
Este é um blog assumidamente do contra. Contra a burrice, a acomodação, o conformismo, o infantilismo, a ingenuidade, a abobalhação e a estupidez que ameaçam tomar conta do País e do Mundo. Seja livre. Seja do contra. - "A ingenuidade é uma forma de insanidade" (Graham Greene)
terça-feira, dezembro 18, 2007
COMO DESTRUIR UM PAÍS

sexta-feira, dezembro 14, 2007
O QUE ELES QUEREM

terça-feira, dezembro 11, 2007
A ARTE DE CULTIVAR O PRÓPRIO JARDIM
Confesso. Sou um egoísta. Sempre fui. Desde criancinha. Claro, de acordo com a teologia cristã, eu vou para o inferno. Mas não me importo, até porque não creio em Deus, nem em Diabo, nem em boitatá ou curupira. Isso significa também que, de acordo com a ideologia oficial do Estado brasileiro atualmente, eu sou um canalha, um reacionário, um burguês desprezível. Nem precisa dizer que não dou a mínima para isso também..
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quinta-feira, dezembro 06, 2007
AS VIVANDEIRAS DO DESARMAMENTISMO

A idéia de que tragédias como a de Nebraska ou de Columbine poderiam ser evitadas se houvesse um maior controle governamental sobre as armas é um desses mitos que a esquerda politicamente correta daqui e de alhures adora cultivar. É uma maneira muito esperta de manipular a verdade. Serve para desviar a atenção do fato de que crimes como esses acontecem não porque há uma arma na mão de alguém, mas porque há uma mente doentia por trás do gatilho. Se fosse uma faca de cozinha ou um canivete, em vez de uma pistola 45 ou uma escopeta 12, haveria mortes também, como demonstraram os atentados suicidas de 11 de setembro de 2001 (aliás, é curioso como os mesmos que advogam o fim da liberdade de escolha em nome do desarmamento no Brasil se mostram tão indignados quanto às rígidas regras de segurança adotadas nos aeroportos dos EUA após os ataques às Torres Gêmeas...). A questão não é a quantidade de armas em circulação, mas quem as porta, assim como o que importa não é quantos carros há nas estradas, mas se o motorista sabe ou não dirigir. Além disso, já está mais que comprovado que a fórmula "menos armas, mais segurança" não funciona na prática. Há atualmente, nos EUA, muito mais armas de fogo nas mãos de cidadãos comuns do que no Brasil, onde vigora uma legislação duríssima e um "Estatuto do Desarmamento" que praticamente proíbe o indivíduo de comprar legalmente um revóver 38. E, no entanto, o que predomina lá é a fórmula inversa, ou seja, "mais armas, menos crimes". Façam uma pesquisa, se quiserem, e vocês vão ver.
quarta-feira, dezembro 05, 2007
"HÉRCULES 56": A HISTÓRIA SEQÜESTRADA

terça-feira, dezembro 04, 2007
OS VENEZUELANOS MANDARAM CHÁVEZ CALAR-SE
sexta-feira, novembro 30, 2007
ISLÃ: RELIGIÃO DE PAZ OU DA BARBÁRIE?
No começo de 2006, uma onda de ódio varreu o mundo muçulmano. Embaixadas ocidentais foram incendiadas. Diplomatas foram atacados e apedrejados. Multidões furiosas gritaram morte ao Ocidente! Motivo: algumas caricaturas do profeta Maomé, consideradas ofensivas, publicadas num jornal dinamarquês.
Mas o Islã é uma religião de paz e tolerância.
Um escritor indiano de origem muçulmana escreve um livro em que ousa humanizar a figura de Maomé, atribuindo-lhe características não-divinas. Os líderes religiosos do Irã decretam então uma fatwa em que o condenam à morte, e prometem o Paraíso como recompensa a qualquer muçulmano que o despachar para o além. Há vinte anos, o escritor vive escondido, por razões de segurança.
Mas o Islã é uma religião de paz e tolerância.
