
Este é um blog assumidamente do contra. Contra a burrice, a acomodação, o conformismo, o infantilismo, a ingenuidade, a abobalhação e a estupidez que ameaçam tomar conta do País e do Mundo. Seja livre. Seja do contra. - "A ingenuidade é uma forma de insanidade" (Graham Greene)
domingo, fevereiro 17, 2008
A IDEOLOGIA DOS SEM-IDEOLOGIA

sexta-feira, fevereiro 15, 2008
A VOLTA DOS CAÇA-FANTASMAS

Outro fator que trabalha a favor da legenda áurea esquerdista é o inegável fascínio que as teorias da conspiração exercem sobre o cérebro humano. De fato, nas últimas décadas surgiu uma verdadeira indústria sobre o tema. Com o detalhe de que, em quase todos os casos, os suspeitos são sempre, invariavelmente, representantes da "direita", do establishment, do imperialismo, da CIA etc. Décadas de propaganda nos tornaram todos predispostos, psicológica e ideologicamente, a aceitar as teses mais estapafúrdias, desde que o culpado seja, claro, a direita. Vejam o caso mais famoso do mundo: o assassinato de John F. Kennedy, em 1963. Já surgiram as teorias mais descabeladas sobre o assunto, apontando para a CIA (sempre ela!), a máfia, o complexo industrial-militar, os exilados cubanos anticastristas de Miami, os brancos racistas do sul dos EUA etc. (só faltou o Mickey Mouse e o Pernalonga). Quase ninguém se contentou com a conclusão óbvia, ou seja, que o autor dos tiros foi Lee Harvey Oswald, um sujeito estranho ("ruim de mira", disseram), e com o fato de que todos os indícios apontavam para o envolvimento de Cuba e da URSS no caso, pois Oswald era membro de um grupo pró-Castro, exilara-se na URSS alguns anos antes e requerera, inclusive, sua entrada em Cuba semanas antes dos tiros em Dallas ("era um agente duplo, um provocador a soldo da CIA" etc.). Mas, como sabem todos os que já assistiram ao filme de Oliver Stone sobre o assunto, o culpado só poderia ser alguém na, ou com conexões com, a Casa Branca... Ou seja: havia fortes motivos para aventar a participação não da CIA, da máfia ou de quem quer que seja, mas de um governo estrangeiro - o de Cuba -, com o qual os EUA estavam em guerra, numa trama para assassinar o presidente dos EUA, mas mesmo assim preferiu-se a tese do "atirador isolado e desequilibrado", ou então do "complô-das-forças-direitistas-e-reacionárias-descontentes-com-a-política-progressista-de-Kennedy". Hum...
O mesmo padrão conspiracionista se verificou logo após os atentados de 11 de setembro de 2001. Quem não se lembra? Na ocasião, pipocaram teorias sobre quem teria sido o verdadeiro cérebro por trás dos ataques: a CIA (olha ela aí de novo!), as gigantes do petróleo norte-americano, Bush, o Mossad israelense... Só faltou dizer que foram os mesmos que mataram Odete Roittman e Salomão Ayala. Não faltou quem, como o renomado economista Celso Furtado, cogitou da possibilidade de ter sido o próprio governo estadunidense o autor da atrocidade. Quando ficou claro que os responsáveis pela tragédia foram fanáticos islâmicos, reunidos em torno de Osama Bin Laden, os conspiracionistas mudaram de tática: passaram a tentar justificar a morte de 3 mil pessoas como uma resposta legítima de um povo oprimido contra a opressão do imperialismo ocidental, ou como a revolta da criatura contra o criador... (ainda tenho vivos na memória os textos de Leonardo Boff e de Tariq Ali regozijando-se pela queda das Torres Gêmeas). Ou seja: culpe os EUA, nunca seus inimigos, esse é o caminho.
