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sexta-feira, junho 15, 2012

A MARCHA DOS INTOLERANTES (OU: COMO DESTRUIR A LIBERDADE EM NOME DA... LIBERDADE)

Chegaremos a isto?

Faz tempo que não falo sobre este assunto. Mas os inimigos da razão e da liberdade não descansam. Vamos lá.

No último domingo, realizou-se em São Paulo a tal "parada do orgulho gay". Desta vez, o evento, que é considerado o maior do gênero no mundo, sofreu uma enxugada: em vez dos alardeados 4 milhões de participantes, cerca de 270 mil (dados oficiais) compareceram à Avenida Paulista. É que neste ano os militantes GLBTT (ainda é assim que se chama?) não contaram, para seu desfile de plumas e lantejoulas, com o mesmo financiamento público (!) de edições anteriores, em que pulularam por lá muitos artistas e políticos. Um deles, Fernando Haddad, candidato do PT/Lula à prefeitura de São Paulo - aquele do kit gay nas escolas, lembram? -, preferiu não dar as caras, para não dar bandeira.

Mas não é bem sobre isso que quero falar. Já tratei da impostura gritante que é a tese vigarista de que o Brasil é um pais "homofóbico" com a autodeclarada maior parada gay do mundo. Já desmascarei, inclusive com números, a lorota  estatística que apresenta o país como um campo de extermínio de gays, lésbicas e travestis. O que me leva a escrever este texto é uma frase que ouvi no noticiário.

Foi no Fantástico, da Rede Globo. "Manifestantes defendem aprovação de lei que irá criminalizar a violência contra homossexuais", dizia o locutor do soporífero programa domingueiro. Dito assim, parece que não tem nada de mais. Afinal, quem poderia ser contra uma lei que tem por objetivo punir agressões físicas a um grupo de pessoas? Ninguém em seu perfeito juízo, claro. Mas aí é que está o "x" da questão...  

Quem ouviu a notícia sem prestar a devida atenção - ou seja: a maioria dos espectadores do Fantástico - certamente não percebeu a pegadinha. Nada contra uma lei que criminalize a violência contra homossexuais. Se não fosse por um pequeno detalhe: tal lei, meus senhores, já existe. 
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Basta folhear o Código Penal. Quem agredir alguém, seja por que motivo for, será preso e estará sujeito a processo criminal. O delegado ou o juiz do caso não irá perguntar ao criminoso ou à vítima se o ataque ocorreu por causa da opção sexual ou do gosto de quem quer que seja. Não importa se o agredido (ou o agressor) for gay, hétero, bissexual ou torcedor do Cabofriense. Importa é que agredir uma pessoa é crime. Aliás, não é por outro motivo que a Justiça é representada com uma venda nos olhos: ela é cega para essas coisas. A lei vale para todos, sem distinção. Ponto. 

Mas, se uma lei assim já existe, de que estava falando, então, a Rede Globo? Do Projeto de Lei Complementar (PLC) 122, que tramita no Congresso brasileiro desde 2006. O que pretende o PLC 122? Criminalizar não a violência, que já é criminalizada e punida judicialmente, mas - atenção! - qualquer ato que possa ser considerado uma manifestação de ou uma incitação à "homofobia". O que seria isso? Ninguém sabe ao certo. Duvido que quem ler o texto do PLC em questão consiga me dar uma resposta objetiva. Pode ser o sermão de um padre ou de um pastor evangélico, ou uma citação da Bíblia. Pode ser mesmo uma piada de bar. Em outras palavras, caso tal PLC vire lei um dia, teremos instaurado o delito de opinião - algo que só existe em ditaduras. Não é por acaso que tal projeto de lei já foi batizado de "Lei da Mordaça Gay" (o que realmente é).

Um outro fato, ocorrido há algumas semanas, também é bastante ilustrativo do rumo que as coisas estão tomando no Brasil. Um clipe musical, em que um pagodeiro aparece cantando ao lado de mulheres seminuas e de alguns figurantes fantasiados de macaco, foi considerado, por causa das fantasias e das mulheres, "racista" e "sexista" pelos patrulheiros de plantão, guardiães do politicamente correto. 
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Isso mesmo. Um clipe. Racista. Porque nele há gente fantasiada de macaco. E sexista. Porque nele há mulheres. Racista e sexista. Preconceituoso. Discriminatório. Do mal. Pois é...
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Ah, tem um detalhe: o cantor é... negro. (Ou afro-descendente, como queiram.)
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Para muitos esse último detalhe foi o mais espantoso, o mais ridículo e surrealista. A mim não surpreendeu muito, pelo seguinte motivo: a última coisa que querem as ONGs gayzistas e racialistas, que estão por trás dessa onda de censura, é defender os direitos das minorias que dizem representar. Na realidade, atrevo-me a dizer que elas são as maiores vítimas desse tipo de militância. Se não, respondam-me:

Que patrão irá contratar um negro, ou um gay, sabendo que, se lhe der uma bronca por um trabalho mal feito, poderá ser processado por racismo ou homofobia? Se for inteligente e quiser evitar confusões, provavelmente não o fará, contratando somente loiros de olhos azuis, comprovadamente heterossexuais.

Do mesmo modo, que professor de universidade se atreverá a dar uma nota baixa a um aluno que passou no vestibular pelo sistema de cotas raciais, sabendo que poderá ser acusado de racismo por causa disso? E como ficará esse aluno diante de outros não-cotistas, que se sentirão obviamente prejudicados? Como esse aluno será enxergado por seus colegas que estudaram tanto ou mais que ele mas que, por causa das cotas, não tiveram acesso ao mesmo curso e à mesma faculdade? Não se sentirão, aliás com toda razão, vítimas de discriminação e de preconceito?

Não se trata de conjecturas, não se trata de um mero exercício de imaginação. Isso já está acontecendo. Graças ao sistema de cotas raciais nas universidades, considerado constitucional pelo STF, o Brasil é hoje, oficialmente, um país racista. Se depender de aberrações como o PLC 122, será também em breve um país "homofóbico", no qual até anedotas do Costinha serão proibidas.

Esse tipo de coisa passa facilmente despercebido devido a um hábil trabalho de propaganda, que conseguiu deixar quase todos cegos para o fato de que, por trás de slogans aparentemente libertários e igualitários, o que vem, de contrabando, é exatamente o oposto dessas palavras de ordem. Assim, ativistas gayzistas falam em igualdade, quando querem, na verdade, privilégios. Do mesmo modo, militantes negros apresentam-se como os campeões da luta contra a discriminação racial, quando o que estão fazendo, na realidade, é implementar a discriminação racial com a chancela estatal. No cerne de tudo não está a liberdade ou a igualdade, mas o seu contrário, ou seja, o cerceamento da liberdade e o fim da igualdade. E quem se opuser a isso é imediatamente tachado de reacionário, homofóbico, racista, porco direitista e outros epítetos. A tática funciona. 
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É claro que os militantes das ONGs GLBTT ou do "movimento negro" não pensam no que está aí em cima. Estão se lixando para "direitos iguais" e coisas do tipo. O importante, para esse pessoal, é impor sua agenda política, nada mais do que isso. Tampouco pensaram um segundo no que vai acima os juízes do STF que, no último mês, decidiram enterrar por unanimidade o artigo 5 da Constituição Federal, abolindo a igualdade de todos perante a lei, sacrificada no altar do ativismo judicial.
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Dane-se a Constituição, decretaram os magistrados da Corte Suprema. E que se danem os gays ou os negros, pensam os militantes do politicamente correto, para os quais estes não são mais do que massa de manobra, idiotas úteis para suas intenções liberticidas. Vale tudo em nome da "causa". Até dividir a sociedade em tribos. Graças aos que se dizem defensores da tolerância, o Brasil está virando um pais cada vez mais intolerante. E cada vez mais burro.

quinta-feira, maio 17, 2012

UM PAÍS FORA DA LEI


Major do exército alemão Edward Ernest Otto Westernhagen, assassinado a tiros no Rio de Janeiro em 1/07/1968 por membros do grupo terrorista COLINA - Comandos de Libertação Nacional (do qual Dilma Rousseff fez parte).  Se depender de alguns membros da "comissão da verdade", esse crime não deve ser investigado...

É, meus amigos, o Brasil está vivendo uma época realmente muito estranha.
Em menos de duas semanas, dois graves atentados contra a Constituição e a democracia, e parece que ninguém está dando a mínima.

Primeiro, o atentado consumado: os ministros do STF, por unanimidade, decidem abolir, simples assim, o Artigo 5 da Constituição de 1988, declarando nula a igualdade de todos perante a lei.  Para o deleite das ONGs racialistas, consideraram constitucional o sistema de cotas raciais nas universidades.

Depois, o atentado que se está delineando no horizonte: pelo menos três dos sete membros da "comissão da verdade" criada pelo governo para apurar violações dos direitos humanos cometidos no Brasil de 1946 a 1988 dão declarações em que insistem na tese oca de que a comissão vai apurar somente os crimes praticados por um lado apenas, os serviços de repressão política da ditadura militar (insinuando, inclusive, uma provável revisão da Lei de Anistia). Com isso, dão a entender que, ou não leram o texto da lei que criou a comissão, ou a desprezam e querem, na verdade, revanche.

