores. Lula não é o único responsável, mas é óbvio que a mediocridade do governo dele leva a isso.

Mas esse presidente que o senhor aponta como medíocre é recordista de popularidade. Em seu estado, Pernambuco, o presidente beira os 100% de aprovação. O marketing e o assistencialismo de Lula conseguem mexer com o país inteiro. Imagine isso no Nordeste, que é a região mais pobre. Imagine em Pernambuco, que é a terra dele. Ele fez essa opção clara pelo assistencialismo para milhões de famílias, o que é uma chave para a popularidade em um país pobre. O Bolsa Família é o maior programa oficial de compra de votos do mundo.

O senhor não acha que o Bolsa Família tem virtudes? Há um benefício imediato e uma consequência futura nefasta, pois o programa não tem compromisso com a educação, com a qualificação, com a formação de quadros para o trabalho. Em algumas regiões de Pernambuco, como a Zona da Mata e o agreste, já há uma grande carência de mão-de-obra. Famílias com dois ou três beneficiados pelo programa deixam o trabalho de lado, preferem viver de assistencialismo. Há um restaurante que eu frequento há mais de trinta anos no bairro de Brasília Teimosa, no Recife. Na semana passada cheguei lá e não encontrei o garçom que sempre me atendeu. Perguntei ao gerente e descobri que ele conseguiu uma bolsa para ele e outra para o filho e desistiu de trabalhar. Esse é um retrato do Bolsa Família. A situação imediata do nordestino melhorou, mas a miséria social permanece.

A oposição está acuada pela popularidade de Lula? Eu fui oposição ao governo militar como deputado e me lembro de que o general Médici também era endeusado no Nordeste. Se Lula criou o Bolsa Família, naquela época havia o Funrural, que tinha o mesmo efeito. Mas ninguém desistiu de combater a ditadura por isso. A popularidade de Lula não deveria ser motivo para a extinção da oposição. Temos aqui trinta senadores contrários ao governo. Sempre defendi que cada um de nós fiscalizasse um setor importante do governo. Olhasse com lupa o Banco do Brasil, o PAC, a Petrobras, as licitações, o Bolsa Família, as pajelanças e bondades do governo. Mas ninguém faz nada. Na única vez em que nos organizamos, derrotamos a CPMF. Não é uma batalha perdida, mas a oposição precisa ser mais efetiva. Há um diagnóstico claro de que o governo é medíocre e está comprometendo nosso futuro. A oposição tem de mostrar isso à população.

Como não poderia deixar de ser, os caciques do PMDB e o governo Lula, auxiliados por seus porta-vozes na imprensa dita "imparcial", já começaram a campanha de difamação contra Jarbas. Mal saiu a entrevista, e começou-se a cobrar do senador pernambucano provas do que disse. Como assim, "provas"? Leiam de novo o que está aí em cima, principalmente sobre a mediocridade do governo Lula e o enorme embuste eleitoreiro que é o Bolsa-Família. Isso precisa de provas? Trata-se de uma realidade evidente por si mesma, não há necessidade de provas. Ah, querem nomes? Jarbas denuncia práticas, mas se quiserem nomes, basta lembrar o noticiário nos últimos dez ou quinze anos. É curioso como Collor foi derrubado sem que se apresentasse nenhuma prova concreta contra ele. Foi, inclusive, absolvido pelo STF alguns anos depois. Quando se trata do governo Lula e de seus aliados, porém, a escrita é diferente. Por quê?

Na impossibilidade de refutar o que diz Jarbas, a petralhada de todos os partidos agora está dizendo também que ele só resolveu falar porque está armando alguma jogada. Estaria preparando seu caminho para desligar-se do PMDB e "tucanar", de olho na candidatura à vice-presidência numa eventual chapa com o PSDB de José Serra em 2010. É, pode ser. E daí? Isso por acaso diminui o peso de suas declarações? Na verdade, tais ilações não passam de uma manobra para desviar a atenção e evitar o debate, reduzindo tudo à velha política miúda de sempre, a mesma prática denunciada por Jarbas na entrevista. Jarbas é um dissidente. E dissidentes não costumam ser perdoados pelos medíocres e conformistas.