Tudo isso me dá o direito, creio eu, de desconfiar das "revelações" do suposto ex-araponga uruguaio sobre a morte de Jango. Principalmente quando acabo de ler que Hugo Chávez, o caudilho fanfarrão da Venezuela, declarou que quer exumar o cadáver de Simón Bolívar, que ele considera o "pai espiritual" de sua "revolução", para averiguar as "verdadeiras causas" de sua morte (supostamente, diz Chávez, por envenenamento). Chávez já disse várias vezes que o governo dos EUA planeja matá-lo. A se julgar pela forma como ele se apropriou da história de seu país para falsificá-la, e dos instrumentos da democracia para destruí-la, é de supor que ele é capaz de cometer suicídio somente para botar a culpa no Bush, ou de culpá-lo pela morte de Bolívar. Enquanto a História for vista como uma via de mão única, com os esquerdistas retratados sempre como vítimas e seus adversários, como cruéis vilões, seus fantasmas continuarão a nos assombrar.
VÍDEO CASSETADA
http://br.youtube.com/watch?v=kRiRKKO8HvU
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
RELIGIÃO, UM ASSUNTO DISCUTÍVEL

quarta-feira, fevereiro 13, 2008
McCAIN PARA PRESIDENTE

segunda-feira, fevereiro 11, 2008
DE VOLTA ÀS COISAS SÉRIAS
O.k., o uso abusivo de cartões de crédito corporativos pela petralhada é um escândalo, o maior desde o mensalão. O.k., não se pode dar poder a esses petistas que eles já saem por aí aprontando a maior lambança com o dinheiro público. O.k., as tentativas do governo de - mais uma vez - "blindar" Lula e abafar o caso, tentando atirar lama nos adversários para desviar a atenção de todos, é de um cinismo atroz. O.k., o.k. Tudo isso já está claro como água ou como o céu de Brasília. Afinal, a coisa fede mesmo, e, se houvesse oposição de verdade no Brasil, já seria matéria suficiente para implodir o governo. Mas vou me permitir deixar esse assunto um pouco de lado para me concentrar no que considero um escândalo muito maior, muito mais tenebroso. Por mais escabroso, por mais grotesco que seja o caso dos cartões corporativos, é apenas um escândalo entre tantos, que provavelmente logo será ultrapassado por outro, e esquecido. O verdadeiro escândalo é outro, muito mais sério. Perto dele, as compras de Lula na padaria da esquina "em nome da segurança nacional" e a tapioca de Orlando Silva são fichinha. São nada mesmo. Nadinha. Uma merreca.Dirá alguém que é exagero, que é muito barulho por nada. Que o Foro não é nada de mais, pois, afinal, o próprio nome diz: é um fórum de debates, onde os esquerdistas discutem suas bobagens, algo totalmente inofensivo etc., etc. Respondo, ou melhor, pergunto: onde já se viu um fórum de debates emitir resoluções ao final de suas reuniões? Onde já se viu uma resolução, aprovada unanimente, não ser uma diretriz para a ação política (e ação política envolvendo, vejam bem, o PT de Lula, o Partido Comunista Cubano de Fidel Castro, os narcobandoleiros das FARC e do ELN e os terroristas do MIR chileno, entre outros conhecidos democratas)? Lula já confessou publicamente que, entre outras coisas, manobrou junto ao Foro para garantir a vitória de Hugo Chávez no plebiscito de agosto de 2004 na Venezuela. Já admitiu em público que o Foro foi usado para intervir na política de um país vizinho. Fórum de debates inofensivo, uma pinóia.
Alguém dirá ainda: mas e daí que o tal Foro seja um espaço de articulação estratégica desses movimentos de esquerda, e que seu objetivo declarado seja recuperar na América Latina o comunismo, se o governo do Brasil, o governo de Lula da Silva, já deu mostras mais que suficientes de que não vai por esse caminho, que é, em vez disso, um governo da esquerda moderada, light, "vegetariana", "paz e amor", responsável e democrática? Um governo, enfim, que pode até fazer essa ou aquela concessão retórica aos radicais da esquerda carnívora, mas que está plenamente adaptado à democracia e à economia de mercado?