Na Nigéria, uma mulher é condenada a morrer apedrejada por ter feito sexo fora do casamento, mesmo separada do primeiro marido, que não havia ainda lhe concedido o divórcio (pela lei corânica, se o marido não concede o divórcio, o casal ainda não está separado).
Mas o Islã é uma religião de paz e tolerância.
No Afeganistão, membros do Talibã - que governa o país de 1996 a 2001 - impõem uma interpretação literal da lei islâmica, e implodem, por "idólatras", estátuas de Buda de milhares de anos e valor histórico inestimável.
Mas o Islã é uma religião de paz e tolerância.
Em setembro de 2001, dezenove jovens muçulmanos seqüestram e atiram aviões civis contra as torres do WTC e o prédio do Pentágono nos EUA. Esperavam, com isso, alcançar o Paraíso, onde lhes havia sido dito que 72 virgens de olhos negros serviriam a cada um deles por toda a eternidade. Mais de 3 mil pessoas morrem.
Mas o Islã é uma religião de paz e tolerância.
Em março de 2004, explosões no metrô de Madri matam 190 pessoas. Os autores são militantes islâmicos.
Mas o Islã é uma religião de paz e tolerância.
Em dezembro de 2004, o cineasta holandês Theo Van Gogh é assassinado por um imigrante marroquino. Depois de atingi-lo com vários tiros à queima-roupa, o assassino o degola com uma faca de cozinha, e crava-lhe a faca no peito com uma carta em que o condenava por blasfêmia. Van Gogh havia dirigido um filme em que critica o tratamento dispensado às mulheres nos países muçulmanos. Antes de morrer, sua última frase foi "Será que não podemos conversar?".
Mas o Islã é uma religião de paz e tolerância.
Também na Holanda, uma imigrante da Somália rompe com a religião de sua família e escreve um livro denunciando os abusos que sofrera em seu país de origem, como a mutilação genital (prática anterior ao Islã, mas tolerada e até incentivada por ele). Hoje, vive escondida, sob permanente ameaça de morte.
Mas o Islã é uma religião de paz e tolerância.
Em julho de 2005, mais de 50 pessoas são mortas em atentados à bomba em Londres, praticados por membros da comunidade muçulmana local.
Mas o Islã é uma religião de paz e tolerância...
Nenhum dos episódios narrados acima é um fato isolado. Casos semelhantes ocorrem todos os dias, aos milhares, em todos os países e comunidades em que o islamismo é a religião oficial ou predominante. A lista é interminável, e seria extremamente tedioso narrá-los todos aqui. Do mesmo modo, a cada fato do tipo, a cada atentado terrorista no Iraque ou na Palestina, a resposta das autoridades ocidentais, não-muçulmanas e seculares, é sempre a mesma, não varia nunca: o Islã é uma religião de paz e tolerância, os que cometem essas atrocidades não são verdadeiros muçulmanos, são apenas um bando de fanáticos, cuja interpretação do Islã é completamente deturpada etc. Para tanto, citam algum líder muçulmano "moderado", e pinçam esta ou aquela passagem do Corão, em que se defende a paz e tolerância com outros credos.
Até quando vai durar essa cegueira voluntária? Quantos ataques e quantas mortes mais serão necessários para que todos percebam o que é óbvio, e que, justamente por isso, quase ninguém ousa admitir? Até quando o "politicamente correto" vai nos impedir de ver o que está diante de nossos olhos, e que os inimigos da civilização e da humanidade fazem questão de reafirmar todos os dias: ou seja, que o Islã não é uma religião de paz e tolerância coisa nenhuma. Assim como todas as religiões, é bom que se diga.