É raríssimo ver um político, ainda mais de um partido governista, abrir o jogo e chamar as coisas pelo nome. Por isso a entrevista de Jarbas Vasconcelos é tão importante. É um marco. Um verdadeiro desabafo cívico.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

MATOU A PAU

Segue texto de hoje do blog do Reinaldo Azevedo, sobre a patetice que virou o caso da brasileira que teria sido agredida e marcada a canivete por skinheads neonazistas na Suiça. A notícia foi anunciada, alguns dias atrás, como um exemplo de agressão covarde e xenofobia ("brasileira torturada por neonazistas perde bebês gêmeos"), provocando indignação e revolta. Passaram-se alguns dias, alguns detalhes do caso vieram a público, a polícia suiça revelou que a moça, que ao que tudo indica sofre de algum tipo de distúrbio mental, não estava grávida no momento da agressão (ao que parece, nem antes) e que os ferimentos teriam sido auto-infligidos. Como que por encanto, a cobertura pela imprensa mudou drasticamente de tom ("brasileira diz que foi agredida por neonazistas"...). No meio tempo, o governo do Brasil e, em especial, o Itamaraty, fez papel de palhaço, transformando o caso numa patriotada ridícula e numa patética demonstração de orgulho terceiromundista contra os "racistas" ricos, ameaçando ir até a Comissão de Direitos Humanos da ONU contra a Suiça... RA, como de praxe, recoloca as coisas em seu devido lugar. Matou a pau.
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A HORA DOS RIDÍCULOS
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Os que deram partida nas reações histéricas contra a Suíça e os suíços ainda não se renderam e continuam em suas ridicularias, agora lembrando episódios em que a polícia do país teria sido violenta com estrangeiros. Como não têm o bom senso de se desculpar pela patacoada e dizer simplesmente um “erramos”, ficam em busca de argumentos para justificar a acusação. É o chamado “PECAC”. O PECAC é o Paradigma Eliane Cantanhede de Atribuição de Culpas: a Suíça pode não ser culpada agora, mas já foi um dia. E é a verdadeira responsável por ter sido acusada daquilo que não fez. Assim, se Paula tivesse sido agredida por neonazistas, seria uma vítima, e a Suíça, a ré. Como, tudo indica, isso não aconteceu, a Suíça, então, é ré, e Paula, a vítima. Entenderam, ou preciso repetir o, digamos assim, argumento???
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Agora, parece, a moça já flerta com a possibilidade de ter sofrido um aborto antes da agressão. Entendo. Aborto de gêmeos, três meses de gestação, mas sem qualquer anormalidade que chamasse a atenção, como cólica ou sangramento... Deus do céu! Essa história, reitero, é terrível para família de Paula e para ela própria. Ajudaria muito se a delinqüência intelectual, política, ideológica e jornalística que resolveu transformar o caso numa guerra dos “opressores” contra os “oprimidos” retirasse o time de campo. DIREI DE NOVO: AINDA QUE OS SUÍÇOS APRESENTASSEM AMANHÃ OS TRÊS SUPOSTOS NEONAZISTAS QUE TERIAM AGREDIDO A BRASILEIRA, TRATAR-SE-IA DE UM CASO DE TRÊS NEONAZISTAS AGREDINDO UMA BRASILEIRA. A reação do Itamaraty continuaria ridícula; a reação de setores da imprensa continuaria ridícula; a baixa exploração nacionalisteira dos urubus continuaria ridícula.
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E, claro, se ridículo faltasse nessa história, bastaria chamar Marco Aurélio Top Top Garcia, o assessor especial de Lula para assuntos internacionais. E ele compareceu ao debate. Leiam: “Se não tivéssemos tido uma reação naquele momento, fundada nas informações que nos chegavam, que a grande verdade é essa, o governo sem dúvida nenhuma seria acusado de leniência no que diz respeito à defesa dessa cidadã brasileira". Não sei se percebem a sutileza do Rei do Tártaro. Há uma insinuação de que o governo foi induzido a erro pela... imprensa. Ocorre que um governo, especialmente a sua chancelaria, existe justamente para que a moderação tome o lugar da imprudência.
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A propósito: militantes dos sem-terra paraguaios — que têm contanto, diga-se, com o MST tupiniquim — estão pondo agricultores brasileiros para correr, tomando-lhes a propriedade, a produção, as máquinas... Cadê a reação de Celso Amorim e deste inefável Garcia?
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Ridículos todos eles. Ridículos no sentido mesquinho e infame da ridicularia.
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Comento
A história toda é muito esquisita, e ainda é cedo para especular sobre se a brasileira Paula Oliveira foi ou não agredida, e se perdeu ou não os bebês que disse estar esperando. Nem sou médico legista para dar a última palavra sobre os detalhes até agora pouco esclarecidos desse caso em particular (embora, tendo visto as fotos da suposta agressão, fiquei intrigado com a estranha simetria dos cortes nas pernas da suposta vítima, e um caso de aborto de gêmeos deveria ter deixado pelo menos alguns vestígios no local...). Uma conclusão, porém, sairá inevitavelmente desse episódio: independentente de qual seja o resultado final das investigações, o Brasil fez um tremendo papelão, tentando aproveitar o caso para demonstrar ao mundo todo nosso complexo de inferioridade, travestido de revolta contra os brancos racistas xenófobos suiços - como se fosse a Suiça, o povo suiço, o "país rico" enfim, e não um bando de neonazistas (se é que existiram) o lado agressor. De qualquer maneira, graças a mais essa mancada de Lula, Celso Amorim e companhia, o Brasil ficou um pouco mais bananeiro perante o mundo. Um pouco mais ridículo, como diz Reinaldo Azevedo. .