Na cerimônia que deu posse aos membros da tal comissão, Dilma Rousseff chorou. Será que foi por alguma das 120 vítimas fatais dos grupos da esquerda armada no Brasil durante os anos 60 e 70? Desconfio que não. Afinal, Dilma foi uma que militou nesses grupos. Mas os mortos pelos terroristas de esquerda não merecem uma lágrima? Ou esse privilégio só é válido para os que exibirem o devido pedigree ideológico?

Ah, na cerimônia também não faltaram as declarações de praxe enaltecendo os "guerrilheiros" mortos, esses mártires da democracia. Só faltou dizer qual seria o documento-base dessa democracia pela qual lutaram: seria o programa da VAR-Palmares ou da Ação Libertadora Nacional?

Ou seja: em um caso, a igualdade foi jogada no lixo em nome da "raça"; no outro, é a propria verdade histórica, sem falar na lei, que está sendo vilipendiada. E o pior de tudo: tais absurdos estão sendo cometidos em nome da "igualdade" e do "direito à memória e à verdade"... Deve ser piada!

Depois dessa dose pra elefante, só mesmo lembrando as palavras de um jurista brasileiro do começo do século passado, leitura certamente não muito popular nos corredores do poder nesses dias:

Quando as leis cessam de proteger os nossos adversários, virtualmente cessam de proteger-nos. Porque a característica da lei está no amparar a fraqueza contra a força, a minoria contra a maioria, o direito contra o interesse, o princípio contra a ocasião. A lei desapareceu, logo que dela dispõe a ocasião, o interesse, a maioria, ou a força. Mas, se há, sobre todos, um regímen, onde a lei não pode ser vicissitudinária, onde nenhuma conveniência pode abrir-lhe exceção à estabilidade, à impersonalidade, à imparcialidade, é o republicano. A república é a lei em ação. Fora da lei, pois, a república está morta.

Quando as facções pretendem suspender a lei por amor das instituições republicanas, o seu sentimento é trocar as instituições republicanas em puro domínio das facções.*

Assinado: Rui Barbosa

(*“A lei”, in O Divórcio, As bases da Fé e Outros Textos, São Paulo, Martin Claret, 2008, pp. 133-4.)

segunda-feira, maio 14, 2012

UM TEXTO MARGINAL - POR DEMETRIO MAGNOLI

É isso. O STF, ao decidir pela legalidade do sistema de cotas raciais, aboliu, na prática, a Constituição. Simples assim.

Estou exagerando? Então leiam o texto a seguir, de Demétrio Magnoli. Sublinhei as partes mais interessantes para que não reste dúvida.

Como eu disse em outro texto: lembra daquele princípio de que todos são iguais perante a lei? Pois é. Pode esquecer.

É o Brasil, rumo à ditadura racialista… (GB)
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10 de maio de 2012


Demétrio Magnoli

"Basta ver o caráter marginal daqueles que se opõem ferozmente a essas políticas...". A frase, escandida pelo ministro Joaquim Barbosa num aparte casual, contém a chave para a compreensão da decisão unânime do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as políticas raciais. Os juízes da Corte Maior não se preocuparam com a Constituição, mas unicamente com o lugar ocupado pelos defensores e pelos opositores das cotas raciais na cena política nacional. Eles disseram "sim" ao poder, definindo seu próprio lugar no grande esquema das coisas.

Cortes Supremas servem para interpretar o texto constitucional, nos inúmeros casos em que a letra da Lei não oferece resposta explícita. No artigo 5.º, a Constituição afirma que "todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza". No artigo 19, que "é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos municípios criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si". No artigo 208, que "o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um". A letra da Lei é explícita, cristalina: dispensa interpretação. O STF, simulando interpretá-la, reuniu-se em assembleia constituinte e revogou o princípio da igualdade perante a lei. Os juízes encarregados de zelar pela Constituição qualificaram-na como um texto marginal.

O princípio da igualdade perante a lei está formulado nas Constituições americana e indiana em termos similares aos da nossa. Nos EUA, desde 1978 a Corte Suprema proferiu decisões cada vez mais contrárias às políticas de preferências raciais. Na Índia, logo após a independência, a Corte Suprema vetou tais políticas - e então o Congresso emendou o texto constitucional, descaracterizando o princípio da igualdade dos cidadãos. Por que, em contraste flagrante, os juízes do STF preferiram reescrever a Constituição de forma a inscrever a raça na lei?

No Brasil, a igualdade legal dos cidadãos é um "princípio fraco", introduzido nas Constituições por imitação. O "princípio forte" sempre foi o das relações pessoais, fundamento real dos intercâmbios das elites econômica, política e intelectual. Na lógica do Direito, o princípio da igualdade funciona como fonte dos direitos e garantias individuais. Tal conexão explica a importância atribuída ao "princípio fraco" na Constituição de 1988: o gesto político e jurídico de ruptura com o ciclo da ditadura militar era a promessa de um novo início, isento das máculas do passado. O STF está dizendo que aquele gesto representou um desvio de percurso - e já se esgotou. De certo modo, os juízes têm razão: bem antes da sessão de julgamento das cotas raciais, as principais correntes políticas do País imolaram o princípio da igualdade no altar de seus compromissos com as ONGs racialistas, que são minorias organizadas e influentes.

O conceito de preferências raciais adquiriu estatuto oficial no governo Fernando Henrique Cardoso, por meio do Programa Nacional de Direitos Humanos de 1996. No governo Lula a noção genérica de "discriminação positiva" desdobrou-se na política de cotas raciais. Dilma Rousseff prometeu, no início de sua campanha presidencial, expandir os programas de cotas para a pós-graduação. José Serra, candidato da oposição, manteve silêncio absoluto sobre as políticas de raça, avalizando tacitamente a orientação do governo Lula. A cooperação objetiva entre os grandes partidos rivais e a continuidade histórica das iniciativas racialistas na transição de um governo para o outro formam o pano de fundo da decisão unânime do STF. Eis a razão por que Joaquim Barbosa, como seus colegas, enxerga na Constituição um texto "marginal".

O estandarte da igualdade legal dos cidadãos condensa a narrativa de uma sociedade contratual formada por indivíduos livres das amarras do sangue e da tradição. A narrativa é a praça histórica comum aos liberais e aos socialistas. Os primeiros ergueram o princípio da igualdade no combate aos privilégios de sangue do Antigo Regime. Os segundos enxergaram nele a ferramenta das lutas pelo voto universal e pela liberdade de associação e de greve. No Brasil, contudo, essa história quase nada significa para os partidos que representam as duas correntes. O STF que aboliu o princípio da igualdade é a Corte Maior de um país onde José Sarney foi declarado um personagem acima da lei, Fernando Collor pontifica numa CPI sobre a corrupção e Sérgio Cabral protagoniza cenas dignas do Antigo Regime no palco apropriado da Cidade Luz.

Na sessão de julgamento do STF, o relator, Ricardo Lewandowski, alvejou sem rodeios o artigo 5.º da Constituição, atribuindo ao princípio da igualdade um sentido meramente "formal". O mesmo relator comandou, em 2009, a rejeição do pedido de instauração de processo contra o ex-ministro Antônio Palocci por violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Meses depois, a Caixa Econômica Federal informou em juízo que a violação decorreu de ordem emitida por Palocci. O escárnio do "princípio fraco", da igualdade legal, serve sempre ao desígnio de instaurar o império do "princípio forte", das relações pessoais.

O juiz Marco Aurélio Mello exprimiu a aspiração de generalização das políticas de cotas, como querem as ONGs racialistas. Num país em que, ao contrário dos EUA ou da África do Sul, jamais existiu segregação racial oficial, não há fronteira objetiva separando "brancos" de "negros". A difusão das preferências raciais nos concursos públicos e no mercado de trabalho em geral demanda uma série imensa de atos legais e administrativos de rotulação racial das pessoas. Em nome do combate ao racismo, o Estado deve fabricar raças em escala nacional, disse o STF. No afã de descartar a Constituição, aquele texto marginal, nenhum deles registrou a contradição explosiva entre meios e supostos fins.

* SOCIÓLOGO E DOUTOR EM GEOGRAFIA HUMANA PELA USP. E-MAIL:DEMETRIO.MAGNOLI@UOL.COM.BR

terça-feira, maio 08, 2012

Morgan Freeman sobre o "Mês da consciência negra"



Em 55 segundos, o grande ator norte-americano Morgan Freeman faz em pedaços uma estupidez racista chamada "Mês da Consciência Negra" (ou da "História Negra").

É uma pena que os ministros do STF não tenham visto o vídeo...

sexta-feira, abril 27, 2012

VIVAM AS COTAS! VIVA O RACISMO! VIVA A DESIGUALDADE!


