Mostrando postagens com marcador governo Dilma. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador governo Dilma. Mostrar todas as postagens

terça-feira, dezembro 06, 2011

LUPI, ORLANDO, NOVAIS, ROSSI, PALOCCI...

Ai que preguiça...

Com a queda do fanfarrão Carlos Lupi, já são 1.240 os ministros do governo Lul..., digo, Dilma, despejados de seus gabinetes por falcatruas. Menos da metade disso já seria suficiente para derrubar qualquer governo. Mas não o da Muda Pudorosa. Sacumé, a mulher tem costas quentes. Eu já tinha percebido isso quando escrevi o texto abaixo, de 27 de outubro.

As fotos acima, do dia da posse da supergerenta, não deixam dúvidas: como escreveu o AUgusto Nunes, além do doutor que nunca leu um livro, o Brasil tem a única faxineira do mundo que gosta de lixo.

---

E LA NAVE VA...

Mais um ministro do governo Lula-Dilma foi pro saco. O camarada Orlando Silva não resistiu à maré de ladroagem dentro da pasta dos esportes, que transformou num comitê do PCdoB. E foi substituído... por um camarada do PCdoB!

Foi o 1.239o ministro a ser defenestrado em menos de um ano. E podemos ter algumas certezas:

- Nao será o ultimo;

- A imprensa domesticada continuará dizendo que Dima-Lula não tem nada a ver com nada: inventará até que está havendo uma "faxina"...;

- A massa ignara engolirá mais essa;

- No final, tudo voltará a ser como dantes na terra de abrantes.

E assim caminha o Brasil da era da mediocridade lulopetista...

sexta-feira, novembro 25, 2011

A RATA QUE FINGE RUGIR

Um quadro hilariante do blog de humor Kibe Loco está fazendo sucesso na internet. Ele mostra um ator imitando Dilma Rousseff, distribuindo broncas a seus ministros (a julgar pela regularidade praticamente semanal de escândalos de corrupção no atual governo, os produtores do quadro não têm por que se queixar de falta de material). Berrando palavrões em um telefone do tempo da brilhantinha, com direito a um vestidinho vermelho e sotaque fake mineiro, a Dilma de araque sai despejando impropérios a seus subordinados, terminando sempre com um "beijo no coração, filhinho".

Achei o quadro muito bom, em primeiro lugar, pois a imitação é excelente, e vez ou outra ajuda a desvelar o imenso vazio mental que desde primeiro de janeiro último dá expediente no Palácio do Planalto. Em um dos episódios, por exemplo, Dilma aparece puxando a orelha do humorista Rafinha Bastos por causa da piada de mau gosto sobre a cantora Wanessa. "Isso é coisa que se diga, seu filho da puta? Você está pensando que pode falar isso como se fosse num programa de humor?", esbraveja a Dilma-mandona. "O quê? Ah, você disse isso num programa de humor? Eu não sabia...", emenda Dilma logo depois, ao ser informada que a piada foi dita no CQC da TV Bandeirantes...

Alguns jornalistas, porém, parecem ter visto algo diferente no quadro do Kibe Loco. Marcelo Coelho, por exemplo, escreveu uma coluna inteira na Folha de S. Paulo sobre a imitação de Dilma. Para ele, que deve estar ansioso para criar o humor a favor, a imitação é um elogio à presidenta-gerenta. No texto da Folha, Coelho dá vazão a suas fantasias sobre a gerentona: segundo ele, ao dar broncas em seus ministros corruptos, Dilma estaria externando um desejo inconsciente do povo brasileiro. Mais: ao berrar palavrões e impropérios ao telefone, a escolhida de Lula estaria fazendo o papel da oposição. (Nesse ponto ele não deixa de ter alguma razão: afinal, a oposição no Brasil, se existe, está escondida.)

O artigo elogioso de Marcelo Coelho à sua adorada Dilma, usando um quadro de humor como desculpa, reflete um aspecto curioso do mito criado em torno da criatura de Lula da Silva. Por alguma razão inexplicável, atribui-se a Dilma Vana Rousseff uma aura de competência administrativa, que se manifestaria num temperamento explosivo. Enfim, "everyone fears Dilma", como diz o nome do quadro.

Por experiência própria, tanto pessoal quanto profissional, aprendi a distinguir competência de neurose, cobrança eficiente de um simples chilique. A primeira coisa denota eficácia e profissionalismo; a segunda, mera arrogância e/ou descontrole emocional. Pelo visto, Dilma está na segunda categoria.

Ao ser escolhida sucessora de Lula, Dilma foi apresentada como uma técnica extremamente qualificada, uma supergerente com dotes administrativos superlativos etc. e tal. A farsa não durou muito, soterrada por revelações como a falsificação do curriculum vitae e assinaturas em documentos, como o programa de governo, que ela sequer leu. Não faz muito tempo, quando ainda era ministra, a supergerente ultraeficaz e técnica hiperqualificada sumiu durante dois dias para não ter de dar explicações sobre um apagão elétrico que deixou metade do país às escuras. Essa é Dilma.

No lugar do mito da gerentona ultracompetente e ultraqualificada, entrou outro, o da mãe autoritária que dá bronca nos "filhinhos" levados. Ainda estou para ver o dia em que essa brabeza toda se revele algo mais do que uma peça de marketing. Dilma, dizem, vez ou outra vira uma leoa, distribuindo esporros para os subordinados, que tremeriam de medo diante da Poderosa. Basta um pequeno exercício, porém, para que essa máscara de dureza caia por terra: diante de Lula, que a pariu, Dilma vira um doce de servilismo. "Nem sob tortura vocês vão me fazer discordar do presidente", chegou a dizer a falsa durona, durante a campanha eleitoral em 2010, quando instada por jornalistas a dizer o que pensava sobre as declarações inacreditáveis de Lula em Cuba, onde acabara de comparar presos políticos a bandidos do PCC. A mãezona super-rigorosa vira uma serva fiel diante do Apedeuta, a ponto de não ter o que dizer quando ele ofende a humanidade. Marcelo Coelho acha que o sucesso do quadro humorístico sobre Dilma prova que ela é popular porque, entre outras coisas, estaria fazendo as vezes de oposição. Oposição a quê? a quem? a ela mesma?

Para coroar essa pantomima, verdadeira operação "rata que ruge" (ou melhor: que finge rugir), há quem compare Dilma a Margaret Thatcher, a poderosa primeira-ministra britânica dos anos 80. Só pode ser brincadeira. Ao contrário da criação de Luiz Inácio, a Dama de Ferro não dispunha de nenhum padrinho influente, e teve que enfrentar a oposição ferrenha da imprensa e da quase totalidade do establishment cultural da Grã-Bretanha. Thatcher deveu seu apelido não a qualquer chilique (coisa, aliás, muito pouco compatível com a imagem de dureza que transmitia), mas à sua disposição ferrenha de peitar - e vencer - os poderosos sindicatos ingleses, que impediam reformas cruciais e entravavam havia décadas a economia do país. E Dilma, quando vai deixar de ser pautada pela imprensa e fazer a tal "faxina" (que ela já negou, aliás, que existe)?

No meio de mais essa patacoada, quem acertou em cheio foi Augusto Nunes, colunista da VEJA. Em artigo recente, ele escreveu o óbvio: assim como Lula tornou-se doutor honoris causa sem jamais ter lido um livro, Dilma virou a faxineira que adora conviver com o lixo. O mesmo pode ser dito da Dilma durona e cobradora de resultados: mais uma invenção da imprensa companheira, que já havia ajudado a inventar o Lula.

É compreensível que parte dos jornalistas brasileiros se encante com Dilma, a ponto de criar um mito comparável ao mito Lula. Afinal, este é tão desbragadamente farsesco e histriônico que qualquer coisa, comparada a ele, parece infinitamente superior.Depois de oito anos de palavrório e de fanfarronadas, a mudez de Dilma aparece como uma virtude (sua única virtude, aliás: quando fala, Dilma Rousseff faz Weslian Roriz parecer uma virtuose de lógica e o palhaço Tiririca, um modelo de correção gramatical...) Daí a mais uma mistificação é somente um passo, levando muitos a se esquecerem que a criatura é um reflexo direto do criador, e não seu oposto. Para comprovar que o antilulismo de muitos comentaristas é mesmo superficial, Arnaldo Jabor chegou a dizer que Dilma é "bonita e inteligente" (!).

