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sexta-feira, dezembro 10, 2010

Lula, o Wikileaks e a Liberdade de Expressão: Uma Grande Palhaçada


Eu não sei se Julian Assange, o australiano dono do site Wikileaks, que está no olho do furacão de um imbroglio internacional pelo vazamento de milhares de informações secretas do Departamento de Estado norte-americano, é um santo, um espertalhão, um mártir ou um idiota. Sei apenas que Luiz Inácio Lula da Silva precisa beber menos antes de falar.

Isso ficou claro ontem, pela enésima vez, quando o Babalorixá de Banânia resolveu dar seu pitaco sobre o caso do Wikileaks (que ele deve pronunciar "Whiskeyleaks"...). Vejam o que ele disse, diante de uma platéia amestrada de áulicos. Está publicado num troço chamado "Blog do Planalto" (há um vídeo também, para tornar a coisa ainda mais constrangedora):

O presidente Lula prestou solidariedade nesta quinta-feira (9/12) ao fundador do Wikileaks, Julian Assange, preso esta semana após seu grupo ter divulgado mensagens produzidas pela diplomacia americana, e criticou a imprensa brasileira por não defender o ativista australiano e a liberdade de expressão. ”O rapaz foi preso e eu não estou vendo nenhum protesto contra a [o cerceamento à] liberdade de expressão. É engraçado, não tem nada”, afirmou o presidente, que fez questão de registar o seu:

Ô, Stuckinha (Ricardo Stuckert, fotógrafo oficial da Presidência), pode colocar no Blog do Planalto o primeiro protesto, então, contra a [o cerceamento à] liberdade de expressão na internet, para a gente poder protestar, porque o rapaz estava apenas colocando aquilo que ele leu. E se ele leu porque alguém escreveu, o culpado não é quem divulgou, o culpado é quem escreveu. Portanto, em vez de culpar quem divulgou, culpe quem escreveu a bobagem, porque senão não teria o escândalo que tem. Então, Wikileaks, minha solidariedade pela divulgação das coisas e meu protesto contra a [o cerceamento à] liberdade de expressão.

Lula, que participava do evento em que foi apresentado um balanço de quatro anos do PAC, realizado no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), disse ainda desconhecer se seus embaixadores também enviam esse tipo de mensagem, como os diplomatas americanos, e alertou a presidente eleita Dilma Rousseff para que avise seu ministro (das Relações Exteriores) que “se não tiver o que escrever, não escreva bobagem, passe em branco a mensagem”.

Muito bem. O que há de errado com as palavras do Guia Genial? Tudo. A começar pelo fato de que elas são – mais uma vez – uma agressão à verdade e uma ofensa à inteligência.

Em primeiro lugar, Assange não está preso "por ter divulgado mensagens produzidas pela diplomacia americana". Isso é simplesmente mentira. Ele está preso, isso sim, porque – faço questão de colocar em maiúsculas, para que fique claro - pesa contra ele uma acusação de ESTUPRO, a pedido da Justiça da Suécia. Nada a ver, portanto, com vazamentos de informações sigilosas de um governo (o que é, também, crime, como falo mais adiante).

Em segundo lugar, Lula, defendendo a liberdade de expressão?
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É o mesmo Lula cujo Ministro da Supressão da Verdade, Franklin Martins, planeja obsessivamente TUTELAR e CENSURAR a imprensa, através do que ele chama de "controle social da midia", engendrando aberrações totalitárias como o Confecon, o PNDH-3 etc.?
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É o mesmo Lula que baba por regimes em que não existe nem traço de imprensa livre, como Cuba, e que aplaudiu com entusiasmo o fechamento da maior emissora de TV da Venezuela, por se opor aos desmandos de seu amigo do peito Hugo Chávez?
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É o mesmo Lula que já chegou a dizer, com a cara mais lavada do mundo, que o papel da imprensa não é fiscalizar, mas "informar" (ou seja: dar a versão do governo)?
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É o mesmo Lula que, ainda na semana passada, chamou de "preconceituoso" e mandou "se tratar" um jornalista que ousou perguntar-lhe no Maranhão se iria agradecer à oligarquia Sarney pelo apoio à sua pupila nas eleições (esquecendo, assim, o quão "preconceituoso" era ele mesmo, Lula, quando falava cobras e lagartos do mesmo Sarney não faz assim tanto tempo...)? Só pode ser porre mesmo.

Assange está preso por estupro. Mas, se fosse preso por vazar informações secretas de um governo, ainda mais informações que podem colocar em risco a segurança de um país e a de seus cidadãos, não seria nenhuma surpresa. Em qualquer lugar do mundo, isso é crime. Feito da maneira como Assange fazia (num site por ele criado e inclusive com intenções de chantagem, como no caso do sistema bancário), é mais grave ainda. E isso não tem nada a ver com censura ou algo do gênero, mas com ética jornalística. Imaginem o que aconteceria se algum diplomata ou funcionário do Itamaraty resolvesse divulgar por aí o conteúdo de telegramas secretos e confidenciais... Há leis que condenam quem fizer isso (agora mesmo, na minha mesa, tenho um "Termo de Compromisso de Manutenção do Sigilo" referente a todas as informações a que eu tiver acesso). Então, se a culpa é de quem escreveu, não de quem vazou, como diz Lula, seria correto dizer que a culpa pelo roubo de um carro é do dono, não do ladrão? Ora, tenham santa paciência!

Sem falar que, se o Itamaraty seguir à risca a sugestão do Babalorixá, não se escreverá mais nenhuma linha sobre o Irã, Cuba, Venezuela ou Honduras. Todas as comunicações a respeito, por comprometedoras, deixariam de ser escritas, ou teriam de ser apagadas. Como queima de arquivo, para encobrir a cumplicidade do governo Lula com o crime.

Ao fazer mais essa declaração etílica, o Apedeuta está, além do mais, ofendendo dois governos estrangeiros – o dos EUA (surpresa) e o da Suécia, em cuja Justiça ele está dizendo não acreditar. Essa é postura de um presidente da República?

O mais engraçado é que os vazamentos do Wikileaks deixam o Brasil mal na fita – em uma das comunicações referentes ao País, os diplomatas americanos afirmam que Lula "cacareja" supostas conquistas na área ambiental... Não poderiam estar mais certos sobre o caráter megalomaníaco do Apedeuta.

Lula é a favor da liberdade de expressão. Menos no Brasil. E só se for para prejudicar eles, uzamericânu. Se fosse piada, não seria tão engraçado.

sábado, fevereiro 27, 2010

LULA, A DEMOCRACIA, A NÃO-INTERVENÇÃO E A DIPLOMACIA PETISTA: MAIS MENTIRAS


De volta de sua visita turístico-ideológica à ilha-presídio de Cuba, onde ignorou protestos pelos direitos humanos e posou para fotos ao lado de seu ídolo Fidel Castro, Luiz Inácio tentou, bem ao estilo Lula, "justificar" a injustificável pusilanimidade, sua e de seu governo, diante da morte de mais um preso político da castradura cubana. Orlando Zapata Tamayo teve o mau gosto de morrer justo no dia em que Luiz Inácio visitava a ilha-cárcere. Pior: sem protocolar uma carta em três vias para que ele, Lula, falasse com o dissidente e impedisse sua morte por tortura nas mãos dos carrascos da ditadura.

Ao falar - muito contra a vontade, diga-se - de mais essa página vergonhosa da política externa brasileira, Luiz Inácio aproveitou para descer um pouco mais no poço aparentemente sem fundo das baixezas lulistas. "Ninguém é mais democrata do que eu", proclamou, em sua infinita modéstia, o estadista global de Davos. "Não se pode dar palpite nos assuntos dos outros países", ensinou o professor de relações internacionais.

Qual a contribuição de Luiz Inácio para a democracia no Brasil? (Nem falo mais no caso de Cuba, em que o apreço de Lula e dos companheiros petistas pela democracia é, como está claro, notório.) É a seguinte: em 1985, alegando que o voto seria indireto, ele ficou contra a eleição de Tancredo Neves, o primeiro presidente civil eleito no País depois de 21 anos de ditadura militar, e orquestrou a expulsão de três deputados petistas que, contrariando decisão do partido, votaram no mineiro contra Paulo Maluf. Três anos depois, recusou-se a assinar, juntamente com os demais parlamentares do PT, a Constituição democrática de 1988, que pôs um ponto final a décadas de arbítrio. Nesse meio tempo, fez muito barulho, apoiou greves, muitas das quais eleitoreiras, arruinou reputações (algumas das quais trata, hoje, de limpar - afinal, fazem parte da "base alugada" do governo...) e defendeu o calote da dívida externa, entre outras coisas que hoje quer que todos esqueçam. Essa foi a grande contribuição de Luiz Inácio para a redemocratização do Brasil.

Sem falar no compromisso dele, Luiz Inácio, com a estabilidade econômica, uma conquista quase tão importante quanto a redemocratizãção, e esteio de seu governo. É o que demonstra sua oposição ao Plano Real, ao Proer e à Lei de Responsabilidade Fiscal. Luiz Inácio chegou mesmo, à frente de seu partido, então na oposição, a defender o impeachment do então presidente. É que era outro o que fez essas reformas, não ele, Luiz Inácio. Agora, age como se fosse o pai fundador da democracia e da estabilidade da economia, colhendo os frutos de tudo a que se opõs com veemência. Aproveita-se do que outros fizeram e ainda diz, malandramente, que foi ele que fez.

Sobre a não-intervenção nos assuntos de outros países, que agora proclama e defende no caso da tirania castrista em Cuba, também não é preciso ir muito longe para verificar a enorme sinceridade de Luiz Inácio. A não-intervenção, assim como a defesa da democracia, é realmente uma questão de honra para a diplomacia lulista. Menos, claro, se o país em questão for Honduras. Nesse caso, vale até mandar a soberania do país às favas e abrigar um presidente deposto por tentar rasgar a Constituição, permitindo que este use o prédio da Embaixada brasileira para pregar a insurreição e a guerra civil contra um governo constitucional. Intervenção nos assuntos internos de outro país? Atentado à soberania? Imagina...

Um outro exemplo é o Irã. Aqui, a noção de não-intervenção dos lulistas é realmente ímpar. Lula se adiantou ao resultado claramente fraudulento das eleições no Irã, que anunciava a vitória de Mahmoud Ahmadinejad, antes mesmo que os próprios aiatolás iranianos o fizessem. Não contente em dar pitaco na eleição alheia, disse ainda que os protestos da oposição e a violenta repressão aos manifestantes que pediam democracia eram uma disputa entre torcidas de futebol... Interferência indevida? Apoio à tirania? Nada...