Sabem aquele princípio de que todos são iguais perante a Lei? Podem esquecer.  Graças ao STF, que no dia 25 considerou constitucional o sistema de cotas raciais nas universidades, esse princípio sagrado do Direito e da Democracia virou letra morta. A partir de agora, está instituído oficialmente que há, no Brasil, cidadãos e cidadãos – ou cidadãos e "afro-descendentes". 
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Lembram ainda daquela conclusão científica, a que se chegou depois de décadas, e que foi considerada um importante avanço humanista quando divulgada há alguns anos, segundo a qual o conceito de "raça" foi descartado como uma ficção racista que não tem nada a ver com a biologia e quem tem raça, portanto, é cachorro? Pois é. Podem esquecer isso também.  De acordo com as incelenças togadas do STF, o racismo é algo que deve ser não execrado, mas aplaudido. Abaixo Nelson Mandela! Abaixo Martin Luther King! Viva Hitler! Viva Goebbels! Viva Gobineau!
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Quem acompanhou a votação da matéria no STF sabe do que estou falando. O principal tribunal do país, que já decidira mandar às favas a Constituição em nome da "união homoafeativa" – revogando, assim, o Artigo que trata da organização familiar e instituindo uma terceira categoria sexual –, resolveu por bem avalizar a separação racial no Brasil. E com argumentos, digamos, "progressistas", "do bem".  Vejamos os votos de cada magistrado.
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O presidente do STF, ministro Carlos Ayres Britto, justificou seu voto dizendo que “os erros de uma geração podem ser revistos pela geração seguinte e que é isto que está sendo feito”. Espero sinceramente que Ayres Britto esteja correto. Tanto que não perdi ainda a esperança de que a próxima geração corrija o que o STF fez na última quinta-feira. Aguardo o dia em que os pósteros restituirão a igualdade de todos perante a Lei.
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Ainda assim, fiquei intrigado com essa reedição da teoria do pecado original: a que "erros de gerações passadas" o ministro estaria se referindo? Se está falando da escravidão, acho justo que se corrija esse erro histórico. Poderíamos começar exigindo indenizações dos descendentes dos faraós por séculos de escravismo no Egito. Ou, se não quisermos retroceder tanto no tempo, dos mercadores de escravos africanos, muitos dos quais – vejam que coisa! – eram... negros!  Quem vai corrigir os erros de gerações passadas de donos de escravos, como era – descobriu-se há pouco – Zumbi dos Palmares?  Os descendentes de imigrantes japoneses?
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Outro jurisconsulto, Ricardo Lewandowski, afirmou que o sistema de cotas em universidades “cria um tratamento desigual com o objetivo de promover, no futuro, a igualdade”. Entendi. É a famosa tese de que é necessário promover a desigualdade agora em nome de uma igualdade num futuro indeterminado... É, já tentaram isso antes, e deu no que deu. Por que não garantir a igualdade hoje, e ponto final?
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Luiz Fux disse que “não se trata de discriminação reservar algumas vagas para determinado grupo de pessoas”, e afirmou: "É uma classificação racial benigna, que não se compara com a discriminação, pois visa fins sociais louváveis". Ah, bom! Anotem aí: separar as pessoas pela cor da pele, criando um tribunal de pureza racial, não é discriminação, mas uma "classificação racial benigna"… E isso porque, como diz o ministro Fux, "visa fins sociais louváveis". Que fins sociais seriam estes? Favorecer, com 20% das vagas garantidas, quem se declarar, e for considerado, "negro" ou "pardo"... Muito louvável, não?
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Seguindo o voto do relator, Rosa Weber disse que o sistema de cotas “visa dar aos negros o acesso à universidade brasileira e, assim, equilibrar as oportunidades sociais”. Pensei que o sistema que visa a dar aos estudantes – negros ou não – acesso às universidades já tinha sido criado: chama-se vestibular. Também acreditava que ser negro no Brasil era uma questão mais de opinião do que de cor de pele propriamente dita. Mas deixa pra lá. E quanto ao mérito pessoal? Deixa pra lá também.
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Outro membro do egrégio tribunal, Cármen Lúcia, justificou seu voto favorável às cotas citando duas histórias pessoais sobre marcas deixadas pela desigualdade na infância. Reminiscências pessoais, sobretudo se forem da infância, são uma arma infalível. Espero que Carmen Lúcia tenha sido pelo menos original, e não tenha apelado para estórias como a da amiguinha negra que foi barrada numa festinha de aniversário... Até porque não é com cotas raciais que se vai resolver esse tipo de coisa.
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Em seu voto, Joaquim Barbosa citou um julgamento da Suprema Corte americana que validou o sistema de cotas para negros nos Estados Unidos. Joaquim Barbosa é o único ministro do STF que poderia ser considerado negro.  Deve ser por isso que ele resolveu citar a Suprema Corte dos EUA, país onde as relações raciais são um tantinho diferentes.  Lá, eles tiveram segregação nas escolas, as leis Jim Crow e a Ku Klux Klan. Aqui, tivemos samba, feijoada e carnaval. Se Barbosa tivesse se lembrado que estava votando para institucionalizar o racismo no Brasil, um país de mestiços, e não nos EUA, talvez tivesse mudado seu voto.
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Já Cezar Peluso não acha que a reserva de vagas segundo o critério racialista fira o princípio da meritocracia. Segundo ele, o que impede as pessoas de entrarem nas universidades não é uma educação de baixa qualidade, mas a cor da pele, ou a auto-declarada cor da pele. É o fato, enfim, de ser "afro-descendente", e não a pobreza ou outras dificuldades econômicas. Argumento perfeito. Quer dizer o seguinte: se Peluso tivesse nascido com a tez um pouco mais escura, ou com o cabelo pixaim, não teria chegado a ministro do STF. Do mesmo modo, se Pelé tivesse nascido branco, não teria sido Pelé. Muito lógico, não?
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O único ministro que esboçou alguma crítica ao modelo de cotas, tal como já adotado há alguns anos pela UnB, foi Gilmar Mendes. Ele tentou argumentar que tal sistema pode gerar distorções e perversões. Pode, não, ministro: já está gerando. Irmãos gêmeos já foram separados na UnB pelo critério racialista – um havia se declarado “afro-descendente”; outro, não. Mendes também votou pela constitucionalidade das cotas.
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Celso de Mello, por sua vez, disse que “ações afirmativas estão em conformidade com Constituição e com Declarações Internacionais subscritas pelo Brasil”. Foi seguido por Marco Aurélio Mello. Surge daí uma dúvida: se as cotas estão conformes à Constituição, certamente não estão com o Artigo 5, que diz que todos são iguais perante a Lei. Quanto a declarações internacionais subscritas pelo Brasil, gostaria de saber em qual delas está escrito que se deve privilegiar indivíduos pela cor da pele. Porque foi isso, senhores, que os ministros acabaram de aprovar! 
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Li que, durante a votação no STF, um índio presente na platéia teve de ser retirado pelos seguranças porque estava perturbando a sessão, gritando que deveriam ser reservadas cotas semelhantes também para índios. Eu, que tenho cá uma gota de sangue índio, já estou pensando em protocolar um pedido para ser beneficiado por esse sistema maravilhoso. Só estou na dúvida se, pelo critério das cotas, eu teria direito a 50%, ou a 25%, ou a 15% das mesmas, já que minha ascendência indígena se perde nas brumas do tempo... Como ocorre com a maioria dos brasileiros, que, como dizia Gilberto Freyre, trazem todos, mesmo o loiro de olhos azuis, a marca do negro, sou um ser racialmente tão definido quanto a sexualidade de muitos artistas.
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Tenho uma sugestão aos senhores ministros do STF: por que não criar, estimulados pelo índio que queria apito, cotas para pessoas que se declararem incolores, ou sem raça definida? Ou para torcedores do Ferroviário? Por que não?  Estes, pelo menos, eu sei que existem. Ao contrário da auto-declarada "raça" batizada de "afro-descendente", algo real somente na cabeça de militantes políticos e dos juízes do STF rendidos ao politicamente correto.

sábado, março 31, 2012

E SE FOSSE MAOMÉ?


Um leitor, o David, enviou-me um link para um comercial de Red Bull que foi tirado do ar pelo Conar, o Conselho Nacional de Regulamentação Publicitária. Ele mostra a famosa passagem bíblica em que Jesus está no barco com Pedro e outros apóstolos, que estão pescando. Jesus começa a andar sobre as águas. É por que ele é santo e coisa e tal? Não, é porque ele toma Red Bull, diz o próprio Cristo, com uma voz meio chapada, que está mais para Bob Marley do que para o Messias. Ah, então é por isso que ele anda sobre as águas? Não - responde o Filho de Deus -: é só escolher as pedras. E lá vai ele, o Salvador, aos saltinhos, entre um gole e outro do energético.

Não vi nada de ofensivo no comercial, que achei até engraçado. Sendo ateu, esse tipo de coisa não me afeta. Acho divertidíssimo, por exemplo, o filme A Vida de Brian, do grupo inglês Monty Python, uma das obras mais sarcásticas que já vi, que tira um tremendo sarro da história de Jesus. Proibi-lo seria uma estupidez, além de um óbvio atentado à liberdade artística (ao contrário de uma campanha da Benetton, veiculada há alguns anos, em que um padre e uma freira aparecem se beijando na boca). Mas admito que há quem se sinta ofendido em sua fé religiosa. E que veja no comercial de Red Bull uma afronta. Nesse caso, além de simplesmente não consumirem o produto - ainda somos livres para fazer escolhas, não? -, essas pessoas têm, sim, o direito de reclamar. Pesquisei e descobri que em outros paises democráticos, como a África do Sul e a Itália, esse e outros comerciais do mesmo produto e de teor semelhante também foram retirados do ar a pedido de cristãos mais sensíveis.

