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domingo, janeiro 20, 2013

A FALÁCIA DESARMAMENTISTA E A DEMAGOGIA OBÂMICA

Confesso que certos assuntos me dão uma preguiça... Por exemplo: Barack Obama. Não consigo pensar no ex-redentor da humanidade sem me ver invadido, subitamente, por uma sensação de tédio mortal e irresistível. Mas vamos lá, noblesse oblige, e queira eu ou não, somos obrigados a lidar com esse canastrão, como se os de cá já não fossem suficientes.

O ex-messias está atualmente em plena cruzada contra a segunda emenda da Constituição dos EUA, que garante ao cidadão o direito à posse e ao porte de armas de fogo. Está aproveitando o clima de emocionalismo criado após o assassinato covarde e brutal de 28 pessoas, entre as quais 20 crianças, cometido há um mês por um demente em Connecticut, para retomar a guerra santa contra o, dizem, "lobby pró-armas", o qual, a se julgar pelo noticiário, deve ser formado por um bando de mentes pervertidas que não dão a mínima para a morte de criancinhas num jardim de infância nas mãos de um louco homicida. Tudo em nome da sua, da nossa, da minha segurança, de um mundo de paz, amor e felicidade etc.

Como disse antes, para mim é impossível conter os bocejos diante de alguns personagens e de alguns temas, de tão monótonos que são. O desarmamentismo, que na Terra do Tio Sam atende pelo nome de gun control, é há décadas uma das causes célèbres da esquerda, lá representada pelo Partido Democrata (o partido de Kennedy e de Franklin Roosevelt, gostam de lembrar, ao mesmo tempo em que fazem questão de esquecer que Lincoln, por exemplo, era republicano). Assim como a palavra "petista" no Brasil é inseparável de coisas como "controle social da mídia", fale em democratas nos EUA e virá junto, inevitavelmente, a expressão gun control. Isso torna o assunto deveras previsível e entediante. Ainda mais se vem travestido de "debate" resultante do último acontecimento a gerar comoção na mídia. O que se chama de "debate" sobre o tema "controle de armas" nos EUA hoje - e podemos dizer o mesmo na Bananalândia - não passa de uma tentativa oportunista de manipular e ludibriar a opinião pública, apelando para o emocionalismo mais rasteiro: Obama fez questão de chorar lágrimas de marketing logo após o massacre das crianças (Nelson Rodrigues dizia que o choro verdadeiro assoa o nariz, e que limpar o canto do olho, como Obama fez, é coisa de fingidor). Não contente, o presidente que já era histórico antes mesmo de ser eleito agora age como um reles molestador infantil, usando descaradamente criancinhas para tentar convencer o distinto público de que o desarmamento amplo, geral e irrestrito é o caminho. Por trás de toda essa encenação, o que há não tem nada a ver com segurança, mas sim com um indisfarçável ímpeto liberticida.

Por que digo essas coisas tão terríveis? Por que, ao contrário da multidão, não me deixo levar pelo irracionalismo, nem me comovo com mises-en-scène políticas como a interpretada por Obama na questão das armas? Porque sou um reacionário, portanto um canalha da pior espécie, um inimigo da paz e da segurança, diria um devoto da seita obâmica. Porque o discurso obamista não corresponde aos fatos, dirá a realidade.

Senão, vejamos. A idéia por trás do discurso desarmamentista é extremamente simples. É a seguinte: armas matam; logo, se não houver armas, não haverá mortes. Portanto, deve-se retirar as armas de circulação, proibi-las, bani-las. Menos armas, menos crimes, é o que se está dizendo. Isso porque existiria uma relação causal insofismável entre a posse de um revólver ou de uma espingarda e a violência. Assim como existiria uma relação causal insofismável entre ter um carro na garagem e esborrachar-se, inevitavelmente, contra um poste. Foi essa a idéia-chave que tentaram nos vender em 2005, com o plebiscito sobre o desarmamento, que foi rejeitado por 64% dos eleitores. E é essa a base, o fundamento mesmo, da teoria do gun control

Aparentemente, estamos diante de uma verdade absoluta, uma lei cientificamente comprovada, tão certa quanto a lei da gravidade. Aparentemente. Porque, se o que está dito no parágrafo anterior fosse verdadeiro, seríamos obrigados a admitir que os números sobre armas e violência no mundo são completamente falsos.

Segundo a mais recente pesquisa feita pela ONU, existem atualmente, nos EUA, cerca de 270 milhões de armas de fogo em circulação, de todos os calibres. É mais do que uma arma para cada cidadão. No Brasil, o número de armas, sob uma legislação extremamente restritiva, é de 15 milhões (para uma população total que se aproxima de 200 milhões). Por esses números, a conclusão lógica seria que os EUA são um verdadeito matadouro de gente - é a impressão que muitos têm após massacres como o de Newtown -, enquanto que a afortunada terra do carnaval seria um oásis de paz e tranquilidade ou, pelo menos, um lugar onde se mata muito menos do que no país dos caubóis (onde, além do mais, existiria uma "cultura da morte", estimulada pela indústria do cinema, os video-games violentos e a direita republicana, como gosta de dizer Arnaldo Jabor).

Pois é. Deveria ser assim, né? Só que, nesse caso, a retórica anti-armas esqueceu de combinar com os fatos, porque os números indicam exatamente o contrário.

Segundo o mencionado levantamento da ONU, que se refere ao ano de 2010, morreram a tiros, nos EUA, 9.960 pessoas. Isso corresponde a 3,2 mortos para cada grupo de 100 mil habitantes. Já no Brasil varonil, de acordo com a mesma pesquisa,  36 mil indivíduos foram vítimas mortais de armas de fogo (19,3 para cada 100 mil habitantes). Ou seja: com DEZESSEIS VEZES MENOS armas do que nos EUA, matou-se, no mesmo período, TRÊS VEZES MAIS pessoas no Brasil (vejam aqui: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/12/121218_armas_brasil_eua_violencia_mm.shtml.
Conclusão: se há uma relação entre a quantidade de armas e os índices de violência, é que QUANTO MAIS ARMAS, MENOS CRIMES. Exatamente o contrário do que dizem os desarmamentistas e Obama.

Também a experiência de outros países demonstra um enorme fosso entre a realidade e o discurso anti-armas. Em 1974, a Jamaica proibiu todo e qualquer tipo de arma de fogo. De lá para cá, a criminalidade aumentou vertiginosamente, e hoje o país do reggae e de Bob Marley é um dos mais violentos do mundo, só perdendo, em número de mortos em relação à população, para Honduras e Iraque. Em contrapartida, a neutra e pacífica Suiça, cuja lei garante a cada cidadão o direito a ter um fuzil militar dentro de casa, ostenta índices baixíssimos de criminalidade. O mesmo ocorre, é verdade, na Noruega e na Finlândia, que têm leis bastante rigorosas sobre a posse de armamento - o que não impediu que esses países fossem cenário de verdadeiros banhos de sangue em anos recentes. (Aliás, quantas vítimas poderiam ter sido salvas se os assassinos tivessem encontrado pela frente, em vez de alvos indefesos, cidadãos armados?) 

Qualquer pessoa com um mínimo de respeito à lógica e ao bom senso, sem falar em honestidade intelectual, analisando os números acima, chegaria facilmente à conclusão de que toda a discurseira a favor do gun control não passa de mera demagogia, de simples exploração politiqueira de tragédias como a de Sandy Hook para aprovar um pacote de leis que, em vez de reforçar a segurança, irá apenas levar mais intranquilidade à população, impedindo que o cidadão de bem possa defender a si e a sua família.

Isso fica ainda mais claro quando se analisam alguns "argumentos" comumente usados pelos desarmamentistas. Dizem, por exemplo, que o controle de armas é necessário, pois é mais fácil matar dez pessoas com uma pistola do que com uma faca etc. E é mais fácil se defender com uma pistola do que com um faca, esqueceram de dizer. Assim como aparentemente esqueceram que uma pistola ou um rifle com uma capacidade de tiros reduzida matará menos, mas também defenderá menos. O desarmamento funciona. Para os bandidos. (Nem vou me dar ao trabalho de responder ao "argumento" de que armas devem ser proibidas porque há acidentes, o qual ofende a inteligência.)

Se Barack Hussein Obama e seus marqueteiros estivessem realmente interessados em segurança, admitiriam que armas não matam pessoas - pessoas matam pessoas. E que revólveres e pistolas, se são usados para cometer crimes, também são uma garantia de segurança e de liberdade. Como, aliás, já sabiam os Founding Fathers, os pais fundadores da nação norte-americana. Não foi por acaso que o direito a possuir e a portar armas foi inserido no texto da Constituição do país. Não deve ser por acaso, também, que a revogação desse direito constitucional é algo tão caro a Obama e seus seguidores. Para quem se dedica, há anos, a se esquivar de perguntas incômodas sobre sua nacionalidade e sobre amizades suspeitas, querer impor um controle maior sobre os antecedentes dos donos de armas deveria ser visto como uma atitude, no mínimo, incoerente.        

quinta-feira, novembro 08, 2012

QUEBRANDO O ENCANTO: RESPONDENDO A UM DEVOTO OBAMISTA

E ainda há quem acredite...
Ai, ai...
.
Estava demorando para algum devoto da seita obamista vir aqui defender seu ídolo. Um tal de “Zek”, que ao que parece descobriu no blog a razão de sua vida, voltou a escrever. Ele ficou mordido com meu texto "Bye-Bye, Obama", em que digo que, independentemente de quem saísse vitorioso nas urnas nos EUA na última terça-feira, o mito Obama, o Obama demiurgo e reformador do mundo, tinha virado água. Ele, como bom obamista, não entendeu o que eu disse. E fez questão de comentar sobre o que eu não escrevi.

Obamistas, assim como seus congêneres nacionais, os lulopetistas, são criaturas estranhas, que parecem brigar o tempo todo com os fatos para manter intacto seu objeto de devoção. Nada contra as pessoas tietarem quem quer que seja. Mas bem que poderiam fazê-lo sem ofender a inteligência. Não é o caso do leitor. Vamos lá, vamos tentar trazer mais um botocudo para o lado da civilização (ele em vermelho):

Me diga uma coisa Gustavo como é que em um país racista como os EUA, onde há assumidamente grupos neonazistas e onde um garoto negro foi morto recentemente na Florida confundido com um criminoso apenas por ser negro, um presidente poderia ter sido eleito por ser negro ? a meu ver não faz o menor sentido.