Quem já viu Dilma falar sobre qualquer assunto já percebeu que ali não está uma técnica superqualificada, ou uma dama de ferro que não tolera corrupção (ou "malfeitos", como eufemisticamente - e mentirosamente - disse em seu discurso de posse), mas tão-somente uma figura apagada, uma tarefeira pinçada do meio da militância por falta de alternativa (as duas primeiras opções, Zé Dirceu e Antonio Palocci, enrolados em escândalos, foram descartados), totalmente subserviente ao chefe e incapaz de um pensamento próprio, ou de um raciocínio coerente, por mínimo que seja. Não uma dama de ferro, mas uma marionete com cabeça de palha. Alguém, enfim, que, como eu já disse aqui, não existe, a não ser no cérebro de alguns colunistas embasbacados da Folha de S. Paulo.

Enfim, uma verdadeira "Dilma Duchefe", como dizia o Casseta & Planeta.

HOMENAGEM A QUEM MERECE




Tenho verdadeiro horror a homenagens, honrarias, panegíricos, essa coisa meio Rolando Lero, tão ao gosto de nossa cultura bacharelesca, em que a rasgação de seda é uma espécie de esporte nacional. É uma característica do Brasil, infelizmente, o discurso elogioso, pomposo, reverente, servil mesmo, com que muitos intelequituais e subintelequituais de botequim tanto se empenham em cair nas graças e ganhar os favores dos poderosos de plantão, não raro perdendo o senso do ridículo no meio do caminho. Considero tudo isso uma palhaçada, um dos aspectos mais nefastos de nossa cultura (outro, igualmente pernicioso, é a ausência completa de qualquer firme convicção moral).

Um dos motivos que me levaram a criar este blog foi justamente a necessidade de me contrapor a essa discurseira vazia e obsequiosa, que revela em cada adjetivo pomposo o desejo irrefreável de bajular, a vocação para cortejar os donos do poder e o puxa-saquismo, que, na era lulopetista, atingiu níveis estratosféricos. Como demonstram os títulos de doutor honoris causa concedidos ao Apedeuta, esse tipo de homenagem quase nunca tem a ver com algum mérito do homenageado. Apesar disso – ou por causa exatamente disso, melhor dizendo – vou fazer, neste texto, algo que não é do meu costume. São dois elogios. Duas homenagens.

A primeira vai para um político. Um político? Isso mesmo. Nem todos, felizmente, estão no ramo apenas para se locupletar. Uns poucos, uma pequeníssima minoria, têm o que dizer. O senador Jarbas Vasconcelos faz parte dessa minoria. Embora filiado ao PMDB, ele é uma voz dissonante, um dissidente. Algum tempo atrás, em entrevista à VEJA, ele disse o que quase ninguém, muito menos um político, tem a coragem de dizer: afirmou claramente que o PMDB é um partido corrupto e teve a ousadia (e a falta de tato político) de dizer que o Bolsa-Família, a menina dos olhos do governo lulopetista, é o maior programa de compra de votos do mundo. Sua sinceridade custou-lhe caro. Nas últimas eleições, ele se candidatou ao governo de seu estado natal, Pernambuco. Adotou o mesmo discurso suicida, usando o horário político para criticar também a farsa nacional da companheira Dilma. Resultado: perdeu de lavada, no primeiro turno. Recebeu pouco mais de 585 mil votos, ou meros 14% do total, ficando muito atrás do governador Eduardo Campos e sua formidável máquina eleitoral. Indo contra a corrente, fez uma campanha de denúncia do assistencialismo e do fisiologismo que, com os petralhas, tomou conta de tudo e de todos. Por isso, por dizer o que pensa, e não o que mais lhe conviria eleitoralmente, ele virou um pária, um leproso da política. Por isso também, Jarbas Vasconcelos merece uma estátua em praça pública.

Minha segunda homenagem, póstuma, vai não para um político, mas para um artista (duas coisas que, no Brasil, costumam misturar-se). O músico Zé Rodrix, falecido em 2009, não foi uma superestrela. Não tinha cara, nem pinta, de pop star. É possível que as gerações mais novas jamais tenham ouvido falar dele. Compositor de outra época, ele não se notabilizou exatamente pelo marketing pessoal. Sua contribuição à música brasileira foi a invenção do "rock rural" nos anos 70, com canções como Casa no Campo, eternizada na voz de Elis Regina. Mas deixou, além de belas músicas, um legado que ninguém poderá apagar. Em toda sua vida artística, que durou décadas, Zé Rodrix jamais – nunca, jamais mesmo – aceitou qualquer forma de financiamento oficial. Todos os seus shows e projetos artísticos foram bancados do próprio bolso, ou com patrocínio particular. Uma frase sua que costumava repetir era de uma clareza cortante em sua simplicidade: "Não vejo motivo para gastar o dinheiro do contribuinte num projeto pessoal". Somente por isso já merece um monumento.

Tanto Jarbas Vasconcelos quanto Zé Rodrix são dois casos excepcionalíssimos no Brasil de hoje, avacalhado pela idéia de levar vantagem e pela falta de separação entre o público e o privado. Dois exemplos raros de coragem e de integridade, de compromisso com idéias e não com interesses, em meio a um oceano de cupidez e pusilanimidade. Um político que não se rebaixa à condição de áulico do poder, ainda mais do poder lulopetista, já é uma raridade. Um artista que não aceita receber dinheiro estatal é algo simplesmente assombroso; merece figurar em qualquer lista de fatos edificantes da História da Humanidade.

Sem dúvida, tanto o senador dissidente quanto o músico que não aceitava grana do governo têm e tinham defeitos. No caso de Jarbas Vasconcelos, o fato de pertencer a um partido coalhado de oportunistas e picaretas como o PMDB é mais do que um defeito: trata-se de uma contradição insanável. Mas de uma coisa ninguém pode duvidar: ambos são vozes destoantes na indigente vida política e cultural brasileira. Pelo simples fato de dizerem "não" quando todos dizem “sim”, de dizerem “êpa” quando todos repetem bovinamente “êba”, tornaram-se motivo de vergonha para seus pares. Com isso, mostraram que é possivel, sim, fazer política e arte com dignidade e vergonha na cara. E por isso merecem todo meu respeito.

quarta-feira, novembro 09, 2011

O MUNDO SE CURVA AO BRASIL

A foto acima mostra quão concorrida foi a entrevista coletiva de Dilma Vana Rousseff na Reunião de Cúpula do G-20, realizada semana passada em Cannes.

Notem a quantidade de gente que se espreme no auditório lotado de pessoas ansiosas para ouvirem o que tem a dizer a presidente da mais nova potência mundial.

O sucesso foi tão grande que a organização do evento teve até que organizar uma fila do lado de fora, com cambistas e vendedor de pipoca. Fez um show do U2 ou do Roberto Carlos parecer um comiciozinho de subúrbio.

Posso estar enganado, mas acho que o sujeito ali no canto esquerdo é o Obama, ouvindo atentamente as lições da supergerenta sobre governança global e o melhor caminho para alcançar a paz no Oriente Médio. Sarkozy e Angela Merkel estavam tomando notas sobre como acabar com a pobreza e resolver a crise do euro.

Infelizmente, o ângulo da foto não permite mostrar a expressão de enlevo nos rostos fascinados da platéia. Mas pode-se ter uma idéia de como ela ouviu tudo com o maior interesse, saboreando cada palavra da Guia e Mestra. Imaginem a ovação final.

E agora, o que vão dizer os "do contra", esses derrotistas e invejosos, diante desse momento de glória pátria, essa verdadeira apoteose da segunda líder mais importante do mundo desde a criação do Universo (o primeiro, claro, foi o Lula)?

É mais uma prova de que o Brasil realmente cresceu em influência e importância na era lulopetista. Como diria Marilena Chauí, a filósofa-musa do petismo, quando Dilma fala, o mundo se ilumina. Demorou, mas chegamos lá. O mundo finalmente se curva perante a terra de Cabral!

Vejam como o Brasil está bombando lá fora, gente!

Chupa, mundo! Brasil-sil-sil!!!

quinta-feira, outubro 27, 2011

E LA NAVE VA...



Mais um ministro do governo Lula-Dilma foi pro saco. O camarada Orlando Silva não resistiu à maré de ladroagem dentro da pasta dos esportes, que transformou num comitê do PCdoB. E foi substituído... por um camarada do PCdoB!