"Ah, mas isso é censura", apressa-se a bradar quem acredita que a liberdade não tem limites. Nada mais forçado. Censura seria se fosse uma imposição arbitrária do Estado, determinada não pela Lei, mas pela discricionaridade do governante - ou dos militantes de algum movimento político que querem colocar o Estado a seu serviço. Ou seja, se fosse um ato de uma ditadura - como aquela que os esquerdistas veneram e que o papa Bento XVI visitou esta semana (e onde a festa de Natal, por exemplo, ficou proibida por trinta anos, e rezar em público até há alguns anos dava cadeia, como ocorria em todas as tiranias comunistas). Nem a África do Sul de hoje nem a Itália são, ao que eu saiba, ditaduras. Além disso, a Constituição brasileira protege a liberdade de religião, punindo a profanação de símbolos religiosos (algo que se tornou comum, por exemplo, nas paradas gays). Pode-se dizer que é uma Constituição autoritária? 

Antes de criticarem a suposta intolerância de católicos ou protestantes, seria bom perguntarem a si mesmos: e se fosse Maomé? Há alguns dias, o chefe da BBC de Londres confessou publicamente que a emissora só aceita fazer piadas ou críticas a Jesus, mas não a Maomé. Sua justificativa: é que os cristãos, ao contrario dos muçulmanos, não reagem quando provocados... Acho que jamais vi confissão de cinismo e covardia maior do que essa, um claríssimo duplo padrão moral. O fato de os cristãos não reagirem quando insultados (talvez levando ao pé da letra a máxima de que é melhor dar a outra face) é, a meu ver, um ponto a seu favor, uma prova de que estão habilitados a viver numa sociedade democrática. Ao contrário dos islamitas que se explodem em mercados lotados e matam crianças.  

Sejamos honestos: nenhuma religião é mais combatida, atacada, vilipendiada, execrada, espinafrada, esculhambada (com ou sem motivo, não importa) do que a cristã - e, em especial, a fé católica. Muitos que reclamam de intolerância na retirada do comercial de Red Bull esquecem que, de todas as liberdades de que gozamos em uma democracia, a pioneira, a mãe de todas as demais, é a liberdade religiosa, de crença e de culto. Liberdade que é afrontada praticamente todos os dias no Brasil, por "movimentos" que, a pretexto de defender o caráter laico do Estado e os direitos de minorias, querem impor suas ideologias totalitárias, tentando calar a boca de padres e pastores e banir, por exemplo, crucifixos de repartições públicas. Em um país cultural e majoritariamente (a seu modo, mas ainda assim) cristão, não há como não ver nisso uma clara imposição autoritária de uma minoria organizada. Pior: uma intromissão numa questão de foro íntimo, pessoal, que é a religião. Não se trata, portanto, de uma rendição ao politicamento correto, mas exatamente do oposto.
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Muitos que enxergam censura na decisão do Conar sobre o comercial de Red Bull que faz troça com Jesus não vêem nenhum problema em pedir prisão para um humorista por uma piada considerada sexista ou preconceituosa (aqui sim, pode-se falar de patrulha politicamente correta). Geralmente são os mesmos que acham plenamente normal e compreensível muçulmanos queimarem embaixadas - e pessoas - por causa de uma charge do profeta Maomé. Anestesiados por um entorpecente mental chamado multiculturalismo, são implacáveis ao atacar severamente o suposto machismo ou casos de pedofilia na Igreja Católica, enquanto fecham os olhos ou mesmo procuram justificar crimes semelhantes ou piores cometidos em nome do Islã. 
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Só para dar um exemplo mais ou menos próximo: na Faixa de Gaza, hoje dominada pelos terroristas islamitas do Hamas e transformada numa cabeça-de-ponte do Irã, meninas de 8 anos de idade são forçadas a se casarem com homens mais velhos, em cerimônias de casamento coletivo. Se fossem cristãos, seriam acusados de pedófilos e estupradores. Mas não se vê quase ninguém denunciando-os como tal. Para a maioria dos que torcem o nariz para o cristianismo, as prescrições - e são apenas prescrições, sem qualquer efeito legal impositivo - de um velhinho vestido de branco sobre aborto e homossexualismo causam mais revolta do que o apedrejamento de mulheres acusadas de adultério e o estupro de crianças - de ambos os sexos - pelos devotos de Maomé. Tampouco os que se dedicam a criticar o papa e a Igreja se dão conta de que a religião mais perseguida do mundo, hoje, é o cristianismo.

Querem dados? Então lá vai. No Iraque, até 2003 havia cerca de 1 milhão de católicos; hoje sobraram menos da metade. São todos os dias atacados por   terroristas islamitas, e praticamente não restou nenhuma igreja intacta no país. No Egito, que passou recentemente por uma revolução tida por democrática, os cristãos coptas, a comunidade religiosa mais antiga do país - muito mais antiga do que o Islã -, sofre perseguições diárias dos fanáticos salafitas, que ganharam bastante poder depois da queda do ditador Hosni Mubarak. Critica-se George W. Bush por ter invadido o Iraque e despachado Saddam Hussein para o inferno, mas não se diz uma palavra sobre esse holocausto cristão. Em outros lugares - Sudão, Índia, Paquistão, Arábia Saudita, China - os cristãos são diariamente ameaçados e atacados, sendo proibidos de professar o culto livremente. Não por acaso, muitos desses países são muçulmanos ou ditaduras. Cristãos são impedidos de professar sua fé e assassinados todos os dias no mundo. Mas quem se importa?
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Como já disse, sou ateu, mas nem por isso anticlerical, o que não é nenhuma contradição. O direito à heresia, como sabia Voltaire, é uma conquista da civilização. Mas não significa o fim da liberdade de crença. Ironicamente, hoje o anticlericalismo é uma ideologia aliada das formas mais extremas de fundamentalismo religioso (no caso, islâmico), sendo um traço comum à esquerda mais "progressista" e "sofisticada" e aos fanáticos da Al Qaeda. Já perceberam como os que adoram jogar lama em 2000 anos de cristianismo - ou seja: na própria civilização ocidental, que não seria a mesma sem os papas e os afrescos da Capela Sistina - não dizem uma palavra sobre as atrocidades cometidas em nome do Islã? Pelo mesmo motivo por que repudio a intolerância e o fanatismo de certos pastores evangélicos e mulás, acho a militância antirreligiosa e, sobretudo, anticristã, uma tolice. É por isso que concordo 110% com a frase do Diogo Mainardi: "Em Deus eu não acredito, mas na Igreja, sim".

Nessa questão do comercial do Red Bull, assim como em todas as outras que envolvam a liberdade religiosa, estou com os cristãos, embora eu seja uma ovelha desgarrada. Aliás, exatamente por isso: se for para ficar a favor apenas da liberdade dos que pensam igual a mim, que espécie de democrata seria eu? A liberdade, numa democracia, é sempre a de quem pensa diferente de nós mesmos. Não vou deixar de tomar um Red Bull na balada, mas nem por isso vou escarnecer da crença alheia. Até porque, não há nada de democrático nisso. 

quinta-feira, março 29, 2012

UM PAÍS MENOS MILLÔR


Este ano de 2012 está sendo cruel para o humor brasileiro. E para a inteligência.

Depois de Chico Anysio, criador de tantos tipos impagáveis, que marcaram a vida de gerações, mais um dos (raros) gênios surgidos no Brasil deu adeus nesta semana: Millôr Fernandes.

O Brasil já tinha ficado um pouco mais sem graça com a morte do mestre da comédia. Agora, sem Millôr, fica também um pouco menos inteligente. E mais vulnerável - infelizmente - à ação da polícia da linguagem e do pensamento, que age com cada vez mais desenvoltura nesta época de criatividade castrada pelo politicamente chato.

Algumas frases inesquecíveis do grande escritor, humorista e chargista, que também vai fazer muita falta - e que merecem ser lembradas nestes tempos sinistros:

"Jornalismo é oposição. O resto é armazém de secos e molhados".

"Eles querem dinheiro? Então não era ideologia, era um investimento". (sobre o Bolsa-Terrorismo)

E a minha preferida, genial em sua simplicidade:

"Livre pensar é só pensar".

Peço licença à gramática e introduzo no léxico um novo adjetivo, derivado de um nome próprio. O Brasil está mais triste. E mais burro. Enfim, menos Millôr.

sábado, março 24, 2012

A FALTA QUE CHICO ANYSIO FARÁ

Deixo um pouco de lado as análises politicas e as denúncias da corja petralha que se apossou das mentes e dos cofres públicos para me juntar ao imenso coro dos que desde ontem choram a morte de um grande artista. 

Chico Anysio foi - e com isso creio estar repetindo uma platitude - o maior comediante brasileiro de todos os tempos. Seus 209 - duzentos e nove! - personagens registrados, cada qual com voz, jeito e vida próprios, são um retrato fiel deste imenso caldeirão de tipos humanos chamado Brasil, um país que, além do futebol e do carnaval, tem (ou, pelo menos, deveria ter) no humor um de seus maiores tesouros.  