Meu caro, e desde quando o racismo é somente branco? Há o racismo branco como há o racismo negro, o racismo índio, o racismo japonês, o racismo cor-de-rosa com bolinhas azuis... Principalmente o racismo dos que se dizem anti-racistas, e desejam, a pretexto de combater o racismo, dividir a sociedade em… raças, instituindo um tribunal de pureza racial (sim, estou falando das cotas, esse fetiche dos que enxergam tudo em duas cores). A vitória de Obama em 2008 (e agora, em menor escala, sua reeleição) foi uma vitoria do racismo. Por que digo isso? Obviamente não foi porque os neonazistas ou a Ku Klux Klan votaram no negão Obama, mas exatamente pelo contrário: porque a chantagem do "primeiro presidente negro (ou afro-americano)" falou mais alto nas duas ocasiões. Os negros são 13% da população dos EUA. Logo, não foi o "voto negro" ou "latino" que fez a diferença. Foi o da maioria da população americana, que é branca, protestante e come no MacDonald's, e que se deixou levar por essa conversa mole RACISTA (“não vota no Obama? então é racista” etc. etc.). Já escrevi sobre essa imensa empulhação, há quatro anos: http://gustavo-livrexpressao.blogspot.gr/2008/11/vitria-do-racismo.html

(A propósito: o garoto-negro-morto-recentemente-na-Flórida-apenas-por-ser-negro foi morto por um vigia chicano depois que este foi atacado por aquele. A história parece ser bem mais complicada do que diz a propaganda racista-obamista.)

Barack Obama era professor de Harvard, tem dois livros publicados e foi senador pelo estado do Havaí, você quer me dizer que nada disso significa nada para você ?

Sim, significa que ele foi professor de Harvard, tem dois livros publicados e foi senador pelo Havaí... E daí? Para nada disso é preciso ser um natural born citizen, um cidadão nato norte-americano. Arnold Schwarzenegger nasceu na Áustria e foi governador da Califórnia, assim como Henry Kissinger e Madeleine Albright foram secretários de Estado e nasceram, respectivamente, na Alemanha e na ex-Tchecoslováquia. Mas se quiserem se candidatar a presidente dos EUA, serão legalmente impedidos. Fora ter sido professor, escritor e senador, o que mais credencia Obama para o cargo de presidente do maior país do planeta? Aliás, o que o credencia para o papel de novo Messias? (Novamente ouço uma voz soprando no meu ouvido: "a cor da pele, a cor da pele"...)

A era Bush a meu ver trouxe incontáveis malefícios aos EUA e ao mundo, a guerra que ele sequer terminou no Iraque, deixou o país em frangalhos sem sequer iniciar a reconstrução.

OK, e quatro anos depois, tudo que Obama tem a mostrar é a continuação – na realidade, a intensificação – da "guerra ao terror" e a retirada das tropas do Iraque. Ou seja: ao que Bush começou, ele está dando prosseguimento. Por que tanto oba-oba então? Quanto à economia, se o Bush fez um estrago nessa área, Obama tem se mostrado um seguidor aplicado, pois os níveis de desemprego nos EUA só aumentaram. Não surpreende que ele tenha ganho por uma margem tão apertada no voto popular (menos de 51%).

Repetindo: Obama foi eleito e reeleito por ser negro. Como se chama isso? Racismo. Preciso ser mais claro (sem trocadilho…)?

Obama representa a mudança de uma era, a falida era Bush que fez o sentimento de anti-americanismo aumentar no mundo todo.

A única "mudança" significativa trazida pela era Obama, foi, repito, a cor da pele do governante. Sem falar que o antiamericanismo não precisa de nenhum Bush para existir. Com Bush ou sem Bush, com Obama ou sem Obama, o antiamericanismo persiste. Aí está a tal "primavera árabe" para comprovar. Na Líbia, o embaixador norte-americano foi trucidado por uma horda de islamitas antiamericanos raivosos. Culpa do Bush? O Hamas, o Hezbollah e o MST deixaram de ser menos antiamericanos por causa de Obama?

E ainda há essa conversa sem pé nem cabeça do Obama não ser americano, isso depois de ele ter sido senador , e sendo presidente já mostrou a certidão de nascimento, o que querem mais ?

Pois é, essa "conversa sem pé nem cabeça" surgiu nas hostes do próprio Partido Democrata, durante as eleições de 2008, e continua até hoje porque Sua Majestade Barack Hussein Obama não respondeu de forma cabal nenhuma das perguntas feitas sobre sua verdadeira nacionalidade. Sem falar que a "certidão de nascimento" que ele mostrou na Casa Branca (quase quatro anos depois de ser eleito!) prova tanto que ele é um natural born citizen quanto que eu sou um cidadão do Uzbequistão (há dúvidas quanto à autenticidade do documento, sem falar que o conceito de natural born citizen vai além do local de nascimento, pois diz respeito também aos pais). Para encerrar de vez essa controvérsia toda, bastaria Obama aceitar o desafio do Donald Trump e mostrar seus registros de passaporte. Além de calar a boca dos birthers e do Tea Party, ele embolsaria a bolada de 5 milhões de dólares. Por que, em vez disso, está fugindo da raia? Isso sim, algo totalmente sem pé nem cabeça.

A era Obama não acabou, e agora teremos mais quatro anos para provar este fato.

Nem eu disse que acabou. O que chegou ao fim foi o mito, o personagem inventado pela mídia. Claro que sempre haverá quem acredite no personagem. Mas isso não é problema meu; é de quem se deixou levar por essa criação do marketing politicamente correto. Estes estão além do alcance de qualquer argumento.

segunda-feira, novembro 05, 2012

BYE-BYE, OBAMA

Quem quer que seja o vencedor das eleições presidenciais nos EUA este ano, uma coisa é certa: o mito Barack Hussein Obama chegou ao fim. Acabou. Já era. Foi para o saco. Kaput.

Quando surgiu – acredito que todos se lembram – Obama era o Ungido, o Messias, o Redentor da humanidade. Poucas vezes se viu oba-oba maior na História do universo (talvez um certo Apedeuta em um país da América do Sul, mas o culto a este, diferente do de Obama, foi gestado durante décadas). Obama, o presidente histórico, saiu literalmente do nada para partir as águas do Mar Vermelho e levar todos à terra prometida, tanto que decidiram premiar-lhe com o Nobel antes mesmo da posse. Com aquela pose estudada e aquele sorriso de mil dentes, era o presidente sexy dos sonhos de Arnaldo Jabor.

Hoje, quatro anos depois e obrigado a governar sem a ajuda do teleprompter, Obama não passa de uma pálida sombra do que muitos esperavam que ele poderia vir a ser um dia. Ganhando ou perdendo, não importa: sua estrela se apagou.

Primeiro, muitos que votaram entusiasticamente em Obama em 2008 acreditando que ele seria um pacifista – a maioria, arrisco-me a dizer – quebraram a cara: ele não somente aumentou para 30 mil o número dos soldados norte-americanos no Afeganistão, como deu continuidade e até intensificou muitos dos programas do demonizado George W. Bush em sua "guerra ao terror". Diante da dura realidade, rasgou promessas de campanha como o fechamento da prisão de Guantánamo, entre outras coisas. Igualzinho ao Bush. Mas tudo, claro, com dor no coração – afinal ele, Obama, é um "progressista"...

Pior: com Obama, os EUA passaram de potência temida e exportadora de democracia para uma potência envergonhada, que mais segue os fatos do que os determina. Basta ver a reação apalermada de Hillary Clinton ao assassinato do embaixador norte-americano na Líbia há algumas semanas. Com Obama, os EUA só faltam pedir desculpas por serem atacados por fanáticos islamitas. Avanço? Para estes últimos, talvez.

No plano doméstico, a economia continua à espera da recuperação, e políticas como o Obamacare, que, se para os brasileiros parece uma maravilha – infelizmente estamos viciados no Estado-babá assistencialista e paternalista –, geraram a maior manifestação de protesto da História dos EUA, quando mais de 1 milhão de pessoas saiu às ruas de Washington contra o plano de Obama de decidir sobre a saúde do cidadão (mas isso quase não saiu no noticiário). Quanto à crise econômica, além de injetar bilhões de ajuda a montadoras falidas, tudo que Obama fez até agora foi culpar o governo anterior e satanizar o big business, como se viu na campanha contra Mitt Romney, o que certamente deixa muita gente alegre - principalmente os que adorariam ver o fim do capitalismo (e da democracia). 

Isso sem falar nas perguntas ainda sem resposta sobre a biografia do atual ocupante da Casa Branca. Obama demorou quase quatro anos para mostrar um documento que supostamente provaria ser ele cidadão nato norte-americano, portanto legalmente apto a ser eleito para o mais alto cargo da nação. Agora, esnoba a oferta de 5 milhões de dólares do bilionário Donald Trump para apresentar seus registros de passaporte e histórico escolar. O que ele está esperando para calar de vez a boca dos birthers e do Donald Trump, aquele do topete ridículo? Em vez disso, acobertado por uma imprensa condescendente (já vimos esse filme…), fecha-se num silêncio tumular, e faz de conta que não é com ele. É certamente o presidente menos transparente da História dos EUA (e não me refiro, claro, à cor da pele).

Claro que seria exagerado dizer que nada de bom foi alcançado em quatro anos de governo Obama. Em sua presidência, os Navy Seals livraram o mundo de Osama Bin Laden, despachando o terrorista para o inferno de cristãos e muçulmanos. Mas pergunto: teria sido preciso esperar o advento de Santo Obama para isso? O serial killer só foi morto porque a espinha dorsal da Al-Qaeda foi quebrada ao longo de anos de luta, que começou em 2001. Mesmo a tão festejada retirada das tropas ianques do Iraque, por exemplo, só foi possível porque Bush Junior derrubou Saddam em primeiro lugar. O que Obama fez no terreno da segurança que não poderia ter sido feito, e com mais eficiência, por George W. Bush ou por John McCain?

Desde que surgiu pela primeira vez para os holofotes, desconfiei que Obama era mais uma patuscada global, mais uma falsa esperança dos politicamente corretos. Enquanto os botocudos batiam tambor para o demiurgo eu escrevia textos e mais textos dizendo o que ninguém queria ouvir – que Obama foi eleito por causa da cor da pele, e de uma gigantesca operação de marketing, talvez a maior de todos os tempos. Como sempre, eu estava indo na direção contrária à da manada. Ainda bem.

Nada disso, claro, faz qualquer diferença para os obamistas, tanto os de lá quanto os de cá (estes, aliás, são mais numerosos do que nos EUA, segundo as pesquisas). Para os devotos da seita, Obama é como Lula: um fracasso glorioso.