A isso respondo com uma pergunta: desde quando ter duas caras, cultuar a ambigüidade, mudando o discurso de acordo com a platéia, significa compromisso com a democracia e responsabilidade política? De fato, é só isso que Lula e o PT têm feito, desde a fundação do partido. Assim confundem e desnorteiam seus adversários. Lula recebe, num dia, Bush de braços abertos? Pois noutro dia lá está ele, tirando fotos com Fidel Castro. Discursa perante uma platéia de bem-vestidos empresários e presidentes no Forum Econômico Mundial em Davos? Pois faz o mesmo no Forum Social Mundial, para um multidão de radicalóides esquerdopatas, ou manda alguém em seu lugar. Para muitos incautos ou otimistas, isso é um sinal de moderação e pragmatismo político, uma prova de que Lula, enfim, é capaz de unir os dois pólos, pairando acima dos mesmos, e que o PT é o partido do juste milieu. Tola ilusão. Longe de significar responsabilidade e moderação, esse tipo de transmutação denota apenas falta de honestidade e oportunismo. Ao acender uma vela para Deus e outra para o Diabo, Lula não está agindo como um conciliador, como uma ponte entre dois extremos, mas, tal como o deus Jano, revela ter duas caras, dois discursos, duas agendas. Uma, oficial, a das entrevistas à imprensa e dos encontros com chefes de Estado e outra, clandestina. É aqui que entra precisamente o Foro de São Paulo, como um espaço em que Lula e Hugo Chávez, para não falar de Fidel e das FARC, possam tratar dos objetivos revolucionários do Foro, livres das amarras da política governamental.
Vêem agora por que o discurso das duas caras é inseparável da prática petista? Compreendem por que toda a propaganda em torno de Lula para torná-lo mais palatável à classe média e às elites não passa de uma estorinha da carochinha, um conto-de-fadas? Lula disse em Havana que condenava os seqüestros das FARC como arma política. Como, se ele e as FARC são parceiros no Foro? Como, se ele apóia a ditadura de Fidel Castro, que apóia as FARC, e que mantém cerca de 11 milhões de cubanos literalmente seqüestrados na ilha-prisão do Caribe? Não por acaso, Lula se definiu, um dia desses, como uma "metamorfose ambulante". É esse tipo de doublethink, de duplipensar, que está na base do pensamento e da ação do lulo-petismo: dizer sempre o contrário do que se faz; fazer o oposto do que se diz, a ponto de ser necessário um tradutor para entender o que Lula fala em seus discursos (e não somente por causa dos erros de português). Perceberam porque não se pode dar crédito à "conversão" política dos petralhas?
Dessa maneira, os companheiros petistas agem de forma realmente "dualética", como diz o Reinaldo Azevedo. Ou seja: com duas éticas, duas morais - uma, para consumo externo, para inglês ver, segundo a qual Lula é um governante sério e democrata exemplar, e o PT é o partido mais ético da história da humanidade; a outra, a verdadeira, é aquela que se expressa na prática política do governo e do partido, com o mensalão e os cartões corporativos.
Mas por que quase ninguém percebe isso, denunciando essa farsa monumental, a maior mentira na história "deste país"? Eu poderia arrolar centenas de motivos, mas o mais importante de todos, óbvio, é o controle hegemônico que a esquerda marxista e gramsciana exerce sobre a mídia. Claro, sou um paranóico, você deve estar pensando. Nesse caso, basta nos perguntarmos por que durante 18 anos a imprensa brasileira silenciou sobre o Foro de São Paulo, por exemplo. Impossível ter sido por falta de informação sobre o assunto, como qualquer um pode averiguar facilmente fazendo uma rápida busca no Google.