Foi o 1.239o ministro a ser defenestrado em menos de um ano. E podemos ter algumas certezas:

- Nao será o ultimo;

- A imprensa domesticada continuará dizendo que Dima-Lula não tem nada a ver com nada: inventará até que está havendo uma "faxina"...;

- A massa ignara engolirá mais essa;

- No final, tudo voltará a ser como dantes na terra de abrantes.

E assim caminha o Brasil da era da mediocridade lulopetista...

quarta-feira, setembro 28, 2011

O PONTO ONDE ESTAMOS



Uma imagem que vale mais do que mil palavras.

Sem mais, meritíssimo.

terça-feira, setembro 20, 2011

É PRECISO DAR NOMES AOS BOIS. E O NOME DA CORRUPÇÃO É DILMA ROUSSEFF!

Desde o último dia 7 de setembro, protestos contra a corrupção mais ou menos espontâneos têm ocorrido em todo o país. Em diversos lugares, cidadãos cansados de serem feitos de idiotas pelas "otoridades" resolveram sair às ruas e protestar, sem bandeiras partidárias, contra a ladroagem que impera no Planalto. Já está sendo organizado um protesto nacional em várias cidades para o próximo dia 12 de outubro.

A notícia em si é animadora, e parece demonstrar que parte da população brasileira, diante do silêncio cúmplice e covarde da oposição (?), decidiu responder a pergunta do correspondente do jornal espanhol El Pais, Juan Arias ("Por que não reagem?"), e finalmente despertou de anos de letargia. Já estava mais do que na hora de sacudir o marasmo e o conformismo e dizer um basta à roubalheira, à lambança e à cafajestagem, que nos últimos anos atingiram níveis de descaramento sem precedentes. É algo importante, também, por romper o monopólio das ruas pela esquerda, que dura, no Brasil, uns quarenta anos, no mínimo (pela primeira vez, não vejo bandeiras vermelhas numa manifestação política). Talvez por isso, alguns veículos de imprensa, principalmente do PIG (Partido da Imprensa Governista) não gostaram da novidade. Quem sabe se os manifestantes quebrassem algumas vitrines de lojas e ateassem fogo à bandeira dos EUA, eles vissem a coisa com outros olhos... Enfim, trata-se de algo, certamente, bem-vindo. Mas há uma pegadinha aí.

A pegadinha consiste no fato de que, até agora, não se deu nome aos bois. Fala-se em corrupção em termos genéricos e abstratos, de forma vaga, não se ligando a coisa a partidos ou a pessoas. Tirando algumas vagas e tímidas citações a Lula e a Zé Dirceu, não vi nenhum manifestante defender claramente a punição de fulano ou beltrano. Não vi ninguém, por exemplo, denunciar a farsa que é o PAC, ou o escoadouro de dinheiro público que serão as obras para a Copa do Mundo, ou o festival de absurdos que virou o MEC sob o inacreditável Fernando Haddad (que até "kit-gay" já quis enfiar goela abaixo de criancinhas nas escolas). Nessas condições, as marchas contra a corrupção correm o risco de virar algo parecido com uma "marcha contra a violência" ou uma "marcha pela paz" - ou seja: algo até bem-intencionado, mas absolutamente inútil. Ou, então, de cair na generalização resignada de que "é assim mesmo", "somos todos corruptos", "não tem jeito" etc.

É preciso deixar bem claro: a corrupção, no Brasil, tem cara, nome e sobrenome. E a corrupção na atualidade se chama Dilma Vana Rousseff. Assim como, até ontem, atendia pelo nome de Luiz Inácio Lula da Silva, o Apedeuta.

Que fique claro que o governo Dilma Rousseff não passa de uma continuação do mandarinato lulo-petista, que a "presidenta" durona e competente é apenas um mito criado pelos mesmos que criaram o mito Lula. Nada mais cínico, nesse sentido, do que a idéia da "faxina" nos ministérios que estaria sendo feita por Dilma, o que não passa de mais uma invenção da imprensa companheira (invenção, aliás, negada pela própria Dilma). Vários ministros já caíram e outros, provavelmente cairão, mas é como se Dilma, que os nomeou, não tivesse nada a ver com o esquema.

Já vi esse filme. Assistimos, durante oito anos, à comédia do presidente que, diante dos descalabros planejados na sala ao lado, não sabia de nada, não via nada (isso foi antes de se dizer “traído” e de descobrir que “todos fazem igual”). Agora temos a presidente-faxineira (a gerente ultra-competente, pelo visto, não cola mais, assim como a lenda da presidente "intelectual" que falsificou o próprio currículo e é incapaz de lembrar o título e o autor do último livro que leu). Blindada, com certeza. Ninguém se dá conta de que a corrupção é a própria alma do governo Dilma, e que qualquer um que for indicado para participar desse governo deve ser colocado de antemão sob suspeita.

Pior: há o risco de a causa ser sequestrada pelos mesmos que deveriam estar na berlinda. Vamos lembrar. A "luta contra a corrupção" ou pela "ética na política" sempre foi uma bandeira da esquerda no Brasil. Foi no impeachment de Collor, em 92, que o PT se fortaleceu e surgiu, de fato, para a política nacional (antes, era o partido dos sindicalistas barbudos e socialistas, para quem combater a corrupção era coisa da pequena burguesia moralista). Depois, na CPI dos anões e em todas as outras que se seguiram, os petistas e seus clones esquerdistas emergiram como os vigilantes da moral e dos bons costumes, os únicos bons e puros em meio a um mar de ladrões.

No decorrer dos anos, o partido da estrela vermelha se especializou em destruir reputações alheias enquanto erguia seu próprio mito, e tratava de preparar o caminho para o assalto (literal e figurado) ao Estado. Tudo isso apenas como um instrumento para chegar ao poder: uma vez alcançado o objetivo, os companheiros trataram logo de jogar a bandeira da ética na lata do lixo, pois não mais lhes servia. Hoje, a UNE, que esteve à frente dos protestos vinte anos atrás, virou uma repartição chapa-branca, e dedica-se a fazer "protestos a favor" (não me surpreenderia, aliás, se organizasse um ato "contra a corrupção"...). O líder dos estudantes “carapintadas” que saíram às ruas pedindo o impeachment de Collor, o ex-prefeito de Nova Iguaçu Lindbergh Farias, é um dos frequentadores do cafofo de Zé Dirceu em Brasília, e o partido das vestais está de braços dados com Maluf, Sarney e Collor. (E não venham me dizer que a Rainha Muda é "prisioneira" da base alugada ou coisa parecida: ninguém é prisioneiro porque quer.)

Collor só caiu porque os brasileiros foram às ruas contra ele, Collor, e não contra a "corrupção" (nas passeatas, o grito era "Fora Collor", não "Fora Corrupção"). Enquanto os que marcham não se derem conta que Dilma Rousseff é apenas a gerente da roubalheira, insistindo em não ligar o criador à criatura (e há mesmo, nos protestos, quem acredite piamente que ela vai fazer a tal "faxina"), nada vai acontecer. Até que tomem consciência de que é preciso dar nomes aos bois e às vacas, vão ficar enxugando gelo e correndo atrás do próprio rabo, pedindo para serem enganados de novo.

Fora Dilma! Fora PT!

segunda-feira, agosto 15, 2011

A "FAXINA" DE MENTIRINHA DE DONA DILMA

Falando sério: alguém realmente acredita nessa bobagem de que Dilma Rousseff está fazendo uma "faxina" contra a corrupção em seu governo? Alguém crê sinceramente nessa conversa mole?

Um grupo de senadores, entre os quais o peemedebista Pedro Simon e o pedetista (e ex-petista) Cristóvam Buarque, acredita – ou finge acreditar. Suas excelências resolveram lançar um movimento parlamentar contra a corrupção no atual governo, a qual, mesmo para os padrões lulopetistas, já passou dos limites do tolerável. Até aí, tudo bem, diria o leitor. Só que, ao mesmo tempo em que pedem punição severa aos ladrões do dinheiro público encastoados no poder em Brasília, manifestam seu apoio à... Dilma!

Suas excelências são idiotas? Ou são caras de pau? Ou estão apenas tirando um sarro com a cara de todos? Ou será que é tudo isso ao mesmo tempo?