Para Luiz Inácio, pedir democracia e respeito aos direitos humanos em Cuba é dar palpite nos assuntos dos outros. Já apoiar um golpista em Honduras e minimizar a repressão no Irã, não. Em outras palavras: dar palpite pode, desde que seja a favor dos amigos, e desde que seja a favor de ditaduras. É a diplomacia aloprada e sua incrível coerência em ação.

Raúl Castro, o tirano de plantão de Cuba, culpou os EUA pela morte de Orlando Zapata Tamayo. Luiz Inácio foi além, e culpou o próprio morto, que "se deixou morrer". Ainda por cima, tripudiou dos dissidentes, dizendo que eles agora seriam "dissidentes do Lula". Conseguiu superar a própria ditadura castrista em ignomínia. Deve-se esperar sempre o pior de Luiz Inácio.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

ISSO É UM EDITORIAL


Se há um editorial que honra o jornalismo brasileiro, é este, do Estadão de hoje, 26/02. Nada a acrescentar. Pena que Lula não vai ler. Ele já disse que ler jornais lhe dá azia. Menos, claro, se for o Granma dos compañeros Fidel e Raúl.
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Aos poucos, parte da imprensa brasileira vai percebendo a farsa do líder moderado, do "estadista global". A máscara deste já caiu: o que está por trás é apenas o populista pançudo, cúmplice de tiranos e assassinos.

Para ler e guardar.

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Do lado dos perpetradores

São de um cinismo deslavado os comentários do presidente Lula sobre a morte do ativista cubano Orlando Zapata Tamayo, ocorrida horas antes de sua quarta visita à ilha desde que assumiu o governo. Tamayo, um pedreiro de 42 anos, foi um dos 75 dissidentes condenados em 2003 a até 28 anos de prisão. Inicialmente, a sua pena foi fixada em 3 anos. Depois, elevada a 25 anos e 6 meses por delitos como “desacato”, “desordem pública” e “resistência”. Embora não fosse um membro destacado do movimento de direitos humanos em Cuba, a Anistia Internacional o incluiu na sua lista de “prisioneiros de consciência” ? vítimas adotadas pela organização por terem sido detidas apenas por suas ideias. Em dezembro, Tamayo iniciou a greve de fome por melhores condições para os 200 presos políticos do regime, da qual morreria 85 dias depois.

Lula conseguiu superar o ditador Raúl Castro em matéria de cinismo e escárnio. Este disse que Tamayo “foi levado aos nossos melhores hospitais”. Na realidade, só na semana passada, já semi-inconsciente, transferiram-no do presídio de segurança máxima de Camaguey para Havana. E só na segunda-feira foi hospitalizado. O desfecho foi tudo menos uma surpresa para os seus algozes. Dias antes, autoridades espanholas haviam manifestado a sua preocupação com a situação de Tamayo, numa reunião sobre direitos humanos com enviados de Cuba. Ele morreu porque o deixaram morrer. Poderiam, mas não quiseram, alimentá-lo por via endovenosa. “Foi um assassínio com roupagem judicial”, resumiu Elizardo Sánchez, líder da ilegal, mas tolerada, Comissão Cubana de Direitos Humanos.

Já Lula como que culpou Tamayo por sua morte. Quando finalmente concordou em falar do assunto, sem disfarçar a irritação, o autointitulado condutor da “hiperdemocracia” brasileira e promulgador recente do Programa Nacional de Direitos Humanos, disse lamentar profundamente “que uma pessoa se deixe morrer por uma greve de fome”, lembrando que se opunha a esse tipo de protesto a que já tinha recorrido (quando, ainda sindicalista, foi preso pelo regime militar). Nenhuma palavra, portanto, sobre o que levou o dissidente a essa atitude temerária: nada sobre o seu encarceramento por delito de opinião, nada sobre as condições a que são submetidos os opositores do regime, nada sobre o fato de ser Cuba o único país das Américas com presos políticos. Nenhum gesto de desaprovação à violência de uma tirania.

Pensando bem, por que haveria ele de turvar a sua fraternal amizade com os compañeros Fidel e Raúl, aborrecendo-os com esses detalhes? Ao seu lado, Raúl acabara de pedir aos jornalistas que “os deixassem tranquilos, desenvolvendo normalmente nossas atividades”. Lula atendia ao pedido. Afinal, como observara o seu assessor internacional Marco Aurélio Garcia, “há problemas de direitos humanos no mundo inteiro”. Mas Lula ainda chamou de mentirosos os 50 presos políticos que lhe escreveram no domingo para alertá-lo da gravidade do estado de saúde de Tamayo e para pedir que intercedesse pela libertação deles todos. Quem sabe imaginaram, ingenuamente ou em desespero de causa, que o brasileiro pudesse ser “a voz em defesa da proteção da vida aos cubanos”, como diria o religioso Dagoberto Valdés, um dos poucos opositores da ditadura ainda em liberdade na ilha.

Lula negou ter recebido a correspondência. “As pessoas precisam parar com o hábito de fazer cartas, guardarem para si e depois dizerem que mandaram para os outros”, reclamou. E, com um toque de requinte no próprio cinismo, concluiu: “Se essas pessoas tivessem falado comigo antes, eu teria pedido para ele parar a greve e quem sabe teria evitado que ele morresse.” À parte a falta de solidariedade humana elementar que as suas palavras escancararam ele disse que pode ser acusado de tudo, menos disso, a coincidência da visita de Lula com a tragédia de Tamayo o deixou exposto aos olhos do mundo e não exatamente da forma que tanto o envaidece.

A morte de um “prisioneiro de consciência”, a afirmação de sua mãe de que ele foi torturado e o surto repressivo que se seguiu com a detenção de dezenas de cubanos para impedir que comparecessem ao enterro do dissidente no seu vilarejo natal transformam um episódio já de si sórdido em um escândalo internacional. Dele, Lula participa pela confraternização com os perpetradores de um crime continuado que já dura 51 anos.

UM COMENTÁRIO PARA FICAR PREOCUPADO


Cubanos mostrando todo seu amor pelo regime dos irmãos Castro

Não tem jeito. Por mais que eu escreva, explique, esmiúçe, mostre fatos e argumentos, sempre vai haver alguém que, de boa ou má fé, por ignorância ou sonsice, vai me obrigar a dizer tudo de novo. Um leitor (anônimo, evidentemente) me manda um desses comentários que me fazem pensar até que ponto pode ir a ingenuidade humana, ou, sabe-se lá, a safadeza ideológica. Quero crer que é o primeiro caso. É somente por essa razão que me disponho a responder comentários como o que vem em seguida (em vermelho):
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Muito ja foi dito sobre a " real Cuba", você ja escreveu sua opinião sobre o tema além de varios blogueiros cubanos além da famigerada Yoani Sanchez, mas minha pergunta diante de tudo que estes ( incluindo você ) diz é
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" Por que não há um consensso com pelo menos 90% da população cubana, um movimento que inclua uma maioria esmagadora da população ?" ,
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" Por que vizinhos são deninciados por vizinhos, por que há uma parcela da população que apóia Fidel e o tem em alta conta ?".
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Não há como negar que há uma parcela da população simpática ao regime...
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no mais , Fidel está a beira da morte e Lula esta de saída não há com o que se preocupar.
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Seu Leitor anonimo.
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Muito bem, vamos lá. Vou tentar ser o mais didático possível (suspiro).
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Primeiro: Não existe "consenso" de 90%, nem de 99% - tem que ser 100%, ou então não é consenso.
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Segundo: É isso mesmo que regimes como o cubano, que é uma tirania totalitária, almejam: o consenso, a submissão de todos a seu domínio político. E como pretendem alcançar isso? Resposta: pela REPRESSÃO, pelo TERROR absoluto, mediante a CENSURA, a POLÍCIA POLÍTICA (que em Cuba atende pelo nome de G2, sem falar nos CDRs - "Comitês de Defesa da Revolução") etc. Quer mesmo que eu explique em detalhes como isso acontece? Ou prefere que a "famigerada" Yoani Sánchez o faça?
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Terceiro: Por que vizinhos denunciam vizinhos em Cuba? Ora, meu caro, você não sabe? Sério? Então preste atenção, vou responder: porque Cuba é um regime TOTALITÁRIO, e em sistemas assim, a vigilância e a delação são constantes. Lembra da URSS? Da Alemanha Oriental e de sua polícia política, a Stasi, que chegou a ter como espiões 20% da população? Pois é, Cuba está no mesmo clube.
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Ficou claro? Por favor, não me faça explicar de novo.
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A transformação de vizinhos em alcagüetes de vizinhos, e até filhos em delatores dos pais, é uma das formas mais cruéis encontradas por tiranias totalitárias para exercerem controle total sobre a população. Elas o fazem mediante a chantagem, decorrente da vigilância constante, ou pela propaganda ideológica, a lavagem cerebral (facilitada grandemente pela censura). Foi assim em TODOS - sem exceção - regimes comunistas. (Só lembrando: Cuba é um regime comunista.)
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Quarto: Quanto a existir uma parcela da população cubana que apóia os Castro, é preciso lembrar o seguinte: na ex-URSS e na Alemanha nazista, também havia uma parcela da população - nomeadamente os membros graúdos do partido e seus apaniguados, sem falar nos agentes da repressão -, que apoiava ardentemente o regime, como há quem apóie, certamente, a ditadura no Irã ou na Coréia do Norte. Deduzo que isso não dá legitimidade a esses regimes. Ou será que dá?
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Ainda assim - atenção para esse fato -, é IMPOSSÍVEL, em uma ditadura como a cubana, averiguar quantos exatamente a apóiam. Por que isso acontece? Novamente, preste atenção, não me faça escrever de novo: porque não há como fazer isso num regime TOTALITÁRIO, sem liberdade de expressão e de imprensa, com partido único no poder, no qual as eleições são uma farsa para homologar a ditadura.
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Não entendeu ainda? Vou dar um exemplo. Lembre do Iraque sob Saddam Hussein. Sabe qual era a porcentagem de votos que o ditador recebia nas "eleições"? CEM POR CENTO - isso mesmo: 100% - dos votos. Isso prova que os iraquianos amavam Saddam? Nada disso! Prova apenas que não havia liberdade de dissentir. Isso porque o regime era uma DITADURA.
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Mas, se você está mesmo interessado em saber quantos cubanos apóiam a ditadura castrista, há um jeito muito fácil de verificar isso: basta os Castro permitirem a realização de eleições livres, com outros partidos além do Partido Comunista. Aí saberemos, certamente, quantos aprovam e quantos desaprovam o regime. Enquanto isso, dois milhões de cubanos - numa população de 11 milhões - já disseram sua opinião sobre a ditadura, e outros tantos o fazem todos os dias, VOTANDO COM OS REMOS! Fui muito sutil?
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Resumindo: os cubanos não têm LIBERDADE até mesmo para dizer se são a favor da ditadura (admitindo-se que existam os que o são, claro). Eles não podem fazê-lo de livre vontade, ao contrário de Lula, que se presta de bom grado a ser lambe-lambe(botas) do Coma Andante no dia mesmo em que um dissidente foi ASSASSINADO pela ditadura que ele, Lula, idolatra.
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Quinto (sobre a última frase do comentário): Eis um pensamento inteligente! Para que se preocupar com a tirania castrista e com seu lambe-botas Lula da Silva, já que Fidel está com o pé na cova e Lula vai deixar a presidência daqui a alguns meses? Por que se importar, não é mesmo? Que sabedoria política!
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Pois é, meu caro, você só se esquece de um detalhe: a tirania em Cuba, como a regência de Raúl Castro está tratando de deixar bem claro, não irá chegar ao fim com a simples a morte de seu fundador. Do mesmo modo que o comunismo não acabou imediatamente após a morte de Lênin ou de Stálin. Certamente que mudanças virão, pois afinal se trata de uma tirania pessoal e caudilhesca, mas duvido que Cuba vire uma democracia no dia seguinte à morte de Fidel. Era isso que muitos esperavam quando ele se afastou da presidência, em 2006. Já se passaram três anos e não há nenhum sinal de que seu irmão, Raúl, irá realizar algum tipo de abertura política. Pelo contrário: graças ao apoio incondicional de sabujos como Lula, a repressão em Cuba só fez aumentar, como demonstra a morte de Orlando Zapata Tamayo.
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Além do mais, sua questão sobre Lula é de uma obtusidade sem tamanho. Alguém imagina realmente que o Apedeuta irá pendurar as chuteiras e se retirar da política depois que deixar a presidência? Esqueceu que Dilma Rousseff é o terceiro mandato que ele não conseguiu? Sem falar que, como já disse aqui, Lula não é uma pessoa: é uma idéia. O lulismo sobreviverá a ele, assim como o esquerdismo e o comunismo sobreviveram à morte de seus pais fundadores, como demonstra o Foro de São Paulo. Bem que eu gostaria de deixar de pensar em Lula e em tiranos como os Castro e ir cuidar de assuntos mais agradáveis. Mas, infelizmente, eles fazem parte de algo maior do que si mesmos: fazem parte de um movimento, por assim dizer, que tem a democracia e as liberdades individuais como principais inimigas, e que faz tudo para miná-las. E isso é motivo mais do que suficiente para não baixar a guarda.
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Não, meu caro leitor anônimo: há muito, muito mesmo com que se preocupar. Agora, talvez mais do que nunca. Seu comentário é uma prova disso.

