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domingo, janeiro 20, 2013

A FALÁCIA DESARMAMENTISTA E A DEMAGOGIA OBÂMICA

Confesso que certos assuntos me dão uma preguiça... Por exemplo: Barack Obama. Não consigo pensar no ex-redentor da humanidade sem me ver invadido, subitamente, por uma sensação de tédio mortal e irresistível. Mas vamos lá, noblesse oblige, e queira eu ou não, somos obrigados a lidar com esse canastrão, como se os de cá já não fossem suficientes.

O ex-messias está atualmente em plena cruzada contra a segunda emenda da Constituição dos EUA, que garante ao cidadão o direito à posse e ao porte de armas de fogo. Está aproveitando o clima de emocionalismo criado após o assassinato covarde e brutal de 28 pessoas, entre as quais 20 crianças, cometido há um mês por um demente em Connecticut, para retomar a guerra santa contra o, dizem, "lobby pró-armas", o qual, a se julgar pelo noticiário, deve ser formado por um bando de mentes pervertidas que não dão a mínima para a morte de criancinhas num jardim de infância nas mãos de um louco homicida. Tudo em nome da sua, da nossa, da minha segurança, de um mundo de paz, amor e felicidade etc.

Como disse antes, para mim é impossível conter os bocejos diante de alguns personagens e de alguns temas, de tão monótonos que são. O desarmamentismo, que na Terra do Tio Sam atende pelo nome de gun control, é há décadas uma das causes célèbres da esquerda, lá representada pelo Partido Democrata (o partido de Kennedy e de Franklin Roosevelt, gostam de lembrar, ao mesmo tempo em que fazem questão de esquecer que Lincoln, por exemplo, era republicano). Assim como a palavra "petista" no Brasil é inseparável de coisas como "controle social da mídia", fale em democratas nos EUA e virá junto, inevitavelmente, a expressão gun control. Isso torna o assunto deveras previsível e entediante. Ainda mais se vem travestido de "debate" resultante do último acontecimento a gerar comoção na mídia. O que se chama de "debate" sobre o tema "controle de armas" nos EUA hoje - e podemos dizer o mesmo na Bananalândia - não passa de uma tentativa oportunista de manipular e ludibriar a opinião pública, apelando para o emocionalismo mais rasteiro: Obama fez questão de chorar lágrimas de marketing logo após o massacre das crianças (Nelson Rodrigues dizia que o choro verdadeiro assoa o nariz, e que limpar o canto do olho, como Obama fez, é coisa de fingidor). Não contente, o presidente que já era histórico antes mesmo de ser eleito agora age como um reles molestador infantil, usando descaradamente criancinhas para tentar convencer o distinto público de que o desarmamento amplo, geral e irrestrito é o caminho. Por trás de toda essa encenação, o que há não tem nada a ver com segurança, mas sim com um indisfarçável ímpeto liberticida.

Por que digo essas coisas tão terríveis? Por que, ao contrário da multidão, não me deixo levar pelo irracionalismo, nem me comovo com mises-en-scène políticas como a interpretada por Obama na questão das armas? Porque sou um reacionário, portanto um canalha da pior espécie, um inimigo da paz e da segurança, diria um devoto da seita obâmica. Porque o discurso obamista não corresponde aos fatos, dirá a realidade.

Senão, vejamos. A idéia por trás do discurso desarmamentista é extremamente simples. É a seguinte: armas matam; logo, se não houver armas, não haverá mortes. Portanto, deve-se retirar as armas de circulação, proibi-las, bani-las. Menos armas, menos crimes, é o que se está dizendo. Isso porque existiria uma relação causal insofismável entre a posse de um revólver ou de uma espingarda e a violência. Assim como existiria uma relação causal insofismável entre ter um carro na garagem e esborrachar-se, inevitavelmente, contra um poste. Foi essa a idéia-chave que tentaram nos vender em 2005, com o plebiscito sobre o desarmamento, que foi rejeitado por 64% dos eleitores. E é essa a base, o fundamento mesmo, da teoria do gun control

Aparentemente, estamos diante de uma verdade absoluta, uma lei cientificamente comprovada, tão certa quanto a lei da gravidade. Aparentemente. Porque, se o que está dito no parágrafo anterior fosse verdadeiro, seríamos obrigados a admitir que os números sobre armas e violência no mundo são completamente falsos.

Segundo a mais recente pesquisa feita pela ONU, existem atualmente, nos EUA, cerca de 270 milhões de armas de fogo em circulação, de todos os calibres. É mais do que uma arma para cada cidadão. No Brasil, o número de armas, sob uma legislação extremamente restritiva, é de 15 milhões (para uma população total que se aproxima de 200 milhões). Por esses números, a conclusão lógica seria que os EUA são um verdadeito matadouro de gente - é a impressão que muitos têm após massacres como o de Newtown -, enquanto que a afortunada terra do carnaval seria um oásis de paz e tranquilidade ou, pelo menos, um lugar onde se mata muito menos do que no país dos caubóis (onde, além do mais, existiria uma "cultura da morte", estimulada pela indústria do cinema, os video-games violentos e a direita republicana, como gosta de dizer Arnaldo Jabor).

Pois é. Deveria ser assim, né? Só que, nesse caso, a retórica anti-armas esqueceu de combinar com os fatos, porque os números indicam exatamente o contrário.

Segundo o mencionado levantamento da ONU, que se refere ao ano de 2010, morreram a tiros, nos EUA, 9.960 pessoas. Isso corresponde a 3,2 mortos para cada grupo de 100 mil habitantes. Já no Brasil varonil, de acordo com a mesma pesquisa,  36 mil indivíduos foram vítimas mortais de armas de fogo (19,3 para cada 100 mil habitantes). Ou seja: com DEZESSEIS VEZES MENOS armas do que nos EUA, matou-se, no mesmo período, TRÊS VEZES MAIS pessoas no Brasil (vejam aqui: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/12/121218_armas_brasil_eua_violencia_mm.shtml.
Conclusão: se há uma relação entre a quantidade de armas e os índices de violência, é que QUANTO MAIS ARMAS, MENOS CRIMES. Exatamente o contrário do que dizem os desarmamentistas e Obama.

Também a experiência de outros países demonstra um enorme fosso entre a realidade e o discurso anti-armas. Em 1974, a Jamaica proibiu todo e qualquer tipo de arma de fogo. De lá para cá, a criminalidade aumentou vertiginosamente, e hoje o país do reggae e de Bob Marley é um dos mais violentos do mundo, só perdendo, em número de mortos em relação à população, para Honduras e Iraque. Em contrapartida, a neutra e pacífica Suiça, cuja lei garante a cada cidadão o direito a ter um fuzil militar dentro de casa, ostenta índices baixíssimos de criminalidade. O mesmo ocorre, é verdade, na Noruega e na Finlândia, que têm leis bastante rigorosas sobre a posse de armamento - o que não impediu que esses países fossem cenário de verdadeiros banhos de sangue em anos recentes. (Aliás, quantas vítimas poderiam ter sido salvas se os assassinos tivessem encontrado pela frente, em vez de alvos indefesos, cidadãos armados?) 

Qualquer pessoa com um mínimo de respeito à lógica e ao bom senso, sem falar em honestidade intelectual, analisando os números acima, chegaria facilmente à conclusão de que toda a discurseira a favor do gun control não passa de mera demagogia, de simples exploração politiqueira de tragédias como a de Sandy Hook para aprovar um pacote de leis que, em vez de reforçar a segurança, irá apenas levar mais intranquilidade à população, impedindo que o cidadão de bem possa defender a si e a sua família.

Isso fica ainda mais claro quando se analisam alguns "argumentos" comumente usados pelos desarmamentistas. Dizem, por exemplo, que o controle de armas é necessário, pois é mais fácil matar dez pessoas com uma pistola do que com uma faca etc. E é mais fácil se defender com uma pistola do que com um faca, esqueceram de dizer. Assim como aparentemente esqueceram que uma pistola ou um rifle com uma capacidade de tiros reduzida matará menos, mas também defenderá menos. O desarmamento funciona. Para os bandidos. (Nem vou me dar ao trabalho de responder ao "argumento" de que armas devem ser proibidas porque há acidentes, o qual ofende a inteligência.)

Se Barack Hussein Obama e seus marqueteiros estivessem realmente interessados em segurança, admitiriam que armas não matam pessoas - pessoas matam pessoas. E que revólveres e pistolas, se são usados para cometer crimes, também são uma garantia de segurança e de liberdade. Como, aliás, já sabiam os Founding Fathers, os pais fundadores da nação norte-americana. Não foi por acaso que o direito a possuir e a portar armas foi inserido no texto da Constituição do país. Não deve ser por acaso, também, que a revogação desse direito constitucional é algo tão caro a Obama e seus seguidores. Para quem se dedica, há anos, a se esquivar de perguntas incômodas sobre sua nacionalidade e sobre amizades suspeitas, querer impor um controle maior sobre os antecedentes dos donos de armas deveria ser visto como uma atitude, no mínimo, incoerente.        

domingo, dezembro 30, 2012

TORTURANDO A REALIDADE. OU: A SUPERIORIDADE MORAL DAS DEMOCRACIAS

 
Ando meio sem assunto nos últimos dias. Culpa, talvez, do clima "paz e amor" que toma conta de tudo e de todos nesta época do ano, e certamente também dos esquerdopatas - é tedioso refutar suas imposturas, admito. Mas vou quebrar a regra e dar um pouco de atenção a alguém, que se assina "E agora, José?" (ah, esses apelidos engraçadinhos... o que leva alguém a se identificar desse jeito? Freud explica). Pois o tal "E agora, José?" deu-se ao trabalho de enviar um comentário a meu texto "O BODE EXPIATÓRIO DO MUNDO", em que trato do antiamericanismo, essa doença infantil dos idiotas à esquerda e à direita. Eis o que diz o rapaz (ou a moça, sei lá):

Excelente matéria da revista "Veja" (19 de dezembro de 2012) sobre a Tortura. Matéria: "A volta dos Suplícios" p. 130-132, falando justamente sobre a prática de simulação de afogamento utilizada pelos EUA para torturar seus presos políticos.

Como diz a matéria no final: " É claro que a tortura, às vezes, é eficaz. Em outras, é ineficaz. Mas em qualquer situação é crime"!
 
