quinta-feira, janeiro 15, 2009

ESCUDOS HUMANOS, UM PROBLEMA DA HUMANIDADE

Vou pedir licença a meu conterrâneo, o filósofo Pablo Capistrano, para comentar um artigo dele aqui em meu blog. Já fiz isso antes, e acho que ele vai entender. O artigo em questão se chama "Todas as crianças da humanidade" e foi publicado no Jornal de Hoje, de Natal/RN, no último dia 10 de janeiro. O assunto é o conflito em Gaza. Pablo se detém sobre um aspecto específico - o aspecto mais visível do conflito, como o de quase todas as guerras, infelizmente -: a morte de crianças. Ele lembra o drama dos "pais de Goradze, enclave bósnio-mulçumano, em pleno território Sérvio durante a guerra dos balcãs. Milhares de crianças foram degoladas por Chetniks (guerrilheiros Sérvios) ou queimadas por bombas enquanto a comunidade internacional e a opinião pública cuidava da vida. Mas também penso nas crianças alemães de Dresden, incineradas pelas bombas dos aliados durante os bombardeios de 1944 (que mataram 200 mil), as crianças de Nagasaki e Hiroshima, as crianças judias nos campos de extermínio, as vietnamitas correndo nuas com napalm arrancando a pele." etc.
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Até aí, estou inteiramente de acordo com Pablo Capistrano. O problema começa aqui: "Mas o grave esses dias, foi mesmo a declaração de Ehud Olmert, primeiro ministro de Israel. Quando perguntado porque havia tantas crianças palestinas mortas no conflito de Gaza e tão poucas crianças israelenses, ele teria respondido: "nós cuidamos de nossas crianças".
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Qual o problema com essa afirmação de Pablo? Bom, eu poderia dizer que o problema é que a frase não foi dita por Ehud Olmert, mas por Shimon Peres, presidente de Israel e Prêmio Nobel da Paz. Alguém que, já tendo lutado em várias guerras desde 1948 e tendo sido um dos principais articuladores do frustrado acordo de paz com a OLP de Yasser Arafat em 1993, deduzo que saiba um pouco do que está falando. Mas o problema não é esse. O problema é que a frase de Peres, que precisa ser reposta em seu devido contexto ("texto sem contexto é pretexto", não me lembro quem disse isso, mas é verdade), significa algo totalmente diverso do que diz Pablo em seu artigo.
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Vejamos o que diz Pablo, quando se refere à frase de Peres: "Isso [o fato de Israel cuidar de suas crianças] é verdade. Após anos sofrendo atentados quase que diários, em 2009 Israel sofreu apenas um". Vamos aos números: somente nos últimos anos, mais de 3 mil foguetes do Hamas atingiram a região sul de Israel. Desde que a ofensiva israelense começou, já foram dezenas, que fizeram mais de dez vítimas fatais. Não vou entrar aqui no debate de se isso é "proporcional" ou não (já discuti isso exaustivamente em outros textos). Vou me limitar a citar apenas o que está dito aí em cima: em 2009, Israel sofreu bem mais do que um atentado. O problema é que ninguém parece estar dando a mínima para isso. Como parece não estar dando a mínima também para o fato de que, não fosse a pronta e enérgica ação militar israelense, já teríamos tido bem mais do que um ou dezenas de ataques terroristas.
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Pablo parece reconhecer isso, pois afirma "que do ponto de vista da segurança de Israel, a política dos últimos governos é, ao menos temporariamente, eficaz". Mas, logo em seguida, comete um deslize: "e que a retórica apocalíptica de grupos como Hamas e Hezbolah é de um primarismo político digno da mais profunda piedade".
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Aqui há mais alguns pontos a serem esclarecidos. Primeiro, não é somente a retórica do Hamas e do Hezbollah que é apocalíptica: suas ações assassinas e indiscriminadas contra a população civil isralense (e também contra os palestinos, como se verá mais adiante) também são. Tais grupos, é bom lembrar, juraram varrer Israel do mapa, com toda sua população - crianças inclusive. Segundo, isso não é digno de piedade: é digno de ação enérgica para deter esses criminosos. Piedade eu reservo para as crianças, tanto israelenses quanto palestinas, as maiores vítimas do... Hamas! Aliás, onde está a ONU que ainda não começou uma investigação sobre a prática do Hamas de utilizar suas instalações em Gaza para disparar mísseis contra Israel?
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Prossegue Pablo: "Agora, há uma dimensão sinistra no discurso da autoridade israelense. Existem ao menos três formas retóricas de você se escandalizar com o massacre de crianças em Gaza. (1) você se escandaliza porque israelenses estão matando crianças palestinas; (2) você se escandaliza porque judeus (apoiados por cristãos ocidentais) estão matando crianças muçulmanas; (3) você se escandaliza porque estão matando crianças."
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Da minha parte, fico com a opção 3: a morte de uma criança, seja palestina, israelense ou em Darfur, é a morte de uma criança. Não há nada mais terrível e repugnante. Ponto. Acrescento apenas que faltou Pablo falar de outra dimensão, a mais perversa de todas: você se escandaliza (deve se escandalizar) porque um grupo terrorista e genocida está usando crianças como escudos humanos para serem propositalmente mortas e assim servir de carne barata para fazer propaganda contra o inimigo, que está lutando para se defender. Deve se escandalizar ainda mais, a meu ver, se, diante de tamanha barbaridade, a mídia e a opinião pública mundial estiverem sendo manipuladas de maneira tão grotesca pelos terroristas, a ponto de ignorarem isso por completo e comprarem, mesmo sem o saber, suas teses genocidas.
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Pablo: "Quando a autoridade israelense fala "nós cuidamos de nossas crianças" ele acaba se aproximando de um discurso de tipo (1). Um discurso de exclusão, cisão, separação. O problema não é meu, porque aquelas não são "minhas crianças". As crianças dos outros são um problema dos outros, das minhas cuido eu. Curiosamente esse é o discurso do Hamas, que obviamente não vai se preocupar com as crianças israelenses, porque eles pensam que estão defendendo as crianças palestinas (apesar de enchê-las de bombas, usa-las como escudo ou lançá-las em um martírio suicida e inútil). O sinistro é justamente que, com essa declaração o discurso da autoridade israelense e dos grupos que eles tentam combater se torna o mesmo".
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Aqui está o cerne de minha discordância com o texto de Pablo. Quando mencionou as crianças palestinas, Shimon Peres estava se referindo à maneira diferente como cada lado cuida dos seus. Evidentemente, ele estava se referindo ao hábito do Hamas de utilizá-las como escudos humanos, coisa que Israel, mesmo o mais ferrenho antissionista teria de admitir, não faz. Em outras palavras, eles estava dizendo: "NÓS CUIDAMOS DE NOSSAS CRIANÇAS; AO CONTRÁRIO DO HAMAS, QUE AS USA COMO ESCUDOS HUMANOS, COM A INTENÇÃO DELIBERADA DE GERAR MORTES ENTRE AS CRIANÇAS PALESTINAS E COM ISSO LEVAR TODOS A SE INDIGNAREM CONTRA ISRAEL". Dizer que "esse é o discurso do Hamas" é algo que não pode ser levado a sério: Israel não só cuida de suas crianças, como cuida para que os bombardeios em Gaza causem o menor número possível de vítimas entre as crianças palestinas - é uma pena que o Hamas não tenha os mesmos escrúpulos de humanidade, nem em relação às crianças israelenses, nem em relação às crianças palestinas. O texto inteiro dá a impressão de que Israel está matando indiscriminadamente e por pura maldade ("ah, esses judeus malvados"...), como se não existisse Hamas nem escudos humanos. Eu me recuso a colocar Israel no mesmo saco dos que querem destruí-lo, assim como me recuso a colocar no mesmo saco os Aliados e os nazistas.
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"O fato é que, a partir dessa lógica, ao se escandalizar porque israelenses matam crianças palestinas você pode, ao mesmo tempo, não se escandalizar se palestinos matassem crianças israelenses".
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Não, Pablo. Mil vezes não! A partir desse raciocínio, que tenta equiparar Israel ao terrorismo do Hamas, você pode, facilmente, justificar este último, encarando-o como uma "legítima retaliação" (há quem defenda isso, e não são poucos). Não é preciso ser pró-Israel para perceber que há algo de intrinsecamente pró-terrorista, logo perverso, nesse raciocínio. Já demonstrei que as mortes de crianças palestinas se devem mais ao Hamas, que as usa como escudos - uma prática covarde e criminosa - do que às bombas de Israel, que visam, primordalmente, alvos do Hamas. O que distingue Israel do Hamas é que este último atira suas próprias crianças na fogueira da guerra, explorando a dor e o sofrimento de inocentes para daí auferir ganhos na guerra de propaganda (que está ganhando, como o texto de Pablo parece demonstrar).
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"Há algo de racista ou de etnocêntrico nesse discurso. Um leve odor aristocrático que acostumou a decompor a humanidade em setores. Se você opta pelo discurso 2: "eu me escandalizo porque judeus (apoiados por cristãos ocidentais) estão matando mulçumanos"; parabéns, você subiu de nível no videogame ideológico do ódio. Abandonou o estágio de um mundo baseado em laços sanguíneos, familiares, raciais, nacionais ou étnicos e entrou no mundo da religião. O problema é que esse discurso, apesar de ter bases diversas, tem, miseravelmente, as mesmas conseqüências: ódio, rancor, vingança, retaliação. Elementos centrais na construção dos massacres. Ele é um mesmo discurso de exclusão que hoje, serve para alimentar a ideologia fundamentalista de grupos que exploram o fanatismo e ignorância das massas, para reter um naco qualquer de poder."
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Insisto: não se pode igualar o direito de Israel defender-se de seus inimigos e as intenções e práticas genocidas do Hamas (inclusive contra seu próprio povo e suas próprias crianças). Não há nada de "racista" ou "etnocêntrico" nisso, ao contrário do discurso do Hamas, este sim, racista e etnocêntrico, além de genocida. No final desse parágrafo, Pablo reproduz um dos clichês mais repetidos de todos os tempos: o discurso israelense serviria como combustível para o terrorismo genocida do Hamas e assemelhados. Isso, além de ser falso - basta estudar um pouco a História do conflito nos últimos anos para perceber que não importa o que Israel faça ou deixe de fazer, o terrorismo se alimenta de uma fonte de ódio muito mais profunda e irracional -, se esquece de um fato fundamental: grupos como o Hamas não querem "reter um naco qualquer de poder": querem, isso sim, destruir Israel e islamizar o mundo à força.
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"Kant escreveu certa vez que não se pode tratar a humanidade em si mesmo e no outro como um meio. A grande utopia do esclarecimento é a da não decomposição da humanidade. A da possibilidade que esses discursos de exclusão e de separação sejam um dia substituídos por um discurso que aponte, sobre a superfície das distinções, aquilo que nos une. Porque eu diminuo em mim toda humanidade, quando não perco a capacidade de sofrer pelas crianças do inimigo".
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Concordo plenamente com as palavras de Pablo. Daí porque apóio a causa de Israel contra o Hamas. Esta é uma causa pertencente não a um grupo específico, a um país ou a uma tribo, mas a toda a humanidade.
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É uma pena que o discurso anti-Israel tenha tantos matizes, enquanto o direito de um Estado democrático defender-se de um bando de facínoras genocidas é visto como uma atitude belicista e mesmo nazista (ou "racista" e "etnocêntrica"). Mas, como dizia Golda Meir: "prefiro receber protestos a receber condolências". Inclusive pelas crianças palestinas, exploradas pelo Hamas como carne de canhão para atacar Israel, sob o olhar complacente da comunidade internacional.

