
Este é um blog assumidamente do contra. Contra a burrice, a acomodação, o conformismo, o infantilismo, a ingenuidade, a abobalhação e a estupidez que ameaçam tomar conta do País e do Mundo. Seja livre. Seja do contra. - "A ingenuidade é uma forma de insanidade" (Graham Greene)
quarta-feira, agosto 15, 2007
MEDO DA RESPONSABILIDADE

quinta-feira, agosto 09, 2007
VOTANDO COM OS PÉS

terça-feira, agosto 07, 2007
CANSEI DO LULA

segunda-feira, agosto 06, 2007
UMA CATÁSTROFE INEVITÁVEL
"Qualquer pessoa é criminosa quando promove uma guerra evitável; e também o é, quando não promove uma guerra inevitável". (José Martí)Há um outro aspecto pouco lembrado na tragédia de Hiroshima. Quando o Enola Gay despejou sua carga mortal sobre a cidade, quase ninguém, nem mesmo os cientistas do Projeto Manhattan, sabiam ao certo seus efeitos. O gesto de lançar a bomba foi, assim, uma ação calculada para terminar a guerra, mas também um ato de desespero. Nada que possa ser comparado aos argumentos cínicos de países como o Irã e a Coréia do Norte, os quais, sob a alegação de que é necessário "quebrar o monopólio nuclear das superpotências", insistem em seus programas atômicos clandestinos. Ao contrário dos EUA quando bombardearam o Japão, os líderes desses países conhecem perfeitamente do que uma explosão nuclear é capaz. Não desejam adquirir essa tecnologia para acabar com alguma guerra, para forçar um inimigo obstinado à rendição, mas para chantagear o mundo. Isso retira qualquer legitimidade a seus propósitos.
Hoje, 6 de agosto, faz 62 anos que o primeiro artefato nuclear caiu sobre Hiroshima. Desde então, a data passou para a História como o marco inicial da era atômica. Crescemos, todos aqueles que nasceram após 1945, sob a sombra da ameaça da aniquilação total, primeiro nos anos da Guerra Fria entre EUA e URSS e, hoje, na forma da proliferação nuclear, representada por organizações terroristas como a Al Qaeda e governos imprevisíveis como os de Teerã e de Pyongyang. Hiroshima continuará a ser um símbolo da loucura humana. Mas, é forçoso admitir, se não quisermos ter uma visão unidimensional da História, que a loucura, nesse caso, não se restringe àqueles que tomaram a decisão de lançar a bomba. Nem está ausente dos cálculos de muitos que se acostumaram a condená-la.
sexta-feira, agosto 03, 2007
A QUESTÃO É POLÍTICA, SIM!

"Não politizar a questão", francamente... Se há um partido político que se especializou em partidarizar e politizar a gestão pública no Brasil, é o PT. Onde quer que tenham colocado a mão em um governo - federal, estadual, municipal - os companheiros petistas transformaram o aparelhamento da máquina pública, da coleta de lixo ao setor aéreo, em sua marca registrada. Pouco antes do acidente da TAM, os jornais anunciavam, em suas manchetes, a criação de mais de 600 cargos comissionados no governo federal, um verdadeiro sorvedouro de dinheiro público para acolher militantes, a maioria dos quais sem nenhuma outra qualificação para exercer um cargo público que não a carteirinha de filiação ao partido. E agora querem que simplesmente deixemos isso de lado?
Também quando era oposição, o PT fazia questão de partidarizar tudo que dissesse respeito à administração pública, de incêndios florestais em Roraima até a dengue em São Paulo. Os petistas politizaram o apagão elétrico, politizaram a violência urbana, politizaram o desemprego. Com que direito, depois de terem promovido um festival de patrulhamento ideológico e de partidarização da vida brasileira por quase trinta anos, desejam convencer-nos de que o que o que houve em Congonhas não tem nada a ver com o caos aéreo por eles criado? Com que direito ainda têm a coragem de pedir que acreditemos que é tudo culpa da TAM e de insinuar que quem não engole essa balela é um tucano empedernido?
É de se lamentar que quase 200 pessoas tenham tido que perder a vida para que toda a lambança dos companheiros petistas viesse à tona. E ainda querem falar em "não politizar" a questão? Esses petistas não têm mesmo a menor vergonha na cara.
quarta-feira, agosto 01, 2007
A CULPA É DO GOVERNO