Para cada verso do Corão que fala de paz, há pelo menos uns dez que insuflam os fiéis a matar e exterminar sem piedade seus inimigos. Sendo que, por "inimigos", o Islã entende todos aqueles que não cumprem a Lei do Profeta nem oram cinco vezes ao dia voltados para Meca. Ou seja: todos os que não são muçulmanos. A esses, o Corão reserva um lugar particularmente quente no inferno, assim como aos crentes muçulmanos que não levem sua religião suficientemente a sério, deixando de cumprir os cinco deveres sagrados da fé islâmica - entre os quais a guerra santa, a jihad, que, ao contrário do que querem fazer-nos crer os políticos "moderados" e os adeptos do multiculturalismo - até mesmo Bush, como se viu nos dias imediatamente seguintes ao 11 de setembro de 2001 -, não se restringe a uma luta interior, no coração (ou mente) de cada indivíduo, mas constitui, isto sim, uma guerra de morte, literalmente falando, contra os kufrs, os infiéis, os não-muçulmanos.Até o momento, qualquer afirmação nesse sentido continua a ser rotulada como "eurocêntrica" ou "preconceituosa", do mesmo modo que chamar o banditismo nas favelas brasileiras pelo nome ainda é considerado, pela esquerda festiva, "reacionarismo" e mesmo "fascismo". Contaminados, durante décadas, de relativismo cultural, os ocidentais fecharam voluntariamente os olhos para a realidade, encarando o fascismo islâmico e os atentados terroristas da Al-Qaeda e do Hamas não como o que de fato são - atos de barbárie cometidos contra a civilização, crimes contra a humanidade -, mas ora como "desvios" da "verdadeira" fé islâmica, supostamente tolerante e pacífica, ora como manifestações de protesto contra agravos passados do "imperialismo" ocidental no Oriente Médio. Leiam os livros de Edward Said ou de Tariq Ali e vocês terão uma mostra disso.
O que se tem observado é não uma tentativa de garantir a paz e a coexistência com o Islã, mas de justificar e até mesmo enobrecer os desatinos cometidos em seu nome. Ao contrário dos muçulmanos, que nas últimas décadas se acostumaram a ostentar sua fé de forma explícita e desafiante, com as mulheres chegando mesmo a requerer o "direito" de portar véus em escolas laicas na França, os cidadãos do Ocidente - e nisso incluo também essa margem sul chamada Brasil - parece que se recolheram a um temor reverencial diante da onda crescente islãmica. No caso das caricaturas de Maomé e de algumas declarações do papa, também consideradas ofensivas ao Islã, os governos ocidentais e a própria Igreja católica chegaram mesmo a pedir desculpas aos muçulmanos. Ninguém lembrou de pedir que os muçulmanos se desculpassem por terem ateado fogo a embaixadas e ameaçado cidadãos ocidentais. É que, nessa visão, intolerantes somos nós, nunca eles. Quiseram até que o papa se desculpasse por ter reafirmado, em suas encíclicas, que a fé cristã é o único caminho para a salvação. Queriam o quê? Que o Supremo Pontífice tirasse a batina e orasse cinco vezes em direção a Meca, entoando cânticos a Alá?
A fim de desviar a atenção das barbaridades cometidas em nome do Islã, muitos historiadores, bem ou mal intencionados, vez ou outra falam da "convivência pacífica" entre muçulmanos, judeus e cristãos na Península Ibérica, durante o período da ocupação muçulmana (séculos VIII-XV). Lembram, a propósito, de filósofos muçulmanos importantes da Idade Média, como Avicena e Averróis, que, ao traduzirem antigos textos gregos, ajudaram a preservar a filosofia clássica de Platão e Aristóteles, legando-nos uma rica herança cultural que, de outro modo, estaria perdida para sempre. Trata-se de um mito, decorrente de uma visão anacrônica da História. Não há nada que ateste a suposta "tolerância" dos muçulmanos em relação aos cristãos e judeus ibéricos - pelo contrário, estes eram em geral segregados e obrigados a pagar um imposto se quisessem cultuar sua fé. Do contrário, seriam convertidos à força, do mesmo modo que ocorreria depois com os judeus em Portugal, e muitos foram escravizados. Quanto à preservação dos textos filosóficos gregos, durante séculos os monges católicos se especializaram em copiar textos da Antigüidade clássica greco-romana, e nem por isso a religião católica deixou de conclamar as Cruzadas e de implantar a Inquisição. Aliás, coube a um dos santos da Igreja, o filósofo S. Tomás de Aquino, a tarefa de fazer uma síntese de todo o pensamento filosófico aristotélico com a fé cristã, resultando na filosofia escolástica medieval, até hoje a base do pensamento católico ensinado nos seminários. A idéia da "convivência pacífica e harmoniosa" entre muçulmanos, cristãos e judeus durante essa "era de ouro" idílica na Península Ibérica não passa da transposição de uma aspiração atual para um passado idealizado.