MENTIRAS SOBRE ISRAEL

Cartaz do filme antissemita alemão da década de 30 "Der Ewige Jude" (O Judeu Eterno): estariam os atuais inimigos de Israel muito longe das opiniões nazistas?


Desde que as Forças de Defesa de Israel iniciaram sua ofensiva contra os fanáticos terroristas do Hamas, há algumas semanas, temos visto se intensificar a campanha de desinformação e propaganda antissionista e antissemita (esta, em geral, não se atreve a mostrar a cara, escondendo-se sob vários subterfúgios). Eis um resumo das mentiras, engodos e falsidades que foram repetidos ad nauseam nos últimos dias, e uma refutação a cada um deles:

- "A reação militar de Israel na Faixa de Gaza é desproporcional e o iguala aos terroristas".
Já escrevi bastante sobre essa balela, a mais repetida de todas. Vou tentar resumir aqui o que penso a respeito: Israel é um Estado democrático (o único, aliás, do Oriente Médio) cercado por inimigos que querem riscá-lo do mapa e exterminar sua população. Um desses inimigos é o Hamas, organização terrorista que, em sua carta de fundação, jurou matar todos os israelenses e estabelecer um Estado islâmico. Israel está respondendo militarmente aos atentados do Hamas, que já lançou milhares de foguetes sobre alvos israelenses, tendo descumprido a trégua acordada meses atrás entre os dois lados. Se a reação de Israel fosse mesmo desproporcional, como se está apregoando, os caças e tanques israelenses deveriam estar promovendo o massacre de TODA a população palestina, e não visando a alvos do Hamas.
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Ainda assim, alguém poderia argumentar que a desproporção, aqui, é de meios, e não de fins. Isso seria evidenciado pela diferença das baixas de ambos os lados - cerca de mil, até agora, do lado palestino (a maioria, membros do Hamas), e 15, do lado israelense. O.k., mas isso não muda o essencial da questão. Exigir proporcionalidade entre um Estado democrático que luta para se defender e quem deseja eliminá-lo é uma cretinice, que só pode resultar de ingenuidade ou má fé. Imaginem o que o Hamas ou o Hezbollah fariam se, em vez de foguetes caseiros, tivessem tanques e helicópteros: certamente, o número de baixas, principalmente israelenses, seria bem maior, e a tragédia teria proporções - aí sim! - verdadeiramente genocidas. É justo e ético exigir proporcionalidade de meios entre a polícia e os criminosos?
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- "A reação desproporcional de Israel alimenta o terrorismo islâmico".
Esta é uma das mais cínicas - ou mais mal-informadas - mentiras repetidas diariamente na mídia sobre a questão israelo-palestina. Consiste em simplesmente inverter a realidade, culpando as vítimas pela violência e justificando a ação dos agressores como resposta legítima a uma agressão anterior - no caso, de Israel. É como se alguém dissesse: "pô, é só não fazer nada contra os terroristas, é só deixar esses coitadinhos quietinhos no canto deles, e eles páram de lançar mísseis e explodir bombas; eles deixam, enfim, de ser terroristas"... Não é difícil ver quão estúpida é essa teoria. Ora, não é qualquer ação israelense, assim como não é qualquer ação norte-americana, o que alimenta os terroristas. Basta lembrar que, em várias ocasiões, Israel já acenou com propostas de paz generosas, e o que se seguiu foi a intensificação, não a diminuição de atentados, inclusive com homens-bomba palestinos. Vamos lembrar alguns fatos:
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- Em 2000, por ocasião das conversações de paz em Camp David, o então primeiro-ministro israelense (e atual ministro da Defesa), Ehud Barak, ofereceu mais de 90% de todo o território palestino ocupado por Israel desde 1967 ao então líder da Autoridade Palestina, Yasser Arafat. Isso significaria que praticamente toda a Cisjordânia e a Faixa de Gaza passariam às mãos palestinas. Arafat desdenhou a proposta, e ao invés de aceitá-la, desencadeou uma onda de radicalismo que culminou na segunda intifada, a revolta palestina, contra Israel.
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- No mesmo ano de 2000, as tropas israelenses se retiraram do sul do Líbano, que ocupavam desde 1978. Desde então, a região se transformou numa base avançada do Hezbollah, que de lá lança seus atentados e dispara seus foguetes contra Israel, o que levou a uma rápida guerra entre Israel e o Hezbollah em 2006.
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- Em 2005, o então primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, tido como um brutamontes reacionário e belicista, ordenou a retirada, de forma unilateral e sem pedir nada em troca, de todos os assentamentos judeus na Faixa de Gaza, território que desde então foi tomado pelo Hamas, primeiro numa eleição e, depois, num golpe de estado em que seus rivais do Fatah foram fuzilados à queima-roupa. De lá para cá, o número de ataques do Hamas contra civis israelenses a partir de Gaza só fez aumentar.

Notem bem: a cada movimento de Israel em direção à paz, seguiu-se não um aceno correspondente e semelhante do lado palestino, mas uma nova onda de terror antiisraelense. Seguiram-se não abraços e flores, mas tiros e explosões. O que prova que o terrorismo já deixou há muito de ter qualquer relação com qualquer coisa que Israel faça ou deixe de fazer. Ninguém é terrorista por vontade ou decisão alheias. Os únicos culpados pelo terrorismo são os... terroristas!
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- "A ação israelense vai contra a criação do Estado palestino".
Balela pura. A solução de dois Estados - um palestino, um israelense - já foi aceita e é defendida por Israel há anos. Ninguém discute mais isso. Quem não a aceita e luta contra a solução de dois Estados - a única solução possível para o conflito israelo-palestino - são os terroristas islamitas, como os fanáticos do Hamas e do Hezbollah. Estes não querem um Estado palestino, mas destruir Israel e implantar, em seu lugar, uma teocracia islâmica.
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Suponha que as fronteiras da região retornem a como eram antes da criação de Israel, em 1948. Mais: imagine que Israel deixasse de existir, e toda a região se tornasse o Estado palestino. O Hamas e o Hezbollah cessariam sua luta? Cessariam os atentados? Claro que não! O que eles querem é a islamização do mundo, a jihad global.
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- "Os judeus, que sofreram sob o nazismo, agora repetem seus métodos"
Certamente a mais desonesta e repugnante das mentiras, moralmente equivalente ao próprio nazismo. Consiste na seguinte ideia: como os judeus comeram o pão que o diabo amassou e foram quase exterminados pelos nazistas, não têm o direito de "fazer o mesmo" com os palestinos... Há duas falsidades evidentes aí: 1) não há como equiparar o extermínio de 6 milhões de judeus com as ações israelenses em Gaza, pelos motivos já expostos - a menos que se considere o Holocausto uma justa reação de Hitler e seus sequazes contra um inexistente terrorismo judaico contra a Alemanha; e 2) a ação de Israel não visa à população palestina como um todo, mas ao Hamas. Os civis palestinos morrem principalmente porque são usados pelo Hamas como escudos humanos.
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Por trás dessa tentativa infame e indecente de igualar a ação de um Estado que luta para garantir seu direito à existência com um dos crimes mais monstruosos da História está a seguinte ideia, não menos infame e indecente: os habitantes de Israel não têm o direito de se defender. Nem de existirem. Como pensava, aliás, Adolf Hitler.
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- "O sionismo é um movimento totalitário, semelhante ao nazismo".
Essa eu li um dia desses, num artigo da Folha. Esgotados todos os demais argumentos, apela-se para o argumento derradeiro, "histórico". Trata-se aqui de questionar retroativamente a própria criação em 1948 do Estado de Israel, mostrada como um processo de expulsão e de "limpeza étnica" da população supostamente original, árabe ou palestina. Não falta aqui uma pitada de antiimperialismo antiocidental, com ataques aos interesses neocoloniais de potências como os EUA e a Grã-Bretanha, que patrocinaram a fundação do Estado sionista. Tenta-se, aqui, transferir para Israel o ódio dos "antiimperialistas" pelos EUA, a besta-fera maior.
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O argumento, que seduz a muitos, é falso por várias razões. Primeiro, porque a criação de Israel não implicou em "limpeza étnica" coisa nenhuma, mas no estabelecimento de dois Estados, um árabe (não se falava, ainda, em palestinos) e outro judeu, tal como foi estabelecido pela ONU. Foram os árabes que não aceitaram a partilha, e atacaram em massa Israel no dia seguinte à sua fundação. Segundo, porque a criação de Israel foi vista com simpatia pela esquerda mundial, inclusive pela URSS (que votou a favor da criação do Estado judaico), sendo o atual antissionismo um produto dos anos 60, quando a URSS passou a apoiar os países árabes contra Israel, visto como um baluarte dos EUA no Oriente Médio durante a Guerra Fria. Finalmente, comparar o sionismo e o Estado de Israel, um país democrático, que tem inclusive cerca de 1,5 milhão de árabes muçulmanos, com ideologias e ditaduras totalitárias como a nazista só pode ser fruto de muita ignorância ou de desonestidade intelectual pura e simples.
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Aí está. Leiam e tirem suas próprias conclusões. Diante de tudo isso que está aí em cima, quem pode negar que estamos vivendo uma nova onda de antissemitismo?