Bye-bye, Obama. No, you cant't.

terça-feira, maio 24, 2011

MINHA TEORIA DA CONSPIRAÇÃO FAVORITA

Como todos sabem, Barack Hussein Obama desmoralizou os que dizem que ele não é cidadão nato norte-americano, e que portanto ocupa ilegalmente a Presidência dos EUA. Como todos sabem também, desde que despachou o megaterrorista Osama Bin Laden, o cartaz do homem nunca esteve tão em alta, ele nunca esteve tão por cima da carne-seca. Principalmente depois dessa imensa vitória publicitária, dizer que Obama não é gringo, como fez o Donald Trump (o do cabelo ridículo), ou simplesmente falar mal do demiurgo, só pode ser coisa de reacionários racistas e malucos.

Mesmo assim, considerando o conhecido gosto dos americanos pelas teorias da conspiração, e decidido a colocar um ponto final nessa quizília toda envolvendo a nacionalidade do presidente histórico, resolvi elaborar eu mesmo minha própria teoria conspiratória. É a seguinte, acompanhem:

Barack Hussein Obama é americano da gema, tanto quanto o Bush ou o John Wayne. O pai dele nasceu no Brooklin, não no Quênia - o que tornaria o filho automaticamente inelegível para a Presidência dos EUA, pois descumpriria um dos requisitos básicos para que ele, Obama, seja considerado um natural born citizen, como manda a Constituição americana, ainda que ele tivesse nascido no alto do Empire State Building: o de que ambos os pais sejam americanos (natos ou naturalizados). Na verdade, Obama inventou a estória do pai queniano e de família muçulmana (além do mais, súdito da Coroa britânica) somente para dar argumentos à direita americana.

Do mesmo modo, Obama resolveu esconder sua certidão de nascimento por quase quatro anos - antes disso, mostrou um documento provisório on-line com claros sinais de falsificação - somente para dar assunto aos birthers e fazer de bobo o Donald Trump na Casa Branca. Durante todo esse tempo, Obama gastou milhares de dólares com um batalhão de advogados e fugiu de responder a processos judiciais para provar sua nacionalidade apenas para dar corda aos republicanos direitistas e calar-lhes a boca agora. E esperou para fazer isso em grande estilo, na véspera da operação que resultou na morte do inimigo número um do mundo civilizado. Obviamente, ele também se antecipou ao que seus inimigos racistas e nazistas diriam do timing escolhido (uma maneira de desviar a atenção de sua popularidade decrescente etc.): é só porque ele é negro, claro.

Enfim, Obama pensou em tudo desde o início. Ele já tinha tudo planejado, nos mais mínimos detalhes, na época de sua eleição à Presidência. Mas, para não deixar os republicanos do Tea Party tristes e sem assunto, ele bolou um esquema ainda mais maquiavélico, fazendo questão de mostrar um documento, o birth certificate, que, ao supostamente "provar" que ele nasceu no Havaí, apresenta estranhos indícios de manipulação (como uma assinatura que não condiz com a de sua mãe e um número de registro superior ao de pessoas nascidas e registradas depois de sua própria data de nascimento). Isso sem falar das declarações de sua avó paterna, que em pelo menos duas ocasiões já afirmou que o viu nascer no Quênia (boatos da internet, claro).

E os demais pontos obscuros da biografia obamista, como sua ligação com o terrorista Bill Ayers, os sermões antiamericanos raivosos de seu pastor e mentor espiritual - por vinte anos! -, Jeremiah Wright, a polêmica sobre sua religião (cristão? muçulmano? ateu? adepto do hare krishna ou do santo daime?), seus negócios inexplicados com o vigarista Tony Rezko e com o escândalo da ACORN etc.? É tudo invenção da extrema-direita e da Ku Klux Klan, óbvio. Alíás, da KKK, não: da CIA, do Mossad e dos assassinos de Kennedy. E por que nada disso sai na grande imprensa, de lá e de cá? Para atiçar a curiosidade de blogueiros direitistas e conspiracionistas, claro. Ou seja: é tudo obra dos mesmos que destruíram as Torres Gêmeas no 11 de setembro e dos que capturaram os alienígenas em Roswell.

Como se vê, em se tratando de Barack Hussein Obama, tudo é muito claro, muito transparente, não há qualquer dúvida, nada, absolutamente nada a ser esclarecido. E quem duvidar disso só pode ser o Donald Trump ou um doido racista.

quinta-feira, maio 05, 2011

SOBRE OBAMA E OSAMA: RESPOSTA AOS LEITORES

Um leitor anônimo comenta meu texto "De Volta à Realidade". Respondo em seguida:

Bom, mas deixa algumas dúvidas.

1) Obama por vir depois de Bush, só poderia colher o que o primeiro plantou, seja isto algo ruim ou bom. Portanto, não faz sentido dizer que ele colheu o que Bush plantou, isto é óbvio. O que interessa é como ele continuou isto.

Há uma diferenca entre anterioridade e causalidade. O fato de algo vir antes não explica necessariamente o que vem depois. Eu posso dizer "antes de mim, vieram os dinossauros" e isso está correto. Mas não posso dizer: "estou aqui por causa dos dinossauros".

No caso de Obama e Bush, existe claramente uma relação causal, e não somente temporal. Obama matou Osama não porque veio depois de Bush, mas porque Bush decapitou a Al Qaeda. Bin Laden só foi cercado e abatido a tiros no Paquistão porque estava sendo caçado há anos. Desde que, para ser mais preciso, Bush ordenou que as tropas invadissem o Afeganistão e botassem seus assassinos para correr. Portanto, faz todo sentido dizer que Obama está, sim, colhendo o que outros plantaram para ele. Faz todo sentido dizer que Obama está surfando na onda alheia. Aliás, isso me lembra alguém...

2) O que você chama de "terrorismo islamita" é absurdo! Terrorismo é uma coisa, o Islã outra. Ser islamita não significa ser terrorista e nem o contrário. Não existe terrorismo islamita. Existe o Terrorismo!

Essa novilíngua politicamente correta é mesmo uma praga. Escolhi o termo terrrorismo islamita (e não “islâmico”) justamente para diferenciar o terrorismo da Al Qaeda, Hamas e Hezbollah do Islã, e aí vem alguém e me acusa de preconceito... contra o Islã! Francamente, não sei mais o que fazer para ficar nas boas graças dos patrulheiros.


O leitor não sabe a diferença entre islamita e islâmico? Tudo bem, explico: é a mesma diferença que existe entre um fundamentalista cristão e o Papa. Existe, sim, terrorismo islamita, que nada mais é do que o resultado de uma interpretação literal (fundamentalista) do Corão.

Para ficar mais claro: nem todo terrorista é islamita, mas todo islamita é, potencialmente, terrorista. Deu para entender?

Aliás, uma de minhas críticas ao governo de George W. Bush era que, em vez de especificar como inimigo essa variante de terrorismo, preferiu a expressão eufemística de "guerra ao terror", uma fórmula vazia, que significa o mesmo que "guerra à guerra". Por que falar em terrorismo islamita é errado, mas em "terrorismo sionista" não?

Mas a afirmação mais inacreditável de todas é a que vem em seguida:

3) O possível fato de que Obama não seja americano impede ele de ser um bom presidente? A lei não poderia ser revista?

Não só impede, como é motivo para ele perder o cargo e ir parar na cadeia. Ser um bom presidente, seja nos EUA ou em Burkina Fasso, é, acima de tudo, respeitar a lei do país. E falsificar ou sonegar informações referentes à nacionalidade, sua ou de outros, é crime, ponto final. Ainda mais se for para se tornar presidente dos EUA. Richard Nixon é lembrado hoje como um bom presidente – na área internacional, pelo menos –, mas perdeu a cadeira por ter rasgado a lei no escândalo de Watergate. Outros povos menos civilizados podem estar acostumados a ter governantes que debocham das leis e fazem pouco caso da democracia. Nos EUA, é um tantinho diferente.

Mas espere aí, deixe-me ver se entendi direito: então alguém engana o mundo todo e se torna presidente de forma ilegal e inconstitucional, mas, como ele foi um “bom presidente”, então em vez de ser preso, ele é recompensado com uma revisão da Lei – e não uma lei qualquer, mas um artigo fundamental da Constituição? É isso mesmo? Mas afinal, a Lei existe para ser cumprida ou não? E quem deve zelar para que ela seja cumprida não é o presidente da República? Ou deve valer o "rouba (ou mente), mas faz"? Não seria melhor jogar a Constituição no lixo de uma vez por todas?

Ainda que Barack Hussein Obama descobrisse a cura da AIDS, se for comprovado que ele não é, como diz ser, um natural born citizen, estará caracterizada uma das maiores fraudes de todos os tempos. Supor que a lei de um país poderia ser revista no caso dele seria colocar um homem acima da própria Lei e da propria democracia. Aliás, não é outra coisa que os devotos da fé obamista têm feito.

Outro leitor, o Gabriel, é um pouco, digamos, mais explicito:

Bush também não cumpriu todas as suas promessas de campanha, no entanto, você nunca fala mal dele. Isso parece um tanto ilógico: se Obama não faz, então, ele é mal presidente; se Bush não faz, tá tudo bem, foi apenas um lapso. Se Obama faz, é porque Bush já havia preparado o terreno, então, nada tem de significativo para a presidência de Obama; se Bush faz, então, ele é o líder exemplar. Tua crítica ao presidente americano não tem fundamento.

Pois é, né? Agora sou um bushista. Só porque não falo mal dele, que já se aposentou, mas do Obama, que está aí. Nao acho que o governo de George W. Bush esteja livre de críticas, e nisso me diferencio da guarda de ferro obamista em relação ao governo e à figura de Obama. Mas uma coisa tenho de admitir: Bush foi o melhor presidente que o Iraque e o Afeganistão ja tiveram. Já Obama, é o melhor produto que o marketing político já engendrou.

Sem falar no essencial: ninguém põe em dúvida que Bush, com todos os seus defeitos, é americano da gema, de pai e mãe, e portanto cumpriu todos os requisitos necessários para ser presidente dos EUA. Quanto à Obama... Ele pode até ter nascido no Havaí, como mostra o documento que ele escondeu durante três anos e que só agora, com a popularidade despencando e na véspera da operação que matou Bin Laden, ele resolveu mostrar, num show pirotécnico na Casa Branca. Mas as dúvidas sobre seu direito legal a ser presidente dos EUA continuam. Aliás, agora é que a questão vai esquentar para valer.

Ficamos assim: é proibido falar mal de Obama, porque existiu um George W. Bush. Também fica proibido criticar os petistas, porque existem os tucanos. Assim, ficariam todos igualados na mentira, um anularia o outro, e ficariam elas por elas. Muito justo, não?

Querem mesmo que eu responda?

terça-feira, maio 03, 2011

DE VOLTA À REALIDADE

Agora que o autor do maior ataque terrorista da História repousa no fundo do mar com um buraco na cabeça, devendo fazer companhia aos peixes (quer dizer, menos para os que acreditam que o homem não foi à Lua ou que Elvis não morreu), acho que vale a pena tecer algumas considerações, como se dizia antigamente.