segunda-feira, julho 30, 2007
POR QUE NÃO SOU NACIONALISTA

Do ponto de vista político-filosófico, ir contra a maré do nacionalismo no Brasil significa contestar uma visão de mundo que insiste em transferir a fatores externos - a exploração das empresas multinacionais, o imperialismo etc. - a responsabilidade última de todos os nossos males. No decorrer do século XX, esta foi a ideologia oficial do Estado brasileiro, baseada na concepção varguista e terceiro-mundista que sempre associou desenvolvimento a intervencionismo e dirigismo estatal. Uma teoria evidentemente falsa, vide os exemplos dos ex-países socialistas do Leste Europeu ou da Etiópia, um dos países mais miseráveis do mundo e que, no entanto, jamais foi colônia de ninguém. Embora um pouco enfraquecida nos anos 90, essa visão voltou com força no governo Lula, estando profundamente arraigada em nosso subconsciente. O nacionalismo brasileiro tornou-se uma forma bastante conveniente de esconder as verdadeiras causas de nossos problemas e negar nossas responsabilidades. Logo, contestá-lo é contestar uma visão que está na base do nosso atraso.
Além disso, não ser nacionalista traz a vantagem de preservar o senso crítico, a capacidade de pensar independentemente da crença geral e da multidão. Há algo de imbecilizante, de inegavelmente infantil e irracional, na idéia de deixar-se levar irrefletidamente pelo entusiasmo da multidão por um símbolo ou um pedaço de pano, ainda mais se a única razão para tanto é o orgulho pelas próprias raízes. Ora, o orgulho pelas próprias raízes é um sentimento altamente excludente e deletério, que está na origem das piores tragédias e genocídios da história da humanidade. Foi em nome do orgulho pelas próprias raízes que sérvios, bósnios e croatas se massacraram nos anos 90. Foi em nome desse mesmo sentimento que ocorreram as duas grandes guerras mundiais. Sem falar na idéia de uniformidade, inerente ao discurso nacionalista, a qual praticamente elimina qualquer possibilidade de pensamento discordante e dissensão, a base mesma da democracia. Não é à-toa que todos os regimes totalitários são extremamente nacionalistas. O nacionalismo traz sempre embutida a idéia de superioridade, de que se é melhor que o outro, o que não raro leva a assassinatos em massa. Paradoxalmente, por trás desse sentimento de superioridade esconde-se, quase sempre, um indisfarçável complexo de inferioridade - afinal, se somos mesmo melhores, por que sentimos tanta necessidade de proclamar que o somos? A superioridade, como a liderança, não se proclama; exerce-se.
sexta-feira, julho 27, 2007
É A IDEOLOGIA, ESTÚPIDO!

SOB O DOMÍNIO DO DR. MABUSE

“Quando a humanidade, subjugada pelo terror do crime, for levada à insanidade pelo medo e pelo horror, e quando o caos se tornar a suprema lei, então terá chegado o momento para o império do crime”. Dr. MABUSE
Era o louco tomando conta do hospício mas, diferentemente de Simão Bacamarte, seu interesse está definido na frase em epígrafe. Há método por trás da loucura; há planos traçados pela insanidade. Assim era o nazismo; assim é o comunismo; assim é o petismo. Mabuse foi profético.
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quarta-feira, julho 25, 2007
LIÇÕES DE UMA VAIA, OU O INCRÍVEL PRESIDENTE QUE SUMIU