quarta-feira, janeiro 14, 2009

ENFIM, UM DEBATE

Noite de terça-feira. Enquanto a falta de opção na TV aberta me deixava exasperado e o tédio já tomava conta de mim, fujo da estreia de mais uma edição de um programa idiota de candidatos-a-celebridades-que-fazem-tudo-para-aparecer e começo a zapear, buscando algo a que valesse a pena assistir. Detenho-me num programa que não tenho o costume de ver, atraído não pelo programa em si, uma das piores coisas na já em geral deplorável televisão brasileira, mas no GC (gerador de caracteres) que anunciava, em tom fortemente sensacionalista como é do feitio do programa: "professor transsexual quer ensinar crianças".
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Deixei de lado, por um momento, o caráter fútil do programa, os comentários asininos da apresentadora e o nível abissal dos convidados, a maioria celebridades vazias de cabeça oca, para prestar atenção ao debate em si. De um lado, um transsexual masculino, Genivaldo (ou Geane), rosto, corpo e gestos femininos, reivindicando o seu "direito" de lecionar para crianças de 4 a 6 anos de idade. De outro, dois psicólogos, especialistas na área de sexualidade. No meio, dois ou três convidados para fazer cena, sem muito de aproveitável que dizer.
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Já estava imaginando, pelos antecendentes do programa, o que viria a seguir: uma desbragada apologia da homossexualidade e um ataque vitimista e afetado, pela enésima vez na televisão, à mentalidade "homofóbica" que impede um sujeito de batom, maquiagem e salto alto de ensinar nas escolas para quem acabou de sair das fraldas e não sabe ainda a diferença entre um camelo e um cavalo. De fato, não me enganei de todo a esse respeito. Um dos primeiros a tomar a palavra, gay assumido, começou a cantar as virtudes da opção do(a) professor(a), enfatizando seu "direito como cidadão" de expor abertamente sua condição sexual em sala de aula, e criticando duramente "essa gente careta e preconceituosa, que não deixa a gente ser o que é". Ainda assim, resolvi assistir ao debate, devido à presença dos dois cientistas, cujas opiniões eu estava curioso para ouvir.
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Foi aí que eu tive uma surpresa - e uma grata surpresa! Após a plateia - composta, em sua maioria, de adolescentes - ter-se derramado em aplausos entusiasmados à arenga do convidado gay ("obrigado gente, eu adoro aplausos!"), um dos psicólogos pediu a palavra. Foi direto ao ponto: o motivo que levara o transsexual ao programa - seu proclamado desejo de dar aula a criancinhas - é um absurdo. Não por sua orientação sexual, não por moralismo ou "preconceito" contra quem ou o que quer que seja, mas por um motivo puramente médico ou, se preferirem, científico: na primeira infância, até os seis ou sete anos de idade, a criança é incapaz de discernir claramente a diferença entre masculino e feminino. Sendo os professores, como os pais, uma referência nessa fase da vida, a presença de um transsexual em sala de aula pode acarretar danos irreparáveis à formação da criança, inclusive o que está catalogado como DIG - Distúrbio de Indefinição de Gênero -, uma doença segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Crianças, ao contrário do que se imagina, têm, sim, sexualidade. É por esse motivo, acrescentou o especialista, que aos oito meses de idade não é recomendável que elas continuem dormindo no mesmo quarto dos pais, para evitar traumas psicológicos. Nada impede a pessoa de dar aulas para jovens ou adultos, já de personalidade formada, mas a ideia de um transsexual como professor(a) (na minha época se dizia "tio" ou "tia") de uma turma formada por quase-bebês de 4 ou 5 anos de idade é, com o perdão da palavra, abominável. E isso não é uma opinião: é um dado científico.
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A informação pegou claramente os presentes de surpresa, revelando todo seu despreparo para analisar casos como aquele. Isso não impediu, claro, que os gays presentes se mostrassem indignados, vociferando contra os "homofóbicos" que não os deixam ser felizes como são e insistindo na defesa do "sonho" de um travesti ensinar para que idade for, sem se importar com o fato de que isso iria ou não confundir a cabecinha das crianças ("eu ensino e confundo", chegou a dizer o candidato a professor de pré-primário). Aliás, em todas as suas intervenções, não lembraram em momento algum o direito das crianças à educação de qualidade. Sem argumentos, partiram para o sentimentalismo. No final, foi apresentado um vídeo em que o citado transsexual derramava-se em lágrimas, falando de sua mãe que é tudo para ele e que está enfrentando um tratamento contra o câncer. Só não sei o que isso tem a ver com o tema debatido.
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Esse episódio, mesmo vindo de uma fonte improvável, é bastante educativo. Bastou dois especialistas, aparentemente medianos, citarem alguns dados científicos básicos para revelar mais uma tentativa de manipulação por parte da militância gay, hoje uma força política considerável, com presença garantida na mídia (o programa era o mesmo em que os dois sargentos gays do Exército fizeram toda aquela pantomima no ano passado, antes de serem corretamente expulsos da corporação). Na verdade, o que ficou claro é que os gays (e aqui estou falando dos militantes gays) não estão interessados em "democracia" ou "cidadania" - palavras que foram bastante repetidas no debate - coisa nenhuma, mas, única e exclusivamente, em transformar seus próprios desejos e caprichos em normas obrigatórias, sem levar em consideração o restante da sociedade. Não estão interessados em coisas como ética pedagógica - algo que o sujeito do debate, sendo professor, deveria conhecer -, mas tão-somente em impor sua agenda política, "ocupando espaços", promovendo uma "mudança comportamental". Nesse caso, o transsexual Geane/Genivaldo quer porque quer lecionar para crianças em fase pré-escolar, algo que - é a OMS que diz - só pode gerar confusão em mentes ainda em início de formação, e que não despertaram ainda para as nuances da sexualidade humana. Ele não sabe disso? Sabe, sim. Mas, e daí? A "causa" é mais importante.
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Já escrevi aqui sobre esse tal movimento gay e como ele está conseguindo, com o apoio ou o olhar complacente de muitos, idiotizados ou paralisados pelo "politicamente correto", subverter - no sentido real do termo - as regras da democracia para impor uma mentalidade claramente autoritária à sociedade, sepultando, em nome do respeito à diversidade, a própria diversidade. Um projeto de lei atualmente em tramitação no Congresso ameaça tornar crime até mesmo uma opinião ou piada de bar considerada "homófóbica". Agora, querem investir sobre as criancinhas, a parcela mais influenciável da sociedade. Não duvidem: em breve, veremos gente defendendo abertamente na televisão as virtudes da pedofilia. E quem se opuser a isso, citando inclusive dados científicos, será acusado de ser um brutamontes preconceituoso e homofóbico.

terça-feira, janeiro 13, 2009

UM VERMELHO-E-AZUL COM UM TEXTO MUITO CONFUSO (OU MAL-INTENCIONADO)

Às vezes me deparo com um texto aparentemente correto, com afirmações inicialmente certas, um título apropriado etc. A partir da terceira ou quarta linha, porém, algo se transmuda: o que pouco antes pareceria lucidez e agudeza de análise se transforma num amontoado desordenado de afirmações incongruentes e estapafúrdias, que logo degeneram em negação e/ou distorção dos fatos pura e simples. É esse precisamente o caso do texto que li hoje na Folha de S. Paulo, de autoria de um certo Ricardo Melo, sobre o conflito em Gaza e o tour diplomático do governo Lula na região nos últimos dias. Reparem que ele até começa bem, e faz algumas observações interessantes. O problema está na linha de raciocínio que ele adota, francamente anti-Israel. Meus comentários vão em azul.
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DIPLOMACIA DE FACHADA
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É patético. No mesmo momento em que Israel avança para a guerra urbana em Gaza, o presidente Lula usa seu programa de rádio para pedir respeito à decisão do Conselho de Segurança da ONU sobre um cessar-fogo.
Nada a comentar. Assino embaixo. Adiante.
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Mera saudação à bandeira. A ONU, desde a sua fundação, só tem feito referendar a vontade dos países ricos. Ninguém sério, ou que se leve a sério, acredita que as Nações Unidas exerçam algum poder de fato para arbitrar conflitos, interromper guerras e promover a paz.
Aqui começa o problema. Sob o pretexto de criticar a inação da ONU, o autor comete um disparate histórico, ao dizer que "A ONU, desde a sua fundação, só tem feito referendar a vontade dos países ricos". Se isso fosse mesmo verdade, teríamos que considerar países como Sudão, Cuba e Síria potências econômicas. A ONU, hoje, não passa de uma mega-ONG e de um clube de ditadores, muitos deles patrocinadores ativos do terrorismo, todos com alguma encrenca com os tais "países ricos". Não é por acaso que os EUA e Israel são sempre voto vencido na Assembléia-Geral da dita organização.
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Ao contrário. O que a ONU tem feito ao longo de sua história é chancelar as guerras ao dar poder de veto a um único país para impedir ações mandatórias.
Mais confusão (ou desinformação). Não é "um único país" que tem poder de veto (suponho que seja dos EUA que o autor esteja falando...), mas cinco países - EUA, Rússia, China, França e Reino Unido - que detêm o direito de veto no Conselho de Segurança da ONU. Foi graças ao veto de três desses países - Rússia, China e França - que a ONU se opôs à guerra para derrubar Saddam Hussein do poder no Iraque, em 2003. E é graças ao veto de pelo menos um deles - a China - que a ONU dá de ombros para o genocídio em Darfur, a maior tragédia humanitária da atualidade, na qual já morreram cerca de 300 mil pessoas. Quem tem voz na ONU, meu amigo, não é Israel: são seus inimigos, como Ahmadinejad e Hugo Chávez. Nada a ver com o que diz o autor das linhas acima.
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A ONU que votou pelo cessar-fogo em Gaza é a mesma que assistiu, aprovando documentos parecidos, à invasão do Iraque, do Afeganistão (pela URSS e pelos EUA), à Guerra do Vietnã, da Coreia e a outras tantas tragédias.
Vou deixar de lado os casos do Afeganistão e do Iraque (basta ler o que escrevi acima). Vou me referir apenas aos outros dois, o Vietnã e a Coréia. No primeiro caso, pode-se culpar a ONU sim, mas de não ter feito nada para tentar impedir a agressão do Vietnã do Norte (comunista) ao Vietnã do Sul (capitalista), o que, hoje esquecemos completamente, foi a grande causa da guerra, levando os EUA a intervirem militarmente na região. A resposta é fácil: a então URSS, que na época integrava o Conselho de Segurança, não deixaria (a China comunista só entraria no Conselho em 1971, substituindo Taiwan). Quanto à Coréia, o autor parece não ter estudado direito a História: em 1950, diante da invasão da Coréia do Sul pelas forças comunistas da Coréia do Norte, a ONU não se omitiu. Pelo contrário: com o único voto contra da URSS, a ONU aprovou o envio de uma força militar liderada pelos EUA para deter o avanço norte-coreano. Aliás, essa foi uma das raras vezes em que a ONU honrou o que está na sua Carta de fundação e serviu para alguma coisa.
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A retórica é o refúgio preferido da hipocrisia diplomática.
Nada a comentar sobre essa frase. Apenas sobre o que vem em seguida.
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O Brasil tem sido criticado por alguns por “condenar” o ataque à faixa de Gaza. Fachada pura. Pergunte qual iniciativa concreta o Itamaraty ou o Planalto tomaram para incomodar o governo israelense. Prepare-se para o silêncio absoluto. Mas, no mundo das representações, soa importante mandar nosso chanceler excursionar pelo Oriente Médio, aparecer em fotos com o presidente do Egito e apertar as mãos da ministra israelense que “não vê crise humanitária” na faixa de Gaza.
Aqui está o cerne de toda a confusão/desinformação. A condenação diplomática do governo Lula à operação israelense na Faixa de Gaza não é de fachada, infelizmente. Aliás, é aqui que mora o problema. O governo brasileiro não vê problema nenhum nos ataques terroristas do Hamas contra alvos israelenses, tanto que se abstém de condená-los abertamente, como se recusa a condenar essa organização terrorista e genocida. Isso se traduz numa iniciativa concreta contra o governo israelense, que luta há 60 anos para se proteger de quem quer destruí-lo. O Brasil já condenou Israel na Comissão de Direitos Humanos da ONU, mas se recusa até hoje a condenar a ditadura de Cuba e o governo genocida do Sudão, sem falar nos narcobandoleiros das FARC, que insiste em não classificar como o que são: terroristas. Agora, vem falar em paz no Oriente Médio, e se oferece inclusive como mediador. Isso sim é fachada pura e representação hipócrita. Patético.
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O autor parece achar tudo isso pouco, e cobra uma atitude mais "concreta" do Itamaraty contra Israel. Quem sabe, ele ficaria satisfeito se o Brasil reconhecesse logo o Hamas como o legítimo representante do povo palestino e chamasse o Embaixador brasileiro em Israel (aliás, ele defende isso sim, vejam o próximo parágrafo).
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Em relação ao que interessa, a posição brasileira é, na verdade, oposta. Compare: por muito menos, se é que vidas importam alguma coisa, o Brasil chamou de volta o embaixador em Quito, até se certificar que o governo Correa honraria compromissos financeiros com uma empreiteira. Já em Gaza, trata-se de civis lançados à própria sorte, manipulados por extremistas islâmicos e vítimas da brutalidade da máquina de guerra de Israel. Que tal, presidente, também chamar nosso embaixador para conversar?
Viram só? Eu bem que disse: comece criticando a organização certa, a ONU, mas pelo motivo errado - esta seria um instumento dos "países ricos" (como os EUA e Israel) -, e você terminará defendendo a posição dos terroristas contra Israel. A comparação com o Equador só faria algum sentido se a "máquina de guerra" de Israel estivesse, de fato, promovendo um massacre indiscriminado da população civil palestina na região (algo em que muita gente, ignorando o Hamas, parece acreditar piamente, deixando-se levar pela massiva propaganda antiisraelense na mídia). Mesmo assim, o autor parece esquecer algo essencial: o governo Lula só chamou o embaixador em Quito MESES após o fanfarrão Rafael Correa ter encampado as propriedades da Odebrecht e impedido seus funcionários (brasileiros) de saírem do país. Sem falar que, no caso da crise diplomática com a Colômbia no começo do ano passado por causa da morte do número dois das FARC, o Brasil se colocou inteiramente do lado de Correa contra a Colômbia, mesmo tendo sido provado e comprovado que o governo equatoriano abriga e dá apoio aos terroristas em seu território. Isso, sim, é que mereceria, a meu ver, chamar nosso embaixador em Quito para conversar.
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Enfim, das duas uma: ou esse tal Ricardo Melo não sabe do que está falando, ou a ONU e o Itamaraty a que ele se refere não são a ONU e o Itamaraty que existem na realidade. Em qualquer caso, trata-se de mais um exemplo de desonestidade intelectual na imprensa brasileira.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