Há, também, causas circunstanciais. É inegável que, além de uma formidável máquina de propaganda ideológica a seu serviço, Lula teve, também, muita sorte. Sua ascensão política, aliás, foi o fruto de uma série de circunstâncias, quase do acaso. Nenhum petista irá jamais admitir, mas Lula é uma criatura da ditadura militar. Mais especificamente, do "cérebro" por trás do processo de distensão política do regime de 64, o general Golbery do Couto e Silva. O "bruxo", como era conhecido a eminência parda dos governos Geisel e Figueiredo, preparou o caminho para a espetacular ascensão de Lula, foi, na verdade, seu padrinho político, ao apostar na liderança do até aquele momento (fins dos anos 70) obscuro líder metalúrgico do ABC paulista para dividir ainda mais as esquerdas, em especial o MDB e o velho Partidão. Ao mesmo tempo, por meio de sua política da "panela de pressão", permitia que as esquerdas dominassem os ambientes artístico e acadêmico no Brasil, o que também teve reflexos no surgimento do fenômeno Lula. Nesse caso, Golbery cometeu um erro tremendo, entregando a cultura de bandeja nas mãos dos esquerdistas, que assim puderam conquistar, paulatinamente e por meio dos métodos gramscianos de propaganda, a hegemonia na mídia e nas artes, algo essencial ao mito lulista. No final da vida, Golbery, criador do SNI, o famigerado Serviço Nacional de Informações da ditadura militar, se arrependeria de sua mais famosa criação, dizendo que tinha criado "um monstro". Poderia ter dito o mesmo de Lula.
domingo, fevereiro 10, 2008
AVISO AOS NAVEGANTES
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
CONHECENDO "O VELHO"
Sobre a vitória dos EUA contra o México, em 1848:
E continuava:
- "A Alemanha é um povo superior e os latinos e os eslavos, mera gentalha";
- Ainda sobre os eslavos: "Povos piolhentos, estes dos Bálcãs, povos de bandidos";
A cada frase daquelas, o público fremia de indignação mal-contida. Que absurdo! Que intolerância! Que deslavada apologia do imperialismo e do racismo!, pensavam. Quem teria escrito tamanha barbaridade? Hitler? Goebbels? Mussolini? Franco? O general Médici? Após ler por duas horas para os indignados da "festiva", o dramaturgo, recuperando o fôlego, embolsou as notas e perguntou: "Vocês ouviram. O autor ou autores citados já morreram. Quero saber se teriam coragem de cuspir na cova de quem escreveu tudo isso." Perguntou ainda: "Quem pensa assim, e escreve assim, é um canalha?"
A resposta dos presentes foi fulminante: "É um canalha!".
Nelson Rodrigues ainda os advertiu:
"Calma, calma. São dois os autores! Vocês têm certeza de que são dois canalhas? E canalhas abjetos?"
Novamente, os marxistas de salão ali presentes foram unânimes e enfáticos na resposta. Sim, os autores eram dois canalhas da pior espécie. Canalhas abjetos. Se vivos fossem, os convivas não hesitariam em pular sobre seus pescoços e chupar-lhes as carótidas. Sim, escarrariam, felizes, sobre seus túmulos. Sapateariam, feito possessos, em suas covas, maldizendo-os para sempre.
Desnecessário dizer que os grã-finos da "festiva" ficaram totalmente embasbacados com a revelação. Marx e Engels, os criadores do "socialismo científico", os deuses da revolução, "eram paladinos fanáticos do imperialismo, do colonialismo, admiradores dos ianques, russófobos". Tanto que escreveram o seguinte: "A revolução proletária acarretará um implacável terrorismo até o extermínio de todos esses povos eslavos".