Tais explicações, obviamente, não procedem. Pelo simples motivo de que a popularidade de Lula não se deve somente aos miseráveis, que pelo menos podem dizer que têm um, vá lá, governo chefiado por um indivíduo ainda mais ignorante do que eles. Deve-se, acima de tudo, a décadas de trabalho minucioso de preparação ideológica, do qual fizeram parte também setores importantes da mídia e das elites - sim, da mesma "zelite" que Lula durante tanto tempo fustigou como culpada de todos os males defte paif. Foram esses mesmos companheiros que deram corda ao mito do ex-metalúrgico, o qual durante trinta anos acostumou-se a ser elogiado, adulado, bajulado, afagado de todas as maneiras possíveis pela mesma burguesia oportunista que sempre mamou nas tetas do Estado-patrão, do Estado-provedor, do Estado-empresário brasileiro. São os empreiteiros que fizeram a festa com os trabalhos do Pan, superfaturando milhões com a construção de megaestádios e vilas olímpicas. São os seus cortesãos, aqueles que sempre sentam na frente nas cerimônias oficiais, que aplaudem com mais entusiasmo cada palavra do Apedeuta como se fosse a Verdade revelada saída da boca do messias encarnado. Esses setores da classe alta estão felicíssimos com o, vá lá, governo Lula.
segunda-feira, julho 23, 2007
A GRANDE CURRA LULISTA
Alguns anos atrás, quando eu ainda era estudante no Instituto Rio Branco, assisti a uma palestra de Marco Aurélio Garcia. O tema da palestra, se não me engano, era política internacional da América do Sul. Na ocasião, fiz a seguinte pergunta ao dignissímo ex-professor da Unicamp e assessor especial da presidência da República: por que o governo brasileiro não reconhecia os grupos armados que atuam há décadas na vizinha Colômbia (não citei especificamente nenhum deles), responsáveis por dezenas de milhares de mortes e pela instabilidade crônica na região, como terroristas? Visivelmente incomodado, até mesmo irritado com pergunta tão inconveniente, ainda mais vinda de um mísero e insignificante terceiro-secretário, o professor Marco Aurélio Garcia respondeu mais ou menos assim: se o Brasil reconhecesse os grupos colombianos como terroristas, como gostaria o governo Bush e o próprio governo de Bogotá, iria certamente entrar numa encrenca danada, seria acusado de ingerência nos assuntos de um país vizinho, a guerra civil e o narcotráfico na Colômbia eram assunto exclusivo dos colombianos etc. etc. Em outras palavras: o Brasil não tinha nada a ver com aquilo e ponto final. Era a maneira de ele dizer que não gostou da pergunta e de me mandar calar a boca.
Quinta-feira passada Marco Aurélio Garcia foi pego em flagrante por uma câmera de TV fazendo o caractéristico gesto de top, top, top após ter visto reportagem do Jornal Nacional sobre o acidente do avião da TAM em São Paulo, que resultou em quase 200 mortos. A seu lado, um assessor fazia outro gesto bem conhecido, imitando uma curra. Estavam com isso, as imagens sugerem, comemorando a notícia, que dizia que o acidente poderia ter sido causado por um defeito no avião e, logo, o governo não teria nenhuma responsabilidade pelo ocorrido - o que, diga-se, só pode ser verdade em suas mentes fantasiosas. Assim acreditavam, é o que mostram as imagens, festejando que o governo não teria nada a ver com o desastre e estaria, assim, tirando o seu da reta. Pior para a companhia aérea, pensavam. Comemoravam. Celebravam. Top, top, top. Crau!