É curioso como estamos sempre predispostos a aceitar como verdade, sem questionar, qualquer rumor como uma manifestação de racismo e intolerância em países como a Suiça, mesmo correndo o risco de passarmos por idiotas. Ao mesmo tempo, estamos condicionados a fechar os olhos e até a justificar casos concretos de ódio e intolerância contra outros conterrâneos nossos em países como o Paraguai e a Bolívia, mesmo quando os fatos são irrefutáveis. Do mesmo modo, rasgamos as vestes de indignação contra uma suposta demonstração de intolerância racista na Europa, mas somos em geral condescendentes, quando não apoiamos abertamente, o terrorismo genocida do Hamas contra Israel, encarando com naturalidade o fato de alguns quererem convertê-lo num monte de cinzas e ossos, em um novo Holocausto.

Esse duplo padrão não raro leva a desmentidos constrangedores, que dificilmente aparecem na grande mídia. Por exemplo: alguns dias atrás, funcionários da ONU admitiram que o suposto bombardeio israelense a uma escola da organização na Faixa de Gaza em 6 de janeiro ocorreu fora do edifício da escola. Mas nenhum grande jornal ocidental apresentou o desmentido com o mesmo estardalhaço com que noticiou o suposto ataque israelense à escola da ONU, que ocorreu, vejam só, quase um mês antes... A Israel, assim como à Suiça no caso da brasileira supostamente agredida, não se concedeu o benefício da dúvida.
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Certamente, estamos diante de mais um caso de histeria patrioteira, de complexo de vira-lata que dispensa provas e se baseia tão-só, ao que parece, numa visão estereotipada e preconceituosa, balizada pela dicotomia "países ricos" (ou centrais) versus "países pobres" (ou periféricos). É mais uma prova de que os fatos são teimosos, e quase nunca justificam as teorias. Principalmente se a teoria em questão é um terceiromundismo de quinta categoria.

SOBRE ISRAEL E A CONDESCENDÊNCIA COM A BARBÁRIE TERRORISTA - A SAIDEIRA

Aí vai mais uma resposta - que espero seja a última - ao leitor que há dois posts vem tentando me convencer que Israel é um Estado terrorista, equivalente ao Hamas e ao Irã. Faço questão de responder pois, apesar do óbvio desconhecimento e da aparente malícia de algumas de suas perguntas, a pessoa em questão parece demonstrar alguma vontade de superação e de entender o que se passa verdadeiramente no Oriente Médio. Por isso, respondo. Considero isso um dever didático, um serviço de esclarecimento público. Ele em vermelho.

Gustavo,

Creio ter no momento todas as perguntas respondidas. E aceito-as plenamente.

Mas é difícil acreditar que assim como o Hamas não quer a paz, Israel a quer. Simplesmente porque quando atacamos (seja a forma que for) estaremos promovendo a violência. O ditado velho, não é mentiroso: "Violência gera violência", e enquanto um dos lados não for capaz de fazer a paz não poderemos tê-la efetivamente.

Por fim, mais uma pergunta: Deve todo o povo inocente do Irã responder pelos erros de Ahmadinejad? Deve os EUA bombardear o Irã, unicamente para punir Ahmadinejad???