Primeiro: a morte de Osama Bin Laden (que o inferno lhe seja escaldante) não significa, de maneira nenhuma, o fim do terrorismo. Muito menos do sentimento que o alimenta, o antiamericanismo raivoso e hormonal, tão conhecido por estas plagas. Se têm alguma dúvida, dêem uma olhada nas batatadas que já estão circulando por aí, ou lembrem do que andaram dizendo figuras como Leonardo Boff a respeito da queda das Torres Gêmeas. Daí tirem suas próprias conclusões a respeito.

Segundo: a Al Qaeda já era, e não é de agora. A espinha dorsal da organização terrorista foi quebrada há anos, desde a época de George W. Bush. Há tempos Bin Laden era nada mais do que um símbolo, não tendo qualquer importância prática no esquema terrorista. A Al Qaeda hoje é uma rede espalhada pelo mundo, sem comando único, uma espécie de franquia do terror. Seria uma questão de tempo chegar em Bin Laden. Com ou sem ele, o terror seguirá.

Terceiro: poucos se deram conta, e daqui para a frente quase ninguém vai lembrar, mas somente agora Obama cumpriu sua primeira promessa de campanha - justamente a eliminação do terrorista número um do planeta. E só o conseguiu devido à dizimação da estrutura da Al Qaeda pelo governo Bush, o que começou com a expulsão dos fanáticos de Bin Laden do Afeganistão após o 11 de setembro de 2001. Estão enchendo a bola de Obama, como se ele fosse um herói, mas a verdade é que ele está colhendo o que outros plantaram. Pior: o que Bush - isso mesmo: Bush - plantou.

Muitos já se apressam a dizer que, com a eliminação de Bin Laden, Obama está com a reeleição garantida em 2012. Vamos ver. A popularidade de Obama vinha em queda livre até a semana passada, pois os americanos, quase três anos depois de sua eleição e ascensão ao céu dos politicamente corretos, ainda esperam ver cumpridas todas as demais promessas que ele fez, como a solução da crise econômica e o fechamento da prisão de Guantánamo, o que ele prometeu fazer em um ano. Sem falar em sua política vacilante e, na prática, pró-islamita, em países como o Egito e a Líbia. Obama parece ter percebido que governar um país como os EUA e liderá-lo na luta contra o terrorismo islamita não é tão fácil quanto fazer um discurso "histórico" olhando o teleprompter.

É possível que Obama seja reeleito em 2012, mas não será, certamente, por causa de Bin Laden. Afinal, ele não foi eleito por nada que fez, mas pelo que é - melhor dizendo: pela cor de sua pele. Os americanos votaram num personagem criado por marqueteiros, não em alguém que faz. Obama pode passar um mandato inteiro em branco (sem trocadilho, senhores patrulheiros!) e isso não afetará em nada sua imagem, pois já é "histórico".

Talvez não por acaso, Obama ordenou a operação que despachou Osama desta para pior apenas um dia depois de ter protagonizado uma pantomima inesquecível na Casa Branca. Percebendo o dano que os rumores sobre seu local de nascimento poderiam causar à sua popularidade, já arranhada pelos motivos mencionados acima - apenas 38% da população americana acredita que ele nasceu nos EUA -, o demiurgo resolveu tocar no assunto em público, pela primeira vez. E o fez da maneira que se espera de um produto de marketing: com um verdadeiro espétáculo de pirotecnia e desinformação. A imprensa do mundo inteiro estampou em suas manchetes que Obama havia calado a boca dos birthers, tendo "provado" que nasceu no Havaí, e não no Quênia como dissera em pelo menos duas ocasiões sua avó paterna. Logo os canais de TV de todo o mundo estavam repetindo ad nauseam o mantra: "Obama nasceu nos EUA, ponto final" e não se fala mais sobre o assunto. Aí veio a morte de Bin Laden.

Se eu fosse um cara crédulo, desses que acreditam em duendes e na honestidade de petistas, eu acharia uma tolice essa quizília e me daria por satisfeito com o showzinho de Obama na Casa Branca. Mas fui picado faz tempo pelo mosquito da dúvida, o que faz de mim um desconfiado crônico e patológico. Obama não provou nada, a não ser que é um mestre da enganação. Seu passado continua coberto de brumas, tão cheio de furos quanto um queijo suiço.

Em primeiro lugar, o documento que apareceu no telão durante o jantar de gala na Casa Branca como se fosse um texto canônico não encerra a questão da nacionalidade de Obama, ao contrário do que está sendo divulgado, numa espécie de reinterpretação do dogma papal: Obama locuta, causa finita. Pelo contrário, o papel apenas levanta mais dúvidas sobre o status jurídico da nacionalidade de Obama, visto que a definição constitucional de natural born citizen vai além do local de nascimento (ele poderia ter nascido no alto do Monte Rushmore, mas, filho de pai queniano, continuaria impedido, segundo a Lei americana, de exercer a Presidência). Além disso, toda sua arenga jurando ser americano nato se baseou no ataque ao mensageiro, de modo a que ninguém preste atenção na mensagem. No caso, o mensageiro é o bilionário Donald Trump, pré-candidato à Presidência dos EUA. O público se acabou de rir com as piadas de Obama sobre Trump, que fez fortuna explorando o mau gosto dos americanos por jogos e cassinos. Além do mais - eis o argumento definitivo -, olhem só que cabelo ridículo!

Donald Trump pode ser um palhaço de penteado ridículo, mas tem dinheiro suficiente para não se deixar amedrontar pelo esquema obamista. E fez a pergunta que até agora continua sem resposta: afinal, Obama é ou não é americano? "Ah, mas que importância isso tem?". Além do fato de significar que o atual presidente dos EUA estaria automaticamente inabilitado para o cargo, eu diria: nenhuma. Os esquerdistas que elegeram Obama já decidiram que ele pode ter nascido em Marte e isso não vai fazer nenhuma diferença. Afinal, ele não é uma pessoa: é uma cor de pele. Quem ousar lhe fazer perguntas, como seu local de nascimento e sua ligação com corruptos e terroristas como Bill Ayers e Tony Rezko, é um racista e teórico da conspiração, e ponto final.

Não custa nada lembrar: o ex-presidente peruano Alberto Fujimori passou todo seu mandato jurando de pés juntos ter nascido na terra dos incas. Anos depois, descobriu-se que ele nasceu no Japão. A pergunta que fica é: se isso aconteceu com Fujimori, que tinha muito menos recursos - financeiros e de mídia - à sua disposição, por que não aconteceria com Obama, que tem a seu serviço o mais gigantesco aparato de propaganda da História da humanidade? (Mas novamente vejo alguém balançando a cabeça e repetindo, como a querer convencer-se a si mesmo: "teoria da conspiração, teoria da conspiração"...)

Outro exemplo para pensar: há alguns dias, os autores de um relatório da ONU que acusava Israel de visar deliberadamente alvos civis palestinos durante a campanha israelense contra o Hamas em 2008-2009 foram obrigados a se retratar, reconhecendo que tal acusação era falsa. Na época da guerra, a acusação foi repetida todos os dias, e numerosos governos, inclusive o do Brasil, basearam-se nela para condenar de antemão Israel. Agora a verdade vem à tona. Isso mudará uma vírgula do que disseram então os inimigos de Israel?

Ao contrário do que afirma o ditado popular, a mentira não tem perna curta: suas passadas, na verdade, são bem largas. Para que ela se imponha, basta que se tenham os recursos necessários e que se encontrem pessoas dispostas a ser enganadas. Curta mesmo é a inteligência de quem se deixa engabelar por fraudes como Barack Hussein Obama. Mesmo quando ele presta um serviço à humanidade, o que daí exala é um nítido e indefectível odor de farsa.

quinta-feira, março 24, 2011

OBAMA: O TRISTE FIM DE UM MITO


Quem passou pela Terra de Cabral um dia desses foi um tal Barack Hussein Obama, que, dizem, é o presidente dos EUA. Foi recebido com festa pelos nativos, que o adularam com salamaleques oficiais na capital. Para não perder a viagem, ele aproveitou para passear no Rio de Janeiro, onde, entre um discurso histórico e uma pose histórica da família histórica, o presidente histórico fez um pouco de turismo. Enquanto isso, um grupo de crianças de uma ex-favela (agora se chama "comunidade") lhe entretiveram e à primeira-dama Michelle e suas filhas dando saltos mortais e fazendo piruetas. Na próxima, vão chamar um grupo de funk.

Alguém teve a brilhante idéia de que, ao colocarem as mãos no chão e darem cambalhotas, os meninos e meninas da Cidade de Deus estariam exibindo algo genuinamente "nacional", a fina flor de nossa cultura, esses papos, enfim. Se tivessem declamado Goethe ou Shakespeare, ou exibido bons conhecimentos de ciências e matemática, não seria a mesma coisa. Afinal, gringo gosta de ver coisas exóticas, como o samba e a macumba, ou o rebolado de nossas mulatas. Além do mais, é nossa sina. Parece que os brasileiros têm certa dificuldade em permanecer em posição ereta diante de Obama.

Estava previsto inicialmente que Obama faria um discurso na Cinelândia. A idéia, certamente saída do cérebro de algum gênio do marketing político, foi, felizmente, abandonada. Parece que alguém na comitiva obamista lembrou que os brasileiros não entendem inglês. Mas não poderia haver tradução simultânea, por meio, sei lá, de um telão com legendas em português? Poderia, claro. Mas aí alguém deve ter lembrado que os brasileiros não sabem ler em nenhuma língua.

A visita de Obama foi também uma oportunidade para confirmar aquilo que sabemos há, pelo menos, oito anos: que o Brasil, finalmente, é um país importante, cujos líderes são respeitados mundialmente. Chegou a hora, pensaram os anfitriões, dessa gente bronzeada mostrar seu valor, provando aos gringos que somos iguais a eles e que estamos no mesmo nível. Imaginem Lula ou Dilma Rousseff falando aos americanos no Capitólio ou na Times Square. Imaginaram?

(Nota à margem: Lula não foi ao almoço oferecido em homenagem a Obama pelo Itamaraty em Brasília. Deve ter pensado que o lugar não comportava dois demiurgos e reformadores do mundo. Afinal, cerimônia em que ele não discursa não vale. Essa peça é somente para um ator.)