Sei não... A se julgar pelo nome do(a) remetente, e do contexto em que o comentário está inserido, deduzo que se trata de (posso estar enganado, mas vamos lá) uma, digamos, "crítica" à minha visão sobre a enfermidade antiamericana, em especial sobre os, digamos, "argumentos" pretensamente humanistas brandidos pelos inimigos dos EUA (e da espécie humana) para enfrentar e derrotar a ameaça terrorista (em geral, os mesmos que fazem contorcionismos mentais para justificar os atentados terroristas como uma forma de "resistência"...). Mais especificamente, seria uma crítica aos métodos adotados pelas forças de segurança dos EUA e seus aliados contra os terroristas. Mais especificamente ainda (estou fazendo isso na base do chute), o alvo da crítica seria a controversa prática do waterboarding, de que já tratei aqui em outros textos.
 
Muito bem. Caso o que vem acima esteja certo, e o autor do comentário realmente esteja mirando nesse alvo, sinto dizer, mas ele(a) errou de endereço.
 
Concordo plenamente com a matéria da VEJA. Não uso de eufemismos. Waterboarding é tortura. E tortura é crime. Ponto final. Moral e politicamente, torturar um prisioneiro, seja por qual método for, é indefensável. Desafio qualquer um a mostrar algum trecho de qualquer post meu em que me afasto, por mínimo que seja, dessa afirmação. A tal ponto que até acho estranho alguém ter-se dado ao trabalho de mencionar a referida matéria.
 
Assim como tenho horror à tortura, chego a perder a paciência com quem insinua qualquer equivalência moral entre os Navy Seals e a Al Qaeda ou o Talibã (ou entre Israel e o Hamas). Comparar os métodos (e os objetivos) de uns e de outros, de forma a dizer que são todos iguais do ponto de vista da moralidade, é uma ofensa grave à razão e à inteligência.  Fico ainda mais convencido disso quando, ao ler o mesmo texto de autoria de André Petry, correspondente da revista em Nova York, deparo com um trecho que eu subscreveria tranquilamente. Por sorte (e, talvez, azar de quem mandou o comentário), tenho um exemplar da revista na minha frente. E lá está escrito, na mesma matéria, à página 132, segundo parágrafo:       
 
As democracias ocidentais - e os Estados Unidos entre elas, é claro - são moralmente superiores aos terroristas da Al Qaeda e seus protetores. Elas atuam sob o império da lei, sob a égide de uma Constituição, dão satisfação à opinião pública e, flagrados no erro, abrem investigações, punem os infratores e tentam corrigir o rumo. Soldados americanos torturaram guerrilheiros vietcongues. Foram processados e punidos. A França pagou um alto preço pelo uso da tortura na guerra da Argélia.  Nada disso, como se sabe, acontece no universo do terrorismo. [...]
 
Preciso dizer que assino embaixo?
 
(Talvez quem mandou o comentário seja uma dessas almas sensíveis que ficaram horrorizadas no ano passado com a morte de Osama Bin Laden, em particular com o fato de que as informações que levaram os EUA até ele foram obtidas por meio de waterboarding. Nesse caso, insisto em saber que outro meio, mais eficaz e menos doloroso, essas nobres almas propõem para obter tais informações e chegar ao megaterrorista. Aguardo resposta.)
 
Uma das características da parvoíce é disfarçar-se de sabedoria, fazendo uma leitura muito parcial e seletiva da realidade para defender imposturas e preconceitos. Isso se manifesta na tentativa, por exemplo, de acusar os que defendem a superioridade moral dos EUA e de Israel em relação a seus inimigos de "defensores da tortura", o que é uma clara demonstração de desonestidade intelectual e de fasificação da verdade. Que práticas como o waterboarding, que raramente deixam sequelas físicas, sejam consideradas uma forma de tortura nos EUA, sendo, inclusive, objeto de debate público (alguém consegue visualizar tal fato em Cuba ou na Coréia do Norte?), e que aqueles que a empregam em nome da segurança nacional sejam execrados e punidos, é uma prova mais que suficiente de que os EUA tratam seus prisioneiros de forma muito mais humana do que seus inimigos o fazem. Estes, ao contrário dos americanos, não possuem tais escrúpulos morais. Desafio qualquer um a refutar esse fato.
 
Em todos os textos que escrevi sobre o tema tentei deixar claro meu posicionamento contrário à tortura e a favor da democracia contra o terrorismo. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito de muitos que ficam "indignados" com o tratamento dado pelas autoridades americanas e israelenses aos terroristas da Al Qaeda ou do Hamas - os quais não têm, aliás, nenhum pudor no uso de métodos de interrogatório muito mais duros do que o waterboarding... Alguém tem alguma dúvida quanto a isso?
 
Mas querer que aqueles cujas mentes estão poluídas pelo veneno do antiamericanismo (e de seu complemento quase obrigatório, o antissemitismo, velado ou não) entendam esse fato fundamental talvez seja pedir-lhes demais. Para essas pessoas, nenhum fato ou argumento é suficiente para mostrar-lhes que a causa dos EUA e de Israel contra o terrorismo é, na verdade, a causa da civilização contra a barbárie. Para eles, os antiamericanos, analisar os fatos e enxergar o essencial é uma forma de... tortura. 
 
Em resumo, eu posso dormir com a consciência tranquila, pois me oponho à tortura e defendo a democracia.
 
E o autor do comentário, será que pode dizer o mesmo?
 
E agora, José?

terça-feira, dezembro 18, 2012

MAIS UM MASSACRE - E MAIS UMA PERGUNTA SEM RESPOSTA

Tem histórias que, de tanto se repetirem, ficam monótonas.

Vejam o alarido dos desarmamentistas - como é insistente esse pessoal! - após o último massacre ocorrido nos EUA. Há alguns dias, um débil mental entrou armado numa escola primária no estado de Connecticut e fuzilou 28 pessoas, a maioria crianças, antes de suicidar-se com um tiro. Foi a senha para o lobby anti-armas, estimulado pelas lágrimas reptilianas de Obama, voltarem a agitar suas bandeiras.

Nem precisei esperar a notícia acabar e eu já sabia exatamente, palavra por palavra, o que diria a turma "da paz", adepta do gun control. Como em 100% dos casos envolvendo pessoas e armas de fogo, o discurso já estava pronto: revoguem a segunda emenda da Constituição, proíbam-se as armas, e as vítimas ainda estariam vivas. Impeçam o cidadão de ter acesso legalmente a armas, e casos assim não ocorrerão jamais. Retirem as armas de circulação, e todos viverão felizes para sempre. É o que sempre dizem em tais casos, e é o que sempre dirão. 

Em vários textos, tratei desse tema - quem tiver interesse, é só pesquisar -, de modo que, mais uma vez, não irei repetir os argumentos que usei para demonstrar a falácia essencial do discurso desarmamentista. Como da última vez, vou me limitar a fazer uma pergunta (é simples, não é tão difícil de responder). É a seguinte:

Por que assassinos como o de Sandy Hook sempre escolhem, para abrir fogo e cometer suas chacinas, lugares como escolas, templos religiosos ou escritórios, e não, por exemplo, uma feira de armas ou um clube de tiro?

Já fiz essa mesma pergunta antes. Fiquei sem resposta. Será que terei alguma, desta vez?

A propósito, se me perguntarem que resposta eu daria para casos como o de massacre em New Town, eu a tenho na ponta da língua. Só não sei se o calibre da resposta seria 12 ou 45.  

quinta-feira, novembro 08, 2012

QUEBRANDO O ENCANTO: RESPONDENDO A UM DEVOTO OBAMISTA

E ainda há quem acredite...
Ai, ai...
.
Estava demorando para algum devoto da seita obamista vir aqui defender seu ídolo. Um tal de “Zek”, que ao que parece descobriu no blog a razão de sua vida, voltou a escrever. Ele ficou mordido com meu texto "Bye-Bye, Obama", em que digo que, independentemente de quem saísse vitorioso nas urnas nos EUA na última terça-feira, o mito Obama, o Obama demiurgo e reformador do mundo, tinha virado água. Ele, como bom obamista, não entendeu o que eu disse. E fez questão de comentar sobre o que eu não escrevi.

Obamistas, assim como seus congêneres nacionais, os lulopetistas, são criaturas estranhas, que parecem brigar o tempo todo com os fatos para manter intacto seu objeto de devoção. Nada contra as pessoas tietarem quem quer que seja. Mas bem que poderiam fazê-lo sem ofender a inteligência. Não é o caso do leitor. Vamos lá, vamos tentar trazer mais um botocudo para o lado da civilização (ele em vermelho):

Me diga uma coisa Gustavo como é que em um país racista como os EUA, onde há assumidamente grupos neonazistas e onde um garoto negro foi morto recentemente na Florida confundido com um criminoso apenas por ser negro, um presidente poderia ter sido eleito por ser negro ? a meu ver não faz o menor sentido.

Meu caro, e desde quando o racismo é somente branco? Há o racismo branco como há o racismo negro, o racismo índio, o racismo japonês, o racismo cor-de-rosa com bolinhas azuis... Principalmente o racismo dos que se dizem anti-racistas, e desejam, a pretexto de combater o racismo, dividir a sociedade em… raças, instituindo um tribunal de pureza racial (sim, estou falando das cotas, esse fetiche dos que enxergam tudo em duas cores). A vitória de Obama em 2008 (e agora, em menor escala, sua reeleição) foi uma vitoria do racismo. Por que digo isso? Obviamente não foi porque os neonazistas ou a Ku Klux Klan votaram no negão Obama, mas exatamente pelo contrário: porque a chantagem do "primeiro presidente negro (ou afro-americano)" falou mais alto nas duas ocasiões. Os negros são 13% da população dos EUA. Logo, não foi o "voto negro" ou "latino" que fez a diferença. Foi o da maioria da população americana, que é branca, protestante e come no MacDonald's, e que se deixou levar por essa conversa mole RACISTA (“não vota no Obama? então é racista” etc. etc.). Já escrevi sobre essa imensa empulhação, há quatro anos: http://gustavo-livrexpressao.blogspot.gr/2008/11/vitria-do-racismo.html

(A propósito: o garoto-negro-morto-recentemente-na-Flórida-apenas-por-ser-negro foi morto por um vigia chicano depois que este foi atacado por aquele. A história parece ser bem mais complicada do que diz a propaganda racista-obamista.)

Barack Obama era professor de Harvard, tem dois livros publicados e foi senador pelo estado do Havaí, você quer me dizer que nada disso significa nada para você ?