As demonstrações de histeria e irracionalidade em nome de Deus não são, claro, exclusividade do Islã e seus seguidores. Esta é uma característica de todas as religiões, sem exceção. Não conheço nada mais falso do que a idéia de convivência pacífica e respeitosa entre as religiões. É algo quase tão falso e hipócrita quanto a "convivência pacífica" entre EUA e URSS, nos tempos da Guerra Fria. Assim como ocorria na disputa entre capitalismo e comunismo, as religiões sempre estiveram em guerra umas com as outras, às vezes abertamente, às vezes de forma dissimulada. E, assim como a Guerra Fria, essa disputa não chegará ao fim com nenhum tratado de paz, mas apenas com a vitória total de um lado sobre o outro - ou com a destruição de todos.
O simples fato de alguém se declarar muçulmano, ou católico, ou judeu, já significa, por si só, uma postura excludente e preconceituosa. Por mais que professe uma religiosidade light ou moderada, e proclame aos quatro ventos o respeito e a necessidade de diálogo com outros credos, o indivíduo professará uma fé que considera erradas as demais, pois do contrário não teria adotado uma delas. Nos últimos tempos, autores polêmicos, como Christopher Hitchens e Sam Harris, tem-se dedicado a tocar nessa ferida, um verdadeiro tabu. Como afirmam Hitchens e Harris, não há religião de paz e tolerância. Mesmo o budismo, com sua aparente bondade aos olhos ocidentais, tem seus esqueletos no armário. No Sri Lanka, por exemplo, budistas e hindus se massacram há décadas. Na Tailândia, ocorre o mesmo entre budistas e muçulmanos. Onde quer que haja alguém proclamando a verdade de sua fé, onde quer que haja alguém fazendo oferenda a seus deuses, estará sempre presente a semente da intolerância.
Por que, então, não se vêem atualmente católicos ou protestantes cometendo os mesmos atos de barbárie e assassinatos em massa em nome de sua fé? (Em termos: na Irlanda do Norte, por exemplo, os conflitos e massacres entre católicos e protestantes mancharam a região nos últimos quarenta anos). A resposta não deve ser buscada na religião, em cada credo particular, mas no secularismo, algo que, até o momento, continua a ser - infelizmente - uma característica ocidental. Nós nos esquecemos, mas todo o progresso alcançado até hoje no campo da democracia e dos direitos humanos - e na ciência também, vide Galileu - não ocorreu por causa da religião, mas apesar dela e contra ela. Este foi um processo longo e doloroso, que custou milhões de vidas em incontáveis conflitos, como a Guerra dos Trinta Anos na atual Alemanha (1618-1648) e as guerras religiosas na França (1562-1589). Basta lembrar que a Igreja Católica, até o final do século XIX, era um Estado poderoso, dono de vastíssimas possessões de terra e de um bem-armado exército. Se católicos e protestantes não se engalfinham hoje em lutas sangrentas nas ruas, reproduzindo a Noite de S. Bartolomeu (vide a imagem que ilustra este texto), não é porque eles foram tocados pela pomba da paz e pelo espírito de tolerância e fraternidade entre os homens, mas somente porque o Estado, há uns duzentos anos, deixou de ser o instrumento de opressão de uma fé sobre outra. Do mesmo modo, se posso hoje escrever este texto sem medo de ser atirado numa masmorra, torturado e obrigado a abjurar sob pena de ser queimado vivo na fogueira, é porque vivemos numa sociedade laica e secular, com separação entre a religião e o Estado (claro, isso não impede que algum fanático resolva me assassinar, mas é para impedir que isso ocorra que existem as leis). No mundo democrático (ou seja, quase totalmente, ocidental), a religião deixou há muito de ser uma questão de Estado para se tornar um assunto de foro íntimo, de consciência individual. Não é o que ocorre atualmente em países como o Irã ou a Arábia Saudita, que não conheceram nem a Reforma, nem o Iluminismo.