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
CONSTANTINE MENGES TINHA RAZÃO

segunda-feira, fevereiro 04, 2008
CHÁVEZ, O TERRORISTA

"PARANÓIA" BEM FUNDAMENTADA
Antecipando-me às críticas que os esquerdistas provavelmente farão ao artigo de Reinaldo Azevedo sobre o Foro de São Paulo, publicado na Veja da semana retrasada, resolvi eu mesmo lançar-me à tarefa de analisar os prováveis argumentos que deverão ser utilizados pela companheirada para tentar desqualificar o artigo e o autor. Ao fazer isso, estou sendo bastante otimista, pois é sabido que esse pessoal, quando contrariado, não tem por costume o debate sobre fatos e idéias, mas unicamente grunhir e partir para o achincalhamento e a agressão pessoal, no pior estilo stalinista. Até o momento, por exemplo, não vi nenhuma refutação ao artigo de R.A., o qual comentei em meu texto anterior. Talvez os companheiros petistas e seus aliados ainda estejam desnorteados com a ousadia sem paralelo de um jornalista falar abertamente, num grande veículo de imprensa, sobre uma entidade cuja simples existência era negada de forma sistemática. Talvez estejam meio ressabiados, pois afinal não poderão mais contar com o silêncio cúmplice de parte da grande imprensa sobre assunto tão cabeludo. Nesse caso, é provável que prefiram ficar na moita, esperando a poeira baixar e todos se esquecerem. Mas aposto quanto vocês quiserem que a linha de argumentação dos petralhas seria mais ou menos assim: .
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domingo, fevereiro 03, 2008
UMA FANTASIA BASTANTE REAL (OU: COMO TRANSFORMAR A REALIDADE EM FICÇÃO, E VICE-VERSA)

sexta-feira, fevereiro 01, 2008
A FARRA DOS CARTÕES E O DISCURSO DA VITIMIZAÇÃO RACIAL: UM SAMBA DO CRIOULO DOIDO
Acabei de ler na internet. A Ministra da Secretaria Especial de Políticas para a Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, pediu demissão do cargo. O motivo foi a revelação de que andou gastando dinheiro público com cartões corporativos, R$ 171 mil no ano passado, em despesas pessoais que incluíram o aluguel de carros e o pagamento de contas em restaurantes, e até compras num free shop. Outros ministros estão envolvidos na farra. O da Aqüicultura e Pesca torrou alguns milhares de reais em viagens para sua terra natal. O do Esporte usou os tais cartões para comprar até tapioca (pelo menos foi nacionalista, poderia ter sido um Big Mac...).A Ministra já vai tarde. Deveria ter pedido para sair alguns meses atrás, quando, numa entrevista inesquecível para a BBC em Londres, entrou para a lista de autores de frases mais inacreditáveis da História, quando disse o seguinte: "Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco (sic). Racismo é quando uma maioria econômica, política ou numérica coíbe ou veta direitos de outros. A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural (sic), embora eu não esteja incitando isso. Não acho que seja uma coisa boa. Mas é natural que aconteça (sic), porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou". Ao contrário do que poderia supor o bom senso mais elementar, ela não sofreu nenhuma reprimenda oficial por causa disso. Nem mesmo um puxãozinho de orelha. Na época, o governo pôs panos quentes e o assunto foi esquecido. Pena. Tivesse ela sido demitida por declarações absurdas como essa, e não por um escandalozinho de quinta categoria como o dos cartões corporativos, teria sido um sinal de que o País, afinal, tem solução. Teria sido a prova de que o Brasil não está tomado, afinal, pelo discurso demagógico e marketeiro do politicamente correto, como demonstra outro grande escândalo, o das cotas raciais nas universidades. Alguns anos atrás, outra Ministra do governo Lula, Benedita da Silva, igualmente negra, igualmente despreparada, igualmente deslumbrada e incompetente até na roubalheira, teve de se demitir após ter sido apanhada com a boca na botija, usando dinheiro do contribuinte para passear em Buenos Aires, aonde foi participar de um culto evangélico. Eu a demitiria não por isso, mas pelo lema que escolheu para sua campanha política quando se candidatou a governadora do Rio de Janeiro: "Mulher, negra e favelada". Uma peça de demagogia e de vitimização sem paralelo com quase tudo que eu já vi.