Sim, significa que ele foi professor de Harvard, tem dois livros publicados e foi senador pelo Havaí... E daí? Para nada disso é preciso ser um natural born citizen, um cidadão nato norte-americano. Arnold Schwarzenegger nasceu na Áustria e foi governador da Califórnia, assim como Henry Kissinger e Madeleine Albright foram secretários de Estado e nasceram, respectivamente, na Alemanha e na ex-Tchecoslováquia. Mas se quiserem se candidatar a presidente dos EUA, serão legalmente impedidos. Fora ter sido professor, escritor e senador, o que mais credencia Obama para o cargo de presidente do maior país do planeta? Aliás, o que o credencia para o papel de novo Messias? (Novamente ouço uma voz soprando no meu ouvido: "a cor da pele, a cor da pele"...)

A era Bush a meu ver trouxe incontáveis malefícios aos EUA e ao mundo, a guerra que ele sequer terminou no Iraque, deixou o país em frangalhos sem sequer iniciar a reconstrução.

OK, e quatro anos depois, tudo que Obama tem a mostrar é a continuação – na realidade, a intensificação – da "guerra ao terror" e a retirada das tropas do Iraque. Ou seja: ao que Bush começou, ele está dando prosseguimento. Por que tanto oba-oba então? Quanto à economia, se o Bush fez um estrago nessa área, Obama tem se mostrado um seguidor aplicado, pois os níveis de desemprego nos EUA só aumentaram. Não surpreende que ele tenha ganho por uma margem tão apertada no voto popular (menos de 51%).

Repetindo: Obama foi eleito e reeleito por ser negro. Como se chama isso? Racismo. Preciso ser mais claro (sem trocadilho…)?

Obama representa a mudança de uma era, a falida era Bush que fez o sentimento de anti-americanismo aumentar no mundo todo.

A única "mudança" significativa trazida pela era Obama, foi, repito, a cor da pele do governante. Sem falar que o antiamericanismo não precisa de nenhum Bush para existir. Com Bush ou sem Bush, com Obama ou sem Obama, o antiamericanismo persiste. Aí está a tal "primavera árabe" para comprovar. Na Líbia, o embaixador norte-americano foi trucidado por uma horda de islamitas antiamericanos raivosos. Culpa do Bush? O Hamas, o Hezbollah e o MST deixaram de ser menos antiamericanos por causa de Obama?

E ainda há essa conversa sem pé nem cabeça do Obama não ser americano, isso depois de ele ter sido senador , e sendo presidente já mostrou a certidão de nascimento, o que querem mais ?

Pois é, essa "conversa sem pé nem cabeça" surgiu nas hostes do próprio Partido Democrata, durante as eleições de 2008, e continua até hoje porque Sua Majestade Barack Hussein Obama não respondeu de forma cabal nenhuma das perguntas feitas sobre sua verdadeira nacionalidade. Sem falar que a "certidão de nascimento" que ele mostrou na Casa Branca (quase quatro anos depois de ser eleito!) prova tanto que ele é um natural born citizen quanto que eu sou um cidadão do Uzbequistão (há dúvidas quanto à autenticidade do documento, sem falar que o conceito de natural born citizen vai além do local de nascimento, pois diz respeito também aos pais). Para encerrar de vez essa controvérsia toda, bastaria Obama aceitar o desafio do Donald Trump e mostrar seus registros de passaporte. Além de calar a boca dos birthers e do Tea Party, ele embolsaria a bolada de 5 milhões de dólares. Por que, em vez disso, está fugindo da raia? Isso sim, algo totalmente sem pé nem cabeça.

A era Obama não acabou, e agora teremos mais quatro anos para provar este fato.

Nem eu disse que acabou. O que chegou ao fim foi o mito, o personagem inventado pela mídia. Claro que sempre haverá quem acredite no personagem. Mas isso não é problema meu; é de quem se deixou levar por essa criação do marketing politicamente correto. Estes estão além do alcance de qualquer argumento.

segunda-feira, novembro 05, 2012

BYE-BYE, OBAMA

Quem quer que seja o vencedor das eleições presidenciais nos EUA este ano, uma coisa é certa: o mito Barack Hussein Obama chegou ao fim. Acabou. Já era. Foi para o saco. Kaput.

Quando surgiu – acredito que todos se lembram – Obama era o Ungido, o Messias, o Redentor da humanidade. Poucas vezes se viu oba-oba maior na História do universo (talvez um certo Apedeuta em um país da América do Sul, mas o culto a este, diferente do de Obama, foi gestado durante décadas). Obama, o presidente histórico, saiu literalmente do nada para partir as águas do Mar Vermelho e levar todos à terra prometida, tanto que decidiram premiar-lhe com o Nobel antes mesmo da posse. Com aquela pose estudada e aquele sorriso de mil dentes, era o presidente sexy dos sonhos de Arnaldo Jabor.

Hoje, quatro anos depois e obrigado a governar sem a ajuda do teleprompter, Obama não passa de uma pálida sombra do que muitos esperavam que ele poderia vir a ser um dia. Ganhando ou perdendo, não importa: sua estrela se apagou.

Primeiro, muitos que votaram entusiasticamente em Obama em 2008 acreditando que ele seria um pacifista – a maioria, arrisco-me a dizer – quebraram a cara: ele não somente aumentou para 30 mil o número dos soldados norte-americanos no Afeganistão, como deu continuidade e até intensificou muitos dos programas do demonizado George W. Bush em sua "guerra ao terror". Diante da dura realidade, rasgou promessas de campanha como o fechamento da prisão de Guantánamo, entre outras coisas. Igualzinho ao Bush. Mas tudo, claro, com dor no coração – afinal ele, Obama, é um "progressista"...

Pior: com Obama, os EUA passaram de potência temida e exportadora de democracia para uma potência envergonhada, que mais segue os fatos do que os determina. Basta ver a reação apalermada de Hillary Clinton ao assassinato do embaixador norte-americano na Líbia há algumas semanas. Com Obama, os EUA só faltam pedir desculpas por serem atacados por fanáticos islamitas. Avanço? Para estes últimos, talvez.

No plano doméstico, a economia continua à espera da recuperação, e políticas como o Obamacare, que, se para os brasileiros parece uma maravilha – infelizmente estamos viciados no Estado-babá assistencialista e paternalista –, geraram a maior manifestação de protesto da História dos EUA, quando mais de 1 milhão de pessoas saiu às ruas de Washington contra o plano de Obama de decidir sobre a saúde do cidadão (mas isso quase não saiu no noticiário). Quanto à crise econômica, além de injetar bilhões de ajuda a montadoras falidas, tudo que Obama fez até agora foi culpar o governo anterior e satanizar o big business, como se viu na campanha contra Mitt Romney, o que certamente deixa muita gente alegre - principalmente os que adorariam ver o fim do capitalismo (e da democracia). 

Isso sem falar nas perguntas ainda sem resposta sobre a biografia do atual ocupante da Casa Branca. Obama demorou quase quatro anos para mostrar um documento que supostamente provaria ser ele cidadão nato norte-americano, portanto legalmente apto a ser eleito para o mais alto cargo da nação. Agora, esnoba a oferta de 5 milhões de dólares do bilionário Donald Trump para apresentar seus registros de passaporte e histórico escolar. O que ele está esperando para calar de vez a boca dos birthers e do Donald Trump, aquele do topete ridículo? Em vez disso, acobertado por uma imprensa condescendente (já vimos esse filme…), fecha-se num silêncio tumular, e faz de conta que não é com ele. É certamente o presidente menos transparente da História dos EUA (e não me refiro, claro, à cor da pele).

Claro que seria exagerado dizer que nada de bom foi alcançado em quatro anos de governo Obama. Em sua presidência, os Navy Seals livraram o mundo de Osama Bin Laden, despachando o terrorista para o inferno de cristãos e muçulmanos. Mas pergunto: teria sido preciso esperar o advento de Santo Obama para isso? O serial killer só foi morto porque a espinha dorsal da Al-Qaeda foi quebrada ao longo de anos de luta, que começou em 2001. Mesmo a tão festejada retirada das tropas ianques do Iraque, por exemplo, só foi possível porque Bush Junior derrubou Saddam em primeiro lugar. O que Obama fez no terreno da segurança que não poderia ter sido feito, e com mais eficiência, por George W. Bush ou por John McCain?

Desde que surgiu pela primeira vez para os holofotes, desconfiei que Obama era mais uma patuscada global, mais uma falsa esperança dos politicamente corretos. Enquanto os botocudos batiam tambor para o demiurgo eu escrevia textos e mais textos dizendo o que ninguém queria ouvir – que Obama foi eleito por causa da cor da pele, e de uma gigantesca operação de marketing, talvez a maior de todos os tempos. Como sempre, eu estava indo na direção contrária à da manada. Ainda bem.

Nada disso, claro, faz qualquer diferença para os obamistas, tanto os de lá quanto os de cá (estes, aliás, são mais numerosos do que nos EUA, segundo as pesquisas). Para os devotos da seita, Obama é como Lula: um fracasso glorioso.

Bye-bye, Obama. No, you cant't.

sábado, julho 21, 2012

O MASSACRE NOS E.U.A., A MANIPULAÇÃO DESARMAMENTISTA - E UMA PERGUNTA SINGELA

Ai, ai... Não gosto de escrever no calor da hora: prefiro analisar as coisas com calma, enxergando os fatos com cuidado, a correr o risco de tecer comentários apressados e levianos. Além do mais, não sou jornalista para tentar concorrer com agências de notícias. Mas certos padrões, de tão repetitivos, permitem saber com antecedência exatamente o que vão dizer sobre este ou aquele fato. Vamos lá.

Mais um massacre nos EUA, em que alguém com sérios problemas psicológicos e armado até os dentes abre fogo contra pessoas inocentes num lugar público. Mais uma nação chocada etc. e tal. E, mais uma vez - e, podem apostar o quanto quiserem: não será a última - os defensores do gun control vão aproveitar o fato para culpar, antes mesmo que se descubra a motivação do crime, as armas pelo ocorrido. Vão usar e abusar do episódio para destilar a cantilena de que o fato "prova" que armas de fogo são más e que, portanto, a posse das mesmas deve ser criminalizada e que, assim como remédios e objetos pontiagudos em relação a crianças, devem ser colocadas fora do alcance do cidadão, esse incapaz. Proíbam as armas, é o que vão dizer, e fatos como esse não mais se repetirão e todos viverão em paz e segurança etc. etc.