TRÊS GRANDES HUMANISTAS


A caricatura acima está publicada no blog CUBA DEMOCRACIA Y VIDA, de exilados cubanos na Suécia. Lula e seus ídolos, Fidel e Raúl Castro, refestelam-se em uma banheira de sangue, entre ossos e uma foto do preso político Orlando Zapata Tamayo, morto após uma greve de fome. Para usar um clichê, a imagem vale por mil palavras.
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É um retrato perfeito da atual política externa brasileira e de sua relação com tiranias.
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Para Lula, Rubens Paiva, Vladimir Herzog e Manuel Fiel Filho foram assassinados pela repressão da ditadura militar. Já Orlando Zapata Tamayo e as outras 100 mil vítimas fatais do regime cubano "se deixaram morrer".
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Lula, um grande humanista.
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Lula, um grande democrata.
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Lula, o "estadista global".
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Vejam mais imagens que revelam o caráter humanista e democrático da diplomacia lulista:


Raúl Castro vendando os olhos de um opositor que, segundo Lula, deixou-se fuzilar


Outra vítima do castrismo implorando para ir ao paredón

Mais um adversário dos Castro que se deixou morrer...

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

ESSE É O "ESTADISTA GLOBAL"


Com mais essa imagem repugnante, vou encerrar, pelo menos por hoje, a série de posts sobre mais um capítulo da diplomacia lulista que enche de vergonha qualquer pessoa com um mínimo de decência. Deixo-os com uma pequena amostra de como a comunidade cubana no exílio enxergou a visita do "Líder Global" à ilha-presídio de Cuba.

Está no site The Real Cuba (http://www.therealcuba.com/). A tradução é minha.
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P.S.: Notem como o "Guia Genial" é visto em alta conta e com extremo respeito no exterior, elevando o nome do Brasil às maiores alturas.
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24 fev. - Menos de 24 horas após a morte do prisioneiro de consciência Orlando Zapata Tamayo, o presidente brasileiro Lula da Silva teve um encontro muito amigável com seus assassinos.

Lula encontrou-se com o cadáver ambulante de Cuba e seu irmão, contou piadas, riu bastante e não fez qualquer pergunta sobre a última vítima deles.

Orlando Zapata Tamayo era um prisioneiro de consciência.

Luiz Inácio Lula da Silva é um presidente sem consciência.

Grande diferença entre o patriota cubano e Lula.

Talvez um dia, Lula terá de defender seu caso de amor com os opressores do povo cubano, e sua provável defesa será: "Eu não lembro, eu estava bêbado a maior parte do tempo."
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UMA IMAGEM MACABRA


Tinha prometido a mim mesmo que não ia mais falar das cenas de cinismo explicitas protagonizadas pelo Aiatolula e por seu cumpincha totalitário, Raúl Castro, ao comentarem a morte do preso político Orlando Zapata Tamayo em Cuba, ontem. Mas não posso evitar fazer mais um comentário. Simplesmente o fedor da coisa é grande demais para ser ignorado. Como acontece com uma cloaca de esgoto a céu aberto, é impossível fingir que esta não existe. É preciso encarar a porcaria. Como uma questão de saúde pública.

A imagem acima está nos principais jornais de hoje. Ela mostra Lula, num exercício de metalinguagem macabra, tirando uma foto de seu ídolo, o mico mandante Fidel, que posa ao lado do irmão Raúl e de Franklin Martins, atual ministro da Comunicação de Lula, ex-dirigente do MR-8 e ex-seqüestrador do embaixador dos EUA no Brasil em 1969. Reparem os sorrisos. Franklin Martins está em êxtase, com o braço enlaçando o ombro do santo de sua devoção. Lula, por trás da câmera, também está mais feliz do que pinto no lixo, parecendo turista japonês na Disneilândia.

Alguém definiu a imagem acima como pornográfica. Discordo. Chamá-la de pornográfica seria uma injustiça. Afinal, a pornografia tem lá sua utilidade, e, dependendo da maneira como é feita, pode até ter, vá lá, algum valor artístico ou estético. É, além disso, tirando aberrações como zoofilia e pedofilia, algo inofensivo. Saudável até, dependendo das circunstâncias.
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Não, a foto acima não é pornográfica. É pior que isso: é macabra. Sinistra. Diabólica, ao revelar a boçalidade do poder, a indiferença para com a vida e os direitos humanos. Os indivíduos na foto estão zombando de suas vítimas, desdenhando de seu sofrimento. Estão refestelando-se em cima de 100 mil cadáveres. É a imagem do mal.

Ontem, mais um desses cadáveres entrou para a lista das vítimas do totalitarismo cubano. Orlando Zapata Tamayo, preso desde 2003 e condenado a mais de 30 anos de prisão por defender a democracia para a ilha, morreu após 85 dias de greve de fome. Nos momentos de agonia final, os carcereiros do regime lhe negaram água, levando seus rins à falência. Há um video no site de Yoani Sánchez, Generación Y, gravado clandestinamente, que mostra a mãe de Tamayo, Reina, do lado de fora do IML de Havana, descrevendo em pormenores as torturas sofridas pelo filho na prisão. Pode-se perceber que se trata de uma pessoa de condição social bastante humilde, dessas que os esquerdistas brasileiros adoram apadrinhar como representantes legítimos dos "excluídos" ou da "classe oprimida". O problema é que Dona Reina e seu filho, para Lula e os petistas, estão "do lado errado", entendem? Em uma entrevista, a mãe de Tamayo menciona que ele não recebeu o mesmo tratamento dado pela ditadura de Fulgencio Batista a Fidel e a Raúl Castro quando estes estiveram presos, após a primeira tentativa de tomada do poder, em 1953. Perto dos Castro, Batista era um mero aprendiz.

Há três dias, 42 dissidentes cubanos pediram a Lula que falasse com Raúl e Fidel sobre a falta de liberdades e a situação dos presos políticos em Cuba. O fato estava nos jornais. Mas Lula diz que não recebeu nenhuma carta protocolada dos dissidentes. E ainda aproveitou para dar mais uma de suas conhecidas lições de moral, dizendo que "as pessoas precisam perder a mania de dizer que escreveram uma carta, guardar para si e depois dizer que mandaram" etc. É Lula em seu papel de Lula, repetindo em escala internacional o já famoso "não sei de nada, não vi nada".

Vira e mexe Lula gosta de lembrar que também já esteve preso, que tambem foi hóspede de uma ditadura etc. É Lula em outro papel de que gosta muito: o de vítima. Foi em 1980. Ele esteve detido por um mês na Polícia Federal em São Paulo, por causa de uma greve ilegal, tendo como carcereiro o então delegado e hoje senador Romeu Tuma. Na ocasião - há um vídeo na internet em que ele lembra o episódio -, Lula afirma que, à certa altura, os outros sindicalistas presos decidiram fazer uma greve de fome. Lula topou, mas teve o cuidado de guardar um saco de balas Paulistinha debaixo do travesseiro... Ele diz também que foi muito bem tratado na cadeia, e que terminou amigo de Romeu Tuma, que ao final do jejum dos presos presenteou-os com uma "lula à dorée". Lula diz que aproveitou a estada na prisão para tentar convencer os investigadores de polícia a montarem um sindicato. Entre uma reunião e outra, sabemos graças a Cesar Queiroz Benjamin, ele tentava conhecer melhor, digamos assim, o "menino do MEP", sendo rechaçado a cotoveladas. Enquanto isso, o governo Figueiredo tremia de medo das pressões da sociedade, tanto internas como internacionais, pela sua libertação. Essa foi a experiência de "preso político" de Lula da Silva.

Lula jamais soube o que é sobreviver numa prisão de ditadura de verdade. Orlando Zapata Tamayo sabia. Ele e mais milhares de cubanos. Seus gritos de dor jamais chegarão aos ouvidos de Lula e Franklin Martins. Eles estão muito ocupados adulando um tirano moribundo em seu tour ideológico pela ilha-cárcere para se importar com coisas desimportantes. Como direitos humanos, por exemplo.