Comento
Bom, Felipe - é esse o nome do leitor -, só posso parabenizá-lo por ter deixado um pouco de lado os preconceitos contra Israel e aceitado plenamente minhas respostas. Isso demonstra humildade e sabedoria de sua parte (as duas coisas sempre vêm juntas). Bom saber que minha ajuda serviu. Fiz a minha parte.

Entretanto, noto que esse seu preconceito antiisraelense não sumiu de todo. Ele se expressa na sua afirmação de que, "assim como o Hamas, Israel não quer a paz". E isso porque "violência gera violência" etc. etc. Com isso, você está repetindo, sob a capa de um aparente discurso fácil pacifista, um dos mitos mais profundamente arraigados na questão: o terrorismo de grupos como o Hamas e o Hezbollah seria o resultado da ação militar de Israel etc. Segundo essa visão, bastaria que Israel não agisse e o Hamas e o Hezbollah deixariam de lançar mísseis e explodir homens-bombas contra Israel etc. etc.

É uma pena que, pelo visto, você não leu meus outros posts sobre a questão, pois isso me obriga a ser repetitivo. Tudo bem, não me importo em ser repetitivo, assim como não me importo em ser didático: a ideia de que a violência do Hamas e assemelhados vem como uma reação à violência - ou à "opressão", dizem os mais cínicos - de Israel contra os palestinos é uma das maiores mentiras de todos os tempos. Por que digo isso? Por um motivo simples: porque, não importa o que Israel faça ou deixe de fazer, o terrorismo islamita contra seu povo prosseguirá. Isso porque suas raízes são muito mais profundas. Se tem alguma dúvida, então peço que não acredite em nada do que eu estou falando. Peço apenas que acredite nos seguintes fatos:

- Em 2000, Israel ofereceu ao Fatah de Yasser Arafat mais de 90% (noventa por cento) de todo o território ocupado por Israel desde 1967. A resposta de Arafat? Achou a oferta inaceitável e deu início à segunda revolta palestina, a intifada, que provocou centenas de mortos e fortaleceu ainda mais grupos como o Hamas;

- No mesmo ano de 2000, Israel retirou-se do sul do Líbano, que ocupava desde 1978. O que aconteceu desde então? O Hezbollah assumiu o controle da área, e multiplicou os ataques contra civis israelenses na fronteira, levando a uma guerra com Israel em 2006;

- Em 2005, o governo israelense (presidido por Ariel Sharon) retirou, UNILATERALMENTE E SEM PEDIR NADA EM TROCA, os colonos e soldados israelenses da Faixa de Gaza. No ano seguinte, o Hamas tomou o poder na região. Preciso dizer o que ocorreu desde então?

Isso tudo aí em cima são fatos, não são opiniões. Pesquise no Google. Grupos terroristas e genocidas como o Hamas e o Hezbollah não querem a paz, não querem dois Estados convivendo lado a lado na região - querem destruir Israel. E cada aceno de paz de Israel em direção a esses grupos só resultou, até agora, não no fim dos ataques terroristas, mas na sua intensificação. O mesmo se aplica ao terrorismo da Al-Qaeda e à sua suposta relação com o que quer que faça ou não faça o governo dos EUA. Pergunto: diante de um inimigo assim, que não quer a paz nem reconhece seu direito à existência, o que você faria?

Há apenas uma solução para o problema do Oriente Médio. E ela passa necessariamente pelo reconhecimento de Israel. E isso vale não só para o Hamas ou o Hezbollah, mas para grande parte da mídia ocidental, que ainda insiste em enxergar Israel como o lado agressor. Lembre da cobertura da guerra de Israel contra o Hamas na Faixa de Gaza, há pouco mais de um mês. Quantas vezes você leu ou ouviu as expressões "reação desproporcional", "massacre" e até "terrorismo" e "genocídio" aplicadas à ação militar de Israel? Houve até quem - e não foram poucos! - comparasse a ação israelense às práticas nazistas... Agora, compare isso com quantas vezes você leu/ouviu as palavras "escudos humanos" aplicada ao Hamas em relação à população palestina. Aliás, quantas vezes você leu/ouviu as palavras "terrorista" e "genocida" aplicadas ao Hamas?