No final, Obama não mostrou seu queixo de estátua na Cinelândia, mas num palco um pouco mais acanhado, o Teatro Municipal. Não haveria lugar mais adequado. Afinal, o homem é um ator, e dos bons. Obama, como já sabem mais de 70% dos americanos que, a essa altura, querem vê-lo despejado da Casa Branca, não passa de uma operação de marketing, a mais gigantesca de que se tem notícia. Lá de onde ele veio, apenas uma minoria ainda acha que ele é algo mais do que isso, e ainda compra seus slogans. Há alguns meses, ele sofreu um duro revés, com a derrota esmagadora do Partido Democrata nas eleições legislativas americanas. Nos EUA, não falta quem levante dúvidas sobre seu passado, e inclusive questione se ele é cidadão nato norte-americano. No Brasil, porém, onde as coisas sempre chegam com certo atraso, ele goza de ampla simpatia. Eu disse simpatia? Eu quis dizer devoção. Tietagem. Oba-oba.

O Brasil é mesmo o lugar certo para Obama. Como demonstraram pela enésima vez os petistas - um grupo chegou mesmo a ensaiar um protesto contra o representante do "imperialismo ianque" -, somos incapazes de manter uma relação adulta com os EUA. Não conseguimos ainda superar a esquizofrenia, passando do antiamericanismo rombudo à adulação servil. No caso de Obama, às vezes as duas coisas se confundem.

No discurso - histórico, claro - do Municipal, perante uma platéia selecionada de políticos e atores da Globo, Obama desfilou todo seu charme e elegância, arriscando algumas palavras decoradas em português de marinheiro gringo e mostrando toda sua desenvoltura de animador de auditório - aliás, eu vi, juro que vi, uma jornalista derramando-se em elogios a Obama, descrevendo seus dotes de animador de auditório (ela usou essa mesma expressão, "animador de auditório"), como se fosse uma coisa boa! Desconfio que, se em vez de discursar ele tivesse sapateado ou feito malabarismo, ou cantado My Way de Frank Sinatra, o efeito teria sido o mesmo sobre a patuléia embasbacada. Para fechar com chave de ouro, ele encerrou o discurso citando uma frase de significado profundo de um grande pensador e intelectual brasileiro, um nome capaz de deixar Mark Twain e Ralph Waldo Emerson no chinelo: Paulo Coelho.

Ninguém percebeu, hipnotizados todos que estavam pela lábia obâmica, mas Obama repetiu, no Rio, a mesma mentira histórica com a qual começou seu discurso oficial em Brasília. Em ambas as ocasiões, ao elogiar sua anfitriã, ele avalizou uma fraude, afirmando que a luta no passado de pessoas como Dilma Rousseff foi o que permitiu aos brasileiros desfrutarem hoje de uma democracia. Alguém precisa informá-lo de que a "luta pela democracia" de Dilma Rousseff deu-se nas fileiras da Vanguarda Armada Revolucionária e da Vanguarda Popular Revolucionária, grupos terroristas que desprezavam a democracia e queriam implantar o comunismo no Brasil. Das duas uma: ou Obama não sabe nada de História (assim como a maioria dos brasileiros), ou sabe, e nesse caso considera que explodir bombas e assassinar pessoas pelo comunismo é uma coisa boa.

Mas o momento culminante da jornada carioca de Obama foi sua visita ao Corcovado. Lá, ele posou, com seu sorriso de mil dentes, ao lado da estátua do Cristo Redentor. Naquele mesmo dia, jatos e navios dos EUA iniciaram uma campanha devastadora de bombardeios à Líbia. Imaginem o efeito de relações públicas no Oriente Médio: o presidente do Satã imperialista ocidental posando para fotografias tendo como pano de fundo um símbolo cristão no mesmo dia em que ordenava um ataque a um país muçulmano... George W. Bush quase foi crucificado, sem trocadilho, porque usou a palavra "cruzada" para se referir à "guerra ao terror" (expressão, aliás, que não quer dizer nada) após o 11 de setembro. Foi atacado por todos os lados, principalmente pela esquerda, como instigador do ódio religioso etc. e tal. Já Obama fez o que fez, e é enaltecido como campeão da tolerância e do respeito à diversidade. A essa hora, a foto dele ao lado do Cristo já deve estar circulando em sites de fundamentalistas islâmicos, como prova de que os EUA estão mesmo em guerra com o Islã.

Por falar em Oriente Médio, é lá que o mito Obama tem sido enterrado nesses dias. Começou no Egito, com Obama dando a senha para o caos, ao virar as costas a Hosni Mubarak sem se importar com as conseqüências. Seguiu-se uma onda de revoltas "espontâneas" em países como Iêmen e Líbia. Nesse último país, onde o ditador Kadafi reagiu com fogo e bombas a uma rebelião armada, que logo degenerou em guerra civil, Obama não mostrou nem a sombra da determinação que teve ao pedir a saída imediata de Mubarak do poder no Egito. Somente quando França e Reino Unido deixaram claro que iriam atacar Kadafi é que ele, Obama, mudou de idéia.

Há alguns dias, o Barein, assolado por manifestações violentas dos xiitas, quase certamente instigadas pelo Irã, pediu e conseguiu ajuda militar da Arábia Saudita, que prontamente enviou tropas e tanques para o país vizinho. Sem que Washington sequer fosse consultado. Foi a primeira vez que isso aconteceu. Pela primeira vez, também, os EUA se colocaram a reboque de Paris e Londres numa campanha militar - e contra um tirano asqueroso que continua a chamar Obama, apesar dos bombardeios, de "meu filho amado". O declínio do poder americano parece mesmo real.

Ou Barack Hussein Obama diz o que diz e faz o que faz por inépcia, e é, portanto, um idiota, ou o faz de caso pensado, e é alguém que age conscientemente para minar o poder americano e, por conseguinte, a segurança do mundo. Em qualquer caso, é uma farsa e um desastre total. Já está pronto para ser presidente do Brasil.

quinta-feira, julho 23, 2009

O FIM DO MITO OBAMA


O que dizer do que vem em seguida? Só uma coisa: eu avisei.
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Sei que parece meio arrogante dizer isso, mas eu já sabia que ia acontecer. Já sabia que, mais cedo ou mais tarde, o rei iria ficar nu, o príncipe iria virar sapo. Só não esperava que isso fosse acontecer tão rápido.
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Do blog do Reinaldo Azevedo. Os grifos são meus.

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OBAMA JÁ ERA!

Em Honduras, a história ofereceu a Barack Obama, presidente dos EUA, a chance de começar a pôr termo ao chavismo sem derramar uma gota de sangue e sem a intervenção direta de Washington na política interna de um país aliado. Mas Barack Hussein não quis. Não quis porque parte de sua força — e do mito criado em torno de sua figura — deriva justamente do ódio que muita gente, mundo afora, devota aos EUA. Sim, os que odeiam o que aquele país representa — incluindo nativos — criaram a metafísica Obama. E agora Barack Hussein é um tanto refém dessas demandas antiamericanas, antiimperialistas, anti-Ocidente… Cada um chame como quiser. Mas o fato é que ele está pautado pela obsessão de ser visto como “confiável” por aqueles que odiavam em George W. Bush não apenas os seus erros e exageros, mas também os seus acertos. Odiavam George. W. Bush porque ele era presidente dos EUA, não porque fosse “republicano”, “reacionário”, “direitista” ou o que seja. Esses eram apenas rótulos que serviam para disfarçar a real natureza do rancor.

Sim, senhores! Barack Hussein é refém da necessidade de fazer o que Bush NÃO faria, mesmo que aquele, eventualmente, pudesse, ocupando a cadeira da Casa Branca, fazer a coisa certa. Quem age assim é escravo de expectativas alheias. Na verdade, por mais que se tente fazer do atual presidente dos EUA um evento singularíssimo, sinto dizer que ele não existe como indivíduo. É a construção de uma época, e essa personagem das circunstâncias se mostra mais disposto a ser conduzido por elas do que a conduzi-las. Não é um líder, é um liderado; não conduz, é conduzido.

No episódio, observe-se, com um pouco mais de tarimba — e, quem sabe?, com a eventual colaboração de quem já esteve lá —, Hillary Clinton, a secretária de Estado, tentou ao menos uma certa neutralidade, apostando nas eleições vindouras, quem sabe na sua antecipação, para esfriar a crise. E o chavismo estaria devidamente denunciado. Mais do que isso: o alerta teria sido dado à safra de novos golpistas da América Latina. Eles agora não recorrem mais aos militares, mas às urnas — e, com elas, pretendem corromper, inclusive, a disciplina castrense. Assim se deu na Venezuela, na Bolívia e no Equador. Na Nicarágua, o mesmo Daniel Ortega dá início a um novo surto de autoritarismo.

Mas Obama e seus radicais não quiseram saber. Ignoraram solenemente o golpe que Zelaya estava dando em Honduras, de que sobejam provas, e trataram como golpistas os que encaminharam a solução prevista na Constituição. Afinal, assim fizeram todos, não é? Então Obama faz também. Porque ele é o presidente desse estranho consenso. E Hillary endureceu a posição. Sob o silêncio cúmplice e constrangedor dos EUA, ninguém menos do que o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, previu, justificou e estimulou o confronto armado. Chávez intervém abertamente no país. Cento e vinte agitadores estrangeiros já foram presos, a maioria vinda da Venezuela e da Nicarágua. De Manágua, Zelaya prega abertamente o que chama de “insurreição”, numa clara violação de qualquer princípio internacionalmente consagrado.

Obama parece disputar com Chávez a primazia do discurso contra o governo provisório de Honduras. E os delinqüentes já perceberam que ele é fraco e se deixa pressionar por ondas de opinião. Quando o mundo ficou chocado com as evidências de fraude nas eleições iranianas, ele se animou um tanto e deu um declaração contrária a medidas de força adotadas por aquele governo. Ali Khamenei acusou a interferência americana no país, e o que fez Barack Hussein? Correu para se justificar, oferecendo as evidências de que o outro não falava a verdade. Em matéria de política externa, Obama é um garotinho assustado, de calças curtas. Alguém fala alto, e ele treme os lábios para tentar se explicar.