LULA, OS CASTRO, O CADÁVER E UM FESTIVAL DE MENTIRAS


OS ASSASSINOS E SEUS CÚMPLICES
Da esquerda para a direita (mas não no sentido ideológico):
O Primer Hermano, O Líder Global, o Coma Andante e Franklin Martins, ex-chefão do MR-8.
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Há momentos em que é até difícil dizer alguma coisa.

A sensação de asco, de nojo mesmo, diante de certos fatos - e de certas declarações de certos personagens - é grande demais para ser expressa em palavras.

Mesmo assim, vou tentar traduzir, em toques de teclado, minha repulsa, até mesmo física, àquilo que qualquer pessoa com um mínimo de decência só pode considerar um espetáculo grotesco e um exercício de cinismo sem paralelo. Uma das maiores demonstrações de canalhice e de menosprezo pela dignidade da vida humana que jé tive a duvidosa oportunidade de presenciar.

Estou me referindo, claro, ao ASSASSINATO - esta é a palavra: assassinato - do preso político Orlando Zapata Tamayo, morto após mais de 80 dias de greve de fome em uma fétida prisão cubana. O fato está nos jornais. Tamayo morreu em protesto pelas constantes torturas que sofreu, e que continuaram durante a greve de fome - seus rins pararam de funcionar, depois que lhe foi negada água pelos esbirros da ditadura. Ele estava condenado a mais de 30 anos de prisão por lutar pelos direitos humanos na ilha-presidio.

O que disseram os companheiros Raúl Castro e Lula, diante de mais esse crime perpetrado pela ditadura cubana? Raúl adiantou-se aos repórteres - ele já sabia o que iam perguntar, como sói acontecer em um país sob uma tirania totalitária, sem imprensa livre -, e tratou logo de achar um culpado para mais essa morte: ele culpou os... EUA! Isso mesmo: segundo ele, a culpa por Tamayo e mais 74 cubanos terem sido presos e condenados a longas penas em 2003 por pedirem liberdade na ilha-cárcere é do Tio Sam... Fez mais e, somando o cinismo à infâmia, "lamentou" a morte... Como deve ter lamentado os cerca de 100 mil mortos pelo regime castrista desde 1959, dos quais 17 mil fuzilados. Como deve ter lamentado os mais de 50 anos de opressão castrista, sob os quais sobra repressão e falta até papel higiênico. Culpa dos EUA, claro...

O que mais me irrita é que esse discurso vigarista, por mais incrível que possa parecer, tem ouvintes! Sim, senhor: há quem acredite, até de boa-fé, que tudo de ruim que ocorre em Cuba há mais de 50 anos, a começar pela própria ditadura, é culpa dos EUA, que foi a Casa Branca que arrastou a ilha para o comunismo... Há quem creia - e são pessoas que são tidas como ponderadas, racionais - que Cuba só é o que é porque os EUA fizeram isso ou aquilo... Raúl Castro chegou a dizer que o país só não tinha imprensa livre porque os EUA não queriam! Já escrevi bastante sobre essa balela deslavada, uma das maiores lorotas de todos os tempos, e que só se sustenta por um antiamericanismo estúpido e pela devoção irracional a uma tirania.

Lula, claro, não perdeu a oportunidade de ser Lula. Em entrevista aos repórteres, "o Cara", o "Líder Global" dos branquelos de Davos culpou a própria vítima, "que se deixou morrer", e negou que tenha recebido qualquer carta dos dissidentes políticos para que fosse recebê-los... Nem precisaria: bastaria ele, Lula, dizer uma ou duas palavras sobre democracia e direitos humanos. O mundo inteiro, inclusive velhos parceiros da ditadura cubana como a Espanha, condenaram a morte de Tamayo e exigiram a libertação dos presos políticos em Cuba. O mundo inteiro, menos Lula. Ele certamente não fará isso, pois está muito ocupado defendendo sanções contra Honduras e intercedendo em favor do Irã...

O que dirão os companheiros petistas, tão sensíveis aos direitos humanos no Brasil, diante de mais essa demonstração quase inacreditável de boçalidade e desprezo pela vida humana? O que diriam se, digamos, os generais Médici ou Pinochet viessem a público "lamentar" a morte de um opositor político pelas mãos da repressão, ou culpassem, sei lá, a União Soviética pelo fato? O que diriam se um visitante, supostamente identificado com a causa da democracia, se encontrasse com seus algozes e aparecesse perante os repórteres dizendo que não recebeu os dissidentes, porque afinal estes não lhe enviaram uma carta protocolada em três vias solicitando uma audiência? Ficariam indignados e o chamariam, no mínimo, de cúmplice de assassinato. E com toda razão.

Tamayo não foi o primeiro dissidente a morrer após uma greve de fome em Cuba. Durante a ditadura militar no Brasil, prisioneiros políticos chegaram a fazer greve de fome, mas não houve nenhuma morte. E muitos deles eram condenados por ações como terrorismo, o que não era o caso de Tamayo. Mesmo assim, não falta quem, ainda hoje, trema de indignação diante das arbitrariedades do regime militar, mas feche os olhos, ou mesmo justifique, o que se passa em lugares como Cuba.
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O clube mais numeroso do mundo é o dos inimigos das ditaduras passadas e amigos das ditaduras presentes. Não sei quem disse isso, mas é a mais pura verdade. Eu poderia dizer que se trata somente de duplo padrão moral e covardia, mas é mais do que isso: é associação com o crime. É cumplicidade com a opressão.

A maioria da humanidade, quero crer, acredita que até a mentira tem limites. Não Lula. Não os Castro. A mentira, para eles, os totalitários, é apenas um modo de vida. É a sua essência. Sua razão de viver.

O cadáver de Orlando Zapata Tamayo, assim como os dos 100 mil mortos pela ditadura comunista de Cuba, irá assombrar para sempre a consciência (se é que a têm) de Lula e de seus companheiros petistas, como Marco Aurélio Garcia e Franklin Martins. Essas mortes, foi eles também que as causaram. Esses cadáveres tambem lhes pertencem. Devem ser colocados em sua conta.

Melhor parar por aqui. Pensar nas barbaridades ditas por Castro e por Lula já está me revirando o estômago. A coisa toda já está fedendo à podridão, a pus, a sangue, à morte.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

LULA EM CUBA - E O QUE DIZ UM CERTO LIVRO


Lula estará, hoje e amanhã, na sua ilha-prisão preferida, a Terra Prometida dos outros, onde todos são obrigados a ser felizes: Cuba. Vai se encontrar, pela enésima vez, com seu companheiro, o primer hermano Raúl Castro. Vai tratar de muitos assuntos, menos do que realmente interessa.

Vou dar uma dica, caso alguém não desconfie, do que estou falando. Está num livrinho, que aliás ele, Lula, e o seu partido, o PT, não assinaram - a Constituição Federal de 1988:

Artigo 4º

A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:

[...]
II - prevalência dos direitos humanos [...].

Nada a acrescentar. O que está aí em cima fala por si.
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domingo, novembro 15, 2009

MINHA ENTREVISTA COM LULA


Um grande ator que se fez passar por Luiz Inácio Lula da Silva deu entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, mostrada hoje com estardalhaço na Rede TV! Não acreditem no que lá está dito. Aquele é um Lula para consumo externo. O verdadeiro Lula é o que está no diálogo a seguir. É o Lula com quem eu conversei um dia desses, num terreno baldio, à meia-noite, tendo uma cabra vadia que por ali pastava como testemunha solitária.

Infelizmente, não disponho de registro da minha conversa com o presidente da República. Foi uma condição que ele impôs para dizer o que me disse, que fosse algo totalmente em off. Também foi ele quem escolheu o horário e o local da entrevista, a qual compareceu sem assessores e sem gravata, a camisa desabotoada na altura do peito, uma cigarrilha entre os dedos e um copo de Johnny Walker 12 anos na mão.

Leiam, abaixo, as confissões de Sua Excelência.

- Boa noite, sr. presidente. Antes de mais nada, gostaria de agradecer a sua entrevista...

- Deixe de frescura, rapaz. A gente tá só nós dois aqui, não tô vendo nenhuma platéia. Não tem nenhum jornalista chato aqui pra atrapalhar. Não precisa desses frufrus comigo, não. Vai uma dose aí?

- Não, obrigado. Vamos começar, então, falando um pouco sobre sua infância.

- (Abre um sorriso.) Bem, cê sabe que tem um filme aí... Mas eu adoro repetir essa história. Você sabe que eu nasci lá em Caetés, de uma mulher que nasceu analfabeta. A diferença é que ela era analfabeta por falta de opção, porque não pôde estudar, coitada, teve oito filhos, o marido a abandonou... Já eu continuo analfabeto por opção mesmo, porque acho esse negócio de estudar uma chatice, só de pensar me dá azia. Talvez, se os livros tivessem menos palavras e mais figuras, eu poderia, sabe, até me dar o trabalho de ler algum sem cair no sono. Mas, como eu ia dizendo: nasci na pobreza, passei fome, a gente só tinha, sabe, uma farinhazinha rala pra comer, às vezes nem isso... Hoje, claro, a coisa é diferente: a farinha, mesmo não sendo pouca, é meu pirão primeiro.

- Muitas pessoas dizem que o senhor gosta de lembrar de sua infância sofrida como uma forma demagógica de criar um culto da personalidade em torno de sua figura. O senhor já chegou a dizer que o "sangue do povo" corre em suas veias etc. e tal. Isso não é demagogia, visto que outros políticos, como Orestes Quércia e Richard Nixon, também tinham origens humildes? Nixon, inclusive, usava muito suas origens de forma apelativa e piegas para angariar simpatia e desviar a atenção de suas pilantragens.

- (Visivelmente desconfortável.) Olha, você está coberto de razão. (Toma um gole.) Mas, sabe, não sou doido de sair por aí abrindo meu coração. Faço isso aqui porque, sabe, ninguém vai saber dessa nossa conversa. A demagogia é uma necessidade da política. Graças a Deus, eu tive, sabe, uma sorte danada, pois não nasci, sabe, em berço de ouro, venho do povo, posso usar isso, sabe, como uma vantagem. Principalmente num país como o Brasil, onde ter nascido pobre é quase uma obrigação, uma verdadeira religião, que alguém chamou de "pobrismo". Posso dizer que até os sete anos eu não sabia o que era arroz, por exemplo, que não vai soar falso. Posso usar isso também, sabe, como uma desculpa para nunca ter lido um livro na vida, embora aqui eu tenha que rebolar um pouquinho pra convencer alguns. É sempre bom ter, sabe, uma história triste pra contar. O povão gosta. Os intelectuais também. Eles precisam, sabe, de um santo, um símbolo, um messias. Ou seja, posso até derramar uma lágrima para as câmeras de vez em quando, e muita gente vai se emocionar. O Duda Mendonça me aconselhou isso em 2002: "Presidente, não esqueça de contar aquela história triste sobre sua prisão ou a morte de sua primeira esposa. Não esqueça de chorar. Dá voto. Sempre funciona". Espere até sair esse filme que fizeram sobre mim, você vai ver: vai faltar lenço no mercado (risos).