Sobre o Irã: não, Felipe, não acho que todo o povo iraniano deva pagar pelos "erros" (prefiro chamar de crimes, a menos que ser antissemita e pregar a destruição de um Estado inteiro por razões religiosas, sem falar na opressão sobre o próprio povo, sejam apenas erros, e não crimes) de Ahmadinejad e sua corja. Assim como não acho que todo o povo alemão deveria ter pago com os bombardeios aliados pelos crimes de Hitler e dos nazistas. Mas isso não significa aceitar passivamente que fanáticos como Ahmadinejad utilizem a população inocente do Irã, como fazem os seus aliados do Hamas na Faixa da Gaza, como reféns e escudos humanos. Será preciso muita perspicácia para perceber que os maiores responsáveis pela tragédia que se abateria sobre o Irã em caso de ataque americano seriam não os EUA, mas Ahmadinejad e sua turma?

É isso. Se o caro leitor tiver lido direito o que está aí em cima, e resolver enxergar a situação do Oriente Médio com olhos críticos, e não com a visão deturpada anti-Israel e antiamericana (na verdade, antiocidental) que nos é passada diariamente pelos veículos de imprensa, não terá dificuldades em perceber de que lado está a civilização e de que lado está a barbárie. Só posso garantir uma coisa: o lado da civilização e da humanidade, certamente, não é o lado dos que querem aniquilar Israel e dos que fecham os olhos para essa realidade.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Mais algumas respostas a um leitor anti-Israel