No caso de Honduras, Chávez e a ditadura cubana acusam, claro — e por que não o fariam — a eventual interferência americana em favor do governo provisório (o que, obviamente, é mentira), e Obama endurece as ações contra os hondurenhos para provar a seus adversários (que, parece, no íntimo, ele gostaria de ter como aliados) que eles estão errados. A exemplo do que escrevi anteontem, se Barack Hussein ficar oito anos no poder — o que rezo para não acontecer —, o país que tem sido o principal fiador das democracias e que tem garantido a segurança do Ocidente estará de joelhos, justificando-se perante ditaduras, entendendo-lhes os motivos, condescendendo com as ruas “razões”.
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Não! Obama nem precisava ter-se alinhado com o que chamam “governo de fato” de Honduras. Teria bastado a secretária de Estado dizer que a melhor maneira de assegurar a democracia é zelar por ela, no estrito cumprimento das leis; teria bastado a secretária de estado dizer que os EUA não apóiam golpes de estado de nenhuma natureza, muito menos aqueles embalados numa farsa eleitoral, que frauda a legalidade; teria bastado a secretária de estado enviar observadores ao país para verificar se a Constituição estava ou não sendo respeitada. Mas não se fez nada disso.
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Obama decidiu ser o coadjuvante no picadeiro, que pode vir a se manchar de sangue, em que Chávez é o palhaço principal. Observem que, até agora, não se viu uma palavra sua ou de Hillary contra a interferência do ditador em Honduras. Nada! Interferência que não precisa ser atribuída ao presidente venezuelano. Ele a confessou.
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Narcoestados
Sabe-se, ademais, agora com provas, que as Farc deram dinheiro para a eleição de Rafael Correa no Equador. O mesmo narcoterrorista que confessa a doação declarou em vídeo que documentos provando a colaboração de Chávez com a narcoguerrilha também tinham ido parar nas mãos das autoridades colombianas. Evo Morales está criando um novo “departamento cocalero” na Bolívia, na fronteira com o Brasil. Anteontem, um avião carregado de cocaína caiu um Honduras. O novo governo já havia denunciado que o país se tornara rota de traficantes venezuelanos, que pousavam livremente suas aeronaves no país. .

Há indícios (no caso de Chávez e Correa, há provas) de que esses governantes estão fazendo uma parceria com o narcotráfico na América Latina — ou, se quiserem, com o narcoterrorismo. Não se trata de uma ilação, mas de dados. Não obstante, Obama parece empenhado em conquistar esses “líderes”. E que se note: o Brasil é aliado de toda essa gente e é uma das vozes mais estridentes contra o que chama “golpe” em Honduras.
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Obama, com efeito, já é aquele que foi sem nunca ter sido. Se Honduras resistir, terá sido só pela sua coragem. Se sucumbir, terá sido pela covardia de Barack Hussein — ou, na hipótese menos generosa, pela sua conivência com o bolivarianismo. Este senhor nunca será muito mais do que o chefe de uma ONG. É uma pena que a ONG da hora é a tal América.

Que Deus tenha piedade de Honduras, já que o presidente dos EUA se ausentou por uns tempos.

sexta-feira, julho 10, 2009

A DOUTRINA OBAMA EM AÇÃO (OU: O SIGNIFICADO DE UM APERTO DE MÃO)


A foto acima já está circulando na internet. Ela mostra Barack Hussein apertando a mão do ditador líbio Muamar Kadafi, durante a Cúpula do G-8 que ora se celebra em L'Aquila, na Itália. Barack Hussein faz cara de contrição, como se estivesse confessando algum pecado a Kadafi. Este, por sua vez, não esconde o sorriso de satisfação, parecendo deliciar-se com o momento. Um observador menos atento poderia até achar que é um pai-de-santo atendendo um de seus "filhos" em busca de conselho e orientação espiritual.

Confesso que nem eu, em meus piores pesadelos, poderia imaginar que um dia veria cena tão degradante. O chefe da maior potência mundial, o líder do Mundo Livre, curvando-se ante o coronel Kadafi, o mesmo que Lula chamou de "meu amigo, meu irmão". Dessa vez Barack Hussein conseguiu superar até mesmo o Apedeuta.

Mais surpreendente do que o aperto de mão em si - outro momento "histórico" do governo "histórico" de Obama, como não se cansará de repetir a imprensa obamista - foi a circunstância em que ele ocorreu: a saudação foi dada por iniciativa de Barack Hussein, logo após Kadafi ter insultado os EUA, chamando o país de "terrorista" e comparando-o a Osama Bin Laden. A reação de Barack Hussein à ofensa foi ter corrido até Kadafi e apertado sua mão. Com isso, ele corroborou a afirmação de Kadafi, reconhecendo que os EUA são um país terrorista, comparável a Bin Laden.

Surpreendente, também, mas no pior sentido da palavra, é a forma como a imprensa mundial está tratando o episódio, derramando-se em elogios e rapapés à "atitude altiva" e ao gesto de "estadista" de Barack Hussein. Sim, isso mesmo: a imprensa está aplaudindo Obama por ele ter apertado a mão de um ditador por ele ter insultado seu país e o comparado ao maior terrorista da História...

A ofensa é ainda mais surrealista por ter vindo de quem veio: Kadafi, há 40 (quarenta!) anos no poder na Líbia, onde manda e desmanda com mão de ferro, não é somente um ditador: é um ditador terrorista. Em seu currículo, está uma ampla folha de serviços prestados ao terrorismo internacional, que vai de grupos extremistas palestinos como o Setembro Negro (massacre de Munique, 1972) até o IRA norte-irlandês nas décadas de 70 e 80. Sua obra-prima foi a explosão de um Jumbo da Pan Am sobre a cidade de Lockerbie, na Escócia, em 1988 (270 mortos). Mas, sejamos justos: de uns tempos para cá - mais especificamente, desde que os EUA perderam a paciência com ele e mandaram bomba em sua cabeça, e após o país ter sido ameaçado de pesadas sanções internacionais -, ele tem-se mostrado bastante moderado, até bondoso: imaginem só, ele até aceitou indenizar os parentes das vítimas de Lockerbie...

O aperto de mão entre Barack Hussein e o coronel Kadafi é um gesto significativo. Significa que Barack Hussein quer ficar amigo de ditadores. Significa que ele realmente acredita que o problema do mundo é os EUA, e não bandoleiros como Kadafi ou Bin Laden. Significa que o discurso antiamericano e pró-terrorista finalmente chegou à Casa Branca. Obama deve ter lido e levado a sério a maçaroca antiamericana que Hugo Chávez lhe deu de "presente" alguns meses atrás, "As Véias Abertas da América Latina", de Eduardo Galeano. Só isso explica tamanha complacência com tiranos e assassinos, tamanha inversão da realidade.

Qual será o próximo passo do grande estadista Barack Hussein? Talvez marcar uma partida de beisebol com Fidel Castro, como fez Jimmy Carter. Ou, quem sabe, uma rodada de biriba com Ahmadinejad, enquanto discute com o líder iraniano se o Holocausto existiu ou não. Melhor ainda: um tête-à-tête com Bin Laden nas montanhas do Afeganistão, com cobertura pela CNN e anúncio de mais um feito "histórico" da diplomacia obamista. Entre a decapitação de um infiel e o apedrejamento de uma adúltera, os dois líderes poderão trocar algumas idéias interessantes sobre respeito às diferenças e multiculturalismo.

Na foto em que aparece pedindo a bênção ao tirano Kadafi, Barack Hussein parece estar pedindo desculpas. De fato, é isso o que o gesto demonstra. Kadafi, por sua vez, deve ter pensado: "é, parece que décadas de antiamericanismo raivoso deram resultado; agora sou respeitado e o chefe do Satã imperialista em pessoa vem se rebaixar perante mim e me fazer reverência". Ahmadinejad e Kim Jong-Il podem se regozijar. Pelo visto, terrorism works: o terrorismo funciona. Principalmente se, do outro lado, estiver um governo que prefere capitular a enfrentá-lo.

Tragam o Bush de volta!

terça-feira, julho 07, 2009

A NOVA DOUTRINA MONROE, SEGUNDO BARACK HUSSEIN: A AMÉRICA PARA OS... BOLIVARIANOS


"- Compañero Obama, como está?
- Rumbo a la revolución bolvariana, compañero".