- Certa vez, o senhor disse que não era nem de esquerda, nem de direita, mas sim um "torneiro mecânico". O que é ser politicamente torneiro mecânico?

- (Toma outro gole.) É isso mesmo que eu quis dizer quando falei isso: absolutamente nada. Sabe, esse negócio de esquerda e de direita é só um jeito que eu achei de enganar os trouxas. Todo mundo sabe que eu sou de esquerda, sempre fui, só idiotas como o Arnaldo Jabor acham que não, que eu traí meus ideais de juventude etc. Besteira! Meu único ideal, desde a época do sindicato, era chegar ao poder, e a esquerda tem os meios pra isso. Mas é claro que eu não sou burro: (baixa a voz, em tom conspiratório) sou esquerdista, amo o Fidel Castro, meu grande ídolo, fundei com ele o Foro de São Paulo, que graças a Deus ainda tem gente que duvida que existe ou que é só um clube de amigos, mas, sabe, não posso deixar isso dar na vista. Ou seja, é muito mais fácil e mais seguro dizer pros empresários que eu não vou mexer no bolso deles e, ao mesmo tempo, falar mal do neoliberalismo, que eu nem sei o que é, ou ir a um congresso do PCdoB, ou botar um boné do MST na cabeça. Sou assim, uma metamorfose nauseante, digo, ambulante. Assim eu posso, sabe, posar de pragmático e realista, essas palavras tão bonitas, deixo todo mundo satisfeito e garanto o apoio pra, se for preciso, eu mandar tudo isso pro alto e deixar cair a máscara. Ou seja, é como no futebol: ninguém faz gol sozinho.

- Falemos sobre o partido que o senhor fundou, o PT. Até 2002, o PT defendia uma política considerada radical, que assustava muita gente. O PT se considerava, e se considera até hoje, um partido socialista, e ficou anos gritando "Fora FHC". Antes disso, o partido foi contra a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral em 1984, se recusou a assinar a Constituição de 88, foi contra o Plano Real em 94, contra as privatizações... De repente, houve uma mudança radical, sua candidatura se declarou convertida a tudo aquilo que se dizia contra antes, e o senhor virou o "Lulinha paz e amor". No entanto, nem o senhor, nem o PT jamais se declararam arrependidos quanto ao passado de militância socialista. É possível haver conversão sem confissão nem arrependimento?

- Você me vem com cada pergunta... (Longa pausa.) Olha, é claro que não. Mas veja, eu já respondi isso antes, mas quase ninguém prestou atenção. Eu respondi quando dei aquela declaração de que no governo a gente não pode mais fazer bravata... Ou seja, se tivessem ouvido direito a frase, teriam percebido que tudo que eu disse antes, durante toda minha vida política, não passou, sabe, de demagogia: eu só estava defendendo aquilo porque no momento era útil pra gente, entende? Eu tava esperando a chance de chegar lá (aponta para o alto) pra fazer, sabe, exatamente a mesma coisa que eu sempre condenei nos outros governos. Faz parte, sabe, do jogo: se a gente percebe que pode ser bom pra nós, a gente aproveita. Se for bom pros outros, pros inimigos, então a gente desce o pau. Depois, a gente se apropria, diz que sempre defendeu aquelas medidas, diz que nunca antes neste país houve um governo tão comprometido com a estabilidade econômica etc., e espera que todos se esqueçam. É uma tática. Os comunas eram craques nisso.

- Uma das críticas que mais fazem a seu governo é sobre as alianças. O PT se arvorou durante décadas como o partido da "ética na política", o único puro entre todos os demais. Agora, se apresenta como igual a todos, aliando-se com figuras que antes deplorava, como Sarney, Collor, Maluf, Jader Barbalho, Renan Calheiros... Coisas que antes o PT condenava, como o nepotismo, o fisiologismo, a corrupção, são justificadas pelo governo. O senhor mesmo disse recentemente em entrevista que, se Jesus Cristo fosse um político brasileiro, teria que se aliar a Judas. Como explicar tamanha reviravolta sem cair no cinismo?

- (Pausa. Toma um gole. Esvazia o copo.) Não tem como explicar. É como eu disse antes: se um discurso nos beneficia, se nos ajuda a ganhar votos, então a gente o adota, grita, radicaliza, joga lama em todo mundo. Isso até o momento, sabe, em que a gente precisa se desfazer desse discurso e fazer parte do jogo. Ataquei o Sarney no passado, chamei ele de pai dos ladrões, assim como apareci como o anti-Collor em 89, não porque eu tivesse alguma coisa contra eles ou fosse assim tão diferente, mas porque isso, sabe, dava Ibope na época. Hoje não dá mais Ibope, mas eu estou no governo, preciso deles, entende? Do Collor, do Sarney, do Maluf, do Jader Barbalho, do Renan Calheiros... Preciso deles todos, e eles também precisam de mim. É uma simbiose perfeita, sabe? Antes a gente esculhambava o FHC porque ele se aliou com o Antônio Carlos Magalhães e comprou um magote de deputados para passar a emenda da reeleição, mas, sabe de uma coisa? Eu gostaria de ter estado no lugar dele. Ele fez um monte de coisas que eu gostaria de ter feito. Aquela sacada do Plano Real, aquilo foi genial... Nós tínhamos que tentar destruí-lo. Do mesmo jeito as alianças: era a gente que deveria ter se aliado com ACM, não ele! Ele é vaidoso, acha que um operário como eu não daria certo na presidência. Então, me alio com Collor ou Maluf só pra mostrar que posso mais que ele.

- Isso parece complexo de inferioridade seu, presidente...

- (Elevando a voz.) Nada disso! Não! É que eles não aceitam alguém como eu, um sujeito sem instrução, sem diploma, no governo! É ele, FHC, que é invejoso, ele fala com o fígado. Ele... (Acende um cigarro.) Ele tem inveja de mim, sabe?

- Não entendi, presidente. Para mim, parece o contrário... FHC derrotou o senhor duas vezes no primeiro turno. E nada que existe hoje se assemelha ao que foi a oposição do senhor e do PT ao governo FHC. Tarso Genro chegou a sugerir o impeachment. Acho que é o senhor que tem inveja do FHC.

- (Visivelmente nervoso.) Aquele intelectualzinho de merda! O quê? Só porque eu não fiz universidade, só porque eu fui metalúrgico, nem sei conjugar verbos, eu não posso me aliar com gente pior do que ACM? Acredita que ele, FHC, teve o desplante de publicar um artigo de jornal um dia desses dizendo que eu sou um autoritário e pratico um, como foi mesmo que ele disse?, "absolutismo popular"? Não se conformam com um peão na presidência. É tudo preconceito porque eu não estudei...

- Presidente, falemos agora sobre um assunto desagradável, o mensalão...

- (Interrompendo.) Antes que você entre nesse assunto, vou lhe adiantar, sabe, uma coisa: numa entrevista que está para sair um dia desses, eu dou uma nova versão sobre o que aconteceu. Vou dizer que o mensalão foi uma tentativa de golpe. Isso mesmo. Vou dizer que foi tudo um imenso complô, a maior armação que já existiu contra um governo. Vou tentar convencer os otários que Marcos Valério, o nosso Delúbio e Roberto Jefferson eram agentes tucanos, ou coisa que o valha. Vou botar a culpa numa conspiração da "elite corrompida" que não aceita um "operário" na presidência do país etc. e tal. Se insistirem no assunto, vou lembrar que essa história de mensalão começou lá atrás, com os tucanos em Minas. Se não der certo, vou forçar a barra e repetir que a culpa não foi do governo, mas de "algumas pessoas" dentro do PT, os tais aloprados de que eu já falei, sem citar nenhum nome. É claro que é tudo balela, que é tudo lorota, que não houve tentativa de golpe coisa nenhuma - aliás, se houve tentativa de golpe, foi a mais governista que já existiu, porque a oposição, o DEM, o PSDB, perdeu a chance de fazer o impeachment e apostou naquela besteira de "pato manco" nas eleições em 2006. Botaram até um bobalhão pra concorrer comigo, aquelo picolé de chuchu do Alkmin... Se deram mal, os bobocas.

- Mas o senhor acha que as pessoas vão acreditar dessa vez?

- (Abrindo um sorriso irônico.) Meu caro, se todo mundo engoliu quando eu disse, na época do mensalão, que caixa dois todo mundo faz, que fui traído, que eu não sabia de nada, não tinha visto nada... É claro que vão acreditar em mim! Todo mundo acredita em mim há trinta anos! Já me endeusaram, já me santificaram, estou acima do bem e do mal. Você não percebe? Eu sou Padre Cícero, Antônio Conselheiro, Lampião, Getúlio e Jesus Cristo, ninguém pode comigo. Sou como escreveu aquele doidão lá de São Paulo que faz umas peças de teatro que ninguém entende direito, o Zé Celso Martinez Corrêa: um presidente antropofágico, ou sei lá o quê. Comigo, o mal vira bem, o preto vira branco, entendeu? Tem mais: na tal entrevista de que eu falei, vou dizer ao babaquinha que, um dia, depois que eu sair da presidência, vou investigar o que aconteceu. Vou fazer todos esquecerem do Collor, que só foi julgado depois de impeachado, e que ainda por cima foi absolvido pelo STF. Com isso, vou querer aparecer, sabe, como detetive, em vez de como o chefe do esquema. Como se eu não tivesse tido nada a ver com o negócio. Entendeu a jogada? Eu já tenho a maioria do Congresso e grande parte da mídia nas mãos. Ou seja, com isso e mais o Bolsa Família, que me dá uns 80% de popularidade, eu posso dizer qualquer coisa que eles acreditam.