Qualquer interpretação literal de um texto religioso só pode resultar em fanatismo e morte. Não somente o Corão, mas a Bíblia - tanto o Antigo quanto o Novo testamento - estão recheados de passagens em que um homossexual ou uma mulher adúltera, por exemplo, devem ser apedrejados até a morte. Todos conhecem a passagem bíblica em que Abrãao é instado por Deus a sacrificar seu único filho, Isaac, sendo demovido de cometer esse assassinato pela mão de um anjo, quando estava prestes a cortar-lhe a garganta. É em nome desse mesmo deus que Bin Laden e os militantes da Al-Qaeda sacrificam a outros e a si mesmos hoje em dia.Os crimes cometidos por causa da, ou motivados de alguma maneira, pela religião, estão entre os mais numerosos que se praticaram e praticam hoje. E, no entanto, não há crime com álibi maior e mais tolerado. Sobretudo se for praticado em nome do Islã. Por causa de nossa sociedade secular, paradoxalmente tendemos a rejeitar muito mais firmemente a intolerância dos evangélicos contra homossexuais ou a intolerância católica contra o aborto ou o uso de preservativos - sem falar no escarcéu de bispos e padres por causa de filmes "blasfemos" como Je Vous Salue Marie e A Última Tentação de Cristo (até hoje proibido no Chile, um país democrático) - do que a intolerância muito mais letal e mortífera dos mulás e aiatolás muçulmanos. Em outras palavras: condenamos com bastante vigor o cisco no nosso olho, mas não vemos a trave no olho do vizinho. Uma das melhores frases já ditas até hoje sobre intolerância religiosa é a de Pascal: "Nunca se cometeram tantos crimes quanto os cometidos em nome da Cruz". Eu acrescentaria: e do Crescente, e da Estrela de Davi...
Em São Paulo, há alguns meses, um homem matou toda a família a marteladas, antes de ser abatido pela polícia. Evangélico, o pastor da igreja que freqüentava lhe recomendara deixar de tomar os remédios controlados de que fazia uso regularmente contra a esquizofrenia. Sua fé bastaria para que alcançasse a cura, foi-lhe dito. Sem tomar o remédio há dias, o homem entrou em surto psicótico. A religião é mesmo um caminho de verdade e luz.
terça-feira, novembro 27, 2007
DOIS TABUS

Falar sobre pena de morte e narcotráfico sem apelar para velhos chavões esquerdistas é algo difícil de fazer no Brasil. Na verdade, trata-se de duas não-questões, dois verdadeiros tabus. Em ambos os assuntos, ainda se sente o peso sufocante das duas décadas de ditadura militar, com qualquer argumento a favor da pena capital ou de uma maior ação repressiva contra os narcotraficantes sendo automaticamente rotulado como "autoritário" e até mesmo "fascista". O resultado é que o debate sobre esses dois temas ficou totalmente truncado, sendo hoje algo praticamente inexistente, com a troca de argumentos sendo substituída em geral por acusações de reacionarismo e por muita histeria e irracionalidade. Como se quem quer que ouse levantar o debate fosse um Amaral Netto ou um nostálgico da época em que os milicos prendiam e arrebentavam.