Para muita gente, a atitude do governo norte-americano de Barack Hussein - esse é seu nome, e não somente "Obama" - em relação à crise institucional em Honduras é surpreendente. Washington não só condenou o "golpe" que retirou o golpista bolivariano Manuel Zelaya do poder, como engrossou a fileira dos governos latino-americanos e da OEA que exigem a devolução do trono a Zelaya. Não somente denunciou os "golpistas" como fechou os olhos ao que Zelaya vinha fazendo - e certamente fará, se voltar ao poder -, colocando-se assim no mesmo grupo de Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa, Daniel Ortega, Fernando Lugo, Cristina Kirchner, o esquerdista de miolo mole José Miguel Insulza (OEA) e o ex-ministro sandinista Miguel D'Escoto (Assembléia-Geral da ONU). Além do Apedeuta, claro - o exemplo-mor de esquerdista "vegetariano", segundo muita gente desavisada.
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Os bolivarianos não deixaram de saudar essa nova atitude do "império". O próprio Zelaya solicitou audiência com Hillary Clinton, sua mais nova aliada, e, em declarações à imprensa, defendeu que os EUA - vejam só - intervenham em Honduras... Os bolivarianos defendendo a intervenção de Washington num assunto interno de um país da região... quem poderia imaginar isso? (é... pelo visto, aquela discurseira toda contra o "imperialismo ianque" com que bombardeavam nossos ouvidos era mesmo conversa pra boi dormir).
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Como não poderia deixar de ser, a posição de Washington na questão hondurenha está sendo exaustivamente elogiada pela imprensa norte-americana, a qual, com o New York Times à frente, entregou-se com prazer à tarefa de ser um comitê de apoio, primeiro ao candidato, e agora ao presidente, Barack Hussein. De fato, quem passar os olhos pelo NYT ou pelo Washington Post nesses dias, sem falar na CNN - impropriadamente demonizada pelos esquerdistas, aliás - verá articulistas e comentaristas se revezando nos elogios à mais essa "mudança histórica", a esse "novo olhar" do governo dos EUA em relação à América Latina. Ao invés de se livrar dos bolivarianos, como tentaria o demônio Jorjibúxi, Barack Hussein quer encontrar um modus vivendi com eles. E isso é bom, segundo dizem. Será mesmo?
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Analisemos o fenômeno um pouco mais detidamente. Barack Hussein acredita ter encontrado o melhor caminho para lidar com a atual onda bolivariana que, iniciada na Venezuela e inspirada no exemplo de Cuba, ameaça tomar conta de toda a América Latina. Ao invés de se opor a ela, firmando posição em defesa do respeito à democracia e à legalidade - ameaçada em Honduras não pelo Congresso e pela Suprema Corte, mas por Zelaya -, ele deseja "mudar a imagem" dos EUA na região. Em outras palavras, ele quer entrar num concurso de popularidade com Hugo Chávez. Imagina, com isso, ser capaz de reverter o antiamericanismo endêmico na região e reverter a maré bolivariana. Posição semelhante a que ele vem adotando em relação ao islamofascismo e ao terrorismo islamita: tente amansá-los, mostrando que os EUA não são um país tão mau assim, e eles deixarão de apedrejar mulheres adúlteras e explodir bombas em mercados israelenses, é o que está dizendo Barack Hussein, entre um discurso "histórico" e outro.
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O que há de mais primário na retórica obamista é que ela parte da ideia idiota de que só há terrorismo islamita, assim como só há um Chávez ou um Zelaya, porque os EUA fizeram alguma coisa errada antes. Enfim, Blame America First, culpe primeiro os EUA, é o que diz o novo demiurgo da esquerda mundial, e tudo será resolvido. Como se o problema fosse os EUA, e não a Al-Qaeda ou Hugo Chávez. Como se estes odiassem os EUA pelo que o país fez um dia, e não pelo que é - um farol da Liberdade e da Democracia num mundo cada vez mais condescendente com tiranos e genocidas. Mas em vez de firmar posição em torno dessas bandeiras, o que faz Barack Hussein? Defende o retorno do golpista Zelaya ao poder, e tenta cair nas graças dos bolivarianos, esperando que, com isso, eles cessem seus ataques retóricos aos EUA. Não há tese mais furada. Não há empulhação maior.
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Imaginem se Franklin Roosevelt ou Winston Churchil tivessem resolvido, para se contraporem à onda totalitária do final dos anos 30 na Europa, disputar popularidade com Adolf Hitler. Quebrariam a cara, claro: o totalitarismo nazista, em seu auge, contava com o apoio entusiasmado e fanático de praticamente a totalidade da população alemã, assim como o totalitarismo soviético se sustentou, durante décadas, devido ao enorme poder da máquina de propaganda comunista (que persiste hoje, é bom que se diga). Assim como quebraram a cara, também, e de forma ignominiosa, Neville Chamberlain e Edouard Daladier, respectivamente o primeiro-ministro britânico e o presidente da França, quando acreditaram ter conseguido apaziguar Hitler em 1938, concedendo-lhe territórios em troca da "paz de nosso tempo". Todos conhecem - pelo menos todos que estudam a História - a lição da Conferência de Munique: tiranos, assim como terroristas, não devem ser adulados, nem podem ser apaziguados. Também não será uma campanha de relações públicas que os demoverá de suas intenções totalitárias. O único meio de lidar com ditadores e candidatos a ditadores é confrontando-os. Pelo menos se o objetivo em mente for a preservação da Democracia. É uma pena que essa lição, que tanto mal teria poupado no passado, tenha sido totalmente esquecida.
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O apoio de fato de Barack Hussein ao golpista Zelaya em Honduras entrará para a História como um dos momentos mais baixos, talvez o mais baixo, a que chegou o governo dos EUA, em toda sua história. Ao dar seu apoio, na prática, a quem quer jogar a democracia na lata do lixo Barack Hussein está reescrevendo a famosa Doutrina Monroe, de 1823, que queria salvaguardar a América do colonialismo europeu, assim como, mais tarde, os EUA salvaguardaram a América do marxismo. A diferença é que, em vez de "América para os americanos", temos hoje um novo lema: "A América para os bolivarianos". Não por acaso, o presidente norte-americano já está sendo chamado de Barack Hussein "Fidel Che" Obama por alguns colunistas conservadores (nos EUA, eles existem). Diogo Mainardi tem razão: Barack Hussein é um Henry Kissinger para ginasianos politicamente corretos.
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Quem diria... Enquanto a pequena Honduras está dando uma lição ao resto do mundo, tendo enxotado um farsante que queria usar as instituições do país para destruir a democracia e se recusando a recebê-lo de volta, a maior superpotência do planeta, governada por apaziguadores esquerdistas, capitula ante a maré bolivariana, perfilando-se ao lado de ditadores e caudilhos. Thomas Jefferson e Abraham Lincoln devem estar se revirando no túmulo.

sexta-feira, junho 12, 2009

OBAMA E O ISLÃ (OU: QUANDO O EXTREMO VIRA A NORMA)


Cometi uma pequena injustiça em meu post anterior, quando afirmei que somente o Reinaldo Azevedo e o Diogo Mainardi tiveram a ousadia suficiente para mangar do discurso "histórico" do demiurgo Barack Obama no Cairo (deveriam colocar o Obama em cima de um trio elétrico, cantando e rebolando ao som de Ivete Sangalo: o efeito sobre os cérebros da platéia seria o mesmo). É que eu tinha me limitado, até então, a ler as aves-marias e padres-nossos da nossa imprensa brazuca. Não tinha, ainda, lido o texto que vai a seguir, de autoria de Christopher Hitchens, publicado na revista eletrônica Slate em 08/06 (original aqui: http://www.slate.com/id/2220000/). A tradução, como sempre, é minha. As idéias bem que poderiam ser também.

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QUANDO O EXTREMO VIRA A NORMA

Há uma conexão fascinante entre o que o presidente Barack Obama disse sobre véus muçulmanos para mulheres em seu discurso de 4 de junho no Cairo e o debate sobre os prisioneiros de Guantánamo liberados que têm sido desde então encontrados, ou encontrados de novo, nas fileiras do Talibã e da Al-Qaeda. Não tente adivinhar, mas, por favor, leia.

Desde que o ex-vice-presidente Dick Cheney fez a maioria das manchetes do New York Times de 21 de maio, usando estatísticas do Departamento de Defesa para sugerir que um em cada sete detentos de Guantánamo tinha “voltado ao terrorismo ou à atividade militante”, tem havido uma enorme discussão sobre se isso é verdadeiro e, se é, por que é. Pode não ser o caso, por exemplo, de que uma pessoa inocente que passou pela experiência de Guantánamo possa tornar-se “radicalizada” e decidir juntar-se às fileiras da jihad pela primeira vez?

A última explicação certamente não é verdadeira para vários dos reincidentes que têm sido positivamente identificados; conhecemos o passado e o presente de alguns desses personagens. Em minha própria visita a Guantánamo, deram-me uma lista – oficialmente com somente 11 nomes – de ex-militantes do Talibã como Abdullah Mehsud, detido em fevereiro de 2002 e liberado em março de 2004, que mais tarde preferiu se matar a não se render às forças de segurança paquistanesas. Se é uma ofensa à justiça manter presas pessoas que podem ter sido vítimas de erro de identificação ou de vingança de outras facções, então é também uma ofensa à justiça liberar assassinos psicopatas que acreditam ter permissão divina para jogar ácido nos rostos de meninas que querem ir à escola.

Entretanto, se cremos ser provável ou possível que um homem somente se transmudaria em tal monstro depois de passar pela experiência de Guantánamo, então eu posso sugerir um motivo pelo qual isso possa ocorrer. Nada me preparou para a maneira como as autoridades no campo de Guantánamo permitiram aos devotos religiosos mais extremados entre os detentos serem os organizadores da rotina diária dos prisioneiros. Suponha que você fosse uma pessoa secular ou não-fanática apanhada na rede por engano; você ainda se acharia obrigado a rezar cinco vezes por dia (os guardas não têm permissão de interromper), a ter um Corão em sua cela e a comer alimentos preparados pelos padrões do halal (ou Sharia). Suponho que você poderia pedir para abster-se, mas, nesse caso, eu não apostaria muito em suas chances. Os oficiais em comando estavam tão contentes por causa da habilidade deles de exibir suas mentes extremamente abertas a respeito do Islã que eles pareceram quase magoados quando eu os indaguei como eles justificavam o uso do dinheiro do contribuinte para criar uma instituição dedicada à prática fervorosa da versão mais extremada de apenas uma religião. À imensa lista de motivos para fechar Guantánamo, acrescente esse: é uma madraçal patrocinada pelo Estado.

A mesma insistência quase masoquista em tomar o extremo como norma também esteve presente no discurso suavemente pronunciado de Obama na capital egípcia. Algo do que ele disse foi bem-intencionado, ainda que mal-informado. Os Estados Unidos não deveriam ter derrubado o governo eleito do Irã em 1953, mas quando o fizeram, usaram mulás e aiatolás subornados para açular o sentimento anti-comunista contra um regime secular. O governo de John Adams no Tratado de Trípoli de 1796 de fato proclamou que os Estados Unidos não tinham nenhuma rixa com o Islã como tal (e, ainda mais importante, que os Estados Unidos em si não eram uma nação cristã), mas o tratado fracassou em impedir os estados da Berberia em invocarem o Corão como permissão para raptar e escravizar viajantes dos altos mares, e assim Thomas Jefferson foi mais tarde obrigado a enviar uma frota e os Fuzileiros Navais para dar cabo do comércio. Espera-se que Obama não prefira Adams a Jefferson a esse respeito.

Qualquer pessoa com a menor pretensão ao alfabetismo cultural sabe que não há tal lugar ou coisa chamada “o mundo muçulmano”, ou, ao invés disso, que este consiste em muitos lugares e em muitas coisas. (É precisamente o objetivo dos jihadistas colocá-lo todo sob um domínio preparatório para tornar o Islã a única religião do mundo.) Mas Obama não disse nada sobre o cisma entre sunitas e xiitas, ou sobre o debate sobre o sufismo, ou sobre as formas Ahmadi e ismaelita de culto e prática. Tudo isso foi reunido na umma: a noção altamente ideológica de que uma pessoa é antes de tudo definida por sua adesão a uma religião e de que todos os conceitos de cidadania e direitos estão em segundo lugar em relação a esse diktat teocrático. Nada poderia ser mais reacionário.

Tomem o único caso em que nosso presidente tocou o fato mais conhecido sobre o “mundo” islâmico: sua tendência em fazer das mulheres cidadãos de segunda classe. Ele mencionou isso somente para dizer que os “países ocidentais” estavam discriminando as mulheres muçulmanas! E como essa discriminação é imposta? Ao se limitar o uso do véu de cabeça ou hijab (uma palavra que Obama pronunciou como hajib – imaginem a gritaria se George Bush tivesse feito isso). A implicação clara foi um ataque à lei francesa que proíbe o uso de objetos ou símbolos religiosos nas escolas públicas. De fato, no dia seguinte em Paris, Obama tocou nesse assunto ainda mais explicitamente. Faço uma citação de um excelente comentário de um professor visitante argelino-americano na Faculdade de Direito da Universidade de Michigan, Karima Bennoune, que diz:

Acabei de publicar uma pesquisa conduzida entre muitas pessoas de ascendência muçulmana, árabe e norte-africana na França que apóiam a lei nacional de 2004 banindo símbolos religiosos em escolas públicas, que eles vêem como um desdobramento necessário da “lei da república” para conter a “lei dos irmãos”, uma regra informal imposta não-democraticamente a muitas mulheres e meninas em vizinhanças e em casa e por fundamentalistas.