Esse tipo de rotina já se tornou tão previsível que nem vou me dar ao trabalho de repetir, aqui, os argumentos que já empreguei para demonstrar a falácia do discurso desarmamentista (quem tiver interesse, recomendo ler os posts que publiquei em resposta à tentativa de manipulação da opinião pública pela turma do "sou da paz" quando do massacre numa escola no Rio de Janeiro, no ano passado). Não vou sequer repetir a pergunta que já fiz aqui antes, e que até agora permanece sem resposta: por que será que assassinos como o do cinema no Colorado escolhem lugares como cinemas, escolas e igrejas, e não clubes de tiro, por exemplo, para praticaram suas matanças? (Responda quem puder.) Tampouco vou lembrar o óbvio: que armas não disparam sozinhas, e que atrás do gatilho está um indivíduo, cabendo a este, e a mais ninguém, a responsabilidade por seus atos. Não, desta vez a pergunta é outra.

A questão é bastante simples, singela até. Creio também não ser difícil de ser respondida. É a seguinte: por que, se o direito a ter uma arma não serve de elemento suasório contra criminosos, o assassino do cinema estava usando um colete à prova de balasEstaria ele se precavendo de ser atingido por uma saraivada de pipocas atiradas pela platéia? Ou estaria com medo de ter seu desígnio homicida detido por um copo de refrigerante?

Com a palavra os desarmamentistas, essa gente linda e maravilhosa, que só quer o nosso bem.  

sexta-feira, setembro 16, 2011

A ESTUPIDEZ DOS "OUTROS SETEMBROS"

Já é uma tradição: todo 11 de setembro, enquanto a humanidade, compungida, lembra o horror indizível das Torres Gêmeas desabando e levando consigo milhares de seres humanos transformados em pó no maior ato terrorista da História, um bando de zé-manés, leitores de Noam Chomsky e Tariq Ali, aproveita a ocasião para lembrar "outros setembros". Certamente incomodados com as homenagens às vítimas de um ataque cruel e desumano, perpetrado por fanáticos, arranjam um jeito, mesmo assim, de destilar sua raiva contra a maior democracia do mundo, buscando contrapor, ao 11 de setembro "dos americanos", uma data "alternativa": o 11 de setembro de 1973 (queda do governo de Allende no Chile), ou o setembro de 1982 em Beirute (massacre dos refugiados palestinos em Sabra e Chatila). O objetivo é contrapor a memória de outros fatos ao 11 de setembro de 2001, a "data deles", a fim de minimizá-la e abafá-la, reduzindo-a à insignificância.

Trata-se de uma verdadeira obra-prima de desviacionismo e vigarice intelectual, digna dos manuais de desinformação e propaganda da época do antigo KGB, e que precisa ser denunciada com toda força. Em primeiro lugar, o 11 de setembro de 2001 não é "dos americanos" (alguns preferem dizer "estadunidenses"). É uma data da humanidade. Assim como Auschwitz e o Holocausto não dizem respeito somente aos judeus, e o genocidio em Ruanda não é um assunto apenas dos ruandeses. Morreram, no WTC e no Pentágono, além do vôo que se espatifou na Pensilvânia, cerca de 3 mil pessoas, de mais de 50 nacionalidades (inclusive brasileiros). Logo, o atentado terrorista não atingiu apenas um país, mas foi uma ofensa a todo o mundo civilizado. Mesmo que só tivessem morrido americanos, o ataque foi uma barbaridade sem precedentes, que só pode causar repulsa a pessoas decentes. Rotular o 11/09 como uma data "dos americanos", como se dissesse respeito tão-somente aos EUA ou ao governo de George W. Bush, além de ser uma obscenidade, não passa, portanto, do antiamericanismo mais bocó, sequer disfarçado.

Ao tentarem contrapor à lembrança dos ataques fatos como a queda de Allende e o massacre de Sabra e Chatila, como se fossem uma espécie de "anti-11/09", os antiamericanos de plantão incorrem na total delinquência e na completa cretinice. Isso porque tais memórias não são, em absoluto, excludentes. A menos que se considere as pessoas esmagadas e queimadas vivas nas Torres Gêmeas como diretamente responsáveis pelo golpe militar do general Pinochet, 28 anos antes, ou pela chacina de civis palestinos levada a cabo pelos milicianos falangistas libaneses da família Gemayel, não há qualquer razão lógica e, muito menos, moral, para qualquer tipo de associação entre um e outro fato. Todos foram tragédias - a de 2001, bem maior em dimensões e consequências. Eu poderia lembrar, por exemplo, o 5 de setembro de 1972 (data do massacre dos atletas israelenses nos Jogos Olímpicos de Munique, executado por um grupo terrorista palestino que se intitulava, não por acaso, Setembro Negro) e isso não mudaria absolutamente nada o que sinto em relação a outras tragédias do tipo, como a do Chile ou a do Líbano. Não sei se os que ficam mordidos com a lembrança do 11 de setembro "dos americanos" podem dizer o mesmo. Acho que não.

Além do fato de serem tragédias humanas, não há termo de comparação entre o que aconteceu nos EUA e o que houve nas ruas de Santiago ou de Beirute. O golpe de 11 de setembro de 1973 no Chile foi a culminação de um longo processo de radicalização política, iniciado três anos antes e instigado pelo próprio governo marxista de Salvador Allende. Por mais terrível que tenha sido o golpe (e foi terrível, com milhares de mortes, inclusive a do próprio Allende, morto dentro do palácio presidencial com seus guarda-costas), a verdade inegável é que ele esteve longe de ter sido não-provocado, ao contrário dos ataques da Al-Qaeda. Diferentemente destes, tratou-se do desfecho sangrento de uma quase guerra civil, em que ambos os lados – e não somente os militares – conspiravam contra a democracia e em favor de um golpe de Estado. No final, venceu a direita – e a esquerda, derrotada, desde então passou a se dizer democrata, como escreveu o cientista político Carlos Rangel. (E agora cobra equivalência entre os dois 11 de setembros, como se não tivesse sua parcela de culpa pelo ocorrido, eu diria.)

O golpe do Chile e o massacre de Sabra e Chatila foram episódios, respectivamente, da Guerra Fria e da Guerra Civil Libanesa. Evidentemente, nenhuma das vítimas merecia morrer. Terríveis como foram, com sua cota de vítimas inocentes, não se pode compará-los, contudo, ao 11 de setembro de 2001, quando milhares de pessoas foram trucidadas, sem saber por que, por um inimigo literalmente caído do céu. Pretender minimizar seu impacto, apelando para a lembrança de "outros setembros", é coisa de verdadeiros aleijões morais, de gente sem o menor escrúpulo e sem a menor consciência, que acredita que uma desgraça anula outra - ou pior: que uma justifica outra.

Na verdade, o que incomoda muita gente no 11 de setembro é que não podem dizer, como estão acostumados a fazer, que os EUA foram o lado agressor. É que têm que admitir, contra a vontade, que o grande satã imperialista foi vítima de uma agressão covarde e canalha. Essas pessoas se alimentam do ódio, pura e simplesmente, que sentem por aquilo que muitas delas invejam em segredo. Elas não dizem, e jamais vão admitir um dia, que se regozijaram com as cenas de morte e destruição em Manhattan dez anos atrás. São pessoas como o ex-frade Leonardo Boff, que lamentou – lamentou! – que tivessem sido "apenas" dois aviões os que atingiram o WTC: "quisera que tivessem sido 25"... Enfim, são uns verdadeiros humanistas, pessoas maravilhosas, gente do bem e preocupada com o bem-estar da humanidade.

domingo, setembro 11, 2011

MEU TEXTO SOBRE O 11 DE SETEMBRO

Se, depois deste texto, eu sair à rua e não for linchado por uma multidão de petistas enfurecidos e manifestantes anti-EUA, anti-sistema e anti-tudo, vou me dar por feliz. Mas a verdade é que não posso deixar de escrever o que se segue, por um dever de consciência. Como li outro dia: o segredo de aborrecer é dizer toda a verdade.

Hoje é dia 11 de setembro de 2011. Exatamente dez anos atrás, o mundo assistia a cenas que, já se tornou um clichê repetir, marcaram a História. Dez anos e milhares de mortos e palavras depois, o principal responsável pelos atentados às Torres Gêmeas e ao Pentágono está morto e o mundo, definitivamente, mudou. Muitos acham que para pior.

Discordo dessa conclusão. O mundo não ficou pior. Pelo contrário: pelo menos no item segurança, as melhoras foram consideráveis.

Graças aos EUA, a ameaça representada por grupos como a Al-Qaeda, embora ainda continue a existir, diminuiu bastante. Também graças aos EUA, milhões de afegãos e iraquianos podem, pela primeira vez em mais de 5 mil anos de História, respirar outros ares que não os da opressão mais brutal. Não dá para negar que isso foi uma mudança e tanto. Do mesmo modo, não é porque a consciência do perigo fosse menor antes do 11/09 que a segurança tenha diminuído. Na verdade, ocorreu o contrário.

Não é assim, porém, que entende grande parte do que se convencionou chamar de opinião pública mundial (que nada mais é do que uma invenção da grande imprensa). Se um marciano descesse hoje na Terra, e assistisse a alguns documentários e a reportagens especiais sobre os ataques, ou se lesse a pilha de livros e artigos na grande mídia que saíram sobre o assunto, ficaria com a nítida impressão de que o autor da atrocidade não foi Osama Bin Laden, mas... George W. Bush!

Todos contra Bush

Provavelmente, o marciano deixaria o planeta com a impressão de que o ex-presidente dos EUA, e não o fundamentalismo islamita, é o maior inimigo da humanidade desde o fim do comunismo soviético. Aliás, essa expressão - fundamentalismo islamita - raramente aparece no noticiário. Quando muito, os ataques são mostrados como obra de um bando de fanáticos, que não representariam de maneira alguma, longe disso, a maravilhosa religião islâmica. Em contrapartida, sobram acusações ao "imperialismo" dos EUA etc. Ao mesmo tempo, a reação norte-americana é considerada quase unanimemente como expressão de uma "cultura" - ocidental, cristã e majoritariamente "branca" - intrinsecamente intolerante, da qual Bush seria o maior expoente.

Há pouco, assisti a uma reportagem na Globonews sobre o 11 de setembro. O autor da matéria foi a Crawford, no Texas, onde Bush tem um rancho. Em dado momento, seu guia, um militante anti-republicano, parou em frente ao rancho e abriu uma faixa anti-Bush em que se lia: "O pior presidente da História dos EUA" ou algo assim.