Comecemos pela pena de morte. Antes que alguém me chame, pela enésima vez, de "direitista" e "reacionário", quero deixar claro que minha opinião sobre o assunto está baseada na idéia de responsabilidade do indivíduo. Quero dizer o seguinte: se o sujeito tortura e mata friamente uma família inteira, ou arrasta intencionalmente o corpo de um garotinho por vários quilômetros, está cruzando uma linha, está rompendo completamente qualquer possibilidade de convivência com a humanidade. Mais que um assassinato brutal, ele está expressando seu total desprezo pela vida humana e pela sociedade. Não importa se ele teve uma infância difícil, se seus pais o batiam, se ele veio da miséria etc. (muita gente tem uma infância difícil, é espancada pelos pais e vem da miséria, e nem por isso se transforma num serial-killer). Como indivíduo adulto e consciente, em pleno domínio de suas faculdades mentais e dono de sua razão (daí porque excluo desse raciocínio os mentalmente insanos e incapazes), ele deve saber perfeitamente que seus atos têm conseqüências, e que ele é responsável perante a sociedade. No momento em que entra na vida social, o indivíduo se compromete a respeitar suas regras e a vida alheia, a maior regra de todas. Se ele descumpre essa regra de forma bárbara, se está clara sua incapacidade de conter seus instintos homicidas, ele está se excluindo do convívio com seus semelhantes. Por que a sociedade então deveria manter algum compromisso com ele? Por que deveria sustentá-lo durante anos - ou a vida toda - na cadeia?
A vida é um direito, o primeiro direito de todos. Ninguém duvida disso. Tirar a vida de alguém com intencionalidade, de forma cruel e desumana, significa rasgar o contrato que regulariza esse direito. E quem rasga um contrato deve estar ciente que sofrerá uma penalidade por causa disso. No caso, trata-se de assegurar que a pena será compatível e proporcional ao delito cometido. É justo deixar 20 ou 30 anos preso alguém que devastou uma família inteira, com requintes de crueldade e sadismo? Não seria mais justo e proporcional privá-lo daquilo que ele retirou de sua(s) vítima(s)?
Noves fora todos esses argumentos, resta um, que a meu ver é a principal razão para não querer ver implantada a pena de morte no Brasil: a possibilidade de erro judicial. Este é, certamente, o maior argumento contra essa medida drástica, e se há um bom motivo para não ser a favor da pena capital, é esse. Afinal, ninguém em sã consciência gostaria de arriscar executar um inocente por causa de falhas no processo. E se isso já aconteceu até nos EUA, imagine no Brasil, com nosso Judiciário deficiente. Mesmo aqui, porém, eu me permito uma transgressão. Com o avanço das técnicas e métodos científicos que permitem descobrir a autoria de crimes, quem garante que em breve a possibilidade de erro judicial não seja próxima a zero? Basta lembrar que cinqüenta anos atrás, exame de DNA, por exemplo, era coisa de ficção científica.
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Quanto à questão das drogas, também não vejo como ser "politicamente correto". A idéia da legalização, que é vendida por tanta gente descolada como uma espécie de solução mágica para o problema do tráfico e do próprio consumo, pois retiraria a sedução do proibido, é, para mim, uma falácia. Na verdade, é uma forma de desviar a atenção do cerne da questão. Não é o que é proibido que importa, se faz ou não mal à saúde, ou se é ou não uma questão de "liberdade individual", com a qual ninguém, muito menos o Estado, teria nada a ver. A questão é outra. O que realmente importa é o fato de que consumir e traficar drogas, no Brasil, é contra a lei. E ponto. Pouco me importa se o que é proibido é o consumo de maconha ou de fubá. É o respeito à lei, e não o fato de o sujeito encher os pulmões com fumaça de canabis ou de pó, o que está em jogo. E a lei é para todos, gostem ou não. Em outras palavras, a idéia da legalização (descriminalização) do porte e consumo de drogas, assim como de seu comércio, apenas atesta a existência de uma cultura da contravenção entre nós, algo também herdado de certa visão de esquerda, dos anos 60.
Vou dar um exemplo: a lei que obriga o uso do cinto de segurança nos automóveis, que existe desde algum tempo. No começo, achei essa lei um absurdo, pois, pelo menos no caso do carona e do motorista, é uma clara intromissão na vida privada do indivíduo. Não há dúvida de que usar o cinto de segurança é algo extremamente importante e recomendável, mas de modo algum, eu acreditava e continuo a acreditar, deveria ser algo obrigatório. O raciocínio por trás dessa medida é o mesmo de querer obrigar todo mundo a escovar os dentes ou tomar banho todos os dias, por exemplo. Malgrado as boas intenções que possam estar por trás de sua elaboração, essa lei é, portanto, bastante questionável. Até hoje penso assim, mas nem por isso deixo de usar o cinto. E não somente por medo de levar uma multa, mas sobretudo porque é lei. E lei se cumpre. Mesmo que seja uma lei discutível.