A queda de Matilde Ribeiro é um desses episódios que, em sua aparente banalidade, trazem importantes lições. Infelizmente, creio que logo serão esquecidas, assim como o próprio caso em si, como uma mera gota no oceano de bandalheira que é o governo Luiz Inácio. Mas vale a pena não deixar a peteca cair. A primeira lição, óbvio, diz respeito ao próprio deslumbramento da Ministra, que usou e abusou do cartão corporativo até nas férias de fim de ano. Isso mostra que não temos jeito, somos mesmo um bando de malandros e cafajestes. Basta dar um cargo a qualquer um e lhe entregar um cartão para gastar com despesas oficiais, que o sujeito ou sujeita vai se refestelar no primeiro restaurante ou shopping center. Coloque-o numa cadeira com um cargo "de responsa", dê-lhe uma sala com ar condicionado e alguns funcionários, e ele ou ela logo se sentirá o rei ou rainha da cocada preta, uma autêntica "otoridade", acima do bem e do mal. Não importa se o dinheiro que paga o aluguel do carro ou a tapioca vem do meu, do seu, do nosso bolso. É um traço de nosso caráter nacional, algo de que não podemos fugir. Está nos nossos genes, na nossa formação histórica e cultural defeituosa, o não distinguir entre o que é particular e o que é público, ou, como gostamos de dizer, o que "não é de ninguém".
Mas isso é, como dizia Nelson Rodrigues, o óbvio ululante. O mais importante, o que se deve ter em mente quando ninguém mais lembrar da Dra. Matilde Ribeiro, é o próprio cargo que ela exercia. Afinal, o que faz exatamente a Secretaria Especial para a Promoção de Pólíticas para a Igualdade Racial da Presidência da República? Trata-se de uma ficção, mais uma sinecura estatal feita sob medida para ser preenchida por companheiros militantes, para que estes ponham em prática seus delírios ideológicos. No caso, militantes de uma causa, a da "igualdade racial", que têm como uma de suas principais bandeiras a adoção do sistema de cotas racias nas universidades federais, algo já vigente na UnB. Em nome da luta contra o racismo - causa nobre contra a qual ninguém em sã consciência se insurgiria, assim como ninguém seria contra a "luta pela paz" ou a preservação das baleias azuis -, estão dispostos a tornar institucional o próprio racismo, como de fato faz o sistema de cotas, o qual apenas serve para dividir a sociedade em duas raças e desmoralizar os negros como incapazes intelectualmente, sepultando a meritocracia. E isso num país que se gaba - corretamente, aliás - de sua mestiçagem. A tal Secretaria presidida pela Ministra demissionária, enfim, é um erro desde o início. Um autêntico samba do crioulo doido - ou do afro-descendente fora do pleno domínio de suas faculdades mentais, como queiram. Diante disso, o escândalo dos cartões é apenas um detalhe, a pontinha do iceberg.
A saída de Matilde Ribeiro do Ministério Lula da Silva só não é mais melancólica do que o próprio cargo que ela ocupava. Durante o governo Lula, sob a sua coordenação, tem-se assistido a um enorme retrocesso também na área racial, com o aparecimento de tensões antes inexistentes em função da adoção das cotas nas universidades, criadas por uma visão vitimista que não raro é usada como um álibi para se cometer todo tipo de roubalheira. Não duvido que a ex-Ministra, assim como Benedita da Silva antes dela, seja elevada à condição de mártir e heroína por seus companheiros de causa racista, ops, racial, uma Joana d'Arc afro-descendente, pois teria sido vítima de algum complô ardiloso das "zelite" por ser negra, coitada... O País regrediu algumas décadas sob Lula. Ele desmoralizou não apenas a ética, mas os negros também. Ficamos todos mais corruptos, mais safados, mais sonsos, mais racistas. E mais burros.