ERRATA

(ler primeiro o post anterior):
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Meu último post contém algumas incorreções pontuais. Culpa da pressa e da memória, que às vezes falha (alguns podem achar que não, mas também sou humano). Diferente do que escrevi, o caso por mim narrado não ocorreu na década de 70, mas numa data incerta, não especificada (deduz-se que tenha sido nos anos 40 ou 50; portanto, não nos "anos de chumbo" da ditadura militar). Nem foi em São Paulo, mas em Belo Horizonte.
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Nada disso, claro, invalida o essencial do que está escrito. Pensei em corrigir esses detalhes no próprio texto, mas isso seria facilmente notado por quem já o tivesse lido, que poderia pensar, assim, que eu estaria sendo desonesto.
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Resolvi, então, fazer algo melhor. Aí vai o trecho do livro citado do dirigente comunista Hércules Corrêa (Memórias de um Stalinista, p. 73), em que me baseei:
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"Algo também marcante aconteceu com um sujeito encarregado de zelar pela gráfica do Partido, em Belo Horizonte. O fulano, comprovadamente, não apenas entregou à polícia nossas instalações, como delatou companheiros, que acabaram presos em conseqüência disso. Aparentemente, o homem queria estabelecer-se como uma espécie de espião, dentro do PCB. Nem desconfiava que já sabíamos de sua traição. Convocado para uma reunião, foi levado a um aparelho. Lá chegando, foi sumariamente executado. Seu corpo foi derretido com ácido muriático numa banheira e os restos, despejados na latrina." (Grifo meu)
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O autor afirma ainda: "Como esses, deram-se muitos outros episódios, naqueles anos, que foram reeditados, esporadicamente, na década de 70". E ainda: "Não estou aqui, propriamente, confessando arrependimentos. Apenas expondo até onde se pode, ou se precisa chegar, não sei, quando perdemos a medida da política de convivência com a sociedade".
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É uma pena que Hércules Corrêa não tenha revelado os nomes dos autores e da vítima desse crime nefando, nem o local e a data exatos em que ele foi cometido (daí minha pequena confusão com datas e locais no post). Ele ainda tenta justificar tais barbaridades, como no caso de ditaduras, quando "isso" (ou seja: assassinar e derreter pessoas com ácido) se torna - é ele que diz - "uma necessidade". Se tivesse sido um pouco mais honesto consigo mesmo, teria percebido, também, que, longe de serem uma "necessidade", o crime e a mentira são parte essencial e inseparável do ideário comunista. Digo mais: eles são o próprio ideal comunista.
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No mais, não há o que reparar. Faço a correção, transcrevendo aqui o texto original, pelo seguinte motivo: ao contrário de Oscar Niemeyer, procuro ler antes de emitir uma opinião. E, diferentemente de nosso gênio oficial, não tenho a desculpa da idade para justificar qualquer erro que eu venha a cometer. Ele pode dar-se ao luxo de citar um livro sem tê-lo lido, a ponto de confundir denúncia com elogio a Stálin. Afinal, ele é stalinista e vive em outra realidade. Eu não.

"A CANTAR E A DANÇAR"... UMA HISTÓRIA DESCONHECIDA DOS "ANOS DE CHUMBO"


Querem conhecer uma história de arrepiar? Um verdadeiro conto de horror, de deixar o sangue gelado?

Vou logo avisando: é coisa forte. Se você não tem estômago para cenas horripilantes, é melhor parar por aqui. Aí vai.

Em um dia da década de 1970, um militante do então ilegal Partido Comunista Brasileiro (PCB) desapareceu na cidade de São Paulo. Em uma casa de periferia, um grupo de facínoras agarrou-o e, sem dar-lhe o direito de defesa, matou-o sumariamente. Em seguida, os algozes atiraram seu cadáver, ou a vítima ainda viva (não se sabe ao certo), em uma banheira cheia de ácido. O corpo - pele, músculos, nervos, ossos - foi dissolvido, até virar uma pasta repugnante e irreconhecível. Após essa operação macabra, os assassinos despejaram o que pouco antes fora um homem na privada e deram descarga. Serviço feito, juraram silêncio sobre o ocorrido e foram para casa. O homem, que pouco antes caminhava pelas ruas, agora não existia mais. Fora evaporado, literalmente liquidado. O esgoto seria seu túmulo.

Já estão enojados? Esperem, não contei tudo ainda. Há motivos a mais para sentir engulhos. Sabem quem matou e deu sumiço no corpo da infeliz vítima? Se você respondeu que os assassinos foram torturadores do DOPS ou do DOI-CODI, a serviço da ditadura militar brasileira que, no mesmo período, estava caçando, matando e esquartejando comunistas, a resposta é: errado! Os autores desse assassinato brutal e até agora praticamente desconhecido foram nada mais, nada menos, do que... os próprios companheiros de militância política da vítima, membros do PCB!

A revelação de mais esse "justiçamento" cometido pela esquerda brasileira está no livro Memórias de um Stalinista (Rio de Janeiro: Ed. Ópera Nostra, 1994), do dirigente comunista Hércules Corrêa (falecido no ano passado). Quem quiser verificar por si mesmo, e não confiar nas palavras deste blogueiro, pode ir lá, na página 73 do livro. Os militantes do Partido estavam desconfiados que o sujeito era um traidor e que estaria espionando para a repressão, por isso resolveram eliminá-lo. Infelizmente, o autor não identifica a vítima, nem dá nome aos assassinos. Limita-se a notificar o assassinato, sem dizer sequer onde e quando exatamente ele ocorreu. É mais um crime dos "anos de chumbo" no Brasil que permanece e permanecerá, pelo visto, sem solução.
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Esse não foi o único caso de militante de esquerda morto pelos próprios companheiros de organização, inclusive pelo PCB (outros casos, como o de Elza Fernandes, na década de 30, são bastante conhecidos, tendo sido seu assassinato ordenado diretamente pelo chefe do "Partidão", Luiz Carlos Prestes, o "Cavaleiro da Esperança"). Há vários outros praticados por membros de organizações da luta armada. E, assim como ocorreu naqueles casos, o nome da vítima não consta em nenhum livro ou lista de mortos e desaparecidos políticos desde 1964 no Brasil, inclusive do publicado pelo governo Lula algum tempo atrás, e seus familiares não serão agraciados com gordas indenizações saídas do Erário público. Aliás, não se sabe sequer o nome da vítima. Outra diferença é que o crime foi cometido pelo moderado PCB, um partido que, nessa época, vejam só, era contra a luta armada e acusado de "pacifismo" e "legalismo" pelos grupos mais radicais.

Por que estou recordando história tão escabrosa? Porque ainda estou lembrando do artigo inacreditável de Oscar Niemeyer - militante do PCB desde a juventude -, em que o centenário arquiteto e fundador de Brasília derrama-se em louvores ao genocida Josef Stálin, chegando ao cúmulo de citar, como hagiográfico, um livro (que não leu) extremamente crítico e revelador sobre os anos de juventude do tirano soviético. Niemeyer diz que o livro "está reabilitando" Stálin, responsável direto por cerca de 30 milhões de mortes, e enaltece a juventude do monstro, quando este passava o tempo, entre um assalto a banco aqui e uma conspiração acolá, "a cantar e a dançar com seus amigos". Como a cantar e a dançar deveriam estar os companheiros comunistas de Niemeyer, ao derreterem o corpo do militante na banheira de ácido.