Desde que, em 2005, eu vi, da janela de minha sala, uma passeata da UNE contra o mensalão e a favor de Lula (!!!???), eu não via tanta esquizofrenia. Não dá para separar a corrupção do governo Dilma, do mesmo modo que não dá para separar Dilma de Lula, de quem é somente a cria. O lulopetismo se nutre da roubalheira, e vice-versa. Lula é o pai dos corruptos, o maior bandido e maior vigarista que já ocupou a Presidência da República na História do Brasil. Dilma é cria de Lula. Entenderam ou preciso desenhar?

Os senadores acreditam que Dilma não tem nada a ver com as estripulias de Palocci, Alfredo Nascimento, Pedro Novais e Wagner Rossi e com a barafunda que viraram os ministérios dos Transportes, do Turismo e da Agricultura (para citar apenas alguns). Crêem, ou fingem que crêem, que a Muda Decorosa está realmente empenhada num esforço moralizador, na “limpeza” do governo. Como se a corrupção no governo luliopetista fosse uma simples camada de poeira que pudesse ser espanada.

Não, senhores, não é! A corrupção, para os lulopetistas, não é algo superficial, que possa ser varrido com um simples espanar: é um método! Mais que isso: é a sua propria essência, está profundamente arraigada em seu organismo. A ocupação e aparelhamento da máquina governamental para servir aos companheiros, a substituição de critérios técnicos e profissionais pela militância, a transformação do Estado em comitê sindical e em distribuidor de benesses para os apaniguados, a compra de consciências mediante verbas e bolsas-cabresto – tudo isso não constitui exceções, mas o fundamento mesmo do "modo petista de governar". Daí para a roubalheira pura e simples, para o saque dos cofres públicos, é um pulinho.

O lulopetismo, meus amigos, é a maior máquina de cooptação política da História do Brasil. A relação promíscua entre interesses partidários e empresariais, a ausência de separação entre o público e o privado, são suas características inseparáveis. Se duvidam, vejam a trajetória empresarial de Lulinha e, agora, o futuro brilhante da neta do Apedeuta, cuja incipiente carreira nos palcos será patrocinada com uma dinheirama da Oi (que está retribuindo favores feitos pelo avô). A gangue incrustada no Ministério do Turismo desviava dinheiro do Erário para ONGs inexistentes no Amapá. Digam-me: não é exatamente isso que os companheiros no poder fazem há mais de oito anos, em escala muito maior?

E não venham me dizer que o PT se corrompeu devido ao contato com partidos como o PR e o PMDB! Isso não passa de um jeito confortável de enganar a si mesmo, como se os petistas fossem um bando de virgens vestais e como se a ladroeira fosse algo externo ao partido. Pelo contrário, trata-se de algo que vem desde sua criação, em 1980, e mesmo antes. Tem a ver com uma forma de fazer política baseada na idéia de inimputabilidade, baseada, por sua vez, num conceito auto-atribuído de “missão histórica”. O PT passou, em poucos anos, de partido que não se aliava a ninguém a partido que se alia a todos e que, em nome do "pudê", topa qualquer parada. Com isso, segue uma linha natural dos partidos de esquerda, a começar pelos partidos comunistas, que passavam rapidamente do sectarismo ao pragmatismo de acordo com as circunstâncias. O que Lula e o PT fizeram foi levar isso ao paroxismo e ao deboche, superando qualquer coisa que tenha vindo antes nesse quesito. Entre as greves do ABC paulista no final dos anos 70 e o mensalão há uma linha quase reta. Aliás, ainda há quem, do lado do PT, negue que a coisa existiu – o que prova, mais uma vez, que ninguém os supera em deniability. (O mensalão, aliás, deve ser o único caso de crime sem mandante e sem beneficiário na História da humanidade, pois o chefe até hoje alega que não sabia de nada – ou que foi traído, ou que todo mundo faz igual etc.)

É preciso ser muito tolo ou muito cínico para não perceber que o governo Dilma Rousseff – na verdade, o governo Lula, parte III – está podre de alto a baixo, já nasceu carcomido, e que a tal “faxina” prometida não passa de jogada para a platéia. Assim como é impossível dissociar o mensalão e todos os demais incontáveis escândalos de corrupção dos últimos nove anos da trajetória do PT e do "pensamento" lulopetista, é impossivel dissociar a criatura de Lula da lambança em seu governo. Esperar uma "faxina moral" por parte de Dona Dilma é como esperar que Lula recite Shakespeare ou Goethe na Academia Brasileira de Letras.

Há limite para tudo. Menos para o caradurismo dos petralhas. E para a disposição de algumas pessoas de se deixarem cair em mais um conto-do-vigário por eles protagonizado. Enquanto gente como Pedro Simon e Cristóvam Buarque não acordar para a realidade, haverá quem continue a chamar de faxina o ato de jogar o lixo para debaixo do tapete.

sexta-feira, agosto 05, 2011

MAIS DO MESMO

Quando Dilma Vana Rousseff subiu a rampa do Palácio do Planalto, muita gente passou a repetir para si mesmo que, pelo menos no estilo e em política externa, haveria alguma mudança. Não mais batatadas diárias sobre tudo, arroubos de boçalidade e de megalomania retórica, mas recato e compostura. Do mesmo modo, não mais cumplicidade com ditaduras e com regimes violadores dos direitos humanos, acreditaram os que pensaram que uma ex-terrorista e ex-presa politica no poder faria diferença nesse quesito. Agora sim, com uma mulher na Presidência da República, o Brasil deixará de fazer sala para titulares de regimes que apedrejam mulheres, pensaram os iludidos vocacionais de plantão, para quem a atual inquilina do Alvorada é em algo diferente do criador.

Durou pouco a fantasia. A essa altura, está claro para quem pensa que o que antes passava por discrição era apenas despreparo, e o que era visto como silêncio decoroso não era mais do que falta do que falar (e incapacidade de formular um raciocínio lógico). Alguns meses depois da apoteose em Brasília, dois ministros já caíram, um deles pela segunda vez, enredados na mesma trama de ladroeira que já virou o prato do dia há nove anos. O terceiro, talvez presssentindo o naufrágio iminente, acabou de pedir para sair.

Em lugar do boquirroto e domador de sucuris de quartel Nelson Jobim para o cargo de ministro da Defesa, entra Celso Amorim, até o ano passado o ministro das relações exteriores de Lula da Silva. Nessa qualidade, protagonizou vexames históricos como o acordo fajuto com o Irã de Mahmoud Ahmadinejad e a chanchada da tentativa de emplacar um golpista bolivariano em Honduras, entre afagos indecentes de seu patrão em ditadores como Hugo Chávez e os irmãos Castro. Cai por terra, portanto, o mito recém-criado da presidenta-amiga-dos-direitos-humanos e retorna à ribalta o defensor de um kissingerianismo terceiro-mundista, amigo de tiranos e dos narcoterroristas das FARC, expoente máximo do megalonaniquismo nacional. Com um detalhe: agora ele vem armado.

Bastaram pouco mais de seis meses para que o mito da gerentona ultra-competente e intransigente defensora da moralidade administrativa desse lugar à muda abobada incapaz de desencalhar as obras do PAC e refém das velhas prostitutas do PMDB. Agora revelou-se que, de novo, o governo Dilma Rousseff não tem sequer os nomes que o compõem. Se o Apedeuta tivesse conseguido emplacar um terceiro mandato, como tentou fazer, não ficaria mais óbvia a continuidade da Era da Mediocridade.

quarta-feira, julho 13, 2011

POR QUE OS BRASILEIROS NÃO REAGEM?



Juan Arias *

O fato de que em apenas seis meses de governo a presidente Dilma Rousseff tenha tido que afastar dois ministros importantes, herdados do gabinete de seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva (o da Casa Civil da Presidência, Antonio Palocci – uma espécie de primeiro-ministro – e o dos Transportes, Alfredo Nascimento), ambos caídos sob os escombros da corrupção política, tem feito sociólogos se perguntarem por que neste país, onde a impunidade dos políticos corruptos chegou a criar uma verdadeira cultura de que “todos são ladrões” e que “ninguém vai para a prisão”, não existe o fenômeno, hoje em moda no mundo, do movimento dos indignados.

Será que os brasileiros não sabem reagir à hipocrisia e à falta de ética de muitos dos que os governam? Não lhes importa que tantos políticos que os representam no governo, no Congresso, nos estados ou nos municípios sejam descarados salteadores do erário público? É o que se perguntam não poucos analistas e blogueiros políticos.

Nem sequer os jovens, trabalhadores ou estudantes, manifestaram até agora a mínima reação ante a corrupção daqueles que os governam.