Fiquei um tempo meditando sobre o significado daquilo. Não demorei para chegar à seguinte conclusão: Bush pode ter sido um péssimo presidente dos EUA. Pode até mesmo ter sido o pior presidente da história dos EUA. Mas uma coisa mesmo seus maiores detratores terão de admitir: ele foi o melhor presidente que o Iraque e o Afeganistão já tiveram. Alguém pode negar?

Não é preciso ser bushista ou membro do Tea Party para reconhecer que, como presidente, Bush foi um bom comandante militar. Ele foi um presidente de guerra, e deixou isso bem claro depois do 11 de setembro. Não seria fora de propósito compará-lo, nesse aspecto, a Franklin D. Roosevelt. Assim como Roosevelt, Bush liderou a reação do país depois deste ter sido atacado. Assim como Roosevelt, ele comandou os EUA e parte do mundo contra uma ameaça à democracia. E, assim como Roosevelt, ele derrubou dois ditadores. Mas FDR era do Partido Democrata, amigo e querido do New York Times e da esquerda chique da Costa Leste. Já Bush é um roceiro do Texas, e republicano da gema.

O curioso é que os detratores do Junior não chegaram ainda a um acordo sobre quem ele é. Vale tudo contra Bush, desde chamá-lo de despreparado e de negligente por ter ignorado informes do FBI de que Bin Laden estava planejando atacar os EUA até dizer que saiu da cabeça dele a idéia de derrubar as Torres Gêmeas e atacar o Pentágono para começar uma guerra para tomar o petróleo do Oriente Médio. Os documentários da escola Michael Moore de delinqüência intelectual gostam de focalizar a cara de paisagem de Bush ao ser informado dos ataques, com aquela expressão meio preocupada, meio apalermada num jardim-de-infância na Flórida. Querem com isso transmitir a imagem de um presidente fraco e idiota, que, no momento de maior perigo, não soube o que fazer. Ao mesmo tempo, antes mesmo das torres virem abaixo, teorias da conspiração pululavam na internet acusando - adivinhem só! - o governo Bush de ter planejado os ataques como um pretexto para iniciar uma guerra ao Islã e tomar os poços de petróleo do Oriente Médio...

(Da minha parte, se o motivo da guerra foi o petróleo, espero sinceramente que as multinacionais americanas ganhem muito dinheiro explorando as reservas do Iraque. Desejo que lucrem bastante, e que tragam benefícios para o país, ajudando a reconstruir sua infra-estrutura abalada por décadas de descalabro totalitário. O petróleo iraquiano está melhor nas mãos dos americanos do que nas de Saddam Hussein. Parece, porém, que isso vai demorar um pouco para acontecer - as empresas petrolíferas americanas só tiveram, até agora, prejuízo com a invasão do Iraque, e muitas foram mesmo contra a derrubada de Saddam.)

Tamanha era a raiva dos esquerdinhas contra o Bush Junior que muitos nem se deram conta da contradição em que acabaram caindo. Numa hora, Bush era apresentado como um boboca e inepto que ignorou relatórios de segurança e foi incapaz de defender seu país na hora mais necessária; noutra, era mostrado como um gênio maquiavélico, o mentor do maior ataque terrorista da História. Até hoje não sei se ele era um despreparado ou se foi ele, Bush, quem ordenou os ataques...

Tendo ficado claro, com a confissão de Bin Ladin, que foi ele, e não a CIA ou o Mossad israelense, quem planejou e executou os atentados, os devotos da seita antiamericana tiveram de buscar outra forma de acusar a vítima. Julgaram ter encontrado o argumento perfeito na idéia (essencialmente imoral) de que os EUA estavam, com os ataques,"colhendo o que plantaram", haja vista que Bin Laden tinha lutado contra os soviéticos no Afeganistão durante os anos 80. Esqueceram apenas de dizer que ele não foi o único: muitos outros guerrilheiros mujahedin que combateram o exército vermelho nas montanhas afegãs receberam dinheiro, armas e treinamento da CIA, e nem por isso se tornaram jihadistas e saíram atirando aviões contra prédios por aí.

Iraque: uma guerra necessária

Existe, claro, a guerra no Iraque. Aqui é que se abriu a verdadeira frente de batalha contra Bush. Os EUA invadiram o Iraque atrás das armas de destruição em massa que o país possuiria e porque Saddam Hussein patrocinava o terrorismo. Nenhum desses motivos, argumentam os críticos da guerra, mostrou-se verdadeiro. Tudo não teria passado, assim, de uma loucura, uma aventura dos neoconservadores que fizeram a cabeça do Bush.

Vamos devagar com o andor. Em primeiro lugar, quanto as armas de destruição em massa, vamos admitir que Bush mentiu ao dizer que sabia que o Iraque as tinha. Nesse caso, será forçoso reconhecer que os que se opuseram à guerra também mentiram, ao dizer que sabiam que Saddam não tinha as tais armas proibidas. Na verdade, ninguém sabia. E isso porque Saddam contava com o medo de que elas existissem, usando-o como instrumento de chantagem.

Na realidade, o que houve até março de 2003 foi o desfecho de um jogo perigoso, que durou mais de uma década, e no qual o ditador iraquiano brincou de gato-e-rato com a comunidade internacional, negando que tinha as tais armas, ao mesmo tempo em que impedia os inspetores da AIEA de fiscalizarem seus arsenais. De 1990 a 2003, foram 17 resoluções da ONU descumpridas sistematicamente pelo tirano de Bagdá, que comandava, portanto, um regime fora-da-lei. Mais do que isso: um regime que já utilizara armas químicas contra sua própria população (no caso, gás mostarda, usado para matar 5 mil curdos em 1988). Era, portanto, um tirano assassino que ameaçava o mundo e escarnecia do Direito e da ONU - mesma ONU que se recusou a levar adiante a intervenção no Iraque, com base, ironicamente, no "respeito à lei internacional". Saddam contava com a tática do medo para manter o mundo paralisado e garantir sua própria sobrevivência. Para seu azar, ele teve pela frente um presidente dos EUA que não aceitou mais fazer esse joguinho. Saddam e Bush se encararam para ver quem piscava primeiro. Bush não piscou. Saddam caiu.

Suponhamos que Saddam tivesse as tais armas proibidas e as usasse contra as forças invasoras. Nesse caso, ninguém poderia dizer que Bush não teve razão ao ordenar a intervenção, e ficaria claro que os inspetores da AIEA tinham sido feitos de tolos. Felizmente, isso não aconteceu, pois o resultado seria milhares ou milhões de mortes. Em vez disso, foi revelado que as armas eram um blefe de Saddam. E o mundo se livrou de um tirano que o chantageava.

A outra justificativa para intervir no Iraque - o apoio de Saddam ao terrorismo - também está longe de ter sido uma fantasia. É certo que Saddam Hussein não tinha relação com a Al-Qaeda, assim como Kadafi e Kim Jong-il também não tinham. Mas é um fato irrefutável que o regime iraquiano do partido Baath (o mesmo que governa a Síria do carrasco Bashar al-Assad) patrocinava diversos grupos terroristas palestinos, como o de Abu Nidal, simplesmente o terrorista mais procurado do mundo nos anos 80. Até pouco antes de cair, Saddam distribuía pacotes de dinheiro à família de cada homem-bomba palestino morto em ação, como uma forma de encorajar mais atentados.

Na esteira da guerra ao terrorismo islamita deflagrada após os atentados de 11 de setembro, permitir que um regime como o de Saddam Hussein sobrevivesse era mais que uma temeridade: era uma demonstração inaceitável de fraqueza. Derrubá-lo e instalar a democracia em Bagdá, além de um dever moral, era uma necessidade militar e psicológica. Uma questão de segurança. Algo necessário, enfim.

Na falta de algo mais consistente a favor da permanência do statu quo ante, sobra o argumento econômico. A guerra, além de "inútil" e "ilegal" (como se manter ditadores no poder, e não derrubá-los, fosse a coisa legal a fazer) custou uma fortuna etc. e tal. Estou curioso para saber a opinião de um iraquiano, que pela primeira vez na História pode falar o que quer sem o medo de ser preso, torturado e morto, sobre esse tipo de argumento dos pacifistas. Gostaria de saber o que ele pensa do fato de que derrubar Saddam Hussein foi um erro, pois afinal custou muito caro...

Aliás, é curioso: se os EUA só tiveram prejuízo com a guerra no Iraque, por que diabos a fizeram? Afinal, tudo não teria sido apenas um pretexto para lucrar com a exploração do petróleo etc.? Parece que esses americanos não são tão maus quanto dizem. Tanto que, vejam só, eles aceitam até perder dinheiro para livrar o mundo de um bandidão como Saddam Hussein...

"Ah mas eles foram aliados um dia; Washington inclusive apoiou o regime iraquiano na guerra Irã-Iraque" etc. Sim, e as democracias ocidentais se aliaram a Stálin durante a Segunda Guerra Mundial. Próximo!

Mentes colonizadas

Toda a gritaria contra a "guerra do Bush", na realidade, não passa de uma cortina de fumaça, de mero pretexto para atacar os EUA. Conforme já escrevi aqui várias vezes, a pátria de Jefferson e de Lincoln estará sempre na berlinda, não importa o que faça ou deixe de fazer - antes, era por apoiar ditaduras, como as da América Latina; hoje, é por as derrubar. Os que se opuseram à derrubada de Saddam são os mesmos que condenaram a derrubada do Taliban no Afeganistão. São os noams chomskys e os freis bettos da vida, aqueles que se regozijaram, em público ou intimamente, pelos ataques ao coração da democracia e que vivem de odiar os EUA e Israel. Desonestos até a medula, usam e abusam de imagens de crianças feridas e de fotos de prisioneiros torturados para denunciar a guerra "ilegal" e "imoral", quando defendem regimes que massacram civis inocentes e torturam até a morte prisioneiros políticos. Lobos em pele de cordeiro, estão se lixando para os direitos humanos.