A cena ficará registrada para sempre como um dos momentos mais infelizes de um dos governos mais infelizes da História do Brasil. Quem melhor a definiu foi o senador Pedro Simon que, apesar de fazer parte do PMDB, que compõe a base política do governo, ao que parece ainda não perdeu o senso de decência. Em entrevista à TV, surpreendido com as imagens, Simon classificou a cena como grotesca e cruel, uma verdadeira afronta à dor que centenas de famílias brasileiras estão sentindo. Uma indecência, em todos os sentidos.
Observando as imagens, é impossível não concordar com Pedro Simon. A cena é realmente repugnante, nojenta, e expressa, em sua silenciosa eloqüência, todo o escárnio e deboche com que o governo Lula vem tratando a questão do caos aéreo. É semelhante, em grosseria e cinismo, ao "relaxa e goza" da embotocada Marta Suplicy. Ou às imagens revoltantes dos funcionários da ANAC rindo (!) a cem metros dos cadáveres calcinados e dos escombros do acidente do avião da TAM no aeroporto de Congonhas. Mas, ao contrário do ilustre senador, não fiquei nem um pouco surpreendido com o gesto de Marco Aurélio Garcia. Afinal, alguém que se nega a reconhecer os narcotraficantes das FARC como terroristas é perfeitamente capaz de fazer top, top, top com a desgraça alheia.
Também não fiquei nem um pouco surpreso com a reação destemperada e cretina do assessor especial de Lula, no dia seguinte à divulgação das imagens. Furibundo, Marco Aurélio Garcia chegou até a publicar uma nota oficial, em que se dizia "indignado" pela tentativa de "manipulação" de uma - foi o que disse - reação "privada", através de imagens captadas - afirmou - de "forma clandestina". Com isso, queria aparecer como vítima de uma armação, de um complô das elites e da mídia, tentando convencer a todos de que o que viram não foi nada daquilo. Mais ainda: o gesto - top, top, top - foi apenas uma reação "privada", gente... Que tenha sido feito por um funcionário de primeiro escalão do atual governo e - top, top, top - dentro de seu gabinete, a poucos metros da sala do presidente da República, é algo que parece não perturbar a lógica implacável do professor Marco Aurélio Garcia. Reação privada, rárárá.
É assim que os lulo-petistas tratam a coisa pública no Brasil. Infelizmente para eles, as câmeras da imprensa brasileira ainda não estão a seu serviço. Top, top, top pra você, Marco Aurélio Garcia.
P.S.: Pesquisando na rede, encontrei o texto a seguir, com informações bastante interessantes sobre Marco Aurélio Garcia. O texto, retirado de um site venezuelano, é de 27 de dezembro de 2002, e tem um título dos mais sugestivos: "El brasileño que gana tiempo para Chávez. Sus vínculos terroristas y con Saddam". Vale a pena dar uma olhada: http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://militaresdemocraticos.com/articulos/20021227-01.jpg&imgrefurl=http://militaresdemocraticos.com/articulos/sp/20021227-03.html&h=201&w=140&sz=8&hl=pt-BR&start=6&um=1&tbnid=qo6RZOVT5pk7IM:&tbnh=104&tbnw=72&prev=/images%3Fq%3DMarco%2BAur%25C3%25A9lio%2BGarcia%2B%26svnum%3D10%26um%3D1%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG
sexta-feira, julho 20, 2007
A DOR E A FÚRIA