Assim como já fui adversário visceral da pena de morte, já fui a favor da legalização (descriminalização) das drogas, inclusive das drogas mais pesadas, como cocaína e heroína. Não sou hipócrita: assim como Bill Clinton, também fumei em meus tempos de faculdade e, ao contrário dele, traguei, sim. Literalmente intoxicado de literatura esquerdista, eu acreditava, então, que a lei era autoritária e que drogar-se era, enfim, um ato de rebeldia, uma questão individual, quase como escolher esse ou aquele tipo de comida. Afinal, se o sujeito resolve cheirar ou se picar, o que eu tenho a ver com isso?, raciocinava. Cada um na sua, e ponto final. Também pensava que bastaria legalizar o comércio de entorpecentes para que o problema do narcotráfico acabasse, e assim viraríamos uma Holanda ou uma Suiça.
Hoje penso bem diferente. Descobri que as coisas não são tão simples como eu imaginava na minha época de bicho-grilo. Aquilo que eu via como demonstração de rebeldia e de liberdade, percebi logo, era apenas desprezo pela lei e arrogância. Do mesmo tipo do "sabe com quem você está falando?" e outras típicas manifestações de nossa cultura senhorial e escravocrata, de nossa incapacidade atávica de separar os interesses público e privado. O simples imperativo categórico kantiano - se vale para um, precisa valer para todos, sem exceção - é algo estranho à nossa formação social. Daí a nossa cultura do "jeitinho", da malandragem. A lei pode servir para os outros, para os pobres, os que não têm grana para comprar cocaína "da boa" ou uns pontos de LSD para curtir uma rave, jamais para nós, juventude dourada e descolada, herdeira da geração "paz e amor" dos anos 60... Não há nada de "moderno" no comportamento de um usuário de maconha ou de ecstasy. Pelo contrário: há apenas a reverberação de antigos vícios e taras nacionais. Além de muita vaidade, muito narcisismo e imaturidade.
Pode ser que um dia as drogas sejam todas legalizadas, e qualquer pessoa possa comprar uma trouxinha de maconha ou uma dose de cocaína no coffee-shop da esquina, tal como já ocorre, por exemplo, na Holanda. Pode ser que, nesse dia, fumar um baseado ou cheirar uma carreira de puro pó colombiano seja encarado como algo normal e socialmente aceitável, como é hoje tomar uma dose de uísque ou um gole de cerveja com os amigos. Até mesmo se picar na veia poderá um dia, quem sabe, ser visto apenas como um gosto pessoal, uma preferência sem maiores conseqüências para o usuário e a sociedade. Pode ser que esse dia chegue, e, com os avanços da ciência e da medicina, não duvido disso. Mas enquanto vivermos numa sociedade democrática, em que a lei proíba expressamente esses comportamentos, e enquanto o narcotráfico se aproveitar desses vícios para faturar e comprar armas, enrolar um baseado, por mais inocente que pareça esse gesto, estará longe de ser uma atitude individual. É e será um gesto de cumplicidade com a bandidagem. Conservador? Careta? Talvez. Mas é uma realidade que não dá para fingir que não existe.
No final do filme Os Intocáveis, de Briam De Palma, o personagem de Kevin Costner, que interpreta o inspetor do FBI e principal inimigo de Al Capone, Eliot Ness, é perguntado por um repórter o que faria quando a Lei Seca fosse revogada nos EUA."Vou tomar um drinque", é a resposta de Ness, e a última fala do filme. Talvez eu dê um tapinha ou uma fungada quando as drogas forem legalizadas. Mas, até lá, prefiro respeitar a lei e não compactuar com a bandidagem.
segunda-feira, novembro 26, 2007
PT-PSDB: O DUOPÓLIO ESQUERDISTA