"Mas, se os EUA estão mesmo interessados em democracia, por que não derrubam os regimes da Arábia Saudita ou do Paquistão?", é a pergunta, feita com ar meio cândido, meio malandro, pelo antiamericano de plantão. Há várias razões, mas vou me concentrar apenas nas mais óbvias: A Arábia Saudita é uma monarquia teocrática fundamentalista, mas, ao contrário do Iraque de Saddam Hussein, não chantageia o mundo com a carta das armas de destruição em massa, nem se dedica a patrocinar ataques terroristas contra os EUA (pelo contrário, Bin Laden, que era cidadão saudita, foi condenado à morte no país). O Paquistão, uma ditadura corrupta, é um balaio de gatos que sempre fez jogo duplo, oficialmente aliado dos EUA mas secretamente aliado do Talibã, com militares ligados ao terrorismo islamita (tanto que foi lá que Bin laden foi morto). Além do mais, o país possui armas nucleares, o que desencoraja qualquer intervenção. De qualquer maneira, são, pelo menos formalmente, aliados na luta contra o terrorismo islamita, e, exatamente por isso, existe a esperança de que venham um dia a ser estados seculares e democráticos. O mesmo não podia ser dito do Afeganistão sob o Talibã e do Iraque sob Saddam Hussein.

O que está aí em cima dá bem uma idéia de por quê, ou por quem, Bush é (até hoje) tão odiado e os EUA (desde sempre), tão vilipendiados. Afinal, Bush derrubou duas das piores ditaduras de todos os tempos - uma das quais, ex-aliada da URSS, cuja morte tantos orfãos ainda choram. Pior que isso: ele usou da força para combater os terroristas, quando os bem-pensantes da esquerda bocó prefeririam que ele os chamasse para beber uma cerveja. Mas o pior de tudo, o maior dos crimes de Bush, na opinião dessa gente, é o seguinte: ele é cristão, e fervoroso. Isso não, os militantes politicamente corretos não podem perdoar! Onde é que já se viu, um presidente dos EUA que reza? Só se for no Irã: aí sim, isso é algo correto e aceitável. (E quem disser que não, é um agente da dominação imperialista...)

Outra coisa que os esquerdinhas não conseguem nem vão conseguir um dia engolir: foi o cowboy simplório do Texas, com QI 81, e não algum intelectual refinado da Nova Inglaterra, como Kennedy, ou um produto de marketing multirracial e politicamente correto, como Barack Obama, quem fez o que ele fez na arena internacional. Aliás, Bush pode até ser um caipira abobalhado e idiota, mas tanto fez na área de seguranca que Obama, o queridinho da esquerda, segue seus passos... (E nem dá para usar o argumento do sujeito ignorante que violenta o idioma em seus discursos. Afinal, disso nós, brasileiros, entendemos bastante.)

Em resumo, em 11/09/2001 os EUA foram vítimas de uma agressão covarde e terrível, não-provocada, por parte de um inimigo que não respeita nenhuma noção de humanidade. E, desde então, reagiram valentemente, a fim de tornar o mundo mais seguro e livre, na medida do possível, de tiranos e terroristas. Graças à ação enérgica e desassombrada de Bush, Condoleeza Rice e Donald Rumsfeld, a humanidade não tem mais que conviver com tipos como Bin Laden e Saddam Hussein. Pela primeira vez em milênios, os afegãos e iraquianos têm a chance de conhecer a democracia. Somente esse motivo já justifica a intervenção. (E antes que alguém lembre de Abu Ghraib, seria interessante fazer um exercício de memória e recordar como era a prisão na época de Saddam. Posso garantir que é mais uma razão para louvar a mudança de regime.)

É... pensando bem, os esquerdiotas de lá e de cá têm razão em dizer que o governo Bush foi o pior da História. Afinal, a discurseira ideológica antiamericana e pró-terrorista é incompativel com a defesa intransigente de valores democráticos. O problema é que muita gente, por preguiça mental e mimetismo, transformou-se em um exército de autômatos, repetindo sem pensar esse discurso vigarista. Isso, sim, é ser uma mente colonizada.

terça-feira, maio 24, 2011

MINHA TEORIA DA CONSPIRAÇÃO FAVORITA

Como todos sabem, Barack Hussein Obama desmoralizou os que dizem que ele não é cidadão nato norte-americano, e que portanto ocupa ilegalmente a Presidência dos EUA. Como todos sabem também, desde que despachou o megaterrorista Osama Bin Laden, o cartaz do homem nunca esteve tão em alta, ele nunca esteve tão por cima da carne-seca. Principalmente depois dessa imensa vitória publicitária, dizer que Obama não é gringo, como fez o Donald Trump (o do cabelo ridículo), ou simplesmente falar mal do demiurgo, só pode ser coisa de reacionários racistas e malucos.

Mesmo assim, considerando o conhecido gosto dos americanos pelas teorias da conspiração, e decidido a colocar um ponto final nessa quizília toda envolvendo a nacionalidade do presidente histórico, resolvi elaborar eu mesmo minha própria teoria conspiratória. É a seguinte, acompanhem:

Barack Hussein Obama é americano da gema, tanto quanto o Bush ou o John Wayne. O pai dele nasceu no Brooklin, não no Quênia - o que tornaria o filho automaticamente inelegível para a Presidência dos EUA, pois descumpriria um dos requisitos básicos para que ele, Obama, seja considerado um natural born citizen, como manda a Constituição americana, ainda que ele tivesse nascido no alto do Empire State Building: o de que ambos os pais sejam americanos (natos ou naturalizados). Na verdade, Obama inventou a estória do pai queniano e de família muçulmana (além do mais, súdito da Coroa britânica) somente para dar argumentos à direita americana.

Do mesmo modo, Obama resolveu esconder sua certidão de nascimento por quase quatro anos - antes disso, mostrou um documento provisório on-line com claros sinais de falsificação - somente para dar assunto aos birthers e fazer de bobo o Donald Trump na Casa Branca. Durante todo esse tempo, Obama gastou milhares de dólares com um batalhão de advogados e fugiu de responder a processos judiciais para provar sua nacionalidade apenas para dar corda aos republicanos direitistas e calar-lhes a boca agora. E esperou para fazer isso em grande estilo, na véspera da operação que resultou na morte do inimigo número um do mundo civilizado. Obviamente, ele também se antecipou ao que seus inimigos racistas e nazistas diriam do timing escolhido (uma maneira de desviar a atenção de sua popularidade decrescente etc.): é só porque ele é negro, claro.

Enfim, Obama pensou em tudo desde o início. Ele já tinha tudo planejado, nos mais mínimos detalhes, na época de sua eleição à Presidência. Mas, para não deixar os republicanos do Tea Party tristes e sem assunto, ele bolou um esquema ainda mais maquiavélico, fazendo questão de mostrar um documento, o birth certificate, que, ao supostamente "provar" que ele nasceu no Havaí, apresenta estranhos indícios de manipulação (como uma assinatura que não condiz com a de sua mãe e um número de registro superior ao de pessoas nascidas e registradas depois de sua própria data de nascimento). Isso sem falar das declarações de sua avó paterna, que em pelo menos duas ocasiões já afirmou que o viu nascer no Quênia (boatos da internet, claro).

E os demais pontos obscuros da biografia obamista, como sua ligação com o terrorista Bill Ayers, os sermões antiamericanos raivosos de seu pastor e mentor espiritual - por vinte anos! -, Jeremiah Wright, a polêmica sobre sua religião (cristão? muçulmano? ateu? adepto do hare krishna ou do santo daime?), seus negócios inexplicados com o vigarista Tony Rezko e com o escândalo da ACORN etc.? É tudo invenção da extrema-direita e da Ku Klux Klan, óbvio. Alíás, da KKK, não: da CIA, do Mossad e dos assassinos de Kennedy. E por que nada disso sai na grande imprensa, de lá e de cá? Para atiçar a curiosidade de blogueiros direitistas e conspiracionistas, claro. Ou seja: é tudo obra dos mesmos que destruíram as Torres Gêmeas no 11 de setembro e dos que capturaram os alienígenas em Roswell.

Como se vê, em se tratando de Barack Hussein Obama, tudo é muito claro, muito transparente, não há qualquer dúvida, nada, absolutamente nada a ser esclarecido. E quem duvidar disso só pode ser o Donald Trump ou um doido racista.

quinta-feira, maio 05, 2011

SOBRE OBAMA E OSAMA: RESPOSTA AOS LEITORES

Um leitor anônimo comenta meu texto "De Volta à Realidade". Respondo em seguida:

Bom, mas deixa algumas dúvidas.

1) Obama por vir depois de Bush, só poderia colher o que o primeiro plantou, seja isto algo ruim ou bom. Portanto, não faz sentido dizer que ele colheu o que Bush plantou, isto é óbvio. O que interessa é como ele continuou isto.

Há uma diferenca entre anterioridade e causalidade. O fato de algo vir antes não explica necessariamente o que vem depois. Eu posso dizer "antes de mim, vieram os dinossauros" e isso está correto. Mas não posso dizer: "estou aqui por causa dos dinossauros".

No caso de Obama e Bush, existe claramente uma relação causal, e não somente temporal. Obama matou Osama não porque veio depois de Bush, mas porque Bush decapitou a Al Qaeda. Bin Laden só foi cercado e abatido a tiros no Paquistão porque estava sendo caçado há anos. Desde que, para ser mais preciso, Bush ordenou que as tropas invadissem o Afeganistão e botassem seus assassinos para correr. Portanto, faz todo sentido dizer que Obama está, sim, colhendo o que outros plantaram para ele. Faz todo sentido dizer que Obama está surfando na onda alheia. Aliás, isso me lembra alguém...

2) O que você chama de "terrorismo islamita" é absurdo! Terrorismo é uma coisa, o Islã outra. Ser islamita não significa ser terrorista e nem o contrário. Não existe terrorismo islamita. Existe o Terrorismo!

Essa novilíngua politicamente correta é mesmo uma praga. Escolhi o termo terrrorismo islamita (e não “islâmico”) justamente para diferenciar o terrorismo da Al Qaeda, Hamas e Hezbollah do Islã, e aí vem alguém e me acusa de preconceito... contra o Islã! Francamente, não sei mais o que fazer para ficar nas boas graças dos patrulheiros.


O leitor não sabe a diferença entre islamita e islâmico? Tudo bem, explico: é a mesma diferença que existe entre um fundamentalista cristão e o Papa. Existe, sim, terrorismo islamita, que nada mais é do que o resultado de uma interpretação literal (fundamentalista) do Corão.

Para ficar mais claro: nem todo terrorista é islamita, mas todo islamita é, potencialmente, terrorista. Deu para entender?

Aliás, uma de minhas críticas ao governo de George W. Bush era que, em vez de especificar como inimigo essa variante de terrorismo, preferiu a expressão eufemística de "guerra ao terror", uma fórmula vazia, que significa o mesmo que "guerra à guerra". Por que falar em terrorismo islamita é errado, mas em "terrorismo sionista" não?