Chico Anysio não tinha apenas talento de sobra, além de grande generosidade, traços que são destacados por todos os que o conheceram e que a ele devem suas carreiras. Tinha irreverência. Coragem, mesmo. Foi ele o primeiro humorista brasileiro a criticar abertamente, com o personagem Salomé, um presidente militar, o general João Baptista Figueiredo, em plenos anos 70. (Nos últimos tempos, com Chico já doente, o personagem foi retomado, mais a título de homenagem, no Zorra Total, programa que não chega nem aos pés do Chico City ou do Chico Anysio Show, a que eu assistia quando criança.) Era, enfim, um exemplo, infelizmente cada vez mais raro, de comediante afrontando os poderosos de plantão, fazendo perguntas que o povo gostaria de fazer.

Talvez a morte tenha escolhido a hora certa para levar Chico Anysio. No Brasil de hoje, cada vez mais pautado pela idiotia do politicamente correto ou pelo nonsense imbecilóide do tipo jackass de programas outrora inovadores como o Pânico na TV, o humor sutil e inteligente de Chico tem cada vez menos espaço na TV aberta. Ele mesmo, aliás, teve de amargar anos de geladeira na Rede Globo, por causa de comentários que fez sobre alguns diretores da emissora (alguns deles aparecem agora dando depoimentos sobre a genialidade do falecido).

Se fosse hoje, personagens como Haroldo, o gay enrustido que quer virar hétero, ou Painho, o pai de santo afrescalhado (do abaitolá da Bahia), seriam rotulados pelas patrulhas como "homofóbicos". Outros, como o malandro Azambuja, entrariam na mira dos militantes negros (esse povo vê racismo em tudo!). Tavares, o bebum que deu um golpe do baú, e Nazareno, o canalha que humilha a mulher por ser feia, seriam linchados pelas hordas anti-álcool e feministas, inimigas do riso. Outros ainda, como o mentiroso Pantaleão, ou o garanhão feioso Silva, provavelmente seriam acusados de transmitirem uma imagem negativa dos nordestinos... E por aí vai. 
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Contra essas tentativas descaradas de censura - é este o nome desse tipo de coisa -, o humor de Chico Anysio era um lembrete constante de que a matéria-prima da arte é a liberdade, e que nenhum comportamento humano está acima da crítica. E isso incluía seus colegas do meio artístico (quem não se lembra do impagável canastrão Alberto Roberto?)

Chico Anysio deixa como legado várias gerações de fãs, entre os quais me incluo, e, ao mesmo tempo, um imenso vazio. Porque sabemos que ele era insubstituível. No país em que piada sobre gravidez de cantora e até comercial de lingerie passaram a ser alvos de ações do Ministério Público, a morte de Chico nos lembra que a função do humor é, simplesmente, fazer rir. E nisso ele era um gênio, um dos poucos que apareceram na Terra dos Papagaios. Chico Anysio fará falta. Muita falta.          

domingo, outubro 09, 2011

POR UM PAÍS MAIS BURRO, MAIS FEIO E MAIS SEM-GRAÇA: É A CENSURA LULOPETISTA EM AÇÃO

O Brasil está ficando cada vez mais um país sem-graça. E mais feio. E mais burro. Graças aos petistas.

Primeiro foram os pôneis malditos ("um símbolo de pureza infantil maculado como representação do mal"). Depois, a Gisele Bündchen de lingerie ("reforça estereótipos machistas contra a mulher"). Seguiu-se um quadro do Zorra Total ("incitação ao assédio sexual nos metrôs", gritou o sindicato dos metroviários). E, finalmente, uma piada de mau gosto sobre comer (no sentido sexual) uma cantora grávida e o bebê que está esperando ("crime de pedofilia", sentenciaram os juízes de família). E tudo isso em menos de um mês!

Um comercial de automóveis, uma propaganda de lingerie, um quadro babaca de programa humorístico e uma piada de mau gosto causam mais indignação do que a corrupção dos petralhas. Só no Brasil.

Quando digo que a ditadura do politicamente correto já se instalou por estas plagas, neguinho vem e acha que é exagero. Desde que se instalaram no poder, os lulopetistas não têm feito mais do que duas coisas: locupletar-se nas verbas e cargos oficiais e tentar, de todas as maneiras, tutelar e censurar o livre pensamento. Eles chamam isso de "controle social" e de "regulamentação da mídia". Eu chamo pelo nome que tem: censura, pura e simplesmente. Inclusive dos comerciais: a única propaganda que essa turma entende e permite é a deles próprios.

Desprovidos de humor, os guardiães da moral e dos bons costumes não gostam de piadas, exigindo que sejam sempre corretas e edificantes, incentivadoras de virtudes cívicas e dos valores da companheirada. Esquecem-se, assim, que o humor não tem outra obrigação além de ser engraçado (pode mesmo ser grosseiro ou idiota). Recalquados(as), vêem num comercial de calcinha e sutiã uma ofensa à dignidade das mulheres. Inimigos do humor, da beleza e da inteligência, querem impor travas à liberdade de criação, subordinando-a aos ditames do partido ou do sindicato. Não por acaso, um desses bobocas já quis proibir, por "racismo", até Monteiro Lobato...

O curioso é que esses mesmos defensores do feminismo e inimigos de piadas supostamente pedófilas não vêem nada de errado em distribuir, com dinheiro público, gel lubrificante numa parada gay, ou em um ministro da Educação propor a distribuição de kits-gays para crianças de 11 anos de idade nas escolas públicas. São esses mesmos aiatolás e arautos da virtude que querem impor uma lei que pune com prisão o padre católico ou pastor evangélico que tiver a ousadia de citar o que diz a Bíblia sobre o homossexualismo - e que, não se enganem, também punirá o engraçadinho que fizer piada com os companheiros boiolas.

Até onde os novos censores, encastelados no governo dos companheiros, vão levar sua sanha moralista? Quem sabe resolvam reescrever os contos de fada. Assim, o caçador abandonaria a profissão e, junto com o lobo-mau, se converteria à causa ecológica; por sua vez, o lobo mau desistiria de sua intenção de comer a vovozinha (certamente, um elogio da tara por gente idosa) e a chapeuzinho vermelho (olha a pedofilia aí, gente). Também os comerciais e programas humorísticos seriam submetidos, antes, a uma estrita avaliação por um seleto comitê de sociólogos e antropólogos da USP e da UnB, que "a nível de" se empenhariam em verificar se os squetchs possuem ou não uma mensagem conforme os mais elevados princípios e valores do lulopetismo. Só falta aquela plaquinha com o selo da censura oficial antes dos filmes e programas na TV.

O Brasil já teve um Jânio Quadros, que, acometido de furor moralista, quis proibir até desfile de biquíni em concurso de miss (as feministas que não cuidam dos cabelos e não raspam o sovaco, como a "ministra" Iriny Lopes, certamente aplaudiriam). Hoje, tem a patrulha esquerdista que não gosta de humor e de comercial da Hope. E ainda tem quem os apóie. Não há limites para a ridicularia dessa gente.

E só para não perder a piada: você trocaria uma Gisele Bündchen por uma Iriny Lopes?

terça-feira, setembro 27, 2011

O DIREITO DEVE SER ACHADO NA LEI, NÃO NA SARJETA



Charles-Louis de Secondat, Barão de Montesquieu:

os juízes do STF fariam bem em relê-lo


Um tal Heverton, que deve ser o assessor jurídico do Luiz Mott, escreveu um comentário muito engraçado sobre meu texto O GOLPE DO STF. E UMA PERGUNTA: GAYS NÃO FAZEM SEXO?, no qual denuncio o golpe (in) constitucional desfechado pelos juízes do STF no último dia 4 de maio, quando decidiram, cedendo à pressão de um lobby midiático, abolir um artigo da Constituição e mudar, de uma canetada, a organização familiar no Brasil. Eis o que disse a reencarnação de Rui Barbosa:

Bla bla bla...primeiro, voce está desatualizado, volte para a faculdade de direito antes de emitir suas opinioes pseudo-jurídicas.

Vou ignorar o balbuceio afetado ("bla bla bla") e me concentrar nas palavras. Fiquei curioso: o que será que o Heverton quer dizer com "você está desatualizado" na questão? Será que ele está afirmando que defender a Lei – e os princípios jurídicos que devem nortear uma Constituição – é uma questão, assim, de moda? Nesse caso, então, faço questão de dizer, como fazia Nelson Rodrigues: eles são o futuro? nesse caso, eu sou a Idade Média, sou a Antiguidade!

Quanto a voltar para a faculdade, não, obrigado. Parece que as faculdades de direito no Brasil, que nunca foram lá essas coisas, estão meio que infiltradas por um tal “direito alternativo” ou “direito achado na rua”, que não combina bem com minha idéia de Direito. Se for para referendar golpes institucionais como o do STF, prefiro permanecer leigo no assunto. Prefiro ficar do lado da Lei – ou seja, da civilização – contra aqueles que querem "ajustá-la" a seus interesses casuísticos.