Tinha até pensado em colocar na tela do computador um pouco desse sentimento. Mas, depois de ler o texto que vai a seguir, percebi que outro já fez melhor do que eu poderia fazer.
Saiu no Jornal de Hoje, pequeno diário da pequena cidade que me serviu de berço, Natal/RN, edição digital de 20/07. Seu autor é o colunista Alex Medeiros, que a partir de hoje ganha um admirador à distância. É a minha singela homenagem às vítimas da incompetência assassina e do descaso irresponsável, transformados em política oficial de Estado na República Lulista do Brasil:
segunda-feira, julho 16, 2007
UM CONTO DE DUAS TRAIÇÕES


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sexta-feira, julho 13, 2007
REPÚBLICA DOS COITADINHOS
Renan Calheiros disse que está sendo vítima de preconceito porque é nordestino. Disse também que querem derrubá-lo porque não conseguiram derrubar o Presidente Lula, outro nordestino como ele. O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), nordestino como Lula e Renan, em defesa de seu(s) conterrâneo(s) e aliado(s), foi mais além: quase ninguém no Senado tem autoridade para falar em ética, afirmou, querendo dizer com isso que só quem tem moral para falar no assunto é ele e Renan.Quer se dar bem no Brasil lulista? Faça pose de vítima. Quer se livrar de acusações de corrupção, depois de ter sido pego com a boca na botija? Diga que é tudo preconceito por você pertencer a alguma minoria - geográfica, racial, sexual - e você terá uma boa chance de se safar. Aproveite e diga que ninguém é melhor do que você, atirando lama nos que o acusam. Desse modo, todos enlameados, ninguém vai ser capaz de lhe distinguir dos seus acusadores e tudo vai ficar como está.
Durante algum tempo resisti a escrever algo sobre o caso do senador Renan Calheiros. Por uma questão de higiene. Afinal, o assunto já está fedendo - literalmente -, sendo constantemente repetido na mídia. Por seus ingredientes, que incluem um lobista camarada, sempre disposto a pagar as contas pessoais do dito senador, uma ex-amante bonitona e uma filha fruto de uma pulada de cerca, o caso mais parece enredo de novelão mexicano. Mas diante dos argumentos utilizados pelo excelentíssimo senhor Presidente do Senado e por seus aliados, percebi que a coisa é um pouco mais complicada. Ou mais simples, dependendo do ponto de vista.
As desculpas de Renan são a culminação de toda uma mentalidade que tem sido imposta, diuturnamente, à sociedade brasileira desde a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva ao poder, e mesmo antes disso. Embora ele não possa ser considerado um homem de esquerda - apenas para lembrar, foi um dos cabeças da tropa de choque de Collor -, suas justificativas para as relações promíscuas que mantinha com um lobista de empreiteira são retiradas de chavões incessantemente repetidos pelos esquerdistas, baseados na vitimização de certos setores da sociedade. Esse tipo de discurso está de tal forma entranhado em nosso subconsciente, de tal modo penetrou em nossas mentes embotadas por décadas de propaganda ideológica esquerdóide e politicamente correta, que hoje em dia basta repeti-lo que sempre haverá uma platéia disposta a levá-lo em conta. É exatamente esse o caso do "preconceito contra nordestinos" brandido por Renan para desviar a atenção de sua relação com o lobista, e também para tentar desqualificar o Mensalão ou o Valerioduto, que quase custaram a cadeira do Grande Molusco, o coitadinho-mor.
É esse o caso, também, das cotas raciais nas universidades e de leis específicas para beneficiar grupos como os homossexuais. O que isso tem a ver com as desculpas esfarrapadas de Renan? Muita coisa. Assim como no caso do senador alagoano, o sistema de cotas e a PLC 122/06, que está prestes a ser aprovada no Senado - o mesmo Senado de cuja presidência Renan não arreda pé nem sob tortura -, consagram um tratamento privilegiado a minorias supostamente injustiçadas ou alvo de preconceito e perseguição. As cotas, só para lembrar, reservam 20% das vagas nas universidades a estudantes "afro-descendentes", após um extremamente rigoroso e científico processo de seleção, o qual consiste no exame visual das... fotografias dos candidatos. Os que passarem por "afro-descendentes" têm a vaga garantida; aqueles cuja ascendência africana for considerada insuficiente ficam de fora e terão que entrar na universidade por outros meios mais difíceis, como o estudo. O caso da PLC 122/06 é um pouquinho mais complexo: cria uma lei especial que pune com prisão o crime de homofobia - a aversão a homossexuais -, o que significa a criação de uma categoria especial e privilegiada de cidadãos, ao punir com o rigor do monopólio estatal da violência todo e qualquer engraçadinho que tiver a ousadia de chamar alguém de veado ou boiola. Não por acaso, já se está propondo, a título de blague, a adoção de cotas para gays - só vai ficar complicado definir o critério adotado para a seleção, mas isso os examinadores, com toda sua sapiência, certamente saberão tirar de letra...
Esses exemplos não são aleatórios. Favorecer uma parcela da população, pintar seus membros como vítimas, como coitadinhos, tem sido o método empregado pelos lulistas para defender privilégios e escamotear a realidade. No caso de Lula e Renan, tal discurso tem também a finalidade de garantir a impunidade. Lula, como sabemos, baseia seu discurso numa toada só: nasceu no Nordeste, vem de família pobre, estudou só até o primário (porque quis, mas deixa pra lá), foi metalúrgico... Renan não pode dizer que vem do mesmo berço pobre, mas tem o trunfo da origem geográfica comum.
O espetáculo deprimente de vitimização lacrimosa e demagógica proporcionado por renans, cotistas e gayzistas tem suas raízes no próprio pensamento de esquerda. Este, como qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento sabe muito bem, está baseado numa visão dicotômica e maniqueísta da realidade: burgueses versus proletários, ricos contra pobres, nações centrais e nações periféricas etc. - sempre variações da mesma conversa mole, do mesmo conto-do-vigário feito para encobrir as reais causas da pobreza e dos problemas sociais. Estas sempre serão atribuídas, segundo essa visão míope da realidade, ao outro - o imperialismo, a burguesia, a direita elitista e preconceituosa etc. etc... Diante dessa gigantesca empulhação politicamente correta, o mérito pessoal, a honestidade, a igualdade perante a Lei, tudo isso não significa absolutamente - ou "abisolutamente", como gosta de dizer o Renan - nada. Nadinha. Neca de pitibiriba.
A propósito: para quem não sabe, sou nordestino. Mas se quiserem inventar algum sistema de cotas para quem veio do Nordeste, serei o primeiro a me opor a mais essa papagaiada. Não duvido que um dia teremos também cotas para gays e torcedores do Bonsucesso. No Brasil lulista, tudo é possível.