Curiosamente, a mais irritada diante do saque às arcas do Estado parece ser a presidente Rousseff, que tem mostrado publicamente seu desgosto pelo “descontrole” atual em áreas do seu governo e tirou literalmente – diz-se que a purga ainda não acabou – dois ministros-chave, com o agravante de que eram herdados do seu antecessor, o popular ex-presidente Lula, que teria pedido que os mantivesse no seu governo.

A imprensa brasileira sugere que Rousseff começou – e o preço que terá que pagar será elevado – a se desfazer de uma certa “herança maldita” de hábitos de corrupção que vêm do passado. E as pessoas das ruas, por que não fazem eco ressuscitando também aqui o movimento dos indignados? Por que não se mobilizam as redes sociais?

O Brasil, que, motivado pela chamada marcha das Diretas Já (uma campanha política levada a cabo durante os anos 1984 e 1985, na qual se reivindicava o direito de eleger o presidente do país pelo voto direto), se lançou nas ruas contra a ditadura militar para pedir eleições, símbolo da democracia, e também o fez para obrigar o ex-presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992) a deixar a Presidência da República, por causa das acusações de corrupção que pesavam sobre ele, hoje está mudo ante a corrupção.

As únicas causas capazes de levar às ruas até dois milhões de pessoas são a dos homossexuais, a dos seguidores das igrejas evangélicas na celebração a Jesus e a dos que pedem a liberalização da maconha.

Será que os jovens, especialmente, não têm motivos para exigir um Brasil não só mais rico a cada dia ou, pelo menos, menos pobre, mais desenvolvido, com maior força internacional, mas também um Brasil menos corrupto em suas esferas políticas, mais justo, menos desigual, onde um vereador não ganhe até dez vezes mais que um professor e um deputado cem vezes mais, ou onde um cidadão comum depois de 30 anos de trabalho se aposente com 650 reais (300 euros) e um funcionário público com até 30 mil reais (13 mil euros).

O Brasil será em breve a sexta potência econômica do mundo, mas segue atrás na desigualdade social, na defesa dos direitos humanos, onde a mulher ainda não tem o direito de abortar, o desemprego das pessoas de cor é de até 20%, frente a 6% dos brancos, e a polícia é uma das que mais matam no mundo.

Há quem atribua a apatia dos jovens em ser protagonistas de uma renovação ética no país ao fato de que uma propaganda bem articulada os teria convencido de que o Brasil é hoje invejado por meio mundo, e o é em outros aspectos. E que a retirada da pobreza de 30 milhões de cidadãos lhes teria feito acreditar que tudo vai bem, sem entender que um cidadão de classe média europeia equivale ainda hoje a um brasileiro rico.

Outros atribuem o fato à tese de que os brasileiros são gente pacífica, pouco dada aos protestos, que gostam de viver felizes com o muito ou o pouco que têm e que trabalham para viver em vez de viver para trabalhar.

Tudo isso também é certo, mas não explica que num mundo globalizado – onde hoje se conhece instantaneamente tudo o que ocorre no planeta, começando pelos movimentos de protesto de milhões de jovens que pedem democracia ou a acusam de estar degenerada – os brasileiros não lutem para que o país, além de enriquecer, seja também mais justo, menos corrupto, mais igualitário e menos violento em todos os níveis.

Este Brasil, com o qual os honestos sonham deixar como herança a seus filhos e que – também é certo – é ainda um país onde sua gente não perdeu o gosto de desfrutar o que possui, seria um lugar ainda melhor se surgisse um movimento de indignados capaz de limpá-lo das escórias de corrupção que abraçam hoje todas as esferas do poder.

* Juan Arias é correspondente do do jornal espanhol EL PAÍS no Brasil

quinta-feira, julho 07, 2011

CARTA ABERTA AOS LÍDERES DA "OPOSIÇÃO"

Caros senhores deputados e senadores dos partidos da assim chamada "oposição" no Brasil (escrevo "oposição" entre aspas; nos próximos parágrafos, explico por quê):

Mais um ministro do governo Dilma Rousseff caiu devido a denúncias de corrupção na pasta que dirigia. É o segundo em um mês. Certamente, não será o último.

De tão repetido, o roteiro é de todos conhecido. Já se perdeu a conta de quantos membros do governo "rodaram" desde o início do mandarinato lulopetista, em 2003. Por alguns dias, sairão reportagens e artigos detalhando o esquema fraudulento. Como boa discípula do mestre, o poste de saias e botox dirá que não sabia de nada (ou que foi traída, ou que foi tudo uma conspiração das elites e da mídia, ou outra desculpa esfarrapada qualquer). Em alguns dias, tudo estará esquecido, inclusive o nome do dito-cujo. Até que outro escândalo estoure. Então tudo se repetirá. E assim outra vez, num ciclo sem fim.

Como ocorrido nas outras vezes, o ministro corrupto ficará impune, acobertado pela máquina mafiosa no poder em Brasília. E, como também ocorreu nas outras vezes, ele caiu por causa de uma reportagem de revista, e não porque a "oposição" fizesse alguma coisa.

Aliás, esse é o motivo pelo qual escrevo esta carta. Vossas excelências não fazem nada, absolutamente nada, para se contrapor de verdade ao governo dos petralhas. Já se conformaram a um jogo de cena, a um papel realmente patético de marido corneado, deixando de fazer aquilo que se espera da oposição: opor-se ao governo.

Tivemos oito anos de deboche, durante os quais o ocupante da cadeira presidencial se deleitou saqueando o Estado e zombando da lei e das instituições. E nunca antes uma oposição foi tão irrelevante. Digo mais: tão cúmplice da própria desgraça. Agora, com a Muda Pudorosa, o escárnio continua, apenas sem efeitos especiais e sem fogos de artifício.

Em 2005, quando foi revelado - graças a um membro do esquema, vindo das estranhas do poder - o maior escândalo de corrupção da História do Brasil, vossas excelências tiveram a chance de emparedar o chefe da quadrilha e despachá-lo para o lugar a que ele pertence, a lata de lixo da História. Em vez disso, porém, preferiram pensar como políticos provincianos, e não como estadistas, esperando vencer as próximas eleições. Escolheram um candidato sem qualquer expressão, incapaz de defender as conquistas de governos anteriores, como as privatizações. Um candidato sem quaisquer condições de encabeçar a tarefa histórica de livrar o Brasil da chaga do lulopetismo. O resultado foi que o chefe do mensalão não só se reelegeu, como intensificou o escárnio e a roubalheira, graças à pusilanimidade e à bundamolice de tucanos e democratas.

Quatro anos depois, a mesma coisa. Impedido legalmente de concorrer a um terceiro mandato, o chefe da quadrilha que se encastelou no poder escolheu no meio da militância uma completa desconhecida, de passado e idéias obscuras (para não falar do raciocínio tortuoso). Alguém cuja biografia política não revelava nada que a qualificasse para o cargo de presidente da República, a não ser o fato de que era afilhada do chefão. Para piorar, alguém que não assumia as próprias idéias (em questões como o aborto, por exemplo). Novamente, em vez de explorar essas fraquezas da adversária e fazer Política com P maiúsculo, ficaram no rame-rame cotidiano, deixando o candidato a vice denunciando praticamente sozinho fatos gravíssimos como a notória ligação do PT com as FARC via Foro de São Paulo (que ainda tem gente que acha que não existe, meu deus do céu...).

Entre uma eleição e outra, tirando um muxoxo aqui e ali, nenhuma ação mais enérgica, nenhum movimento coordenado contra a bandalheira e a avacalhação. Nada. Com raríssimas exceções, como o senador Jarbas Vasconcelos (aliás, do PMDB, um partido da base alugada do governo), nada mais do que timidez e capitulação, típicas de quem não honra as calças que veste.

O que falta para vocês reconhecerem que o Estado no Brasil foi tomado por uma gangue cujo único objetivo é locupletar-se no poder, loteando e aparelhando a máquina estatal com militantes e apaniguados interessados em lucrar e em perpetuar-se nessa posição? E que, diante de tal situação, o silêncio é um crime?

Vossas excelências deveriam assumir de vez que não são oposição coisa nenhuma. Deveriam deixar de fingimento e admitir o que até as pedras da Praça dos Três Poderes já sabem: que, contra os lulopetistas, vossas senhorias são uns fracos, uns incompetentes, uns incapazes, uns palermas.