Mas a afirmação mais inacreditável de todas é a que vem em seguida:

3) O possível fato de que Obama não seja americano impede ele de ser um bom presidente? A lei não poderia ser revista?

Não só impede, como é motivo para ele perder o cargo e ir parar na cadeia. Ser um bom presidente, seja nos EUA ou em Burkina Fasso, é, acima de tudo, respeitar a lei do país. E falsificar ou sonegar informações referentes à nacionalidade, sua ou de outros, é crime, ponto final. Ainda mais se for para se tornar presidente dos EUA. Richard Nixon é lembrado hoje como um bom presidente – na área internacional, pelo menos –, mas perdeu a cadeira por ter rasgado a lei no escândalo de Watergate. Outros povos menos civilizados podem estar acostumados a ter governantes que debocham das leis e fazem pouco caso da democracia. Nos EUA, é um tantinho diferente.

Mas espere aí, deixe-me ver se entendi direito: então alguém engana o mundo todo e se torna presidente de forma ilegal e inconstitucional, mas, como ele foi um “bom presidente”, então em vez de ser preso, ele é recompensado com uma revisão da Lei – e não uma lei qualquer, mas um artigo fundamental da Constituição? É isso mesmo? Mas afinal, a Lei existe para ser cumprida ou não? E quem deve zelar para que ela seja cumprida não é o presidente da República? Ou deve valer o "rouba (ou mente), mas faz"? Não seria melhor jogar a Constituição no lixo de uma vez por todas?

Ainda que Barack Hussein Obama descobrisse a cura da AIDS, se for comprovado que ele não é, como diz ser, um natural born citizen, estará caracterizada uma das maiores fraudes de todos os tempos. Supor que a lei de um país poderia ser revista no caso dele seria colocar um homem acima da própria Lei e da propria democracia. Aliás, não é outra coisa que os devotos da fé obamista têm feito.

Outro leitor, o Gabriel, é um pouco, digamos, mais explicito:

Bush também não cumpriu todas as suas promessas de campanha, no entanto, você nunca fala mal dele. Isso parece um tanto ilógico: se Obama não faz, então, ele é mal presidente; se Bush não faz, tá tudo bem, foi apenas um lapso. Se Obama faz, é porque Bush já havia preparado o terreno, então, nada tem de significativo para a presidência de Obama; se Bush faz, então, ele é o líder exemplar. Tua crítica ao presidente americano não tem fundamento.

Pois é, né? Agora sou um bushista. Só porque não falo mal dele, que já se aposentou, mas do Obama, que está aí. Nao acho que o governo de George W. Bush esteja livre de críticas, e nisso me diferencio da guarda de ferro obamista em relação ao governo e à figura de Obama. Mas uma coisa tenho de admitir: Bush foi o melhor presidente que o Iraque e o Afeganistão ja tiveram. Já Obama, é o melhor produto que o marketing político já engendrou.

Sem falar no essencial: ninguém põe em dúvida que Bush, com todos os seus defeitos, é americano da gema, de pai e mãe, e portanto cumpriu todos os requisitos necessários para ser presidente dos EUA. Quanto à Obama... Ele pode até ter nascido no Havaí, como mostra o documento que ele escondeu durante três anos e que só agora, com a popularidade despencando e na véspera da operação que matou Bin Laden, ele resolveu mostrar, num show pirotécnico na Casa Branca. Mas as dúvidas sobre seu direito legal a ser presidente dos EUA continuam. Aliás, agora é que a questão vai esquentar para valer.

Ficamos assim: é proibido falar mal de Obama, porque existiu um George W. Bush. Também fica proibido criticar os petistas, porque existem os tucanos. Assim, ficariam todos igualados na mentira, um anularia o outro, e ficariam elas por elas. Muito justo, não?

Querem mesmo que eu responda?

terça-feira, maio 03, 2011

DE VOLTA À REALIDADE

Agora que o autor do maior ataque terrorista da História repousa no fundo do mar com um buraco na cabeça, devendo fazer companhia aos peixes (quer dizer, menos para os que acreditam que o homem não foi à Lua ou que Elvis não morreu), acho que vale a pena tecer algumas considerações, como se dizia antigamente.

Primeiro: a morte de Osama Bin Laden (que o inferno lhe seja escaldante) não significa, de maneira nenhuma, o fim do terrorismo. Muito menos do sentimento que o alimenta, o antiamericanismo raivoso e hormonal, tão conhecido por estas plagas. Se têm alguma dúvida, dêem uma olhada nas batatadas que já estão circulando por aí, ou lembrem do que andaram dizendo figuras como Leonardo Boff a respeito da queda das Torres Gêmeas. Daí tirem suas próprias conclusões a respeito.

Segundo: a Al Qaeda já era, e não é de agora. A espinha dorsal da organização terrorista foi quebrada há anos, desde a época de George W. Bush. Há tempos Bin Laden era nada mais do que um símbolo, não tendo qualquer importância prática no esquema terrorista. A Al Qaeda hoje é uma rede espalhada pelo mundo, sem comando único, uma espécie de franquia do terror. Seria uma questão de tempo chegar em Bin Laden. Com ou sem ele, o terror seguirá.

Terceiro: poucos se deram conta, e daqui para a frente quase ninguém vai lembrar, mas somente agora Obama cumpriu sua primeira promessa de campanha - justamente a eliminação do terrorista número um do planeta. E só o conseguiu devido à dizimação da estrutura da Al Qaeda pelo governo Bush, o que começou com a expulsão dos fanáticos de Bin Laden do Afeganistão após o 11 de setembro de 2001. Estão enchendo a bola de Obama, como se ele fosse um herói, mas a verdade é que ele está colhendo o que outros plantaram. Pior: o que Bush - isso mesmo: Bush - plantou.

Muitos já se apressam a dizer que, com a eliminação de Bin Laden, Obama está com a reeleição garantida em 2012. Vamos ver. A popularidade de Obama vinha em queda livre até a semana passada, pois os americanos, quase três anos depois de sua eleição e ascensão ao céu dos politicamente corretos, ainda esperam ver cumpridas todas as demais promessas que ele fez, como a solução da crise econômica e o fechamento da prisão de Guantánamo, o que ele prometeu fazer em um ano. Sem falar em sua política vacilante e, na prática, pró-islamita, em países como o Egito e a Líbia. Obama parece ter percebido que governar um país como os EUA e liderá-lo na luta contra o terrorismo islamita não é tão fácil quanto fazer um discurso "histórico" olhando o teleprompter.

É possível que Obama seja reeleito em 2012, mas não será, certamente, por causa de Bin Laden. Afinal, ele não foi eleito por nada que fez, mas pelo que é - melhor dizendo: pela cor de sua pele. Os americanos votaram num personagem criado por marqueteiros, não em alguém que faz. Obama pode passar um mandato inteiro em branco (sem trocadilho, senhores patrulheiros!) e isso não afetará em nada sua imagem, pois já é "histórico".

Talvez não por acaso, Obama ordenou a operação que despachou Osama desta para pior apenas um dia depois de ter protagonizado uma pantomima inesquecível na Casa Branca. Percebendo o dano que os rumores sobre seu local de nascimento poderiam causar à sua popularidade, já arranhada pelos motivos mencionados acima - apenas 38% da população americana acredita que ele nasceu nos EUA -, o demiurgo resolveu tocar no assunto em público, pela primeira vez. E o fez da maneira que se espera de um produto de marketing: com um verdadeiro espétáculo de pirotecnia e desinformação. A imprensa do mundo inteiro estampou em suas manchetes que Obama havia calado a boca dos birthers, tendo "provado" que nasceu no Havaí, e não no Quênia como dissera em pelo menos duas ocasiões sua avó paterna. Logo os canais de TV de todo o mundo estavam repetindo ad nauseam o mantra: "Obama nasceu nos EUA, ponto final" e não se fala mais sobre o assunto. Aí veio a morte de Bin Laden.

Se eu fosse um cara crédulo, desses que acreditam em duendes e na honestidade de petistas, eu acharia uma tolice essa quizília e me daria por satisfeito com o showzinho de Obama na Casa Branca. Mas fui picado faz tempo pelo mosquito da dúvida, o que faz de mim um desconfiado crônico e patológico. Obama não provou nada, a não ser que é um mestre da enganação. Seu passado continua coberto de brumas, tão cheio de furos quanto um queijo suiço.

Em primeiro lugar, o documento que apareceu no telão durante o jantar de gala na Casa Branca como se fosse um texto canônico não encerra a questão da nacionalidade de Obama, ao contrário do que está sendo divulgado, numa espécie de reinterpretação do dogma papal: Obama locuta, causa finita. Pelo contrário, o papel apenas levanta mais dúvidas sobre o status jurídico da nacionalidade de Obama, visto que a definição constitucional de natural born citizen vai além do local de nascimento (ele poderia ter nascido no alto do Monte Rushmore, mas, filho de pai queniano, continuaria impedido, segundo a Lei americana, de exercer a Presidência). Além disso, toda sua arenga jurando ser americano nato se baseou no ataque ao mensageiro, de modo a que ninguém preste atenção na mensagem. No caso, o mensageiro é o bilionário Donald Trump, pré-candidato à Presidência dos EUA. O público se acabou de rir com as piadas de Obama sobre Trump, que fez fortuna explorando o mau gosto dos americanos por jogos e cassinos. Além do mais - eis o argumento definitivo -, olhem só que cabelo ridículo!

Donald Trump pode ser um palhaço de penteado ridículo, mas tem dinheiro suficiente para não se deixar amedrontar pelo esquema obamista. E fez a pergunta que até agora continua sem resposta: afinal, Obama é ou não é americano? "Ah, mas que importância isso tem?". Além do fato de significar que o atual presidente dos EUA estaria automaticamente inabilitado para o cargo, eu diria: nenhuma. Os esquerdistas que elegeram Obama já decidiram que ele pode ter nascido em Marte e isso não vai fazer nenhuma diferença. Afinal, ele não é uma pessoa: é uma cor de pele. Quem ousar lhe fazer perguntas, como seu local de nascimento e sua ligação com corruptos e terroristas como Bill Ayers e Tony Rezko, é um racista e teórico da conspiração, e ponto final.