Niemeyer tem 101 anos. Está caduco? Certamente. Mas não pela idade. Suas ideias comunistas, como o próprio stalinismo, é que estão faz tempo, pertencendo ao museu de horrores da História, como o nazismo. Deveríamos jogá-las no ralo e dar descarga, como foi feito com aquele pobre homem, mais uma vítima anônima do fanatismo e da loucura, de quem não sabemos sequer o nome, mais de trinta anos depois.

sábado, janeiro 10, 2009

GAZA: O QUE PRECISA SER DITO

No mesmo dia, no mesmo jornal, na mesma página em que o gênio oficial Oscar Niemeyer, do alto de seus 101 anos, publicou um texto hilário em que enaltece Stálin, caindo no ridículo ao tomar um livro que critica o ditador soviético como um panegírico, um jovem de 31 anos, Gustavo Ioschpe, disse o que precisava ser dito sobre o atual conflito entre Israel e o Hamas em Gaza. Uma verdadeira lição de lucidez e análise crítica, uma aula de sabedoria, infelizmente ignorada por gente velha de idade e de espírito. Eu não poderia ir dormir hoje sem publicar o que segue.
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Gaza: hora de golpear o terrorismo
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A cobertura do conflito entre Israel e Hamas surpreende pela omissão de dois fatos simples e indispensáveis. Primeiro: Israel não ocupa Gaza desde 2005. Segundo: o Hamas é uma organização terrorista. Não são “milicianos”, “radicais”, “fundamentalistas”. O que diferencia o Hamas é o uso de métodos terroristas para alcançar seus objetivos. Objetivos, aliás, públicos e antigos: constam de sua carta de fundação, de 1988, solenemente ignorada pela imprensa.
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Em seu documento, o Hamas declara “trabalhar para impor a palavra de Alá sobre cada centímetro da Palestina” (art. 6º). Aqui, “Palestina” é a histórica: território que hoje inclui Israel, Gaza e Cisjordânia. Essa formulação prega a destruição de Israel e a criação de um Estado islâmico, governado pela sharia (a lei muçulmana). No artigo 7º, o Hamas cita “o profeta [Maomé]: “o julgamento final não virá até que os muçulmanos lutem contra os judeus e os matem’”. No artigo 11, declara que a Palestina é um “Waqf”: terra sagrada e inalienável para os muçulmanos até o Dia da Ressurreição e que, pela origem religiosa, não pode, no todo ou em parte, ser negociada ou devolvida a ninguém.
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Há outros trechos interessantes -o Hamas deixa claro o papel dos intelectuais e das escolas, que é de doutrinamento para a jihad; das mulheres (”fazedora de homens” e administração do lar) e até determina o que é arte islâmica ou pagã -que permitem ao leitor antever o paraíso de liberdade em que se tornaria a Palestina caso a sua visão fosse concretizada. Também há artigos em que o antissemitismo do grupo acusa a comunidade judaica internacional de dominar a mídia e as finanças internacionais e de ter causado a Segunda Guerra Mundial, em que 6 milhões de judeus foram assassinados.
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O documento flerta tanto com o ridículo que ele mesmo esclarece, no artigo 19, que “tudo isso é totalmente sério e não é piada, pois a nação comprometida com a jihad não conhece a jocosidade”. Quanto à seriedade do Hamas, não resta a menor dúvida, e seria bom que a comunidade internacional deixasse de tratá-los como pobres coitados e os visse como o que são: genocidas que só não implementam sua visão por inabilidade. A realidade no Oriente Médio mudou, mas a imprensa brasileira não se deu conta. Passou tanto tempo atacando Israel por sua ocupação contra os pobres palestinos que continuam a dirigir sua sanha acusatória três anos depois do fim da ocupação.
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Qual é a justificativa do Hamas para disparar foguetes contra a população civil israelense? Nenhuma. Para alguns, seria uma reclamação contra o bloqueio da fronteira. Essa é uma maneira totalmente ilegítima e inaceitável de protestar. Para notar o absurdo, basta imaginar se o Uruguai resolvesse lançar foguetes sobre a Argentina quando esta bloqueou suas fronteiras por causa da “guerra das papeleiras”. Pode-se realmente exigir de Israel que abra suas fronteiras a uma organização que deseja destruí-lo? Por que o Egito também bloqueia sua fronteira com o Hamas (apesar de ninguém protestar por isso)? Será por que o grupo usa a fronteira para contrabandear armas?
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Quaisquer que sejam as razões do Hamas para a campanha de pirotecnia -campanha assustadora, que já lançou mais de 3.500 foguetes contra Israel-, nenhum Estado pode tolerar essa agressão contra seus cidadãos. Comentaristas sugerem a resolução do problema por vias pacíficas, mas ninguém menciona exatamente como se daria a negociação, já que o Hamas não reconhece a existência de Israel. Aqueles que reconhecem o direito de resposta de Israel o fazem com duas condicionantes: que a resposta seja proporcional ao ataque e que civis não sejam vitimados.
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A exigência de proporcionalidade é uma sandice. Levada ao pé da letra, significa pedir que um Estado democrático constitucional lance foguetes a esmo contra uma população civil indefesa. Outra “saída” seria a morte de mais soldados israelenses. Ou, melhor ainda, civis. Ninguém menciona que, na Segunda Guerra, morreram 22 vezes mais civis alemães do que ingleses. O dado é ignorado com razão. A contabilidade é irrelevante. Hitler precisava ser derrotado.
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É certo que a morte de qualquer civil é uma tragédia. Uma vida é uma vida. Mas, quando os acusadores se espantam que 20% ou 25% dos mortos sejam civis, eu me espanto pelo contrário: é preciso enorme controle e apreço pela vida de inocentes para que, em uma região densamente povoada e contra um inimigo que se esconde em regiões urbanas, o índice de acerto seja de 75% a 80%. Os membros do Hamas se escondem em áreas residenciais, em prédios cheios de crianças. Agem de tal maneira que, em seu confronto com as democracias ocidentais, nós sempre saímos perdendo: ou pagamos com as vidas de nossos civis ou com um pouco da nossa civilidade.
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Não há maneira militar de derrota-los em definitivo. A melhor saída é drenar o pântano: chegar a um Estado palestino com os moderados do Fatah e investir para que o atraso econômico e a sensação de derrota e humilhação de muitos países árabes sejam amenizados. Fazer com que o caminho da paz e da prosperidade seja mais atraente que o terrorismo. Enquanto isso não acontece, é preciso mão forte para combater o terrorismo que já nos atinge. Ontem em Nova York, hoje em Gaza, amanhã provavelmente em outras capitais do mundo civilizado.
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GUSTAVO IOSCHPE, 31, mestre em desenvolvimento econômico pela Universidade Yale, é articulista da revista “Veja” e foi colaborador da Folha . É autor de “A Ignorância Custa um Mundo” (Prêmio Jabuti 2005).

Ainda o conflito em Gaza - sobre bombardeios massivos e ações pontuais

Escreve uma leitora que se assina "Ana", aparentemente indignada com meu texto "Duas Perguntas Inconvenientes sobre o Conflito em Gaza", que aqui publiquei em 5 de janeiro:
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Nossa Gustavo!
Está na hora de você rever os seus conceitos.
Ninguém defende o Hamas ou os seus métodos. Mas uma coisa é uma ação pontual contra uma facção terrorista e outra coisa é o bombardeio massivo contra uma região onde há milhares de civis.
Basta você contar o número de baixas (incluíndo mulheres e crianças) no lado palestino e o número de baixas de Israel. Sabia que até a ONU, inútil por sinal (fugiu completamente dos propósitos aos quais foi criada), já processou vários relatos feitos pelo pessoal da Cruz Vermelha que levariam Israel a ser condenado por crime de guerra?
Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009 18h16min00s BRT
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Confesso que sempre desconfiei de textos que começam com a frase "está na hora de você rever seus conceitos" ou coisa que o valha. Esse tipo de afirmação deveria vir ao final da argumentação, não antes, como uma conclusão, e não como intróito. Dá a impressão de que a pessoa não está muito disposta a apresentar fatos e argumentos, e se baseia, em vez disso, numa frase-clichê. Acredito que seja exatamente esse o caso.
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A primeira divergência que tenho com a leitora diz respeito à seguinte frase: "Ninguém defende o Hamas ou os seus métodos". Há gente que defende isso sim, cara leitora! Se não acredita em mim, veja o que estão dizendo em outros blogues por aí, a maioria de esquerda (mas há sociopatas de ultra-direita também, vide os fascistas). Estes adorariam ver o Hamas cumprir sua promessa de riscar Israel do mapa e afogar sua população num mar de sangue. Claro, a maioria não diz isso abertamente, com todas as letras, mas nem por isso deixa de torcer pelos islamofascistas. Aqueles que se enchem de indignação contra a ação militar israelense, tachando-a de "reação desproporcional", ao mesmo tempo em que fecham os olhos para o caráter TERRORISTA e GENOCIDA do Hamas, acreditando, ingenuamente ou de má fé, que é possível negociar com quem não reconhece o direito de Israel existir, certamente estão torcendo por um lado no conflito - e não é o lado de Israel.
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Concordo inteiramente com você, Ana, quando diz que uma coisa é uma ação pontual contra uma facção terrorista, outra é o bombardeio massivo contra uma região cheia de civis. Porque é exatamente isso - uma ação pontual e seletiva contra o Hamas, não contra a população palestina como um todo - o que as forças de defesa de Israel estão fazendo em Gaza neste exato momento. Acha que eu estou mentindo? Então vejamos os números. Em duas semanas de intensos combates, morreram até o momento cerca de 700 palestinos. A maioria, cerca de 500 - são dados do próprio Hamas - eram terroristas dessa facção genocida. Isso em quase quinze dias de bombardeios, e numa região, a Faixa de Gaza, com 40 quilômetros de extensão por 10 de largura e 1,5 milhão de habitantes, a mais densamente povoada do mundo. Não sei não, mas isso não me parece um "bombardeio massivo" (ou "indiscriminado", como li num artigo um dia desses) contra uma população indefesa. Pelo contrário: parece-me uma ação dirigida seletivamente para destruir o Hamas, no que está sendo bem-sucedida.
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Ainda assim, o.k., você poderia lembrar que cerca de 200 pessoas, inclusive muitas crianças, foram mortas até agora pelas bombas e tiros israelenses. Eu respondo lembrando algo que a quase totalidade da mídia vem ignorando desde que o conflito começou: a prática cínica do Hamas de utilizar a própria população civil palestina como reféns e escudos humanos. A idéia é exatamente provocar o maior dano possível à própria população, expondo-a de propósito às bombas e mísseis israelenses. Isso é vantajoso para o Hamas por vários motivos. Primeiro, para fanáticos desse tipo, a carne das crianças palestinas é artigo barato, e pode render bons dividendos na guerra da propaganda. Segundo, nesse trabalho sujo de manipulação de imagens e de sangue, eles podem contar com uma imprensa inclinada a enxergar Israel como algoz, e não como vítima de uma agressão, o que de fato é. Essa guerra, a da desinformação, infelizmente o Hamas está vencendo. É por esses motivos, cara Ana, que as baixas são tão diferentes de um lado e de outro.
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A ação militar israelense em Gaza, portanto, não tem nada de "massiva" ou "indiscriminada", como são, aí sim, os ataques do Hamas ou do Hezbollah. Daí porque toda a discussão sobre esse aspecto do conflito é irrelevante. Até porque Israel já praticou ações seletivas antes, eliminando líderes individuais do terrorismo palestino - o atual Ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, participou diretamente de uma dessas ações contra líderes da OLP no Líbano, em 1973, episódio mostrado no filme Munique, de Steven Spielberg - e tais ações foram condenadas da mesma maneira. Não faz a menor diferença. A verdadeira questão está resumida nas duas perguntas que faço em meu texto: 1) Israel tem ou não o direito de existir? e 2) tem ou não o direito de se defender? Sem responder a essas duas perguntas fundamentais, nenhum debate racional é possível.
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Quanto a ONU, concordo novamente com você, Ana, pois essa organização realmente fugiu totalmente dos fins para os quais foi criada, sendo hoje um misto de ONG global e de clube de ditadores. Para esses, aliás, ela está longe de ser inútil: é, pelo contrário, um importante instrumento para a defesa de regimes ditatoriais e genocidas, e uma tribuna para todo tipo de ataque contra Israel e os EUA. Basta lembrar como a ONU se opõs à uma ação militar contra Saddam Hussein no Iraque. A mesma organização que exige um cessar-fogo de Israel e que acolhe denúncias de crimes de guerra contra as tropas israelenses se nega a tomar qualquer medida concreta contra os genocidas do Hamas e se omite de forma vergonhosa em casos como o de Darfur, onde já morreram mais de 300 mil pessoas. Será porque os cadáveres do Sudão valem menos do que os palestinos? Nessas circunstâncias, não me surpreenderia nem um pouco se o Hamas estiver utilizando instalações da ONU na Faixa de Gaza para lançar seus mísseis contra Israel. Diante disso, pergunto: Israel deveria abdicar do uso da força para se proteger, e passar a depender, em vez disso, dos bons serviços da ONU?
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Enfim, espero ter ajudado você a "rever seus conceitos". Os meus continuam inalterados. Pelo menos até que me convençam, com fatos e argumentos sólidos, que, entre uma democracia sitiada e um bando de fanáticos terroristas que querem destruí-la e massacrar sua população, eu deveria me colocar ao lado desses últimos e negar à primeira o direito de se proteger.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