Nesse sentido, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, foi mais honesto: escancarou de vez sua vocação para o puxa-saquismo, e até fundou um partido para bajular a presidenta-gerenta. Ele está fazendo aquilo que vocês apenas pensam em fazer, mas não têm coragem. Como não têm coragem de cumprir a função para a qual foram eleitos, que é opor-se e fiscalizar o governo. Não deveriam, portanto, ficar surpreendidos com a derrota nas últimas eleições e com o encolhimento de suas fileiras. Ninguém quer ficar do lado perdedor, sobretudo quando este não quer lutar.

Em qualquer país sério, oposição e governo, direita e esquerda, disputam em condições de igualdade o poder político. Dêem uma olhada. É assim nos EUA, na França, na Alemanha, no Japão ou na Groenlândia. Nesses lugares, temas como aborto e liberação das drogas são discutidos abertamente, e ambos os lados apresentam seus argumentos, tentando influenciar a opinião pública. Nenhum assunto é tabu.

No Brasil, ao contrário, ouve-se apenas um discurso. O país assiste a um processo sem precedentes de abastardamento do Estado e de avanço das patrulhas ideológicas, num movimento que a cada dia coloca mais em perigo as liberdades democráticas, como a liberdade de expressão. Minorias organizadas e regadas com o maná do dinheiro público intimidam e acossam a maioria silenciosa e impotente, buscando impor suas agendas políticas antidemocráticas. E não vejo um único parlamentar oposicionista, um simples vereador de cidade do interior, levantar-se contra essa impostura. É triste.

Um país sem oposição está a meio caminho para a ditadura.

Há alguns dias, morreu o ex-presidente Itamar Franco. Embora controverso, foi louvado unanimemente como um político honesto (o que, dadas as condições da política atual, não é pouca coisa). Nos últimos tempos, Itamar era uma das poucas vozes a fazer oposição ao governo. Isso mostra bem a pobreza política em que o Brasil se encontra.

Outro exemplo: recentemente, o STF, cedendo ao lobby gayzista - uma das frentes de atuação do esquerdismo lulopetista -, rasgou a Constituição, usurpando a função do Legislativo ao decidir pela legalização da "união homoafetiva" no Brasil. Com isso, jogou no lixo o Artigo 226 da Carta Magna, que só poderia ser modificado por Emenda Constitucional, a ser votada e aprovada no Parlamento. Alguém viu algum parlamentar oposicionista protestando contra esse golpe constitucional?

Mais recentemente, os mesmos ministros do STF, atacados pela febre politicamente correta, decidiram pela liberalização da "marcha da maconha", sob a alegação de defesa da "liberdade de expressão". Ao fazerem isso, passaram uma borracha no Código Penal, que considera crime a apologia às drogas, abrindo caminho para outros delitos do tipo, como a exibição de imagens de santos católicos em poses homoeróticas (um crime, segundo o Artigo 208 do Código Penal). Novamente, algum político da "oposição" se mexeu para cobrar providências legais nesses casos?

Mesmo nos momentos mais negros da ditadura militar, havia oposição - legal e ilegal - ao regime. Esse, aliás, foi um dos fatores a diferenciar o regime dos generais de regimes políticos idolatrados pelos que estão hoje no poder no Brasil, como o de Cuba. Não são poucos os que estão no atual governo que adorariam ver esse tipo de regime transplantado para cá. Sem uma oposição que valha o nome, têm o caminho aberto para isso.

O partido que está no poder recusou-se a votar em Tancredo Neves para acabar com o regime militar, negou-se a assinar a Constituição de 1988 e se opôs demagogicamente à estabilização da economia com o Plano Real. Ficou contra todas as conquistas importantes ocorridas no Brasil nas últimas três décadas, apenas para surfar na onda alheia e usurpar essas conquistas, vendendo-as como próprias. Além disso, seus membros mantêm relações escancaradas com ditadores e narcoterroristas. O que falta para desmascará-lo como um bando criminoso de farsantes e vigaristas?

Desculpem, mas não consigo levar a sério uma "oposição" acabrunhada e acovardada que, diante de tamanho descalabro, mantém-se calada ou condescendente, e que se mostra incapaz de qualquer ação firme contra isso que está aí.

Não posso levar a sério uma "oposição" que se deixa guiar por pesquisas de popularidade e pelo marketing político.

Não posso levar a sério uma "oposição" que se recusa a denunciar a farra dos lulopetistas no poder para não perder votos e para não ser comparada aos lulopetistas quando estavam na oposição e gritavam "Fora FHC" todos os dias.

Não posso levar a sério uma "oposição" que silencia diante das misérias de um governo alinhado com o que de pior existe na humanidade porque, afinal, este não mexeu na economia.

Não posso levar a sério uma "oposição" que deixa para jornalistas e blogueiros a missão de denunciar a óbvia desonestidade dos lulopetistas, que passaram anos vociferando contra as mesmas políticas econômicas e as mesmas práticas clientelistas e assistencialistas que antes diziam condenar, inclusive aliando-se a gente como Sarney e Collor.

Não posso levar a sério uma "oposição" que tem, como seus maiores representantes, José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves - políticos mais interessados em agradar os esquerdistas e em posar de bons-moços do que em serem oposição de verdade.

Enfim, não dá para levar a sério uma "oposição" que come mosca o tempo todo e que se recusa a defender abertamente políticas e valores LIBERAIS e CONSERVADORES - valores que são, aliás, da MAIORIA da população brasileira - para não passar por "de direita" (como se isso fosse algum xingamento), cedendo, assim, à patrulha esquerdista.

Sinto muito, mas não posso levá-los a sério. Vocês são parte da farsa.

Só me resta sugerir que façam aquilo que, certamente, muitos nos partidos da "oposição" desejam fazer, e só não o fazem por motivos legais ou de disciplina partidária: dissolvam o DEM e o PSDB. Ou, se preferirem, podem fundi-los ao PT ou ao PMDB. Tirem a máscara que vocês usam para enganar a si mesmos, e vistam de vez a camisa com a estrela vermelha. Ninguém iria notar qualquer diferença.

Fica a dica. É claro que nenhum deputado ou senador do DEM ou do PSDB vai seguir esse meu conselho. Afinal, também para assumir a própria covardia, é preciso alguma coragem. E esse, definitivamente, é um artigo em falta no Brasil da era da mediocridade.

quinta-feira, junho 30, 2011

O balanço do semestre perdido comprova que o governo Dilma é o governo Lula sem serviço de som e sem efeitos especiais



por Augusto Nunes


Depois de resolver que a obra mais importante de um presidente da República é eleger o sucessor, Lula dispensou-se de questões administrativas, abandonou o local de trabalho e passou seis meses fazendo um comício por dia. Ou dois. De 1° de julho a 31 de dezembro de 2010, o palanqueiro ambulante acampou nas cercanias de quadras esportivas já em funcionamento, creches inacabadas e buracos de pedras fundamentais, para induzir a plateia a acreditar que contemplava mais uma etapa da construção do Brasil Maravilha. Muito barulho por nada, avisa o balanço dos últimos seis meses do governo Lula. Além da eleição de Dilma Rousseff, não foi concluída nenhuma obra efetivamente importante. Administrativamente, foi um semestre perdido.

Tão perdido quanto o primeiro semestre do governo Dilma. Mãe do PAC e Madrinha do Pré-Sal, a candidata apresentou-se durante a campanha eleitoral como parteira do país mais que perfeito que Lula concebeu. Tinha tanta intimidade com a máquina administrativa que os retoques finais no Brasil Maravilha começariam já no dia da posse. Pura tapeação. Passados seis meses, continuam nos palanques de 2010 as 500 Unidades de Pronto Atendimento, as 8 mil Unidades Básicas de Saúde, as 800 Praças do PAC, os 2.800 postos de polícia comunitária e as escolas de educação infantil, fora o resto.

A transposição das águas do São Francisco não tem prazo para ficar pronta. O leilão do trem-bala será adiado pela terceira vez. Os canteiros de obras da Copa e da Olimpíada estão despovoados. Há seis anos no Palácio do Planalto, a superexecutiva acaba de descobrir que só a privatização livrará os aeroportos do completo colapso. A compra dos caças reivindicados pela Aeronáutica ficará para quando Deus quiser. As fronteiras seguem desprotegidas. Das 6 mil creches prometidas na campanha, apenas 54 foram entregues. Menos de 500 casas populares ficaram prontas. E os flagelados da Região Serrana do Rio não deixarão tão cedo os abrigos onde sobrevivem desde as tempestades de janeiro.