Hoje em dia a moderna forma de interpretação NAO USA mais apenas LER o texto da constituição, isso é positivismo extremado, e é o mesmo positivismo que possibilitou o massacre a judeus, negros, deficientes e GAYS na antiga alemanha.

Estou pasmo...

A "moderna forma de interpretação" de que fala o rapaz inclui passar por cima da separação de poderes e mandar a Lei para as cucuias? E defender princípios jurídicos e filosóficos como a separação de poderes agora é "positivismo extremado"? Então foi a defesa de princípios como esse – descumprido, agora, pelo STF – o que "possibilitou o massacre de judeus, negros, deficientes e GAYS" (assim, em maiúsculas – afinal, eles são especiais...) na Alemanha hitlerista?

Confesso que isso nunca tinha me passado antes pela cabeça. Então foi a defesa da tripartição dos poderes e do devido processo legal, e não a ideologia nazista, o que levou ao Holocausto? Caramba!...

Essa é uma interpretação realmente revolucionária do Direito e da História! Gente, esqueçam tudo que ouviram até agora sobre o nazismo, o antissemitismo, a idéia de raça ariana etc. Segundo Heverton, Hitler e os nazistas mandaram milhões para a morte porque eles, nazistas, tinham lido... Montesquieu!

Quase que eu me esqueço que, entre os nazistas, também havia um monte de bichonas (posso estar errado, mas desconfio que o leitor nunca ouviu falar nas SA; sem falar no próprio Fuhrer, com aquela cintura larga e aquele cabelinho meio emo... sei não, dá até pra desconfiar).

Para se interpretar a constituição, deve-se ater aos PRINCÍPIOS QUE A NORTEIAM, e se vc tiver curiosidade de LER fundamentação do STF, vai notar que sao esses principios que possibilitaram a extensão do direito a uniao estavel hetero para as homo.ah, volta lá pro seu clube do chá.

Ah, então é de princípios que se está falando? Vou citar apenas dois que o STF mandou às favas com a decisão inconstitucional de aprovar a tal "união homoafetiva":

- Separação de poderes: a Constituição (que ainda é, queiram ou não os adeptos do "direito achado na rua" – na verdade, na sarjeta), a principal Lei do país, estabelece claramente as funções dos três poderes do Estado. E não me consta que Montesquieu tenha dito ou escrito que cabe ao Judiciário legislar, ainda mais em matéria constitucional. Do contrário, por que não dar ao Executivo o poder para julgar ou fazer leis, tornando o STF e o Congresso irrelevantes? Parece que já vimos esse filme antes, não?

- Igualdade de todos perante a Lei: É uma das bases, se não a base principal, de qualquer sociedade democrática, que todos os cidadãos tenham os mesmos direitos e deveres, definidos pela Lei do país. E a Lei brasileira deixa claro que nenhum grupo de indivíduos merece ter privilégios por causa de raça, cor, religião ou qualquer outro motivo (orientação sexual, por exemplo). Ao rasgar a Constituição para beneficiar os gays, o STF instituiu uma nova categoria de cidadãos, cujos direitos estão acima da Lei, que deve se adaptar a eles, e não o inverso.

Como já falei, não tenho nada contra, em princípio, que gays e lésbicas possam juntar seus trapinhos e viver felizes para sempre. Não tenho nada contra, inclusive, que adotem crianças (é melhor ter dois pais, ou duas mães, do que nenhum). Só acho estranho – estranho, não, inaceitável – que, para atender a uma reinvidicação de um grupo minoritário, o principal tribunal do país resolva descumprir a Lei e instalar o baguncismo jurídico.

Ficamos assim: os gays querem casar? Que elejam então uma bancada de deputados comprometidos em levar adiante a idéia. Que façam uso do direito ao voto direto e democrático que possuem como cidadãos e consigam eleger uma bancada pró-"união homoafetiva". Aí poderão apresentar um projeto de emenda constitucional (PEC) alterando o Artigo 226 da Constituição Federal, que trata da regulamentação da família. Qualquer outro caminho que não seja este é ilegal e inconstitucional: mais que isso, é um GOLPE contra a democracia.

Quanto à pergunta que fiz no post, se os gays fazem sexo ou não, ainda continuo sem resposta.

Agora dá licença, que eu vou voltar pro meu clube de chá. Montesquieu está me esperando.

sexta-feira, agosto 19, 2011

O DIREITO A SER TOLO. OU: A INTOLERÂNCIA DOS TOLERANTES. OU AINDA: OS OBSCURANTISTAS DO BEM

Escolha uma das alternativas abaixo. Para você, liberdade de expressão é:

a) a liberdade de manifestar a opinião sobre qualquer assunto, sem medo de censura;

b) essencialmente, o direito de pensar diferente, de divergir;

c) um direito constitucional inalienável e uma das bases da democracia;

d) o direito de expressar somente a opinião considerada justa pela maioria, ou correta, sensata e inteligente.

Se você escolheu, entre as opções acima, qualquer uma que não a "d", parabéns, você é um cidadão que sabe o significado da liberdade de expressão, está plenamente habilitado para conviver com outros numa democracia. Se, ao contrário, você optou por NÃO marcar "a", "b" ou "c", seu lugar é em Cuba ou na Coréia do Norte.

Agora leiam o que está nos links a seguir:


A primeira notícia é sobre um processo que está sendo movido pelo Ministério Público de São Paulo contra um pastor de uma igreja evangélica. Motivo: ofensa aos ateus. Querem que a rede de televisão em que o tal pastor falou se retrate pelo que ele disse etc.

Nem vou discutir, aqui, as palavras do tal pastor da tal igreja, de quem nem tinha ouvido falar. Pelo que li, o que ele disse foi uma tolice, uma cretinice. Não é preciso ser crente em Deus para ser uma pessoa boa e pacífica, como sabem os fundamentalistas islamitas. A questão não é essa. É a seguinte: ele tem ou não o direito de falar o que pensa?

Sou ateu, portanto não tenho nada de positivo a dizer sobre as crenças de evangélicos, católicos, muçulmanos, judeus ou umbandistas. Exatamente por isso, aliás, não posso aceitar que queiram cassar uma opinião diferente da minha. O nome disso é censura. Ponto.

Todos os dias, pastores evangélicos - para não falar dos católicos - são avacalhados na internet, e no entanto não se vê ninguem pedir a cabeça de seus detratores numa bandeja (e se o fizessem, eu seria um dos primeiros a reclamar contra esse absurdo). As ofensas, inclusive, já chegaram à esfera criminal: na última parada gay em São Paulo, imagens de santos católicos foram achincalhadas e expostas ao ridículo por militantes gayzistas (o que é, aliás, um crime, pois viola o Artigo 208 do Código Penal, que pune com cadeia quem desrespeitar símbolos religiosos). Ainda assim, não se viu ninguém ameaçando-os de processo penal por causa disso. Por que, então, um pastor deve ter seu direito à palavra cassado e caçado por causa de sua opinião sobre o ateísmo? Em que parte da Constituição ou do Código Penal está escrito que isso é um delito? Onde está escrito que a liberdade de expressão vale para uns e não para outros?

Repito: não creio em Deus, entre outros motivos, porque considero a religião uma questão privada, individual. Exatamente por isso, defendo o direito dos crentes falarem o que quiserem a meu respeito (desde, claro, que não seja uma incitação à violência). Posso garantir que jamais me verão ameaçando processar alguém por causa de uma opinião, seja ela qual for. Para mim, sagrado é o direito ao livre pensamento - meu e de quem discorda de mim. E os que querem calar o tal pastor, podem dizer a mesma coisa?

Quanto à segunda notícia, quem a ler vai perceber claramente que a intolerância não está do lado de quem espalhou os outdoors, mas de quem quer punir uma opinião religiosa. Pode-se discordar dela, achá-la estúpida e até preconceituosa, mas se pode, francamente, impedir que ela seja veiculada? O outdoor em questão limita-se a citar três passagens bíblicas contrárias ao homossexualismo. Foi o bastante, porém, para a mensagem ter sido considerada (horror, horror!) "homofóbica". Ora, o que se deve fazer: reescrever a Bíblia?

Pelo visto essa deve ser a intenção do sr. Luiz Mott, presidente do Grupo Gay da Bahia e queridinho da Rede Globo. Mott deve ser um teólogo frustrado, a se julgar por sua afirmação de que citar a Bíblia nessa questão seria uma atitude obscurantista e intolerante, pois afinal o Antigo Testamento defende o apedrejamento de adúlteras etc. Atenção, católicos do mundo todo: há um impostor em Roma! O verdadeiro papa não se chama Bento XVI: ele se chama, na verdade, Luiz Mott! É ele a suprema autoridade teológica, o maior exegeta dos textos sagrados desde S. Tomás de Aquino...

Como disse, sou ateu, mas nem por isso vou sair por aí me arrogando ares de teólogo, coisa que não sou nem pretendo ser. Ao contrário dos "inimigos do obscurantismo", não tenho a ambição de reescrever nenhum texto religioso para que se adapte a minhas próprias convicções particulares. Basta-me a razão. Citar a Bíblia, ou qualquer outro texto religioso, para criticar o homossexualismo pode até ser um anacronismo, algo incompatível com a modernidade. Mas é um crime?