Mas para as mulheres que são obrigadas a se vestirem de acordo com as exigências de outros, Obama não teve nada a dizer absolutamente, como se o único “direito” em jogo fosse o direito de obedecer uma instrução que, de fato – se isso tem alguma importância – não é encontrada no Corão. Na Turquia, também, véus de cabeça para mulheres são proibidos pela lei em alguns contextos. Isso é, também, islamofobia? O presidente pensa que o véu e a burca também são declarações de moda livremente escolhidas? Esse tipo de ingenuidade é preocupante, e significa que entre a platéia muçulmana global, o tipo errado de gente estava rindo de nós, enquanto os que deveriam ser nossos amigos e aliados estavam vertendo uma lágrima de desapontamento.

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Voltei
E pensar que houve um tempo em que os "progressistas" do mundo inteiro condenavam o governo dos EUA por defender regimes despóticos e ditatoriais... Hoje, ao contrário, a mesma turma cobre o presidente norte-americano de elogios por defender o "direito" de meninas serem apedrejadas e chicoteadas por não seguiram uma religião. Se isso não é duplo padrão e hipocrisia, então eu não entendo mais nada.

segunda-feira, junho 08, 2009

"YES, HE CAN"... OBAMA, O NOVO DEMIURGO DA ESQUERDA MUNDIAL


Olha, eu sei que é difícil ir contra Deus. Principalmente - e bota principalmente nisso - quando Ele se chama Barack Hussein Obama. Mas vou cometer esse sacrilégio. Alguém precisa fazê-lo. Minha alma pode não ir para o Céu, mas a Razão agradece.

Nos últimos dias, assistimos a mais uma das demonstrações de tietagem explícita da imprensa mundial - "a mídia burguesa", como gostam de dizer os esquerdopatas - que já se tornaram corriqueiras em relação a Obama. Refiro-me ao mais recente discurso "histórico" do presidente norte-americano, proferido na Universidade Al-Azhar, no Cairo, Egito.

Procurei nos jornais e revistas, além da internet, alguma análise mais crítica, ou, pelo menos, menos servil sobre o discurso de Obama. Com exceção do Reinaldo Azevedo e do Diogo Mainardi, não encontrei nada, nadinha. Este último, aliás, escreveu na VEJA um dos textos mais lúcidos que eu li nos últimos tempos, uma análise concisa e demolidora do enorme vazio intelectual que perpassa a retórica obamista (veja no final do post). Tirando esses dois arautos da "direita" midiática - logo, espiões da CIA e do imperialismo ianque, além de dedos-duros da ditadura militar de 64 e lacaios de Wall Street e do General Pinochet, segundo nossas esquerdas, elas sim donas da verdade e da razão -, só encontrei, ao invés de crítica, muita louvação, muita babação de ovo e sabujice. Tudo embalado por um "Discurso histórico de Obama inaugura nova relação com mundo árabe" aqui, um "Obama propõe novo começo nas relaçoes com o Islã" acolá, e outros chavões do tipo, junto com as louvações de praxe.

"Novo começo", é? Sei... A quase totalidade da imprensa mundial (a mesma "mídia burguesa" e "de direita", lembram?), ao que parece, jogou às favas o espírito crítico e comprou gostosamente a gigantesca operação de marketing que é Obama, e tem assinado embaixo de toda e qualquer palavra ou ação sua, ainda que seja - como, de fato, é (vide Afeganistão, por exemplo) - apenas mais um pouco do mesmo, com uma roupagem change. Obama, o novo Messias, está em plena campanha de relações públicas junto aos países árabes e muçulmanos, e é nesse contexto que deve ser entendido seu discurso no Cairo. Até aí, nada demais. Qual o problema, então? O problema, atentai leitor!, é que o discurso de Obama não passou de uma coleção de platitudes e lugares-comuns sobre o Islã e os muçulmanos, ditos com aquele vazio grandiloquente que tanto o caracteriza e que parece encantar as redações dos jornais aqui e alhures. Mais: incorreu em erros históricos, quando, ao tentar qualificar o Islã como uma "religião de paz", apelou para um passado mítico islâmico, de suposta harmonia e tolerância com outras crenças, inclusive de luminosidade científica e intelectual - tese desmentida de forma cabal pela História (vide a expansão islâmica a partir do século VII e a ocupação da Península Ibérica, feitas todas na ponta da espada), bem como todos os dias pelo noticiário (onde estão os "moderados" líderes islâmicos na hora de condenar, sem ambiguidade, os atentados terroristas do Hamas e do Hizbollah?). Mais ainda: serviu para reforçar os argumentos dos que odeiam os EUA e o Ocidente, ao transmitir a noção de que não haveria terrorismo islamita se não fosse por causa dos... EUA e do Ocidente! Enfim, uma mistura de anacronismo histórico com o velho Blame America First. Uma empulhação total.

Nada disso, é claro, importa para nove em cada dez meios de imprensa. Afinal, foi ela, a grande imprensa norte-americana ("burguesa", "de direita" etc.) que pariu e amamentou o mito Obama, deixando de cumprir seu papel básico de apurar sobre seu passado e suas relações - políticas e pessoais - até agora mal-explicadas com figuras sinistras como Bill Ayers e Jeremiah Wright para se debruçar sobre os vestidos e penteados de Sarah Palin, como demonstra de forma bastante didática o jornalista (ainda sobraram alguns) Bernard Goldberg, em seu livro imperdível A Slobbering Love Affair: The True (and Pathetic) Story of the Torrid Romance Between Barack Obama and the Mainstream Media (numa tradução livre: Um Caso de Amor Babão: A Verdadeira e Patética História do Tórrido Romance Entre Barack Obama e a Grande Imprensa). Não é surpresa, portanto, que discursos como o do Cairo já nasçam "históricos" antes mesmo de serem pronunciados, mesmo que se baseiem, como de fato se baseiam, numa interpretação completamente mitológica e falseada do Islã e de sua História.

Isso se aplica também a qualquer coisa que Obama faça em política externa. Quem não se lembra dos acenos de Obama à teocracia islamita do Irã do louco Mahmoud Ahmadinejad, o mesmo que esnobou o convite do Itamaraty para visitar o Brasil no mês passado? Pois este já respondeu prontamente à política de "mão estendida" da Casa Branca... intensificando seu programa nuclear e testando um míssil capaz de atingir Israel! Outro louco, o ditador Kim Jong-il da Coreia do Norte, provavelmente estimulado pelas sábias palavras de paz e concórdia de Obama, também se aproveitou desse "novo momento" das relações dos EUA com o restante do mundo, anunciada com pompa e fanfarra pelo demiurgo Obama, lançando mísseis e ameaçando o mundo com a arma atômica. E os assasinos e terroristas do Hamas, certamente, devem estar se sentindo o máximo depois de terem sido colocados no mesmo nível político dos malvados israelenses pelo presidente dos EUA - e de terem visto o New York Times aplaudir entusiasticamente isso.

Houve uma época, não faz tanto tempo assim - estou falando não de vinte ou dez, mas de uns seis anos atrás -, em que as palavras dos políticos eram recebidas geralmente com um saudável ceticismo por parte da imprensa séria e dos "formadores de opinião". Era uma época em que o espírito crítico falava mais alto do que o oba-oba, ou em que, quando isso se mostrava, era com um certo pudor, uma certa vergonha, os elogios deslavados cobertos por uma série de subterfúgios. Essa época acabou. Hoje, com Obama lá e Lula aqui, a tietagem mais explícita e desavergonhada tomou conta das redações dos jornais e da "mídia", não deixando qualquer espaço para a análise fria e o ceticismo. A ponto de qualquer bobagem que Obama disser vir apresentada automaticamente como as Novas Tábuas da Lei. Yes, he can. Ou melhor: Yes, they can...

Definitivamente, o marketing e os chavões tomaram o lugar da análise política, e isso tanto nos EUA quanto no Brasil. Quem perde com isso é a verdade. Ou seja: todos nós.

Para fechar com chave de ouro, reproduzo a seguir o artigo de Diogo Mainardi na VEJA desta semana. Nada poderia ser mais eloquente e sucinto. Por isso o transcrevo integralmente.


PLATITUDES E ASNICES

Giotto era do Hamas?

Barack Obama, em sua viagem ao Egito, tentou reconciliar o mundo maometano com os Estados Unidos. Em vez de bombardear os terroristas com um Predator, ele os bombardeou com platitudes: "O ciclo de suspeita e desentendimento tem de acabar... Estou aqui em busca de um recomeço... Baseado no interesse mútuo e no respeito mútuo... Em princípios comuns – princípios de justiça e de progresso, de tolerância e de dignidade para todos os seres humanos". Dá até para imaginar um carrasco pashtun, subitamente iluminado pelo discurso de Barack Obama, largando suas pedras, um instante antes de apedrejar uma adúltera.

E onde entra Giotto nisso tudo?

Barack Obama, a certa altura de seu pronunciamento, disse: "Como estudante de história, eu aprendi que foi o islamismo – em lugares como a Universidade Al-Azhar – que conduziu o lume da sabedoria por séculos e séculos, pavimentando o caminho na Europa para o Renascimento e o Iluminismo". Ele só pode ter aprendido isso com Edward Said, em seus tempos de estudante na Universidade Colúmbia. Os árabes, na Idade Média, tinham grandes conhecimentos de álgebra e de caligrafia, como citou o próprio Barack Obama, num trechinho tirado diretamente da Wikipédia. Mas o principal papel do islamismo para o estabelecimento do Renascimento e do Iluminismo – está igualmente na Wikipédia – foi o massacre de milhares de cristãos em Constantinopla, que obrigou os helenistas bizantinos a se refugiarem na Europa, com seus clássicos gregos e latinos. O Oriente revitalizou o Ocidente perseguindo-o, aterrorizando-o, assassinando-o.

Barack Obama realmente acredita em sua capacidade de seduzir e desarmar os fanáticos religiosos e os tiranos genocidas que prometem destruir Estados Unidos e Israel. Apesar dos aplausos entusiasmados de editorialistas do mundo inteiro, seu discurso é de uma asnice assustadora: ele apela retoricamente para um passado remoto do islamismo, um passado mítico, que só se encontra nas salas de aula da Universidade Colúmbia. Foi o que ele fez quando se referiu à Universidade Al-Azhar, aquela que teria conduzido "o lume da sabedoria por séculos e séculos". A Universidade Al-Azhar tem uma história antiga e gloriosa. Mas a realidade é que, nos últimos 100 anos, ali se formaram o fundador do grupo terrorista Mão Negra, o fundador do grupo terrorista Irmandade Muçulmana e o fundador do grupo terrorista Hamas. Barack Obama procurou instaurar um diálogo com o islamismo que produziu o Renascimento – que produziu Giotto. Como se Giotto, depois de pintar afrescos numa capela, fosse fabricar um foguete Qassam. É melhor Barack Obama clicar o nome de Giotto na Wikipédia.

Dizer o quê? Disse tudo.