Segue mais uma troca de ideias com o leitor que me mandou três perguntas sobre (na verdade, contra) Israel, que eu respondi no último post. Parece que ele ainda não desistiu de seu intento de equiparar Israel ao terrorismo do Hamas. Faço novamente a sua vontade e respondo as suas novas fabulações (ele em vermelho, eu em preto):
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Gustavo,
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Parece-me que a resposta 2 foi bem respondida e não cabe voltarmos nela. No entanto, a primeira e a terceira ainda não se resolveram.
Da minha parte, as questões todas já foram devidamente respondidas. Mas vamos lá.
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Quanto a primeira, você utilizou como exemplo um criminoso que faz reféns e dispara contra você. Temos como opção (segundo você disse) atirar contra o criminoso ou não. Considero que na minha opinião, um policial deveria fazer de tudo para preservar os reféns. Ou seja, inocentes não devem morrer, pois isto seria injusto. Um criminoso sempre será criminoso e matará inocentes (isto vale para um terrorista). Mas um policial não deve se valer da mesma opinião e matar inocentes com o intuito único de se defender do criminoso. A vida do inocente é tão valiosa quanto.
Praticamente repetiu o que eu disse, com outras palavras. Pois é exatamente essa posição - eliminar o terrorista, fazer o possível para poupar os inocentes - a posição de Israel. Já quanto ao Hamas, Hezbollah etc., sabemos muito bem o que eles querem: destruir Israel, provocar um novo Holocausto. Entre um e outro, portanto, não há como se falar em equivalência moral. Por que é tão difícil para algumas pessoas perceber algo tão óbvio? Aliás, por que o leitor não cita, em momento algum, o Hamas?
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Mais uma vez, vou tentar ser o mais didático possível: numa situação de tomada de reféns, com um terrorista usando-os como escudos humanos para disparar indiscriminadamente, pode-se colocar no mesmo saco o terrorista e o policial que, na tentativa de eliminá-lo e libertar os reféns, provoca acidentalmente a morte de um dos reféns? Pode-se dizer que, nesse caso, os dois lados - os terroristas e os policiais - se equivalem moralmente?
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Se dessa vez o caro leitor não compreender a analogia, acho que vou ter que inserir a tecla SAP no blog.
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Na terceira, você disse a palavra mágica: ONU. Lembremos que os palestinos não aceitaram a divisão estabelecida pela ONU, pois consideram-na injusta. E, portanto, a criação de Israel se deu com a tomada de territórios que eram considerados dos palestinos pelos próprios. Lembremos também que Israel tomou a faixa de Gaza e passou a administrá-la.
Não foram "os palestinos" que não aceitaram a divisão estabelecida pela ONU em 1947 - foram os árabes. Árabe não é o mesmo que palestino. Vou repetir o que disse antes: só se começa a falar em palestinos, Estado palestino etc., depois da derrota árabe na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Até então, a luta era entre árabes (egípcios, jordanianos, sírios etc.) e israelenses. Quem não aceitou a partilha da ONU, lembremos, foram os árabes, que atacaram em bloco Israel. A única opção deixada aos israelenses foi defender-se dessa agressão e lutar pelas próprias vidas. Tem gente que acha até hoje isso injusto, e prefere que os árabes tivessem vencido a guerra - ou seja: que Israel fosse destruído. Penso diferente desses, e acho que Israel tem o direito de existir.
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Quanto à Faixa de Gaza, Israel só a tomou em 1967, quando até então ela pertencia ao Egito. Em 2005, Ariel Sharon - sim, ele mesmo! - ordenou a retirada dos colonos e soldados israelenses da Faixa de Gaza. De forma unilateral, sem pedir nada em troca. Imperialistas cruéis, esses israelenses, como se vê...
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Quanto à ONU, eu teria mais alguma coisa para falar, mas vou deixar para outra oportunidade. Já falei de como essa organização é hoje bem diferente do que era quando foi criada. Basta lembrar da tal escola da ONU, que teria sido bombardeada por Israel na Faixa de Gaza, e de como os próprios funcionários da ONU admitiram que o bombardeio foi do lado de fora da escola - quase um mês depois...
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Por último, novas perguntas: Por que você sempre é contra o Islã? Por que é ruim fazer acordos, mas bom fazer a guerra? Por que é errado Obama negociar com Ahmadinejad ao invés de atirar misseis no Irã?
O quê??? Eu li certo??? O caro leitor está dizendo que este escrevinhador é "sempre contra o Islã"? E que considero fazer acordos algo "sempre ruim" e a guerra, algo "sempre bom"? Peraí, deixa eu me recompor do choque...
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Meu caro, aponte onde, em que texto, em que parágrafo, em que linha eu digo que sou contra o Islã (ou o cristianismo, ou o budismo, ou o hinduísmo, ou a seita do Santo Daime...). Tenho minhas próprias opiniões sobre religião, que eu não faço questão nenhuma que alguém compartilhe comigo, mas não tenho absolutamente nada contra (nem a favor) esta ou aquela crença. Sou, isso sim, contra grupos terroristas como o Hamas e o Hezbollah, assim como sou radicalmente contra tiranias teocráticas como a do Irã. Isso me torna um inimigo do Islã?
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Outra coisa: onde foi que eu escrevi que é "sempre ruim" fazer acordos? E que é "sempre bom" fazer a guerra? Aponte onde eu disse algo parecido com isso. O que eu disse e repetirei quantas vezes for necessário é que NEM SEMPRE é bom fazer acordos - depende de com quem você negocia. É bom lembrar que foi o desejo de fazer acordos e apaziguar Hitler que abriu o caminho para a Segunda Guerra Mundial (como disse Churchill, entre a desonra e a guerra, os defensores da paz com Hitler a qualquer preço escolheram a desonra - e tiveram a guerra). Por que acho errado Obama negociar com Ahmadinejad? Pelos seguintes motivos (escolha o seu preferido):
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- Porque Ahmadinejad é um antissemita fanático que nega o Holocausto;
- Porque Ahmadinejad não reconhece o direito de Israel à existência;
- Porque Ahmadinejad já declarou inúmeras vezes que deseja varrer Israel do mapa;
- Porque Ahmadinejad financia o terrorismo do Hamas.
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É mole ou quer mais? Os acenos de Obama não estão sendo acompanhados de nenhum compromisso do Irã de que irá cessar seu programa nuclear, ou qualquer movimento semelhante. Alguém acredita realmente que será a paz que virá daí?
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A guerra NUNCA é uma boa opção. O que não significa que, às vezes, não seja a ÚNICA opção possível, além da própria destruição. Basta ver o caso da luta contra o nazi-fascismo. Há sessenta anos Israel convive com essa realidade. E há sessenta anos idiotas de todos os tipos tentam justificar, de todas as maneiras, o terrorismo contra Israel. Inclusive apelando para o pacifismo.
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Não queremos mais guerras. Somente pela diplomacia poderemos atingir a paz.
Primeiro: quem é o "nós" da frase? Sempre desconfiei de textos na primeira pessoa do plural que não especificam quem seria exatamente esse sujeito. Se o leitor está se referindo aos israelenses, a frase é correta. O mesmo não pode ser dito do Hamas, ou do Irã. Nem sempre a diplomacia é o único caminho para a paz. Se fosse assim, seria ótimo, não precisaria nem haver exércitos. Sem a força militar, a diplomacia não tem sentido, é mero exercício de retórica. A menos que se acredite piamente que o Hamas e o Irã estejam realmente interessados na paz, assim como Hitler.
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É impressionante como, para justificar o terrorismo, haja quem violente tão despudoradamente a Lógica e a História. E ainda falam em paz...