- Por falar no Bolsa Família, há quem diga que ele não passa de uma medida assistencialista e paternalista, que apenas reproduz a pobreza e velhos vícios clientelistas da política brasileira. Esse, aliás, era o discurso do senhor e do PT antes de chegarem ao poder. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

- (Olhando para os lados.) Olha, vou te confessar uma coisa: é isso mesmo. Aquela discurseira toda que a gente fazia antes contra o assistencialismo, era tudo discurso eleitoreiro, era pra ganhar votos, e só. Ou seja, era bravata. O mesmo pro PAC: é tudo embromação, uma sigla vazia, que a gente espera ser útil pra eleger a Dilma, ou seja, pra eu ter um terceiro mandato, em 2010. A gente pegou os programas do FHC, botamos um nome bonito e começamos a dizer que íamos reinventar o Brasil. De quebra, ainda chamei de burro e de ignorante quem vê assistencialismo e exploração eleitoreira da miséria no Bolsa Família, como a gente via quando não era a gente que fazia isso. Ou seja, quando não era a gente que estava se beneficiando politicamente da distribuição da esmola estatal, a gente bravateava, gritava, dizia que era assistencialismo, essas coisas. Agora, com a gente por cima da carne seca, o discurso tem que se ajustar a essa nova situação. Primeiro tentamos com o Fome Zero, que foi um fracasso, não passou de uma jogada de marketing que não deu certo. Com o Bolsa Família, pórém, a gente caprichou. É claro que o Bolsa Família não foi feito pra diminuir a pobreza coisa nenhuma, diferente do que a gente diz na propaganda. Pelo contrário: é preciso que os pobres continuem pobres, que se multipliquem. Senão, como é que eu vou garantir essa popularidade toda? Ou seja, quanto mais pobreza, mais gente dependendo do Estado (ou seja: da gente). Quanto mais pobres comendo, literalmente, em nossa mão, melhor. Sou ou não sou um gênio? (Dá uns pulinhos. Gargalhadas.)
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- Mas então, senhor presidente, o discurso oficial de o Bolsa Família ser um programa de transferência de renda, para diminuir a pobreza, é tudo conversa mole pra boi dormir?
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- (Risinhos.) Claro, meu filho. Ou por que você acha que a gente comemora que cada vez mais gente, e não menos, é "beneficiada" pelo Bolsa Família? Beneficiados, beneficiados... Beneficiado sou eu, ora! (Risos.)
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- Presidente, na semana passada tivemos um apagão que deixou 18 estados sem energia. Muita gente está duvidando das explicações que o governo deu, acham que elas não são convincentes... Foi mesmo um raio ou é tudo incompetência que o governo não quer admitir?

- (Rindo alto.) É claro que é incompetência! Mas por que eu iria admitir? Mandei o Edison Lobão dizer que tinha sido um raio que parou Itaipu e dar o assunto por encerrado, mas não contava que alguém na área técnica ia lembrar que é preciso mais que isso pra deixar meio país no breu. Reconheço que cometi um erro nesse caso, pois a Dilma Rousseff, mesmo com a gente tentando blindar ela durante mais de um dia, deu aquela declaração de que podem ocorrer outros apagões... Além disso, ela já tinha dito antes que não havia possibilidade de apagão, então pegou muito mal. Está difícil convencer todo mundo que a gente está totalmente perdido sobre o que causou o apagão, que o sistema, que já é vulnerável, piorou com as nomeações políticas que fizemos pro setor, com engenheiro agrônomo e advogado cuidando de energia etc. Vamos tentar culpar o FHC, como sempre, lembrar dos apagões na época dele, quando a gente caiu matando. Tomara que ninguém lembre que naquela época havia um problema crônico de falta de investimentos, e os reservatórios estavam vazios por causa da falta de chuvas, e que hoje a gente não pode dar essa desculpa. Se não der certo, culpo S. Pedro. É como no futebol: se eu erro o pênalti ou faço um gol contra, culpo o montinho artilheiro.

- O senhor parece não aceitar muito bem as críticas que vez ou outra aparecem na imprensa sobre seu governo. Muitos dizem que o senhor é intolerante a críticas, que gostaria de calar a imprensa...

- (Meio nervoso.) É mentira! Não quero calar a imprensa. Só não gosto que não me aplaudam como deveriam. Sou o cara mais tolerante do mundo. Pra mim, a liberdade de imprensa deve ser total. Menos, claro, se for pra falar mal de mim, como fez aquele jornalista gringo que escreveu que eu sou chegado nuns gorós. Assim não dá, né? Aliás, como era mesmo o nome dele?

- Larry Rohter, do The New York Times.

- (Totalmente descontrolado, os olhos injetados, berrando.) Esse mesmo! Expulsei esse engraçadinho. Quem ele pensa que é, pra me chamar de bêbado? Logo eu, que não sou, como também não é o José Sarney, um cidadão comum. Com quem ele pensa que tá falando? Eu sou o Lula, porra! (Retoma a calma, ofegante.) Mas, como eu disse, sou totalmente a favor da liberdade de imprensa. Até porque a gente tem muitos amigos na imprensa, como os bispos da Record. Já disse que a imprensa não existe pra fiscalizar o governo, mas pra informar. (Entusiasmado.) A TV Brasil do companheiro Franklin Martins, aquilo sim é que é jornalismo neutro e imparcial! Sou a favor da liberdade de imprensa, todo mundo sabe, tanto que deixo que criem mais uma emissora estatal só pra falar bem de mim e de meu governo. Por enquanto ela dá traço de audiência, mas é só o começo. Ainda estamos longe da perfeição, como na Venezuela ou em Cuba, mas um dia a gente chega lá. Estamos trabalhando pra isso.

- Para terminar, senhor presidente: Caetano Veloso disse que o senhor é analfabeto e cafona. Que resposta o senhor daria a ele?

- Minha resposta a Caetano eu dei ontem, ouvindo um CD de Chico Buarque e de Frank Aguiar. Aaaaaaaaauuuuu!

quarta-feira, outubro 14, 2009

O BOITATÁ DE CAETÉS


Fábio Barreto é o Oliver Stone brasileiro. Quem é Fábio Barreto? É o diretor de Lula, o Filho do Brasil, hagiografia cinematográfica de Luiz Inácio Lula da Silva. Quem é Oliver Stone? É o diretor de South of the Border, filme-exaltação sobre Hugo Chávez, lançado algumas semanas atrás. Stone - que alguns chamam, maldosamente, de "Stoned" (chapado, em inglês) - fez questão de aparecer no último Festival de Veneza ao lado de seu ídolo bolivariano, enquanto este distribuía farpas contra as elites e os imperialistas e cantava as maravilhas do "socialismo do século XXI".

O filme sobre Lula, orçado em R$ 16 milhões, é o mais caro da história do cinema brasileiro. De acordo com algumas resenhas publicadas na imprensa, o filme não faz qualquer referência à política. Não fala dos bastidores das greves do ABC paulista, no final dos anos 70, nem nas disputas sindicais, nem na fundação do PT, nem na passagem apagada de Lula pelo Congresso, nem no mensalão, nem em José Dirceu, nem em Marcos Valério, nem em Delúbio Soares. Concentra-se, em vez disso, na "história de vida" de Lula, da infância pobre em Caetés até o chão de fábrica em São Bernardo do Campo, passando pela morte de Dona Lindu e pelos romances com Lurdes e Marisa Letícia. A idéia é arrancar a maior quantidade possível de lágrimas da platéia, faturar uma grana e, de quebra, colocar um pouco mais de açúcar no culto da personalidade lulista. No PT, já há quem sonhe que o filme poderá preparar o caminho para uma futura eleição de Lula para a secretaria-geral da ONU, ou para o Prêmio Nobel da Paz. Se Obama pôde, por que não Lula?

Um filme de R$ 16 milhões sobre Lula que não toca em política já é de se desconfiar. É algo assim como um filme sobre Hitler que não fala no Holocausto, ou sobre Stálin sem o Gulag, ou sobre Marlene sem Emilinha Borba. Mas isso não é o mais importante. A estréia do filme está marcada para o próximo dia 1 de janeiro. Em 2010 haverá eleições presidenciais no Brasil. A candidata de Lula é Dilma Rousseff. Quase ninguém no interior do Nordeste, de onde veio Lula, tem a menor idéia de quem é Dilma Rousseff. Nem mesmo a criação de uma sigla - o PAC -, especialmente para ela, parece capaz de fazer o povão ter alguma empatia por sua figura carrancuda de ex-guerrilheira Stela da VAR-Palmares. Mesmo assim, em alguns lugares, ela já começou a ser chamada de "a mulher do Lula". A estratégia de Lula é transferir sua popularidade a Dilma, fazendo-a sua sucessora. Dito de outro modo: ele quer não que o povo, mas que ele, Lula, eleja quem vai sucedê-lo. Um filme contando sua vida sofrida de retirante nordestino para São Paulo, ainda mais em ano eleitoral, vem bem a calhar para esse propósito. A idéia é que a campanha de Dilma Rousseff pegue carona no filme de Fábio Barreto. Se Lula é "o filho do Brasil", nada mais natural que Dilma seja "a mulher do Lula".
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Fábio Barreto nega que o filme sobre Lula tenha algum objetivo eleitoreiro. Cineastas, assim como atores, são mentirosos compulsivos. Oliver Stone também negou que seu filme sobre Chávez seja antiamericano. Benicio Del Toro, o ator que interpreta Che Guevara nos dois filmes de Steven Soderbergh, foi pego em entrevista gaguejando, tentando negar que seu personagem fuzilara pessoas inocentes. Do mesmo modo, Lula até hoje nega de pés juntos que sabia alguma coisa sobre o mensalão.
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Alguém poderia dizer que perco meu tempo falando mal de Lula. Que tenho uma obsessão por ele. Que servos discutem pessoas, e mestres discutem idéias etc. Também poderá afirmar, por causa do filme, que eu sou um insensível, sem coração. Não é nada disso. De fato, a pessoa Luiz Inácio não me interessa nem um pouco. Mas acontece que Lula não é uma pessoa. É uma idéia. É um mito. Uma lenda. Assim como o boitatá ou a mula-sem-cabeça. Assim como Hugo Chávez e Fidel Castro, seu grande ídolo, cujas glórias Oliver Stone também já cantou em um pseudo-documentário nas telas de cinema. Lula é parte do folclore da esquerda; sem esta, ele não existe.
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Oliver Stone já filmou as vidas de Richard Nixon e de George W. Bush - este último, um personagem fictício -, bem como de Alexandre, o Grande. Aguardo o dia em que ele fará um épico sobre Lula, com roteiro de Michael Moore e patrocínio da Petrobrás. Para quem acredita em boitatá e em mula-sem-cabeça, seria um prato cheio.

quinta-feira, agosto 20, 2009

O APEDEUTISMO DE LULA



Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!

Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...

("Liberdade", Fernando Pessoa)
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Apedeuta [Do gr. apaídeutos.] Adjetivo de dois gêneros. 1.Sem instrução, sem educação. Substantivo de dois gêneros. 2.Pessoa ignorante, sem instrução. - Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa.