Mais uma vez, o que se quer é instituir o delito de opinião. E delito de opinião só existe em ditaduras. Preciso repetir o que penso a respeito?

Quando pretensos ateus e militantes gayzistas, que se apresentam como campeões da tolerância, tentam, em nome dessa alegada tolerância, intimidar e calar quem pensa de forma divergente, é porque estamos vivendo uma época realmente perigosa. Não me acanho em denunciar esse total absurdo, até porque há ateus que se comportam como inquisidores medievais, e há evangélicos (ou católicos) que levantam bem alto a bandeira da liberdade de expressão. A meu ver, esse tipo de coisa demonstra apenas a fragilidade daquilo que passa por aí como ateísmo: chego mesmo a duvidar de uma corrente filosófica que apela para as leis (além do mais, leis inexistentes), em vez de argumentos racionais, contra quem dela discorda. Confundem mesmo Estado laico com Estado ateu, que é exatamente o oposto da democracia.

E se alguém apontar alguma suposta contradição nessa minha atitude, porque afinal sou ateu (logo, por uma estranha lógica, deveria ser "contra os crentes" etc.), não hesitarei em lembrar o óbvio: que liberdade é sempre a liberdade de discordar, de pensar diferentemente. É a liberdade, inclusive, de dizer bobagem. O resto é intolerância e ditadura. Ponto final.

Até porque, se for para proibir as pessoas de dizerem tolices, seria preciso colocar uma mordaça em todo mundo. Vai ver é exatamente isso o que querem os "progressistas". Com o apoio de muitos "intelectuais" e de grande parte da imprensa (e, agora, do Ministério Público), estão conseguindo.

sábado, agosto 06, 2011

ABAIXO A IDEOLOGIA GAYZISTA

Faço questão de repetir, para que não haja qualquer dúvida: não tenho absolutamente nada contra gays, lésbicas, travestis, transgêneros ou seja lá o nome com que se apresentem. Acho - e quero deixar isso bem claro -, que cada um tem o direito de levar a vida como quiser. O que fazem debaixo dos lençóis, francamente, não me interessa nem um pouco. A vida é sua, irmão, faça com ela o que bem entender. Também nada me espanta. Para mim, não faz qualquer diferença se o sujeito gosta de mulher ou se é apaixonado por um pé de mandacaru. Considero mesmo algo plenamente normal, é assim desde que o mundo é mundo, e sempre será. Não tenho nada a dizer sobre isso, nem contra nem a favor. Simplesmente não é da minha conta e ponto final.

É exatamente por acreditar que a sexualidade é um assunto privado, que diz respeito unicamente às pessoas envolvidas, que não posso aceitar que o Estado passe a ditar regras a respeito. É precisamente por achar que se trata de uma questão de foro íntimo que não posso ficar calado diante do avanço da ideologia gayzista, hoje o movimento político mais poderoso no Brasil, ao lado do maconhista e do racialista - e, ouso dizer, o mais nocivo à tolerância e à democracia.

Como disse antes, a opção sexual de cada um, assim como a cor ou a comida preferidas, é uma questão individual, ninguém tem nada que meter a colher. Muito menos o Estado deve se imiscuir na vida privada dos indivíduos. Quando isso acontece, então deixa de ser um assunto particular - a coisa passa a me dizer respeito, como a qualquer cidadão.

Passa a ser da minha conta quando o governo começa a distribuir um kit-gay nas escolas, que ensina a crianças de 11 anos de idade a beleza do homossexualismo. Quem disse que o Estado deve ter alguma palavra a dizer sobre o assunto? Ainda mais para crianças, que estão ainda em formação e não têm o discernimento necessário para fazer uma escolha consciente sobre o que quer que seja?

Passa a ser da minha conta quando a prefeitura da maior cidade do País gasta dinheiro público para distribuir gel lubrificante a manifestantes seminus numa parada gay - é para isso que servem os impostos?

Passa a ser da minha conta quando um lobby poderosíssimo usa os meios de comunicação e até telenovelas como palanque para enfiar goela abaixo da sociedade um projeto de lei que, se aprovado, irá criar uma casta de privilegiados, acima dos demais mortais - pior: criminalizando qualquer ponto de vista que não for do agrado desses seres super-sensíveis e iluminados, instituindo o delito de opinião e sepultando, assim, a liberdade de expressão - e, portanto, a democracia.

Passa a ser da minha conta quando esse lobby, com os formidáveis recursos midiáticos de que dispõe, resolve forçar a barra para mentir descaradamente, exibindo falsas estatísticas que mostram como um matadouro de homossexuais o país que tem a maior parada gay do mundo, para aprovar uma lei que lhes concederá privilégios - até porque já dispõem da mesma proteção legal facultada a todos os demais cidadãos.

Passa a ser da minha conta quando o princípio da igualdade de todos perante a Lei é jogado no lixo para garantir privilégios, como o de debochar da crença alheia, ridicularizando imagens e símbolos religiosos - crime punível com cadeia pelo Código Penal.

Passa a ser da minha conta quando, cedendo à patrulha politicamente correta, a principal Corte judicial do País decide simplesmente rasgar a Constituição, reescrevendo um artigo da mesma que trata da organização da família, e que só poderia ser mudado por Emenda Constitucional, passando, assim, por cima da separação de Poderes.

Enfim, é da minha conta quando um grupo tenta impor, pela mentira e pela propaganda, sua agenda político-ideológica ao restante da sociedade. É da minha conta quando qualquer opinião divergente é imediatamente tachada como "homofóbica" (termo, aliás, que não tem qualquer sentido). É da minha conta quando tentam me amordaçar.

Até porque, se eu não puder mais falar o que penso sobre esse assunto, o que os impediria de me obrigar a adotar seu estilo de vida?

Viva a liberdade de expressão!

Viva a diversidade!

Viva a democracia!

Abaixo a censura!

Abaixo a intolerância!

Abaixo a ideologia gayzista!

quarta-feira, junho 29, 2011

RUMO À DITADURA



Li outro dia que um deputado federal propôs na Câmara um projeto de lei que institui o Dia do Orgulho Heterossexual.

Na hora, pensei que fosse piada. E realmente seria, se não fosse por um detalhe: existe um Dia do Orgulho Gay.

Ambas as idéias são totalmente ridículas e idiotas. Orgulhar-se da própria opção sexual é coisa de quem tem alfafa no lugar do cérebro. Presunção e arrogância, para ser mais delicado.

Por que alguém deveria sentir-se orgulhoso de ser gay, ou hétero, em primeiro lugar? Por que não instituir, também, o Dia do Orgulho Gordo? Ou do Orgulho Magro? E que tal o Dia do Orgulho Anão (ou Gigante)? Ou dos Comedores de Jiló? Ou dos Torcedores do Novorizontino? Faria tanto sentido quanto.

Haverá quem diga que se trata de um "avanço", pois é preciso "respeitar as diferenças" etc. Ora, respeito é uma coisa - e espero que os senhores e senhoras gayzistas respeitem minha opção de não ser um deles -; orgulho é outra, completamente diferente. O orgulho, como sabe qualquer pessoa com um mínimo de bom senso, é um sentimento altamente deletério. Está baseado numa idéia de exclusão, de superioridade sobre os demais. "Tenho orgulho de ser corintiano; chupa essa, palmeirenses!", ou vice-versa. Nada de bom pode surgir disso.

Pois bem. Eu falava da proposta do dia do orgulho heterossexual, e de como ela é idiota. Mesmo idéias estúpidas, porém, têm lá sua razão de ser. Nesse caso, trata-se de se contrapor à tal "parada do orgulho gay", que já virou atração turística em alguns lugares (tem gente pra tudo neste mundo). Mais que isso: é um alerta, uma reação de parte da sociedade - a maioria, que não é homossexual e que não aguenta mais ser bombardeada todos os dias pela impostura gayzista.

Graças a uma propaganda massacrante nos meios de comunicação - em especial nas novelas e programas da Rede Globo -, a ideologia gayzista (que está para os homossexuais como a CUT e o PT estão para os trabalhadores), está se impondo como um rolo compressor. Pior: ameaça cada vez mais transformar o Brasil numa espécie de ditadura rosa.

Acham que estou exagerando? Então vejam alguns exemplos recentes.

- O Supremo Tribunal Federal decidiu, em maio passado, pela legalidade do "casamento gay", chamado de “união homoafetiva” para não ferir os ouvidos mais sensíveis. A decisão fere diretamente o Artigo 226 da Constituição Federal, que deixa claro que, para fins de proteção do Estado, é reconhecida como casamento a união entre um homem e uma mulher, e que só pode ser modificado por Emenda Constitucional, a ser votada e aprovada no Congresso Nacional. Portanto, o STF usurpou a função do Legislativo e mandou às favas a separação de poderes, base da democracia. Cedendo ao lobby gayzista, trocou Montesquieu pelo ex-BBB Jean Wyllis. (Um dos ministros favoráveis à "união homoafetiva" justificou seu voto dizendo que o órgão sexual masculino é um "plus", um "regalo da natureza"... O fato de ser a união entre um homem e uma mulher o que garantiu a reprodução da espécie humana não passa de um detalhe.) Há alguns dias, um juiz de Góias declarou nulo um "casamento gay" celebrado pouco antes. Por ter invocado o Artigo da Constituição revogado cartorialmente pelo STF, está sendo linchado como "homofóbico".