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Três respostas para um leitor anti-Israel

Comentando meu texto "Um diálogo sobre discursos (ou: da necessidade de recolocar frases no contexto)", um leitor, movido pela curiosidade ou pela malícia, escreveu-me fazendo três perguntas. O tema é o conflito israelo-palestino (que eu prefiro chamar de luta de Israel contra o terrorismo, pois o conflito israelo-palestino, desde os Acordos de Oslo de 1993, já deixou há muito de existir). Ele vai em vermelho. Minhas respostas vão em preto.
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Gustavo,
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Se for capaz, peço que responda sinceramente estas questões:
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1) Por que é justo Israel defender seu país atacando os Palestinos, mas é injusto os Palestinos defenderem seu povo atacando os israelenses?
A questão é desonesta. Israel não ataca os palestinos. Ataca, isto sim, grupos como o Hamas, que usam os palestinos como escudos. O Hamas não defende os palestinos atacando os israelenses. Ataca Israel porque quer destruí-lo, e com isso arrasta propositalmente a população civil palestina para a guerra. A Israel não resta outra alternativa senão se defender. Como? Tentando neutralizar a capacidade destrutiva do Hamas, por exemplo.
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Vou tentar ser mais didático: imagine uma situação em que um criminoso faz reféns e começa a disparar contra você. O objetivo do dito criminoso não é outro senão exterminá-lo, riscar você do mapa. O que você faria? Reagiria, tentando eliminar essa ameaça, sob o risco de atingir os reféns, ou não faria nada, ficaria sentado, servindo de alvo, para não provocar danos colaterais?
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2) Por que é justo os judeus terem um país próprio, mas injusto os palestinos terem um país para eles?
Epa! Alto lá! Quem está dizendo que é injusto os palestinos terem um país para si? Diga onde, quando, eu disse algo remotamente parecido com isso. Nem eu, nem muito menos Israel se opõe à existência de um Estado palestino. Pelo contrário! Desde os Acordos de Oslo, em 1993, a solução dos dois Estados - um israelense e um palestino - foi acordada entre as duas partes, Israel e o Fatah. A questão, portanto, já está resolvida. Quem não aceita essa solução, meu caro, não é Israel, são grupos como o Hamas, que não querem saber de dois Estados convivendo lado a lado, pois simplesmente juraram varrer Israel do mapa. A questão prima pela ignorância - ou pela má-fé.
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Apenas um adendo: Israel está longe de ser um Estado exclusivamente judeu. Há israelenses judeus, cristãos, ateus e até árabes muçulmanos (cerca de 1,5 milhão). Isso porque se trata de um país democrático - o único, aliás, do Oriente Médio. Agora, imagine o que seria dos judeus caso o Hamas ou o Hezbollah alcancem seu objetivo de instaurar uma teocracia islâmica na região...
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3) Por fim, a mais importante, por que é justo que Israel invada e tome a terra dos palestinos (que nela já estavam antes dos judeus), mas é injusto que os palestinos retomem dos judeus a terra que é deles por direito e usufruto?
Primeiro: não é verdade que Israel "invadiu e tomou" a "terra dos palestinos". O Estado de Israel foi criado por uma Resolução da ONU, em 1947, que previa também a criação de um Estado Árabe. Até então, a região estava sob mandato britânico, como esteve antes sob domínio otomano (turco) até a Primeira Guerra Mundial. Segundo: nesse período todo, nunca deixou de existir uma presença judaica na região, ao lado dos árabes (é um mito a ideia de que os judeus "vieram depois"). Terceiro: quanto aos palestinos, só se começou a falar deles depois da derrota árabe na Guerra dos Seis Dias, em 1967 - até então, a luta era entre "árabes" e "israelenses". A idéia de um Estado palestino (e não árabe) só surge muito depois, e contra a vontade dos governantes ÁRABES, é bom que se diga. Em suma: a questão peca por absoluta falta de sentido lógico e histórico.
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É impressionante como, entre o terrorismo de quem quer destruir um Estado democrático e o direito deste de se defender, ainda há quem defenda o primeiro, e negue o segundo, alegando, inclusive, pretensos objetivos humanistas. É triste ter que responder esse tipo de pergunta, mas é necessário, infelizmente.