Não custa nada lembrar: o ex-presidente peruano Alberto Fujimori passou todo seu mandato jurando de pés juntos ter nascido na terra dos incas. Anos depois, descobriu-se que ele nasceu no Japão. A pergunta que fica é: se isso aconteceu com Fujimori, que tinha muito menos recursos - financeiros e de mídia - à sua disposição, por que não aconteceria com Obama, que tem a seu serviço o mais gigantesco aparato de propaganda da História da humanidade? (Mas novamente vejo alguém balançando a cabeça e repetindo, como a querer convencer-se a si mesmo: "teoria da conspiração, teoria da conspiração"...)

Outro exemplo para pensar: há alguns dias, os autores de um relatório da ONU que acusava Israel de visar deliberadamente alvos civis palestinos durante a campanha israelense contra o Hamas em 2008-2009 foram obrigados a se retratar, reconhecendo que tal acusação era falsa. Na época da guerra, a acusação foi repetida todos os dias, e numerosos governos, inclusive o do Brasil, basearam-se nela para condenar de antemão Israel. Agora a verdade vem à tona. Isso mudará uma vírgula do que disseram então os inimigos de Israel?

Ao contrário do que afirma o ditado popular, a mentira não tem perna curta: suas passadas, na verdade, são bem largas. Para que ela se imponha, basta que se tenham os recursos necessários e que se encontrem pessoas dispostas a ser enganadas. Curta mesmo é a inteligência de quem se deixa engabelar por fraudes como Barack Hussein Obama. Mesmo quando ele presta um serviço à humanidade, o que daí exala é um nítido e indefectível odor de farsa.

segunda-feira, novembro 16, 2009

UMA TRAGÉDIA POLITICAMENTE CORRETA


No último dia 6 de novembro, o major do Exército dos EUA Malik Nidal Hassan entrou calmamente, como fazia todos os dias, na base militar de Fort Hood, no Texas. Dirigiu-se a uma sala onde estavam vários soldados desarmados. Depois de sentar-se por alguns instantes, subitamente ele sacou duas pistolas semi-automáticas e descarregou-as contra todos os que se encontravam pela frente, gritando "Allahu Akhbar" ("Deus é grande", em árabe). Só parou depois que foi ferido a tiros e dominado por uma policial que, felizmente, estava no local. Mas não antes de ter promovido uma carnificina: 13 mortos, 30 feridos.

Imediatamente, uma gigantesca operação de desinformação e propaganda foi montada nos grandes meios de imprensa. Malik Nidal Hassan, filho de imigrantes palestinos, foi apresentado como um simples desequilibrado mental, embora seja psiquiatra do Exército. Seu ato tresloucado foi mostrado como o resultado do trauma dos relatos de guerra de veteranos que voltavam do Iraque e do Afeganistão que ele atendia e da possibilidade dele, Hassan, ser enviado para combater neste último país. Culpa da guerra, disseram, e muita gente comprou a tese.

No dia seguinte ao massacre no Texas, o noticiário mostrou um outro caso de atirador ensandecido, desta vez na Flórida, que matou uma pessoa ao invadir a empresa da qual fora despedido alguns meses antes. Tentou-se fazer uma conexão entre os dois massacres, que não tiveram nada a ver um com o outro. O objetivo: diluir o caráter evidentemente terrorista do ataque em Fort Hood, mostrando-o não como um atentado islamita, mas como mais um exemplo de insanidade isolada que permeia a sociedade norte-americana, motivado por problemas psicológicos ou por outras razões geralmente levantadas nessas horas, como a "cultura da violência", "a cultura das armas" etc. Enfim, como qualquer outra coisa, menos um atentado terrorista perpetrado por um fundamentalista islamita infiltrado nas Forças Armadas norte-americanas. A isso se somou Barack Hussein Obama, que, em discurso em homenagem aos mortos, repetiu pela enésima vez sua coleção de platitudes sobre o caráter pacífico e tolerante do Islã etc. etc.

Logo alguns fatos interessantes vieram à tona. Descobriu-se, por exemplo, o seguinte:

- Malik Nidal Hassan frequentava uma mesquita na Califórnia cujo imã é acusado de ter ligações com a Al-Qaeda. No dia seguinte ao massacre, o imã, hoje fora dos EUA, louvou em seu blog a matança.

- Malik Nidal Hassan não escondia de ninguém sua oposição às guerras no Iraque e no Afeganistão, pois não queria ser um "muçulmano matando muçulmanos".

- Mensagens de internet mostram Malik Nidal Hassan louvando os terroristas suicidas do Hamas e de outras organizações islamitas como "mártires".

- Malik Nidal Hassan costumava regozijar-se pelos atentados de 11 de setembro de 2001, não fazendo segredo a ninguém de seu antiamericanismo exacerbado.

- Malik Nidal Hassan, 39 anos, é um muçulmano devoto, que inclusive escolheu ficar solteiro, pois não achara, nos EUA, nenhuma mulher capaz de atender aos rígidos preceitos morais do Islã.

- Malik Nidal Hassan chegou a pedir baixa do Exército, mas teve seu pedido recusado.

Diante do que está aí em cima, apenas uma pergunta se impõe: Por que diabos as autoridades norte-americanas não prestaram atenção em Malik Nidal Hassan? Não perceberam que alguém como ele era uma bomba-relógio prestes a explodir? Nem Mr. Magoo faria pior.

Só existe uma resposta possível para tamanha cegueira voluntária e negligência diante do inimigo dentro de casa: o politicamente correto.

Foi a lógica ilógica do politicamente correto, com sua obsessão em apaziguar quem não quer a paz e em ignorar ou minimizar ameaças à liberdade e à democracia, que preparou o terreno para a matança em Fort Hood. E, desconfio cada vez mais, para outros massacres semelhantes ou piores no futuro.

O peso do politicamente correto - que pode ser traduzido, no caso do Islã, como "não fale, não veja, não ouça" - se fez sentir logo após as primeiras notícias de que 13 pessoas haviam sido assassinadas por um atirador louco no Texas. A primeira explicação a surgir na CNN dava conta de que o assassino só fizera o que fizera porque se sentia alvo de "preconceito" por ser muçulmano - preconceito que teria aumentado, passou-se a dizer, depois do 11 de setembro. Grande parte da imprensa, nos EUA e no exterior, endossou essa "explicação" para o massacre: Malik Nidal Hassan fuzilou à queima-roupa 13 inocentes porque era vítima de "preconceito", vejam só... "Preconceito" por ter chamado os terroristas de "mártires" e ter celebrado os atentados contra o World Trade Center. Só faltou botar a culpa nas vítimas, aqueles infiéis imperialistas...

Imaginem o seguinte: um soldado norte-americano perde a cabeça e abre fogo contra um grupo de muçulmanos. Não seria preciso esperar trinta segundos para ouvir a Al-Jazeera dizer que foram os EUA, o Ocidente, a civilização judaico-cristã etc., que cometeu o crime, e que se devem esperar represálias por esse crime. No caso de um fanático muçulmano, que já destilara várias vezes seu ódio ao país que acolheu seus pais e ao qual jurou servir, que dispara contra seus colegas de farda gritando "Allahu Akbar", a situação é bem diferente. As autoridades, longe de responsabilizarem as crenças do criminoso pelo ocorrido, enchem-se de cuidados e pedem cautela para que "não se tirem conclusões precipitadas" sobre a religião do assassino. Conclusões às quais seria fácil chegar: bastaria ter levado a sério as declarações do criminoso e mantê-lo sob monitoramento. Pisando em ovos, as autoridades norte-americanas temem, acima de tudo, melindrar a comunidade muçulmana, ainda que um de seus membros seja um ímã apaixonado por Osama Bin Laden. E o fazem mesmo sabendo que, se tal crime tivesse ocorrido no Irã ou na Arábia Saudita, já teria desencadeado uma jihad contra o Ocidente. É dificil conceber uma fórmula mais perfeita para o suicídio.

O massacre de Fort Hood deveria entrar para a História como um exemplo didático de como a obsessão pela "correção política", por não ferir suscetibilidades étnicas, raciais ou religiosas que tomou conta da política norte-americana, desarma as defesas e prepara o caminho para massacres cada vez mais terríveis promovidos pelos fanáticos islamitas e pelos inimigos da liberdade de todos os tipos. Paralisado pela propaganda politicamente correta, o governo dos EUA ignorou as mensagens inequívocas de ódio religioso que anunciavam um banho de sangue dentro da maior base militar do país. Poucas vezes se viu atentado mais premeditado, mais previsível e mais facilmente evitável. Isso significa que o governo norte-americano deveria reconhecer a negligência e desculpar-se por não ter tomado a tempo medidas de segurança, como pelo menos expulsar Malik Nidal Hassan do Exército, certo? Nada disso. Quando a tragédia finalmente aconteceu, em vez de reconhecer a necessidade de vigilância constante, o governo Obama, secundado pela grande imprensa, apelou mais uma vez para o palavrório oco multiculturalista, com exortações à tolerância para com quem é intolerante.

Se isso é verdade na política interna, é no plano internacional que a capitulação politicamente correta vem fazendo seus maiores estragos. Sob o governo do "negro pós-racial" Obama, os EUA vem substituindo a "guerra ao terror" de George W. Bush por uma atitude de condescendência criminosa para com terroristas e genocidas. Obama não tem feito mais do que se desculpar, diante de inimigos jurados dos EUA como Mahmoud Ahmadinejad, pelos "erros do passado", esperando com isso ganhar sua simpatia e prevenir novos atentados. Sua diplomacia, sobretudo no Oriente Médio, se baseia na seguinte premissa: eles nos odeiam pelo que nós fizemos a eles, não pelo que somos. Como se o terrorismo da Al-Qaeda e do Hamas fosse uma justa reação à política externa "imperialista" norte-americana! Enquanto isso, Ahmadinejad e Kim Jong-il se sentem cada vez mais ousados, deixando o mundo em suspense constante. Não é difícil entender por que Muamar Kadafi disse que Obama é "nosso filho" na ONU.

Desde 2001, os EUA - na verdade, todo o mundo civilizado - estão em guerra contra o terrorismo islamita. Mas é uma guerra que, ao que parece, ninguém, a não ser os terroristas, quer vencer. Do contrário, Obama não se esforçaria tanto em ignorar o que está diante de seus próprios olhos. O mundo ocidental é capaz de pedir desculpas a uma horda de fanáticos assassinos por algumas charges de Maomé, mas se recusa a enxergar fanatismo islamita onde ele se manifesta. Mais: ignora e, em nome da "tolerância" e da "diversidade", faz vista grossa para o terrorismo, a negação total de qualquer tolerância e diversidade. Como diz um velho ditado espanhol: "Cria cuervos que te le comerán los ojos".