A IDEOLOGIA GAGÁ DE NIEMEYER



Vamos rir um pouquinho? Depois de tantos dias de intensa propaganda antiisraelense na mídia, em que fomos bombardeados com todo tipo de crítica ao "massacre" das forças israelenses contra os palestinos enquanto quase não se fez menção ao caráter terrorista-genocida do Hamas e à maneira cínica como utiliza as crianças palestinas como escudos humanos, sem falar nas declarações bucéfalas de Marco Aurélio Garcia sobre o conflito em Gaza, acho que é hora de desopilar o fígado.

Oscar Niemeyer publicou um texto hoje, dia 9, na Folha de S. Paulo. O que diz o nosso gênio oficial? Ele fala de um livro, "uma obra fantástica do historiador inglês Simon Sebag Montefiore, sobre a juventude de Stálin, que tem alcançado enorme sucesso na Europa, reabilitando a figura do grande líder soviético, tão deturpada e injustamente combatida pelo mundo capitalista".

O venerável Oscar vai mais além. Ao analisar a obra que supostamente leu, ele enaltece "a figura de Stálin ainda muito jovem, sua paixão pela leitura, o seu interesse nos problemas da cultura, das artes e da filosofia, sempre a cantar e a dançar alegremente com seus amigos".

Há mais:

"E o livro relata as prisões sucessivas que ocorreram em plena juventude, as torturas que presenciou, enfim, tudo que marcou a sua atuação heroica na luta contra o capitalismo".

E mais (quando Niemeyer se refere ao autor do livro):

"É bom lembrar que não se trata de autor de esquerda, mas de alguém que, pondo de lado suas posições político-ideológicas, soube interpretar uma juventude diferente, marcada pela inquietação cultural, que levou Stálin à posição de revolucionário e líder supremo da resistência contra o nazismo".

O livro que Niemeyer menciona com tanto entusiasmo e que diz ter emprestado a um amigo seu é O Jovem Stálin, de Simon Sebag Montefiore. Até aí, tudo bem. Acontece que o livro não reabilita Stálin coisa nenhuma. Pelo contrário: trata-se de um compêndio, fartamente documentado, de atrocidades, crimes e loucuras cometidas pelo futuro ditador soviético. Traz, inclusive, revelações surpreendentes, como sua verdadeira data de nascimento e seu papel como líder de uma gangue terrorista orientada por Lênin no Cáucaso antes da Revolução de 1917. Não por acaso, o livro começa com uma descrição bastante gráfica de um assalto a banco comandado por Stálin ("Sossó" ou "Koba"), em que morreram cerca de cinqüenta pessoas. Como eu sei disso? Simples: eu li o livro.

O autor do livro-denúncia que Niemeyer transformou em louvação a seu ídolo-deus Stálin, Simon Sebag Montefiore, escreveu ainda outro livro, Stálin - A Corte do Czar Vermelho, em que demole por completo qualquer resquício que ainda pudesse existir de culto da personalidade do tirano soviético e de sua camarilha, mostrando, com base em documentos recentemente publicados, o que eles realmente foram: uma gangue de assassinos, dedicada 24 horas por dia a matar, torturar e exterminar qualquer um que passasse por inimigo - inclusive entre eles mesmos. Há, inclusive, revelações interessantes de como Stálin via com bons olhos outro ditador da época - Hitler - e de como os dois genocidas foram, na prática, aliados durante um período e desfecharam juntos a Segunda Guerra Mundial. Como eu sei disso? Simples também: fiz aquilo que Niemeyer não fez - eu li o livro.

O artigo de Niemeyer é uma das coisas mais engraçadas que eu li nos últimos tempos. Não resisti a tanta sabedoria e mandei uma cópia do artigo para um amigo meu que, por acaso, está lendo o livro. Até agora, não consegui parar de rir.

O fato de desconhecer totalmente o assunto de que fala, a ponto de escrever um artigo de jornal elogiando um livro que obviamente não leu, como se fosse um panegírico, e não uma crítica demolidora, a um personagem que admira, deveria ser o suficiente para desmoralizar o grande arquiteto para sempre. Mas a senilidade ideológica de Niemeyer vai mais além. No final do texto, ao afirmar que mandou uma cópia a um seu amigo editor, nosso gênio relata que este, muito animado, disse-lhe que "esse vai ser um dos livros que com o maior interesse irá publicar". Não sei se Niemeyer emprestou a seu amigo uma cópia francesa ou inglesa do referido livro, pois o mesmo já é facilmente encontrado em qualquer livraria brasileira há mais de um ano, em excelente tradução, em uma edição da Companhia das Letras.

Eu já sabia que Niemeyer era um gênio da arquitetura, e já sabia que era um comunista e admirador de Stálin. Sabia também que ele é visto como uma espécie de totem inatacável, um verdadeiro semideus. Só não sabia ainda que ele era autor de textos cômicos. Um verdadeiro humorista, o velho Niemeyer.

Algumas almas piedosas ou excessivamente indulgentes poderiam dizer que estou sendo duro demais com um ancião de 101 anos, que esse tropeço do grande arquiteto se deve à sua idade avançada, e que, diante disso, é até covardia zombar do bom velhinho. Seria, certamente, se não fosse um detalhe: Niemeyer já repetia essas sandices quando tinha 30 ou 40 anos. Seu descompasso com a realidade não é, portanto, de hoje. A senilidade de Niemeyer não é de idade: é ideológica. Na verdade, ele é a prova viva de que nem sempre a idade traz sabedoria. Pelo contrário: em alguns casos, pode-se ficar ainda mais burro com o passar dos anos. Se você for stalinista, então, a probabilidade de piorar com o tempo é bem maior.

Ah, sabem qual o título do texto de Niemeyer? "Quando a verdade se impõe". Pois é. Nessas horas eu me lembro da frase do Paulo Francis: "Se você quiser ver um comunista se desmoralizar, basta deixá-lo falar".

Stálin foi um tirano sanguinário que deixou atrás de si um rastro de opressão e morte, contabilizando cerca de 30 milhões de mortos, dos mais de 100 milhões que o comunismo produziu no século XX. Sob sua ditadura, milhões foram torturados até a morte, e as artes e a cultura se tornaram um apêndice do Partido Comunista. E isso tudo ele fez com seus amigos, a cantar e a dançar alegremente, como diz Niemeyer.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

MEIO SÉCULO DE MENTIRAS

Imagine que, há 50 anos, seu país foi tomado de assalto por um amplo movimento revolucionário que derrubou um ditador odiado e corrupto. Com o apoio da opinião pública, tanto nacional como internacional, e inclusive dos EUA e da CIA, esse movimento, encabeçado por um líder carismático, prometeu restaurar a democracia no país e convocar eleições livres. Em poucos meses, porém, as promessas democráticas deram lugar à implantação de uma ditadura pessoal, muitíssimo pior do que a anterior. Milhares de pessoas - entre as quais muitos que apoiaram a revolução e lutaram contra a ditadura - são presas, centenas fuziladas, e cerca de 20% da população do país parte para o exílio, fugindo da opressão e da penúria. O novo ditador, falando em nome do povo, trai todos os compromissos democráticos pelos quais lutara, e se instala definitivamente no poder, aliando-se a uma potência estrangeira e extracontinental, o que quase provoca uma guerra nuclear. Para se manter no poder, o ditador em questão tenta durante anos incendiar o continente, patrocinando vários grupos e movimentos terroristas em outros países, muitos dos quais contra governos democraticamente constituídos.