- Durante a última "parada do orgulho gay" em São Paulo - a maior do mundo, com milhões de participantes e outros tantos de curiosos –, a organização do desfile exibiu imagens de santos católicos em poses homoeróticas. Trata-se de crime previsto no Artigo 208 do Codigo Penal, assim definido: "Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso". (Só a título de especulação: imaginem se, em vez de santos católicos, algum engraçadinho resolvesse mostrar uma imagem de Maomé com batom e salto alto... Melhor nem pensar.)

- Uma telenovela (da Globo, claro), Insensato Coração - essa fiquei sabendo por terceiros -, enveredou escancaradamente pelo caminho do proselitismo gayzista. Seu autor, Gilberto Braga (um militante assumido), decidiu inserir, em cada capítulo, personagens e um discurso a favor do gayzismo, com "estatísticas" e tudo. A idéia é mostrar os gays como vítimas de preconceito e perseguição, e todos aqueles que torcem o nariz para eles como terríveis (lá vem a palavra de novo) "homofóbicos".

São apenas alguns exemplos. A cada dia surgem outros. Os dois primeiros mostrados acima deixam claro que a Lei, no Brasil, deixou de existir. Melhor dizendo: ela existe apenas para ajustar-se ao lobby gayzista e politicamente correto.

Assim como ocorre com outros lobbies semelhantes, o gayzista não tem qualquer compromisso com a verdade. Uma das idéias-fetiche de gente como Luiz Mott, presidente do Grupo Gay da Bahia, é que o Brasil seria um país "homofóbico". Trata-se de uma contradição em termos. Os gays representam uns 10% da humanidade, mas estão super-representados nos meios de comunicação. Cantores (e cantoras), atores, diretores, apresentadores não escondem sua homossexualidade. É difícil lembrar de um autor de telenovelas que não seja homossexual. O Brasil tem a maior parada gay do mundo. Não somos homofóbicos, assim como não somos racistas.

Da percepção claramente falsa de que o Brasil é uma espécie de Arábia Saudita decorre outra, mais fraudulenta ainda: a de que o Brasil seria uma espécie de matadouro de gays, lésbicas e travestis (ou aquela sopa de letrinhas que os militantes gostam de usar), em que homossexuais seriam vítimas de violência, tão perseguidos quanto eram os judeus na época da Alemanha nazista.

Aqui, claramente a mentira adquire ares de verdadeira psicose, de falsificação grosseira da realidade para se ajustar a um discurso ideológico vigarista. As ONGs gayzistas gostam de citar números para dizer que "no ano passado, foram mortos tantos homossexuais no Brasil" etc., querendo dizer com isso que os assassinos teriam sido todos - todos, notem bem - heterossexuais. Estaria comprovado, assim, o crime de intolerância sexual, do qual os gays seriam as vítimas.

Quem se der ao trabalho de pesquisar, porém, irá constatar uma realidade bem diferente. Não tenho os números, mas desconfio que boa parte dos casos de homicídios envolvendo homossexuais no Brasil é cometida também por homossexuais (em muitos casos, garotos de programa ou seus clientes, que os militantes gayzistas, por alguma razão, não gostam que sejam chamados de gays). Para quem gosta de História, os exemplos de homossexuais criminosos são abundantes: Calígula, Nero, Heliogábalo, Gilles de Rais, as SA nazistas de Ernst Rohm etc. Ou vejam, então, os casos de vários serial killers famosos nos EUA (John Wayne Gacy, Jeffrey Dahmer, Henry Lee Lucas etc.). Todos gays e assassinos, que matavam seus parceiros com requintes de crueldade. Se os crimes que cometeram tivessem ocorrido no Brasil, certamente seriam computados como "crimes de intolerância" ou "crimes de homofobia"...

O mesmo ocorre com outros crimes, como a pedofilia, geralmente - nem sempre, mas geralmente - praticada por adultos homossexuais. E isso inclui os padres católicos pedófilos, que também, por alguma razão misteriosa, não são chamados de gays pelos que adoram esculhambar a Igreja.

Por que os sindicalistas do gayzismo não citam esses fatos? Por dois motivos. Primeiro: não querem perder a pose de vítimas. Segundo: desejam aparecer como seres mais sensíveis e evoluídos. Superiores, enfim.

Estou dizendo que todos os gays são pedófilos e assassinos? Claro que não, e concluir assim só confirmaria minha suspeita de que certas causas políticas são mesmo incompatíveis com a inteligência. Cada um, sendo maior de idade, que faça com o próprio corpo o que quiser, desde que não coloque em risco a saúde fisica de outrem. Estou dizendo apenas o óbvio: que ser gay (ou hétero) não é um selo de qualidade que garanta que o indivíduo será um bom cidadão, bom filho ou pai, pagador de impostos e amante da paz e das flores. Dizer que alguém é um ser humano melhor porque gosta de meninos em vez de meninas é tão absurdo e tão estupidamente cretino quanto dizer que é pior pelo mesmo motivo. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Menos, claro, se você for um militante, um veadinho nervosinho e afetado.

Toda militância é meio burra, e a militância gayzista não é exceção. Os ativistas do gayzismo não querem lutar por direitos, mas sim impor um estilo de vida e calar os que dele discordem. Ou que simplesmente tenham valores diferentes. Quem diz isso não sou eu, é o PLC 122 - a chamada Lei da Mordaça Gay - que ameaça botar em cana até quem contar piada de bichinha numa mesa de bar. Para não mencionar o óbvio atentado contra a liberdade religiosa, com padres e pastores proibidos de citar as partes da Bíblia que condenam o homossexualismo (o que vão fazer? censurar o Antigo Testamento? reescrever os trechos do Deuteronômio de que não gostaram?). Se aprovada no Congresso, como quer o deputado Jean Wyllis, tal lei imbecil irá substituir a liberdade de expressão pela censura gayzista. Aliás, com a ajuda da Rede Globo, isso já está acontecendo.

Estão apagando a fronteira entre a vida pública e a particular, o que é profundamente triste e lamentável. Eu, se fosse gay, não sairia saracoteando por aí com o narizinho empinado e expondo abertamente minha sexualidade, como um porta-bandeira da "causa". Acho isso tão boçal e estúpido quanto as bravatas dos don-juans de periferia que, entre um gole e outro de cerveja no boteco, gostam de se gabar de suas conquistas amorosas, reais ou não, arrotando que comeram tantas no fim-de-semana. Em vez de me pavonear ou de buscar o confronto, que só pode ter maus resultados (até porque há muita bicha enrustida por aí que, diante de um gay mais atrevido, não resiste em lhe dar uns tabefes), eu usaria a inteligência, e não iria querer que o Estado calasse ou intimidasse quem tivesse idéias diferentes, apenas que me deixasse em paz para levar a vida do jeito que eu escolhi. Acima de tudo, não daria a menor bola para o que pensassem e trataria de viver minha opção sexual onde e como ela deve ser vivida: na intimidade, longe dos olhos e da atenção do mundo. É assim que a maioria dos héteros faz. Ninguém vê um homem e uma mulher no maior amasso dentro de uma igreja ou numa festa infantil. Para isso existe motel. É melhor assim, e é mais gostoso.

Francamente, não me agrada nem um pouco a divisão que querem impor ao país, tipo gayzistas de um lado e Igreja católica ou evangélicos de outro. Acho isso uma tremenda empulhação, algo tão irracional e funesto quanto a divisão entre "esquerda progressista" e "direita reacionária", ou a divisão entre raças instituída pelo sistema de cotas nas universidades. Para mim, a questão não é religiosa, nem de costumes, mas diz respeito, isso sim, à própria democracia naquilo que ela tem talvez de mais sagrado: o direito a ter e expressar uma opinião, por mais preconceituosa que seja (desde que, claro, não seja um incitamento à violência). Por isso sou obrigado a reconhecer, dado o tamanho da impostura, que os católicos e evangélicos estão cobertos de razão. Entre o PLC 122 e a defesa da liberdade religiosa, fico com a segunda sem pestanejar.

Para finalizar, algumas perguntas:

- O padre católico (ou pastor protestante) não tem o direito de expulsar da igreja/templo o casal homossexual (ou heterossexual) que estiver trocando carícias na hora da missa/culto?
- Um dono de bar ou restaurante não tem o diteito de negar-se a atender um casal gay que queira fazer um jantar romântico no local?
- O pai ou mãe de família não tem o direito de escolher se a pessoa que vai cuidar de seu filho pequeno é homossexual ou não? (Uma ex-atriz da Globo, hoje deputada evangélica, está sendo crucificada porque afirmou que sim.)

Se você respondeu negativamente qualquer das perguntas acima, é porque sua noção de liberdade de expressão e de direitos individuais é a mesma dos que bolaram coisas como o PLC 122. Ou seja: você precisa reaprender o que significa viver numa democracia.

A História está repleta de exemplos de ditaduras que começaram alegando a defesa dos melhores motivos. Inclusive em nome da liberdade, cometeram-se crimes terriveis. Toda intolerância é odiosa. A intolerância dos tolerantes não foge à regra.