A diferença entre o primeiro semestre da afilhada e o último do padrinho é que o ilusionista teve de deixar o palco em que esgotou o estoque inteiro de truques. Livres da discurseira atordoante, os brasileiros puderam contemplar a paisagem mais atentamente. O que estão vendo não rima com o que ouviram durante oito anos. Milhões já sabem que o paraíso só existe no cartório. Descobriram que o governo Dilma é a continuação do governo Lula, mas sem som e sem efeitos especiais. Disso resulta a sensação de que a coisa conseguiu ficar pior. Mesmo que sejam ambos bisonhos, a versão falada parecerá sempre melhor que o filme mudo.

sexta-feira, abril 15, 2011

DILMA, A HUMANISTA



Petralha não brinca mesmo em serviço. Mal terminaram de protagonizar a maior farsa da História do Brasil, que durou oito anos, e uma nova comédia já está sendo encenada.

Faz pouco mais de cem dias que uma tecnocrata desconhecida assumiu a Presidência da República em Banânia e já foi criado um novo mito político, capaz de rivalizar com o de seu antecessor e criador em cinismo e empulhação.

Dilma Rousseff está sendo vendida por seus apoiadores, antigos e recentes, como a anti-Lula. Não importa que ela só exista por causa do Apedeuta, que a retirou da obscuridade e a escolheu para sucedê-lo (ou melhor dizendo: para gerenciar o governo em seu lugar): o "estilo Dilma", dizem, é diferente. Cansados da fanfarronice e da discurseira infindável do descobridor do Universo, muita gente, compreensivelmente, viu no silêncio enigmático de Dilma um alívio. Não perceberam que isso também é uma manobra política. Sai de cena o animador de auditório e entra a Muda Decorosa. Logo, concluem os "analistas", o governo Dilma é diferente do governo Lula. É outro governo, enfim.

O que leva gente aparentemente inteligente e em pleno domínio de suas faculdades mentais a essa fantástica conclusão? Além da diferença, digamos, de estilo pessoal - falastrão e megalomaníaco, no caso de Lula, e mais reservado e contido, no de Dilma -, apenas duas coisas.

Primeiro: a economia. Dilma anunciou privatizações em setores como aeroportos e - o horror, o horror! - bateu-se pela aprovação, no Congresso, do salário mínimo de 545 reais. É o governo da austeridade!, apressaram-se em anunciar os que vêem nisso uma ruptura com a irresponsabilidade orçamentária e o populismo desbragado da Era Lula.

Segundo: a política externa. Mais precisamente, os direitos humanos. Aqui, a Soberana teria tratado logo de demarcar sua posição em relação à atitude de Lula e de Celso Amorim, ao denunciar o apedrejamento de mulheres no Irã do companheiro Mahmoud Ahmadinejad. É o fim da política externa delinquente de apoio a ditaduras!, alardearam, em júbilo, muitos dos críticos do governo lulista. Estes viram nisso a prova definitiva de que a diplomacia brasileira teria retomado o caminho da racionalidade, de que jamais deveria ter-se desviado, depois do namoro indecoroso com o que de pior existe na humanidade.

É claro que é mais uma balela. Mostro por quê.

Em primeiro lugar, se Dona Dilma resolveu mexer na política econômica, é porque percebeu o risco que esta representa para o ato teatral que está encenando. Trata-se, simplesmente, de mais um ziguezague, coisa que os petistas são useiros e vezeiros. O que está por trás dessa nova manobra é tão-somente garantir o poder, nada mais do que isso. Foi com essa finalidade que Lula, aconselhado por marqueteiros, resolveu lançar sua "Carta aos Brasileiros" em 2002, para acalmar os mercados, admitindo, assim, ter sido um bravateiro durante toda a vida. Dilma está seguindo o mesmo rumo, com a diferença de que está tendo de consertar a herança maldita deixada por Lula e por... Dilma. É algo que está em perfeita sintonia com a verdadeira ideologia do PT - a do "farinha pouca, meu pirão primeiro" (tradução: aparelhamento do Estado pela máquina sindical-petista devoradora de recursos públicos). Em outras palavras: se é conveniente, adota-se. E se o discurso anterior contrariava essas práticas, passa-se uma borracha e pronto. Nisso ela está só repetindo o que sempre foi a prática petista.

Com relação à política externa, a farsa é ainda mais clara. É aqui que se tem dito as maiores barbaridades nos últimos tempos. Cheguei a ouvir, de uma pessoa considerada sensata, que a nova atitude "humanista" de Dilma, em contraste com a política "pragmática" de seu antecessor (como se adular ditadores fosse sinal de pragmatismo, e não de delinquência...), seria o resultado de um compromisso íntimo da atual presidente, decorrente de seu passado como ex-presa política e torturada durante o regime militar. "Ela foi presa e torturada, logo, é natural que defenda os direitos humanos", tornou-se o mantra a ser repetido pelos incautos, que acreditam numa história com apenas uma versão e que os idealistas da Vanguarda Armada Revolucionária só queriam a democracia.

Poucas vezes se leu e ouviu mentira maior. Se Dilma resolveu mudar um pouco o discurso em relação ao Irã, condenando, "como mulher", a execução de adúlteras no país muçulmano, isso não se deveu a nenhuma conversão sua à causa da Anistia Internacional ou da Human Rights Watch, mas, novamente, a uma conveniência política. Depois do fiasco total da política externa megalonanica no Oriente Médio, manter a mesma posição calhorda no tocante ao regime de Teerã seria passar recibo de idiotice. E os petralhas são tudo - hipócritas, principalmente -, menos burros. Tivesse dado certo a jogada do acordo fajuto com o Irã, e não sido torpedeado como foi pela ONU, o Itamaraty teria mantido a mesma política?

Além do mais, uma coisa é condenar o regime do Irã, um país distante e um pária da comunidade internacional. Outra coisa, muito diferente, é fazer o mesmo com companheiros vizinhos. Fico cá pensando: quando será que a humanista Dilma Rousseff, ex-camarada Stela da VAR-Palmares, vai condenar as violações aos direitos humanos em Cuba ou o narcoterrorismo das FARC? Quando será que ela vai dizer uma palavra contra algum de seus companheiros do Foro de São Paulo? Nem precisa ir muito longe: basta condenar as depredações dos vândalos do MST. A democrata Dilma está disposta a fazer isso?

(Em tempo: Dilma jamais se disse arrependida dos anos de terrorismo, quando lutava de três-oitão na mão para que o Brasil se tornasse uma nova Cuba. Até agora, o máximo que ela fez foi declarar que "mudou com o Brasil". O que significa que não lamenta nem se arrepende da época em que participava de grupos que assaltavam bancos, sequestravam e matavam pessoas para implantar o comunismo no País. Pelo contrário: tem orgulho disso. Coisa de gente humanista e comprometida com os direitos humanos, como se vê.)

Muita gente, levada pelo ilusionismo oficialista, ignorância ou wishful thinking, ou tudo isso junto, está caindo nesse conto-da-Dilma-responsável-e-humanista. A ponto mesmo do delírio. Arnaldo Jabor, por exemplo, caiu de amores por Dilma Primeira e Única, a quem não cansa de elogiar por sua beleza (!?) e... cultura (!!!???). Dispenso de comentar o gosto estético do cineasta-que-virou-comentarista. Quanto à cultura, basta dar uma olhada em algum dos vídeos em que a Pudorosa aparece exibindo todos os seus dotes de elegância linguística e fluência verbal, para não falar em sua lógica perfeita (a última dela foi ter dito, na China, que o mundo está entrando, em pleno ano de 2011, na segunda metade do século XXI...). Coisa de deixar os grandes oradores do passado, como Cícero e Demóstenes, revirando-se no túmulo, de inveja.

"Ah mas ela é competente, entende muito de energia" etc. Nem vou comentar. Quem tem que dizer alguma coisa, aqui, é quem ficou no escuro em dois apagões recentes. No primeiro dos quais, a então ministra Dilma mostrou toda sua competência... para fugir (literalmente) de qualquer explicação convincente.

Quanto ao estilo discreto e recatado, nada de surpreendente. Ou você já viu, caro leitor, um subordinado querer aparecer mais do que o chefe?