Cinqüenta anos depois, o país, que antes fora próspero e relativamente desenvolvido, permanece na mesma situação política; agora, porém, é uma ruína, ostentando alguns dos piores índices econômicos do continente. Toda a imprensa é censurada pelo Estado. As eleições são uma farsa, com partido único no poder, e sem possibilidade de alternância. Em mais de 50 anos, o país não avançou um milímetro em direção à democracia. Não há liberdade de expressão, e os cidadãos estão probidos de saírem do país quando quiserem. Um dia, o supremo ditador, que permanece no poder, ininterruptamente, por mais de quatro décadas, cai doente, e é sucedido por seu irmão, tão ou mais tirânico do que ele. À parte algumas mudanças cosméticas, saudadas por algumas almas excessivamente ingênuas ou otimistas como um sinal de "democratização" do país - seus cidadãos, há alguns meses, já podem ter celular e comprar computadores, mas sem acesso à internet -, não há nenhuma mudança política significativa à vista.

O leitor atento já deve ter percebido de que país e de qual ditadura estou falando. Agora, faça uma experiência. Feche os olhos e imagine, por um instante, que o país em questão é o Brasil.
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Depois de ter vislumbrado, mesmo por um segundo, esse pesadelo, fica mais fácil compreender o que quero dizer. O país em questão, qualquer um com um mínimo conhecimento de História já deve ter percebido, é Cuba.
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Há exatos cinqüenta anos, no dia de hoje, 8 de janeiro, as forças de Fidel Castro entraram triunfalmente em Havana, após o ditador Fulgencio Batista ter fugido da ilha, em 1 de janeiro. Começava, aí, em meio a uma onda de esperança democrática, a ditadura mais feroz e longeva da história da América Latina. Ditadura essa que sobrevive, paradoxalmente, graças ao apoio que lhe é prestado, de forma incondicional, por muitos governos ditos democráticos, como o de Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda hoje, mesmo com a queda do muro de Berlim e o fim da URSS, há quem defenda a tirania cubana, um regime totalitário, e fale em democracia.
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Na verdade, é difícil até mesmo dizer o que exatamente o regime cubano celebra nesse começo de 2009. Oficialmente, é o cinqüentenário da Revolução Cubana. Mas isso é complicado de dizer, porque não há uma, mas duas revoluções cubanas, como houve duas revoluções russas. A primeira revolução russa, quem conhece História sabe, foi a revolução de fevereiro de 1917, democrático-liberal, que resultou na queda do czarismo. A segunda revolução, a de outubro, foi o golpe de estado bolchevique, arquitetado por Lênin e Trotsky. Os bolcheviques a fizeram prometendo a liberdade e a convocação de uma Assembléia Constituinte: três meses depois, em janeiro de 1918, eles dissolveram a dita Constituinte, e instauraram em seu lugar a ditadura do partido comunista. O que se seguiu foram setenta anos de opressão. Em Cuba, ocorreu algo semelhante. Fidel e seu irmão Raúl tomaram o poder numa revolução, a de janeiro, e fizeram outra, a própria, dando um golpe de Estado. Dois anos depois da primeira revolução, em que a população saiu às ruas para comemorar a fuga de Batista, o domínio da dinastia Castro já estava estabelecido: em 16 de abril de 1961, Fidel proclamava em discurso que a Revolução Cubana era "socialista"; em 2 de dezembro, afirmou, perante milhares de pessoas: "sou marxista-leninista e o serei até morrer".
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Cuba é, de fato, um cancro no panorama político das Américas, a única ditadura totalitária da História do continente. Mesmo assim, não há tirania mais louvada, mais elogiada e paparicada. Muitos que dizem discordar do regime político elogiam os supostos avanços do regime cubano em áreas como a saúde, mas se esquecem de comentar casos como o da médica cubana Hilda Molina, proibida de sair de Cuba desde que ousou criticar a política sanitária da ditadura castrista, que privilegia o atendimento aos turistas e visitantes estrangeiros (como Michael Moore), em vez da população cubana, cada vez mais à míngua. Fala-se também que em Cuba não há analfabetismo e que todas as crianças cubanas estão na escola, mas se esquece de dizer que a doutrinação ideológica é uma característica indelével do sistema educacional cubano - como é, aliás, em qualquer sistema totalitário. Ainda há os que tentam justificar a opressão castrista lembrando o embargo comercial norte-americano (que chamam, ignorantemente ou de má fé, de "bloqueio") - como se alguém fosse ditador por vontade alheia. Além disso, esquece-se que Cuba já apresentava índices respeitáveis nessas duas áreas, saúde e educação, antes da chegada dos irmãos Castro ao poder.
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No mês passado, o sucessor de Fidel, Raúl Castro, visitou o Brasil. Na ocasião, na Costa do Sauípe, na Bahia, o governo brasileiro conseguiu a entrada de Cuba no Grupo do Rio, sem pedir absolutamente nada em troca. Não se falou em presos políticos (presos de consciência, 23 dos quais, jornalistas), nem em dissidentes (tratados, invariavelmente, como "mercenários"), nem de liberdade de expressão, nem de direitos humanos, nem de democracia, nem de eleições livres e plurais. Nada. Mas houve quem repetisse na imprensa o discurso oficial de que o Brasil marcou, com a reunião, um importante ponto a seu favor, pois estaria se tornando um líder regional, assumindo um papel protagônico na América Latina, sem a "tutela" de ninguém etc. etc. Bobagem. Se a reunião da Costa do Sauípe demonstrou alguma coisa, de forma clara e sem ambigüidades, é que o Brasil está se tornando líder sim, mas da torcida pró-ditadores da região. Uma vergonha.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

A SUPERIORIDADE MORAL DE ISRAEL

O bombardeio de uma escola palestina administrada pela ONU na Faixa de Gaza por tropas israelenses, que deixou, segundo dizem, cerca de 40 mortos no dia de ontem, é chocante por vários motivos. O primeiro é o mais óbvio: as cenas de crianças mortas, seja por que causa for, causam choque e indignação até no mais frio dos mortais. O segundo motivo - e aqui está, a meu ver, a maior fonte de indignação - é a escandalosa e abjeta exploração desse e de outros episódios terríveis para fins de propaganda antiisraelense pelos fanáticos terroristas do Hamas, os maiores responsáveis por essa tragédia.
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Sim, não é Israel, nem os EUA, nem a grande conspiração sionista mundial o culpado pela morte de 40 inocentes. Se alguém deve ser responsabilzado pela catástrofe que tomou conta de Gaza, e inclusive pela matança de crianças, é o Hamas. Não custa repetir: o Hamas, em sua luta pela destruição de Israel e pelo extermínio de sua população - o que inclui, obviamente, as crianças israelenses - não tem nenhum pudor em sacrificar sua própria população como carne barata para alcançar seus objetivos genocidas. As Forças de Defesa de Israel afirmam que a escola atingida abrigava uma célula terrorista e que de lá partiram foguetes contra Israel, e têm os vídeos para mostrar. O Hamas, claro, nega, e parte da opinião pública, intoxicada pela propaganda anti-Israel e pelo pacifismo leso, assina embaixo. Da minha parte, acredito no que diz Israel. O Hamas é capaz de coisa pior. Cada criança palestina morta, cada civil palestino mutilado na Faixa de Gaza, é uma vitória para o Hamas.
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"Mas onde estão as crianças mortas do lado israelense?", perguntam as boas almas pacifistas, como se o fato de o Hamas não ter, até o momento, feito crianças israelenses em pedaços fosse um claro sinal da "injustiça" da situação (talvez se o Hamas começar a explodir criancinhas em atentados suicidas em Tel-Aviv eles dirão que isso é ético e justo). Esses arautos da proporcionalidade entre terroristas e quem os combate não se dão conta de que estão fazendo o jogo dos maiores inimigos da paz e da humanidade. Ontem mesmo fizeram essa pergunta - "por que não morrem crianças do lado israelense?" - ao Presidente de Israel, Shimon Peres, Prêmio Nobel da Paz. Sua resposta foi demolidora: sim, não houve, até o momento, crianças mortas do lado israelense, ao contrário do que se tem verificado do lado palestino. E o que isso mostra? Que os israelenses, ao contrário do Hamas, cuidam bem de suas crianças. Não as expõem propositalmente ao fogo inimigo, nem celebram suas mortes como troféus de propaganda, por exemplo.

A morte de uma criança é sempre uma tragédia. Significa um crime contra o próprio futuro. É difícil conceber algo mais lastimável e repulsivo. Por isso é tão repugnante ver terroristas e genocidas explorando desavergonhadamente a dor e o sofrimento de famílias inocentes para daí tirar proveito na guerra de propaganda. Não há canalhice mais abjeta.

Ainda assim, a multidão de idiotas úteis e pombas lesas do pacifismo, para quem Israel é o lado agressor, insiste no mantra de que a reação israelense é "desproporcional" (nos meios, talvez; nos fins, de maneira alguma), e que a ofensiva em Gaza é um "crime de guerra". Nesse caso, deveriam responder as seguintes perguntas:
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- Quem é a favor e quem é contra a solução de dois Estados para a região - um israelense, outro palestino? Israel ou o Hamas?
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- Quem violou sistematicamente a trégua entre os dois lados, atirando foguetes sobre o outro lado da fronteira?
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- Quem ataca civis, INTENCIONALMENTE, esperando provocar o maior número de mortes do outro lado, e quem, na busca pelos responsáveis por tais atos terroristas, mata civis de forma não-intencional?
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- Quem está usando civis - inclusive crianças - como escudos humanos, um crime de guerra?
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Desafio qualquer um a responder a essas perguntas, e depois negar que, do ponto de vista ético, Israel é superior ao Hamas. Mesmo assim, sempre haverá alguém que fará a pergunta: qual a diferença entre Israel e seus inimigos? A resposta é: os israelenses têm escrúpulos.
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Que a realidade se mostre invertida a tantos que se dizem inteligentes e racionais, a ponto de tomarem agredidos por agressores e negarem o direito de um povo sitiado de se defender de quem jurou riscá-lo do mapa, é algo que desafia a compreensão mais elementar.
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Como li um dia desses, a ignorância tem cura. A estupidez, não.

terça-feira, janeiro 06, 2009

Sobre as regras do blog - um recado à Al-Qaeda eletrônica

Não tem jeito. Mesmo eu já tendo escrito o que segue, algumas mentes são como sacos sem fundo: é preciso repetir, repetir, repetir sempre, para que alguns cérebros entendam que vivem em sociedade e que há regras a serem cumpridas. Regras de educação, de etiqueta, de convivência, de civilidade. Sem falar nas de gramática.
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Refiro-me, claro, aos militontos da Al-Qaeda eletrônica, essas criaturas folclóricas que gostam de gastar seu ócio vomitando ofensas na internet, invariavelmente sem apresentar nenhum argumento nem acrescentar nada ao debate. Vez ou outra uma dessas alimárias emporcalha minha caixa de entrada com seus zurros e bramidos. Não raro, gostam de deixar mensagens com palavrões, muitas vezes a única linguagem que conhecem (já percebi que possuem especial fixação freudiana por uma parte específica da anatomia, situada entre a última vértebra e a parte superior traseira das coxas, provavelmente o resultado de alguma experiência traumática na infância). Para esses mestres na arte de se desmoralizarem, repito aqui as regras de postagem do blog:
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- Tentem apresentar argumentos, não grunhidos;

- Procurem ser claros e objetivos;

- Respeitem a língua portuguesa;

- Se possível, usem linguagem educada, pelo menos acima do nível da sarjeta;

- Mensagens com ofensas pessoais serão ignoradas.