Lula disse em entrevista aquilo que todo mundo está calvo de saber, mas que reluta em dizer abertamente: não gosta de ler ("me dá sono"). Disse que até tentou folhear o novo livro de Chico Buarque, mas não conseguiu ir adiante (nesse caso, vai um desconto: como escritor, Chico Buarque é mesmo um excelente cantor, e o livro é mesmo um soporífero). Perguntado sobre o que gosta de ver na TV, nosso Guia Genial também foi claro quanto a seus interesses culturais: "quanto mais bobagem, melhor".

Uso o termo "apedeuta" para me referir a Lula faz algum tempo, e não sou o único a fazê-lo. Faço-o não por imitação, mas porque o termo, cujo significado no dicionário está aí em cima, é o mais adequado na Língua Portuguesa para classificar nosso companheiro-mor. Inclusive, já escrevi sobre o culto da ignorância que o rodeia, como poderá constatar quem tiver a curiosidade de pesquisar. Lula não é apenas alguém que não teve instrução: é o maior propagandista, entre nós, das virtudes da ignorância.

Claro, claro: sou um "preconceituoso" por dizer isso. Ainda há quem pense assim. Afinal, como é mesmo?, o homem veio da pobreza, não teve condições etc. etc. Seria verdade, não fosse por um pequeno detalhe, que repito aqui: desde que deixou o chão da fábrica, há uns trinta anos, Lula só não estudou porque não quis. Ou, como ele mesmo diz agora, porque é algo "que dá sono". Melhor assistir ao Ratinho.

Admito que esse é um aspecto, digamos, positivo, até simpático, em Lula. O fato de não ter tido instrução, de até um dia desses falar "menas" e ter problemas com o plural das palavras, é algo que certamente joga a favor de Lula, principalmente entre as classes mais baixas. É algo com que a maioria dos brasileiros se identifica com facilidade. Ainda mais no país dos "doutores" e dos "bacharéis", onde ter um diploma muitas vezes é confundido com sabedoria, isso não deixa de ser um diferencial. Confesso que entre um sujeito bonachão sem muita afinidade com as letras e um pernóstico e chato de galochas do tipo Rui Barbosa, prefiro o primeiro. Acho até que, se eu tivesse que optar entre tomar uns gorós e bater uma pelada com o Lula ou apreciar um Chadornay no Fasano com o Zé Serra, eu escolheria a primeira opção. Mas o problema é que Lula não foi eleito presidente do Clube dos Cervejeiros da Sexta-Feira ou do Arranca-Toco Futebol Clube, e sim presidente da República. Ser semi-analfabeto, quer se queira quer não, é um direito. Sentir orgulho de sê-lo, ainda por cima no posto mais alto do País, aí não. Aí já é demais.

Lula entrará para a História, se é que já não entrou, como o presidente que desmoralizou a ética, a esquerda, as instituições, a própria corrupção - e também a educação. Com ele, o Brasil regrediu uns cinqüenta anos, no mínimo. Ele é nosso índio de casaca, aplaudido e paparicado por uma legião de intelectuais embasbacados, tão ou mais ignorantes do que ele.

Lula diz que não gosta de ler. Ele tem razão. Ler não serve para nada. Principalmente, se você for Jesus Cristo, Tiradentes e São Francisco de Assis. Todos numa só pessoa.

quarta-feira, agosto 19, 2009

E LULA CONFESSA: ERA CONTRA O IMPEACHMENT DE COLLOR...

"- Fui bem, Fernandinho?
- Muito bem, meu presidente! Eles terão de nos engolir e digerir!"


“Getúlio foi levado ao suicídio porque era chamado de ladrão e corrupto todo dia. Juscelino Kubitschek era chamado de ladrão todo dia pelos denuncistas da época, a UDN moralizadora - a direita está cheia de ética para vender. Jânio Quadros renunciou por causa de forças ocultas, João Goulart caiu algum tempo depois, depois foi o Collor”.
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A declaração acima, é fácil adivinhar, é de Luiz Inácio Lula da Silva. Ela foi feita em entrevista ontem a uma rádio. Lula estava criticando o que chamou de "denuncismo" contra o presidente do Senado, seu ex-adversário e atual amigo de infância José Sarney.

Não, vocês não leram errado: Lula compara Sarney a Getúlio, Juscelino, Jânio, Jango e... Collor. Colocou todos eles no mesmo saco. Mais: disse que foram eles todos atacados pelas mesmas forças políticas. Todos eles? Todos. Collor também? Collor também. Mas, peraí, Lula não foi a favor do impeachment em 1992? Não foi, é o que o Apedeuta acabou de confessar. Então, foi tudo de mentirinha, tudo jogo de cena para enganar os trouxas? Foi.

Collor, como se sabe, é hoje aliado de Lula, assim como Sarney. Logo, de acordo com o único critério dos petistas para determinar suas alianças, está acima do bem e do mal. Esteve do outro lado um dia, e então era mau; agora, é nosso aliado, então pode tudo.

Assim como fazem pouco caso da lógica e da ética, os lulistas não têm qualquer pudor em falsificar a História, interpretando-a conforme suas próprias conveniências, confiando na amnésia coletiva. Nisso, apenas seguem uma velha tradição da esquerda, inaugurada por Stálin e suas famosas fotografias retocadas. Quando mandava executar algum camarada, Stálin ordenava que a imagem e o nome do fuzilado fossem apagados das fotos e registros oficiais, em que não raro aparecia ao lado dele, Stálin. Com Lula é um pouco diferente: ele faz questão de posar ao lado de quem ainda ontem condenava ao enxofre do inferno. Com isso espera apagar, também, a memória do que disse um dia, reescrevendo a História. Ele dizia ter sido a favor da "ética" e do impeachment de Collor? Pois agora ele compara Fernandinho a Getúlio e a Juscelino. Assim como faz com Sarney, que um dia desses ele chamava de "pai dos ladrões".
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Lula realmente confia na memória curta dos brasileiros. Para ele, Sarney está sendo vítima de uma campanha insidiosa lançada pelas mesmas forças políticas que levaram Getúlio ao suicídio em 1954 e que não deram sossego a Juscelino: a "UDN moralizadora", a "direita" etc. É... Agora adivinhem de que partido era José Sarney nessa mesma época: a... UDN! E logo da "banda de música", a ala, digamos, mais à direita da direitista UDN. Quando veio o golpe de 64, adivinhem de que lado estava o injustiçado Sarney: do lado do partido dos militares, o mesmo lado que teria levado Jânio à renúncia e João Goulart ao exílio.

E Collor? Aqui é que a frase de Lula é mais reveladora. Para o Guia Genial, o neocompanheiro Collor caiu por causa da ação das mesmas forças. Esqueçam aquela conversa toda de corrupção, PC Farias, tráfico de influências, Operação Uruguai etc. Não foi por isso que Collor teve de deixar a presidência, segundo Lula. Foi porque - a frase está lá - "a direita está cheia de ética para vender". Collor, quem diria, é mais uma vítima da "conspiração das elites e da mídia" que o Apedeuta gosta de denunciar de vez em quando. E os carapintadas? Um bando de reacionários moralizadores, de acordo com Lula.

Alguém poderia dizer que a frase foi apenas mais uma gafe, uma infelicidade verbal de Sua Excelência. Não foi. A frase revela todo o, digamos assim, "pensamento político" de Lula da Silva. Se havia alguma dúvida de que o discurso da "ética na política" adotado por Lula e pelo PT nos últimos anos era uma farsa, algo puramente instrumental para chegar ao poder, aí está o próprio Lula para confirmar e dar todo o serviço. É ele mesmo quem diz: Lula era contra o impeachment de Collor. Lula é contra a saída de Sarney.

Lembram aquela conversa do político e do partido mais éticos do Brasil? Pois é. Estão fechados com Collor, Sarney, Renan Calheiros, Almeida Lima e Wellington Salgado. Esses são os novos "progressistas" da política brasileira.
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Até pensei em colocar um ponto de exclamação no título deste post, como fazem os jornais sensacionalistas ("Lula era contra o impeachment de Collor!"), mas preferi colocar reticências... Tamanha é a perplexidade com as reviravoltas de Lula, a "metamorfose ambulante", que notícias assim nem causam mais surpresa. Os lulistas nunca deixarão de nos surpreender.
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Sei que é clichê, mas a frase é adequada: a que ponto chegamos...

quarta-feira, agosto 05, 2009

"ELLE" ESTÁ DE VOLTA - COM AS BENÇÃOS DE LULA


Escrevi o texto a seguir em novembro de 2006 - quase três anos atrás. Na época, mesmo após o mensalão, o mito Lula - ou Lulla - ainda não se tinha esvanecido de todo, e ainda havia quem se escandalizasse com comparações entre ele e Collor - lembro que uma colega, para quem eu enviei o texto por e-mail, me ligou atônita, dizendo que eu havia perdido completamente a noção e viajado na maionese...

Pois é... Como ficou claro pela sessão do Senado de ontem, Collor e Lula nem escondem mais que estão do mesmo lado, no mesmo plano político-ideológico. Na sessão em apreço, o ex-caçador de maracujás, agora senador pelo impoluto PTB de Alagoas, mostrou que está de volta - e continua o Collor de sempre, cheio de empáfia e fanfarronice, vomitando mandonismo e vulgaridade. Tomou o microfone para falar grosso, como nos velhos tempos da República das Alagoas, mandando outro senador engulir e digerir o que dissera e reforçando a tropa de choque governista contrária à saída de outro ex-presidente, José Sarney, da presidência do Senado. Tudo com as bênçãos de Lula, seu mais novo aliado. Não duvido que, em alguns meses, elle aparecerá fazendo cooper em frente às câmeras, com aquelas suas camisetas, de mãos dadas com o Apedeuta em pessoa.

O texto é de quase três anos atrás. Mas, vocês facilmente verão, poderia ser escrito hoje. Faço apenas uma ressalva, no último parágrafo: Collor não durou somente dois anos. Na verdade, elle está de volta - pelas mãos de Lula.

Quão distante parece o tempo em que tudo era branco ou preto, quando Collor era apenas um filho da oligarquia mais atrasada e Lula, a esperança de redenção contra "tudo isso que está aí"... Hoje, o companheiro Collor é, ao lado dos companheiros Sarney e Renan Calheiros, o esteio do governo Lula da Silva. Quem mudou, Collor ou Lula? Uma coisa é certa: o primeiro, certamente, continua o mesmo.
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Poucas vezes as palavras de George Orwell em A Revolução dos Bichos foram mais adequadas para descrever o triste momento para o qual nos conduziu o lulismo:
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"Não havia dúvida agora quanto ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir quem era homem, quem era porco."