Sempre me intrigou o fato de tantos atores serem de esquerda. Agora sei por quê. Ser esquerdista é mesmo encenar para a platéia. Os atores podem até mudar, mas o enredo continua o mesmo.

sábado, janeiro 01, 2011

A POSSE DO POSTE

Não sei quanto a vocês que assistiram à cerimônia de posse de Dilma Rousseff na televisão, mas achei que começou mal, muito mal, o governo da criatura de Lula.
.
Em seu primeiro discurso como presidente (e não "presidenta", como querem alguns, a menos que também exista "gerenta" ou "superintendenta"), Dilma Vana Rousseff, ao lado das platitudes de praxe, repetiu uma mentira histórica. Ao mencionar o período da luta armada dos anos 60 e 70, da qual participou (e da qual diz se orgulhar), ela se referiu aos "companheiros que tombaram para que chegássemos ao que temos hoje" (ou seja: a democracia). Suas palavras foram repetidas à exaustão por uma repórter da TV Record (cujo dono, o "bispo" Edir Macedo, compareceu à cerimônia do beija-mão no Palácio do Planalto), que não parava de evocar, em tom de emoção, que a nova presidente do Brasil fora "torturada durante 22 dias", "lutou contra a ditadura", "pela democracia" etc. Embaixo do palanque, sob chuva, uma platéia de militantes petistas ouvia tudo, extasiada, ansiosa para acreditar.

Colocando à parte os possíveis exageros - tenho minhas dúvidas sobre a capacidade física de alguém sair vivo após 22 dias de tortura ininterrupta - e o fato de que o processo judicial de Dilma tenha ficado trancado, até depois das eleições, a sete chaves no STM, por força de uma liminar (o que será que ela quer tanto esconder?), a frase da Camarada Estela, agora oficialmente presidente Dilma Vana Rousseff, é mais um tijolo no edifício da mitologia que se está criando em torno de sua figura. O Brasil já teve o primeiro presidente "operário" (aliás, a "encarnação do povo", segundo suas próprias palavras) que não pega no batente há 35 anos. Agora tem a "primeira mulher". Mais: a "primeira ex-torturada", ou a "primeira mulher, ex-torturada e que lutou contra a ditadura e pela democracia".

Aí é que está. Não coloco em dúvida que Dilma Rousseff seja mulher. Nem que tenha sido presa e torturada (embora ainda espere provas de que tenha sido por 22 dias, como ela diz, ou 22 horas, ou 22 minutos). Tampouco que ela tenha lutado "contra a ditadura militar". Não duvido disso. Mas afirmar, ainda mais no primeiro discurso oficial como presidente da República, que os que pegaram em armas contra o regime de 64 "lutaram pela democracia" (ou: "para que tivéssemos o que temos hoje") é demais até para os padrões dos lulo-petistas. É querer reescrever a História, é torturar os fatos para que eles digam aquilo que se quer ouvir. Dilma Rousseff jamais lutou pela democracia. Isso porque as organizações armadas de esquerda de que participou - Colina, VAR-Palmares e VPR - jamais tiveram como objetivo a restauração das liberdades democráticas. O objetivo pelo qual assaltaram bancos, sequestraram diplomatas estrangeiros e assassinaram pessoas (inocentes ou não, não importa) não tinha nada a ver com democracia, estado de direito e eleições livres. Era, isso sim, instalar no Brasil uma ditadura comunista. Como visavam, aliás, todas as organizações armadas de esquerda do período, diga-se de passagem.

Eis a trajetória política de Dilma Rousseff: participou da luta armada para transformar o Brasil num país comunista. Foi presa e solta três anos depois. Estudou economia e trabalhou no governo do Rio Grande do Sul. Não se sabe o que estava fazendo quando das manifestações pela volta da democracia nos anos 80. Emergiu, há alguns anos, como ministra do governo Lula, tendo sido ungida sua sucessora e continuadora. Onde está a "luta pela democracia"?

O mito da luta armada como forma de "resistência democrática" contra a ditadura militar é um dos mais persistentes na História e na política brasileiras. Agora, com Dilma, ele se torna ainda mais oficial. E isso apesar de ser sobejamente desmentido pela existência de razoavél bibliografia a respeito, a qual desvenda por completo os objetivos e métodos totalitários dos "guerrilheiros" (que eram, sim, terroristas, como deixam claro suas palavras e ações - algo de que já tratei aqui em vários textos). À guisa de sugestão, recomendo ao leitor interessado no assunto a coletânea de documentos das organizações de esquerda do período organizada por Daniel Aarão Reis Filho e Jair Fernandes de Sá, Imagens da Revolução, ou os livros de Jacob Gorender, Combate nas Trevas, e de Elio Gaspari, A Ditadura Envergonhada e A Ditadura Escancarada, que mostram claramente que o terrorismo de esquerda não teve nada de "luta pela democracia". Muito pelo contrário.

Mas, para além dessa evidente falsificação histórica, a posse do poste escolhido por Lula da Silva para esquentar a cadeira presidencial por quatro anos teve, claro, outro significado. Em primeiro lugar - e isso a televisão não cessou de lembrar por um minuto sequer - ela é mulher. Muito bem. Que importância tem uma mulher na Presidência da República? Nenhuma. Países como Inglaterra, Israel, Alemanha e Chile já tiveram ou têm mulheres ocupando o cargo mais alto da nação. E isso não acrescentou absolutamente nada à política. Nem dela retirou o que quer que seja.

Francamente, não engulo o discurso feminista de que o fato de alguém ser mulher (ou homem, ou transsexual, ou ET) lhe confere qualidades e virtudes diferentes e superiores às dos demais mortais. Em política, pelo menos, isso não existe, a não ser como mistificação (estou me lembrando agora do texto que li de um esquerdista a favor de Dilma quando da polêmica do aborto nas eleições; o autor dizia que a campanha de Serra estava usando o sexo de Dilma para atacá-la - o título era "A Desconstrução da Mulher"...). Se o objetivo desse discurso é dizer que uma presidente da República ou uma primeira-ministra governam de maneira diferente dos homens, com um olhar, digamos, mais "sensível" (ou mais "feminino"), a História mostra que isso nunca, ou muito raramente, corresponde à realidade. Aí estão Golda Meir, Margaret Thatcher e Angela Merkel para provar o contrário.

Mas e o caráter "simbólico" da coisa, não é importante? Depende. Se este se refere ao fato de que é a primeira vez que uma representante do sexo frágil (prefiro como se dizia antigamente, o "belo sexo", soa bem melhor do que "gênero" - parece que as feministas não têm sexo, ou não gostam de sexo) assume o poder no Brasil, OK, é algo que tem, vá lá, um certo valor simbólico. Mas, historicamente, já houve uma Cleópatra, uma Teodora, uma Hatshepsut. Que valor, até mesmo "simbólico" ou "histórico", existe em ter hoje algo que já havia no Antigo Egito uns dois mil anos atrás?

O fato é que, se a eleição e posse de Dilma Rousseff tiveram alguma coisa de simbólico - e isso não é necessariamente algo positivo, muito pelo contrário - é que, hoje em dia, não são mais pessoas, seres de carne e osso, que são eleitos para a Presidência da República. São categorias inaugurais - o "primeiro negro", o "primeiro operário", o "primeiro homem do povo", a "primeira mulher" (ainda por cima, "ex-guerrilheira") etc. Em breve, não duvido, teremos no Palácio do Planalto o "primeiro torcedor do Bonsucesso", o "primeiro colecionador de tampinhas de garrafa", o "primeiro apreciador de chocolate amargo" e assim por diante. Qual a contribuição disso para o melhoramento da política? Aliás, qual a relevância disso? Nenhuma.

Por que digo isso? Porque, por trás desse discurso politicamente correto, está o inverso da política, a desumanização da política. Não somos mais governados por pessoas, mas por símbolos, por entes abstratos e ideológicos. Por mitos, lendas. No caso de Dilma Rousseff, é mais do que isso: trata-se de um produto, uma embalagem criada por outro mito, este construído ao longo de várias décadas. É a continuação da lenda por outros meios. Um poste, um simples poste, ao qual se acrescentaram várias demãos de tinta.

Uma anedota antiga contava a estória (ou história, não me lembro bem) de um prefeito de cidade do interior que, na falta de coisa melhor, resolveu inaugurar um poste. Fez uma festa de arromba, com discurso, banda de música, fogos de artifício, tudo. A anedota, se baseada em fato real ou não, perde para a realidade. O poste do prefeito, pelo menos, tinha luz. Quanto a Dilma Vana Rousseff, a se julgar por seu discurso de posse, tenho minhas dúvidas.