Essas poucas regras não são para mim, são para os que lêem o blog. É em respeito a eles, mais do que a minha pessoa, que elas existem.

Já disse aqui que não tenho nada contra o palavrão. Também não tenho nada contra o insulto. O insulto, quando bem elaborado, isto é, quando acompanhado de fatos inegáveis e de uma argumentação consistente, é algo aceitável, admirável até. Mas não é esse o caso dos que me escrevem tentando avacalhar. Por mim, podem me insultar à vontade. Só não queiram que eu publique aqui essa porcaria. Há milhões de outros blogs cujos donos ficariam muito felizes em divulgar esse tipo de lixo. Eu não. Até por caridade e compaixão com quem perde seu tempo usando a web para extravasar seus recalques e tentar aparecer. Liberdade de expressão não é (ou não deveria ser) sinônimo de burrice.

Ah, acharam essa minha atitude "autoritária"? Pois é mesmo. O blog é meu, e sou eu, e mais ninguém, quem escolhe o que merece ser publicado e o que vai para a lixeira.

Entenderam? Agora, podem voltar a comer alfafa.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

DUAS PERGUNTAS INCONVENIENTES SOBRE O CONFLITO EM GAZA

Militantes islamitas carregam cartaz com a frase "Deus abençoe Hitler":
mera coincidência?


Agora que a quase totalidade da imprensa de todos os países já elegeu Israel como o inimigo número um da paz e da humanidade e o lado agressor no conflito que ora ensangrenta a Faixa de Gaza, e que a opinião pública mundial já se deixou engabelar pela propaganda pró-Hamas e pró-terrorismo islamita, creio que é hora de fazer aqui duas perguntas absolutamente essenciais:
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- Israel tem ou não o direito à existência?

- Se sim, tem ou não o direito de se defender dos que querem destruí-lo?

As duas questões, como qualquer pessoa razoavelmente inteligente poderá facilmente perceber, estão intimamente relacionadas, são inseparáveis: não se pode concordar com uma sem concordar, necessariamente e de forma infalível, com a outra. Se você respondeu "Sim" a qualquer uma delas, você está do lado da civilização contra a barbárie, da humanidade contra o terror. Se você respondeu "Não", então você está do lado do Hamas. Responder a essas duas questões é o primeiro passo para qualquer discussão que se queira ter sobre o conflito árabe-israelense e a questão palestina. O resto é conversa pra boi dormir.

Sei, o mantra da vez é repetir que a ação militar israelense é uma "reação desproporcional" aos ataques do Hamas com foguetes contra assentamentos israelenses. Isso já se tornou um verdadeiro dogma. E, como todo dogma, traz em si uma forte dose de mentira e empulhação. Do ponto de vista estritamente militar, a guerra é, vá lá, desproporcional. Afinal, pode-se argumentar, os israelenses têm tanques, caças modernos e helicópteros, enquanto o Hamas tem seus foguetes caseiros, mísseis Katiuscha e homens-bomba. Aliás, que ótimo que seja assim! Se, mesmo com essa desproporção de meios, o Hamas já tenha derramado tanto sangue israelense, imaginem o que seus militantes fariam se tivessem a mesma força militar que Israel... Mas voltemos à questão principal. O que importa aqui é que, do ponto de vista dos objetivos pelos quais se está lutando, nota-se que a desproporcionalidade está, isso sim, não do lado dos israelenses, mas dos inimigos de Israel.
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Para que a reação israelense fosse realmente desproporcional, os tanques e aviões deveriam estar reduzindo a cinzas, nesse momento, não a infra-estrutura do Hamas em Gaza, mas TODA a população palestina da região e da Cisjordânia, e os soldados israelenses deveriam estar eliminando intencionalmente - como faz o Hamas em seus atentados - todo e qualquer cidadão palestino que passasse à sua frente. Ou melhor: isso seria não desproporcional, mas proporcional ao que o Hamas e o Hezbollah querem fazer com a população de Israel. Em outras palavras, não seriam 500 pessoas - a maioria, os próprios terroristas admitem, militantes do Hamas - em dez dias de combates, mas a totalidade da população palestina - mais de um milhão de pessoas, só em Gaza - que estaria morta a essa altura.

"Mas, ao bombardear a Faixa de Gaza, os israelenses estão se equiparando aos terroristas do Hamas". De maneira alguma essa afirmação é verdadeira. Primeiro porque, como escrevi no parágrafo anterior, Israel quer destruir o Hamas, e não o povo palestino. Ao contrário do Hamas, que não faz distinção, em seus atentados, entre civis e militares israelenses. Ou melhor: faz sim, distinção, pois visa, propositalmente, aos civis em seus ataques insidiosos. Segundo, e isso deriva diretamente da afirmação anterior, não existe equivalência moral entre a violência terrorista e a violência de quem a combate. Pois não há equivalência moral possível entre Auschwitz e o bombardeio de Dresden. Na verdade, sob o pretexto de criticar uma resposta desproporcional ao terrorismo, o que os advogados da tese da "equivalência moral" defendem é... resposta nenhuma. Para essas pessoas, a única reação de Israel aos foguetes e atentados do Hamas deveria ser... não fazer nada. Com isso, dizem ainda, afetando um suposto realismo político, pelo menos não estariam "estimulando" o surgimento de mais terroristas... Como se a única resposta aceitável aos terroristas fosse ignorá-los por completo e deixá-los agir livre e impunemente. O suicidio não é uma opção.
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Mas e as crianças mortas? E os civis indefesos? Não são vítimas inocentes dessa guerra estúpida? Evidentemente que sim. São as maiores vítimas, e deve-se lamentá-las e chorá-las com toda a dor. A morte de qualquer pessoa diminui a humanidade, nunca é demais dizê-lo. Daí porque, infelizmente, a ação de Israel é tão necessária e justa. Como, necessária e justa? Então, é justo e ético matar crianças? Não! Nunca! Justo e ético é, isso sim, perseguir e neutralizar quem se aproveita do sofrimento alheio, de civis inocentes, para fins de propaganda. Utilizando-os como escudos humanos, por exemplo, e depois adorando seus cadáveres como se fossem troféus de luta. Na verdade, canalhas desse tipo não estão chorando esses mortos; estão, isso sim, comemorando mais úma vitória na guerra de propaganda, que estão vencendo, com o apoio da mídia anti-Israel e anti-EUA.

Um argumento cínico não deixa de sê-lo porque é repetido por tolos. Hipócritas e pervertidos morais tentam convencer a todos de que a ação militar israelense em Gaza é injusta e imoral, e nisso recebem a adesão de ingênuos e inocentes úteis, os quais, empunhando a bandeira e os slogans pacifistas, nunca faltam nessas horas. Na verdade, não têm a coragem de dizer abertamente, como faz Ahmadinejad, que Israel deveria ser varrido do mapa, e se refugiam em chavões pseudo-humanistas.
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Muitos dos que se comovem até as lágrimas com as cenas de crianças palestinas mortas em bombardeios israelenses são os mesmos que não mexem um músculo do rosto com as crianças, velhos, mulheres e jovens israelenses trucidados e mutilados em atentados terroristas do mesmo Hamas ou do Hezbollah. Muitos desses, quando condenam a "reação desproporcional" israelense, estão, na verdade, lamentando que o Hamas ou o Irã não tenham - ainda - a capacidade militar de transformar Israel num monte de escombros e sua população numa pilha de cadáveres. Esses mesmos piedosos humanistas não derramariam uma lágrima caso Israel fosse varrido do mapa, e toda a sua população exterminada. Aliás, chorariam sim, mas de alegria.
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Vamos lembrar: o Hamas foi fundado em 1987 com a intenção deliberada de destruir Israel, cujo direito à existência - o que inclui a sua população - se nega intransigentemente a reconhecer. Após inúmeros atentados terroristas contra alvos israelenses - civis, principalmente -, chegou ao poder na Faixa de Gaza após vencer as eleições legislativas de janeiro de 2006. Três meses depois, tomou o restante do poder à bala do grupo palestino rival, o Fatah do moderado Mahmoud Abbas. Na breve guerra civil entre palestinos, morreram mais de 500 pessoas. Os prisioneiros do Fatah foram fuzilados à queima-roupa pelos militantes do Hamas. Imaginem o que não fariam com os israelenses, caso tenham a chance e o poder militar de fazê-lo, como gostariam muitos que condenam a "desproporcionalidade" do conflito atual em Gaza.
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Algum tempo atrás, alguém cunhou a expressão "islamofascismo" para designar os grupos terroristas islamitas, como a Al-Qaeda, o Hamas e o Hezbollah. Em seus métodos e em seus objetivos, tais grupos combinam, segundo essa definição, os métodos e objetivos do fundamentalismo religioso islâmico e dos partidos nazista e fascista do passado. De fato, os terroristas islamitas têm em comum com os nazi-fascistas a intenção claramente genocida em relação aos judeus, hoje reunidos no Estado de Israel. E, assim como os nazi-fascistas, usam e abusam da propaganda e da desinformação para angariar apoios e iludir os incautos. Isso é geralmente esquecido pelas legiões de idiotas esquerdistas que saem às ruas, em Paris, Roma e outras cidades européias e ocidentais, pedindo paz e defendendo o fim do "genocídio" em Gaza. Assim como seus ancestrais pacifistas dos anos 30, estão completamente cegos ou estupidificados pela propaganda. E, assim como muitos antes deles, estão obcecados pelo antiamericanismo, acreditando que se opor aos aliados dos EUA, tais como Israel, significa colocar-se automaticamente ao lado do bem e da justiça. Desnecessário dizer que isso se transmuda, no caso do Oriente Médio, em anti-sionismo e mesmo em anti-semitismo mal-disfarçado. Nunca o termo islamofascismo fez tanto sentido, e nunca foi tão necessário combatê-lo.

Voltei

Estou de volta, após as festas de fim de ano. E já há uma nova enquete no blog. Votem!
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Um excelente 2009 a todos que merecem!