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LULA É PIOR QUE COLLOR

Em agosto de 2005, no auge dos escândalos de corrupção que atingiram em cheio a atual administração federal, a revista Veja publicou em sua capa uma foto do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sobre um fundo preto e com seu nome, escrito em letras garrafais em verde e amarelo: "Lulla", com o "l" dobrado. A intenção era associar a imagem de Lula a do ex-Presidente Fernando Collor de Mello, hoje sinônimo de corrupção. Muita gente certamente não gostou. Para muitos petistas e não-petistas, eleitores ou não de Lula, tal associação pareceu forçada e grosseira, para não dizer até mesmo mais um indício da onipresente "conspiração das elites e da mídia" contra o supremo mandatário da Nação. Para outros tantos, fiéis patrulheiros da correção política, pareceu algo simplesmente de mau gosto.

Um ano depois, quando o fedor da onda de denúncias - deflagrada por um personagem vindo das entranhas do Governo, é bom lembrar - parece ter-se dissipado, por única e exclusiva culpa da oposição, que acreditou ter derrubado em alguns meses um mito de três décadas, pode-se dizer, sim, que Veja errou. Não por ser descabida qualquer comparação entre Lula e Collor, mas pelo fato de que a revista igualou os dois. Lula não é igual a Collor. Ouso dizer: é pior.

Vejamos. Collor representava a velha política de sempre, as velhas oligarquias e o velho coronelismo travestido de "moderno". Era, como tal, um produto artificial, criação da grande mídia e principalmente da Rede Globo, ainda assustada com as "bravatas" - segundo o próprio Lula, depois de chegar ao poder - do então sapo barbudo. A "modernidade" do caçador de maracujás, portanto, era de fachada, pura pirotecnia. Além disso, por sua arrogância natural, seu jeito empolado e até mesmo por seu tipo físico, bem diferente do comum dos brasileiros, era fácil não ir com a cara delle.

Já Lula é pior, pois baseia seu inegável carisma em algo bem mais profundo e tenebroso do que uma bela estampa ou um jingle de campanha. Assim como Collor, ele convenceu a muitos que representa o "novo" na política, o lado bom e progressista, embora repita os métodos clientelistas e mandonistas velhos de guerra, tão antigos como o Brasil. Assim como Collor, ele usou e abusou do marketing para manipular o eleitorado e encobrir o próprio vazio de idéias. Mas, ao contrário de Collor, sua demagogia e seu populismo rasteiros estão alicerçados em bases culturais e psicológicas muito mais sólidas e menos superficiais, logo mais difíceis de erradicar.

Ao contrário de Collor, que criou um partido de aluguel para lançar-se às eleições presidenciais, Lula é fundador e dirigente de honra do PT - embora, nos últimos meses, tenha procurado desvincular sua imagem da do partido, como se uma coisa não tivesse nada a ver com a outra. Logo, não é um aventureiro, como o foram Collor e Jânio Quadros, mas um político profissional, figura de proa do auto-intitulado maior partido de esquerda do Hemisfério ocidental. Suas ações ou omissões, diferentemente de Collor, vêm chanceladas por uma visão ideológica articulada durante décadas e profundamente enraizada em vastos setores da população (veja-se, por exemplo, o funcionalismo público, a comunidade universitária e segmentos da Igreja Católica). Assim, se ele decide, de repente, rasgar a bandeira que defendeu durante um quarto de século para abraçar a mesma política econômica que um dia antes esconjurava - como fez em 2002, no maior exemplo de conversão sem confissão nem arrependimento registrado na História -, isso não é visto por muitos como desonestidade, mas como "realismo político". Do mesmo modo, se em 2006 escolhe como aliada uma legenda de aluguel criada por bispos evangélicos da Igreja Universal do Reino de Deus, isso é justificável. Em Lula, os defeitos viram virtudes, os vícios se tornam louváveis. É, portanto, um fenômeno muito mais perverso e sinistro, pois muito mais duradouro e desculpável aos olhos de nossa moral torta.

Era fácil detestar Collor por sua picaretagem explícita, sua origem social, suas gravatas Hermès ou suas fanfarronices. Lula, por sua vez, é admirado pelos mesmos motivos. Collor era criticável por ser uma figura "de fora", um outsider, e assim não nos sentíamos mal criticando-o, pelo contrário: sentíamo-nos vingados. Era, afinal, um farsante, um intruso que logo foi escorraçado da vida política, desmoralizado como corrupto e ridicularizado como o filhinho de papai megalomaníaco e narcisista que sempre foi. Aqueles que votaram sinceramente nele, esperando alguma saída em meio ao caos do final do Governo Sarney, podem dizer que foram enganados, e não precisam sentir nenhuma vergonha por isso.

Lula, ao contrário, será sempre o "líder operário", o "herói da classe trabalhadora", por mais mensalões, Marcos Valérios e Delúbios que apareçam. Não importa o quanto fique comprovado seu envolvimento com a corrupção que tomou conta do Governo - e as evidências são abundantes -, sempre haverá quem saia em sua defesa, como os artistas que justificaram recentemente as falcatruas da quadrilha petista, pois "não se faz política sem sujar as mãos". No caso de Collor, tal apologia da corrupção causaria um escândalo de proporções bíblicas. Mas não no caso de Lula. Quando achincalhávamos Collor, estávamos olhando para alguém com quem não nos identificávamos, e podíamos chamá-lo de ladrão a plenos pulmões, até com alegria. Com Lula, é diferente: sendo ele "do povo", um "autêntico líder popular", um "filho do Brasil" - como diz o título de sua mais conhecida hagiografia -, verdadeiro ídolo das massas e superstar da intelectualidade engajada, é muito mais dificil criticá-lo. Ao fazê-lo, estaríamos criticando não um mero charlatão, um simples histrião oportunista, mas nós mesmos, que alimentamos o mito de que ele seria uma espécie de Messias. Por outro lado, a explicação simplista de que "o poder corrompe" não cola, pois talvez em nenhum outro caso na História, ficou tão claro que o poder, em vez de corromper, revela e desmascara. Mesmo assim, sempre haverá quem encontre alguma finalidade nobre na sua corrupção, algum fim que justifique os meios.

Isso é tão verdade que os índices de popularidade de Lula continuam altos. Sua reeleição é quase certa. Lula, se reeleito, deverá sua vitória nas urnas a um programa assistencialista. Com ele, inaugurou-se uma nova era: a do "bom assistencialismo" (o nosso), em oposição ao "mau assistencialismo" (o dos outros). A população está ciente da gravíssima crise moral que assolou as mais altas instâncias da República - seria preciso morar na Lua para imitar o Presidente e dizer que não sabe de nada - mas mesmo assim votará no homem que chefia o Governo mais corrupto da História do Brasil. A conclusão é um duro golpe em nossa auto-estima: em nossa lista de valores, a honestidade não ocupa os primeiros lugares. A barriga vem primeiro. E se o Governo que dá a esmola e rouba o dinheiro público é do Lula e do PT, então está tudo bem. Lula rouba, mas faz.

Nenhum outro político brasileiro desde Getúlio Vargas na época do Estado Novo foi objeto de um culto da personalidade tão forte quanto Lula. Mesmo sem jamais ter ocupado nenhum cargo executivo antes de alcançar a Presidência, qualquer palavra sua adquiria imediatamente, para uma parcela crescente da sociedade, status e força de lei. Não lhe faltou sequer o toque dramático do martírio: filho de migrantes pobres nordestinos, preso no DOPS etc. Quem tem hoje trinta anos ou mais e era criança ou adolescente nos anos 80 cresceu sob a sombra dessa figura barbuda, de língua presa e fala rouca, repleta de erros de português - um atrativo a mais, na visão de muito intelectual stalinista -, sempre vociferando contra o governante de plantão e "a zelite". Quando se eleva alguém assim tão alto, quando se sacrifica dessa maneira a capacidade crítica em favor da glorificação do "líder", é bom desconfiar. De Lula se perdoava tudo, a ponto de ainda se considerar "preconceito elitista" chamar a atenção para um dado básico de sua biografia - sua já notória preguiça intelectual, elevada à categoria de culto da ignorância. Com seu ar de superioridade ética, pairando acima do bem e do mal, misto de Gandhi e Fidel Castro, Lula se tornou um ídolo pop. Em 2003, no auge da histeria lulista, chegou-se a pensar em lançar sua candidatura ao Prêmio Nobel da Paz. Que outro político já virou letra de rock por causa de uma frase sua ("Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou...")?

Tão longe chegou o culto da personalidade do ex-operário-que-virou-Presidente que já se fala em uma nova ideologia, o lulismo, como substituto do petismo, que afundou até o pescoço no lamaçal ético. O fato de Lula ter passado incólume ao vendaval de 2005 prova a força do mito. Cobriu-se a figura do ex-metalúrgico de uma aura de santidade e pureza que lhe foi dada carta branca para que brincasse com o País do jeito que bem entendesse e não precisasse dar nenhuma satisfação para ninguém, o que traz a marca de um viés nitidamente autoritário. Collor agia como um oligarca provinciano, esbanjando caipirice? Pois Lula comporta-se como um novo-rico, deslumbrado com o poder. Collor foi denunciado por ter colocado dinheiro público na sua residência particular, a Casa da Dinda? Pois Lula permitiu que seu filhinho tungasse 5 milhões do Estado para turbinar sua empresa de fundo de quintal. Fernando Henrique foi execrado por gastar muito em viagens oficiais? Pois Lula multiplicou as viagens, torrou dinheiro num avião novo e, de quebra, ainda deixa os amiguinhos de seus filhos passearem de graça num jatinho da FAB de vez em quando para alguma farra. Collor sofreu impeachment por causa do tráfico de influências que seu tesoureiro, PC Farias, fazia no Governo? Pois Lula não só permitiu todo tipo de maracutaia, como espalhou dinheiro do mensalão pelos corredores do Congresso. A diferença é que Collor foi de antemão condenado pelo tribunal da opinião pública, enquanto que Lula tem essa opinião pública - nós, enfim - na palma da mão, graças aos esforços gramscianos de décadas de doutrinação política pela turma do PT. Lula é uma força muito mais funesta, porque diz muito mais sobre nossos vícios de origem, nosso fisiologismo, nossa dissimulação, nossa malandragem. Ele é a prova de nosso fracasso.

Collor foi um raio num dia de céu claro. Lula é uma tempestade que assola o país há três décadas. Collor durou pouco mais de dois anos. Lula continuará nos assombrando, lépido e fagueiro, por muito tempo ainda. Collor foi uma ilusão. Lula é o Brasil. O pior do Brasil.